Editorial
Alguma novidade?

A notícia de procura acima do esperado para atendimento no Mini-hospital da Grande Pioneiro nesta primeira semana de reabertura em nada causa surpresa, afinal, tamanha era a expectativa pela volta do pronto atendimento 24 horas naquela unidade de saúde numa das regiões mais populosas – e carentes – de Toledo. Expectativa não apenas de quem mora por lá, até porque a esperança era – e como se percebe já neste reinício, esperança comprovada – de uma redução na procura pelo atendimento na UPA da Vila Becker, fechando o cerco por assim dizer na rede de saúde pública mais básica na cidade.

Não que a reabertura do Mini signifique o fim dos problemas no setor. Longe disso. Porém, a volta do atendimento 24 horas devolveu o orgulho a uma população que tinha naquele espaço um apreço diferenciado. O Mini não é apenas mais uma unidade de saúde. Para quem mora, vive e respira a Grande Pioneiro, aquele prédio é a comprovação da capacidade e do crescimento de uma região durante anos menosprezada e até discriminada.

Também não causa estranheza a ‘gritaria’ de alguns vereadores de oposição quanto à metodologia empregada para reabrir a unidade, afinal, cada um luta com as armas que possui e adota a estratégia que melhor lhe convém. Os mesmos que criticam a reabertura hoje aplaudiam seu fechamento e vice-versa, num vai e vem muito comum da política nacional pequena, pautada de maneira muito mais personalizada e individual que propriamente na adoção de políticas públicas de governos e não de governantes.

Tudo que cerca o Mini-hospital não traz novidade no momento. Era prevista uma procura enorme por parte da população. Era prevista a redução nos atendimentos da UPA. Era previsto o uso eleitoral de seu fechamento, especialmente porque seu fechamento sim foi uma triste novidade e os desdobramentos transcorridos desde então não passaram de reflexos naturais de uma atitude política desastrosa, a qual poderia ter sido evitada e, quem sabe, feito transcorrer de maneira distinta muitos dos acontecimentos políticos advindos dessa ação. Mas, como no Brasil se pensa muito mais no agora que no futuro...Alguma novidade?