Editorial
Caiu!

As novas – e ainda mais bombásticas – denúncias feitas por empresários dentro da Operação Lava Jato deixaram no ar alguns questionamentos inevitáveis: O que será daqui por diante? A economia vai suportar tamanha desfaçatez com a causa pública? As reformas – urgentes e necessárias para  o Brasil sair deste marasmo – serão levadas adiante? O Governo Temer sobreviverá? Até o fechamento desta edição o – ainda – presidente Michel Temer (PMDB) não havia renunciado ao cargo. Seria a saída mais digna, entretanto dignidade parecer não ser o adjetivo mais encontrado entre a turma do poder em Brasília, embora isso lá não seja nenhuma novidade.

O Governo temer caiu, assim como também todo este sistema putrefato da política nacional! Basta! Pena que esse desagravo nacional não passe de bravata, haja vista a disputa para se manter benefícios entre categorias no melhor estilo o justo vale apenas para os outros.

As denúncias sepultam ainda esse discurso ridículo e enjoativo de que a Operação Lava Jato foi criada para sepultar o petismo e suas estrelas, ou melhor, a estrela solitária que atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva. Não, a Lava Jato não serviu apenas para isso. Está servindo para mostrar à sociedade que se ela, sociedade, não mudar, não haverá futuro, até porque o presente já se foi há muito tempo. A lista interminável de nomes envolvidos neste corpulento esquema de corrupção demonstra a grandeza da iniciativa desta operação singular na história tupiniquim.

A Lava Jato também não é o estopim desta crise. Não há crise que tenha se agravado nos últimos anos. A diferença é que as reservas – quase sempre abundantes quando se trata de Brasil – começaram a minguar, exigindo mudanças que não foram feitas. A única diferença em relação e outros tempos é que agora todo mundo sabe como funcionava o esquema de corrupção, estatizado nas últimas administrações e levado ao mais alto grau de corporativismo já visto na história. Nunca se roubou tanto deste e neste país.

Já houve crises bem mais agudas que essa. Basta lembrar dos tempos de hiperinflação, etc, entretanto, enquanto não mudar o sistema e a questão dos benefícios à classe de servidores públicos - e não vai mudar nunca - sempre será essa gangorra... Ora bem, ora lá em cima, ora lá embaixo, ora mal. Ou péssimo, como a nação assiste incrédula neste momento.

Vivemos em crise senhoras e senhores. De tempos, em tempos, o que mudam são os atores.