Cidade

Crianças com altas habilidades participam de projeto de filosofia

28/04/2012 às 06:00 - Atualizado em 02/09/2012 às 23:39

Fabíola Dalla Vecchia

Atividades lúdicas abordam temas filosóficos e este trabalho colabora com o desenvolvimento dos superdotados

 

No campus de Toledo da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) é possível avistar frequentadores incomuns para o ambiente. São crianças de quatro a dez anos que não estão passeando ou acompanhando alguém. Estão lá para desenvolver as habilidades fora do comum para suas idades. Elas integram o projeto Filosofia para Crianças com Altas Habilidades/Superdotação.

As crianças recebem um atendimento especial toda a semana durante uma hora. São 24 alunos que realizam as atividades no contra-turno escolar, em quatro turmas distintas.

Nos encontros são trabalhados conceitos filosóficos contextualizados no mundo infantil. O objetivo é potencializar as altas habilidades destes estudantes que foram detectados na escola e passaram – ou passam – por um processo de avaliação. A ação é uma iniciativa do curso de Filosofia da Unioeste, vinculado ao projeto “Escrileituras” e realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Toledo.

Com este trabalho, que iniciou em agosto do ano passado, quer-se trabalhar as potencialidades que existem nas crianças com desempenho acima da média ou elevada em alguns aspectos (isolados ou combinados): capacidade intelectual geral, aptidão acadêmica específica, pensamento criativo ou produtivo, capacidade de liderança, talento especial para artes e capacidade psicomotora.

PARA CRIANÇAS – A professora de Filosofia da Unioeste e coordenadora do projeto, Michelle Silvestre Cabral explica que a metodologia aplicada no projeto é inspirada no Programa Filosofia para Crianças. “Utilizamos a literatura brasileira para iniciar os assuntos que serão discutidos. Nestes materiais encontramos os conceitos filosóficos e apresentamos às crianças”. As atividades sempre remetem ao lúdico, ao que é atrativo ao público alvo, garante Michelle.

“Recentemente falamos sobre as diferentes formas de se ler. Trouxemos um livro sem texto para ampliar o conceito da leitura”. Como resultado do assunto, as crianças fizeram uma pintura utilizando uma imagem própria e reforçaram a ideia de que uma leitura pode ser feita a partir de uma figura, desenho.

Diversos assuntos e valores estão focados neste trabalho: como utilizar as potencialidades de forma positiva, a importância de dialogar e se relacionar com os colegas, e como controlar a agressividade são exemplos. “Uma criança que não é orientada da forma correta, pode apresentar sinais de agressividade, inquietude, porque se sentem frustradas por não estarem em um ambiente agradável para elas”.

SELETO GRUPO – A participação no Projeto resulta num trabalho de observação e investigação que começa na sala de aula. Os professores da rede municipal de ensino são orientados a identificar os alunos com altas habilidades e os encaminham à Secretaria de Educação. Lá uma equipe multidisciplinar irá realizar testes para ter certeza que a criança faz parte deste seleto grupo.   

De acordo com Michelle, menos de 1% da população mundial é diagnosticada com esta característica. No entanto, estima-se que este índice pode chegar a 3%. “Ainda é um fenômeno recente, mas a cada dia estamos descobrindo mais”.

Projetos em todo o Brasil estão sendo realizados por pesquisadores e universidades. O Ministério da Educação, por exemplo, já inseriu esta modalidade na Política Nacional de Educação Especial e por isso, um atendimento especial é direito de toda a criança e adolescente.

A ideia do grupo da Unioeste é de difundir este trabalho com os professores, para colaborar na identificação e na orientação com os superdotados. O projeto está sendo planejado.

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