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Cidade

Levantamento mostra quanto custa a cesta básica

06/06/2012 às 06:00 - Atualizado em 02/09/2012 às 11:35

Francielly Hirata

Aposentado Pedro Robim: “Eu ganho um salário e gasto R$ 430,00

 

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de maio, divulgada segunda-feira (4), mostrou que os gastos essenciais com alimentação variam de R$ 199,26 em Aracaju a R$ 283,69 em São Paulo. Já em Toledo, a reportagem do JORNAL DO OESTE verificou que este custo está em média R$ 200,98.

A pesquisa considera para o cálculo os seguintes itens: carne (6,6 kg), leite (7,5 L), feijão (4,5 kg), arroz (3 kg), farinha (1,5 kg), batata (6 kg), tomate (9 kg), pão francês (6 kg), pó de café (600 g) banana (90 unidades), açúcar (3 kg), óleo (900 ml) e manteiga (750 g). O valor foi levantado considerando o preço médio dos produtos no mês.

Estes são os produtos e quantidades consideradas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) como suficientes para o sustento e bem estar de um trabalhador paranaense em idade adulta, contendo quantidades balanceadas de proteínas, calorias, ferro cálcio e fósforo.

Ainda de acordo como padrão do Dieese, uma família toledana, considerando dois jovens e duas crianças - que consomem por um adulto -, gastaria R$ 602,94 somente com alimentação básica. Na casa de Lenir Jackes o custo com o supermercado não pode alcançar o que o é considerado essencial.

“Posso gastar no máximo R$ 400 no supermercado. Somos três pessoas”, revela ao pontuar que com renda média de dois salários mínimos o custo com alimentação não pode atingir outros, como aluguel, água e luz. “A gente tenta economizar no máximo, compra sempre o mais barato”, afirma

INSUFICIENTE

Comparando com o salário mínimo o valor com alimentação fica realmente expressivo. Em Toledo, seguindo a base de cálculo do Diesse, o cidadão assalariado precisa trabalhar 71 horas no mês para custear somente sua alimentação, ou então 213 horas para toda a família.

Segundo o Dieese, o salário mínimo, em maio, deveria ter sido R$ 2.383,28, o que corresponde a 3,83 vezes o valor em vigor, R$ 622,00. O departamento considera para o cálculo a constituição, que afirma que o salário mínimo deve atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família.

Portanto, deve ser suficiente para todos os custos de moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. “Mas a gente gasta quase tudo com comida. Eu ganho um salário e gasto R$ 430,00 no mercado”, revela o aposentado Pedro Robim.

Embora tenha mais pessoas que contribuem com a renda familiar, o assalariado garante que não é suficiente. “É apertado e olha que só compramos o essencial. Imagina se colocarmos roupa, escola, saúde e outras coisas que precisamos?”, questiona.


Saiba mais

Mais caro

E os custos da alimentação estão mais altos. Há um mês a cesta básica na cidade custava em média R$ 192,60, 4,16% a menos. “Os produtos que dispararam no preço foram a banana, o óleo de soja e o feijão”, comenta o gerente de um supermercado de Toledo, Henrique Novaes Lajarim.

Segundo o gerente, o leite e café também tiveram alteração, mas a loja tenta diminuir a margem em diversos produtos para as altas não impactarem de uma vez no bolso do consumidor. “Quando são itens de grande giro a gente não repasse de uma vez, vamos escalonando o reajuste”, explica.

Com a chegada do frio, alguns produtos essenciais têm tendência à alta, como o leite, carnes e agora, devido à alta do dólar, o pão. “E o básico é a maior fatia da venda nos mercados. Podemos dizer que 40% das vendas são de carnes, verduras, legumes e frutas”, adianta.

O consumidor reage aos preços mais altos. “A princípio eles se retraem e só voltam a comprar quando percebem que o reajuste foi geral, em todos os supermercados”, finaliza o gerente.

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