Crianças são vítimas de maus tratos pelos próprios pais

Da Redação

Publicado em: 05/08/2012 - 14:00 | Atualizado em: 31/08/2012 - 06:31

Suzi Lira

As crianças assistidas pelo Creas II participam de oficinas 

 

O castigo físico contra a criança e o adolescente dentro do próprio lar é uma das formas mais comuns de violência familiar. Para alguns pais dar uma palmada ou puxar a orelha dos filhos quando se comportam mal é uma maneira de educá-los, no entanto, o método corretivo aplicado, quando exagerado, pode trazer consequências graves para toda a família.

Em Toledo esta é a segunda maior causa de violação dos direitos da criança e do adolescente.  Só nestes primeiros seis meses do ano, 33 casos foram atendidos pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social Indivíduos e Famílias (CREAS II), contra 39 no primeiro semestre de 2011. Comparado ao ano passado, neste mesmo período, houve uma redução de 15%.

“Boa parte das agressões é cometida pelos pais ou familiares que são responsáveis pela criança. Muitos usam palmadas, beliscões e outros ‘castigos corporais’ para corrigir as crianças. Eles acreditam que desta forma estão educando as crianças, no entanto, estão gerando ainda mais violência”, explica a coordenadora, Ruth Lemes.

Segundo ela, entre as causas da violência infantil está o trauma de quem foi agredido quando criança. A maioria dos pais repete os costumes que haviam no passado, o que acaba sendo um conflito e risco de abusos e violência extrema. “Pais que na infância foram vítimas de violência doméstica tendem a repetir as agressões em seus filhos, é uma questão cultural que precisa romper”, esclarece Ruth.

ACOMPANHAMENTO

As crianças que sofrem agressões e suas famílias passam por atendimentos multidisciplinares no Creas II, que vão desde visitas domiciliares, até acompanhamento jurídico.

De acordo com a psicóloga, Samara Higa, o primeiro passo para o atendimento da criança vítima de agressão é o diálogo. “O foco é justamente quebrar este ciclo de violência dentro de casa, para isso realizamos atendimentos individuais e em grupos para as crianças e famílias, tanto na área da psicologia como da assistência social”.

Durante os atendimentos, elas também participam de oficinas artísticas, artesanato e atividades socioeducativas.  “Inserir essas famílias dentro de atividades é uma das propostas para que elas percebam o que a violência traz de ruim. Alguns pais têm dificuldade em enxergar que está agindo errado e não quer mudar, esse é o nosso desafio”, relata a assistente social Jaqueline Nadi da Silva.

Ela explica que as consequências para uma criança que sofre agressão, são inúmeras, mas afeta principalmente o lado afetivo, escolar e social. “Há mudanças no comportamento, eles reproduzem a violência que tem em casa e tem dificuldades no relacionamento com outras crianças. Nos casos mais graves, onde há lesões, pode tornar um problema de saúde”.

Não há um tempo determinado para a conclusão do acompanhamento da rede, depende de cada caso e dos resultados alcançados durante este período que são assistidos pelos profissionais. “O objetivo é que haja interrupção da violência em casa, porém, se não há uma resolutividade, o caso é encaminhado ao Ministério Publico que toma as medidas necessárias”, esclarece a coordenadora Ruth.

EDUCAR

Impor limite aos filhos e a transmissão de valores, é uma das maiores dificuldades para educar nos dias de hoje. A correria do dia a dia, trabalho, problemas financeiros e de saúde, distanciam a relação entre pais e filhos. “Conversar é algumas das formas para melhorar o convívio familiar, além disso, manter o vínculo de afeto e amor” orienta a psicóloga.

Mesmo com os números registrados, a violência mais comum em Toledo contra as crianças e adolescentes é a negligência. Os pais deixam de ter os cuidados básicos com os filhos, como higiene, saúde e escolaridade. Até o mês de julho, 65 casos chegaram até o Creas II para atendimento. “O problema é ligado à estrutura familiar, muitos pais justificam agressão ou o descaso por causa do trabalho, dependência de álcool ou drogas, a desobediência das crianças, entre outros motivos, porém a educação dos filhos é de responsabilidade dos pais, e cabe a eles educar e não agredir”, finaliza Samara.

 

 

Compartilhar esta notícia

Publicidade

Comentários

Você precisa estar logado para comentar, clique aqui para entrar.
Se você for um novo usuário, clique aqui para se cadastrar.