Boxeador que brigou em entrevista pode pegar até 10 anos de prisão

Da Folhapress

Publicado em: 21/02/2012 - 09:00 | Atualizado em: 09/05/2012 - 11:36

Os pugilistas ingleses Dereck Chisora e David Haye podem ser presos na Alemanha por conta da briga que protagonizaram durante entrevista coletiva, em Munique, no sábado, segundo disseram autoridades.

Chisora é acusado de ter causado dano intencional, o que poderia fazer com que pegasse uma pena de até cinco anos e ainda outro ano (ou multa) por comportamento ameaçador. O pugilista ainda pode perder a licença para lutar concedida na Inglaterra.

Haye pode ser condenado por até dez anos pela acusação de provocar lesões graves.

"Ambos pode pegar multas e uma possível pena na prisão", afirmou um porta-voz da polícia alemã para a agência de notícias France Presse.

Antes de embarcar para a Inglaterra, Chisora foi levado para uma delegacia de Munique para ser interrogado pela briga com Haye.

Haye, por sua vez, tratou de deixar a Alemanha logo depois da confusão e só falou nesta segunda-feira através de um comunicado em que culpou Chisora pelo início da briga.

 

OS CONFRONTOS - Chisora começou a causar polêmicas ainda na sexta-feira. Depois da pesagem, ele e o ucraniano Vitali Klitschko, dono do cinturão do CMB, faziam poses para promover o combate quando o inglês deu um tapa no rosto do campeão.

Klitschko relutou em revidar, a "turma do deixa disto" apareceu e ambos subiram no ringue de Munique, na Alemanha, no sábado.

Pelo ato, Chisora foi multado em US$ 50 mil (cerca de R$ 85 mil).

Já sobre o ringue em Munique, quando o irmão mais novo do ucraniano, Wladimir, dono dos cinturões dos pesados da AMB, FIB e OMB, procurou impedir que o britânico se aproximasse de Vitali, Chisora, com a boca cheia d'água, ensopou seu rosto. Pelo menos naquele momento, Wladimir não reagiu.

Vitali venceu por pontos e teve mais trabalho do que se imaginava com Chisora, que se manteve provocador ao final do combate. Encarou Vitali e Wladimir, que àquela altura foi tomar satisfações do jato de água. Em tom desafiante, Chisora insinuou uma patriotada - uma base dos Klitschko é a Alemanha - ao perguntar se Vitali teria coragem de pegá-lo na Inglaterra. Mas o pior estava por vir.

Durante a entrevista coletiva que se seguiu à luta, Bernd Boente, manager dos Klitschko, iniciou um bate-boca com o inglês David Haye, que perdera uma decisão por pontos para Wladimir e estava na Alemanha como comentarista. Boente disse que, ao contrário de Haye, Chisora ao menos "tentou".

Logo Chisora entrou na discussão, ao classificar Haye de "uma vergonha", afirmar que o boxe na TV aberta inglesa morreu por sua causa e que lhe daria "dois tapas".

O promotor de Chisora, Frank Warren, meio brincando, meio sério, sugeriu que o vencedor de uma luta entre Haye e Chisora recebesse oportunidade contra Vitali.

Como Haye não parou de lançar provocações, chamando-o de perdedor, Chisora perguntou se ele repetiria aquilo cara a cara e, decidido, deixou para trás o microfone e foi na direção de Haye.

Os dois começaram a brigar na frente das câmeras. Haye chegou a pegar o tripé de uma equipe de TV para atirar no adversário. Quando os dois foram finalmente separados, Chisora gritou que Haye lhe acertara uma garrafada e jurou que iria matá-lo.

Foi interrompido então pelo técnico de Haye, Adam Booth, que tinha sangue escorrendo pela testa. Também disse ter levado garrafada.

"Foi Haye que o acertou", explicou Chisora. Booth discordou, e, ao deixar a sala, xingou o manager de Vitali, ampliando a confusão. Chisora continou: "Diga a Haye que nos enfrentaremos dentro ou fora do ringue. Ou eu vou encontrá-lo e queimá-lo".

Antes de embarcar para a Inglaterra, Chisora foi detido pela polícia alemã e só foi liberado horas depois após ser interrogado.

 

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