Toledo

Indústria 4.0 vai permitir a interconexão no trabalho das empresas

Mais qualidade e produtividade são alguns dos benefícios da Indústria 4.0.
O auditório da PUC ficou completamente lotado (Foto: Graciela Souza)

“Vamos nos interconectar com experiências boas. Na sequência, equalizar as informações e permitir que o Brasil recupere o tempo perdido no desenvolvimento”, destaca o presidente do Centro de Linhas Avançadas em Inovação, Excelência e Qualidade (Claeq) Ronald Dauscha ao falar sobre a Indústria 4.0. O tema foi apresentado durante o Ciclo de Palestras em comemoração ao Mês da Indústria. No segundo encontro, o evento aconteceu na quarta-feira (17), no Auditório Dom Anuar Batista da Pontifícia Universidade Católica (PUC), campus Toledo.

A Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial (embora esta última associação seja discutível e o conceito 4.0 seja considerado uma derivação da Terceira Revolução Industrial) desponta como caminho natural para aumentar a competitividade do setor por meio das tecnologias digitais.

A indústria brasileira ainda está se familiarizando com a digitalização e com os impactos que pode ter sobre a competitividade. Dauscha explica que a Indústria 4.0 facilita a visão e a execução de “Fábricas Inteligentes” com as suas estruturas. Os sistemas monitoram os processos físicos, criam uma cópia virtual do mundo físico e tomam decisões descentralizadas. “Com a internet, os sistemas comunicam e cooperam entre si e com os humanos em tempo real”.

O presidente do Claeq complementa que a Indústria 4.0 vai mudar, totalmente, o conceito de tecnologia nas indústrias, porque permite a interconectividade entre as máquinas, o sistema de controle, a empresa e com toda a cadeia de valor. “A Indústria 4.0 se torna um conceito e também é um sistema que engloba a organização e o entorno todo. Uma interconexão direta entre o chão de fábrica e os níveis superiores. As máquinas ‘conversam’ verticalmente e horizontalmente”.

 

BENEFÍCIOS

Mais qualidade e produtividade são alguns dos benefícios da Indústria 4.0. Dauscha complementa que é uma oportunidade para o empresário implementar a nova tecnologia. “Ele deverá analisar e fazer um diagnóstico da empresa e, posteriormente, definir as principais metas, como retrabalhar estratégia, inovação ou produto novo”.

Outro benefício mencionado pelo palestrante é que a Indústria 4.0 vai auxiliar na qualificação do profissional. “Ela deverá formar cargos mais especializados para coordenar ou administrar essa nova fase. Em curto prazo deve haver uma não necessidade de ‘mão de obra’ manual, e sim, ‘cabeça de obra’”.

 

TRANSIÇÃO

No Brasil, o processo de implantação da Indústria 4.0 ainda é lento e profissionais buscam um modelo de abordagem dos empresários para incentivar a transição. Conforme o presidente do Claeq, o processo deve ser gradual. “O empresário deve compreender que a Indústria 4.0 não é a robotização ou a automação é algo além. É a interconectividade total. Ter um mundo interligado e permitir agir em qualquer modelo de negócio ou processo. É investir na interconexão entre as várias camadas de inteligência”, finaliza Dauscha.

 

MOVIMENTO COORDENADO

Indústria 4.0 proporciona novas informações e diferenciais competitivos

O diretor comercial da PPI – Multitask Sistemas e Automação Ltda Marcelo Pinto implanta sistemas de automação industrial, de monitoramento online do chão de fábrica, entre outros sistemas. Atualmente, ele faz parte de um grupo de empresas que está se avançando no entendimento da Indústria 4.0. Pinto participou do Ciclo de Palestras.

Ele considera o tema novo para as pessoas. Muitas delas ainda desconhecem a história das novas tecnologias. “Isso é uma onda global. No mundo só fala da Indústria 4.0. É um movimento coordenado em muitos países e o Brasil está em um momento de divulgação das boas novas. Elas trazem oportunidades e riscos para quem não ficar atento a 4ª Revolução Industrial”, afirma ao acrescentar que o empresário deve estar atento as oportunidades de aplicação das novas tecnologias, como inteligência artificial e integração de toda a cadeia.

Pinto enfatiza que o mundo utiliza a tecnologia no comércio ou no serviço digital. “Se a indústria não se conecta, ela perde mercado. É uma jornada que se inicia e acredito que ainda vai demorar anos para se consolidar. O importante é começá-la”, relata ao lembrar que a iniciativa da Indústria 4.0 iniciou em 2012 na Alemanha. “Ainda terá informação nova e com diferencial competitivo”.

O palestrante lamenta que a implantação no Brasil deve demorar mais tempo, porque o país possui as suas dificuldades ‘extras’. “Devemos superar algumas deficiências em infraestrutura, como a da telecomunicação, fundamental para esse trabalho”, conclui.

 

Parceiros avaliam como positivo Ciclo de Palestras no Mês da Indústria

O Ciclo de Palestras de Toledo, em comemoração ao Mês da Indústria, abordou a temática Indústria 4.0 em seu último encontro. O objetivo foi proporcionar a troca de conhecimento e experiências entre os participantes, buscando as melhores soluções para os desafios da indústria. O evento é promovido pela Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), campus Toledo.

De acordo com o coordenador do curso de Engenharia de Produção da PUC Robson Luciano de Almeida, a Indústria 4.0, atualmente, é um tema relevante, tanto no Brasil, como no mundo. “Também é assunto que está sendo abordado com os acadêmicos. É um dos nossos focos”.

Almeida lembra que a Engenharia de Produção possui uma disciplina chamada Sistemas Industriais e o professor tem abordado a temática. “Com isso, a palestra com os profissionais contribui para uma melhoria da matéria e dos cursos”, afirma o coordenador ao complementar que o evento foi um momento de agregar novos conhecimentos com profissionais capacitados do mercado”.

 

AVANÇO

A diretora da Indústria da Acit Cleonice Malheiro comenta que o objetivo do Ciclo de Palestra é agregar conhecimento para o empresário, o acadêmico e o colaborador. “É uma forma diferente de ver o processo industrial. O empresário pode começar a perceber como pode evoluir utilizando os novos processos. São novas metodologias, novas formas de ver o negócio, de administrar e ser mais competitivo”.