Cotidiano

Marcha da Maconha reúne cerca de mil pessoas em Ipanema, no Rio

BERNARDO MELLO FRANCO RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - "Ei, polícia, maconha é uma delicia!". Com esse grito de guerra, cerca de mil manifestantes participam neste sábado (9) da Marcha da Maconha na praia de Ipanema, zona sul do Rio. Um grupo de 150 policiais militares acompanha a passeata sem esboçar reação. Até o início da noite, não houve registro de tumulto ou prisões, apesar do forte cheiro de erva queimada. Os manifestantes também aproveitam para protestar contra a ocupação policial das favelas e o projeto de lei que reduz a maioridade penal para 16 anos. Um coro chamou o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), de "ditador". Dois políticos com mandato participam do protesto: o deputado estadual Carlos Minc (PT), ex-ministro do Meio Ambiente, e o vereador Renato Cinco (PSOL). Eles comemoraram a visibilidade da causa, apesar de o consumo da maconha continuar proibido no país. "No ano passado, a primeira frase de um candidato a presidente na TV foi contra a gente. Antes ninguém falava nisso", disse Cinco. Um grupo de 20 pessoas, com cinco crianças em carrinhos de bebê, foi à marcha defender o uso medicinal da erva. A Anvisa (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária) já liberou a importação do extrato de maconha, mas os usuários reclamam da falta de distribuição na rede pública. "A importação não garante o acesso porque o extrato é muito caro", disse a advogada Margarete Brito, 42. Sua filha Sofia, 6, usa a substância em tratamento para conter a epilepsia. Em meio aos usuários de maconha, a missionária Dirce Oliveira, 60, tenta evangelizar novos fiéis para a Igreja Batista. Ela também se disse a favor da liberação da erva. "A maconha é uma planta que Deus criou. O pior é a cachaça", opinou.