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Na contramão da economia, campo continua gerando empregos

Agronegócio é bom setor para quem está em busca de uma vaga e abriga diversas áreas profissionais
(Foto: Divulgação)

Em um contexto de quase 13 milhões de desempregados, procurar emprego no Brasil tornou-se não só uma tarefa difícil, como também fez com que profissionais de várias áreas repensassem suas carreiras e segmentos de atuação. Um setor que vem tem gerado emprego para profissionais de setores distintos é o Agronegócio: segundo a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), os produtos do setor garantiram um saldo comercial no ano passado de mais de 70 bilhões de dólares, além de crescimento de 3%.

De acordo com o professor do MBA em Gestão Estratégica do Agronegócio do ISAE/FGV – Escola de Negócios, Roberto Jerger Fialkovits, as oportunidades de trabalho não estão ligadas somente ao ramo agrícola, mas também aos setores que se integram ao semento de alguma forma. “O agronegócio é o forte pilar que sustenta o Brasil. Mesmo diante da recessão econômica os números são positivos e as oportunidades de trabalho crescem a cada dia. A cada ponto percentual de avanço no setor, notamos que o reflexo é grande. Na cadeia de suprimento do segmento, vários setores são envolvidos até chegar ao consumidor final”, explica o professor.

Além de atividades que envolvem o campo, como aplicação de produtos, consultoria técnica, serviço de armazenamento e transportes, outros profissionais que não são graduados em Ciências Agrárias também encontram lugar no mercado de trabalho no campo. Roberto cita como exemplo: Comércio Exterior (para importação de insumos e exportação), Direito (elaboração de contratos), profissionais de gestão e recursos humanos. “O mais importante, independente da área de atuação profissional é desenvolver uma boa visão sistêmica de processos do agronegócio, e entender qual a sua efetiva contribuição”, salienta o professor.

 

Novatos

Para quem deseja buscar oportunidades no Agronegócio, Roberto ensina: é necessário se capacitar antes de almejar a vaga – seja em cursos de curta duração ou em MBA ou especialização. “É importante que o profissional entenda o funcionamento do setor e desenvolva uma visão sistêmica de processos, que possa ajudar a entender as fases de início, meio e fim das atividades. O setor é bastante complexo, com muitas ramificações de mercados, produtos e serviços, o que requer uma minuciosa análise por parte do profissional”, orienta Roberto.

Uma área a ser explorada no ramo, fala o professor, é a gestão. “Ainda ocorrem algumas sobreposições de atividades técnicas e de gerenciamento pelas próprias características do segmento, que tem sua raiz em modelos de gestão familiar. O conhecimento técnico predomina, mas não basta apenas este tipo de habilidade”, frisa Roberto.

Segundo ele, é “indiscutível” a maestria desses profissionais cujo conhecimento prático é o principal pilar. No entanto, o gerenciamento dessas atividades, diz o professor, requer melhorias e capacitação para evitar perdas de lucratividade ao setor. “Preparar profissionais com visão da indústria 4.0, que se desenvolve de forma acelerada em setores que atuam no mercado globalizado também é fundamental”, completa.