Mexicanos brigam pelo topo do mercado

Felipe Nóbrega

Publicado em: 12/02/2012 - 08:00 | Atualizado em: 17/05/2012 - 06:33

Divulgação

Recém-lançado, Duster peca pelo acabamento simplório

 

Em janeiro, o utilitário Honda CR-V bateu recorde de vendas com 2.310 unidades emplacadas. O modelo produzido no México foi vendido com desconto para queimar estoque, pois a nova geração chegará em breve. Ainda assim, o número impressiona -foi superior ao de concorrentes mais baratos como Ford EcoSport e Renault Duster. O feito ilustra o que tem ocorrido no mercado.

Desenvolvidos inicialmente para abastecer o exigente mercado norte-americano, os carros mexicanos chegaram ao Brasil beneficiados pelo acordo de livre comércio e caíram no gosto do consumidor.

As marcas aumentaram o volume de importação e passaram a produzir no México carros pensados para o Brasil. Um exemplo é o Volkswagen Jetta, terceiro sedã médio mais vendido do Brasil. O resultado foi o desequilíbrio da balança comercial.

LUXUOSOS - Os carros mexicanos chegam a preço competitivo. São luxuosos em sua maioria, pois o objetivo é complementar o portfólio das marcas que se dedicam a produzir compactos no Brasil.

A participação dos mexicanos no mercado chegou a 6% em janeiro -o dobro da média de 2011. A explicação está no lançamento de modelos mais baratos, como o Fiat 500 e o Nissan March.

A elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos oriundos de países que não têm acordo comercial com o Brasil também favoreceu o México.

Alguns produtos oferecem mais pelo mesmo preço. Feito no Brasil, o Toyota Corolla Altis 2.0, por exemplo, tem preço próximo ao do Ford Fusion 2.5 mexicano, ambos na faixa de R$ 80 mil. O importado é maior e mais potente.

No meio do ano, o novo Fusion desembarca por aqui. E pelo preço atual, diz o fabricante. O anúncio foi feito em janeiro, antes de o governo brasileiro reclamar do desequilíbrio. Se houver alterações no acordo, o preço tenderá a subir. 

 

Dúvidas sobre o acordo com o méxico

 

1 Por que os carros feitos no México não pagam Imposto de Importação?

Acordo comercial estabelecido em 2000 entre Brasil e México os isenta da taxa de importação de carros.

 

2 Como pode um carro mexicano custar menos que um similar nacional?

A maior carga tributária e a mão de obra mais cara fazem com que o custo de produção de um automóvel por aqui seja até 20% mais elevado.

 

3 Se o governo romper o acordo, quanto o carro mexicano poderia subir?

É cedo para dizer, mas os importados subiram entre 2% e 20% com o aumento de 30 pontos percentuais do IPI. Caso o acordo seja anulado, o Brasil ainda precisará cumpri-lo por 14 meses.

 

4 Quais modelos seriam mais afetados?

Os que não têm previsão de serem feitos aqui, como VW Jetta, Fiat Freemont, Honda CR-V e Ford Fusion.

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