Pare de roer a tensão

Da Assessoria

Publicado em: 20/02/2012 - 07:00 | Atualizado em: 09/05/2012 - 00:19

Arquivo J.O.

 

Tire essa mão da boca, menino! Que coisa feia ficar roendo unha! Com certeza essas frases fazem parte do repertório de muita gente. Quem não foi alvo desses "recados", pelo menos já ouviu algo parecido em casa, na escola, num jantar em família ou até mesmo no meio da rua. Recriminado pela sociedade, o hábito de roer as unhas é uma mania como outra qualquer, mas que ocorre de forma compulsiva, ou seja, o indivíduo não consegue controlar suas ações e, muitas vezes, nem percebe o que está fazendo, conforme explica a psicóloga clínica Solange Nogueira, de São Paulo. “É o mesmo mecanismo de chupar o dedo ou de fumar, no qual se usa o condicionamento para aliviar a tensão”, esclarece ela. 

Por trás desse costume, portanto, está um forte estado de tensão que pode ser gerado por incontáveis fatores, dos mais simples aos mais complexos. Mas, em geral, Solange entende que se trata de uma mania que começa sem motivo. “A criança fica assustada com alguma coisa, come a unha meio sem querer e sente que o recurso é bom para atenuar o susto”, exemplifica a psicóloga. A partir de então, passa a recorrer a ele sempre que se sente ameaçada.

À medida que amadurece, naturalmente toda pessoa vai aprendendo a lidar com as tensões do dia-a-dia. A mania de roer unhas, porém, bate de frente com essa tendência. “O hábito denota insegurança, ansiedade e falta de controle sobre as atitudes”, alerta Solange. Para além da questão psicológica, quem rói unha também costuma causar prejuízos a seu corpo. A começar dos dentes. “Do ponto de vista odontológico, o fato de usar a mastigação para outra coisa que não a alimentação já é considerada um mau hábito, assim como morder lápis ou os lábios”, sustenta a dentista Márcia Fernandes Sgrinhelli, de São Paulo, especialista em odontologia psicossomática trilógica.

A verdade é que há conseqüências em colocar os dentes para exercer uma função para a qual não foram preparados. Os músculos da mastigação sofrem uma tensão adicional capaz de ocasionar problemas de articulação e a maloclusão, isto é, quando os dentes de cima não se encontram perfeitamente com os de baixo. Como, em geral, os indivíduos usam os incisivos para roer suas unhas, esses dentes vão se desgastando e se tornam retos na ponta. “Normalmente, eles apresentam uma serrinha meio arredondada”, esclarece Márcia. Além disso, podem ainda se movimentar para trás, evidentemente depois de muitos anos de unhas devoradas.

A dentista explica que quem possui esse hábito também tem propensão ao chamado bruxismo, que consiste em ranger e apertar os dentes incondicionalmente e, algumas vezes, até ao dormir, o que, segundo ela, igualmente sinaliza uma grande tensão.
De qualquer forma, Márcia garante que os dentistas não consideram o hábito de roer unhas uma das piores coisas para a saúde dos dentes. “Mas entendemos que essa mania esconde uma questão psicológica que precisa ser tratada o mais cedo possível”, acredita a dentista. Em sua opinião, o problema emocional pode até ser pior do que o físico. 
Se ficasse só nos dentes, estaria bom. No entanto, a mania gera transtornos para outras partes do corpo. É comum o indivíduo não se contentar com a unha propriamente dita e avançar para as pregas, ao redor das unhas, nas quais se inclui a cutícula. Ao devorar essa parte, a pessoa abre uma porta de entrada para infecções locais. 
Outro problema são as micoses, causadas por fungos. Como esses microrganismos proliferam em regiões úmidas, o fato de ficar toda hora com a mão na boca cria o ambiente ideal para o seu desenvolvimento. Por fim, está cientificamente comprovado que embaixo da unha há uma série de bactérias, ovinhos de germes e parasitas de todo tipo. A chance de o roedor pegar verminoses por meio de seu mau hábito é, portanto, muito grande. Mais um argumento duro de roer...


Fonte: Odontoweb

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