Jovens gênios expõem engenhocas e pesquisas em feira internacional de ciências

Mayra Maldjian - Da Folhapress

Publicado em: 21/11/2011 - 14:00 | Atualizado em: 21/05/2012 - 08:06

Ilustração Cecília Andrade

 

"Hi, how are you?", acena Yuri Serafim Guisalberti (19) de seu estande. "Opa, desculpa! Esqueci de desligar a 'chavinha' do inglês", gargalha.

Confusão desfeita, põe-se a explicar, com eloquência, a engenhoca criada para alertar as donas de casa sobre o vazamento de gás no fogão.

No outro extremo do pavilhão, um trio de chinesas misturava o inglês a gestos para explicar aos vizinhos venezuelanos as maravilhas medicinais e estéticas de uma flor chamada rosa de porcelana, tema do projeto de estreia da China no evento.

O clima na Mostratec, a maior feira internacional de ciência e tecnologia do Brasil, realizada em solo gaúcho na semana retrasada, foi assim. Um burburinho de línguas, sotaques e mímicas.

Lado a lado, criadores de 22 países, incluindo o Brasil, apresentaram suas criaturas. Eram, ao todo, 350 projetos, entre engenhocas e pesquisas das mais diversas áreas do conhecimento humano.

Por trás do deslumbre com o divertido "intercâmbio cultural", dedos cruzados nas costas para conquistar um dos maiores prêmios da Mostratec: uma vaga na Isef, nos EUA, a feira dos sonhos de qualquer inventor.

Ali, meses de estudo e dedicação eram colocados, finalmente, à prova por uma equipe de avaliadores.

"Dá um frio na barriga, mas eles não são carrascos", brinca Juliana Almeida (16) que veio para a feira com a ajuda de custo oferecida por sua escola, em Imperatriz (MA): R$ 1.000. As passagens saíram do próprio bolso.

"Os avaliadores explicam em que temos que melhorar. Um deles vai até me emprestar um livro", comenta Allan Bastos (16). Juntos, Juliana e Allan desenvolveram um "ecoconcreto", com PET derretido no lugar de cimento.

A variedade de "soluções" para as agruras do mundo é impressionante.

Encontrar alternativas para amenizar problemas ambientais foi o desafio preferido da delegação nigeriana: uma das duplas criou uma forma de produzir gás doméstico a partir de lixo orgânico.

Por outro lado, os paqueradores cazaques, sensação das menininhas na feira, focaram seus estudos na matemática. Um trio criou uma nova maneira de calcular a raiz quadrada de qualquer número.

A preocupação com o bem-estar dos portadores de necessidades especiais também permeou muitos dos trabalhos: bengala que vibra ao se aproximar de objetos e urna eletrônica para cegos.

Contratempos do cotidiano nas grandes cidades foram observados e transformados em objeto de estudo por alguns alunos. "Nunca vou esquecer quando meu pai cochilou ao volante", lembra Felipe Thozeski (18) criador do óculos antissonolência.

Satisfeito com a liberdade de invenção proporcionada pelo evento, Felipe dá a letra: "Isso aqui é, para os espertos, uma grande preparação para o mercado de trabalho".

 

INVENTOS

 

Paregás

Inventores:

Yuri Serafim Guisalberti (19)

Mateus André Stumpf (18)

O que é: Dispositivo que detecta o vazamento de gás nas bocas do fogão

Como funciona: O circuito é composto, basicamente, por um sensor infravermelho e por uma buzina barulhenta. O sensor, que fica próximo à boca do fogão, aciona a buzina quando o botão de acendimento está girado e não há fogo na boca

Quanto custaria: R$ 25 o protótipo

 

Óculos antissonolência

Inventores:

Felipe Rambo Thozeski (18)

Nicolau Benê Bergold (18)

O que é: Dispositivo que alerta o motorista quando ele cochila ao volante

Como funciona: São dois sensores. Um monitora a inclinação da cabeça, e o outro, as piscadas. Um apito é emitido quando há anormalidade

Quanto custaria: R$ 50

 

Cadeira alternativa

Inventores:

Gabriel Bragé (18)

Guilherme Santos (19)

O que é: Cadeira de rodas de baixo custo e alta resistência

Como funciona: Construída com rodas de bicicleta e 650 garrafas PET enroladas em forma de bastão, a cadeira suporta 90 kg. Há um suporte para guarda-chuva e circuito USB para carregar a bateria do celular

Quanto custaria: R$ 170

 

Catraca ecológica

Inventores:

Bruno Klein (18)

João Marcelo Astolfi Picanço (18)

Jorge Augusto Weissheimer, 20

O que é: Sistema que utiliza a rotação das catracas do metrô para gerar energia

Como funciona: O equipamento é formado por engrenagens e um gerador, responsáveis por transformar o movimento rotacional em energia sustentável. É mais eficaz em locais de grande fluxo de passageiros

Quanto custaria: R$ 100 por catraca

 

Cão-guia robô

Inventores:

Cleiton Gomes dos Santos (15)

Marcos Felipe Gonçalves (17)

Vanessa Nunes dos Santos (15)

O que é: Um robô em forma de carrinho de controle remoto feito para guiar deficientes visuais

Como funciona: O equipamento eletrônico oferece três funções: alerta quando há obstáculos num raio de até 7,5 metros de distância, identifica luminosidade e obedece a comandos de voz em português

Quanto custaria: R$ 1.500

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