Natal no vermelho
Publicado em: 25/12/2011 - 08:00 | Atualizado em: 21/05/2012 - 17:34
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As estatísticas sobre endividamento mostram que muitos jovens vão comemorar o Natal no domingo e passar os meses seguintes lutando para pagar os presentes.
Isso porque o crédito fácil que irrigou a economia do país nos últimos anos está causando inadimplência especialmente entre os mais novos.
Um levantamento da Associação Comercial de São Paulo mostrou que 17% dos endividados têm entre 20 e 25 anos - em 2010, eram 10%.
"Existe uma especial ansiedade entre os jovens de consumir moda, de gastar na balada, de comprar carro. E hoje tudo isso é oferecido para eles de forma muito facilitada", diz Gustavo Cerbasi, consultor financeiro e colunista da Folha.
Por exemplo: o "Folhateen" fez um levantamento entre os grandes bancos do país e descobriu que todos têm cartões de crédito destinados ao público jovem, oferecendo limites de até R$ 1.000 sem necessidade de comprovação de renda.
As contas universitárias oferecem ainda cheque especial, com juros de até 10% ao mês. Nesse ritmo, uma dívida não quitada de R$ 1.000 vira, em um ano, R$ 3.138 - em dois, serão R$ 9.849; em três, R$ 30.912. É o monstro dos juros compostos.
Além dos grandes bancos, é possível se endividar utilizando os cartões de crédito oferecidos por grandes redes de varejo ou pegando um empréstimo em uma financeira.
A estudante Lívia Jurkowitsch (18) conhece bem os riscos de se deixar levar pela tentação do crédito. Ela gastou R$ 400 no cartão para bancar uma fantasia para um evento de "cosplay" -reunião em que jovens vão caracterizados como personagens de gibi, cinema ou desenhos. A sua mãe não gostou de ter de bancar a fatura. "Ela queria tirar a minha mesada, não me dava mais nenhum centavo. Aí combinamos que eu limparia a casa. No dia seguinte, tive de varrer tudo, limpar a cozinha, o banheiro, passar pano."
O trauma foi suficiente? "Fiquei com dor nas costas, nunca mais quero lavar o banheiro!", ri Lívia. "Mas ainda não sou como meu irmão. Ele é muito pão-duro, fica meia hora na loja e vai embora sem nada. Eu saio com 30 sacolas."
Quando os pais não podem socorrer a "crise da dívida" dos filhos, é necessário recorrer a um pacote de austeridade para pagar a conta.
Foi o que aconteceu com a vendedora Juliane Pereira (20). Ela acumulou uma dívida de R$ 1.200 no cartão, quase duas vezes o seu salário. "Eu ia muito ao shopping e só pagava o valor mínimo da fatura", diz. Resultado: a dívida foi crescendo até ela ter de ir ao banco para negociar uma maneira de pagar a contar.
"Agora estou tentando me controlar para o Natal, mas comprar sempre me deixa mais feliz quando estou chateada por alguma outra coisa."
Em casos extremos, a utilização do cartão de crédito como calmante pode levar à dependência - há tratamento para compradores compulsivos no Hospital das Clínicas e em grupos como o Devedores Anônimos, que funciona nos moldes do Alcoólicos Anônimos.
Para reduzir a dívida, a recomendação é fazer como Juliane: procurar o banco. "Eles renegociam oferecendo juros menores. Depois de quitar o que deve, o jovem precisa aprender a parar de encarar o cartão de crédito como uma extensão do salário", diz Fabiano Lima, professor de finanças da USP e pesquisador do instituto Assaf.
Kanye West e Alicia Keys defendem Megaupload
Pegue alguns dos artistas mais populares do planeta: Kanye West, Alicia Keys, will.i.am e Snoop Dog. Misture todos em um vídeo musical em defesa do Megaupload, um dos sites de compartilhamento mais conhecidos da rede.
Adicione então uma gravadora enfurecida (no caso, a Universal) exigindo a remoção do vídeo. Está pronta a receita para uma das polêmicas mais quentes da internet.
A briga começou quando Hollywood e as gravadoras lançaram uma campanha na TV dos EUA a favor da aprovação da lei SOPA (Stop Online Piracy Act), que aumenta a punição contra a pirataria.
O Megaupload é mencionado como exemplo de site "ilegal", a ser tirado do ar com a nova legislação. Só que a "ilegalidade" é controversa: só um juiz pode dizer se o site é ilegal. Hoje, ele funciona como um armazém para grandes arquivos e diz atender a todas as notificações de violação de direitos.
O que ninguém esperava é gente tão popular saindo em sua defesa. O vídeo lembra um "We Are the World" pelo compartilhamento (veja em bit.ly/sDPwT8). Nele, will.i.am aparece dizendo: "When I send files across the globe, I use Megaupload" ("quando eu mando arquivos pelo globo, uso o Megaupload").
A Universal não gostou e acionou o Youtube, pedindo a remoção do vídeo por violações de direitos - will.i.am parece ter mudado de ideia e fez o mesmo. Foi o toque para o vídeo se espalhar por vários outros sites.
O Megaupload está agora processando a Universal pela remoção, alegando censura. Há quem diga que a verdadeira razão da briga é o lançamento do Megabox, serviço em que o Megaupload vai vender música e repassar 90% do valor aos artistas. Aguarde os próximos capítulos.







