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A importância do jornal na sua comunidade

Atravessamos um tempo e redefinições. A entrada de novas tecnologias transformou o mundo naquela aldeia global prevista pelo escritor futurologista de décadas atrás. Pela internet, telefones celulares e outros equipamentos que hoje interagem, nos comunicamos instantaneamente com todo o planeta, transmitimos e recebemos imagens, documentos e informações que interferem diretamente na vida do homem e em todo que o cerca. A tecnologia e novos formatos chegaram, facilitando a vida e, por outro lado, impondo dificuldades a empreendimentos tradicionais como os jornais impressos, por exemplo. Já tivemos a tristeza de ver o fim de tradicionais veículos de comunicação e temos em curso o definhamento de notáveis tradicionais publicações, que muito influíram no desenvolvimento de suas comunidades e hoje são atropeladas pelo progresso que ajudaram a construir.

Os jornais – notadamente os do interior – experimentam a mais aguda crise. Os que ainda sobrevivem, mesmo tendo incorporado novas tecnologias, são obrigados a enxugar seus gastos e, consequentemente, reduzir a prestação de serviços à comunidade onde atuam. Os custos industriais são elevados e inviabilizam o negócio da comunicação impressa que, a bem da verdade, nunca foi dos mais lucrativos e só se justificava pelo bem que proporciona à sociedade.

No quadro atual, onde o jornal é levado a “emagrecer”, as pessoas correm o risco de saber pelos meios eletrônicos, em tempo real, o que acontece em Brasília, Nova York, Paris, Tóquio e outras partes do planeta, mas ignorar a problemática da sua região, cidade ou bairro onde vivem. É uma grande lacuna que se abre. A comunicação macro jamais substituirá a do acontecimento próximo, que nos interessa diretamente, pois pode nos impactar tanto positiva quanto negativamente. E essa tarefa é a do jornal que, diferente do rádio e da televisão, de ação imediata, é o veículo que traz as notícias e fatos já apurados e consolidados e, além de servir para orientar os leitores, é o que sobra para as futuras gerações conhecerem a história do lugar. É do jornal antigo que surge boa parte dos livros de história.

O novo governo e a sociedade se empenham para racionalizar os gastos em educação, cultura e entretenimento. Ao mesmo tempo em que adota providências para que a Lei Rouanet se estenda à base da produção cultural e não continue assambarcada por atividades de artistas e produtores ricos, que não precisam desse apoio, seria interessante buscar meios de possibilitar a continuidade da imprensa em sua forma tradicional, independente dos novos formatos, que também são importantes e têm seu lugar no nicho social. Apoiar, incentivar e desonerar jornais e assemelhados para continuarem circulando e cumprindo sua missão atende aos altos interesses culturais do país. Mais que isso, serve para melhorar a segurança e oferecer garantia de vida melhor à população. Pensem nisso, srs. governantes, parlamentares, estudiosos e empresários. Não deixem perecer o meio de comunicação que ajudou a sociedade a evoluir e chegar aos patamares de hoje. Se o jornal de abrangência local e regional desaparecer será um dano irrecuperável e fará multa falta...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) [email protected]
Mais uma insanidade brasileira

Muito se fala, atualmente, sobre os gastos públicos no Brasil. Os entes federativos estão "quebrados", financeiramente falando. Os gastos da União são os mais visíveis. É comum ouvirmos que precisamos de mais Brasil e menos Brasília. Sem dúvida, uma grande verdade. Uma recente notícia, pouco divulgada na mídia, mostra que, pela primeira vez em 11 anos, o número de servidores ativos da União caiu: em 2018 foram registrados 630.689 servidores federais, enquanto em 2017 o número estava em 634.157. Uma redução de meros 0,55%, mas que já é um pequeno alento.

No entanto, o número total de servidores ativos e inativos (aposentados + pensionistas) continua aumentando, passando de 1.271.462, em 2017, para 1.272.847, em 2018. Observem que o número de aposentados e pensionistas já é maior que o dos servidores na ativa, fato que, por si só, deveria chamar a atenção para a possível inviabilidade do sistema. Porém, não é só isso, a despesa da nação com esse contingente não para de crescer: em 2008 foi de R$ 137 bilhões, passando para R$ 305 bilhões em 2019, crescimento de 126%. Como efeito de comparação, o PIB nesse período de 11 anos apresentou um crescimento de meros 11% (mais uma década perdida) e a taxa oficial de inflação (IPCA) foi de 76%. Conclusão: o crescimento das despesas da União apenas, com pessoal, foi praticamente 10 vezes maior que o crescimento real da economia brasileira, superando em 50 pontos percentuais a taxa de inflação.

No mínimo um flagrante visível de má gestão do dinheiro público. Como analogia, imagine uma empresa que apesar de ter seu faturamento reduzido, continua aumentando o número de seus funcionários e mais ainda, aumenta os seus salários. Você investiria nessa empresa? Compraria ações dessa empresa? Seria insano, não é verdade? Pois foi exatamente isso que a política da "república sindicalista brasileira" fez e, provavelmente, continuará fazendo.

É evidente que os fortes grupos de pressão dos funcionários públicos não desejam nenhuma reforma, quer seja administrativa, previdenciária, tributária ou trabalhista. Claro que serão contra qualquer tipo de privatização ou diminuição do tamanho do Estado e, consequentemente, da máquina administrativa. Certamente que continuarão defendendo seus privilégios. Além disso, funcionários concursados dificilmente são demitidos, e nunca por baixa produtividade.

Para completar o quadro, devemos ver a situação econômica e fiscal dos nossos 26 estados e mais o Distrito Federal. Quase todos estão em verdadeiro estado de penúria, alguns já virtualmente quebrados. Temos ainda que, dos 5.570 municípios brasileiros, mais de 80% não geram receitas para pagar suas despesas com o funcionalismo municipal. Estima-se, pois não temos como afirmar, que existam mais de 6.500.000 funcionários públicos municipais no Brasil. A famosa vaca leiteira, sustentada pelos impostos, na qual tantos ainda mamam está morrendo de inanição, mas ninguém quer deixar de aproveitar até a última gota de leite, mesmo já estando superalimentado. A vaca leiteira, na verdade, somos nós, pois ela é alimentada pela enorme quantidade de impostos que a população paga. Já passou da hora de dar um basta!

*Celso Tracco é escritor, palestrante e consultor - www.celsotracco.com
Populismo não é ameaça

O populismo se inspira em antagonismos: as demandas das massas contra interesses de elites corrompidas; a nova política, ancorada em programas contra a velha política, caracterizada pelo toma lá dá cá; a reforma das instituições de Estado versus o status-quo.

O cenário social brasileiro é propício a implantar o populismo? Se considerarmos que a corrente tende a caminhar por terrenos atolados em profunda crise econômica, tenha sido ela deflagrada pela esquerda ou pela direita, a resposta é sim. Atravessando um frágil ciclo econômico, com a população descrente nos agentes políticos, desanimada em ver roubalheira e corrupção por todos os lados, o país agasalharia as condições para implantação de uma política populista.

A isso, pode-se acrescer o fato de que o cobertor demagógico é feito de densa espuma emotiva, que se mostra na polarização entre alas, na expressão indignada de grupos contrários, que escolhem a arena das redes sociais para vituperar uns contra outros, expandindo a bílis que escorre pelas veias das correntes guerreiras.

Do desenho acima, seria possível inferir que, se não fizer as reformas necessárias à retomada do crescimento, o governo poderia tentar uma saída pela via populista. Afinal, a demanda por populismo é maior entre as camadas sofridas. Felizmente, tal alternativa é inviável no Brasil por um conjunto de razões.

Em primeiro lugar, é oportuno lembrar que uma solução como essa jamais seria abraçada pelo núcleo que atua na frente econômica encabeçada por Paulo Guedes. Os gestores que com ele trabalham vestem a camisa liberal e jamais iriam topar deixar a coerência de ideário por uma aventura populista. Não topariam bancar a demagogia. 

Segundo, nossa “revolução castrense” (militar), essa imaginada pelos generais que estão no governo, tem por meta o desenvolvimento da Nação, com o qual se identificam e que integra o manual governamental que decidiram adotar na administração Bolsonaro. Repelem a volta ao autoritarismo.

Terceiro, há um forte núcleo racional que habita o centro da pirâmide, composto por amplos nichos de classes médias – profissionais liberais, empresários, áreas da intelligentzia -, movidos pela preocupação de ver o país trilhando a rota do meio, onde o Estado do Bem-Estar Social encontra as políticas liberais, âncora da livre iniciativa. Portanto, esse contingente não combina com uma virada populista.

O nosso presidente até pode defender, em seu íntimo, programas ou ideias de grande aceitação popular, como atualização da tabela do Imposto de Renda pela inflação, como prometeu nesses últimos dias, algo que não combina com a ameaça de Paulo Guedes, ansioso para acabar com dedução de gastos com saúde e educação no IR. Pior: se a reforma da Previdência não foi aprovada, faltarão recursos para o Bolsa Família. Foi o que alertou Guedes. Imaginaram a grita geral?

Em suma, o que Bolsonaro pode fazer, e está fazendo, mesmo sob sérias críticas de parcela da sociedade, é o atendimento às promessas de campanha, particularmente a pauta das armas (flexibilização do porte e da posse de armas), a descontaminação ideológica (Escola sem partido), sob a régua da extrema-direita, essa que vitamina a polarização social. Agora, no que diz respeito a dinheiro, isso é competência da equipe econômica. O presidente até dá palpites, mas acaba recuando quando percebe que não pode furar o balão da economia.

O desencanto geral com a política e com os políticos dará um gás extra ao presidente, garantindo-lhe uma trajetória cheia de obstáculos, mas, ainda assim, permitindo que chegue ao outro lado do rio das mortes. A não ser que seja ele o propulsor de uma débâcle estrondosa nos quadrantes de nossa economia. Se isso ocorrer, babau. Ademais, o ciclo petista, e o que se passa ao nosso redor em matéria de esquerda, como é o vulcânico desastre venezuelano, funcionam como antídoto contra a volta do lulopetismo. Lembrando: mantida a decisão do STJ, Luiz Inácio só teria condições de voltar como candidato a partir de 2035, quando terá 89 anos.

Por isso, é viável inferir que a travessia de Bolsonaro, mesmo semeada de minas, pode ir até o fim. Mas seu estilo de atirador acabará viabilizando perfis mais moderados.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato
O medo da inteligência artificial

A revolução tecnológica já está caminhando a passos largos com aplicativos, softwares e novas ferramentas desenvolvidas diariamente. Mas, mesmo com todas essas novidades, não podemos fechar os olhos para aquilo que já temos disponível.

Desde pequeno, me lembro de ver referências à tal inteligência artificial, que na época era interpretada como um robô com face humana que, em algum momento, causaria desordem. Nos “Jetsons”, por exemplo, que estavam no agora não tão distante ano de 2062, os carros voadores eram uma realidade, assim como a empregada eletrônica que volte e meia pifava, soltando fumaças e faíscas. Já em “A.I. - Inteligência Artificial”, a referência muda: David é o primeiro menino-robô programado para amar, mas acaba não sendo aceito e gera uma série de confusões, além de um “Complexo de Édipo” com sua mãe humana.

A inteligência artificial já está aqui, alguns anos antes do previsto pelos Jetsons, e, apesar de não ter rosto humano, leva nome de mulher. São elas Anas, Carols e Marias, todas com o mesmo propósito: utilizar a tecnologia e os dados para o desenvolvimento. E o humano só tem a ganhar com isso, economizando tempo e aumentando a produtividade. 

Uma plataforma capaz de atuar como assistente virtual, com funções como armazenar quantidades de dados que os sistemas de planilhas não dão mais conta, é um gestor virtual de uma empresa. Participa ativamente do analítico, avaliando resultados e prevendo crises, se tornando o colaborador, ou colaboradora mais ativa da organização. É o caso da Carol.

A inteligência artificial, desenvolvida pela TOTVS, é capaz de apresentar insights e previsibilidade para negócios. A “menina” atua nas áreas de varejo, educação, saúde, agricultura e manufatura, e pode ser usada direto pelo celular. Não é o futuro na palma de suas mãos, é o agora evitando os erros do futuro.

Vou dar um exemplo: em um momento de mudança de hábitos alimentares e com o intuito de aumentar o número de vendas, no final de março o McDonald’s comprou uma startup israelense especialista em inteligência artificial por 300 milhões de dólares. Entendendo o cenário, uma empresa tradicional e consolidada no mercado tem uma ameaça externa e contrata um robô para descobrir como lidar com a situação.

Um analista externo é de grande ajuda, mas não está à disposição em qualquer hora do dia, além de que, à longo prazo, pode não ter o mesmo benefício e retorno financeiro de uma plataforma bem instalada.

Não podemos ter medo da inteligência artificial se nunca trabalhamos com ela. As possibilidades são infinitas. As empresas devem estar de olhos abertos e preparadas para receber o que está por vir.

* Márcio Viana é diretor executivo da TOTVS Curitiba
Somos mal-educados dentro e fora do WhatsApp?

Uma conversa entre amigos com filhos em idade escolar, ou então uma rápida busca na internet são suficientes para mostrar o quão controversos se tornaram os grupos de WhatsApp de pais (sobretudo, mães!) da escola. A questão abre espaço para refletir sobre como as redes sociais, em especial o WhatsApp, têm contribuído para escancarar comportamentos precipitados e insensatos. Vivemos numa era em que a internet empoderou a todos, indistinta e simultaneamente. E assim, no auge dessa sensação de poder, a falta de educação fica evidenciada e a intolerância é, infelizmente, a palavra que revela o comportamento em alta na sociedade de hoje. Ela brota, silenciosa e invisível, em mensagens ou ‘emojis’ e, rapidamente, evolui no mundo real chegando até as páginas policiais. A velocidade com que algumas reações e julgamentos se espalham assusta quando se observa o potencial de estragos que são capazes de provocar e a quantidade de provas que são produzidas.

Trazendo a discussão para o universo escolar, temos os grupos de pais do WhatsApp, que nascem vocacionados para melhorar a comunicação entre a escola e família. O fato é que tais grupos se multiplicam entre si, ganham vertentes paralelas e se transformam em tribunais inquisidores. Pequenos detalhes são aumentados, fatos são deturpados, gerando um barulho muitas vezes descabido e desnecessário. Bastam um ‘emoji’ ou palavra mal interpretados, desencadeados por nota baixa ou uma bronca do professor - às vezes necessária, ou mesmo um conteúdo abordado em sala de aula que não seja do agrado de um pai ou mãe, e tudo vira combustível que inflama pessoas, revelando a incapacidade de transitar com educação diante da divergência.

Historicamente, o ato coletivo sempre confere mais poder que o gesto individual. Por isso, pais preferem se articular antes nos grupos de WhatsApp, reunindo outras vozes em torno de si e só então levar a questão para o colégio. O problema dessa estratégia é que, em boa parte das vezes, as situações poderiam ser fácil e amigavelmente resolvidas com uma boa conversa com coordenadores e direção da escola em vez de jogar o assunto para debates acalorados nas redes sociais. Um pequeno erro ou um mal-entendido tomam a proporção de crise. Falta serenidade para conseguir enxergar que toda história tem dois lados e mais de uma parte interessada. Praticar a empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro) e a alteridade (entender que o outro é o outro, portanto diferente de nós) é que nos permite avaliar a situação com calma e, porque não dizer, rever posições que julgávamos imutáveis.

Sabemos que, quando se trata de nossos filhos, temos a tendência a nos deixar arrebatar pela correnteza do instinto de proteção, atropelando normas e convenções sociais em nome do amor e também das crenças que cultivamos depois que nos tornamos pais e mães. Mas precisamos, obrigatoriamente, enxergar que nossos filhos não são únicos no mundo. Felizmente, eles estão cercados por outras crianças e adultos e, desde cedo, devem aprender que se relacionar bem com as pessoas requer controle, desprendimento e generosidade. E cabe a nós dar o exemplo e ensiná-los essa importante lição de vida.

*Acedriana Vicente Vogel é diretora pedagógica da Editora Positivo.
A alternativa inglesa do pedágio urbano para limpar o ar

Apesar da redução do uso de combustíveis fósseis, da possibilidade de utilização compartilhada de veículos automotores e consequente diminuição da poluição do ar nos centros urbanos, os proprietários e usuários de carros devem se preparar para enfrentar novas e elevadas despesas, além dos muitos tributos e tarifas já existentes.

Trata-se do pedágio cobrado em vias urbanas, como alternativa para o controle do trânsito, melhoria da qualidade do ar e ampliação dos espaços para o ser humano em grandes cidades do mundo inteiro.

A inusitada tarifa começou a ser cobrada no dia oito de abril último, na cidade de Londres, capital da Inglaterra, podendo atingir o valor de 63 reais por dia, no caso de veículos mais antigos e poluentes que circulam na região central da metrópole britânica.

A justificativa oficial para a inesperada cobrança está na necessidade de combate e/ou controle da poluição do ar e redução de doenças causadas pela contaminação atmosférica.

A tarifa que é uma das medidas mais rígidas do mundo para conter a emissão de poluentes, inicialmente se restringe aos automóveis mais poluidores e à Zona de Emissões Ultrabaixas, estabelecida na região central da cidade.

Nessa área, proprietários e/ou condutores de carros, utilitários, caminhões, ônibus e motocicletas movidas a óleo diesel e com mais de quatro anos ou movidas a gasolina e com mais de 13 anos de tráfego, com níveis de emissões de CO2 elevados, pagarão 12,5 libras esterlinas ou 63 reais, para circular durante um dia no centro da capital inglesa.

A nova tarifa complementa a chamada taxa de congestionamento de 11,5 libras já cobrada na região central da cidade, de condutores de todos os veículos automotores, entre as sete horas da manhã e 18 horas da tarde. Em ambos os casos, o objetivo alegado é a melhora da qualidade do ar.

A cobrança afetará proprietários e/ou usuários de carros movidos a gasolina, emplacados até 2006 e veículos movidos a óleo diesel, com registro anterior a setembro de 2015.

Determinados veículos de transporte mais pesados, como caminhões e ônibus, poderão pagar tarifas de até 100 libras diárias para circular na área central de Londres e a cobrança ocorrerá 24 horas por dia.

Autoridades locais e ambientalistas britânicos estão comemorando a adoção da medida até então inédita em todo o mundo, sob o argumento que se trata de estratégia e mudança ousada de lideranças mundiais, no combate da contaminação tóxica do ar das cidades e do planeta.

Conforme os autores e defensores da proposta, a poluição do ar tem maior impacto sobre pessoas mais pobres de todo mundo, pois possuem menos carros, andam mais pelas ruas e respiram o ar contaminado, apontado como assassino invisível e mal responsável por uma das maiores emergências de saúde de atual geração da humanidade.

O estabelecimento da Zona de Emissões Ultrabaixas no centro de Londres foi apontado como iniciativa pioneira de planos ousados para limpar o ar daquela cidade, ainda sem similar em outros centros urbanos do planeta, mas já chamando a atenção de autoridades locais e especialistas do ramo.

Diante dessa realidade, cabe às autoridades, lideranças e população das demais cidades do planeta, a adoção de medidas preventivas, como o uso de combustíveis alternativos, especialmente a eletricidade, para a movimentação de carros, caminhões e ônibus, evitando a ação extrema da capital britânica.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]
Um novo pacto social

Os desempregados no Brasil somam 13 milhões de trabalhadores. Para 2020, a projeção é de 12,7 milhões. Dados da Organização Internacional do Trabalho. Pelo visto, não haverá grande mudança no painel do emprego. E mais: especialistas demonstram que o desemprego tende a crescer no mundo ante a expansão da automação nos parques fabris e a revolução a que já se assiste no setor de serviços.

A hipótese, que ganha o foco de estudiosos, é de que teremos cada vez menos emprego. E, em contrapartida, a escalada da informalidade, com o aumento de “bicos” e trabalhadores exercendo atividades sem vínculo contratual, físico e temporal. O impacto sobre as economias será de monta, tornando defasada a rede de proteção social aos trabalhadores, pois os salários pagos pelo sistema produtivo, que servem de referência tanto para cobrança de contribuições quanto ao pagamento de benefícios – aposentadoria, seguro desemprego – darão vez a ganhos não fixos, obtidos pelo tipo e tempo de serviço prestado.

Veja-se o risco de ficar obsoleta uma reforma da Previdência estruturada sobre o eixo do trabalho fixado no emprego e no salário. Nasce envelhecida. Esse é, aliás, o alerta que faz o economista José Roberto Afonso em recente texto acadêmico. O professor José Pastore também tem desenhado com mestria o futuro do trabalho. Infelizmente, os nossos homens públicos ainda não perceberam que mudar o sistema previdenciário sem considerar a nova moldura do trabalho no mundo não equacionará o ajuste das contas do país. Por mais que se considere essa reforma como a mais importante do governo, o fato é que ficará caduca logo, logo, exigindo, mais adiante, uma reforma da reforma, com a inserção de nova ordem de fatores.

Pior é constatar que, por nossas plagas, o emprego com carteira assinada tem espaço cativo na mente nacional. Parece ser a única forma de alguém conservar a auto-estima: “eu tenho um emprego”. E se o emprego estiver na órbita do Estado, melhor.  A árvore do patrimonialismo tem sido responsável pelo conjunto de mazelas que contribuem para avolumar o chamado custo-Brasil: o cartorialismo (a burocracia), o empreguismo/nepotismo, o desleixo, a incúria, a anomia, a improvisação, entre outras. O empreendedorismo ainda está longe de se consolidar como ferramenta de alavancagem dos setores produtivos.

O homo brasiliensis espera que o braço estatal seja seu protetor. E assim, a livre iniciativa, o desbravamento de novas áreas, a produtividade acabam cedendo espaço para a acomodação, a protelação de tarefas (“vamos deixar para amanhã”), o ócio, a preguiça, o acobertamento da ilicitude e, por consequência, a formação de teias de corrupção pela malha da administração publica nas três esferas da Federação.

Urge, portanto, um choque de ações, a começar pela reformulação das estruturas que dão formação à nossa mão de obra, com atualização das abordagens de treinamento e um direcionamento para nichos de serviços não tradicionais. Temos de abandonar as velhas práticas e a noção de que as oportunidades do mercado de trabalho caem sobre nossas cabeças como o maná que caiu do céu quando Deus tirou seu povo do Egito rumo à Terra Prometida.

Temos de substituir em nossas cabeças emprego por trabalho. Direito ao salário pelo ganho proporcionado por novas funções, tarefas e serviços na seara de um mercado de trabalho que se diferencia de suas antigas estruturas.

Sob essa paisagem, a rede de proteção ao trabalhador há de prover outras modalidades que não apenas a carteira assinada. Sindicatos trabalhistas carecem redirecionar rumos e ações. A velha luta de classes será substituída pela construção de um diálogo estreito entre patrões e trabalhadores, com identificação de seus interesses e maior parceria.

O alvo passa a ser, portanto, um novo pacto social, cujo escopo abrigue pilares do trabalho em suas múltiplas facetas – tempos determinados e indeterminados, contratos individuais e plurais, serviços prestados à distância etc. As metamorfoses do mundo do trabalho precisam ser analisadas à luz do fenômeno da globalização, que tem puxado o carrossel de mudanças nas frentes política, econômica, social e jurídica.

Fechar os olhos ao universo em transformação é ter a atitude da avestruz.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato
Cabo de guerra

Enquanto o Congresso impede o governo de salvar a economia e moralizar o país, importantes veículos e multidão de jornalistas se dedicam, quase esportivamente, a tarefa cotidiana de responsabilizar o Presidente. E dane-se o Brasil e os brasileiros!

O Impeachment e a Lava Jato criaram condições para que o rumo da história mudasse e para que o Brasil retornasse às mãos de seu povo. Pessoalmente, saí de trás do teclado, do microfone e do vídeo, onde atuava havia várias décadas, e fui para a rua. Para espanto geral dos familiares e meu próprio escândalo, fiz passeata, carreata, subi em carro de som, discursei em todas as manifestações havidas em Porto Alegre. Jamais fizera nada assim, nem mesmo quando fui candidato. Não era para mim, mas pelo Brasil e sua gente que precisava ser libertada e ter sua dignidade restaurada.

Centenas de vezes, ao longo das últimas décadas, com total senso de pregar no deserto, assim como denunciava os descaminhos por onde a esquerda conduzia os povos, Brasil aí incluído, cuidei de denunciar, também, o absurdo de um modelo institucional em que o governo, a administração e órgãos do próprio Estado são moeda de troca para compor maiorias parlamentares negocistas e custear suas negociatas. Questões institucionais, contudo, nunca são levadas a sério no Brasil!

Nas eleições de 2018, o Brasil mudou de mãos. O eleitorado brasileiro promoveu uma faxina no Congresso Nacional. A vitória de Bolsonaro incomodou a esquerda no Brasil e no mundo, desencadeando ódios cósmicos que estão em curso.

No entanto, para tudo deve haver limites. E o que está acontecendo os excede totalmente. O irracional modelo institucional brasileiro, ficha irreparavelmente suja, que nunca produziu bons resultados levou apenas quatro meses para recompor um mal-intencionado Centrão que quer governar o governo. Um Centrão que quer tirar o COAF (órgão criado para combater crimes financeiros, lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo) do Ministério da Justiça e restitui-lo ao Ministério da Economia porque enquanto ali esteve hospedado a bandalheira correu solta.

Em nossa longa história, governos criavam ministérios e espargiam recursos orçamentários para contentar partidos que, de olho no butim, cresciam como moscas no bufê do poder. Bolsonaro reduziu o governo a 22 pastas, não fez negócios com elas e não cessou de ser criticado por isso. Agora, o Centrão quer recriar uma excrescência não federativa, o Ministério das Cidades, que foi verdadeiro escritório de corretagem dos negócios eleitorais dos piores congressistas. De contrapeso ainda exige a recriação do Ministério da Integração Nacional. No primeiro, os parlamentares fazem acordos com os prefeitos; no segundo, negociam com os governadores. E todo jornalista de Brasília sabe disso!

Eu nunca vi o Congresso Nacional determinar ao governo que, contra a vontade do Presidente da República, crie ministérios para deleite de seus membros!

Diante desse quadro sinistro, que ameaça o futuro da reforma da Previdência, que se contrapõe ao combate à corrupção, que quer restabelecer as sinecuras sindicais e reintroduzir a contribuição obrigatória, que a tudo quer adiar, obstruir e impedir, parcela significativa da imprensa se dedica a criticar o Presidente. A ironia da coluna de amanhã é mais importante que o futuro do Brasil e de seus desempregados. Imaginam, talvez, ser maiores do que o buraco que, por exclusiva responsabilidade do Congresso Nacional, se descortina, hoje, para o futuro do país. Talvez se creiam, para sempre, na mesa das lagostas e dos vinhos finos.

O Brasil está em cabo de guerra. Numeroso grupo de congressistas o quer tomar de nossas mãos. Querem governar o governo. Não esmoreça, não abandone o posto, não largue a corda.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Negociação avançada usando ferramentas de coaching

Quantos de vocês já pararam para avaliar que nossa vida é uma negociação? Quando negociamos, tratamos com pessoas diferentes, pensamentos diferentes e o ser humano em decorrência da sua herança evolutiva, ao se sentir desafiado na obtenção de seus interesses, tende a reagir com o emprego das emoções (raiva, fuga), estabelecendo um dilema de necessariamente escolher na conquista do que se negocia ou a manutenção do relacionamento.

O objetivo do bom negociador é atacar o processo e manter um bom relacionamento com a contraparte. É o mesmo que dizer que: o objeto ou substância da negociação é diferente do relacionamento e o bom negociador nunca oferece uma concessão para melhorar o relacionamento. Negociação é, portanto, um processo dinâmico de busca de um acordo mutuamente satisfatório para se resolver diferenças, no qual cada parte obtenha um grau ótimo de satisfação.

Saber negociar nesse mundo globalizado é fundamental, pois, a negociação está presente em todos os momentos nas organizações ou na nossa vida. Talvez, vários de vocês se lembrem agora daquela negociação que já fez ou fará com seu chefe, seu liderado, com algum colega de trabalho, ou até mesmo com alguém de sua família.

Mas, o que o Coaching tem a ver com negociação? E como podemos aplicar ferramentas de Coaching na negociação? Segundo John Whitmore, que foi um pioneiro no campo de Coaching para negócios, coaching é ampliar a consciência da pessoa fazendo com que ela assuma mais responsabilidades. Consciência + responsabilidade. O objetivo de uma negociação é ser criativo para criar opções de ganhos mútuos (ampliação de consciência), fazendo com que a outra pessoa pense que a ideia é dela (assumir responsabilidades).

O ser humano se comunica por meio dos canais sensoriais. Isso quer dizer que o olfato, tato, visão, audição e paladar devem ser observados com maestria para o estabelecimento de uma comunicação eficaz na negociação. Se as pessoas podem ser mais visuais, auditivas ou cinestésicas, devemos adaptar nossa comunicação ao estilo de cada uma e para conduzirmos um processo de negociação ou de Coaching é importante fazer boas perguntas.

Quem sabe fazer boas perguntas, preferencialmente abertas, conduz a comunicação. O mundo é movido pelas perguntas e não pelas respostas. Se não houvesse as perguntas, como poderiam existir as respostas e as evoluções no mundo e nas negociações? A psicologia humanista é uma das principais raízes do Coaching na figura de Carl Rogers e na terapia centrada na pessoa, descrita por Rogers, o terapeuta desempenha o papel de um facilitador e é o cliente que conhece melhor a si mesmo e suas respostas.

Como tirar então o melhor do cliente? Fazendo boas perguntas já dizia Carl Rogers. Façamos então perguntas poderosas no processo de negociação. As perguntas são fundamentais para entendermos a diferença de posições para interesses em uma negociação. A negociação por defesa de posições é ruim porque não explora o que cada lado da negociação realmente quer.

O negociador deve ter a habilidade de perceber seus padrões de crenças limitantes, assim como possíveis crenças limitantes da contraparte com o intuito de ressignificar possíveis objeções pautadas em crenças limitantes. O negociador deve usar técnicas e ferramentas como as “perguntas poderosas” ou outras mais adequadas para que essas transferências, ressignificações e pensamentos sejam substituídos de forma sólida.

Podemos então concluir que muitos dos livros atuais sobre o futuro do mundo dos negócios sugerem que as empresas precisam passar pela reengenharia. No entanto, o segredo do sucesso dessa reengenharia não está em renovar inteiramente a estrutura da organização, mas sim em reprogramar de dentro para fora sua forma de pensar e suas atitudes.

Depende de você a partir de agora usar mais ferramentas de Coaching nas negociações para mudar o que as pessoas sentem através da comunicação. Integre ferramentas de coaching ao processo de negociação e tenha mais sucesso!

A identidade do país e do governo

A análise política trabalha com dois conceitos para interpretar fenômenos ligados aos protagonistas da política, sejam pessoas físicas ou jurídicas, políticos ou governos: identidade e imagem. O primeiro se refere à índole dos protagonistas, seu caráter, programas e ações, o que verdadeiramente representam; já a imagem é a projeção da identidade, significando a percepção que deles têm os cidadãos, a maneira como as pessoas vêem os integrantes da esfera política.

A identidade do Brasil, por exemplo, abriga um conjunto de elementos, dentre os quais o tamanho do território, suas riquezas naturais, a natureza de sua população, os ciclos históricos, as tradições e costumes, enfim, tudo que possa realçar o porte do país. Convido o leitor a construir na mente o mapa da identidade da Nação brasileira. Da mesma maneira, tente imaginar a identidade do Estado e município onde mora. Faça uma comparação com outros entes federativos. E pense na questão: os governos do Estado e do país correspondem efetivamente à dimensão dos territórios que governam?

Escolhamos, a título de melhor associação de ideias, o governo Bolsonaro. Sem intenção de diminuir seu peso na balança da análise política, cresce a percepção de que a identidade do governo é baixa em relação à altura do Brasil. É como se o país medisse um metro de altura e a administração Bolsonaro apenas cinquenta centímetros. Conclusão: falta muito governo para cobrir o real tamanho do nosso território continental.

O que causa tal sentimento? Vamos lá: a crise interna entre grupos, a ideologização que gera conflitos, o despreparo de perfis, a extrema relevância que se dá ao guru da família Bolsonaro e até mesmo o baixo nível na linguagem usada por protagonistas. Eis o que disse durante a semana a ministra dos Direitos Humanos: “a Funai tem de ficar com mamãe Damares, não com papai Moro”. Assim a titular da pasta de Direitos Humanos fez apelo para conservar sob sua órbita a Fundação Nacional do Índio. Já o horoscopista elogiado pelo presidente e agraciado com o maior galardão do Itamaraty é o recordista no uso de palavras chulas.

Ora, há uma liturgia do poder, que obriga participantes da esfera governamental a adotar posturas condizentes com o cargo, o que inclui o uso de expressão conveniente. O que se constata é a “infantilização” da linguagem (essa de Damares) ou os adjetivos sacados do pântano por figuras que posam de heróis. O próprio Bolsonaro faz afirmações que fogem à régua da liturgia presidencial.

A sensação de um governo menor deriva também do fato de se fazer trocas (ou criação) de áreas – Coaf da Justiça para a Economia, Funai em negociação, política industrial saindo da Economia para Ministério da Tecnologia, renascimento de ministérios – não por questões de escopo técnico, mas por conveniências de natureza política. Diminuir poder de um e passar a outro. Onde está o tão propagado compromisso de evitar o “troca-troca”, o “toma lá dá cá”?

Espraia-se a percepção de que a administração não é operada dentro de critérios técnicos. A taxa de improvisação é alta. Há ilhas de qualidade, como é o caso da equipe econômica comandada pelo ministro Paulo Guedes ou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, mas o arquipélago governamental é povoado de perfis sem densidade/experiência na área em que atuam.

Qual é, afinal, a coluna vertebral do governo? O barulho maior se dá em torno da reforma da Previdência. Mas a questão fiscal-tributária assola os Estados e não há indicações de saída para equilibrar os entes federativos. O improviso está no ar. A principal embaixada do Brasil no mundo, a dos Estados Unidos, não tem titular. O chanceler espera que um conselheiro seu amigo seja promovido a embaixador para nomeá-lo ao cargo.

O “índice de coisas estabanadas”, que poderíamos designar doravante como ICE, tende a se expandir. E a esfacelar a identidade do governo Bolsonaro. Não à toa, forma-se em nossa cognição a ideia de que o Brasil tem um governo menor que sua grandeza exige.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato