Artigos
O Brasil e a preservação de 70% da natureza intocada do mundo

Se existem injustiças inaceitáveis no mundo moderno, são as acusações de depredação ambiental e contaminação dos recursos naturais, feitas seguidamente contra os brasileiros e especialmente os produtores rurais do País.

Na era do conhecimento, da tecnologia e da informação, não faz sentido pessoas escolarizadas desconhecerem o fato de apenas cinco nações, com destaque para o Brasil, abrigarem e preservarem 70% do restante da natureza intocada do planeta.      

Conforme estudo de pesquisadores da Universidade de Queensland, da Austrália, e da Wildlife Conservation Society (WCS), dos Estados Unidos, publicado na revista acadêmica Nature, da Inglaterra, somente em apenas 25% da superfície da Terra ainda existem áreas livres de impactos humanos e grande parte delas está concentrada em cinco países.

Segundo especialistas, há 100 anos 83% dos recursos naturais do planeta ainda eram preservados, sem sofrer reflexos da ocupação humana, com redução que chama atenção de ambientalistas e sociedade em geral, para omissão de algumas nações com relação aos temores de conseqüências catastróficas de mudanças climáticas.

De acordo com o levantamento, além do Brasil, Austrália, Canadá, Rússia e Estados Unidos integram o grupo de cinco países que abriga a maior parte da terra intocada, mantendo sua parcela de responsabilidade com a manutenção do que resta da natureza selvagem.

O estudo abrangeu oito indicadores do impacto humano nos recursos naturais, incluindo ambientes urbanos, terras agrícolas e projetos de infraestrutura. Foram excluídas áreas intocadas na Antártida e em alto mar que não estavam dentro de fronteiras nacionais.

A natureza selvagem intocada em áreas terrestres e marítimas, que não foram afetadas pela expansão da ocupação humana, está em apenas um quarto do planeta, se mantendo como refúgios vitais para milhares de espécies ameaçadas e preservando alguns dos mais eficientes mecanismos de prevenção contra eventos devastadores provocados pelas mudanças climáticas.

Com relação aos oceanos, considerando dados sobre pesca, transporte industrial e derrame de químicos, foi constatado que apenas 13% dos mares têm poucas ou nenhuma marca da atividade humana. Na superfície dos continentes, estão vastas áreas de florestas com trilhões de árvores que absorvem gás carbônico da atmosfera, reduzindo os impactos das emissões de gases de efeito estufa.

O mapeamento de áreas de natureza selvagem preservada chamou a atenção de lideranças de todo o mundo, pois com o consumo de combustíveis fósseis, madeira e carne, assim como com o crescimento populacional, somente 23% do planeta Terra estão livres de impactos causados pela agricultura, indústria e centros urbanos.

Ocorre que entre 1993 e 2009, área de natureza selvagem com a dimensão do território da Índia foi contaminada pela ocupação humana,  poluição industrial, mineração e agricultura extensiva. Já os rebanhos de animais selvagens do planeta foram reduzidos em 60% desde 1970, devido à ação humana.

Dessa forma, os pesquisadores destacam que o mundo gostaria que os cinco países que mantém natureza intocada, incluindo o Brasil, mantivessem as áreas preservadas.

No que depender do agronegócio nacional, com certeza, essa expectativa será atendida, pois o produtor rural, exercendo atividade econômica a céu aberto, sabe muito bem da necessidade do equilíbrio ambiental para sua sobrevivência.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]
Hipocrisia!

Se você perguntar a um desses jovens desorientados, que assumem Che Guevara como referência, qual o motivo dessa veneração, certamente ouvirá como resposta que a grande virtude do argentino era a coerência com seu ideal. Afinal, Guevara deu a vida por ele. Claro que Jesus Cristo foi infinitamente superior, mas Jesus Cristo, nesses casos, está fora de cogitação.  O que não passa pela cabeça da moçada é que esse supremo sacrifício é uma característica de seres notáveis, mas há condições para merecer o adjetivo: 1ª) que o ideal seja nobre e 2ª) que quem o abrace não se sinta no direito de sair por aí matando quem dele discorde. Che Guevara se desqualifica em ambas. Seu ideal já era comprovadamente desastroso quando o abraçou e ele se permitiu, enquanto tentava instalar uma guerrilha comunista na Bolívia, escrever sobre sua própria “sede de sangue”. Era uma sede em proporções cósmicas porque nem mesmo uma guerra nuclear entre a URSS e os EUA, a partir de uma base de ogivas em Cuba, deixava de lhe parecer apetitosa e desejável. “Um, dois, três, mil Vietnãs!” não enchiam seu copo.

Dito isso em menos palavras, fica assim: a coerência com um ideal errado, é algo maléfico, que produz desastres pessoais e universais com regularidade absolutamente previsível. É a “coerência” dos que na vida pessoal se recusam a refletir sobre as consequências dos seus desacertos, de seus vícios e fraquezas, como se uma linha contínua de males fosse um modelo de retidão. É a “coerência” dos que, na vida social e política, persistentemente empurram nações para seu desastroso ideal.

Pois é por esse mesmo caminho que chegamos à hipocrisia. Com efeito, há um potencial pedagógico no erro humano. No entanto, para que isso ocorra é preciso que: 1º) não disponhamos de um modo mais prático e menos oneroso de aprender; 2º) realmente estejamos interessados em acertar. Esse não é caso de quem, advertido sobre o erro que vai cometer, rejeita a advertência alegando – como tantas vezes se ouve – “deixa-me errar porque errando se aprende”. Estamos aqui diante de um caso flagrante de hipocrisia. O sujeito da resposta não quer aprender. Ele deseja errar porque o erro o atrai.

Dito isso, olhemos o caos social, político, econômico e moral do país. Cada passo nessa direção foi saudado (não preciso dizer por quem na política e na mídia) como progresso, avanço, modernização, busca da justiça, apogeu da liberdade, ruptura das amarras culturais, alegre e festiva ruptura dos fundamentos da civilização ocidental. Brilhantes considerações a esse respeito podem ser lidas no artigo "J'Accuse!" de Paulo Vendelino Kons.

Raros períodos da história humana registram tão triunfante marcha da vaca para o brejo!

Agora, quando a vaca se foi e a nação acordou, quando o projeto se tornou conhecido e seus efeitos foram rejeitados pela maioria da opinião pública, “coerentemente” persistem na defesa dos erros. Dedicam horas de tribuna e programação a lecionar a sociedade que é preciso seguir naquele rumo. É como se dissessem: “Estava tudo indo tão bem e vocês aparecem para atrapalhar nossa farra”. E aí, no apogeu da hipocrisia, se escandalizam ante imagens do caos para cuja construção tanto contribuíram e exigem censura para o que antes aplaudiam.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O ônibus

A unidade da Embrapa de Bagé fica um pouco afastada da cidade – da minha casa, especificamente, fica a 14km. Por conta disso, disponibiliza um ônibus que faz uma mesma rota diariamente, coletando os funcionários pela manhã e distribuindo fim da tarde. E é nesse ônibus que vou e volto do meu estágio.
É um ônibus como outro qualquer, com a diferença de que o seu público é sempre o mesmo e algumas pessoas sentam-se sempre no mesmo lugar – eu sou uma dessas. Como ônibus que é, eventualmente alguém senta ao seu lado na falta de melhor assento, as pessoas conversam, tem a animada turma do fundão e o motorista se chama Valdecir. Tudo normal até então.
Como a maioria dos brasileiros, não tive estágio e tampouco peguei ônibus no carnaval. Mas como pobre, quando chove sopa, está de garfo, na quarta-feira de cinzas, de folga, passei por maus bocados. Não sei por qual razão tive febre, dores pelo corpo, fiquei deitada e em jejum um dia todo, acabada, como se condenada ao sofrimento eterno. A dor e o desgosto têm o poder de dilatar o tempo, isso é incrível. 
Estimei a própria melhora, especialmente porque na quinta-feira eu teria estágio o dia todo. E de fato, acordei melhor na quinta, ainda que um tanto indisposta, pálida e com feições cadavéricas, mas me mantive como proletária responsável que sou, me aprontei e fui para o ponto de ônibus.
Tudo correu bem ao longo do dia. O ônibus passou no ponto como sempre, o estágio foi normal, a febre não voltou e, quando o relógio anunciou que eram 17 horas, meu espírito regozijou-se, fiquei feliz como quem acha dinheiro no bolso do casaco. Sentada em minha poltrona do ônibus, agradeci pelo dia sobrevivido e estava ansiosa para entrar em casa, deitar na cama e esquecer do tempo.
Eis que, pouco antes do ônibus partir, entra nele uma última funcionária, que decidiu sentar ao meu lado. Respondi ao seu “boa tarde” e tornei a fitar a paisagem bucólica do pampa enquanto visualizava o recompensador momento da minha soneca que estava por vir. Foi quando senti uma mosca pousar em meu braço. Afastei-a. A mosca sentou na mulher ao meu lado. Ela afastou igualmente. Então a mosca planou entre nós duas. Foi o bastante para ter início uma enfadonha conversa.
- Sabe que eu lembrei de uma história... – disse a mulher.
- Hã... – respondi.
Ela começou a contar uma lembrança da infância – que, julgo, deve ter ocorrido há mais de 30 anos – a qual envolvia um café da tarde na casa de parentes de origem alemã que eram muito pouco higiênicos, cuja mesa estava cercada de moscas. Eu, descendente de alemães, ouvia enquanto olhava pela janela.
Quando dei por mim, ela havia concluído a história.
- Mosca é complicado mesmo – comentei.
- Ai, nem me fale! E eu lembro que ... – ela continuou.
Busquei no meu repertório alguma resposta que não fosse grosseira, mas que também não soasse como convite ao diálogo. O que é bem difícil, se parar para analisar. Comumente, silêncios são interpretados como convites à fala, como se surgissem com a finalidade de serem interrompidos. A mulher me poupou serviço, e já emendou falando sobre um curso que estava fazendo, que isso avivava suas memórias da infância.
- De fato, nosso potencial de reter informações é maior do que imaginamos. Diante de pouco esforço podemos ser surpreendidos com lembranças que pareciam esquecidas – comentei com fé de que isso encerraria a conversa.
- Mas eu sempre lembro do rosto daquele menino... – fui incompetente na missão de promover silêncio entre nós e ela continuou falando.
Decidi apenas sorrir. Fiz o melhor que pude, mas diante da minha indisposição e cansaço, certamente não fiz mais do que mostrar o dentes. Passamos o restante do trajeto em silêncio e descemos no mesmo ponto. Cada uma foi para um lado, ninguém disse tchau. Desde então, a mulher nunca mais sentou do meu lado. 

Amanda Salvador tem 24 anos, é toledana e estagiária da Embrapa Pecuária Sul em Bagé.
O fim da caixa preta do Pedágio

Ao assumir o Governo do Estado Paraná adotei uma série de medidas para abrir a caixa preta do Pedágio e acabar com um sistema tarifário há muito tempo injusto e perverso aos paranaenses.

Uma das primeiras ações foi notificar as concessionárias de que não haveria hipótese de renovação ou de prorrogação dos atuais contratos que se encerram em 2021.

Em paralelo, instituí grupos de trabalho para atuar em várias frentes. Uma delas era para negociar com a União a nova delegação das rodovias federais que formam parte do Anel de Integração. Reafirmo minha convicção de que são os paranaenses que devem decidir qual é o melhor modelo de pedágio que o Paraná deve ter.

Para envolver a sociedade, realizamos audiências públicas em todas as regiões. Recebemos sugestões de melhorias no sistema e das obras fundamentais para os moradores de cada localidade. Reforço a minha posição já conhecida: tarifas pelo menos 50 % mais baixas e muito mais obras, em especial, duplicações.

Na área jurídica, determinei ao Estado que saísse do polo passivo onde se encontrava e passasse a ser parte ativa das ações, dos processos e das investigações que desvendam uma série de irregularidades e de desvios de conduta.

Em razão do que foi apurado nas duas fases da Operação Integração afastei imediatamente todos os servidores públicos citados e solicitei à Justiça que o Estado ingressasse nas ações na condição de colaborador e parte interessada no esclarecimento dos fatos. Estabelecemos uma força-tarefa na PGE para auxiliar nas investigações. 

Por orientação da Controladoria, fizemos uma intervenção administrativa nos seis lotes do Anel de Integração e chamamos oficiais da reserva da Polícia Militar para auxiliar na tarefa de esclarecer o modo de funcionamento das concessionárias. Todos os dados foram repassados para a Controladoria e estão à disposição do Ministério Público e do Poder Judiciário.

O próprio procurador Diogo Castor de Mattos, que atua na força-tarefa da Lava Jato, afirmou, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo publicada no dia 26/11, que o MPF encontrava resistência em órgãos públicos com inconsistências e demora na entrega das informações. De acordo com o procurador Castor, a partir das operações policiais e de trocas de comando, o acesso aos dados foi facilitado, permitindo esse tipo de levantamento.

O acordo de leniência firmado pelo Ministério Público Federal e a concessionária Rodonorte que prevê a redução das tarifas em 30% e mais R$ 365 milhões em obras previstas no contrato original é mais uma etapa do processo de jogar luz e passar a limpo essa relação não republicana entre o poder concedente e as concessionárias de pedágio no Estado do Paraná.

Tenho a convicção de que este é um movimento que não tem volta. E a mudança de postura com o protagonismo adotado pelo Governo do Paraná, a partir da nossa gestão, foram partes essenciais para corrigir todo o mal feito, responsabilizar os culpados e dar respostas à sociedade paranaense.

Sigo defendendo que o Estado mantenha um papel ativo neste processo.

Cida Borghetti é ex-governadora do Estado do Paraná
Família e escola: uma parceria fundamental

Muito se fala sobre a importância de duas instituições pilares da sociedade, a família e a escola. Porém, precisamos cada vez mais pensar em como essas esferas podem se articular de maneira efetiva em prol do desenvolvimento das crianças.
Há por vezes uma transferência da educação, que seria papel da família, à escola. E muitas vezes a escola reclama da falta de participação das famílias na vida escolar dos alunos e se vê sobrecarregada, pois além de conteúdos das mais diversas disciplinas, se vê obrigada a ensinar às crianças valores básicos como respeito, honestidade, responsabilidade, entre outros.
A questão é que não podemos ficar em um jogo de culpados e de transferência de atribuições, mas se faz necessário buscarmos parceria e integração. A escola como lugar sistematizado de construção de conhecimento deve buscar cada vez mais planejar ações e estratégias para envolver as famílias no processo educativo. Não basta somente chamar os pais para reclamar dos alunos, ou para entregar boletins, mas talvez seja interessante convidá-los para feiras, exposições, cafés filosóficos ou poéticos e também investir na formação das famílias, pois muitas se encontram confusas e perdidas frente aos desafios que a sociedade moderna as impõe. É importante a escola promover palestras e formações sobre a questão dos limites na formação da cidadania, uso indevido de drogas, bullying, uso responsável de redes sociais, depressão, enfim tantos temas que pela troca de experiência entre escola e família podem ser melhor esclarecidos, prevenidos e trabalhados com nossas crianças e adolescentes.
Por sua vez, as famílias também devem pensar mais na formação ética de seus filhos. Ensinar e cobrar valores essenciais na formação do ser humano, buscar ler e pesquisar sobre o desenvolvimento das crianças e adolescentes e participar mais da vida escolar de seus filhos, acompanhar trabalhos e tarefas de casa, perguntar sobre o que estão aprendendo, ligar ou ir à escola mesmo que a mesma não as chame, pois assim os alunos percebem que de fato a educação tem importância e relevância na vida deles.
Além disso, é importante trabalharmos com questões de direitos e deveres, nas quais as pessoas entendam suas responsabilidades, e tornar isso parte da formação de cada um desde a infância. Ter cuidado com horários, normas, regras e rotina também é essencial na formação de toda pessoa. Tudo isso deve ser ensinado desde o início do desenvolvimento infantil.
Dessa forma, se faz necessário entender a importância da parceria entre escola e família. É importante que essa interação tenha lugar privilegiado no planejamento escolar e até em novas políticas públicas que visem esse fim. E como salientava Içami Tiba, "o ambiente escolar deve ser de uma instituição que complemente o ambiente familiar do educando, os quais devem ser agradáveis e geradores de afetos. Os pais e a escola devem ter princípios muito próximos para o benefício do filho/aluno”. Pois, somente com essa parceria conseguiremos construir uma educação eficaz e uma formação integral de nossos alunos para realmente formarmos cidadãos que atuem no mundo de forma colaborativa e responsável.

Vanessa Queirós Alves – professora e tutora do curso de Pedagogia no Centro Universitário Internacional Uninter.
Mulheres e suas missões

Desde tempos remotos a mulher sofre as consequências de uma sociedade patriarcal que concedeu aos homens o poder de decidir os rumos da humanidade. Na idade antiga e idade  média, a mulher simplesmente existia para gerar filhos, cria-los e cuidar dos serviços domésticos, sujeitando-se de forma submissa às vontades de seus pais, maridos e patrões.
Ser mulher, homem, alto, baixo, negro, branco, gordo ou magro são rótulos de identificação para que a nossa estrutura social possa se organizar. Mas precisamos lembrar que todos nós, independentemente dos rótulos que nos dão desde o dia do nosso nascimento, somos almas buscando um caminho de evolução, portanto o lugar de cada um de nós é aquele onde desejamos estar, independente de gênero. Cada mulher desse planeta merece estar onde ela quiser; para assim manter-se íntegra aos seus valores, desejos e metas pessoais.
Para que a mulher consiga se equilibrar e encontrar o que mais gosta de fazer, ela deve ser íntegra consigo mesma e permitindo-se experimentar. Não somos obrigadas a decidir uma profissão com 16 anos de idade ao concluir o ensino médio e, como aconteceu comigo, podemos mudar de atividade ao longo da vida, unindo três princípios fundamentais para que possamos obter felicidade naquilo que fazemos: P + H + $.
P: significa paixão, ou seja, ser completamente apaixonada pelo que faz e sentir prazer em contribuir com o mundo nessa atividade.
H: significa habilidade, ser muito bom e competente na atividade escolhida, desde que essa profissão seja escolha da própria mulher, pelas motivações corretas e não uma atividade escolhida pela família ou motivada apenas por questões financeiras.
$: significa que essa atividade precisa ser monetizada, ou seja, precisa existir uma demanda de mercado que pague por ela, porque a prosperidade financeira é fundamental para que se tenha prazer em exercer uma atividade.
Equilibrando esses três fatores com uma busca por meio da experimentação é possível encontrar a sua missão profissional.
O que pode contribuir muito com essa jornada são os Cajados**, os arquétipos da nossa personalidade. E, segundo a autora Clarissa Pinkola Estés, toda mulher tem um aspecto selvagem que precisa ser liberto e desenvolvido. Quando a mulher é “domesticada” e não consegue expressar seu lado feminino, instintivo e selvagem, ela adoece mental, emocional e fisicamente. Ela costuma comparar a mulher aos lobos selvagens e livres, que precisam expressar seus instintos, vinculados a própria ancestralidade, da fêmea que dá à luz, alimenta e protege sua cria.
O caminho que a mulher pode seguir para descobrir sua jornada é o caminho do autoconhecimento, de ser exata e corajosamente quem nasceu para ser, não reprimindo as vontades ou escravizando-se diante de uma sociedade doente que exige padrões inatingíveis de beleza e comportamento.
Somos seres únicos, raros. Cada um de nós é um universo, impossível de se padronizar.
Deve ser descartada qualquer atitude de submissão aos desejos e vontades alheias para a mulher que quiser encontrar seu cajado. É importante definir uma escala de valores que são inegociáveis, como por exemplo liberdade, respeito e amor próprio. Muitas mulheres justificam que abrem mão de seus valores por amor a outra pessoa, mas dentro da minha experiência de mais de 15 anos como terapeuta, alguém que abandona seus valores por “amar” alguém, já deixou de amar a si mesma e esse desequilíbrio faz com que a relação não perdure. 
É muito importante que mulheres com sua confiança ou autoestima destruídas busquem ajuda em grupos de apoio, em terapias complementares, que inclusive já estão disponíveis no SUS, em vídeos na internet, em livros, para que voltem a construir um caminho de retorno ao seu eu interior, a si mesma. E assim, diante de sua própria integridade e autoconhecimento, conseguirá encontrar o seu cajado, que leva à sua missão de alma e ao seu propósito aqui na Terra.
É necessário entender que a mulher é parte da família e não a única responsável. Cada pessoa que compõe a família tem suas responsabilidades, independente da idade. Lógico que a mulher se cobra mais e tem mais responsabilidades, porque normalmente é ela quem coordena e lidera as atividades e organização do lar, e a sociedade exige que a mulher seja uma heroína que dê conta de tudo.
É muito importante que a mulher compreenda que o propósito do seu cajado pode ser realizado paralelamente a todas as outras atividades, pois o cajado revela a missão da alma. E para a vida valer a pena, o cajado precisa ser realizado a cada respiração, como mãe, como mulher, profissional, filha, amiga ou irmã.
E todas devem dizer não a tudo que as escravizem e façam com que se sintam menores do que o próprio potencial máximo. Devem dizer não a desigualdade, a humilhação, ao machismo, a violência, a agressões psicológicas, a falta de respeito, aos abusos, assédios e tudo aquilo que menospreze suas potencialidades.
E para que a mulher tenha crescimento em todas as áreas, pode se inspirar em mulheres que já chegaram nos lugares onde ela deseja chegar. Cada área tem mentoras específicas, depende muito daquilo que ela deseja conquistar. Por exemplo, se ela quer ser uma excelente empresária, deve buscar os modelos de negócios de grandes empresarias de sucesso. Se deseja conselhos sobre investimentos, talvez alguém da sua família não seja o mentor correto, então deve buscar mentoras que podem ajudar a chegar onde almeja, e uma dica importante: sempre deve ter três metas bem claras em mente, e ao conquistá-las, deve buscar mais três e assim sucessivamente até conquistar o mundo, pois todas elas merecem.

* Patrícia Cândido é escritora best-seller, professora e pesquisadora na área da espiritualidade há mais de 15 anos
Dia Internacional da Mulher

O dia 8 de Março – Dia Internacional da Mulher – é marcado pelo reconhecimento internacional da luta das mulheres por direitos e condições de vida mais igualitárias e justas.
É certo que o presente e o último séculos carregam diversas conquistas femininas, que geraram, inclusive, grande impacto no Brasil, onde até o 1932 as mulheres não tinham direito ao voto, e até 1962 (ano de publicação da Lei 4.121, de 27 de agosto de 1962, que dispôs “sobre a situação jurídica da mulher casada”), em razão do que estava previsto no Código Civil de 1916, as mulheres casadas necessitavam de autorização de seus maridos para exercerem suas profissões (art. 242, VII, do referido Código), além de serem consideradas relativamente incapazes para os atos da vida civil (art. 6º, II, da normativa).
Nos dias de hoje, ainda se avista como distante a plena igualdade material entre homens e mulheres, já que continuam existindo diversos obstáculos e desafios a serem superados na sociedade. A desigualdade entre os gêneros é constatada de forma perversa, nos ambientes públicos e privados, a partir de estatísticas de violência contra essa população. Segundo o recente estudo “Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, disponibilizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública no dia 26 de fevereiro de 2019, a população feminina ainda é significativamente exposta a determinados tipos de violências e abusos, como assédio e violência doméstica e familiar, em ambientes públicos e privados. De acordo com a pesquisa, a violência contra a mulher ocorre em maior escala dentro de casa, sendo também verificada, em outras proporções, na rua, na internet, no ambiente de trabalho, nos ambientes de lazer e na escola/faculdade. Além disso, as mulheres estão passíveis diariamente a abusos dentro dos transportes públicos e particulares.
Esses apontamentos mostram uma faceta muito significativa da desigualdade de gênero, mas não a única. O documento intitulado “Mulheres na política: retrato da sub-representação feminina no poder”, publicado em 2016 pelo Senado Federal, já apontava que, quanto às eleições daquele ano, com exceção do Rio Grande do Norte e do Amapá, nenhum outro estado brasileiro tinha ultrapassado a marca de 20% de participação política de mulheres nos cargos de prefeitas, vereadoras, deputadas estaduais, deputadas federais, governadoras e senadoras. O Paraná, inclusive, naquele ano, havia atingido o percentual de 11,73% de mulheres em cargos eletivos. Aliás, o novo perfil da Câmara de Deputados permanece sendo principalmente masculino, já que a bancada feminina será composta por 77 mulheres na legislatura de 2019 a 2022, número que representa apenas 15% da totalidade de seus cargos.
Como se vê, a desigualdade de gênero tem como fundamentos aspectos sócio-histórico-culturais reproduzidos desde longa data. Nesse contexto, o Núcleo de Promoção da Igualdade de Gênero (Nupige), do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos do Ministério Público do Paraná, entende que o Dia Internacional da Mulher se faz importante não apenas para se lembrar de algumas conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, mas tem como uma de suas funções colocar em voga a necessidade de constante luta para manutenção de direitos fundamentais tão arduamente conquistados e para a implementação de melhores condições quanto à vivência feminina, até que se instale efetivamente a almejada sociedade livre, justa, igualitária e solidária.


 * Procurador de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça (Caop) de Proteção aos Direitos Humanos
** Promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Promoção da Igualdade de Gênero (Nupige) – Caop de Proteção aos Direitos Humanos
*** Promotor de Justiça do Caop de Proteção aos Direitos Humanos
**** Assessora Jurídica do Caop de Proteção aos Direitos Humanos
Os bônus e ônus do envelhecimento da população brasileira

Graças aos avanços da ciência, da saúde, da renda, da infraestrutura, do lazer e do bem-estar da população, a expectativa de vida das pessoas cresce a cada ano, mas como tudo tem bônus e ônus, o envelhecimento  poderá também atingir o desenvolvimento econômico e elevar gastos públicos, com custos para toda a sociedade brasileira. 
Conforme especialistas, com a redução do ingresso de novos empregados no mercado de trabalho, o País terá de elevar a produtividade da mão-de-obra ocupada, para manter o desenvolvimento econômico, elevar a arrecadação e sustentar as aposentadorias de trabalhadores e servidores públicos, independentemente de reformas no setor.
O Brasil, como economia emergente e/ou jovem, segundo eles, sempre se beneficiou do chamado bônus demográfico, que é o maior número de pessoas entrando no mercado de trabalho do que as deixando de trabalhar, pelas mais diversas razões. 
Por muitos anos, essa combinação garantiu aumento da contribuição em relação ao crescimento econômico do País, elevando a arrecadação e colaborando com o custeio de aposentadorias e benefícios previdenciários.
Com o envelhecimento de maior percentual de brasileiros, o crescimento da economia deverá ser afetado negativamente, no médio e longo prazo, pressionando cada vez mais as contas públicas.
De forma geral, a atividade produtiva contributiva de novos trabalhadores no mercado de trabalho, na questão do bônus demográfico, representava o crescimento anual de 0,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). 
Ocorre que o aumento de pessoas atuando no mercado de trabalho formal resulta na elevação da geração de riquezas do País, colaborando para o melhor desempenho da atividade econômica e da arrecadação de tributos, através do aumento do consumo e seus reflexos positivos em toda a cadeia produtiva.
Com processo de reversão do bônus demográfico, analistas apontam como cada vez mais necessária e urgente a adoção de política de incentivo à melhoria da produtividade em todos os segmentos produtivos, preservando o crescimento da economia e garantindo renda aos trabalhadores da ativa, para o custeio dos futuros novos aposentados.
Os primeiros sinais do final do bônus demográfico positivo já são visíveis na economia brasileira. No ano de 2018, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de pessoas dependentes para cada 100 trabalhadores em idade ativa, cresceu pela primeira vez e atingiu 44,03. 
Em 2017, a relação era de 43,98 e o crescimento foi surpreendente, segundo o IBGE, pois esse aumento de dependência só era esperado para 2023.
Para calcular o índice, o instituto classifica como dependentes crianças e idosos, por exemplo, enquanto a população ativa abrange brasileiros com idades entre 15 e 65 anos. A previsão é que ela cresça todos os anos e em 2060 chegue a 67,23.
Antigamente, vale recordar, os movimentos demográficos eram mais lentos, mas a situação mudou e a expectativa de vida dos brasileiros ao nascer cresce desde 1940, quando era de 45,5 anos. 
Em 2017, chegou a 76 anos, o que deve ser comemorado como avanço da qualidade de vida, mas também preocupar governantes, legisladores e cidadãos.Com o aumento da expectativa de vida da população, quase todas nossas famílias terão membros bem idosos e dependentes no futuro próximo.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]
Os benefícios da Gestão da Inovação

A ISO 56.002 é uma norma técnica criada pela Organização Internacional de Normalização, com sede na Suécia, a fim de padronizar terminologias, ferramentas, métodos e interações na implementação da inovação dentro das organizações. Seu intuito é definir diretrizes para inovar através de um sistema de gestão que abarque toda a infraestrutura de uma empresa e a possibilite retirar de seu ambiente interno e externo ideias inovadoras que impulsionem seu crescimento, independentemente de seu porte ou segmento.

As vantagens envolvidas são inúmeras, dado que as empresas demandam cada vez mais inovação, diante da alta competividade e complexidade do mercado. É preciso uma fluidez ordenada para se adaptar às mudanças constantes, dar vida a novas ideias e cultivar novas posturas que irão aproveitar o melhor que o ambiente e as pessoas têm a oferecer para uma organização.

As empresas que se certificarem, se tornarão referência dentro de seu mercado por terem um sistema de gestão voltado à inovação. A norma, que é composta por várias diretrizes, ajuda a controlar os processos, extraindo o melhor de cada fonte, ampliando o engajamento dos colaboradores, sem deixar passar oportunidades e ainda coletando os melhores insights.

Essas diretrizes auxiliam o gerenciamento das ideias, possibilitando a criação de novos produtos e a abertura de novos mercados de maneira constante e orgânica. O resultado é uma ampliação considerável do marketshare da empresa e o aumento do valor agregado de seus produtos.

Outra vantagem é que a ISO 56.002 permite uma integração com outras normais de classe mundial, como a ISO 9.001 e a ISO 14.001, o que garante melhores práticas com a gestão de qualidade e ainda  a potencializam.

A gestão da inovação é hoje, o que a qualidade foi há alguns anos. Vivemos em um mundo onde a incerteza é a única certeza, e lidar com isso demanda uma ferramenta poderosa de gestão. Sem isso, estamos fadados ao ostracismo mercadológico. A maleabilidade ordenada da inovação é a chave de uma boa gestão, alinhada com o futuro.

Alexandre Pierro é fundador da Palas, consultoria em gestão da qualidade e inovação, engenheiro mecânico pelo Instituto Mauá de Tecnologia e bacharel em física nuclear aplicada pela USP
A degradação da política

A política desceu ao fundo do poço. Nos últimos tempos, parcela ponderável da representação popular caiu nas malhas da Operação Lava Jato. Sua imagem está em baixa. É verdade que temos um novo quadro parlamentar no Senado e na Câmara. Tradicionais nomes foram despejados das cúpulas côncava e convexa do Parlamento. Persiste, porém, a dúvida: os novos nomes representam compromissos com uma nova política?

Os sinais não são animadores. A base do governo, em processo de formação, mostra que, sem participar da administração federal, não vai fincar pé em sua defesa. O dilema se impõe: como pode o país exibir melhorias nos níveis gerais de vida da população – taxas de escolaridade, distribuição de renda, Índice de Desenvolvimento Humano – quando a qualidade política deixa a desejar?       

Norberto Bobbio lembra que o valor central da democracia representativa é o papel do “quem”: o parlamentar deve ser fiduciário e não um delegado; e, quanto ao “que” (fazer), o fiduciário deve representar demandas sociais e não interesses particulares. O titular de um mandato vincula-se ao eleitor, ao qual deve obedecer.

Entre nós, os ajuntamentos que consideram o mandato seu feudo se multiplicam. São esses que têm como foco cargos e espaços no governo, por entenderem o mandato como domínio pessoal. Grande parte desses tipos integra o que se chama de “baixo clero”, geralmente localizado nos fundões do plenário. Essa legião seria mais sensível a barganhas. Não se pretende dizer que os cardeais do “alto clero” são puros. Dinarte Mariz, estrela do Senado nos tempos de chumbo, costumava dizer: “todo homem tem seu preço e eu sei o preço de cada um”. O velho senador potiguar se referia ao indefectível traço do caráter político: o jogo de recompensas.    

O rebaixamento do nível parlamentar se reforça com a substituição do paradigma clássico da democracia representativa – a promoção da cidadania – pelo parâmetro de uma “democracia funcional”, formada para abrigar interesses de grupos especializados da sociedade pós-industrial. Cientistas políticos, como o francês Maurice Duverger, chegam a definir a democracia de nosso tempo como “tecnodemocracia”, amparada em organizações complexas e nos conjuntos que integram um novo triângulo do poder, formado pelo sistema político, pela alta administração e pelos círculos de negócios. (A Operação Lava Jato fisgou representantes dessa tríade).

Em democracias clássicas, os impactos desse modelo, apesar de fortes, não chegam a eliminar a missão dos partidos políticos. Mas em democracias incipientes, como a nossa, os efeitos se fazem sentir. A perda de força dos partidos abre espaço para a formação de bancadas temáticas, como as de grupos econômicos (ruralistas, por exemplo); profissionais liberais (médicos, advogados, etc); sindicalistas; religiosas; em defesa do armamento; funcionários públicos etc. Seu traço de união é o corporativismo. São os arquipélagos do oceano parlamentar. Tentam substituir o todo pelas partes. 

Sob essa formação, o processamento das demandas sociais passa a enfrentar barreiras. A fragmentação de interesses obscurece a visão de prioridades. Não se consegue definir um norte. Basta ver a pluralidade de pontos de vista sobre as reformas, a começar pela Previdência.

O parlamentar que chega ao Congresso vai privilegiar o conjunto ao qual pertence. Delegado de um grupo, o congressista vê-se livre de compromissos mais amplos. Desse modo, o voto da base da pirâmide acaba sendo canalizado para atores mais sensíveis ao balcão da política.

Sem doutrina, os atores personalizam o poder, transformando a política em espetáculo. A degradação ganha volume, mais ainda ao se deparar com o poder imperial do Executivo, useiro e vezeiro na arte de praticar um presidencialismo de coalizão com a solda irresistível de cargos e posições na estrutura administrativa. O cambalacho se expande. Não é de surpreender que perfis canhestros, afeitos ao Estado-Espetáculo, passem a dominar os espaços do Parlamento. Eis o preço de uma democracia claudicante.

A esperança é a de que o Brasil pós-Lava Jato encontre o fio da racionalidade e a representação política, estonteada pelos abalos que macularam a instituição parlamentar, inicie nova jornada, usando sabão e esponja para limpar a lama que inundou os dutos das casas congressuais.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato