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O que é educação?

Ouço, de há bastante tempo, algumas pessoas falarem em educação como se o significado da palavra não abrangesse instrução, ensino. Como se educação significasse apenas o bom relacionamento social. Já vi até professores dizerem que “professor não é educador, quem deve educar são os pais, em casa, pois o professor apenas transmite instrução, conhecimento”. É claro que concordo que a educação começa em casa, mas ela continua na escola, pois o professor é educador, sim, nos dois sentidos: ensinar, transmitir conhecimento e consolidar boas maneiras, o bom trato entre as pessoas.

Acho que algumas pessoas nunca foram ao dicionário para ver o que a palavra educação realmente significa. Se fossem, iriam constatar que educação é “aperfeiçoamento das faculdades físicas, intelectuais e morais do ser humano; disciplinamento, instrução, ensino; processo pelo qual uma função se desenvolve e se aperfeiçoa pelo próprio exercício; aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas; conhecimento e prática dos usos de sociedade; civilidade, cortesia, delicadeza, polidez.”

Temos a mania de usar algumas palavras sem conhecer o seu exato significado, então pensamos que estamos dizendo uma coisa e estamos, na realidade, dizendo outra. Vemos isso até na imprensa, na televisão. Precisamos nos acostumar a ir ao lugar certo para consultar e usar as palavras de modo correto, que é o dicionário. Precisamos ler mais e escrever mais, cultivar sempre o hábito de ler e de escrever. E quem lê e escreve precisa ter ao seu lado, prontos para serem usados, um dicionário e uma gramática. Dicionário não é livro para decoração, para ficar enfeitando a estante ou prateleira.

Dicionário é livro para ser consultado sempre. Para que não caiamos no imperdoável pecado de deturpar, desvirtuar o sentido das palavras. Não podemos nos esquecer, então, que educação significa polidez, cortesia entre as pessoas, mas significa também instrução, aperfeiçoamento intelectual, aquisição de cultura. Sempre usei essa palavra com esses sentidos, pois eles são intrínsecos. Repetindo, então, educação é civilidade, bons costumes e aquisição de conhecimento. Para não esquecermos.

Luiz Carlos Amorim é fundador e presidente do Grupo Literário A Ilha em SC, com 38 anos de atividades e editor das Edições A Ilha. Ocupante da cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras.
Tecnologia como aliada do conhecimento e da educação

A tecnologia e a internet não apenas aceleraram a velocidade e a quantidade de dados a que todos têm acesso, como também transformaram a comunicação e o trabalho colaborativo, dando maior protagonismo aos usuários e ampliando as possibilidades de aprendizagens significativas. No meio escolar, estendeu-se como um novo meio para o fim. Ainda é  perceptível o receio de alguns docentes sobre o uso de itens tecnológicos nas dependências escolares: menos da metade, 40% dos professores, solicitam em algum momento, o uso de tecnologias para realizações de trabalhos, exercícios e trabalhos em grupo pela internet. 

Hoje, a tecnologia é uma realidade que está disponível para todas as gerações de estudantes e se faz presente, fortemente, no dia a dia. O momento agora é de atualizar o entendimento sobre o quanto tais ferramentas passaram nos últimos anos para a esfera de facilitadores, refletindo e planejando sobre a utilização das inovações disponíveis em diversas dimensões, definindo com clareza, para a escola e seus aprendizes, por que e para qual finalidade utilizá-las, assim como, o que e quando criar, realizar, registrar, avaliar, comunicar e compartilhar.

A International Society for Technology in Education (ISTE)/Sociedade Internacional da Tecnologia em Educação, a qual a Sphere International School, do Grupo SEB está baseada, atua como uma estrutura para que estudantes, educadores, administradores, treinadores e educadores de ciência da computação repensem o assunto e criem ambientes de aprendizado inovadores, trazendo diferentes possibilidades e fontes de pesquisas, realidade aumentada, aplicativos por área de conhecimento e mídias sociais, que permitem compartilhar projetos, atrair os estudantes e dar maior protagonismo, dinamismo e interação entre todos dentro de sala de aula.

O educador, nesse contexto, deixa de lado as atividades mais mecânicas, como elaboração de provas e correção de exercícios, e se torna um mediador da aprendizagem, um provocador e curador de conteúdos, criando estratégias pedagógicas híbridas, que mesclam modos de ensino online e offline, seja por meio de games e plataformas onlines ou com trabalhos de mentoria em grupo, diversificando fontes e perspectivas e fornecendo diferentes possibilidades de aprendizagem, de comunicação e de avaliação. Espera-se, aos aprendizes, que desenvolvam habilidades de investigação e análise do processo de elaboração de um projeto, demonstrando habilidades técnicas, socioemocionais e criativas com o uso e aplicações destas.

Vale salientar que, apesar do incentivo ao uso de diferentes tecnologias, em nenhum momento os novos recursos substituem ou devem minimizar as possibilidades de aprendizagem por meio de outros sentidos, seja pelo contato com a natureza, com a exploração de diferentes formas de expressão e de estímulo às diferentes inteligências. Por isso, é importante compreender o uso das tecnologias integrado em todos os segmentos, não como uma ferramenta ou disciplina isolada e desconectada do contexto geral de aprendizagem, mas sim assimilada como meio.

* CEO da Sphere International School, Arno Krug é graduado pela UFSC em varejo e negócios, e especializações sobre o assunto na Columbia Business School e FAE, além cursos de Educação Executiva e Estratégia Disruptiva pela Harvard Business School
Atitudes para a virada profissional

A virada do ano é marcada por comemorações com família, amigos e colegas de trabalho. Mas também é um período de reflexões e retrospectos. Metas não alcançadas, uma promoção esperada que não aconteceu, uma demissão e projetos não executados podem desencadear pensamentos negativos e sensações de fracasso. Situações como essas podem ser gatilhos para a depressão e outras doenças psicológicas, como a ansiedade e a síndrome do pânico. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2020, a depressão será a doença que mais causará incapacitação no mundo. Economicamente falando, a OMS calcula que um trilhão de dólares por ano sejam perdidos por conta da queda da produtividade causada por essa patologia. 

Diante disso, o ideal é aproveitar o início do ano para repensar ações, traçar metas, levantar o astral, descansar, construir novos objetivos e mudar algumas atitudes. Aproveitar esse momento para pensar em formas de se aprimorar e cuidar de si mesmo, mentalmente, fisicamente e espiritualmente. Tudo isso precisa estar em equilíbrio. Trabalhar em si mesmo, fazer o que gosta e se desconectar um pouco das rotinas também é importante para a saúde mental.

Olhar para si mesmo e focar no aprimoramento profissional pode ser uma boa alternativa para evitar ou enfrentar a depressão. A busca por conhecimento, o aprendizado e a convivência com outras pessoas no ambiente de trabalho ajudam a ocupar a mente, a encontrar outras formas de ver a vida.

Além de preencher a mente com novos conhecimentos e atividades enriquecedoras, a busca por aperfeiçoamento ajuda a crescer profissionalmente. Workshops, cursos de idiomas, profissionalizantes, pós-graduações e outras atividades podem aprimorar o currículo e garantir uma imagem ainda melhor do trabalhador na empresa. Inclusive, a própria corporação pode fazer parte disso. Investindo em treinamentos individuais e em equipes, em capacitações complementares, dinâmicas e em outras formas de desenvolver habilidades e potencializar conhecimentos.

O mundo vive um momento tecnológico, no qual novas profissões estão surgindo, a indústria 4.0 também está criando novas maneiras de se trabalhar e vários formatos de negócios. Por isso, estar preparado para essas transformações é indispensável. E isso vale tanto para a empresa, quanto para as pessoas, especialmente para os profissionais. Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que 65% das crianças de hoje terão uma profissão que sequer foi criada.

Portanto, investir em aprendizado é se preparar para o hoje e ainda para um futuro próximo. Afinal, quem está no mercado hoje atuará junto com os novos profissionais e, em muitos casos, precisará lidar com essas novas profissões e principalmente, com robôs, que devem ganhar cada vez mais espaço no dia a dia das empresas e na vida das pessoas.

Diante disso, 2019 é momento para se abrir para novas possibilidades, perspectivas e atitudes. É hora de superar o passado, traçar novos objetivos e iniciar uma virada profissional.

Patrícia Lisboa, head trainer e hacker comportamental
A Inteligência Artificial vai acabar com meu emprego?

Melhor do que pensar que a Inteligência Artificial está dominando o mundo é concentrar forças em usar a revolução tecnológica ao nosso favor. Já ouviu alguém dizendo que tem medo de robôs? A maioria das pessoas pensa que os seres digitais são do mal, quando, na verdade, eles são grandes aliados dos humanos em seu cotidiano. Por isso, é bom nos acostumarmos com os novos habitantes da Terra.

Diante desse contexto, a pergunta que surge é: os robôs vão me substituir em meu emprego? E a resposta é: SIM, se você desenvolve apenas um trabalho repetitivo e mecânico, e NÃO, se você está disposto a se adaptar e se atualizar com essa nova realidade. Os robôs não devem “roubar” trabalhos, e sim complementá-los.

Para pensar o futuro do trabalho, reflita sobre as profissões que existiam 50 anos atrás. Trabalhava-se com o que? A profissão de seus avós, bisavós e tataravós continua existindo? Quantas parteiras você conhece hoje? É uma profissão que não existe mais, assim como algumas profissões que existem hoje desaparecerão em um futuro próximo.

Outras ocupações terão suas atividades complementadas por um robô ou por um bot – robôs não-físicos, como algoritmos e assistentes de voz. O mundo evolui, as profissões se renovam e os profissionais precisam se atualizar para sobreviver em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.

Robôs têm uma inteligência sobre-humana e humanos têm emoções que são insubstituíveis. A ideia é que os robôs nos ajudem a realizar atividades com alta performance, rapidez e assertividade. Vale ressaltar que o cérebro humano não foi feito para realizar atividades que os robôs realizam, como processar mais de 50 mil dados. Nosso cérebro funciona da maneira contrária: esquece informações irrelevantes e registra o mais importante.

Em contrapartida, somos ótimos para atividades que exigem criatividade, emoção e outros sentimentos. Então não devemos competir as máquinas, e sim explorar melhor o que temos, trabalhando em conjunto com elas. Devemos valorizar nosso pensamento estratégico e o robô deve fazer o trabalho mecânico, repetitivo.

Por exemplo, existem robôs atuando em cirurgias cardíacas, coordenados por médicos. O robô desempenha habilidades impossíveis para a mão humana, como movimentos curtos, cinco vezes menores do que aqueles feitos pelas mãos de um cirurgião. O robô não vai tomar o lugar do médico, cuja expertise é necessária para o diagnóstico e apuração da necessidade da cirurgia, mas auxiliar seu trabalho.

Martha Gabriel, autora de Você, eu e os robôs, afirma: uma pessoa mediana que usa a tecnologia a seu favor é mais produtiva do que a melhor pessoa “analógica” da área. Em Londres, há alguns anos, decorar o mapa da cidade era uma grande vantagem competitiva para os taxistas. Hoje em dia, quem dirige melhor? Um taxista que tem o mapa na cabeça ou uma pessoa comum, com um aplicativo como o Waze? Obviamente uma pessoa com o aplicativo, que vai obter dados ricos, como acidentes, trânsito e rotas alternativas. Assim, o grande segredo é automatizar o que é repetitivo.

Em um futuro não muito distante, vamos falar mais com robôs e bots do que com seres humanos. Isso porque utilizaremos muito mais a internet das coisas (geladeiras inteligentes que interagem com humanos, cortinas que se abrem, luzes que se acendem com um comando de voz, entre diversos outros produtos). Ou seja, gostando dos seres digitais ou não, teremos que lidar com eles.

Maria Carolina Avis é professora de Marketing Digital do Centro Universitário Internacional Uninter.
O aumento do consumo de água no País até 2030

A busca de parcerias com outros países para a melhor utilização de técnicas de dessalinização de água do mar para aproveitamento doméstico, especialmente no Nordeste, apesar da abundância dos recursos hídricos do País, não deveria ser interpretada como novidade ou alguma iniciativa revolucionária.

Na verdade, especialistas, autoridades, lideranças e produtores rurais manifestam há tempos suas preocupações com a preservação dos mananciais e da qualidade da água, pela sua importância para o bem estar da população e a viabilidade de atividades produtivas, como o agronegócio, que dependem do equilíbrio ambiental. 

Como ao contrário da geração de energia elétrica, o abastecimento de água potável não tem muitas fontes alternativas renováveis, é necessário e urgente adotar medidas consideradas viáveis em outros países, especialmente os localizados em áreas áridas e sem chuvas regulares.  

Conforme estudo denominado Conjuntura dos Recursos Hídricos - 2018, elaborado pela Agência Nacional de Águas (Ana), já na próxima década o aumento do consumo de água tratada no Brasil será um dos fatores que deverão ampliar efeitos negativos de estiagens prolongadas e a precária infraestrutura nacional de distribuição.

De acordo com o levantamento, até 2030 o uso da água terá crescimento de 24% sobre o volume atual, como resultado do processo de urbanização, aumento da população, expansão da indústria, do agronegócio e demais segmentos econômicos.

Segundo dados da Ana, a retirada total de água de diferentes fontes no País, para diferentes formas de consumo ou utilização, foi de 2.083 metros cúbicos por segundo, ao longo do ano de 2017.

O principal destino dessa água foi o agronegócio, pois a irrigação de plantas, especialmente hortifrutigranjeiros, respondeu por 52% do consumo total, mas nesse caso ela foi devolvida pura ao solo, além de outros 8% utilizados na criação de animais.

O abastecimento humano nas cidades representou 23,8% do consumo, seguido pela indústria com 9,1%; usinas termoelétricas, com 3,8%; abastecimento de comunidades rurais, com 1,7%; e mineração, com 1,6%.

As regiões hidrográficas que apresentam a maior retirada são as da bacia do Rio Paraná, com 496 metros cúbicos por segundo, seguida da  bacia do Atlântico Sul, com 305 metros e da bacia do São Francisco, com 282 metros cúbicos por segundo. Juntas, essas regiões são responsáveis pela produção de 52% do total da água consumida no Brasil.

Dirigentes da Ana destacam que a projeção de crescimento do consumo é preocupante, apesar do País haver registrado avanço de 80% na demanda nos últimos 20 anos. Isso porque a perspectiva de crescimento é elevada e indica sinal de alerta, para a necessidade de gestão compatível dos recursos hídricos.

O cenário, segundo a instituição, não está fora do controle, porque a oferta de água é confortável no País, embora haja muito a ser feito, pois mais da metade da água retirada dos mananciais, não chega ao consumidor, por problemas de infraestrutura.

Além disso, a irrigação deverá ser ampliada com a modernização da agricultura, mas os produtores rurais estão buscando novas tecnologias para o consumo mais eficiente da água, o que indica que em 2019 deverá haver situação mais amena quanto à disponibilidade de recursos hídricos, pois no  ano de 2018 já houve sinais de melhora, com novas ações e investimentos na melhoria da infraestrutura.

*O autor é deputado federal pelo Paraná. E-mail: [email protected]
Bebedor social & bebedor problema

Qual a diferença entre o bebedor social e o bebedor-problema?

Criou-se a expressão "bebedor social" justamente para designar a pessoa que só bebe em festas, comemorações, circunstâncias especiais. Tirando essas ocasiões, ela mal se lembra de bebida, nem lhe passa pela cabeça entrar num bar ou numa padaria e pedir uma dose - o álcool não faz parte de seus pensamentos, dos seus costumes, de sua maneira de ser. Se está numa festa, dificilmente se embebeda, pois, quando sente que está um pouco alta, sabe que é hora de parar e para, o bebedor social não bebe sozinho, só em companhia que lhe seja agradável.

A expressão "bebedor problema" nada mais é do que um outro nome para designar o alcoólatra. Este, logo nas fases iniciais de sua doença, mostra diferenças em relação ao bebedor social. Pela própria natureza do alcoolismo, o alcoólatra passa a dar importância demasiada à bebida – sentir por antecipação o prazer de beber, imaginar-se bebendo, pensar a que hora e onde beber ou, mesmo, decidir se vai ou não beber são questões que lhe ocupam a mente de uma forma especial, disputando espaço e tempo com os assuntos sérios do dia-a-dia (trabalhar, estudar, produzir). O alcoólatra utiliza o álcool como alívio, para equilibrar as emoções. Bebe antes das festas e, durante elas, dificilmente deixa copos pela metade e não costuma rejeitar novos tragos que lhe ofereçam. Acha sem graça as reuniões em que não há bebida. Também gosta de beber, e bebe, sozinho. Embebeda-se com frequência e aumenta o seu beber a medida que o tempo passa. Mais tarde, para combater os tremores e outros sintomas da abstinência, beberá também pela manhã e estará caminhando para os estágios mais severos da dependência física. Nesse momento, só deixará de viver em função do álcool se parar definitivamente de beber.

Há um autêntico drama na questão bebedor social x bebedor-problema (alcoólatra). Mais uma vez confirmando que o alcoolismo é a doença da negação, a maioria daqueles que têm problemas com o álcool acredita que pode se comportar como um bebedor social, bastando para isso um pouco de atenção para controlar o número de goles que dá. A experiência mostra que não. A partir do primeiro gole, o alcoólatra não mais controla o seu beber e então, na verdade, dentro de sua lógica alcoólatra, já não lhe parece nem razoável nem necessário vigiar a quantidade que bebe, a bebido se encarrega de dar fim a qualquer dilema, a qualquer hesitação.

Infelizmente, só a partir do momento em que se admite ter problemas com o álcool é que surgem as primeiras e necessárias condições para o abandono da bebida.

Beber socialmente é para quem pode, não para quem quer.

O alcoólatra quer, mas não pode.

Os autores são o médico Emanuel Ferraz Vespucci e o jornalista Ricardo Vespucci, os quais, creio, podemos chamar de amigos do A.A., pois a Irmandade é muito citada e recomendada em sua obra.
O socialismo e seus farsantes

Nada mais clássico. A dissimulação está para a estratégia da esquerda assim como a caneta Mont Blanc está para a assinatura de cheques de grande valor e o relógio Louis Mont Meteoris está para marcar os minutos mais rentáveis do planeta. Para a esquerda, alcança nível artístico o dizer que não está fazendo aquilo que faz sob as vistas de todos, enquanto faz. Nada mais clássico, portanto, que a tentativa do jornalismo militante em desacreditar o presidente Bolsonaro e vários de seus ministros quando se referem ao socialismo. Lançam ao ar perguntas de um cinismo revoltante: “Socialismo? Onde? Como? Quando? Que espécie de inimigo externo é esse?”. E, falsamente, dissimulam um sorriso irônico.  Há que ser artista treinado para falsificar uma dissimulação que pretende ocultar outra. Dissimulação de segundo grau.

Visto objetivamente, o fenômeno descrito não pode ser qualificado como uma não visão, ou não leitura da realidade. É evidência, isto sim, de que estes jornalistas sequer leem a si mesmos, ou de que não entendem o que escrevem. Em outras palavras: desconhecem o espaço que sabidamente ocupam e se desnortearam quanto à localização desse espaço. O que diz o jornalismo militante a respeito do socialismo parece vir de correspondentes olhando o Brasil de longe. Nunca participaram de um evento político de esquerda. Não leram os programas do PT, PSOL, PCdoB, partidos mais influentes na universidade brasileira. Não sabem do que trata nem o imenso estrago que fazem a teologia da libertação e a teologia da missão integral. Desconhecem a natureza das disputas em tantos conselhos federais de profissões regulamentadas. Não tomaram conhecimento do amor quase carnal da esquerda brasileira pelos regimes comunistas aqui na volta e mundo afora. Ignoram o trabalho de doutrinação levado a cabo no meio acadêmico, notadamente nas universidades públicas, onde o dinheiro do contribuinte é usado, pela autonomia universitária, para difundir o pensamento marxista. E, partindo daí, levado a todo o sistema de ensino.

Afinal, o que esses profissionais realmente conhecem? Que diabo de jornalismo fazem? Do que entendem? Qual o saber que pode ser alcançado por quem tropeça no óbvio e se queixa de quem o deixou ali? Tais dúvidas se instalam no público quando sabe que, na universidade brasileira, a literatura marxista domina a bibliografia e, pela ocultação de toda divergência, busca tornar hegemônica no Brasil sua visão de pessoa humana, de sociedade, de história, de economia, de política, de religião e de Estado. 

A universidade brasileira, se alguém falasse por ela, deveria emitir uma nota de repúdio a esses profissionais de imprensa. Como podem negar os serviços que ela, universidade, com tanto empenho, presta à difusão do marxismo no Brasil?

Se Marx é o filósofo mais influente, a essência do marxismo está no Manifesto Comunista, “o livro mais perverso que já foi escrito”, como afirmou alguém. Se há pontos de destino aos quais o marxismo não conduz, eles são, a saber, o capitalismo, a democracia liberal e os valores tradicionais. Sua bússola, suas velas, seu leme e seus remadores conduzem ao socialismo ou ao comunismo. E é nesse sentido que intensamente trabalham, em proporções escandalosas, o mundo acadêmico, a grande mídia e as forças políticas derrotadas nestas últimas eleições.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
A alma militar do político

Jair Bolsonaro, em sua peroração inicial como mandatário-mor da Nação, fez questão de exibir o manto verde-amarelo que expressa a estética de sua identidade desde os tempos em que adentrou o território da política. Ao puxar a bandeira brasileira do bolso e acenar com ela para a multidão, no discurso de posse no Parlatório do Palácio do Planalto, o presidente procurou enaltecer compromissos que permearam sua campanha: o verde-amarelismo abriga coisas como o ânimo cívico, o nacionalismo, a soberania nacional, o combate à ideologia de esquerda. O fecho de suas mensagens aponta a linha divisória que separa seu eleitorado de contingentes abarcados pelo lulopetismo e entorno: “essa bandeira jamais será vermelha”.

A expressão soma mais força em função da origem militar de Bolsonaro. Mais que outros segmentos, os militares encarnam de maneira intensa a simbologia nacionalista. De pronto, a primeira fala do presidente definiu o Brasil, sob seu mando, como enclave poderoso no sul do continente a lutar contra o ideário da foice e o martelo (o comunismo) e, por tabela o socialismo, mesmo sabendo que as cores deste foram suavizadas em nossos tempos com a incorporação de elementos do liberalismo, como a livre iniciativa, formando a social-democracia, como pode se ver na Europa.

Ocorre que a vertente esquerdista tem se enfraquecido nos países social-democratas, casos de Alemanha, Itália, Espanha, Hungria, Polônia e até Suécia, onde entes mais à esquerda têm amargado derrotas. O fato é que a crise da democracia representativa tem fragilizado seus vetores, implicando arrefecimento ideológico, declínio de partidos, desânimo das bases, fragmentação das oposições. Em contraposição, novos polos de poder se multiplicam – particularmente os núcleos formados no âmbito da sociedade organizada – sob os fenômenos que hoje agitam a política: a globalização, a imigração e o nacionalismo.

A globalização rompeu as fronteiras nacionais, instalando interdependência entre as Nações. A livre circulação de ideias e a troca de mercadorias contribuem para a formação de uma homogeneidade sócio-cultural, arrefecendo valores próprios dos territórios e certo prejuízo para os conceitos de soberania, independência, autonomia. A explosão demográfica, por outro lado, e as carências das margens sociais, a par dos conflitos armados em algumas regiões (as guerras modernas), aceleraram processos migratórios. Na Europa, emerge o temor de que as correntes de imigração não apenas contribuam para a perda de emprego da população nativa, como resultem mais adiante em impactos culturais de monta, descaracterizando signos e símbolos das Nações.

Nos Estados Unidos, esses fenômenos têm sido tratados de maneira dura por Donald Trump, com sua insistência para construir um muro na fronteira com o México. O cabeludo presidente desfralda a bandeira do nacionalismo sob o discurso de proteger empregos e melhorar as condições de vida de populações ameaçadas pelo fluxo migratório. Daí o posicionamento do governo americano ante a globalização, os compromissos das Nações com o Acordo de Paris sobre Mudança Climática e o Pacto Mundial sobre Migração, sob a égide da ONU; a situação de países como Venezuela, Cuba e Nicarágua e a política de defesa de direitos transgêneros. Os EUA marcam posição nessas frentes.

Nessa encruzilhada, Bolsonaro e Trump marcam um encontro. O pano de fundo da articulação mostra a integração de esforços para combater ideologias de esquerda, fortalecer vínculos com entes comprometidos com um ideário conservador, dar impulso ao liberalismo. No Brasil, o foco será a privatização. Deixar o Estado com o tamanho adequado para cumprir suas tarefas. E manter o cobertor social do tamanho que os recursos permitam. Nem lá nem cá. Mais: sem apoio a núcleos que batalham por direitos. (A indicação de Bolsonaro de que devemos combater o “politicamente correto” não seria, por exemplo, o arrefecimento a ideologia de gêneros?).

Em suma, com o resguardo militar, um programa arrojado de alavancagem da economia, ações na área do campo, forte combate à corrupção, disposição de cortar as fontes que alimentam a bandidagem, desfralde dos valores da família, sob as bênçãos de Deus, o novo governo quer “consertar” as coisas erradas. P.S. Com direito da população de acompanhar tudo isso pela linguagem de Libras. Com a simpática Michelle, ao lado do marido, abrindo seu cativante sorriso.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação [email protected]
A volta do crescimento

Após quatro anos de crise, o horizonte da economia brasileira para 2019 se apresenta com cores mais otimistas para o setor primário. O cenário é de uma safra maior de grãos, com clima mais favorável, um crescimento de 2% no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio e uma alta de 4,3% no Valor Bruto da Produção (VBP), que mede o faturamento da atividade agropecuária dentro da porteira, de acordo com estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O ano de 2018 foi marcado por incertezas políticas, mas é preciso reconhecer que  o impacto do choque global (guerra comercial entre EUA e China, dólar elevado etc.) na economia brasileira foi atenuado por uma política econômica consistente, uma posição externa sólida e por expectativas de inflação bem ancoradas.

O setor foi muito prejudicado pela paralisação dos caminhoneiros, que encareceu o preço dos insumos agropecuários e afetou a comercialização da produção primária. Os produtores também conviveram com o clima desfavorável, o aumento dos custos de produção e a queda dos preços e de rentabilidade. Mesmo assim, o setor foi destaque nas exportações, com receita de cerca de 100 bilhões de dólares, respondendo por 42% das vendas externas totais do país. A agropecuária também deu importante contribuição na geração de empregos, com um saldo positivo de 74,5 mil postos de trabalho, 10% do total, sendo o quarto segmento que mais ofertou vagas no país.

Para 2019, os riscos e oportunidades dependerão muito da manutenção da política econômica ortodoxa e aprovação de reformas estruturais, que podem promover o reequilíbrio fiscal, abrindo espaço para recuperação mais rápida da economia, além da manutenção dos juros baixos. O otimismo que impregna o mercado está fulcrado na eleição de Jair Bolsonaro com uma agenda liberal e uma pauta de franco apoio à produção. Mas o fator decisivo serão as reformas – especialmente a da Previdência – pois somente elas asseguram a retomada da confiança e a volta dos investimentos. Qualquer procrastinação nessa área pesará sobre a economia.

A atividade econômica segue em processo de recuperação, ainda que em ritmo bastante gradual, após uma das recessões mais intensas da história republicana. As expectativas para o Ano Novo são de uma safra de grãos maior que 2018, cuja colheita totalizou 228 milhões de toneladas. A produção de soja na safra 2018/2019 deve crescer 6% em relação à safra anterior, com boas condições climáticas em praticamente todos os Estados.

No cenário político, necessária é a conclusão das reformas tributárias e da previdência no novo governo para permitir o crescimento do setor. Outros pontos importantes para 2019 são a melhoria nas condições de infraestrutura e logística, segurança no campo, introdução de marcos regulatórios e a ampliação da assistência técnica e gerencial para produtores com o objetivo de propor a melhoria da renda do setor agropecuário.

O Brasil precisa avançar, no plano internacional, na conclusão dos acordos comerciais em negociação com Coreia do Sul, México, Canadá e outros mercados, com medidas que promovam a facilitação do comércio, remoção de barreiras sanitárias e fitossanitárias e a redução de tarifas. A diversificação da pauta exportadora, a inclusão de pequenos e médios produtores no processo de exportação, a celeridade em negociações de acordos fitossanitários e o fortalecimento das relações comerciais com países asiáticos são outras metas que o Brasil deve priorizar. Então, poderemos voltar a crescer em 2019.

José Zeferino Pedrozo - Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc)  e do Conselho de Administração do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)
Afeto como elemento basilar da relação familiar

A família sofreu inúmeras modificações ao longo dos anos e – por consequência do processo evolutivo – a concepção de parentalidade foi extensivamente alterada, sob influência direta da centralidade do princípio da dignidade da pessoa humana. Inicialmente, a filiação era vinculada basicamente no elemento biológico, com pouco espaço para o reconhecimento e desenvolvimento de outros vínculos.

Atualmente, entretanto, o afeto surge como elemento basilar da relação familiar, prestigiando a crença popular de que “pai é quem cria”. Reconhece-se, então, a ideia da paternidade socioafetiva, pautada não mais na ascendência genética, mas na posse de estado de filho, consubstanciada na relação duradoura do tratamento de pai e filho, na fama depositada no meio social dessa relação parental responsável e, muitas vezes, até na utilização do nome dos genitores que surgiram dessa nova relação de amor e carinho.

Com a recepção pelo nosso ordenamento jurídico de diferentes tipos de filiação (biológica, registral, socioatefiva, adoção, etc.), as famílias podem apresentar, dependendo fundamentalmente da análise casuística, multiplicidade de vínculos parentais, explicitando a atipicidade dos modelos de famílias previstos na Constituição Federal. Fica evidente, portanto, a possibilidade de convivência harmônica entre diversos vínculos parentais, sem a necessidade de exclusão ou prevalência das paternidades, seja socioafetiva ou biológica.

Tanto é verdade, que o Supremo Tribunal Federal na Repercussão Geral 622 firmou a seguinte tese: “A paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede o reconhecimento do vínculo de filiação concomitante baseado na origem biológica, com os efeitos jurídicos próprios”. Confere-se, finalmente, status constitucional para os institutos da paternidade socioafetiva e da multiparentalidade. Na mesma toada, foi editado o Provimento 63 do Conselho Nacional de Justiça, possibilitando o reconhecimento da paternidade e maternidade socioafetiva de forma extrajudicial, vale dizer, diretamente nos Cartórios de Registro Civil.

Finalmente, à luz dos inafastáveis princípios do melhor interesse do incapaz e da dignidade da pessoa humana, a compreensão jurídica cosmopolita das famílias exige proteção normativa de todas as formas pelas quais a parentalidade possa se manifestar, assegurando-se que os arranjos familiares alheios à regulamentação estatal, ainda que por omissão, tenham a devida tutela jurídica, para todos os fins de direito, a fim de prover a mais adequada e ampla legitimidade aos sujeitos envolvidos. Merecendo destaque o papel do Ministério Público em identificar e assegurar, no caso concreto, a devida proteção aos diversos vínculos parentais, assumindo, assim, seu papel constitucional de agente facilitador de atos de cidadania.

* Promotor de Justiça do Ministério Público do Paraná, atualmente titular da 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de São José dos Pinhais, com atuação em Direito de Família, Registro Público e Direito Sucessório.