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A Parábola do Mimimi
Flávio St Jayme*

João acordou naquele dia no mesmo horário de sempre. Como sempre, sentou-se à mesa do café da manhã com o smartphone na mão e circulava pelas redes sociais enquanto bebia seu café preto. Via muitas postagens de pessoas reclamando de preconceito: negros, gays, mulheres e achava que era tudo puro mimimi, que preconceito era coisa de gente chata. João, homem branco vindo de origem humilde, orgulhava-se de ter um bom emprego e de ter estudado sempre em escolas públicas e dizia que não havia privilégios no mundo, que todos tinham as mesmas chances.

Um dia, uma coisa estranha aconteceu: quando João acordou, não estava mais em seu corpo e em sua vida. Ainda possuía a consciência de que era ele, João, porém, também possuía uma outra, a de Antônio. Quando João/Antônio acordou naquela manhã, a primeira coisa que fez foi enviar uma mensagem de bom dia para um número identificado como amor no celular. O dia foi transcorrendo e João foi percebendo que a vida de Antônio era bem parecida com a sua: ônibus, trabalho, compromissos. Até que na hora do almoço Antônio foi para um restaurante e se encontrou com Alberto, seu namorado, e o cumprimentou com um rápido beijo nos lábios. Até aquele momento João nem desconfiava que Antônio era gay.

Antônio sentou-se e segurou a mão de Alberto. João percebeu então os olhares em volta. Percebeu que um homem olhou pra eles e fez um comentário baixinho para a mulher com quem estava e ambos riram. Naquele momento, João conseguiu sentir a dor de Antônio.

A noite chegou e João/Antônio foi dormir. Os dias seguintes voltaram à normalidade e João continuava sua vida. Mas então o estranho aconteceu novamente.

Desta vez, João acordou no corpo de Maria. Uma moça relativamente jovem e bonita, que gostava de usar roupas sérias, mas justas. Se sentia feliz assim. João/Maria se olhou no espelho e se sentiu realmente bonita. Maria tomou um ônibus para o trabalho. No coletivo, sentia olhares em seu corpo, muitos homens sequer disfarçavam o olhar de desejo. Ela não gostava de sentir estes olhares, mas ficava quieta. Quando chegou no trabalho, João/Maria descobriu que tinha uma reunião. Maria fazia parte da diretoria de uma empresa, junto com mais dois homens. Foi à reunião. Quando terminaram, o chefe da empresa pediu para que os homens ficassem na sala, pois precisava rever alguns detalhes. Como também fazia parte da diretoria, Maria também ficou. Porém, o chefe disse que ela poderia sair para buscar um cafezinho pra eles, enquanto eles definiam alguns pontos críticos de uma crise. Naquele momento, João percebeu como Maria era desvalorizada apenas por ser mulher.

Novamente a noite chegou e João/Maria dormiu e acordou apenas João. Mais alguns dias se passaram e sua vida seguia. Então, pela terceira vez, o estranho aconteceu e João acordou no corpo de José.

José era um rapaz negro, de seus 20 e poucos anos, que estagiava em um escritório de advocacia enquanto terminava sua faculdade de Direito. José ia de bicicleta para o escritório com sua mochila nas costas. Quando chegou, foi acorrentar sua bicicleta no estacionamento em frente ao trabalho. Notou que um homem se aproximou e ficou observando o que ele fazia. Quis perguntar o que o homem estava olhando, mas ele sabia. Decidiu que aquele dia não queria confusão e deixou passar. João/José entrou no elevador do prédio e notou uma moça ao seu lado. Quando a mulher o viu, imediatamente segurou a bolsa mais próxima ao corpo e deu um passo se afastando. João pôde então perceber como era ser julgado somente por sua cor.

Mais um dia terminou e João/José foi dormir e João acordou novamente em seu corpo. Vários dias se passaram e o estranho não voltou a acontecer.

João acordou naquele dia no mesmo horário de sempre. Como sempre, sentou-se à mesa do café da manhã com o smartphone na mão e circulava pelas redes sociais enquanto bebia seu café preto. Via muitas postagens de pessoas reclamando de preconceito: negros, gays, mulheres e achava que era tudo puro mimimi, que preconceito era coisa de gente chata. João lembrou-se naquele dia de Maria, de José e de Antônio, e pensou sobre o que cada um tinha sentido e vivido. João, homem branco vindo de origem humilde, orgulhava-se de ter um bom emprego e de ter estudado sempre em escolas públicas e dizia que não havia privilégios no mundo, que todos tinham as mesmas chances. João continuava achando que preconceito era coisa de gente chata e que não havia privilégios no mundo. Sentir as dores do outro não fez João mudar seus conceitos. Porque para João isso não lhe diz respeito.

 

FINAL ALTERNATIVO

Mais um dia terminou e João/José foi dormir e João acordou novamente em seu corpo. Vários dias se passaram e o estranho não voltou a acontecer.

João acordou naquele dia um pouco mais cedo, tinha um compromisso em um prédio no centro da cidade. Quando ele entrou no elevador do prédio, percebeu ao seu lado Maria, Antônio e José. Notou que Maria olhou de canto de olho para José e se afastou um pouco, segurando sua bolsa. Notou que José, por sua vez, olhou para Antônio com desdém. Antônio falava com outro homem ao telefone e o chamava de amor. O mesmo olhar de desdém que Antônio lançou a Maria pelo espelho, ao ver suas roupas justas. João lembrou do que tinha vivido na pele de cada um deles e desceu do elevador. João, homem branco vindo de origem humilde, orgulhava-se de ter um bom emprego e de ter estudado sempre em escolas públicas e dizia que não havia privilégios no mundo, que todos tinham as mesmas chances. João continuava achando que preconceito era coisa de gente chata e que não havia privilégios no mundo. Sentir as dores do outro não fez João mudar seus conceitos. Porque para João isso não lhe diz respeito.

*Jornalista, com pós graduação em História da Arte, crítico de cinema e co-autor do livro infanto-juvenil As Crônicas de Miramar
Em busca do sofrimento perdido

A busca pelo sofrimento é uma constante. Seja para o indivíduo coletivo, seja para cada sujeito em particular. Existem os que conseguiram se desvencilhar disso – pelo menos aparentemente – mas a grande maioria ainda é apegada à essa exaustiva jornada.

Enquanto coletividade, valorizamos características físicas inalcançáveis, ideais de felicidade que beiram a insanidade e, o mais curioso, desprezamos com vigor o saber coletivo, a cultura, a experiência. O que vale é o método, o dinheiro e a liquidez dele. O que tem de menos humano na humanidade, é o que vale mais.

Na universidade eu sinto isso muito nitidamente e a verdade é que essa conversa de valorizar o que cada um tem de melhor, sem pressionar todo mundo contra uma máquina de padronização do conhecimento, da prática e da conduta, soa como justificativa de fracassado – que é aquilo que os que não tiveram sucesso na empreita de se mostrar altamente produtivos são.

Quando as pessoas comentam que eu deveria trabalhar com literatura é essa a mensagem que o mundo, de fato, me transmite. A de que isso não é importante na ordem do dia e de que, no fim das contas, eu seria mais uma dessas escritoras que ninguém lê. Longe de mim me comparar a Dostoiévski, mas, vocês sabiam que uma das maiores editoras do Brasil só não fechou no vermelho em 2015 porque publicou o livro da youtuber Kéfera e que os livros de Fiódor Dostoiévski nunca são exibidos nas vitrines das livrarias?

Dostoiévski escancarou a humanidade do sujeito em suas obras, escreveu a primeira obra existencialista do mundo, tem um nome que a maioria de nós já ouviu falar, mas ninguém leu. A gente se esforça para ignorar o que há de humano na vida e focar na produtividade, nos salários, nas dietas low carb e o resto é conversa fiada.

É fato sacramentado que ninguém nesse mundo é orientado a viver daquilo que promove a sua felicidade – muitos nem sabem o que é que traz felicidade e realização pessoal. Alguns por sorte nascem com aptidões e desejos voltados para aquilo que tem valor e então são satisfeitos cotidianamente pelo seu trabalho; outros são mestres em suprimir o emocional, focando em seu ganha pão e terminam extremamente bem sucedidos no assunto; e a grande maioria abandona seus saberes individuais para abraçar uma causa que não é sua, mas de uma sociedade que se organizou de tal forma a oferecer sofrimento democratizado e em abundância. Depois começam a frequentar os psiquiatras, psicólogos e terapeutas holísticos em busca de resolução dos conflitos internos calcados na baixa valorização do que é o bom da vida.

Criamos um padrão insustentável para chafurdar em problemas existenciais e depressão, nisso fomos gloriosos, e hoje acordei pensando nessas coisas, em como emocionalmente somos verdadeiras antas, em como nada disso vai mudar e tende a piorar e, especialmente, em como tudo isso não passa de conversa para boi dormir.

Amanda Salvador tem 23 anos e estuda Medicina Veterinária na UFPR.
As mulheres estão assumindo o comando do agronegócio

Os avanços do agronegócio não se resumem à tecnologia de equipamentos, produtividade, qualidade, diversidade e sustentabilidade, viabilizando a crescente produção de alimentos e matérias-primas agroindustriais.

As mudanças estão ocorrendo também na escolaridade e especialização de produtores e trabalhadores rurais e até na redistribuição familiar da condução das atividades produtivas.

As mulheres, graças à sua capacidade, sensibilidade, formação profissional, tradição familiar e dedicação às atividades do campo, estão ganhando espaços no agronegócio e já respondem por 30% dos cargos de direção de propriedades rurais do País.

A mudança foi comprovada por pesquisa da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio, antecipando o Censo Agropecuário, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cujos resultados deverão ser divulgados nos próximos meses.

O levantamento foi realizado ao longo de 2017, consultando 2.090 agricultores e 717 pecuaristas, de 15 Estados. Conforme o estudo, a participação de mulheres na administração de propriedades rurais brasileiras passou de 10% em 2013, para 30% em 2017.

Com uma em cada três propriedades rurais do País tendo mulheres em funções de comando administrativo, o agronegócio brasileiro está se tornando cada vez mais feminino.

Além disso, mesmo quando não estão na direção principal dos negócios no campo, as mulheres assumem funções de administradoras, dividem atividades com familiares ou estão se preparando para assumir as funções de maior responsabilidade.

Para facilitar essa nova realidade, o aumento do uso da tecnologia no campo, fez com que a força física deixasse de ser barreira para muitas atividades da agropecuária.

Além disso, a pesquisa confirmou que mulheres também estão se preparando mais e melhor para assumir funções de maior responsabilidade na atividade agropecuária. Tanto que uma em cada quatro mulheres do campo tem formação superior, enquanto entre os homens, o percentual é um em cada cinco.

Essa nova dinâmica do agronegócio ganhou destaques mesmo que agricultoras de gerações passadas já administrassem muito bem suas propriedades, embora essa ascensão ocorresse quando só havia filhas mulheres na família, mas também é importante considerar a característica feminina de querer se aprimorar sempre, até mesmo quando assumiam funções no campo após ficarem viúvas ou perdido os pais.

Além disso, com importância crescente do agronegócio e conseqüente revolução cultural, que levaram jovens a continuarem na agropecuária mesmo após cursar faculdades, pois as mulheres não são mais criadas para ficar em segundo plano na vida familiar e profissional e essa transformação do agronegócio é caminho sem volta.

Prova disso é que a faixa etária média dos produtores rurais caiu entre 2013 e 2017, segundo a pesquisa. Em 2017, os agricultores e pecuaristas tinham, em média, 46,5 anos, enquanto em 2013 a média era de 48 anos.

Esses dados confirmam a informação de que os filhos de produtores estão permanecendo no campo. Entre agricultores, as faixas etárias mais baixas, de 18 a 25 anos, de 26 a 35 anos e de 36 a 40 anos, foram as que cresceram entre 2013 e 2017.

O levantamento também apontou que 81% dos entrevistados só exercem a atividade rural. Em 2013, 43% deles tinham única residência no campo e no ano passaram eram 56%. Há cinco anos, 30% diziam ter casas na cidade e no campo, mas em 2017 eram apenas 19%.

*O autor é deputado federal pelo Paraná. E-mail: [email protected].
Candidato inelegível pode concorrer ao segundo turno das Eleições?

Inicialmente, deve-se discorrer sobre as principais causas de inelegibilidade, as quais estão previstas nas 17 alíneas (letra a até q) do inciso I, do art. 1º, da Lei Complementar nº 64/90. No inciso I, têm-se as causas genéricas, aplicáveis a qualquer cargo que esteja em disputa, geralmente relacionadas como alguma espécie de sanção ao pretenso candidato que, por exemplo, teve suas contas julgadas irregularidades ou foi condenado em segunda instância por algum crime, enquanto que nos outros incisos (II ao VI) estão previstas as causas específicas para cada espécie de cargo eletivo. Pois bem.

Para concorrer a qualquer cargo eletivo, uma pessoa deve promover seu registro de candidatura, que é o momento onde a Justiça Eleitoral vai aferir as condições de elegibilidade e inelegibilidade.

Obviamente que uma pessoa que tenha uma causa escancarada de inelegibilidade, poderá ter seu registro indeferido pelo juízo competente, mesmo sem impugnação, como aponta a Súmula nº 45 do TSE.

Uma vez indeferido o registro, sem que haja trânsito em julgado desta decisão, a legislação é clara ao disposto que, a qualquer candidato sub judice, é garantida a prática de todos os atos de campanha, inclusive, garantindo-lhe o direito de constar seu nome e foto na urna para ser votado, de acordo com o art. 16-A, caput, da Lei nº 9.504/97.

Mas e se houver uma disputa em 2º turno, o candidato vai poder concorrer?

A princípio, a resposta seria negativa, haja vista que, enquanto encontrar-se sub judice, a validade dos votos recebidos fica condicionada ao deferimento definitivo do registro de candidatura.

E, ponderando-se que, para a contagem dos votos válidos, em tese, devem ser excluídos os votos suspensos, a consequência seria a impossibilidade de o candidato disputar o 2º turno das Eleições, por força do art. 175, §3º, do Código Eleitoral.

Desta feita, a solução seria de que nenhum efeito poderia advir dos votos por ele percebidos no 1º turno, restando impossibilitada sua participação no 2º turno.

Entretanto, esta não é a interpretação conferida pelo TSE, o qual admite que, por exemplo, Prefeitos, concorram ao 2º turno das suas respectivas Eleições, caso seu processo de inelegibilidade ainda não tenha sido julgado pelo

próprio TSE, como bem exposto no acórdão nº 0602028-24.2016.6.00.0000, de lavra do Ministro Henrique Neves da Silva.

Ou seja, se o candidato com registro indeferido tiver apenas um recurso extraordinário pendente pelo Supremo Tribunal Federal, lhe seria negado o direito de participar do 2º turno.

Mas e no caso de presidenciáveis com o registro sub judice?

Como se trata de uma questão ainda não enfrentada pela Justiça Eleitoral, a tendência é que o TSE, tão garantista em sua jurisprudência, aplique o mesmo entendimento já consolidado no que tange aos candidatos à Prefeito, para fins de permitir a participação do 2º turno apenas se o próprio TSE ainda não tiver decidido definitivamente a questão.

*Carlos Poletto Papi, advogado do Fonsatti Advogados Associados
Por que parou, parou por quê?

Embora a recessão mais grave de nossa história esteja tecnicamente debelada pelo pequeno aumento do PIB em 2017, o Brasil, deverá crescer em torno de 3% em 2018, abaixo, por exemplo, do Peru (3,5%), Panamá (5,5%) e República Dominicana (5,6%), segundo estimativa da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) para estes três últimos países. Não se pode atribuir nosso baixo desempenho apenas à presente crise da qual estamos emergindo, pois nos últimos 20 anos evoluímos à média anual de apenas 2,5%, muito aquém do verificado nos principais emergentes, que cresceram mais do dobro de nosso percentual.

Mais grave é o fato de o crescimento potencial do nosso PIB estar igual, segundo cálculos de economistas renomados, ao dos Estados Unidos. Isto significa que, mantida a atual tendência, jamais conseguiremos dar um padrão de vida aos nossos cidadãos igual aos dos habitantes daquele país. É perturbador constatar que, no início dos anos 70 do Século XX, estávamos num patamar de desenvolvimento bem superior ao da Coreia do Sul, que tem agora renda per capita mais de duas vezes maior do que a nossa. Com investimentos fortes em educação e boas políticas macroeconômicas, essa nação asiática mostrou que o capital intelectual é capaz de superar a escassez de recursos naturais.

Fica muito claro o efeito corrosivo de sistemáticas políticas públicas equivocadas sobre a performance de nossa economia. É espantoso que, depois de ser um dos países que mais cresceram nos primeiros três quartos do Século XX, tenhamos estagnado a partir dos anos 80, a despeito de alguns picos isolados de expansão do PIB, intercalados com anos de queda. Desde então, jamais tivemos uma política coesa de desenvolvimento. Vimos nos movendo a reboque das conjunturas globais e de políticas econômicas descontinuadas, ao léu dos caprichos, interesses e tendências ideológicas dos sucessivos ocupantes do Poder Executivo e legislaturas.

Deixamos de acompanhar o ritmo de transformações do mundo, mantivemos, a despeito de avanços recentes na área trabalhista, arcabouço legal anacrônico (tributário/fiscal, previdenciário, burocrático etc.), oneramos os custos da produção, com a consequente diminuição da capacidade de agregação de valor aos nossos produtos e serviços, e passamos a ser um ponto cada vez menor no retrovisor das nações em desenvolvimento e emergentes que souberam promover sua ascensão socioeconômica. Negligenciamos a educação, precarizamos a saúde, fomos lenientes com a criminalidade, substituímos investimentos públicos em infraestrutura e habitação por gastos não prioritários... estamos comendo poeira!

As consequências mais graves de todos esses erros manifestam-se de modo perverso no social. Estudo que acaba de ser divulgado, do Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea), publicado sob a chancela do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (IPC-IG/PNUD), mostra que o Brasil é um dos cinco países com mais desigualdades. O trabalho analisou 29 nações desenvolvidas e em desenvolvimento.

Fomos ultrapassados por economias com potencial muito menor do que o nosso, considerando as dimensões de nosso território, clima, disponibilidade de terras agricultáveis, reserva hídrica, biodiversidade, petróleo e riquezas minerais, capacidade industrial instalada e um grande mercado consumidor. Assim, é premente que os candidatos às eleições deste ano tenham o firme compromisso de mudar a história, apresentando um projeto exequível e sustentável de crescimento econômico, modernização e desenvolvimento com geração de empregos de qualidade. Precisamos ter a ambição de crescer cerca de 5% ao ano para capitalizar todas as potencialidades nacionais. Fato condicional para atingir esse nível de expansão é ampliar nossa taxa de investimentos para 23% do PIB. Para que isto ocorra, é mister seguirmos com as reformas estruturais coerentes com a economia digital e nos livrarmos das amarras que nos prendem a um passado analógico, anacrônico e burocrático.

Não podemos mais aceitar a semiestagnação das últimas quatro décadas, que afeta gravemente a vida de nossos 206 milhões de habitantes, depois de termos experimentado os benefícios do crescimento durante quase todo o Século XX.  Por isso, os brasileiros repetem aos políticos a pergunta popularizada no grande sucesso musical de Moraes Moreira: Por que parou, parou por quê? Somos um povo ansioso à espera de respostas concretas e sabemos corresponder quando as oportunidades abrem-se a partir de uma visão moderna e harmônica de país, que deixe de lado discussões ideológicas estéreis que já não encontram abrigo nas nações que mais se destacam na promoção do desenvolvimento inclusivo.

*Fernando Valente Pimentel é presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).
Reflexões sobre Negociações

Todos nós negociamos muitas vezes a cada dia. Um bom líder, por exemplo, precisa pelo menos saber motivar sua equipe, obter a colaboração de pares e auxiliar seus projetos, administrar expectativas e conseguir o apoio de superiores, sócios e demais stakeholders, incluindo a sociedade, seja parcial ou integralmente e conseguir a orientação de seus clientes, a cocriação com e o seu aceite de produtos/ serviços.

Profissionais de vendas e de compras trabalham negociando praticamente o tempo todo. Os vendedores, para aumentar suas probabilidades de sucesso em viabilizar negócios, buscam recursos internos e condições, incluindo crédito, de um lado, e de outro interagindo com o cliente no levantamento de informações sobre seus desejos e necessidades, incluindo características e benefícios esperados da solução, ideias a respeito dela, orçamento e prazo. Os compradores otimizando processos de compra, qualidade, preços, condições de pagamento e de entrega.

É comum precisarmos obter a colaboração de pessoas sobre as quais não temos posição hierárquica superior, na busca de nossos objetivos. Na vida pessoal não é diferente. Na educação de filhos, nas relações com cônjuges, sobre o futuro desejado, sobre criação dos filhos, a divisão de tarefas e responsabilidades e tantas outras coisas e com pais, irmãos e demais parentes, amigos, vizinhos etc.

Há situações em que uma negociação mais competitiva pode ser indicada, em especial quando os relacionamentos não forem importantes e a disputa envolver uma única variável, o chamado "bolo fixo" ou "jogo de soma zero", em que tudo que uma parte ganha necessariamente a outra perde. Por exemplo, imaginemos uma prova como o ENEM ou um concurso público em que se deve levar uma caneta esferográfica preta, de corpo transparente e chegar pontualmente. Se dois candidatos chegassem em cima da hora, sem a caneta e ouvissem um vendedor ambulante anunciando sua última caneta, não restaria alternativa a não ser competir, fosse tentando chegar ao vendedor mais rápido que o outro ou oferecendo pagar um valor mais elevado que o outro.

No entanto, isso é muito mais raro do que tendemos a acreditar. Há mais benefícios em se abordar uma negociação de forma colaborativa sempre que os relacionamentos forem importantes ou for possível, como enxergar diferentes pontos de vista e perceber diferentes formas de atender as partes; por exemplo, se em prova semelhante fosse necessário um determinado lápis em vez da tal caneta, os dois poderiam quebrar o lápis, dividindo-o entre ambos ou acrescentar uma outra variável à negociação, aumentando as chances de se chegar a uma composição ganha-ganha.

Exemplificando essa última situação, na compra de um carro novo, quando as condições em discussão ainda não são suficientes para a produção de um acordo, mesmo já tendo sido consideradas outras variáveis como preço do usado, valores e prazo de parcelamento etc., talvez a inclusão de um seguro possa ajudar a fechar o negócio, se o comprador perceber que teria que comprar o seguro de qualquer jeito e o vendedor considerar abrir mão de sua comissão, ou de parte dela, para oferecer um desconto maior ao cliente, dando prioridade à comissão que ganhará na venda do carro.

Enfim, a vida em sociedade, incluindo nosso lado profissional, exige muito mais frequentemente a tomada de decisões e a criação e manutenção de acordos e relacionamentos que considerem o longo prazo e que, portanto, devem ser benéficos para os envolvidos, com a cuidadosa composição dos interesses de todos. Como benefício adicional, a colaboração aumenta a probabilidade de que os acordos sejam cumpridos.

*Edmarson Bacelar Mota é coordenador do MBA em Gerenciamento de Projetos e do MBA em Desenvolvimento Humano de Gestores do ISAE – Escola de Negócios.
Governabilidade depende de respaldo popular

Na democracia, o sucesso do governo depende da credibilidade e apoio que tenha junto ao povo para conceber, aprovar e implementar projetos avançados, por mais impopulares que possam ser ou parecer. O executivo precisa ter o povo do seu lado, porque pela inerência do regime haverá um legislativo, oposição sistemática e negociações que mais emperram do que colaboram.

Propostas e reformas estruturais são geralmente impopulares, preconizam mudança, avanço, modernidade. Sendo impopulares não contam com a boa vontade dos congressistas que dependem das bases, de caciques regionais, de alianças nem sempre legítimas e de votos para reeleição, portanto jamais hão de querer desagradar aos que concederam o mandato, procuram negociar, clamam pela liberação de emendas orçamentárias, querem verbas e obras para suas regiões visando justificar apoio a um projeto visto como impopular.

É oportuno lembrar o governo Collor que, inegavelmente, ao menos no seu primeiro ano tinha o apoio popular. Fora o primeiro presidente eleito após o regime militar e concentrou a campanha em propostas populares e ataques ao status quo político, econômico e social: marajás, inflação, injustiça social... Tendo o povo a apoiá-lo, Collor apresentou e conseguiu aprovar no Congresso medidas impopulares, como o confisco da poupança, sem necessitar negociar ou praticar o conhecido ‘toma lá, dá cá’. Os parlamentares não haveriam de querer contrariar uma administração nacional respaldada pela vontade popular.

Na sequência, o governo Itamar Franco elaborou e implantou o Plano Real, fato marcante, pois os brasileiros não acreditavam mais em planos ou pacotes após tantos fracassos. No Real acreditaram e apoiaram, pois o aval era de Itamar, político íntegro, passado limpo e firmeza de decisões. O povo acreditava em Itamar e o apoiava, por isso acreditou e apoiou o Plano Real.

Hoje, vemos um governo com dificuldades, sem respaldo popular, alto e persistente índice de reprovação e tendo sua legitimidade questionada. Tudo isso dificulta o entendimento com o Congresso, os parlamentares costumam tirar proveito quando o governante está enfraquecido. Michel Temer tem tentado acertar, é verdade, porém esbarra em obstáculos políticos e pessoais, sendo alvo de investigações que embora ainda não provadas produzem desgastes, advindo daí problemas para aprovar medidas importantes e necessárias, como as reformas, entre as quais a da Previdência, cujo projeto original está mutilado por tantas alterações para atender líderes, grupos e partidos inclusive da própria base governista. (A votação dessa reforma acabou prejudicada constitucionalmente devido ao decreto de intervenção na segurança pública do estado do Rio de Janeiro)

Entendo que um dos obstáculos à plena governabilidade de Temer resida no compreensível questionamento de sua legitimidade. Afinal, deveria ter sofrido idêntica penalização aplicada a então presidente Dilma Rousseff, pois era integrante da mesma chapa e fazia parte do governo com a participação de ministros de seu partido. Ficou a impressão de haver existido traição e isso a opinião pública não perdoa.

Entretanto, acredito que as eleições deste ano podem trazer algum alento e esperança, principalmente se houver consciente renovação do Congresso e a investidura de um presidente consagrado pelo voto, legitimado nas urnas, provavelmente em dois turnos. E que então decida atacar os problemas estruturais, gestar projetos de modernização e igualmente fazer as reformas aproveitando inclusive que não sendo eleitoral o próximo ano, inexistirá a necessidade de barganha com um Congresso viciado.

A expectativa de superação é também baseada na potencialidade do Brasil, país que já deu provas de recuperar-se de crises criadas por maus políticos e incompetentes gestores públicos.

Nosso país é agraciado em riquezas naturais, formado por povo de índole pacífica e senso de trabalho sério. Conta com setor empresarial empreendedor, moderno e tecnologicamente avançado parque produtivo. Esse fato é visível, pois apesar dos desequilíbrios e desgastes políticos e administrativos, o agronegócio garante o êxito da balança comercial, desemprego está em processo de redução, PIB em crescimento, ainda que lento, juro básico em patamar aceitável, inflação sob controle – além de outros indicadores. Tudo isto ocorre independentemente de tropeços do governo, onde até a simples e natural troca de ministro vira crise.

Tenho certeza que dificuldades têm seu lado positivo porque aguçam a criatividade e conduzem a uma reflexão madura sobre erros cometidos. Espero que reforcem o que tenho pregado no sentido de que os brasileiros em geral entendam a importância e o valor da participação política para mudar. A política em si é boa e base essencial na democracia, o problema são os maus políticos, os quais o povo pode defenestrá-los legítima e soberanamente pelo instrumento mais icônico da democracia: o voto. Todavia, para tanto é necessário participar ativa, efetiva e positivamente.

*Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi ministro da saúde e deputado federal.
Emprego de menina?

Ao longo da vida, nos ensinam que existem brinquedos diferentes para meninos e meninas, assim como cores, roupas, tipos de filme, modos de falar e esportes que cada um deveria praticar. E na vida profissional não seria diferente. Deveríamos escolher e ser escolhidos para cargos 'masculinos' ou 'femininos'. A nós, mulheres, era somente permitido trabalhar com temas que envolvessem crianças, beleza, limpeza, organização de escritório e educação.

A atual geração já convive com menos barreiras e as empresas estão percebendo isso, tanto no que se refere ao consumidor final, dando a ele a opção de decidir o que quer usar, falar e prover aos seus filhos, quanto na democratização do espaço profissional, no qual mulheres são eleitas para profissões que antigamente eram apenas 'para homens'.

Eu mesma, se tivesse seguido o que a sociedade me dizia ser o 'certo' nos anos 80, não teria chegado onde cheguei. Escolhi uma profissão com a qual, ainda hoje, muitas mulheres não têm afinidade, pois cresceram ouvindo que as ciências exatas são para homens, sempre mais práticos e rápidos no raciocínio.

Escolhi a área de Tecnologia da Informação e sempre fui minoria, nas salas de aula e nas empresas. Mas se tivesse focado nessa questão de gênero, não teria ido longe. Assim como todos que querem vencer na profissão que ama, fui atrás de desafios e venci cada um deles. Liderar uma área de TI é desafiador, mas não por ser tipicamente masculina, e sim pela responsabilidade de inspirar uma equipe, mostrando que todos podem alcançar seus objetivos, independentemente do gênero.

Felizmente trabalho em uma organização onde mais de 50% das mulheres estão em cargos de liderança e que possui um sério código de ética e de conduta. Mas fora daqui ainda lidamos com uma realidade desigual. No Brasil, por exemplo, as mulheres representam apenas 15% dos alunos nas universidades em cursos de tecnologia e apenas 16% dos concluintes, de acordo com dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

É difícil mudar o todo a partir da perspectiva de um só lado. Mas estou segura que devemos fazer nossa parte para impulsionar a democratização. Portanto, mulheres, dediquem-se e entreguem sempre o seu melhor. E só assim, venceremos as barreiras sem deixar nenhuma dúvida sobre nosso potencial e força.

* Renata Zepelini é Diretora de TI do McDonald's Brasil
O fato de não estarmos lá

Nos últimos anos a palavra feminismo foi pauta no mundo inteiro. Mulheres nas mais diversas áreas passaram a ocupar espaços importantes e a falar sobre o que enfrentaram para chegar até lá, denunciando, inclusive, situações de abuso. Nos espaços decisórios da política, no entanto, o avanço foi ínfimo, ainda somos pouco mais de 10% ocupando as cadeiras.

Para além dos mitos já conhecidos, que vão desde mulher não vota em mulher até mulher não se interessa por política, quero lançar luz aqui sobre as dificuldades reais que uma mulher candidata enfrenta ao ousar se aventurar na política institucional. São reflexões que partem da minha própria experiência nestes espaços e se utiliza de três elementos de análise: o fator temporal, a estrutura e um outro elemento que vou chamar aqui de simbólico.

Na última semana, uma matéria da imprensa local de Cascavel/PR elencou os nomes daqueles que já se colocam como pré-candidatos a deputado estadual e federal. Para minha surpresa, apenas um nome apareceu como candidatura feminina entre os mais de 30 nomes levantados dos mais diversos partidos. Isto não quer dizer que não teremos outras candidaturas femininas aqui na cidade e em outros lugares.Conforme a lei, ao menos 30% da chapa precisa ser feminina, sob pena de nomes masculinos serem cortados. O problema é: em que momento essas candidaturas irão aparecer? Provavelmente lá perto do prazo para o registro da candidatura, brotando da cartola como um passe de mágica.

E aqui o elemento tempo é essencial. Afora as limitações cotidianas de dupla e tripla jornada feminina, o tempo a que me refiro é o tempo da política. Não é à toa que os candidatos estão pensando suas campanhas desde já. A política possui seu próprio tempo e uma candidatura precisa ser semeada e amadurecida para render bons frutos. Ainda mais, quando se trata de uma candidatura sem estrutura - como são a grande maioria das candidaturas femininas - um bom planejamento estratégico é condição mínima para o sucesso da campanha.

No entanto, nossas lideranças femininas não estão nos núcleos de decisão dentro dos partidos, ou quando muito, nossa presença é só um factóide. Não temos acesso aos debates sobre financiamento de campanha, não participamos das articulações internas e externas, desconhecemos até mesmo avaliações simples de conjuntura política partidária que seriam preciosas para qualquer estratégia eleitoral. Somos lançadas no tabuleiro deste jogo às cegas, posicionadas em casas muito atrás das dos demais jogadores e sem qualquer tática que nos permita equilibrá-lo. E ainda esperam de nós bons resultados.

O mais importante, porém, está no elemento simbólico, presente de forma sutil no imaginário de todas as mulheres e que é responsável por limitar a própria vontade feminina de entrar nesse jogo. É algo que começa ainda na infância, com o questionamento de uma menina de quatro anos perguntando aos adultos se ela pode ser prefeita quando crescer, já que ela nunca viu nenhuma prefeita em sua cidade; passa por assédios e cantadas baratas dentro dos espaços de poder e termina com risos de subestimação daqueles que lá estão há muito tempo. 

No final é um círculo vicioso que se retroalimenta com mais do mesmo ao passo que exclui qualquer tentativa feminina - e aqui poderia ser jovem, negra, periférica, etc - de entrar no jogo ou mesmo de se manter dentro dele. A falta de representação, neste contexto, se torna mais um forma de violência silenciosa à medida que cala nossa voz e nos invisibiliza. Entender quais são as barreiras estruturais e simbólicas para as mulheres na política é um primeiro passo para romper esse círculo e caminhar para uma sociedade onde todos e todas estejam lá.

Por Dani Braz, mestre em Ciência Política e ativista das causas feministas e culturais
Dia Internacional da Mulher - Uma longínqua busca pela igualdade

Desde os primórdios, elas servem aos, maridos aos filhos e aos homens em geral.

Sim. Mesmo que uma delas já comprometida.....caisse nas graças de uma autoridade era prontamente reinvindicada e pobre de si, o par que levantasse voz, quanto mais um arma em defesa de sua companheira. Por vezes essa companheira de viagem ou serviço era alguém da família. O plebeu se calava e a mulher tratava de se recompor sem nunca poder falar sobre o ocorrido.

Pobre menina se fosse a primeiro bebê do casal, ou mesmo segundo ou terceiro, logo seria afastada do lar para diminuir as despesas, sem lembrar, quando a cultura de determinados países autorizava o pai à matá-las.

Meninas não eram nem "continuidades e honra de seu genitor" tão pouco serviam para mão de obra na comunidade, quiçá servir como soldado. Eram vistas como estorvo, despesas.....e as que cresciam, não raras vezes eram abandonadas à própria sorte e acabavam servindo nos cabarés tristes e degradantes sem receber o menor respeito de seus "usuários". Eram consideradas objetos.

Com o passar da história algumas poucas conseguiram , a dura penas, posicionar-se .

Muitas morreram queimadas desde há séculos e séculos, por questões vis.

 Na sequências dos acontecimentos históricos, algumas mudanças chegaram nos séculos 18  e 19. As mulheres que até então cuidavam da casa, davam aulas, criavam os filhos, eram enfermeiras, mães, esposas, vizinhas, amigas . Agora recebiam o direito de remuneração igual ao homem por lei.....

Entre os vai e vem das ideias, ao longo de centenas de anos, algumas poucas foram  a ter coragem de enfrentar os limites impostos pelas leis masculinas. Nem todas conseguiram reunir pares para uma grande voz, muito embora constem como as pioneiras na história de trabalhos em prol de que a mulher pudesse ser inclusas social e economicamente.

 Há história das mulheres que enfrentaram seus limites na luta por igualdade e pelo direito ao voto(sufrágio). Elas resistiam à opressão de forma passiva, mas, a partir do momento em que começaram a sofrer uma crescente agressão da polícia, decidiram se rebelar publicamente.

Com a mulher eleitora veio a primeira mulher a eleger-se deputada estadual no Brasil, e a luta pela emancipação feminina foi ganhando impulso em todo o país, levando o voto feminino a ser regulamentado em 1934 no governo Vargas. O episódio tem importância mundial, pois, mais de uma centena de países ainda não permitia à mulher o direito de voto.

Pela Europa a fora surgiram vários grupos de mulheres buscando a igualdade entre homens e mulheres. Uma das gritas era pelo direito de votar e de ser votada, isto é, participar de fato na sociedade. O Brasil foi um dos primeiros países a mudar a lei de impedimento.

Aqui no Brasil outro grande  feito regido pelas sufragistas, agora reconhecidas e unidas, foi a criação da Sociedade Libertadoras, que atuava arduamente pela libertação dos escravos. Com grande feitos exitosos. mesmo antes da Lei Áurea

Sim nos lembramos das mulheres mártires da fábrica de tecido no início do século 20. A elas, suas antecessoras e as que continuam este trabalho de promover direitos iguais entre os seres humanos,   NOSSA HONRA  E GRATIDÃO,