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Precisamos falar sobre a Doença de Alzheimer

Começa mais ou menos assim: a mesma pergunta é feita várias vezes; há também uma dificuldade em acompanhar conversas e articular; sair de carro se transforma em pesadelo porque achar o caminho não é natural. Esses sinais evidenciam o primeiro e mais característico sintoma da Doença de Alzheimer, a perda de memória recente. O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que provoca a diminuição das funções cognitivas. Em poucas palavras, as células cerebrais morrem, prejudicando a função mental. A progressão da doença acarreta em problemas mais graves, como o esquecimento de fatos mais antigos, a desorientação no espaço e irritabilidade.

Falar sobre a Doença de Alzheimer (DA) é uma questão de saúde pública. No mundo, estima-se que 50 milhões de pessoas sofram de demência – grupo de distúrbios cerebrais que causam a perda de habilidades intelectuais e sociais. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a DA é responsável por até 70% dos casos de demência1. Aqui no Brasil, o cenário é particularmente desafiador. O número de indivíduos vivendo com demência deve triplicar até 2050, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde2. E o número de pacientes diagnosticados com Alzheimer deve crescer em proporção semelhante.

Ainda não há cura para a Doença de Alzheimer, o objetivo do tratamento se limita a frear os sintomas. E, com a iminência do cenário descrito anteriormente, autoridades de saúde se veem diante de uma empreitada. Trata-se de uma enfermidade de evolução progressiva e inexorável. Viabilizar soluções que melhorem a qualidade de vida de pacientes e cuidadores é essencial.

Nesse sentido, alguns passos já foram dados. Por exemplo, a ampliação do acesso aos tratamentos via Sistema Público de Saúde, contribuindo para minimizar a progressão da doença e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. Há exatamente um ano, o Ministério da Saúde disponibiliza o medicamento Rivastigmina adesivo transdérmico para tratamento da Doença de Alzheimer, previsto no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT)3. O medicamento age inibindo uma enzima responsável por degradar a acetilcolina, um neurotransmissor essencial nos processos cognitivos, principalmente a memória4.

Ao administrá-lo, temos uma oferta maior de acetilcolina no organismo5. A versão oral da Rivastigmina já era oferecida no SUS, mas sua ingestão pode causar alguns desconfortos gastrointestinais, como náusea, vômito e diarreia1. A vantagem do adesivo é que a medicação é liberada gradualmente através da pele, reduzindo a possibilidade de efeitos colaterais por não passar diretamente pelo trato digestivo4.

Existem outras frentes que ainda precisam ser trabalhadas em termos de políticas públicas. A complexidade da Doença de Alzheimer demanda a atuação de equipes de diversas áreas e uma abordagem integral que facilite a interação médico-cuidador-paciente. O médico atuando sozinho, aliás, é incapaz de resolver muitas das questões relacionadas à enfermidade. As ações multidisciplinares podem interferir positivamente no tratamento, com melhoras significativas de problemas comuns como a depressão.

A Doença de Alzheimer pode não ter cura, mas, se diagnosticada no início, o tratamento adequado ajuda a impedir a progressão e amenizar os sintomas, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente e reduzindo o sofrimento dos cuidadores e da família. O avanço da ciência abre um caminho promissor e traz esperança para toda sociedade6.

*Rodrigo Rizek Schultz é neurologista e presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz)
Brasil, alegria de bandido

Quantos policiais deixariam de morrer todo ano se quem os matou estivesse onde deveria estar, atrás das grades de um presídio? Duvido que não tenham, todos, longo prontuário de ocorrências, intimações, prisões e condenações a certificar sua disposição de viver fora da lei. Ninguém inaugura sua vida criminosa matando policiais. Só que nenhum daqueles eventos teve o tratamento necessário para assegurar a proteção da sociedade. Com raras, raríssimas exceções, todos foram conduzidos, pelas instituições, de modo a favorecer o transgressor. Presídios brasileiros têm porta de vai e vem.

Convivem, aqui, altos índices de criminalidade e tolerância institucional para com os criminosos. Temos, aqui, progressistas que atrasam tudo. Indivíduos perigosos passeiam impunes por nossas ruas e estradas, vivendo de violações e gerando insegurança. Na longa lista de preceitos protetivos que o engenho humano possa conceber para livrar a pele de bandidos, nada há que nossa legislação, nossos ritos, usos e costumes não consagrem. Como escreveria Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, se vivos fossem, “Aqui, majestade, em se roubando ou matando, nada dá”.

E não dá nada mesmo. Às normas tolerantes, pusilânimes face ao crime, mas inclementes com a sociedade, muitos se juntam para tornar folgada a vida dos bandidos. Tudo fazem para que tais atividades não tragam sobressaltos, riscos e cárcere a quem escolher a vida criminosa. Entre outros, verdadeira multidão de legisladores, magistrados, professores de Direito, promotores, defensores, advogados, comunicadores, sociólogos, assistentes sociais, políticos e religiosos – corações moles como merengue da vovó – tagarelando sobre uma nova humanidade e uma nova sociedade, convergem esforços para obter esse efeito.

 “Mas são pobres!”, dirá o leitor, penalizado, da dura situação de tais criminosos. Pobres? Pobre é aquele brasileiro, magro como a fome, pelo qual passei ainda há pouco na rua. Arquejava em seu labor de papeleiro, tracionando uma carroça pesada, com tanto papel e papelão que seu excesso lateral obstruía parte da outra pista. Aquele sim é pobre. Pobre e honesto ao ponto de trabalhar como “animal” de tração para não se corromper. Talvez seja também ignorante, mas é intelectualmente honesto como não são tantos que falam bonito em seu nome. E o abandonam com sua indecente carroça. Não me venham – por favor! – falar em pobreza, infância sofrida, de quem importa toneladas de maconha, rouba carga de caminhões, assalta bancos, explode carros-fortes e estoca munição pesada para lutar contra a sociedade. E não se peja de pôr mulher e filhos no carro para iludir a polícia.

No topo da luta por um direito penal folgazão, que não dê nada e não atrapalhe os negócios, estão os poderosos da corrupção ativa e passiva, custodiados por caríssimos advogados que operam num clube muito restrito de intimidade com a Corte. No topo da luta por um direito penal folgazão, camarada, bonachão, estão muitos membros do Congresso Nacional, que têm frêmitos de ódio e temor da Lava Jato e que se juntam a qualquer bandido se for para tirar Sérgio Moro da cena. Um fio de esperança que rompe o fio da decência. Esses não têm por hábito atirar na polícia, mas disparam as armas da injúria e da calúnia, assassinam reputações e têm responsabilidade direta sobre as leis penais e processuais que não mudam ou mudam para pior. No topo da luta estão os “garantistas” do STF, sustentando princípios que os bandidos invocam e a cuja sombra lavam seu dinheiro.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Vamos falar sobre o futuro das pessoas!

Como formar as pessoas para o futuro? Como as mudanças no mundo afetam esse processo? Saiba de uma coisa, as mudanças que acompanhamos nos últimos anos foram apenas a ponta do iceberg. Ainda não vimos nada, seremos impactados ainda mais pela tecnologia, com uma velocidade jamais vista. E como nos preparar para tudo isso? Qual será o papel das escolas nessa transformação? Nós seremos engolidos pelas máquinas?

A revolução industrial trouxe a necessidade de formação em massa, como em uma linha de produção. O modelo de ensino ainda visto na maioria das escolas, independente de faixa etária, infelizmente segue esse modelo fabril. Professor na frente da sala de aula como detentor do conhecimento e dezenas de alunos enfileirados em um papel passivo receptivo. Um formato com baixíssima atividade neural. E aí se inicia o processo produtivo, entram alunos e saem o quê?

Não estou falando de formar robôs. Estou falando de formar seres humanos, cada qual com seus objetivos, necessidades e habilidades diferentes. Hoje, boa parte dos pais matriculam seus filhos na educação infantil já preocupados com o vestibular. Ou seja, colocam crianças no processo fabril de longos anos para garantir que seja atingido um score. Será que uma criança que hoje tem 3 anos vai passar por um processo seletivo de vestibular daqui mais de uma década? Não sei exatamente qual será o formato, mas acredito que teremos grandes mudanças.

Na sequência, o aluno cursa uma faculdade de 4 ou 5 anos para se tornar um profissional. Infelizmente, na maioria das situações, esse aluno é formado tecnicamente em um modelo engessado e que em pouco tempo está desatualizado. Pior ainda é esse aluno não saber como aplicar a teoria aprendida, pois o mercado de trabalho exige a prática e, mais do que isso, desenvoltura comportamental. E como mudar esse cenário? Como olhar para o futuro incerto e formar pessoas que tenham maiores oportunidades de sucesso?

A resposta parece complexa, mas não é. Temos que passar por um processo trabalhoso que muitas escolas não sabem como começar. Ao invés de formar apenas no aspecto técnico e cognitivo, medido com uma nota objetiva, é preciso capacitar para uma vida mutante em questões totalmente subjetivas. A escola tem que se preocupar em preparar seus alunos com uma visão global, possibilitando experiências transformadoras. Para falar de formação do futuro é inconcebível que qualquer plano de aula deixe de considerar o desenvolvimento de novas habilidades e competências indispensáveis para o século XXI. Independente do objetivo profissional, tudo que é proposto em uma sala precisa considerar uma formação mais ampla, que envolva colaboração, resolução de problemas, criatividade, comunicação, visão empreendedora, relacionamento interpessoal, pensamento crítico entre muitas outras habilidades indispensáveis para a vida.

Aliás, a vida passa a ser um recurso indispensável para qualquer aula produtiva. É necessário levar a realidade para dentro da sala de aula. Os alunos precisam vivenciar e encontrar aplicação prática em tudo que fazem. Vivemos em um mundo cada vez mais conectado e a pluralidade de conhecimentos se faz necessária. Hoje, todos têm acesso à informação, mas precisam desenvolver melhor sua curiosidade investigativa e construir um ponto de vista mais sólido. Com isso, temos uma mudança no papel da escola e, também, do professor. A presença pedagógica se faz necessária em um modelo diferente, não como ditador, mas sim como orientador e mediador, direcionando cada aluno para o caminho mais adequado. Culturalmente, é um desafio, pois a responsabilidade do aluno aumenta. Ele passa a ser o grande protagonista do processo de aprendizagem.

Sinceramente, não sei o que vai acontecer com essa ou com aquela profissão, mas posso dizer, com bastante convicção, que quem tiver habilidades comportamentais afloradas terá o mundo nas mãos. A educação transformadora precisa focar nas pessoas, independente do cenário tecnológico e do seu impacto. Só assim os alunos serão preparados para se encaixar em uma nova realidade.

*Ronaldo Cavalheri é engenheiro, especialista em educação e CEO do Centro Europeu – primeira escola de Economia Criativa do Brasil
Projeto reúne profissionais experientes como estagiários ou consultores

A vida moderna exige cada vez mais das pessoas que desejam sobreviver com dignidade, mesmo na terceira idade. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, dezenas de pessoas experientes participaram de lançamento do Projeto Empreendedor Sênior, no Instituto Genesis, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), do Rio de Janeiro.

Elaborado em parceria com diversas entidades, o projeto tem a finalidade de aproveitar a experiência e capacidade do capital intelectual de profissionais que já ultrapassaram os 50 anos de idade.

O projeto vem sendo comandado pelo Centro de Empreendedorismo Universitário (CEU), que busca patrocinadores para viabilizar o empreendimento, que tem a ousadia de pretender se expandir para o País inteiro, a partir dos resultados alcançados no Rio de Janeiro.

Conforme seus idealizadores, o Projeto Empreendedor Sênior está dividido em duas categorias, que são as do empreendedor sênior estagiário e outra de consultor em determinada atividade.

Dessa forma, o grupo de estagiários tem contrato com base na Lei do Estágio, com dedicação de no mínimo 10 horas semanais e bolsa de estudos ou ajuda de cerca de 450 reais mensais.

Para participar do estágio, os interessados têm de apreciar o ambiente de pesquisa acadêmica e gostar de ler e estudar. Por ser modesta, a bolsa não resolve a situação de pessoas em maiores dificuldades financeiras, mas pode ser o primeiro passo para a obtenção de renda maior em seguida.

A metodologia do estágio no projeto é do Programa PICT Sênior da PUC/RJ. Já no caso de empreendedor sênior consultor, as vagas se destinam a pessoas experientes e identificadas com ambiente corporativo e que necessitam obter melhor renumeração.

Neste caso, sua tarefa é oferecer consultoria em sua área de expertise ou especialização e o contrato prevê rendimento de 120 reais por hora de atividade.

Conforme os coordenadores do projeto, as pessoas interessadas podem se inscrever em ambas as alternativas, em site da iniciativa, desde que tenham mais de 40 anos de idade e busquem a reinserção no mercado de trabalho.

A administração do banco de talentos e a seleção de candidatos são de responsabilidade de empresa especializada, com mais de 20 anos de atuação em recursos humanos.

Para entender como funciona o processo basta imaginar um novo empreendimento empresarial necessitando de orientação de profissional com experiência em determinadas atividades, como o setor financeiro.

Para atender essas demandas, o Empreendedor Sênior dispõe de banco de dados, incluindo currículos de estagiários, para facilitar a identificação do profissional com perfil solicitado pelas novas empresas.

No início do projeto, a iniciativa bancará o pagamento do profissional selecionado, utilizando recursos de patrocinadores da iniciativa.

O Instituto Gênesis em 2018 ficou em primeiro lugar no ranking brasileiro de melhores incubadoras de empresas vinculadas a universidades.

Tudo graças à sua metodologia de trabalho, rede de contatos e processos seletivos para criação de banco de talentos.

As virtudes do aproveitamento do capital intelectual da geração sênior são muitas, começando pelo combate ao preconceito contra os trabalhadores mais velhos e prosseguindo com o resgate de autoestima de idosos e promoção do convívio entre diferentes gerações.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]
Políticas públicas para cidades inteligentes

É preocupante constatar que o recente estudo Cities in Motion Index (Cimi) – 2019, da Escola de Negócios da Universidade de Navarra, na Espanha, tenha apontado que os municípios brasileiros estejam muito distantes do conceito de cidades inteligentes. De acordo com o levantamento, Rio de Janeiro, a mais bem colocada de nosso país, está em 128º lugar, atrás das vizinhas Santiago, no Chile (66º), Buenos Aires, na Argentina (77º), e Montevidéu, no Uruguai (92º). Londres é a líder mundial.

Cabe refletir por que o Brasil encontra dificuldades de se enquadrar nesse parâmetro contemporâneo de urbanismo. Fica claro que precisamos rever numerosas questões internas e políticas públicas, pois o marco de cidade inteligente não é mera grife e tampouco se caracteriza por meras iniciativas tecnológicas isoladas. Trata-se de uma referência de qualidade da vida, bem-estar e desenvolvimento. Para evoluirmos nesse conceito, precisamos contemplar o planejamento urbano e a gestão dos municípios, de modo que atendam, de modo integrado, a requisitos básicos de saúde, educação, transporte, meio ambiente, habitação e segurança. Pouco ajuda estarmos, de um lado, entre as nações com o maior número de startups e, de outro, batermos recordes de homicídios.

Além das dificuldades de gestão e zeladoria municipais, para que haja cidades inteligentes no Brasil é necessário solucionar aspectos fundamentais para seu advento. Como podemos, por exemplo, criar polos tecnológicos, se demoramos quase uma década para aprovar e licenciar novos projetos de desenvolvimento urbano? Como melhorar a mobilidade urbana, se, depois de 20 anos em obras, o rodoanel em São Paulo ainda não foi finalizado. Inteligência e burocracia são palavras antônimas.

Cidades são espaços de problemas, desafios e oportunidades e abrigam a maioria da população mundial. Além disso, são altamente poluidoras e geradoras de conflitos de desigualdade e exclusão social. As previsões indicam que as 600 maiores do mundo gerarão 60% do PIB global em 2025 (Mackinsey/2011). Assim, imperativos demográficos, econômicos, sociais e ambientais tornam premente a aposta em novos modelos de desenvolvimento urbano.

Infelizmente, nos últimos 20 anos, as políticas públicas brasileiras com foco no desenvolvimento urbano não têm contribuído para a criação de modelos de cidades inteligentes, nas quais as liberdades econômica, criativa e empreendedora devem ser priorizadas e incentivadas. Na contramão dessas tendências, criou-se no País um intrincado arcabouço legal, com milhares de normas (só na área ambiental, são mais de 22 mil). Tal emaranhado burocrático-normativo, um pesadelo para quem quer investir, conspira contra o nascimento e a favor da morte de empresas.

Assim, o Brasil vai se distanciando de várias nações onde a liberdade econômica é estimulada. De acordo com o relatório Doing Business 2019, do Banco Mundial, ocupamos a 109ª posição em ambiente de negócios, dentre 190 países. No âmbito dos Brics, somos lanternas. É triste constatar que, na realidade, estamos ficando no final da fila em praticamente tudo.

Pensamos como primeiro mundo. Somos produtores incansáveis de legislação de país desenvolvido, mas, na verdade, somos uma nação subdesenvolvida, com tudo por fazer. Precisamos de investimentos bilionários para subir um pouco nos rankings globais de competitividade. Só para exemplificar, para universalizar os serviços de saneamento básico, são necessários mais de 300 bilhões de reais.

Se não temos recursos para investir, devido à crise fiscal e ao baixo desempenho econômico, é premente uma postura em favor do desenvolvimento, com mais agilidade nas aprovações de empreendimentos, menos obstáculos ao ingresso de capital e soma de forças entre os setores público e privado. Será muito difícil agregar inteligência às cidades, como vem ocorrendo em numerosas nações, quando questões relacionadas ao populismo e/ou à ideologia interferem no planejamento e nas aprovações de projetos urbanísticos adequados, ao mesmo tempo em que respaldam a tolerância com práticas de uso e ocupação do solo conflitantes com a sustentabilidade.

*Luiz Augusto Pereira de Almeida é diretor da Fiabci-Brasil — Federação Internacional Imobiliária e diretor de Marketing da Sobloco Construtora.
Visão geral do acordo entre o Mercosul e a União Europeia

Após um período de 20 anos de negociação, Mercosul e União Europeia finalmente entraram em um consenso sobre o livre-comércio. O acordo firmado traz mudanças significativas e impactantes para diversos países e centenas de milhões de pessoas. Dentro desse acordo algumas questões merecem destaque, a facilitação do comércio que vai de zerar as tarifas de importação e exportação ao estabelecimento de controles de origem para um amplo grupo de produtos, processos industriais, normas de conduta sustentável pautada pelo acordo de Paris, bem como o combate a fraudes e crime organizado. Entretanto, o acordo ainda não está ativo, pois é necessária a aprovação tanto do Parlamento Europeu quanto dos países da América do Sul que compõe o Mercosul.

O acordo sendo aprovado como esperado, pelo lado dos consumidos estes terão acesso, a produtos e serviços com preços atrativos em função da competição e livre comércio entre empresas, em linhas gerais antes do acordo apenas 24% das exportações brasileiras entravam na UE livres de tarifas, após o acordo e obedecido o prazo para a liberação das tarifas 95% das linhas tarifarias do Mercosul entraram livres na União Europeia, por sua vez o Mercosul liberalizará 91 % das importações originarias da UE.

Já pelo lado das empresas, haverá mudanças desde os controles de origem de produtos, processos produtivos, normatização de nomes de produtos, bem como a garantia jurídica do livre comércio “para evitar práticas antidumpings”. O desafio para o Mercosul será competir abertamente com uma indústria mais avançada e com menos burocracia, que inicialmente poderá ter efeitos de contração na indústria local, nisto se faz necessário que os países do Mercosul, consigam dinamizar suas indústrias via desburocratização, bem como investimentos em P&D (pesquisa e desenvolvimento) principalmente em educação.

Quanto aos produtos agrícolas, atualmente a União Europeia é o maior importador agrícola mundial. Em 2018, importou aproximadamente US$ 182 bilhões. Enquanto isso, o Brasil é o segundo maior exportador para o mercado europeu. Só no ano passado foram exportados em torno de US$ 14 bilhões em produtos agrícolas com destaque para insumos para ração animal, café, grãos e proteína animal.

Com o acordo, vários produtos agrícolas produzidos no Brasil irão ter suas tarifas eliminadas, como o café torrado, que a tarifa terá sua redução em até quatro anos, fumo manufaturado, em até 7 anos, frutas, de 4 a 7 anos, e peixes e óleos vegetais, com redução imediata. Quanto a proteína animal, açúcar, etanol terão suas condições de acesso melhoradas, bem como as quantidades aumentadas.

Analisando a agricultura, a UE liberalizará 82% do volume de comércio e 77% das linhas tarifárias no setor agrícola e dará acesso preferencial ao MERCOSUL. Em contraponto à flexibilização do comércio de alimentos e insumos agrícolas, foi acordado que haverá maior transparência quanto às medidas sanitárias e fitossanitárias, a fim de melhorar a comunicação e controle de trânsito de alimentos.

Recentemente, o governo brasileiro assumirá a presidência do Mercosul. Um dos grandes objetivos será dar destaque as discussões que irão colocar um fim aos impedimentos da tratativa com a União Europeia dentro do bloco do MERCOSUL. Conforme orientações do ministro da Economia, Paulo Guedes, a equipe no comandada pelo secretário especial de Comércio Exterior, Marcos Troyjo, terá o objetivo de cumprir 3 metas relacionadas ao bloco da América do Sul: Remover limitações internas sobre o comércio de automóveis, açúcar e etanol; reduzir ao meio à tarifa externa comum praticada pelo bloco (14%); e negociar a redução da lista de exceções à tarifa externa comum (Letec).

Para o Brasil, em relação aos resultados econômicos, o futuro ainda é incerto, mas as perspectivas são positivas em relação ao acordo, muito em função da vocação agrícola do país, com destaque para cooperativa de agronegócio. Mesmo sofrendo com os efeitos da última crise econômica, o país busca a estabilidade por meio das reformas, entre elas a da previdência e, futuramente, da reforma tributária, que vai impactar diretamente no preço dos produtos brasileiros. Na visão do Mercosul, o tratado simboliza o encerramento de uma política comercial isolacionista, dando oportunidade para o bloco regional que aparece mais presente na relevância política e relações internacionais.

*Jefferson Marcondes é economista e membro do Comitê Macroeconômico do ISAE Escola de Negócios
A democracia em perigo

Os dados das últimas pesquisas de satisfação com as instituições públicas brasileiras são reveladores da total desconfiança que o povo tem, principalmente, com os políticos. A instituição na qual os brasileiros mais confiam é a Igreja (a pesquisa da CNT – Confederação Nacional dos Transportes – não menciona uma denominação religiosa específica: católica, evangélica, protestante, ou outra). A Igreja, ou a Instituição Religiosa, é merecedora de confiança para 40% dos brasileiros. Em segundo lugar vem os Bombeiros com 20%, e as Forças Armadas com 16%. Breve análise sobre esses números: Cerca de 90% dos brasileiros declaram que pertencem a uma religião, ainda que confundam religião com filosofia de vida. De qualquer modo, somos uma sociedade crédula nas coisas do Alto, portanto, é natural que acreditemos na Instituição Igreja, embora, também neste caso, os números, que sempre foram bem altos, estejam caindo. Os Bombeiros entram em cena em caso de risco, tragédias, situações dramáticas onde colocam sua vida em perigo para salvar os demais. É natural que ocupem o segundo lugar nessa pesquisa. Já com as Forças Armadas podemos refletir um pouco, pois somos uma sociedade que vive em paz com os demais países. O Brasil não sofre ameaças de outros Estados. Talvez, como não acreditamos nas forças de segurança interna, queremos que as Forças Armadas desempenhem esse papel. Se é assim, é lamentável e muito preocupante.

O grupo que vem a seguir é: Justiça com 10%, Polícia com 4%, Imprensa com 4%. O número de 10% é, certamente, influenciado positivamente, pela atuação do ex-juiz Sergio Moro e da Operação Lava-Jato onde, pela primeira vez na história deste país, políticos e ricos empresários foram julgados, condenados e presos. Como a polícia é, em geral, repressora, e devido à enorme desigualdade social, é natural que a maioria da população não confie nela. Muito preocupante é essa baixa confiança na Imprensa. Nos tempos da Internet e redes sociais, ela já não é uma formadora de opinião. Basta analisar os resultados das últimas eleições.

Mas o último grupo é realmente o fundo do poço, é a falência, em poucas palavras, de uma verdadeira democracia: o Governo (executivo) tem 3% de confiança, o Congresso Nacional (legislativo) tem 2% e os Partidos Políticos 1%. Ou seja, o povo brasileiro, por esta pesquisa, não tem nenhuma confiança em seus dirigentes políticos. Isso é um absurdo para uma sociedade democrática. A democracia só pode sobreviver na política partidária! Está claro que o Sistema Político Brasileiro está falido, é um "cadáver" insepulto, em decomposição, fétido, mas recusa-se a ser enterrado. Mantem-se, em seu dia-a-dia, atrapalhando o crescimento do país e o bem-estar dos cidadãos. Então, devemos acabar com a política? Claro que não, devemos contribuir com a política, elegendo bons e conscientes políticos que realmente se preocupam com o bem comum da população. A democracia, por definição, é o regime político do povo. Cabe ao povo exercer e proteger a democracia.

*Celso Tracco é escritor, palestrante e consultor - www.celsotracco.com
Por que o aluno deveria limpar sua escola?

No Brasil, esse tema pode se revestir de polêmica e causar divergências de opinião entre aqueles que defenderiam, incentivariam, ou até se colocariam contrários a essa prática por diversas razões. É fato que este tipo de prática é incomum em nosso país. No entanto, em alguns países asiáticos, como no Japão e na Coreia do Sul, é normal que os alunos cuidem da limpeza das áreas de uso comum, inclusive banheiros, da escola onde estudam. Em visita a uma instituição de Ensino Médio (chamada de High School) localizada em Incheon (uma cidade próxima a Seul), na Coreia, presenciei tal cena. É muito interessante de observar. Bate o sinal do término de uma aula e surgem grupos organizados de estudantes que se dividem para limpar e organizar a escola. Alguns alunos limpam os corredores, outros a biblioteca, escadarias, banheiros. E fica tudo muito bem limpo. Aliás, é na escola onde eles aprendem a fazer limpeza, faxina e outros afazeres domésticos.

No Brasil, alguns grupos de torcedores asiáticos chamaram muita atenção porque, ao final de uma partida de futebol, se colocaram a limpar a arquibancada e recolher o lixo do estádio onde tinham acabado de torcer pelo seu país na Copa do Mundo. Isso foi notícia e muita gente elogiou e achou bonita a atitude. O que poucos se questionaram foi qual a origem ou a razão deste comportamento incomum no Brasil. Não há dúvidas de que essa cultura é fruto da educação que receberam na escola.

Essa prática no Brasil poderia produzir efeitos benéficos sob vários aspectos. O primeiro diz respeito ao cuidado, ao zelo com o ambiente da escola. Além disso, os alunos aprenderiam a valorizar e entender o trabalho de pessoas que realizam essa atividade e, muitas vezes, tornam-se invisíveis no dia-a-dia – e, infelizmente, às vezes sofrem desrespeito e humilhações. Situações e práticas que envolvam os alunos no cuidado com o ambiente escolar podem corroborar para a construção de uma relação de pertencimento, responsabilidade, afetividade e de identidade para com o espaço da escola. Esse espaço se transforma num lugar de valor e propicia uma formação de um cidadão que irá cuidar e ser responsável pelos mais diversos ambientes e espaços públicos.

Ao assistir os alunos cuidando da limpeza de sua escola é impossível não relacionar essa prática ao respeito e cuidado que a população coreana tem pelos espaços compartilhados e públicos. Ao caminharmos pelas ruas, metrô, praças ou monumentos em grandes cidades do país, como Seul, é impossível ficar indiferente, pois esses espaços são impecavelmente limpos, bem cuidados e organizados.

Num momento em que é cada vez mais comum viralizar nas redes sociais vídeos que mostram situações de violência e depredação no espaço escolar, não seria oportuno refletir sobre estratégias para adaptar para realidade brasileira e implementar boas práticas como as observadas nas escolas coreanas?

*Wilson Galvão é coordenador da Assessoria de Geografia, Tempo Integral e Livros Escolares do Sistema Positivo de Ensino. 
Inovar será a prova de fogo para a educação brasileira nos próximos anos

Responda rápido: que empresa emprega mais engenheiros no Brasil atualmente? Odebrecht? Petrobras? Vale? Pasme, nenhuma delas. A empresa que mais emprega engenheiros no Brasil atualmente é a Uber, que também já acomoda um grande volume de jornalistas, arquitetos, enfermeiros e professores, entre outras das chamadas “profissões tradicionais”. São pessoas que passam anos em sala de aula lutando por um diploma e, ao conquistá-lo, não conseguem mais emprego.

Piloto de drone, especialista de inteligência artificial, desenvolvedor mobile, analista de SEO, UX Designer, trader de de criptomoedas, influenciador digital, Youtuber e instrutor de zumba. Todas essas profissões são exemplos de carreiras que se desenvolveram no paralelo das novas tecnologias e de abordagens de direcionamento mais recentes no mercado. E nenhuma delas existia há cerca de dez anos.

Se dermos um salto para o futuro, teremos mais um dado bombástico: 85% das profissões que existirão daqui a dez anos ainda não foram criadas, segundo relatório do Institute For The Future. Se as instituições de ensino não se adaptaram a última década, como serão os próximos anos? Já que a intensidade das mudanças só aumenta, ficarão limitadas a ensinar só para os 15% das profissões “tradicionais”?

Na transição do analógico ao digital, muitas transformações se deram de modo veloz e inesperado. Na esteira dessa velocidade, a educação vem perdendo o timing e ainda reproduz um modelo de transmissão de conhecimento quase idêntico ao que vivenciaram nossos pais e avós.

Entre as consequências dessa disritmia, já lidamos com uma crescente evasão escolar e com uma relação cada vez mais truncada entre professores e alunos. Historicamente, nunca houve uma demanda tão urgente por inovação nos processos educacionais. E aí, vamos dar conta da corrida?

Em educação, inovar pode ter muitos significados. A inovação pode acontecer a partir de processos não necessariamente tecnológicos, como proporcionar mais a vivência do que é ensinado em vez de se limitar à apresentação teórica. Ou pode significar uma reviravolta completa no modelo vigente, com professores sendo substituídos por robôs e telas até a segunda metade deste século. Será?

O que já está claro é que a guinada que se anuncia no horizonte vem delineando um deslocamento de prioridades. Ao que tudo indica, o desafio será mover a ênfase do ensino para a aprendizagem. E aqui entra a construção de habilidades urgentes, como inteligência emocional, criatividade e pensamento crítico, competências apontadas neste ano pelo PNUD no relatório “O Futuro dos Empregos” como indispensáveis para os profissionais até 2020.

O prazo é curto e o caminho é longo. Andemos.

* Richard Vasconcelos CEO da LEO Learning Brasil, mestre em Tecnologias Educacionais pela University of Oxford e atua há 15 anos no mercado de educação. Neto do fundador da universidade Estácio, atuou na implantação do ensino à distância na instituição até 2009. Fundou a Me Digital, startup desenvolvedora de soluções para gestão escolar e é ex-CEO e sócio da rede de escolas de inglês Britannia, vendida para a Cultura Inglesa em 2018.
Ser Gentil é ser Feliz

"Seja gentil sempre que possível e sempre é possível"

O ditado popular "gentileza gera gentileza" sempre foi imperativo, mas vai muito além da reciprocidade. Pesquisas no mundo todo indicam que existem melhorias reais na qualidade de vida daqueles que escolhem ser mais amáveis com o próximo.

No Reino Unido, descobriram que ser gentil faz com que as pessoas produzam endorfina, hormônio que funciona como um analgésico natural e diminui dores. Além disso, também foi provado que é de grande ajuda no tratamento de depressão e ansiedade, uma vez que pessoas que praticam a gentileza passam a ser menos isoladas e tornam a simpatia um hábito.

Há, também, estudos que confirmam que esses atos podem ser benéficos para o coração e ainda aumentar a expectativa de vida, ou seja, foi comprovado que a gentileza é um dos caminhos para a felicidade, tema esse abordado na palestra "O segredo dos vencedores: O sucesso é ser feliz, de André Castro.

Desta forma, o palestrante e empreendedor André Castro concorda com os dados apresentados pelas pesquisas, mas também entende que a gentileza gera vantagens que vão além da saúde. "São atitudes positivas que impactam diretamente nos benefícios no dia a dia.

A gentileza é uma forma simples de trazer coisas boas para si e para os outros, como otimismo, empatia, senso de coletividade e cooperação", explica.

É interessante aplicar as diferenças entre ser gentil e bajulador. Embora tenham características que se assemelham, o bajulador faz coisas boas por conta de interesses próprios, algo que a longo prazo é apenas desperdício de energia. "Ser gentil é um sinal de evolução, uma prova de que existe algo além dos interesses pessoais mostrando que conseguimos nos colocar na posição da outra pessoa", explica André Castro.

Mas assim como em todas as coisas, o equilíbrio é essencial. Para o bem ou para o mal, passamos mais tempo focados em outras pessoas do que em nós mesmos e isso não é saudável. A dica do palestrante é avaliar com sinceridade o ditado "não faça ao outro o que não queira que façam com você" e se inquietar com alguns pensamentos egoístas, afinal eles são prova de amor próprio.

"De uma maneira gentil você pode agitar o mundo" Gandhi

Vá em frente na busca da sua melhoria contínua e sucesso!

André Castro é palestrante motivacional