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Negros no Oscar e incentivo social

Século XXI, mulheres com direitos quase se igualando aos deveres. Negros caminham, ainda sorrateiros, entre a população buscando provar o seu lugar, um lugar nunca antes marcado por outros como nós, o que gera total estranheza e incompreensão por todos os lados. Por um lado, vivemos em época em que um filme protagonizado e produzido por negros concorre a um Oscar, por outro tentam nos marcar a pele com marcas invisíveis que tem por único objetivo nos subjugar através do argumento claro de que pertencemos exclusivamente à periferia.

Viemos de lá, ou melhor, viemos de lugares piores do que aquilo que hoje conhecemos como comunidade, a popular favela. Pertencemos por longos tempos a mãos daqueles que se julgavam superiores pela tez da sua pele, viemos de navios agrupados como lixo, fomos vendidos como mercadorias, levamos chibatadas como se nossa dor não significasse nada. Hoje nossa dor é contada em histórias, em músicas, em telas de cinema, mas estamos longe de reclamar nosso lugar de direito, aquele lugar que insistem em nos dizer que não nos é devido.

Vamos entender que atualmente podemos nos ver representados em filmes sem que sejamos escravos, podemos escrever matérias que serão lidas por toda população. Hoje precisamos reconhecer que alguns de nós já se manifestaram e levantaram a bandeira da liberdade, não apenas a liberdade de ir e vir, mas a de se descobrir capaz de realizar grandes feitos. Precisamos agora aprender a levantar mais alto a bandeira da representatividade, entender que os lugares que conquistamos, por menores que sejam, precisam ser valorizados de forma que outros como nós possam erguer suas bandeiras também.

Como segregados, como fomos, conseguimos alçar voos incríveis, imagina se nos juntarmos e tentarmos levantar uns aos outros. Sim, isso seria incrível. Se hoje alcançamos nomeações, vamos reclamar os prêmios, as recompensas, as posições nas alturas. Vamos ocupar a periferia, mas também os bairros de luxo, vamos trabalhar para pagar contas, mas vamos estudar para que nossas possibilidades não fiquem limitadas.

Vamos vender bala no sinal, mas também estudar medicina e aprender a salvar vidas. Vamos faxinar pelo nosso ganha pão, mas também incentivar aos da próxima geração para que sejam mais do que conseguimos ser, educando-os para que “Wakanda” seja em todo lugar e para que eles, assim como nós, encorajem-se para libertar o Pantera Negra que existe no interior de cada um.

Busco fazer a minha parte numa luta diária que mais parece uma eterna queda de braço, mas sigo lutando para que outros enxerguem o potencial em si e lutem por si tal como eu lutei e continuo lutando.

Fica a esperança de um mundo onde não seja necessário exaltar a possibilidade de um prêmio por uma academia acostumada a concedê-los cada vez mais a nós, negros de pele, de corpo e de alma.

* Ellen Moraes Senra é psicóloga e especialista em terapia cognitivo comportamental
Pode o STF mandar o congresso votar?

O decano do STF falou, falou, falou. Disse que não se nasce mulher, mas “torna-se mulher”. Com essa monumental tolice, firmou sua aderência à ideologia de gênero e cuspiu fogo em quem pensa diferente. Quando muitos, já caindo a noite, creram que ele iria concluir, o ministro anunciou estar ainda antes de metade de seu voto e advertiu a Corte: outro tanto a ela estava reservado para a próxima sessão.

Em sua dissertação, Celso de Mello recusou ao STF (ao menos isso) a iniciativa de legislar sobre a matéria. Mas pareceu estar abrindo a porta para uma provável determinação formal do Supremo ao Congresso no sentido de que delibere sobre o assunto, tipo “por bem ou por mal”.  É o que se depreende do que disse quando criticou, reiteradas vezes, a inércia abusiva e inconstitucional – note-se bem esse adjetivo – ao não decidirem, os congressistas, sobre os projetos que criminalizam a homofobia. É o mesmo caminho para onde nos leva o reiterado uso, em seu voto, da expressão “mora deliberandi”... E se o STF determinar e o Congresso não obedecer ou rejeitar o projeto, o que acontecerá? Nada! Ou uma imensa usurpação de competência.

Enquanto o ouvia atacar a lentidão do parlamento em relação a tais projetos, numa tentativa de forçar o outro lado da rua a atendê-lo por força de sua chibata verbal, fiquei pensando nas prateleiras do STF. Imaginei-as vazias. Antevi limpos e polidos os tampos de desocupadas escrivaninhas ministeriais. Gavetas ociosas guardando clipes, etiquetas e carimbos à espera de um expediente que surja apressado, a cobrar despacho. Afinal, o sábio ministro não iria jogar pedras no telhado do vizinho se fosse de vidro sua própria cobertura. Claro que não, no STF tudo deve estar cumprido a tempo e hora.

Lembrei-me, então, de um arquivo estocado há meses na tela meu computador. Busquei por ele e ali estava a manchete do Estadão do dia 2 de outubro de 2017: “Um quinto dos processos do STF caducou em 2017”. Reconheço que a notícia, de 16 meses atrás, não é um primor de atualidade, mas fala forte em relação a um problema que é conhecido de todos. A expectativa de prescrição faz do STF um bom e remansoso estuário buscado por advogados criminalistas.

Não vou retomar o que escrevi em “Pelo fim da PEC da Bengala” sobre o fato de que, nos legislativos, não deliberar é deliberação. E de que milhares de projetos não são votados, todos os anos, porque não têm maioria para aprovação. Em outras palavras, são sepultados pelo desinteresse geral.

No caso específico dos projetos que criminalizam a homofobia, alguns aspectos chamam a atenção e, muito provavelmente, justificam a falta de motivação para votá-los. Hediondos crimes praticados contra pessoas LGBT já são, com muita razão, crimes hediondos pelas leis penais do país. É bom lembrar, aliás, que o agravamento dessas penas, quando cobrados pela “direita”, sofre habitual rejeição da “esquerda” dita defensora de direitos humanos, que alegam sua inutilidade... Os crimes de menor potencial ofensivo, agressões físicas e morais também são sancionados pelas leis do país.

Assim, em que pese a eloquente, pungente e, por vezes, minuciosa descrição de crimes contra tais pessoas que o ministro Celso de Mello produziu na parte já lida de seu voto, não são estes os crimes que estão no foco do interesse de Sua Excelência. É no detalhe que mora o problema e é por esse detalhe que a ideologia de gênero chegará pedindo passagem nas salas de aula.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Pronto para a decolagem?

Não pode dar errado. O Executivo, sempre com imensa força em início de gestão, dispõe de condições para aprovar no Congresso seus primeiros projetos. Só mesmo forte instabilidade teria o condão de inviabilizar a agenda do governo. Sinal daquilo que Roberto Campos chamava de “reversão de expectativas” é esse imbróglio envolvendo o presidente Bolsonaro, seu filho Carlos e Bebianno. Mas a crise não parece debelada com a demissão do ministro na Secretaria Geral.

Se o episódio não provocar terremoto ainda maior, deputados e senadores endossarão a pauta do Palácio do Planalto, mesmo ressabiados. Após disputar renhido pleito, desfraldando a bandeira de mudanças e sob apoio popular, Bolsonaro agrega força para reformar a Previdência e aprovar o pacote anticrime e de combate à corrupção. A fragilidade da administração só ocorrerá na hipótese de não apresentar resultados.

As duas encomendas, se aprovadas, darão impulso ao governo, tirando-o do marasmo ou da sensação de baixa iniciativa, situação compreensível ante o afastamento do presidente para tratar da saúde desde o atentado sofrido em Juiz de Fora (MG). A mudança na Previdência, fixando a idade mínima de aposentadoria aos 62 anos para a mulher e 65 anos para os homens, tem um prazo para ser aprovada: até junho.

Já a blitzkrieg para combater a corrupção, o crime organizado e os crimes violentos, deverá ganhar ajustes, nada que desnature seu escopo.

Os ministros Paulo Guedes e Sérgio Moro não podem perder suas causas, sob pena de abrirem um campo de dissonâncias na frente parlamentar, provocando uma decolagem turbulenta da nave governamental.

Na Câmara, com o apoio de Rodrigo Maia, serão alcançados os 308 votos para a aprovação da PEC da Previdência e também os votos para chancelar a proposta do ministro da Justiça, que abrange 19 objetivos e prevê alteração de 14 leis, entre elas, o Código Penal, a Lei de Execução Penal, a Lei de Crimes Hediondos e o Código Eleitoral.

A aprovação se torna viável ainda pelo fato de que as duas Casas congressuais estão sob comando de quadros do DEM, partido em ascensão. Na Câmara, a capacidade de articulação de Rodrigo Maia, cuja vitória se deve a mérito próprio, será decisiva. O Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), não via com bons olhos a candidatura do correligionário. Eleito com votação extraordinária, 334 votos, Maia poderia até vestir o manto de independência, mas sua formação liberal e o compromisso que tem expressado de levar a bom termo projetos fundamentais para o país sinalizam uma atuação firme em favor do Executivo.

Lembre-se que ele usou com mestria sua capacidade de articulação para aprovar projetos de alto alcance no governo Temer, como o teto de gastos, a Reforma Trabalhista e a Lei da Terceirização. A formação de um bloco, com mais de 300 parlamentares, reunindo PSL, PP, PSD, MDB, PR, PRB, DEM, PSDB, PTB, PSC e PMN, confere alguma segurança ao governo.

Já no Senado, o comando está nas mãos do senador Davi Alcolumbre, do DEM do Amapá, um nome que emergiu de articulação feita com sucesso por Lorenzoni, da Casa Civil. Portanto, ali também o governo contará com sólida base de apoio. Ademais, a interlocução será mais fácil tendo em vista um colegiado de apenas 81 membros. A aprovação da PEC carece do voto de 49 senadores.

O que fará a oposição? PT e PSOL parecem sem rumo. Dizer que as reformas tiram direitos dos trabalhadores é chover no molhado. O dito não mais convence.  Perde para o lema: “reformar a Previdência ou quebrar o Brasil”. MDB e PSDB agirão sob o pragmatismo. Votarão a favor das reformas, com um ou outro alerta, na tentativa de fazer sobressair sua “independência”. O PSL, bancada maior da Câmara (55), superando a do PT, hoje com 52, será o carro-chefe a puxar os votos do governo. (Um alerta: partido que chega ao poder central, cheio de novatos, sem lastro doutrinário, corre o perigo de ver seus integrantes disparando tiros uns contra outros).

De todo modo, se o governo não tiver força suficiente para aprovar a mudança na Previdência, abrirá um gigantesco inferno astral logo no início do governo.

E fica a dúvida: quem fará a articulação do governo? O general Santa Cruz, da Secretaria do Governo, Lorenzoni, da Casa Civil ou o vice-presidente Mourão?

P.S. O papel dos filhos do presidente é uma incógnita. Uma Torre de Babel está à espreita.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato
As vantagens e desafios da geração de energia eólica

Mesmo que ainda sem a agilidade necessária e a eficiência desejada, o Brasil está avançando na adoção de fontes alternativas, renováveis e comprovadamente viáveis, para a geração de energia elétrica.

Está certo que o País não poderia ignorar o seu potencial de recursos hídricos, construindo grandes, médias e pequenas hidrelétricas em todo o território nacional, mas os custos de transmissão e distribuição e a necessidade da adoção de fontes alternativas, como a eólica e a fotovoltaica, estão motivando avanços no setor.

No caso da energia solar ou fotovoltaica, gerada em chapas instaladas sobre as próprias moradias e empresas, sem despesas com redes de distribuição, a auto-suficiência no abastecimento está cada vez mais próxima dos interessados.

Na geração energia eólica, os avanços são ainda mais promissores e as usinas movidas pelo vento que sopra em todo o País, devem se consolidar como a segundo maior e mais importante fonte de geração de  eletricidade do Brasil, já neste ano de 2019, conforme a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Para se ter idéia da contribuição dessa alternativa, basta dizer que o Brasil já possui capacidade equivalente à de uma Usina de Itaipu na geração de energia eólica. A Itaipu, verdadeiro orgulho do Oeste do Paraná, como se sabe, é a segunda maior hidrelétrica do mundo.

Conforme a Abeeólica, a geração de energia eólica já ultrapassou a marca de 14,34 GW (gigawatts) de capacidade instalada no Brasil. Para isso, o País conta com 568 parques eólicos, de diferentes capacidades, em 12 Estados.

Conforme levantamento da entidade, a energia gerada por esses parques nos últimos 12 meses foi suficiente para abastecer 25 milhões de residências, beneficiando cerca de 75 milhões de brasileiros, com eletricidade mais barata.

A fonte eólica tem experimentado grande crescimento no País desde 2009, graças aos leilões promovidos pelo governo federal para a contratação e execução de novos empreendimentos, o que deve prosseguir nos próximos anos, por razões óbvias.

Contando empreendimentos contratados nos últimos leilões realizados pela União, a projeção é que até 2024 a energia eólica atinja ao menos 18,8 GW de capacidade instalada no País.

Graças às condições climáticas e topográficas favoráveis, extensão do litoral e regiões serranas e custos menores, a adoção e expansão da energia eólica no Brasil têm cada vez maior potencial de crescimento.

Enquanto há 10 anos, a alternativa tinha muito poucos interessados e investidores, hoje todas as grandes empresas estão investindo ou planejamento investimentos em usinas eólicas, em todas as regiões do País.

O fato merece comemoração, mas especialistas alertam sobre a necessidade de levar em consideração pontos decisivos, como o regime de ventos, que não são constantes em todas as regiões do País, como acontece com as chuvas regulares.

Como há a necessidade de suprimento de energia, o assunto vem sendo muito debatido nos últimos anos, até porque o País deixou de construir hidrelétricas sem grandes reservatórios, em obras com menor impacto socioambiental, apesar do risco da escassez de água.

O grande avanço estaria na diversificação da matriz elétrica para minimizar riscos e limitações de cada alternativa, como são projetos híbridos, com mais de uma fonte de geração de energia e até mesmo o uso de baterias, mas que ainda são inviáveis economicamente.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]
A comunicação globalizada como caminho para o crescimento individual

O cérebro infantil, por estar em formação, possui grande facilidade para absorver informações e assimilar conceitos. A neuroplasticidade, ou seja, a capacidade de adaptação do sistema nervoso, e a desinibição das crianças tendem a ser maiores do que as dos adultos. Soma-se ainda que, nessa fase da vida, o aparelho fonador, conjunto de órgãos e estruturas que produzem os sons da fala, também não está completamente desenvolvido e, por esse motivo, tudo o que lhes é ofertado, é absorvido sem a interferência de vícios já adquiridos.

É natural que pais e responsáveis se preocupem, já a partir dos primeiros anos de vida da criança, em desenvolver aquilo que julgam ser benéfico para ela, como a alimentação, a forma como tratar o próximo e, até mesmo, a escola em que vão estudar. É, portanto, na primeira infância o momento de plantio e cuidado com o futuro. Nesse contexto, a educação globalizada e multicultural, por meio do ensino bilíngue, é uma das sementes mais procuradas, em vista da percepção crescente de que dominar um segundo idioma, em especial o inglês, traz mais oportunidades.

Entretanto, é importante ressaltar que se entende como indivíduo bilíngue aquele que fala, pensa e raciocina em dois idiomas, navegando nesses ambientes confortavelmente, sem esforços ou traduções. No Brasil, poucas escolas oferecem essa abordagem e, mais que ensinar as normas gramaticais e um novo vocabulário, aprofundam-se em promover uma aprendizagem natural e imersiva da segunda língua. Os números da Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (Abebi), por exemplo, deixam claro e revelam o longo caminho que temos pela frente: menos de 3% das escolas particulares no país oferecem esse tipo de metodologia. O resultado é que, não por menos, apenas 1% dos brasileiros são realmente fluentes em inglês e outros 4% se relacionam com a língua em estágios inferiores ao da fluência, conforme demonstra uma pesquisa do Conselho Britânico.

A questão é que o bilinguismo não envolve apenas o “aprender um novo idioma” e vai muito além. Em nível pessoal, o contato com outras culturas, desde bem pequeno, estimula a compreensão das diferenças, fazendo com que o indivíduo tenha mais consciência da parcialidade de sua própria identidade, de forma a se tornar um agente integrador no meio em que atua. O multiculturalismo, estimulado dentro das escolas bilíngues, permite às crianças trabalharem colaborativamente entre grupos de diferentes origens, respeitando e entendendo as diferenças.

Estudos realizados em 1962 por Elizabeth Peal e Wallace Lambert, da McGill University (Canadá), revelaram que crianças bilíngues tendem a demonstrar melhores resultados em testes de inteligência e concentração. E, como a escolha de pais e responsáveis sobre a primeira infância afeta diretamente o futuro da criança, o ensino de outra língua deve ser feito com cuidado, diante de pesquisas e análises, de forma a florescer satisfatória e beneficamente os pequenos em formação.

*Peter Albert Visser é diretor acadêmico da Maple Bear Brasil. Graduado pela Universidade de Waterloo, possui também mestrado em educação  pela universidade de Ottawa.
O pecado que Francisco não pode cometer!

Quando dizem que até as pedras se encontram, cada vez mais isso faz sentido. Uma prova clara e evidente são os últimos acontecimentos que testemunhamos, numa época em que a ordem dos valores da vida está totalmente subvertida. Tem valor quem é corrupto, ladrão, enganador, charlatão, dissimulado, tirano, ditador.

Para provar que é possível o reencontro das pedras, viu-se ontem na mídia mundial o pedido desesperado ao Papa de Nicolas Maduro, que se auto intitula de preposto de Jesus Cristo e suplica: “Peço ao Papa que se empenhe e esteja disposto a ajudar-nos nessa via de diálogo com a oposição”. É assim que a “comunidade dos que comungam dos mesmos projetos” que não consegue viver dissociada dos seus ideais se comporta e age até que consegue o desfecho: Aqui temos o criminoso Lula, a alma mais santa debaixo do sol; o igualmente criminoso João de Deus e agora também filho do João de Deus, graças ao tênue fio de esperança de justiça que ainda temos, ardendo no fundo do cárcere, pelo menos por ora. Se ao contrário de santos e de Deus, fossem do capeta, dá para imaginar o que seria de nós pobres mortais? E Maduro, que é da mesma trupe, como que inconformado por estar longe dos seus pares, quer trilhar e está caprichosamente agindo de forma a se juntar aos meliantes encarcerados.

Resta saber de que lado o Pontífice se posicionará, se do lado dos verdadeiros valores éticos e morais, ou se do lado do “preposto de Jesus Cristo“, impostor, tirano, assassino e causador de milhares de famintos e fugitivos? Imperativo se faz que a resposta de Francisco seja no sentido de atender os pequeninos, os menos favorecidos, os pobres, os que não têm mais nada na Venezuela. O sistema comunista roubou-lhes até a esperança. Simplesmente, primeiro para cumprir o preceito bíblico, segundo, para testemunhar verdadeiramente os valores morais e éticos, para assim retornarmos da pregação atual.

Agora, se a posição de Francisco for de atender ao pedido de desespero do criminoso ditador, a exemplo do que vem acontecendo nos últimos tempos, onde a igreja, de várias confissões, inclusive a minha e a do Papa se mistura aos criminosos, aí seria um golpe irreparável. Seria um pecado difícil de ser perdoado, talvez nem tivesse perdão. O pecado que Francisco não pode cometer!  

*O autor e licenciado em Filosofia Lato Sensu e Bacharel em Direito ([email protected])
A estética da barbárie

No chiste atualizado, o venezuelano chega perto de Deus e indaga: por que o Senhor tem sido tão injusto com a Humanidade? O subsolo do nosso país contém uma das maiores reservas do mundo em petróleo. Temos um herói que dá brilho à nossa história, o timoneiro Simon Bolívar, hoje mera estampa atrás da cadeira de Nicolas Maduro. Padecemos grandes necessidades: a fome, a miséria, a emigração de 3 milhões de pessoas, uma inflação de 2,5 milhões por cento ao ano.

Deus disse: tenho procurado ser justo. Vejam o Japão. É uma tripinha de terra com tufões, mas um gigante tecnológico.  Olhe os Estados Unidos, a maior potência mundial, porém atormentada por ciclones que devastam regiões. E o frio que, este ano, em algumas regiões chegou a menos 50º C., matando gente? Passeie pelos encantos e da Índia e contemple as belas paisagens africanas, mas fuja da miséria daquelas paragens. Há nessas regiões muita pobreza.

Já viu algo mais  lindo que os fiordes da Noruega? Veja o gelo que joguei lá. Botei muito petróleo no subsolo da Arábia Saudita e do Kuwait. Sabe por que? Para compensar a tristeza de viver sob costumes quase desumanos. O venezuelano se deu por vencido quando Deus arrematou: e o Brasil, com seu imenso território, sol o ano inteiro, costa monumental banhada pelo Atlântico, terras férteis, sem terremotos, ciclones e guerras? A pergunta veio na bucha: e por que tanta condescendência? Deus foi taxativo: vejam o povinho que coloquei lá.

Pois é, a brincadeira é conhecida, mas o brasileiro, ao viajar, não é um “canibal” que carrega tudo que vê, roubando até “o assento salva-vidas do avião”, conforme disse à Veja o ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez. Se ele, porém, falar da incúria, do desleixo, da irresponsabilidade dos gestores públicos, acertaria na mosca. Por quê o RJ vive um “estado de crise”? Por causa do desastre ambiental provocado pelas chuvas. Sexta pela manhã, um incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo matou 10 pessoas. Ora, o caos que vive o mais lindo cartão postal do Brasil tem como origem a incúria dos governantes. Onde está o planejamento urbano? O que se faz para prevenir os impactos de enchentes nesse Estado onde a natureza faz questão de deixar sua marca? Não é sabido, por exemplo, que no ciclo de chuvas, a região serrana do Estado registra catástrofes?

O que se dizer da tragédia de Mariana e a mais recente, a de Brumadinho, em MG, um Estado rico em minérios, cheio de montanhas? A ganância, a ambição, o ataque feroz à natureza, perpetrado por conglomerados, são os responsáveis pela devastação e ocupação dos cemitérios. Se não há por nossas plagas terremotos, maremotos, há fenômenos tão devastadores quanto aqueles, produzidos pela decisão humana.  Minas e Rio de Janeiro estampam a estética da barbárie.

As normas de boa conduta são jogadas na cesta do lixo. Temos boas leis, um conjunto de disposições para proteger o meio ambiente. São desprezadas. Quando as catástrofes ocorrem, uns jogam a culpa em outros. Laudos são “calibrados” para ajudar grupos. Pressões políticas orientam decisões que driblam o roteiro técnico.

A grandeza de uma Nação não é apenas a soma de suas riquezas materiais, o produto nacional bruto. É o conjunto de seus valores, o sentimento de pátria, a fé e a crença do povo, o sentido de família, o culto às tradições e aos costumes, o respeito aos velhos, o amor às crianças, o respeito às leis, a visão de liberdade, a chama cívica que faz correr nas veias dos cidadãos o orgulho pela terra onde nasceram.

A anulação desse escopo espiritual faz das Nações uma terra selvagem. No afã de alcançar resultados, grandes lucros, despreza-se a força da natureza, a maior do universo. Os homens até conseguem, com obras monumentais de engenharia, driblar as forças naturais. Sua força tecnológica cresce a olhos vistos. Estão aí os diques, os túneis debaixo dos rios e dos mares, ícones da grandeza criativa do homem. Mas os furacões e terremotos que devastam espaços, não fazendo concessões aos mais avançados bastiões da tecnologia, provam que a natureza não pode ser ludibriada.

O povo, dizia Lincoln, não pode ser enganado em sua totalidade durante todo tempo. Por isso o povo, mesmo o mais sofrido, aquele do qual se tiram as energias pelas doenças, pelas sequelas, mazelas e omissão dos governantes, começa a usar a sua arma: a capacidade de tirar os dirigentes, a força para escolher seu próprio caminho.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato
Se exponha, mas não se queime

Você tem sentido que a cada ano que passa o sol parece estar mais forte ? Sente sua pele arder quando se expõe ao sol por poucos minutos ? Pois então, hoje vamos conversar sobre o câncer mais comum no Brasil: o câncer de pele e como preveni-lo. Para evitar o aparecimento de lesões cancerígenas é necessária pequenas alterações no seu dia-a-dia como por exemplo, evitar exposição solar entre 10h e 16h, usar chapéus, camisetas e óculos escuros sempre que se expor ao sol e passar filtro solar com pelo menos 30 FPS 2 vezes ao dia. Vale ressaltar que bebês podem usar filtro solar apenas a partir dos 6 meses de idade. 
Vale ressaltar que no verão ficamos mais expostos ao sol e devemos redobrar o cuidado, no entanto deve-se lembrar que os raios solares, que provocam o câncer, também incidem sobre a pele nos dias nublados. E mesmo o Brasil sendo um país onde desfrutamos de muita incidência de luz solar, apenas 1 em cada 3 brasileiros faz o uso regular do filtro solar e de outras maneiras de proteção. 
Além disso, o câncer de pele na maioria das vezes é uma doença não muito agressiva e que se descoberta no inicio, tem boas chances de tratamento.  Para tal, é imprescindível que saibamos identificar uma lesão possivelmente cancerígena e portanto, devemos analisar a mancha /”pinta” e nos perguntarmos: a lesão é assimétrica ? possui bordas irregulares ? apresenta cores diferentes na mesma mancha ? possui um diâmetro maior que 6 mm? Tem aumentado de tamanho ? Se sua resposta for sim para a maioria dessas perguntas, é importante que procure um médico no seu posto de saúde ou algum dermatologista para que ele possa avaliar. Lembre-se: Se exponha mas não se queime. 
Envie suas dúvidas para o e-mail [email protected], sua pergunta pode ser o tema da próxima edição.

Autores: Lara Frangiotto e Ezequiel Ramos de Oliveira Júnior - Liga Acadêmica de Medicina Interna 
A água está acabando?

Uma boa notícia: não, a água não está acabando. Não existe um “ralo” por onde a água saia do planeta Terra. Mas a água disponível para o consumo humano, em qualidade e quantidade suficiente, essa sim pode entrar em extinção.

A demanda por água doce está aumentando e ela está ficando mais escassa, com menor qualidade, como relatou recentemente a Unesco. A mudança do clima está provocando maior impacto no ciclo hidrológico, com eventos climáticos extremos mais frequentes, causando enchentes e alagamentos em diversas regiões, assim como estiagens e dificuldade no acesso à água em outras. A falta de água representa um risco econômico, riscos à segurança alimentar e à saúde humana. A água pode ficar cada vez mais cara e seu acesso mais restrito, provocando conflitos de interesse e disputa pelo seu uso.

As metas estabelecidas pelo Brasil no Acordo de Paris incluem a restauração de 12 milhões de hectares de floresta. Em termos de adaptação à mudança do clima e pensando na natureza como solução, saber onde plantar esses 12 milhões de hectares faz uma grande diferença. A restauração ecológica é uma forma muito estratégica de usar os recursos naturais para atingir as metas globais e melhorar a qualidade de vida da população brasileira, especialmente considerando o aumento de resiliência às mudanças climáticas e a retenção de sedimentos que chegariam aos rios, com melhoria da qualidade hídrica e conservação da biodiversidade por meio do estabelecimento de corredores ecológicos.

O relatório da Unesco denominado “Soluções baseadas na Natureza para a gestão da água”, lançado em 2018, aponta a combinação de infraestrutura verde e cinza como opção para redução de custos e redução geral de riscos. A implementação de Soluções baseadas na Natureza para a gestão de inundações – que garantam a infiltração de água na terra e reduzam o escoamento superficial de água – é totalmente coerente com a criação de parques lineares, estratégia defendida pela Fundação Grupo Boticário para adaptação de municípios aos impactos causados por chuvas extremas.

Estudos lançados nos últimos meses, com a participação da instituição, apontam que o investimento em infraestrutura natural promove a retenção dos sedimentos que chegariam até os rios, reduzindo assim os custos de tratamento de água, além de aumentar a vida útil do manancial, retardando em muitos anos a necessidade de buscar outras fontes de abastecimento. Resultados semelhantes foram observados nas bacias do Cantareira, em São Paulo; Guandu, no Rio de Janeiro; e do Rio Vermelho, em Santa Catarina.

O investimento na natureza traz benefícios relacionados ao controle de enchentes e aumento de resiliência que se estendem a outras localidades. Tal estratégia, representaria custos evitados na ordem de quase R$2 milhões de reais por ano aos catarinenses. Em São Paulo, a recuperação florestal de 4 mil hectares e a preservação das áreas naturais existentes levaria a uma redução de R$ 219 milhões em custos com o tratamento de água ao longo de três décadas.

Isso porque a natureza não vê fronteiras: os benefícios de uma área preservada podem ser sentidos a quilômetros de distância. O relatório da Unesco também aborda esse conceito de integralidade dos serviços ecossistêmicos, mostrando que a chuva que abastece a Bacia do Rio da Prata vem da evapotranspiração da Bacia Amazônica.

É preciso lembrar que as Soluções baseadas na Natureza trazem ainda benefícios adicionais, como o sequestro de carbono, que reduz os gases de efeito estufa na atmosfera e os impactos da mudança do clima, maior desafio que a nossa sociedade terá de enfrentar nas próximas décadas. A implantação de ações baseadas na infraestrutura natural permitem a expansão de habitats para a biodiversidade, combatendo as duas principais causas de pressão sobre a biodiversidade apontadas pela Convenção da ONU sobre Biodiversidade, que são a degradação de habitats e a mudança do clima.

As Soluções baseadas na Natureza dependem de ecossistemas saudáveis e somente a proteção dos ambientes naturais garante que poderemos contar com a natureza para nos ajudar a ter melhor qualidade de vida nos próximos anos. A biodiversidade depende de nós para que seja preservada, porém nós dependemos ainda mais da biodiversidade para garantir a vida no planeta, tal como conhecemos. Essa é outra boa notícia: só depende de nós mudar a forma como tratamos a natureza e o quanto poderemos contar com as soluções que ela nos oferece!

*Juliana Baladelli Ribeiro é bióloga e analista de Soluções baseadas na Natureza da Fundação Grupo Boticário.
6 Dicas para se livrar das dívidas

Mais de 60 milhões de brasileiros estão inadimplentes no Serasa, seja aqueles que têm 1 dívida de 100 reais por não ter conseguido honrar com alguma conta, ou aqueles que se desorganizaram financeiramente e está devendo a várias instituições e precisam pagar valores altos.

No entanto, mesmo você ganhando pouco e tendo muitas dívidas, saiba que é possível reverter essa situação e limpar seu nome. Exceto se você for sortudo no NetBet, o caminho mais tradicional exige muita dedicação, disciplina e paciência. Pensando nisso, decidimos selecionar 6 dicas para você se livrar das dívidas.

 

1 - SAIBA O QUANTO ESTÁ DEVENDO

É comum que as pessoas endividadas tenham uma espécie de “medo” em saber o quanto estão devendo. No próprio site Serasa Experian você pode cadastrar seu CPF e ver para quem você está em débito e o valor para cada um. Some todas as contas e  após isso, procure liquidar da maior dívida para a menor. A maior dívida não necessariamente é a mais cara, mas sim a que tem o maior juro. Foque sua meta nessa conta e procure liquidá-la.

Também é importante você conversar com a família e envolver todos na sua organização financeira, já que cada um pode contribuir com economias simples e também ajudar em formas de você ganhar mais dinheiro para concluir suas metas.

 

2 - CONTROLE DESPESAS PARA NÃO SE ENDIVIDAR DE NOVO

Normalmente, as pessoas tendem a subestimar pequenos gastos do cotidiano, sendo estes que, quando somados no final do mês, dão uma boa diferença em seu orçamento. A ideia é “não deixar de viver”, mas sim “viver o máximo que puder gastando o mínimo possível” e, qualquer economia, por menor que seja, já contribui para uma boa saúde financeira.

Ao invés de lavar roupas todos os dias, lave uma vez por semana. Comprar roupas todos os meses? Compre apenas quando for estritamente necessário e não gaste, por mais que seja uma calça jeans que está com um preço acessível. Desligar as luzes, evitar de comer na rua, tirar os objetos da tomada. Tudo é economia.

E evidentemente, o mesmo vale para o que a gente chama de despesa fixa, pois quando estamos endividados é a hora de “apertar os cintos” e procurar economizar em tudo. Não assiste mais TV a cabo? Diminua o pacote de canais ou cancele o plano. Não precisa de uma internet ultra veloz? Diminua o plano de internet. Corte o cartão de crédito com a tesoura e assim por diante.

 

3 - NEGOCIE AS DÍVIDAS

O próprio Serasa tem uma ferramenta online chamada “Limpa Nome” que oferece descontos bem interessantes para os endividados que, em alguns casos, pode chegar a mais de 90% na redução. Ou seja, aquela dívida que custava R$ 2.000 pode sair por R$ 200. Isso é graças a uma parceria entre a marca de análises e informações e as principais instituições, sejam os bancos ou as empresas de telefonia.

Caso não haja uma redução no “limpa nome”, vá até o local onde está endividado e procure negociar a dívida para pagá-la a vista. Após a pessoa disser o quanto você está devendo, pergunte: “Qual o desconto para pagamento à vista e em dinheiro?” e, caso o funcionário não queira dar, não tenho vergonha de pedir para chamar o gerente para negociar. Qualquer desconto, por menor que seja, é vantajoso para você. Lembre-se: você está endividado e a empresa quer que você pague a eles, é vantajoso para ambos que a dívida seja liquidada e, portanto, um acordo é sempre bem vindo.

 

4 -BUSQUE UMA RENDA EXTRA

Ganhar dinheiro não é tão difícil quanto parece e você não precisa, necessariamente, viver apenas do salário que você ganha, já que qualquer monetização que venha para o seu orçamento é válida.

Vender bombom na rua, cuidar de cachorros, alugar um quarto desocupado em sua casa, ser um organizador profissional, dar palestras, tudo isso é válido para você lucrar com rendas extras e conseguir ter mais condições para sair das dívidas.

A chave do sucesso é ser criativo e ser “cara de pau” mesmo, não tendo vergonha de fazer o que deve ser feito para ganhar dinheiro de modo lícito e honesto.

 

5- PESQUISE ANTES DE COMPRAR

Essa é uma dica que vale para todos, mas especialmente aos endividados. Pesquisar aquele produto que você quer comprar é a melhor forma de economizar e a ideia é comparar o melhor custo-benefício.

Existe um ditado que diz “o barato sai caro”, mas em muitas ocasiões, o barato sai barato mesmo e você tem aquele serviço que você precisa atendendo às suas necessidades. Uma boa estratégia é ver o preço mais barato daquele produto na internet, ir a uma loja argumentar que você achou aquele preço na web e pedir para que a pessoa faça um preço menor do que aquele encontrado.

 

6 - NÃO TENHA MEDO DE OBJETOS USADOS

Comprar produtos usados às vezes sai a metade do preço tendo a função que você precisa. Ou seja, uma cadeira de computador que tem um leve arranhão no estofado pode acabar saindo pela metade do preço e você terá aquele objeto para ter uma postura saudável e ereta.