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O esperado "Feliz 2019"

Mais do que nunca a normal manifestação de fim de ano, bem desgastada e protocolar, este ano se reveste de um sentido bem especial e muito significativo. Precisamos urgentemente, não de um, mas, de muitos anos felizes para nossa pátria.

Precisamos resgatar nossos valores éticos e morais já há muito desgastados pelos larápios, ladrões, assaltantes do dinheiro público, transvestidos de políticos, funcionários públicos, burocratas, executivos de empresas privadas e estatais que tiram o que é do povo em benefício próprio, deixando-o à mingua sem segurança adequada, sem transporte público decente, sem escolas aparelhadas. Como uma nuvem de gafanhotos insaciáveis, destroem tudo, incluindo a dignidade humana de mais de 50 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza.

Precisamos ter acesso a empregos qualificados, não sermos uma nação de informais e de subempregados sem nenhuma seguridade social. O emprego é o direito natural de todo cidadão de bem. O trabalho dignifica o homem e a mulher para o necessário sustento de sua família. A corrupção, a má gestão e a desigualdade social ceifaram milhões de cargos de trabalho nos últimos anos.

Precisamos olhar o futuro com esperança e acreditar nas boas oportunidades para nossos filhos e netos. O país tem uma riqueza imensa, uma biodiversidade a ser explorada, belezas naturais que poderiam trazer muita felicidade para os que querem trabalhar e colaborar com a grandeza de nossa sociedade. Bastaria que alguns não quisessem tudo para si. Mas, infelizmente, não receberemos nada disso como presente de Natal! Isso precisa ser conquistado, com luta diária e incessante. Precisamos vigiar e afastar de nossa casa comum as ratazanas que infestam nossos órgãos públicos quer sejam federais, estaduais ou municipais, quer sejam do executivo, do legislativo ou do judiciário. Como diz a Bíblia "a messe é grande e os trabalhadores são poucos".... Se, os cidadãos e cidadãs de boa vontade e honestidade não se unirem, os canalhas e ladrões continuarão a tomar e roubar não apenas nosso presente mas também nosso futuro. O preço da liberdade é a eterna vigilância. Sejamos diligentes e vigilantes porque os ladrões não dormem. Que o Brasil encontre seu grandioso futuro já em 2019.

Um Feliz Natal para todos e um 2019 totalmente renovado e próspero. Veremos o que o futuro nos reserva. Forte abraço.

*Celso Luiz Tracco é economista e autor do livro Às Margens do Ipiranga - a esperança em sobreviver numa sociedade desigual.
A identidade de Bolsonaro

Todo governante, em início de governo, se esforça para assoprar o balão de sua identidade. Esta, por sua vez, compreende duas dimensões: uma de natureza semântica, abrangendo o pensamento do governante, manifesto em falas improvisadas ou formais, entrevistas coletivas ou individuais, respostas isoladas às provocações da mídia etc; a segunda dimensão é de cunho estético, abrigando o discurso não verbal, e sim os gestos, as maneiras de se comportar, o modo de se apresentar no cotidiano. O governante, como celebridade, tem obrigação de cumprir uma liturgia do poder.

A liturgia do poder faz parte do Estado-Espetáculo, se fez muito presente no passado e é o imã que costuma fazer a conexão entre governante e governados.

Luis XIV se vestia como um pavão, desfilava em seu cavalo coberto de diamantes nos arredores do Palácio de Versailles; Hitler, sob orientação de Goebbels, estufava o peito, deixava a cabeleira cair sobra a testa, usava os braços para imprimir força às palavras; Kennedy se ancorava no sorriso aberto e na cabeleira farta; Juscelino Kubitschek era a simpatia do grande sorriso; Jânio, olhos esbugalhados, paletó amarfanhado, ganhava aplausos das galeras; Collor fazia cooper diariamente com um cordão de jornalistas correndo atrás; Sarney usava a liturgia de modo solene; FHC se esforçava para fazer aparecer seu lado schollar; Lula, voz rouquenha, metáforas futebolísticas, linguagem rudimentar, desfilava de um canto a outro no palanque, ganhando vivas da massa.

Já o presidente eleito Jair Bolsonaro está tirando notas boas em seu vestibular na área da liturgia. Fazer flexões na frente de um grupo de militares, que se exercitavam, mostra a feição militar que o capitão tem procurado reforçar a todo o momento. O que impressiona é fazer 10 flexões portando uma bolsa de colostomia. Como é que aguenta? É a pergunta que muitos se fizeram. O lado militar se apresenta também nas continências que Bolsonaro faz tanto para militares quanto para civis. Uma forma, segundo já se depreende, de homenagear o interlocutor e não de “beijar a mão”, como as más línguas querem interpretar.

A escolha de militares para integrar os quadros do governo, dentre os quais muitos generais, fecha a imagem do “soldado a serviço da Pátria”, como ele tenta passar em suas perorações.

No campo semântico, a linguagem simples do capitão, com frases incompletas, onomatopeias, certos cacoetes, o aproximam do homem comum. Assim como o gosto por leite condensado no pão do café da manhã. Ênfases ficam por conta de expressões em defesa da família e, em matéria de relações externas, do alinhamento incondicional com os Estados Unidos; o afastamento do Brasil de Nações comprometidas com o ideário dos direitos humanos, compreendendo, entre outras coisas, o acolhimento sem restrições a imigrantes que vivem em estado de carências em seus países.

A sinalização nessa direção, inclusive com a promessa do chanceler escolhido, Ernesto Araújo, de tirar o Brasil do Pacto Global de Migração, assinado por 164 países, pode nos deixar isolados da comunidade democrática universal. Mas a identidade conservadora nos costumes e nas relações internacionais vem sendo burilada com estridência.

No âmbito interno, a identidade do novo governo passa a ser bem acolhida por parcelas da sociedade, particularmente estratos mais à direita, engajados na luta contra o aborto, a ideologização do ensino escolar, a favor do armamento para proprietários rurais, contra invasões de propriedades. Nessa linha, prevê-se refluxo do MST, que usa como estratégia a ocupação de terras “para uso social”, conforme costuma alegar.

Outras vertentes da identidade do novo governo abarcam duas frentes: combate à corrupção e combate à violência. São duas demandas sociais de vulto e seguramente, se bem-sucedidas, darão tintura à imagem positiva do governo. O país tem se tornado gigantesco faroeste. A criminalidade campeia sob ordens de chefes presos. E a corrupção ainda corre solta, apesar da contenção da lama pelos dutos da Operação Lava Jato.

Bolsonaro montou sua equipe de forma a preencher todos os vazios da identidade. Com a economia voltando a bombar, as flexões e as continências do capitão serão vistas com admiração e respeito.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação. Twitter @gaudtorquato
Como anda a inovação no Brasil?

O conceito de inovação está dominando o mercado no mundo todo. Isso porque ela nunca se fez tão necessária para que as empresas, independentemente de seu ramo, atinjam novas metas, superem desafios e reinventem seus mercados frente aos tempos de mudança. Mas, onde o Brasil se encontra nesse cenário? Somos um país de empresas inovadoras? O que está sendo feito a respeito? A verdade é que a maioria das empresas ainda estão bastante perdidas diante de tantas transformações.

Na maior parte do país, inovação é uma palavra seguida do “som de grilos”, indicando o silêncio. Quando alguém se pronuncia, há muitas confusões conceituais. Tecnologias e metodologias aparecem de forma soltas, desconexas, dificultando a assimilação dos empresários. O ponto é que, além de termos apenas 2% de nossa indústria pronta para aplicar novas tecnologias da chamada Indústria 4.0, apenas isso, não significa inovar. A tecnologia, de um modo geral, é apenas um dos meios para construir um cenário inovador.

Inovação é a gestão de ideias, de riscos, de comportamentos. São pequenas coisas que, aos poucos, mudam os panoramas dentro da empresa e despertam disrupções. Assim, ser inovador é dar ouvidos à sua equipe, gerir novas possibilidades, aplicar normas de gestão que incentivam a criatividade e, aí sim, aplicar tecnologias que tornem essas ideias em algo capaz de vencer as novas barreiras impostas pelo mercado. Não se pode ter indústria 4.0 sem antes ter um mindset de inovação.

Assim, ao brasileiro, primeiro falta compreender bem esses conceitos para depois transformá-los em processos. É preciso que governo e as empresas invistam nisso para então chegarmos a um padrão de competitividade mundial. Felizmente, alguns bons exemplos já começam a surgir.

Um deles é o Projeto de Lei Complementar nº 2075, que quer instituir um Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação no estado de Pernambuco. A proposta é atrair empresas, promover desenvolvimento tecnológico, e tornar lei o investimento em startups. Não é à toa que iniciativas assim partem do Nordeste do país. Na última década, a região se tornou um polo de energia renovável, investimentos em gestão e formação de empresas de tecnologia. Porém, como dito, é o mindset o principal propulsor da inovação, e não apenas a tecnologia.

Apesar desses pequenos movimentos, o Brasil ainda tem um longo caminho pela frente. Em um mundo cada vez mais globalizado, onde as distâncias são encurtadas e a competitividade está cada dia maior, a inovação se torna uma questão sobrevivência. As nossas empresas precisam começar a se dedicar mais ao amanhã, em vez de ficarem apenas tentando apagar os incêndios de hoje. Desenvolver estratégias de longo prazo é a única forma de melhorarmos as nossas empresas e trazermos bons resultados para o nosso país. Só assim construiremos um cenário de inovação e progresso.

Alexandre Pierro é engenheiro mecânico, bacharel em física aplicada pela USP e fundador da PALAS, consultoria em gestão da qualidade e inovação.
Os diversos papéis das mulheres e a importância da empatia

Em pleno século XXI, ainda temos um longo caminho a percorrer quando o assunto é o papel da mulher na sociedade. Por um lado, temos uma gama de conquistas realizadas pelos esforços dos movimentos feministas de décadas atrás, por outro vivemos ainda em uma sociedade machista onde ainda existem alguns papéis delimitados exclusivamente para mulheres, enquanto os homens continuam em sua jornada intimista de ser qualquer coisa que deseje ser, sem as cobranças sobre o que deveria ou não estar fazendo.

Ainda que tenha iniciado o texto dessa forma, minha intenção aqui não é criticar o homem, mas valorizar e acolher a mulher, qualquer que seja o papel que ela desempenhe em sua jornada atual de vida.

Sou mãe, esposa, empreendedora, psicóloga, escritora, esposa, filha, irmã, amiga, mas quem não é a maioria dessas coisas? Ser psicóloga e ser mãe foram escolhas minhas, ponderadas com muito cuidado e pautados em sonhos de vida. Com a psicologia veio o empreendedorismo, afinal não dava para viver apenas de consultório e eu queria mais. Nunca fui dessas pessoas que fazem apenas uma coisa, sempre gostei de explorar minhas possibilidades, o que me levou a empreender à escrever.

O que não havia pensado antes era o nível de dificuldade que incluía me dividir em todas essas versões de mim, pois comecei a acreditar que estava sempre falhando em alguma coisa e a não ficar tão feliz assim comigo mesmo ou com algumas das escolhas que fiz. Cheguei até mesmo a questionar se ser mãe agora foi a melhor escolha, meu filho hoje com três anos de idade é meu maior incentivador, mas também minha maior fonte de desespero e sensação de fracasso a cada “não posso ir”, a cada “mamãe precisa trabalhar”, a cada “mamãe está cansada”. Não é fácil, porque passo bastante tempo dentro de casa, algo que o empreendedorismo me permite. Imagine, então, para as mães que trabalham em regime CLT ou são concursadas e passam a maior parte do seu tempo longe de seus filhos?

Agora imagine todo esse cenário que descrevi e acrescente a ele, além da autocobrança de cada uma de nós em relação a nós mesmas, a cobrança da sociedade que lhe questiona como pode você estar trabalhando no dia da apresentação de esporte do seu filho, ou que não possa ir numa reunião escolar porque estava em uma importante reunião no seu trabalho. Isso sem mencionar o fato de que precisamos estar bem arrumadas, com o cabelo feito, as unhas pintadas, maquiagem escondendo os sinais do cansaço proveniente dos desdobramentos.

Sim, ser mulher tem um “Q” a mais que envolve ainda todo um lado hormonal que nos faz surtar em algumas fases da vida, mas isso ninguém quer enxergar ou compreender. Somente uma mulher para entender outra mulher e ainda assim muitas vezes isso também não acontece, pois o julgamento se sobrepõe à empatia, não permitindo que que tenhamos uma postura acolhedora, mas, sim, majoritariamente crítica.

Sendo assim, proponho a você um exercício diário: sempre que visualizar uma situação com uma outra mulher, seja esta conhecida ou não, procure se colocar no lugar dela. Tente pensar em como ela se sente ao invés de julgar e piorar com comentários inúteis a culpa que provavelmente ela já está depositando sobre si mesma. Portanto, tenhamos mais empatia e que possamos compartilhar mais amor.

Ellen Moraes Senra é psicóloga e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental
O futuro desenhado a milhares de mãos

Hoje, fazer qualquer empreendimento crescer, seja uma empresa ou uma associação comercial, significa mais. Não é apenas enriquecer com um produto ou serviço. É trabalhar com uma visão maior. É enxergar que aquilo que um empresário faz em sua cidade, a maneira como ele leva seus negócios, a cultura da sua empresa e o grau de envolvimento que tem com a realidade à sua volta, podem sim ressoar no momento do país.

Há notícias ruins e sabemos todas de cor. O Brasil está em uma profunda crise institucional e de valores. A desesperança do brasileiro em relação a governantes verdadeiramente comprometidos em tirar o país dos piores rankings já é palpável e contabilizada em pesquisas de pessimismo. Porém, quando o foco está acertado somente no que está desmoronando, podemos cometer o erro de nos esquecermos de olhar para aquilo que está sendo construído em meio aos escombros.

O potencial para grandes transformações existe. Aos poucos o setor produtivo começa a entender seu papel no combate à corrupção. Hoje, nós empresários já compreendemos que devemos fazer mais do que apenas exigir transparência do governo e punição aos corruptos. Precisamos também agir para mexer no cenário político e social, já que também estamos inseridos nele.

Começamos a ver movimentos de empresários que decidiram rever procedimentos internos para implantar políticas mais éticas dentro dos seus próprios negócios e inspirar, conscientizar e dar o exemplo. Homens e mulheres de negócios que, agora, dedicam parte de sua rotina, antes só corporativa, para estudar medidas, criar projetos, pensar ações que vão trazer melhorias práticas para a rotina não de apenas alguns poucos brasileiros, mas de toda a sociedade. A pedra jogada na água que causa ondas em todo o rio.

Claro que ainda precisamos modificar mentalidades. Mas não há como não se sentir otimista ao ver a atuação das associações comerciais, tão fundamentais para colocar esta mudança em prática já que funcionam não apenas como suporte para comerciantes e lojistas, mas também como espaços para a discussão de ideias e a disseminação de novos conhecimentos. É dentro da associação comercial que o empresário vai sentar um instante para refletir a respeito de como afetar positivamente a sua realidade e colocar em prática ações que possam repercutir em todos os estados.

Um ato inspirador pode resultar em muitos outros. Além disso, tem o poder de fazer links entre entidades que, até então, não se conversavam. Vi representantes da sociedade civil organizada, formada por diversos setores, unidos não apenas nas ruas, pedindo numa mesma voz por mais ética e transparência, mas sentados juntos em salas fechadas para discutir uma agenda positiva, prática e contundente para fazer o Brasil voltar a andar.

Há exemplos de outros países que, historicamente, só foram capazes de crescer depois de passar por verdadeiras devastações. A Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953, deixou a península coreana dividida e empobrecida. A Coreia do Sul tinha um PIB per capita menor que o de muitos países africanos. Hoje, é uma das maiores economias do mundo e um gigante de manufatura. Gana, considerado um dos países mais estáveis da África Ocidental, a partir de 2013 viu sua economia despencar ladeira abaixo. Em 2018, um resultado surpreendente: teve o maior crescimento do mundo, segundo o Banco Mundial. Analisando a trajetória desses países, podemos concluir rapidamente que o Brasil tem o potencial para estar nessa mesma lista de economias que se reergueram.

Outro ponto positivo é que hoje há mais ferramentas que favorecem o desenvolvimento. O mundo está sendo mudado pela tecnologia e pela inovação. Com elas, podemos preparar as entidades e as empresas para atenderem às demandas do mundo corporativo de hoje, com uma gestão mais moderna, e iniciar uma transformação no curso da história do Brasil, que é também a nossa. Precisamos de sabedoria para enfrentar e desenhar o futuro. Acredito não em governos, mas em nossa habilidade de fazer as coisas. E com colaboração e trabalho conjunto, podemos varrer todas as cinzas e alcançarmos marcos econômicos, políticos e sociais em meio a um período turbulento de transições.

Marco Tadeu Barbosa, presidente da Faciap
China e EUA: uma trégua na guerra comercial

Durante um jantar com o presidente da China, Xi Jinping, na noite de sábado, dia 1/12, em Buenos Aires, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou uma trégua na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

A temperatura entre as duas maiores economias do mundo estavam elevadas nos últimos meses depois de Trump começar a aplicar um combate aos produtos "made in China" nos Estados Unidos, uma bandeira da sua campanha presidencial. Desde março, ele começou a colocar em prática a sua política 'América First' (América Primeiro), que tem entre os seus objetivos fortalecer a indústria norte-americana, desvalorizando o produto importado.

O gatilho da polêmica foi quando os Estados Unidos declaram tarifas de 25% sobre a importação de aço e 10% sobre o alumínio de diversos países. A ação que mirava a China, acabou sendo um embate global generalizado e países como o Brasil, União Europeia, México e Canadá foram retirados temporariamente da lista.

Depois disso, Trump começou uma política de sanções comerciais direcionadas exclusivamente contra a China. O último anúncio foi que pretende impor mais de U$$ 100 bilhões em tarifas sobre produtos chineses, além dos U$$ 50 bilhões que já haviam sido anunciados. A medida é uma resposta à decisão da China de retaliar o país e cobrar taxas sobre vários produtos dos Estados Unidos, como soja e automóveis.

A decisão de trégua na guerra comercial por 90 dias partiu depois de as sanções gerarem efeitos negativos para os dois lados, além de afetar a economia de outros países em nível mundial. Isto porque as cadeias de produção e consumo, como bem sabemos, são completamente interligadas

Além disso, a guerra comercial, com medidas protecionistas adotadas pelas duas maiores nações globais do mundo, é um passo atrás no movimento da globalização, podendo gerar uma profunda recessão econômica mundial.

É importante lembrar que o crash da bolsa de Nova York, em 1929, levou os países fragilizados a fecharem suas economias, adotando uma política de guerra comercial, tendo sido este um dos fatores que desencadeou a Segunda Guerra Mundial. Este foi um exemplo drástico e fatal de como o acirramento de uma guerra pode se iniciar pelas relações comerciais.

Apesar da trégua, lideranças mundiais estão exigindo uma solução definitiva. O Ministério do Comércio chinês prometeu "implementar imediatamente" o acordo proposto por Trump, afirmando que o governo da China vai começar o processo com produtos agrícolas, de energia e automóveis.

Mas o que de fato temos que ficar de olho é a solução posterior entre os dois países que envolvem questões de propriedade intelectual, cooperação tecnológica, acesso a mercados, balança comercial, entre os outros assuntos, a serem discutidas nos próximos 90 dias. Acompanhemos de perto!

Espero que daqui a três meses, ao sabor de um bom vinho argentino, durante o jantar entre os dois chefes de estado, que os ânimos sejam reanimados. Que prepondere a reflexão destas nações de enorme peso para a economia mundial, no sentido de acordarem uma solução que beneficie às relações comerciais com visão global, ao seu equilíbrio, em busca da boa convivência mundial. Será um excelente ano de 2019 se agirem com a razão, com a boa reflexão e não com a emoção. Torçamos por esse desfecho – o planeta Terra merece!

*Uranio Bonoldi consultor, palestrante e oferece aconselhamento personalizado para empresários e executivos. www.uraniobonoldi.com.br
Até quando vamos ensinar sobre compaixão?

Recentemente, fiz um curso sobre meditação e liderança que foi espetacular. Foram destacadas as habilidades de um bom líder, entre elas a sua capacidade de ser resiliente, de atuar empaticamente, de praticar a bondade e de exercer a compaixão nas suas ações de liderança. Foram usados exemplos de líderes e farta fundamentação teórica sobre liderança com base na neurociência, na psicologia positiva e em muitos estudos científicos que exploram as questões comportamentais. Destaque foi dado para o desafio de as pessoas estarem presentes no local onde elas se propõem a estar e para isso a meditação é indispensável. Tudo faz sentido. Pode-se observar que em muitas escolas de negócios essas habilidades são ensinadas para que virem competências que o aprendiz exiba no seu dia a dia de relacionamentos, uma vez que somos seres sociais e interdependentes. Foram inúmeros os momentos de reflexão e de conexão com os outros participantes que me esgotaram física e emocionalmente. Ao final do segundo dia, retornei e deitei na cama. Liguei a TV que estava sintonizada num desses canais que apresentam a vida selvagem. O programa explorava a organização de uma matilha de lobos e o processo de aprendizagem a que os filhotes são submetidos. Incrível? Os lobos não têm escola. Os lobos não têm aulas sobre os conceitos de resiliência, de empatia, de interdependência ou da importância de se viver o momento presente. Os lobos tampouco ensinam sobre compaixão e bondade, porém o mais incrível é que eles aprendem. Como?

Os lobos aprendem por meio do exemplo dos pais e dos mais velhos do seu grupo familiar e social. Eles também são animais sociais. E como eles aprendem sem escola? Simplesmente porque os adultos vivem as competências que os filhotes aprendem. Um lobo pai não precisa ensinar ao seu filhote um conceito descrito num artigo científico sobre resiliência ou sobre empatia. Ele será resiliente e saberá ser empático com os demais elementos do grupo no seu dia a dia, porque se ele assim não o fizer colocará a todos em risco. E é isso que o filhote vai aprender. O lobo pai não precisa pegar um texto explicativo sobre o reflexo das suas ações na vida de todos os integrantes da matilha para que o filhote entenda o conceito de interdependência, porque todas as suas ações no momento de uma caçada demonstram o conceito na prática. E é isso que o filhote vai aprender. Um lobo pai não precisa explicar para o seu filhote que é importante estar plenamente presente onde ele se propõe a estar, porque se ele não o fizer poderá não ter outra chance. E é isso que o filhote vai aprender. Os lobos, e os outros animais, simplesmente são o que eles são e estão onde eles estão. E a compaixão e a bondade? Basta observar como eles se relacionam com os filhotes e com os seus semelhantes para se perceber na prática a compaixão por meio de ações atenciosas e a bondade no comportamento íntegro.

E nós, seres humanos, autodenominados como os mais evoluídos do nosso planeta, o que fazemos? Ensinamos conceitos de resiliência, de empatia e de interdependência, mas não vivemos o conceito. Refletimos sobre o grande desafio de não ficarmos presos nem no passado e nem no futuro, mas quase sempre estamos ausentes do presente. E quando ensinamos sobre compaixão e bondade como uma qualidade de liderança não é a incredulidade que acomete a maioria? O que podemos aprender como os outros animais ou reaprender com os nossos antepassados? Que ensinar um conceito é muito diferente do que viver um conceito.

Desse modo, desejo que num futuro não tão distante não se precise mais ensinar nos bancos escolares os conceitos de resiliência, de empatia, de interpendência e, muito menos, da importância da compaixão e da bondade. Por quê? Porque as pessoas simplesmente estarão vivendo os conceitos!

Moacir Rauber
As novidades e possibilidades dos “computadores de comida”

A tecnologia continua surpreendendo com as possibilidades de contribuições para a expansão e melhoria do agronegócio em todo o planeta.

A novidade é que a computação pode transformar a produção de alimentos, controlando crescimento e produção de vegetais e otimizando o  futuro da alimentação humana.

O avanço faz parte de plano do pesquisador norte-americano Caleb Harper. Ele é de família de agricultores, formado em arquitetura e trabalha no setor de pesquisas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, dos Estados Unidos, onde desenvolve o projeto “computadores de comida”.

Pela iniciativa, a tarefa de cultivar pés de tomate ou de manjericão, por exemplo, será semelhante à elaboração de programa de computador, aproveitando e aprimorando alternativas em busca da fórmula perfeita, para a produção de  alimentos mais nutritivos e com maior rapidez.

Os “computadores de comida” são máquinas com sensores, que permitem simulação de muitas condições climáticas, com alterações de temperatura, umidade ou nível de gás carbônico no ar, entre outros fenômenos naturais.

Com dimensões que vão de caixa de 30 centímetros até de galpão tradicional, os sistemas isolados possibilitam aos pesquisadores o entendimento e a eventual correção digital de algo que humanos realizam há milênios, muitas vezes intuitivamente ou tentando intervir na natureza, como é o cultivo de vegetais.

De acordo com o pesquisador, essas possibilidades incluem as condições ideais para o desenvolvimento de planta medicinal e/ou colheita de frutas frescas do mundo inteiro, no local desejado.

O projeto está apenas iniciando e é muito caro, mas promete avanços em pouco tempo e pode mudar o futuro da alimentação humana e animal. Atualmente computadores de produção de alimentos custam 500 dólares, são distribuídos em escolas e outras instituições e só permitem a produção experimental de um tomate por mês, por exemplo.

Segundo o pesquisador, dentro de alguns anos será possível seqüenciar o genoma de cada pessoa, estabelecendo a alimentação ideal para cada consumidor.

Com os “computadores de comida”, será possível produzir maçãs e outras frutas especiais para cada indivíduo, para que realmente se alimente melhor e não apenas acumule calorias, como se fosse máquina.

Com os novos equipamentos, será possível cultivar plantas de forma economicamente viável, inclusive determinando locais do planeta mais indicados para diferentes tipos de vegetais.

Além disso, no futuro, os “computadores de comida” poderão elevar o valor nutricional de alimentos e reduzir a perda de antioxidantes. Na atualidade, a seqüência de DNA de uma pessoa custa milhares de dólares, mas o preço cairá muito até 2030.

Com isso, cada consumidor poderá saber o que realmente necessita incluir ou manter em sua dieta. Com ajuda de “computadores de comida”, se poderá produzir alimentos específicos, como maçãs que aliviam doenças cardíacas.

Para o Brasil, que é nação privilegiada pelas terras muito valiosas, devido à sua fertilidade, topografia e abundância de água, a informação é muito bem vinda.

Os “computadores de comida” permitirão cultivo de cada solo da melhor forma possível, tornando terras mais férteis e produtivas, estabelecendo climas mais estáveis para a maior oferta de alimentos de qualidade e contribuindo para o bem-estar da população local e global.

*O autor é deputado federal pelo Paraná licenciado e chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]
Pedras nos Rins

Este espaço é uma parceria entre o Jornal do Oeste e a Liga Acadêmica de Medicina Interna (LACMI) do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (campus Toledo). Através dessa coluna desejamos expor assuntos de relevância em saúde, para estarmos em contato com a população e tirar suas dúvidas sobre assuntos da área.

O tema de hoje é nefrolitíase, mais conhecida como pedras nos rins, um problema comum que atinge principalmente homens adultos e ainda gera muitas dúvidas. Esta doença sistêmica está correlacionada com obesidade, diabetes mellitus tipo 2 e má absorção intestinal. Ocorre devido a uma supersaturação de produtos da urina que se acumulam nos ductos renais formando, literalmente, pedras que crescem lenta e silenciosamente até obstruírem algum ducto maior causando pouca urina e a famosa cólica renal. A dor da cólica possui início súbito e unilateral, aumenta de intensidade rapidamente, se tornando quase insuportável, sem fatores de melhora e irradia da metade das costas para a pelve, pode ainda estar acompanhada de náuseas e vômitos. Em alguns casos, a urina também se apresenta escura. “Então se minha urina está escura eu tenho pedras nos rins?” Não necessariamente, alguns alimentos como beterraba e carne vermelha, desidratação e exercícios físicos muito intensos também podem deixar a urina escura.

Além dos fatores já citados, a nefrolitíase também está correlacionada com a genética e com fatores da alimentação. Alimentos ricos em proteína animal, açúcar e sódio (ex. refrigerantes) podem aumentar a chance de desenvolver a doença, ao passo que alimentos ricos em cálcio, potássio e diuréticos (ex. café, chás e vinho) reduzem as chances. Inclusive, existe um mito que quem está com pedras nos rins não pode se ingerir alimentos ricos em cálcio como leite e queijo, mas como disse, não passa de um mito. Lembrando que a ingestão de água é um importante fator protetor pois ela ajuda a diluir o acúmulo que está sendo formado no rim, consideramos 2 litros a ingesta diária recomendada. Uma técnica interessante para lembrar de beber água é sempre carregar uma garrafinha consigo, aos poucos se torna automático beber dela.

O diagnóstico e o tratamento deve ser feito em local apropriado para evitar complicações pois existem vários tipos de cálculo e o tratamento pode variar conforme o tipo. Antigamente, nefrolitíase era quase sempre sinônimo de cirurgia invasiva. Hoje em dia, existem técnicas bastante avançadas e menos invasivas, com medicamentos para expelir a pedra ou um procedimento chamado litotripsia por ondas de choque, que não necessitam de cirurgia e reduzem os transtornos associados à doença.

Texto redigido pela aluna Larissa Panatta
Os desafios da recolocação profissional

A perda do emprego é algo que preocupa qualquer pessoa. Alguns ficam deprimidos e outros preocupados sobre o futuro. Mas é o grande momento para se repensar nos rumos da carreira. É preciso também lembrar do fato de que todo o conhecimento e experiência aprendidos anteriormente podem ser muito úteis em outras empresas.

Uma coisa que nunca pode ser jogada fora são os contatos. Muitas pessoas são tímidas e têm dificuldades de fazer networking. Mas ter bons relacionamentos profissionais podem ajudar a ser mais conhecido por outros e auxiliar na recolocação no mercado de trabalho. Sempre tem alguém que conhece um amigo comentando sobre uma vaga. Por isso, mantenha seus contatos atualizados e tenha, se possível, cartão de visita. Mantenha-se à vista de todos.

Estar com o currículo em dia é também essencial para recolocação. Mas não exagere nas informações. Caso comece a enfeitar muito e colocar experiências que não tem, pode ser ruim. A mentira tem perna curta. O entrevistador pode perceber no meio da conversa que aquelas informações no documento não são tão verídicas. Quando se perde a confiança, perde-se tudo. Por isso, não se deve esquecer de que, mesmo se não conseguir vaga naquela entrevista, podem surgir oportunidades futuras talvez na mesma empresa. Portanto, seja verdadeiro.

Cuide também da sua imagem, pois vale mais do que mil palavras. Essa expressão nunca foi tão usada como hoje com as redes sociais. As empresas observam o comportamento dos candidatos nas redes sociais e, dependendo do que vejam, pode influenciar muito na contratação ou não de um colaborador.

Por isso, tenha cuidado sobre o que você publica. Analise sempre que tipo de mensagem suas fotos ou comentários estão transmitindo sobre você. Rede social não é diário pessoal. Todos estão ali vendo, principalmente os recrutadores.

Durante uma entrevista, evite falar demais. Numa entrevista, quando o entrevistador pergunta muito, pode significar que o candidato está falando pouco. No entanto, é importante responder as perguntas de maneira objetiva, sem rodeios, sem falar muito da vida pessoal.  Quando começa a falar muito nesse tipo de assunto, a pessoa pode se desfocar e comentar coisas que não tem ligação com o que a empresa está buscando.

Há outro fator que pode atrapalhar a vida do candidato: o nervosismo. Uma dica é quando for para uma entrevista, tente contar devagar de 1 a 10 ou lembre o número do CPF, de outros documentos ou placas de carro. Esse tipo de exercício mental pode ajudar a se acalmar. A apreensão do momento pode fazer a pessoa falar muito e comentar coisas desnecessárias. Por isso, quanto mais à vontade e tranquila ficar, de maneira mais racional vai agir.

Por último, e mais importante, é a ética profissional. Caso já tenha uma experiência anterior, é importante não citar momentos desagradáveis ou negativos, pois vai acabar comprometendo a imagem da pessoa. Quando estiver comentando de algo assunto anterior, pense muito bem antes de falar. É preciso se focar em coisas positivas e nos aprendizados que teve. Apesar de ser difícil falar só do lado positivo, evite pensar em assuntos negativos. É a sua imagem e o primeiro contato que estão ali. A primeira impressão é a que fica.

Luzimar Rosa, Coach Life e Business do “I Have The Power” no Brasil