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Caminhe na direção da felicidade

O primeiro trimestre de um ano é sempre um momento onde grande parte das pessoas buscam traçar novas metas e objetivos para cumprir nos próximos meses. Promessas como “neste ano vou começar a frequentar a academia”, “vou buscar uma promoção no trabalho” e “vou me alimentar e dormir melhor do que no ano passado” foram pronunciadas, sem dúvida alguma, milhões de vezes pelos brasileiros. Todos esses “compromissos mentais” de início de ano acabam direcionados para um objetivo: ser feliz.

Tão difícil quanto definir o que é felicidade, é saber como atingir a idealização social que temos do que é ser feliz. A definição do termo pelo especialista em psicologia positiva e professor da aula mais concorrida de Harvard, Tal Bem Shahar, diz que a felicidade é, na verdade, a combinação de bem-estar físico, espiritual, intelectual, relacional e emocional. O equilíbrio entre esses aspectos é que irá definir se estamos caminhando em direção aos nossos objetivos.

Bem-estar físico: começamos a pensar em fatores como: qualidade do sono, hábitos alimentares, exercícios físicos. Esse tipo de cuidado básico que o corpo humano necessita para estar em harmonia, muitas vezes são deixados de lado no estilo de vida que vivemos hoje, com multitarefas e inúmeros afazeres que parecem nunca estarem concluídos. É necessário dar a atenção necessária ao bem-estar físico, pois ele será um dos grandes responsáveis pela nossa capacidade de concluir as nossas metas nos demais campos de ação.

Bem-estar intelectual: é também muito importante refletir a respeito do nosso bem-estar intelectual. Analisar se de fato estamos buscando conhecimento em áreas que gostaríamos de ter ou que já temos domínio, mesmo que não estejam necessariamente ligadas a um objetivo profissional. Sentir que o aprofundamento em algum tema está nos trazendo uma construção de sabedoria e conhecimento impacta diretamente na realização de felicidade.

Bem-estar relacional e emocional: no aspecto relacional e emocional, é preciso refletir em como estão os relacionamentos, se o nosso círculo de amizades tem sido algo construtivo e importante, se são pessoas confiáveis e que existe um sentimento verdadeiro mútuo. Um ambiente seguro, onde se possa ser quem realmente é, sem a necessidade de performar um papel que não é seu. Avaliar se você está dedicando um tempo de qualidade para essas pessoas que são significativas na sua vida, estando presente de verdade e se importando com eles da forma correta. Como, por exemplo, desfrutar de uma boa companhia em um jantar agradável sem concentrar os pensamentos em alguma conta para pagar, uma situação estressante do dia ou em mensagens no celular.

Bem-estar espiritual: o bem-estar espiritual é uma avaliação sobre a sua real presença nas atividades que você se propôs a realizar. Estar focado no presente nem sempre é uma tarefa fácil, mas a concentração em desfrutar e aproveitar o momento fará toda a diferença na sua percepção do presente e afetará positivamente suas realizações para o futuro.

É preciso ter um olhar cuidadoso para as sensações do nosso corpo, a forma como você está se sentindo, a vitalidade que você tem tido para realizar as tarefas e demais sintomas que possam surgir e afetar seus objetivos. A partir daí, é possível construir boas metas pessoas e profissionais, focando na direção certa para você quer caminhar neste ano de 2019. Entenda qual é o seu grande objetivo a longo prazo e quais são as pequenas realizações que vão te fazer atingir ele. Traçar metas semestrais, mensais, semanais e diárias que te auxiliem a construir uma possibilidade factível de chegar onde você almeja.

Dentro disso, tem mais uma colocação da psicologia positiva que podemos acrescentar, que o aspecto profissional é uma das esferas humanas, mas que por diversas vezes podemos acabar depositando toda nossa esperança de ser feliz nisso e acabar nos frustrando constantemente. Claro que a realização material é importante e até linhas espirituais vem afirmando que não existe problema em galgar um caminho de conforto, para que tenha uma vida prazerosa e com condições de realizar os sonhos pessoais.

A necessidade de ser feliz que encaramos constantemente na nossa realidade, faz com que estejamos sempre em busca disso e não se pode deixar que os momentos de tristeza, amargura, raiva e sofrimento nos façam desistir do que buscamos. Compreender essas sensações e aceitá-las, faz com que possamos passar pelas dificuldades mais rápido e estejamos mais preparados para construir um futuro como planejado.

*Gustavo Arns é idealizador do congresso internacional da felicidade e coordenador do curso “GBA da Felicidade: Transformando pessoas e organizações”, promovido pelo ISAE Escola de Negócios (www.isaebrasil.com.br
O luxuoso berçário da miséria

 “Quanto mais te cavo, e em ti me aprofundo, mais descubro que em ti não há fundo”. Henrik Ibsen.

O que pode ser muito pior do que a corrupção, esse câncer financeiro e moral que tanto dano causa ao país? Que obra nefasta sepulta mais oportunidades, desemprega mais, afasta maior número de investidores, e desqualifica a educação tanto quanto, ou ainda mais do que os desvios de finalidade a que é submetida?

Refiro-me à irresponsabilidade fiscal. Ela é companheira de um setor público que se agigantou sobre os ombros da sociedade. Aliás, o Estado brasileiro não leu Esopo e sacrifica, todo dia, poedeiras de ovos de ouro. Nos altiplanos da pátria, os poderes de Estado se expandem incessantemente, acumulando uma casca sobre a outra, qual cebola, como talvez a descrevesse Ibsen com a analogia do verso em epígrafe.

Os números da corrupção vão dos milhares de reais aos bilhões de reais. É dentro dos limites bem amplos dessa escala que eles podem ser contados. Já os números do gasto público financiado com endividamento se medem em trilhões de reais. Se amortizados, como deveriam ser, consumiriam metade do orçamento da União; se rolados, custam a cada virada de folhinha, centenas de bilhões de reais. Todo ano, fazem sumir valor muito superior ao da corrupção acumulada em muito tempo.

Uma face visível desse monstro pode ser apreciada nas 12 mil obras paradas (metade das quais sob responsabilidade da União). Mas há outra, mais pérfida, que se expressa na indigência, no abandono e na miséria a que vivem submetidos dezenas de milhões de brasileiros que deveriam ocupar o foco da atenção desse mesmo Estado, desse mesmo setor público. Isso é injustiça que dói na pele da mais tosca sensibilidade.

No entanto, em que pesem os números, chamou-me a atenção a falta de eco, por exemplo, às manifestações de uns poucos novos congressistas por austeridade, por redução das despesas autorizadas e de seus quadros de assessores. Os montantes assim obtidos fazem pouca cócega no fundo em que se cava, para dizer como o poeta norueguês, mas atitude – ah, a atitude! – elegeu Bolsonaro, mobilizou dezenas de milhões, e tem poderoso efeito multiplicador.

Pense na força das poderosas corporações funcionais; pondere o modo leviano como medidas saneadoras dormem nas gavetas de alguns ministros do STF; reflita sobre como, em tantos níveis, o Poder Judiciário e seus órgãos auxiliares expedem determinações que envolvem gasto público sem qualquer cobertura; imagine a barragem que desaba quando 11 ministros majoram os próprios vencimentos; avalie a facilidade com que se criam conselhos nacionais, conselhos superiores, órgãos colegiados, agências nacionais, que logo terão seus palácios em Brasília e extravagantes folhas de pagamento; dê uma olhada no preço final das vinculações e isonomias; atente ao quanto tem custado comprar apoio parlamentar mediante favores prestados com recursos públicos; calcule os preços de deliberações parlamentares arrancadas por lotadas galerias cujo único interesse é enviar a todos os demais a conta de suas postulações.

Vejo no governo e vi em alguns congressistas atitude avessa a isso. Mas falta testemunhá-la no recinto dos grandes privilégios, no âmbito das grandes decisões. Ou seja, no luxuoso berçário da miséria. Diante do Palácio da Alvorada, a escultura “As Iaras” (duas mulheres puxando os próprios cabelos), talvez representem, sem querer, uma antevisão do desespero que, por tanto tempo, se iria abateria sobre sucessivas gerações de brasileiros.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Bebendo do elixir da prosperidade

Voltando de prolongadas e frutíferas férias, estamos de volta... .

Como já dizia o grande sábio oriental Khalil Gibran, amante das tempestades e vendavais, “Gosto dos pequenos montes, pois eles me ajudam a transpor as grandes montanhas”. O novo ano que se anuncia é feito especialmente para estas pessoas, que aceitam desafios, que fazem acontecer, e que principalmente sabem onde querem chegar.

   Neste ano de 2019 prosperarão aqueles que possuírem as características do ser pró-ativo-renovado. Dentre tantas conhecidas encontramos a criatividade, a justiça, a fé, a visão, a harmonia, o amor, a capacidade de inverter situações adversas, a sabedoria de discernir o bom do mau e o bem do mal, o dom de conhecer o caráter das pessoas que o rodeiam, capacidade de reconhecer seus erros e os acertos, a procura pelo desconhecido, a busca pelo inimaginado e principalmente, a mestria em tornar favorável todo aquele obstáculo que possa ter sido colocado em sua vida com a finalidade de lhe prejudicar. 

Se formos analisar nosso dia-a-dia, veremos que tudo o que é feito com esforço e desafio fica muito melhor, e que aquilo que nos dá alegria geralmente é fruto do que antes nos deu tristeza ou ansiedade.

Vou citar alguns exemplos para exercitar nosso campo magnético cerebral, que por muitas vezes por falta de ginástica mental torna-se lento e preguiçoso, o que nos impede de ver o que está bem perto de nós.

A musculatura de um halterofilista, só cresce após anos de exercícios, um corredor de maratona só consegue aumentar suas distâncias após treinar incansavelmente, um boxeador somente se torna apto a lutar após muitos e muitos murros em sacos de areia, uma criança somente aprende a caminhar após muitos tombos, um aprendiz somente aprende a lição quando o mestre lhe manda seguir sozinho, a terra somente fica compactada após ser socada pelo operário, a pele somente suporta o sol após estar bronzeada pelo próprio sol, e assim por diante, o forte é aquele que cresce com as dificuldades.

Minha avó, com toda sabedoria dos seus noventa e quatro anos me dizia, “meu filho, nunca tente barrar uma tropa de bois desgovernada, pois a cada ataque seu, mais desgovernada ela fica”.  Esta frase vem justamente a contemplar o homem renovado deste novo ano, que confiante de seu sucesso aceita com alegria e entusiasmo toda a sorte de desafios e obstáculos que possam lhe ser contemplados. Ele sabe que cada obstáculo serve somente para torna-lo mais forte, dando-lhe maior resistência para conquistar seus objetivos. Este é o verdadeiro significado da expressão “Quanto pior melhor”, pois o forte ama os desafios e fica inconformado com a mesmice.

Resolver problemas é sua alegria, quebrar barreiras seu ideal, conhecer o interior das pessoas sua habilidade, e o sucesso, seu destino final.   

Sejamos, ao longo de 2019 seres realmente humanos. Não humanos nos erros, mas humanos nos acertos. Tomemos da taça do elixir da prosperidade, e não precisaremos prejudicar ninguém para alcançamos nossos ideais de felicidade.

Bebendo desta taça não precisaremos ter inveja, pois estaremos sempre um passo à frente, não precisaremos ter medo, pois para nós o mal não existirá, jamais seremos derrotados, pois fazemos dos obstáculos nossos maiores aliados, não nos preocuparemos com as calunias, pois a verdade sempre vencerá, não padeceremos pela fome, pois a competência nos acompanhará, não aceitaremos a miséria, pois a justiça estará restaurada, não esperaremos a morte, pois a vida nos será eterna, não teremos inimigos, pois eles nada poderão contra nós, não esperaremos a infelicidade, pois a felicidade será como uma fruta madura no pé a espera de ser colhida.

Perguntas pairam no ar; Quem pode desfrutar do elixir? Onde está a taça? De onde ele vem? A resposta é simples. Pare um pouco para pensar... Mais um pouco... Um pouquinho mais... Você já encontrou a resposta?

Não esqueça, você já tem a taça, o elixir está a sua espera, basta querer, basta tentar, você pode!

Eduardo Klaue: Escritor, Mind Coach, Personal Advisor e Articulista. Sócio nas empresas “KLAUE & CIA LTDA. – CONSULTING” e “KLAUE CORRETORA DE SEGUROS”. E-mail:  [email protected] 
Diário de um pinheiro transplantado

Era mais de meia tarde quando deixei a região central do Rio Grande do Sul e ganhei as planícies belíssimas do pampa. Não havia uma viva alma naquela estrada além de mim. Passei Caçapava do Sul prevenida, pois sabia que dali por diante a estrada seria solitária até Bagé. Sem postos de gasolina, sem restaurantes, sem nada.
Nesse trecho as placas indicavam a possibilidade de andar mais rápido, lá o limite é de 100 km/h, diferentemente dos 80 km/h do restante do Estado. Vi alguns cães atropelados, tive que reduzir a velocidade pois alguns cavalos atravessavam e segui adiante. Eu e minha vida empacotada dentro de um gol seguíamos rumo à Rainha da Fronteira, a cidade de Bagé.    
Com muito da cultura gaúcha na cabeça, orientada pelas várias manhãs ouvindo os programas de Ernani Magnabosco; e sabendo das particularidades da estrada e das temperaturas do inverno, graças a coincidência de ter encontrado os gaúchos Jonas e Seila Silveira em uma assistência técnica para notebooks dias antes [coisas de Deus mesmo], cruzei o portal da cidade de Bagé.
Chegando na pensão, entrei no quarto, deitei e adormeci. Acordei já eram nove da noite, e lembrei que precisava ir ao mercado. E lá fui eu, impressionada com o trânsito naquele horário, com a vivacidade dessa cidade tão interiorana. Parei para um café em uma construção antiga e depois achei curioso ver as pessoas tomando chimarrão no mercado enquanto faziam suas compras. 
No dia seguinte resolvi desbravar a cidade. Encontrei um restaurante pitoresco, todo de madeira, parecendo mesmo uma casa de fazenda. Comi pernil de ovelha desossado como nunca antes na vida. Estava estupendo. No caixa, um senhor simpático me chamava de “minha querida” e teceu inúmeras explicações sobre o preparo do pernil.
Ouvi atenta, agradeci e fui embora decidida a visitar o cemitério, que, a meu ver, sempre é um arauto da cultura e história de seu povo.  Fui lembrando do cemitério de Soledade, que além de também ser gaúcho, é interessantíssimo; tem belas torres e jazigos abandonados, fazendo saltar aos olhos um glamour rançoso que já não existe mais. Seja por descaso ou falência, fato é que tudo isso evidencia a efemeridade da vida. Por mais importantes que sejamos, por mais filhos e netos que tenhamos, seremos, um dia, esquecidos.
Cheguei ao cemitério, estava fechado. Tive o capricho de sentar e esperar o horário de abertura. Ao entrar, percebi ser muito mais suntuoso do que eu esperava. Havia mármore, concretos com formas, torres, bustos de falecidos, assinaturas dos mesmos, colunas gregas, santos e anjos. Contendo, também, alas mais modernas e modestas para gavetas, como se faz hoje em dia, nessas sepulturas que são todas iguais, e muitas flores, muitas mesmo.
É um cemitério antigo florido como se os enterros tivessem ocorrido ainda ontem. Caminhei longos minutos totalmente absorta naquele universo. As fotos de belas mulheres sorridentes, homens engravatados, tudo tão invulgar. Retratos de um tempo morto. Cheguei então à sepultura de Preto Caxias, que eu até o momento não conhecia, mas imediatamente percebi se tratar de alguém importante. Havia dinheiro, placas de agradecimento pela graça alcançada, muitas flores, um relevo de mão preta apertando uma mão branca e a frase “Passou pela vida servindo e chorando as desgraças alheias”. 
Depois fui saber que Preto Caxias foi uma verdadeira alma caridosa que habitou Bagé e, reza a lenda, teria apertado a mão da Princesa Isabel quando da sua visita a cidade em 1885 – razão pela qual há o aperto de mãos de etnias diferentes em sua sepultura. Há uma rua aqui com o nome dele, inclusive.
Entre jazigos, sepulcros, sepulturas, gavetas, lápides e cachorros [alguns cães habitam o local], me encantei com o cuidado. Mesmo os jazigos mais antigos ainda tinham cadeados bons, flores secas de não muito tempo atrás, e poucos ou nenhum vidro quebrado. Enquanto os parentes dos enterrados no Cemitério da Recoleta já tentaram fechar inúmeras vezes o lugar para visitação, dada a condição de muitos jazigos, aqui há uma cultura ao passado que casa muito bem com o tradicionalismo gaúcho.
Enquanto isso, um vento frio me descabelava e amenizava o sol forte das duas da tarde. Concluída a visita, caminhei por um corredor de gavetas sem saída. Voltei. Dei de cara com um portão trancado. Passei duas vezes na mesma sepultura. Mais um corredor sem saída. Eu estava perdida no cemitério.
Afrouxei os cadarços do calçado, os meus pés já estavam doloridos. Mentalizei Preto Caxias, que se já ajudou tanta gente, me desse uma força para achar um rumo. Estava começando a ficar desconfortável tudo aquilo. Eu tinha a sensação de estar perdida há horas. Passei pela terceira vez em uma mesma sepultura e resolvi me concentrar. Enfim, achei a saída. Entrei no carro e me dei conta de que havia passado não mais do que 20 minutos procurando. Mas para quem é vivo, estar preso no meio da eternidade dos mortos por 20 minutos já é tempo demais.

Amanda Salvador tem 24 anos, é toledana e estagiária da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé.
Renan Calheiros e a velha política

A candidatura de Renan Calheiros começou a ruir na sexta-feira (01/02), quando o jovem presidente da sessão preliminar submeteu à deliberação do plenário o voto aberto.  Dos 52 votantes, apenas dois foram favoráveis ao voto secreto. Onde estavam os demais 29 senadores? Viu-se ali que o candidato do MDB teria no máximo 31 dos 41 votos necessários. Para mantê-los e conquistar mais alguns ao longo do processo de votação foi preciso tirar Toffoli da cama na madrugada (alguém aí acredita nisso?) para sentar-se ao teclado e digitar um calhamaço inteiro decretando a nulidade da decisão tomada pelo Senado.

A interferência do STF pesou contra Renan e aumentou a pressão das redes sociais sobre os senadores. Isso é fato novo, impensável e incompatível com as rotinas da velha política. O direito de manifestação se democratizou, se digitalizou, e bate no telefone que vai no bolso do deputado, do senador, ou na rede social onde esteja seu perfil.

Durante a sessão de sábado, Renan buscou estancar o vazamento que lhe produzia a atitude serena, austera e adversária da colega Simone Tebet. Quanto mais ele se perturbava, mais ela crescia. A distinção da senadora funcionava como libelo acusador para ele e para os seus. Um torturante sinal de contradição.

O fatigante discurso de Renan como candidato cuidou de buscar simpatias na base do governo. No que disse, ninguém ali estava tão comprometido quanto ele com as reformas necessárias ao país. Na presidência do Senado, seria o poderoso senhor das reformas. No que não disse, sabiam todos: ali estava, investigado em muitos processos, o senhor das impunidades e a mão amiga quando os fantasmas do passado fazem soar a campainha às seis horas da manhã. A insistência de muitos senadores, entre os quais se destacava o gaúcho Lasier Martins, apelando para que os votos fossem declarados ou exibidos, pesava, porém, contra seu projeto de poder.

Ao retirar seu nome e deixar o plenário, aparentando uma dignidade que lhe falta, condenando como antidemocrática a decisão soberana dos próprios colegas, em votos contados, imaginando talvez como abusivo o fato de o público ter opinião e ser ouvido pelo plenário, Renan encerrou um capítulo da velha política ainda aberto por sua reeleição em Alagoas.

De início, antipatizei com o nome “velha política”, usado para designar práticas falecidas nas eleições de outubro passado. No entanto, os episódios desta abertura de ano legislativo no Senado Federal evidenciam a mudança que esse nome designa. Renan precisava do sigilo. Do segredo. “Meu segredo é meu” (Secretude meum mihi”, dizia-se em latim). A porta da sociedade de celerados, contudo, foi arrombada. O abracadabra foi ouvido e a caverna aberta.

Em A Divina Comédia, Dante adverte que “a vontade, se não quer, não cede, é como a chama ardente, que se eleva com mais força quanto mais se tenta abafá-la”. Foi exatamente o que vimos. À medida que as intenções de voto eram manifestadas, sumiram os de Renan. E o Brasil, esse Brasil que volta aos brasileiros, se tornou um lugar um pouco melhor.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Os muitos males do aquecimento global no passado e no futuro

Aos que creditam as ameaças do aquecimento global a eventuais exageros e equívocos da humanidade, vale lembrar que o planeta Terra já enfrentou esse tipo de fenômeno há muito tempo, com enormes danos à vida animal e vegetal.

Conforme pesquisa de Curtis Deutsch, cientista da Terra, da Universidade de Washington, dos Estados Unidos, coautor de novo estudo publicado na revista Science, há cerca de 252 milhões de anos, o planeta foi quase destruído pela elevação das temperaturas.

Segundo o especialista, na oportunidade, 96% de todas as espécies vivas dos oceanos foram extintas e entre as terrestres, apesar das dificuldades de determinar danos com exatidão, as perdas certamente foram semelhantes.

Essa extinção em massa da vida animal e vegetal do planeta teria ocorrido no final do período Permiano, considerado o pior da história da Terra e se estendeu por milhares de anos, o que significa muito pouco tempo para a geologia.

Em dezembro do ano passado, equipe de cientistas da universidade divulgou relatório detalhado e atualizado, sobre como a vida marinha foi atingida durante a extinção em massa do período Permiano-Triássico.

De acordo com o estudo, o aquecimento global da época eliminou o oxigênio dos oceanos, tirando a vida de muitas espécies. O temor dos cientistas é que esse trágico processo esteja se repetindo, com mudanças climáticas e novo evento catastrófico.

Eles afirmam que há tempos conhecem os contornos gerais do cataclismo da época, iniciado com erupção de vulcões em grande escala, na região onde atualmente está a Sibéria, criando situação que se espalhou por todo o planeta.

Na época, o magma e a lava expelidos produziram enormes quantidades de dióxido de carbono, que na atmosfera acumulou o calor. As estimativas são de que a superfície dos oceanos foi aquecida em 4,4 ºC, calor suficiente para matar muito animais.

Outros cientistas acreditam que o calor excessivo reduziu o oxigênio nos oceanos, asfixiando espécies marinhas, pois rochas da época da extinção em massa parecem ter se formado quando, pelo menos parte dos mares estava sem oxigênio.

Ocorre que se a água morna dificulta a sobrevivência de espécies vivas, pois aumenta o metabolismo de animais, exigindo mais oxigênio para mantê-los vivos. Já a água mais quente perde mais oxigênio dissolvido do que quando a temperatura era normal.

Quando os vulcões siberianos inundaram a atmosfera com dióxido de carbono, toda a atmosfera e os oceanos se aqueceram e a água pobre em oxigênio foi depositada no fundo dos mares, que em pouco tempo se tornaram letais.

As temperaturas crescentes e o pouco oxigênio deixaram inabitáveis enormes áreas oceânicas. Algumas espécies sobreviveram em determinados locais, mas a maioria desapareceu.

Conforme especialistas, mesmo que apenas teórico, o estudo representa alerta importante para os seres humanos ao longo dos próximos séculos, ainda que vulcões siberianos tenham liberado muito mais dióxido de carbono na atmosfera do que jamais foi emitido pela queima de combustíveis fósseis, o que felizmente está em processo de redução.

Mesmo assim, o carbono produzido na Terra nos últimos dois séculos já teria deixado a atmosfera e os oceanos mais quentes, reduzindo  os níveis de oxigênio em 2%. Mesmo se tratando de teoria, o tema deve ser refletido e analisado por todos aqueles que dependem da preservação da natureza para sobreviver, como os produtores rurais. 

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]
Quero mudar de área. E agora?

Quem não passou a adolescência ouvindo a palavra “vestibular”, talvez ainda esteja imune às várias armadilhas que o tempo revela. Se a carreira é uma delas, esse texto é para você. Afinal, o que considerar ao mudar de carreira? O dilema de muitos é que, aos 17 anos, nos deparamos com algumas decisões que nem mesmo aos 27 estamos tão certos sobre qual caminho tomar. De qualquer maneira, somos ensinados a fazer "o que gostamos". Mas se você foi ensinado a escolher o que te agrada desde o início, você pode se perguntar: "como vim parar aqui"?

Faço parte da geração Y, um grupo orientado pela satisfação profissional, talvez acima da busca pela própria estabilidade. Quando ingressamos no mercado de trabalho, nosso perfil profissional surpreendeu as gerações anteriores e fomos celebrados pela nossa versatilidade, conectividade e senso de autonomia.

Hoje, minha visão sobre o nosso perfil é menos romântica quanto ao mercado que construímos. Tivemos - e ainda temos - um oceano de escolhas, de cursos, de carreiras, de trabalhos informais como freelancers e até de materiais gratuitos na web capazes de nos ensinar a executar qualquer habilidade que venhamos a precisar, mas isso tem consequências.

Esse mundo de possibilidades nos torna constantemente insatisfeitos e instáveis quanto ao nosso curso profissional e pessoal. Mudamos de ideia o tempo todo, porque nos foi intitulado o direito de fazê-lo sempre que conveniente. E isso nos privou de uma linha norteadora que agregaria a construção, ao invés da dispersão na qual tantas pessoas da minha geração se encontram em tantos aspectos da vida.

Podemos e devemos explorar as possibilidades de trabalho, mas temos que fazer essas experiências serem construtivas, e não ferramentas de procrastinação. Estamos deixando de construir carreiras sólidas e adquirir real consistência para as nossas vidas? Pelo contrário. Permanece o valor do trabalho com propósito, de buscar aquela carreira que realmente dialoga com nossos valores e habilidades que são só nossas. Vamos construir nossa linha norteadora a partir disso, mesmo que isso signifique buscar uma nova área de atuação.

Além do mais, a maneira como a civilização moderna está organizada faz com que estejamos trabalhando o tempo todo. Sem falar no cenário econômico brasileiro, que, para todos os efeitos, criou uma verdadeira cultura de desapego de empresas, equipes e modelos de trabalho. Então, por que não estamos trabalhando naquilo em que realmente acreditamos?

Mas dessa vez, sem pensar em vestibular. Vamos nos apropriar desse universo de informações, dessa cultura colaborativa, das nossas experiências anteriores (mesmo que em uma área distante da desejada) e construir, com autonomia, foco e objetividade, a vida que desejamos. Não porque estamos procurando algo mais legal para fazer, mas porque queremos dar à nossa força de trabalho, acima de tudo, um verdadeiro significado.

*Marianna Greca é publicitária por formação e coordena a frente de Formação Complementar do Centro Europeu, uma das principais escolas de profissões do mundo
Pobreza e educação

O Brasil ainda é um país pobre. Pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil está na posição 79 entre 171 países. Dividindo a produção nacional pela população, o produto por habitante aqui equivale a um quinto do que é nos Estados Unidos. A explicação sobre por que um país se desenvolve e outro se mantém no atraso e na pobreza, ainda que em condições naturais parecidas, não é simples nem é fácil. Um desafio da ciência econômica tem sido formular uma teoria que consiga explicar as bases e as leis do desenvolvimento econômico.

Até a Revolução Industrial (1750-1830), a sobrevivência humana era retirada da terra e dos recursos naturais, e as obras do pensamento explicavam a produção de riqueza basicamente a partir da contribuição da natureza. Até então, não havia crescimento do produto por habitante, todo crescimento advinha do crescimento da população. Após o surgimento do motor a vapor, do trem de ferro e das máquinas industriais, os estudiosos começaram a examinar a contribuição dos bens de capital na produção e na produtividade-hora do trabalho.

A segunda revolução industrial moderna (1870-1900) nos deu o motor a combustão interna, a indústria do petróleo e a eletricidade, fez a produtividade explodir e gerou o assombroso crescimento econômico dos países que adotaram as novas tecnologias e o novo modo de produção. Foi por volta da metade do século 19 que surgiu o conceito de subdesenvolvimento, para identificar as nações que miravam o novo padrão de consumo, não conseguiam assimilar o novo modo de produção e tinham padrão de bem-estar aquém do alcançado pelas nações adiantadas.

Com o prosseguimento do progresso da ciência e da tecnologia a partir dos anos 1900, o processo produtivo começou a demandar trabalhadores mais qualificados, e foi necessário aumentar a abrangência da educação básica e do treinamento profissional. Nos anos 1950, foram aprofundados os estudos sobre a contribuição da educação para o aumento da produtividade e para o crescimento econômico. Foi quando se descobriu que o fator educação passou a contribuir mais para a produtividade do que os recursos materiais.

De lá para cá, todos os países que se desenvolveram e desfrutam de elevado padrão de vida investiram pesadamente na educação básica, em primeiro lugar, e na educação profissional superior, na sequência. Quando eu era estudante do curso de Ciências Econômicas, ouvi discursos de professores que, embora eu fosse inexperiente, me pareciam muito estranhos. Eles diziam que a universidade não devia educar para o mercado, pois isso seria mercantilizar a educação, mas sim formar cidadãos críticos e reflexivos.

Eu, que tinha o objetivo de adquirir uma profissão e me qualificar para progredir na carreira e no salário, certo dia confrontei um professor que demonizava o mercado, dizendo-lhe: o mercado nada mais é do que o encontro de alguém com uma necessidade com alguém que tem a solução; de um homem com fome com outro que produz feijão; de uma pessoa com inflamação no corpo com outro que sabe curar. Ora, se meu curso não me habilitar a ser bom profissional, ele não me serve frente à minha maior carência: fugir da pobreza.

Atualmente, a superação da pobreza depende de elevado nível de educação básica, boa formação profissional obtida em curso superior ou técnico, além da atualização constante diante da evolução da ciência e da tecnologia. Isso vale para o indivíduo e vale para a nação. Apesar das dificuldades na elaboração de uma teoria completa sobre as causas do desenvolvimento, o mundo já conhece os fatores essenciais do progresso material e do bem-estar que dele decorre.

A educação não é o único fator a determinar o desenvolvimento, mas é o principal. Há outros fatores, como os naturais, os sociais, os políticos e o sistema econômico. É claro também que a educação tem o papel de educar o indivíduo para a cidadania, que é a maneira como nos relacionamos com a natureza, o meio ambiente, os semelhantes e a sociedade, mas o papel inicial e essencial da educação, especialmente a superior, é prover o estudante de uma profissão para ser bem-sucedido em mundo complexo e de mudanças constantes.

*José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo
Sucessão nas corporações: herdeiro ou sucessor?

Pesquisas apontam que 98% das empresas brasileiras são fundadas por famílias. As corporações, geralmente, surgem a partir de uma ideia, um projeto ou uma necessidade de um indivíduo que a desenvolve e inicia uma organização.

Depois de 20 ou 30 anos de fundação é chegada a hora de ‘passar o bastão’. De minha experiência no segmento, a cada 100 empresas que são desenvolvidas no Brasil, apenas 30 sobrevivem na segunda geração, somente 13 chegam até a terceira e 5 passam para a quarta geração. Os números realmente são assustadores. É por isso até que ouvimos aquele ditado no meio corporativo: “A primeira geração constrói, a segunda consome e a terceira destrói”.

Mas mesmo possuindo um perfil familiar, essas empresas possuem conceitos diferentes. Destaco três deles que são comuns e relevantes: o primeiro e o mais conhecido é a empresa familiar, que existe para sustentar a família e estão preocupados com luxo e caprichos, além da delapidação dos patrimônios herdados; o segundo é a multifamiliar, quando a corporação que é administrada por várias famílias; e a terceira, família empresária, que surgem para competir no mercado.

Enquanto na primeira existe o choque e conflito entre gerações, na terceira é evidente observar muito mais compreensão e apoio entre as gerações. Neste caso, o status da família irá variar de acordo com as possibilidades da organização. Eles pensam, principalmente, na agregação contínua ao valor do negócio, na manutenção do patrimônio e no crescimento e manutenção do patrimônio.

E quando chega a hora de passar o bastão? É o momento de decidir por um herdeiro ou sucessor. A sucessão é um problema tanto para uma empresa familiar ou não. Quando se tem uma empresa de grande porte, por exemplo, isso torna-se bem complicado.

É necessário realizar um planejamento chamado ‘plano de sucessão’, que é longo porque muitas vezes significa ter que formar estas pessoas que irão assumir determinadas posições. Muitas vezes o indivíduo tem potencial, mas precisa desenvolver outras habilidades para a ‘cadeira’ que irá assumir.

O herdeiro recebe de presente, tendo ou não talento, já o sucessor, é aquele que irá administrar tecnicamente e profissionalmente a companhia. Claro, herdeiro e sucessor podem estar na mesma figura. Posso citar um exemplo. No caso de minha empresa, foi desta forma que aconteceu. Meu filho é o herdeiro e sucessor. Foi o escolhido para ser o gestor, mas em um processo de sucessão que levou três anos. Desta forma, caso o herdeiro seja o escolhido, algumas situações precisam ser observadas: o herdeiro só deve entrar na corporação se houver vaga ou se gerar uma vaga na empresa; ele terá que obedecer os mesmos critérios em que os recursos humanos praticam para outros profissionais no ingresso na corporação. Se nesta posição é necessário inglês, o indivíduo precisa falar inglês e mais ainda, terá que receber a remuneração de qualquer profissional daquela função.

Na verdade, o que precisamos ter é o conceito profissional. O ideal é que o herdeiro não atue diretamente com parentes. Ele poderá começar como estagiário, ser testado antes de assumir um cargo de chefia na organização.

Chega um momento que, psicologicamente, o herdeiro começa a ter interesse pelo negócio. É muito difícil colocar em prática a sucessão se o filho não tiver interesse na corporação.  A conversa franca com os filhos sobre a passagem da direção da empresa é muito importante neste processo.

E aí entra uma regra de ouro: não esperar morrer para transmitir a herança. Até porque muitos dos colaboradores, de vez em quando, têm ataques de imortalidade, de que todo mundo vai morrer, menos ele.

A sucessão na verdade é um processo e não um determinado evento. Não existe: Hoje é o dia da sucessão! O indivíduo vai entrando na empresa, assumindo responsabilidades gradualmente, conhecendo o negócio, as pessoas, os clientes, fornecedores, bancos, enfim, ele já assumiu, mas em um processo, e não de uma só vez.

Agora quando existe mais de um interessado na família, por exemplo, dois irmãos querendo esta posição de sucessor ou não existe um filho interessado, como fazemos?

A solução, se for da família, é realizar um Assessment, de preferência com uma empresa de consultoria externa. O programa irá possibilitar à empresa uma visão aperfeiçoada e detalhada de seu capital humano, de suma importância em um processo sucessório.

Além do que, se terá bastante independência de raciocínio para julgar, e obviamente, aquele que tiver melhor resultado será o escolhido.

No caso de não termos um herdeiro sucessor, o processo será com a contratação de um sucessor, com candidatos externos. E quando não acontece, o processo deve ser com candidatos externos para se chegar ao sucessor. Um headhunter, por meio de processos, pode identificar o melhor perfil para o cargo.

*Bernt Entschev é conselheiro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Paraná), headhunter e fundador da De Bernt.
Prazo para apagar incêndio?

O governo recém-empossado tem o desafio de enfrentar uma forte crise das contas públicas, cujo auge aconteceu em 2015, quando o déficit nominal chegou a 10,2% do PIB, vindo de 2,3% em 2012 e com previsão de fechar 2018 com 7,3%. Um recuo importante, fruto de reformas já implementadas nos últimos dois anos, como a Lei do Teto dos Gastos. Para que essa trajetória se sustente e possa continuar, todavia, é imprescindível que outras medidas sejam implantadas, a começar pela reforma da Previdência, para desarmar uma verdadeira bomba-relógio fiscal. Representando já mais da metade dos gastos públicos primários, aposentadorias e pensões constituem de longe a maior fonte de desequilíbrio das finanças do governo.

A discussão que se estabeleceu é sobre a pressa de implantar as mudanças. Certamente tudo que não for feito hoje será mais caro amanhã. Além de deixar o país mais vulnerável a choques, como nos mostrou o recente exemplo da Argentina, onde o presidente Mauricio Macri criou um plano para modernizar a economia do país e formou equipe altamente qualificada. Imaginou, porém, que teria condições favoráveis para implantar as medidas gradualmente. Só não contava com a quebra da safra agrícola e com a deterioração das condições externas, que desencadearam um ataque especulativo à moeda do país, derretendo conquistas importantes do seu governo e obrigando-o a bater às portas do Fundo Monetário Internacional para evitar a insolvência. Machiavel já havia alertado que o mal se faz de uma vez, e não aos poucos. É no início do governo, antes da deterioração do capital político.

Exemplos de outros países mostram que os esforços para superar crises fiscais com cortes de gastos públicos valem a pena, ao contrário dos que buscam a solução no aumento de tributos, que não passa de maquiagem tóxica.  A Dinamarca, por sua vez, demonstra que a escolha não deve ser entre Estado grande ou pequeno, e sim entre obeso ou musculoso, entre eficiente ou ultrapassado.

É hora de apagar incêndio. Pedir prazo numa hora dessas não parece razoável.

Carlos Rodolfo Schneider, empresário e coordenador do Movimento Brasil Eficiente