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O abismo entre Enem e STEM

“Por que eu tenho que aprender isso?”. A questão, tão comum em salas de aulas e corredores dos colégios, é feita por muitos alunos para buscar razões para aprender disciplinas com as quais têm maior dificuldade. E, na forma como podemos respondê-la, está um dos caminhos para se resolver uma adversidade observada nas médias das notas dos participantes do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2018.

Dados divulgados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) sobre a prova aplicada no ano passado revelaram um discreto crescimento nas médias das notas em todas as áreas do conhecimento, exceto uma: Ciências da Natureza. A nota média em física, química e biologia teve retração de 510,6 para 493 pontos.

Justamente em três das quatro matérias que compõem a área STEM (acrônimo em inglês usado para designar Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática - Science, Technology, Engineering, and Mathematics). Já a média das notas de Matemática subiu de 518,5 para 535,5. O aumento em cerca de 3%, porém, pode não representar uma melhora factual na absorção de conhecimento por parte dos estudantes.

A consequência direta pode ser observada em levantamento sobre a formação acadêmica brasileira na área STEM. Dentre 46 países onde a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) realiza estudos, o Brasil é apenas o antepenúltimo em geração de profissionais aptos a atuar em mercados de trabalho como animação, arquitetura, design, tecnologia, biomedicina, computação, engenharia e tantos outros: apenas 17%.

Apresentar a mecânica do mercado de trabalho na esfera do diálogo, porém, pode não ser suficiente como método de convencimento. É preciso um sistema envolvente, cujo formato atraia o aluno e mostre na prática, com auxílio dos professores, para que serve o que estão aprendendo. Para isso, é necessário oferecer soluções para o docente aprimorar os resultados de aprendizagem dos alunos. Assim, criar, no “produto final”, a percepção de como funciona a teoria quando colocada em prática.

Com um pouco de ajuda estruturada, os docentes podem trabalhar os conteúdos previstos na Base Nacional Curricular Comum, desenvolver habilidades requisitadas para os profissionais do futuro e aumentar a autoestima dos alunos simplesmente dando-lhes a oportunidade de aprenderem também na prática, experimentando, pensando e resolvendo problemas que mudarão o mundo deles e da sociedade.

As Ciências da Natureza, como o próprio nome diz, envolvem conhecimentos conectados com a natureza, com a vida, com a saúde, a tecnologia e até mesmo a exploração espacial. Para resolver problemas nestas áreas é necessário trabalhar não apenas conhecimentos teóricos, mas também habilidades que envolvam soluções de questões, trabalho em equipe e criatividade. Raramente os alunos encontram esses elementos em uma sala de aula. Se seguirmos com o mesmo modelo de aula tradicional em ciências, os resultados serão os mesmos ou ainda piores, como ocorreu neste ano.

(*) Marcos Paim, professor e diretor do programa STEM Brasil da ONG Educando.
Violência no âmbito escolar: o agressor e a vítima

A violência entre os jovens e adolescentes tornou-se um desafio para as instituições de ensino, com prejuízos para os diversos envolvidos: agressor e agredido, professores, pais e, porque não dizer, toda a sociedade. A falta de estrutura para combater a violência e tomar medidas preventivas tem como consequência o comprometimento físico, emocional e social de todos.

Para ajudar na busca de soluções, tanto a curto quanto a longo prazo, o Estado e as instituições de ensino precisam compreender as adversidades da violência, que ultrapassam os limites do muro da escola. Assim, se faz necessária uma investigação das concepções de mundo no século 21.

A comunicação de massa e o avanço dos meios tecnológicos, por exemplo, provocam sérias alterações nos comportamentos, serviços e produtos. Há um comprometimento da ordem social e uma dissolução da identidade do ser humano.

Os discursos cinematográficos – das telenovelas, telejornais e desenhos animados –, provocam a banalização dos sentidos. Diante do global, objetos, acontecimentos e pessoas locais tornam-se insignificantes.

A sociedade desvela uma multiplicidade de desejos, prazeres e personagens raramente acessíveis à maioria da população brasileira. Nesse entusiasmo delirante que a economia neoliberal proporciona, em busca da felicidade via posse de bens, os jovens são os mais afetados.

O mundo globalizado e o capitalismo impactam todos os atores que participam do processo educativo e da sociedade em geral. Logo, é preciso estabelecer, junto às instituições de ensino e de gestão, um novo paradigma. Para isso, é necessário conhecer os aspectos que levam cada vez mais jovens a se envolverem em práticas violentas ou perigosas, resultantes dos processos históricos e da expressão política.

Com isso, é possível construir a base material para uma revolução epistemológica e uma nova concepção de educação. Não apenas considerando a interdisciplinaridade, o pensamento complexo e as diversidades culturais, mas compreendendo também o espaço que a violência ocupa nas práticas educativas.

Diante de tal situação, é preciso buscar respostas para a violência. Fazer uma análise sobre os fatos, encontrar soluções convincentes para as atitudes contestadoras desses alunos, que se mostram como um dos maiores desafios a serem enfrentados pelos educadores.

Genoveva Ribas Claro, coordenadora do curso de Psicopedagogia do Centro Universitário Internacional Uninter.
Livre concorrência até na taxa do Detran

Desde o final do ano passado, o tema “livre concorrência” está em pauta no Detran-PR. Para um veículo ser adquirido por meio de financiamento é necessário fazer o gravame, registrando no Detran que o veículo está alienado ao financiador. Essa comunicação com o órgão é feita por uma empresa que, no Paraná, é executado praticamente por uma só companhia que parece deter 90% dos registros e cobra R$ 350,00. Esse valor é 201% mais caro do que o que se cobra no estado de São Paulo, onde o consumidor desembolsa apenas R$ 116,09 pelo registro de um financiamento.

A taxa que um comprador de veículo paga no Paraná é bastante relevante, pois representaria, por exemplo, metade de uma parcela de financiamento, se considerarmos uma compra 50% financiada de um carro de R$ 40 mil em 48 meses, com juros de 1% ao mês, em que as prestações ficariam em R$ 526. Deve-se lembrar que, no momento da compra, o consumidor precisa também pagar o emplacamento do veículo e, quando se soma tudo, corre-se o risco da compra ficar inviável para o bolso do comprador.

Agora paramos para pensar: o que faz com que se cobre um produto 201% mais caro que outro? Marca? Qualidade? Tradição? Diferença nos impostos envolvidos? Pode ser. Mas neste caso, o produto é exatamente o mesmo, uma commodity no mercado financeiro. Ou seja, é injustificável o consumidor paranaense estar desembolsando 201% a mais que o paulista apenas pelo fato de não ter outra opção.

Além de maior transparência, a livre concorrência permitiria um melhor acesso das pessoas ao mercado de veículos, incentivando uma queda no custo do serviço de registro de financiamento no Detran, com empresas mais eficientes do que a que atua no momento. Sem livre concorrência, nenhuma inovação torna-se possível. Alguns sofrem, pois negócios morrem, empresas fecham e muitos perdem não apenas seus empregos, mas também suas profissões.

Não há como negar que é inimaginável viver sem algumas inovações (energia elétrica, lâmpada, computador, smartphone, etc.). Entretanto, uma inovação não precisa ser um produto diferente, pode ser apenas uma nova maneira de fazer o mesmo, de forma mais eficiente e mais barata, que permita o acesso de mais pessoas a algum produto ou serviço. Além disso, torna-se bastante difícil uma sociedade não entrar em colapso econômico sem livre concorrência e livre iniciativa econômica. Até mesmo em nossa constituição, no artigo 170, esse tema é abordado: “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa...”.

A discussão que permeou o Detran/PR nos últimos meses é importante não apenas para que fique mais barato para o consumidor adquirir veículos financiados, mas também para que seja abordado o tema de livre concorrência. Esperamos que tomem a melhor decisão para o consumidor e que isso seja um incentivo para que aumente a concorrência leal em outras áreas da economia paranaense. Os consumidores agradecem.

* Raphael Cordeiro é consultor de investimentos, sócio da Inva Capital, autor do livro “O Sovina e o Perdulário” e professor de Pós-Graduação da Universidade Positivo.
Como abrir o Brasil ao comércio internacional como deseja Bolsonaro?

No Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil tem uma economia relativamente fechada ao comércio internacional. Isso me fez refletir porquê estamos nessa condição.

Somos um país continental. Temos espaço, solo fértil, mão de obra farta. Tanto potencial e ainda somos muito menos do que poderíamos ser. Talvez essa abundância toda seja justamente um dos problemas. Preocupações com o comércio exterior geralmente são muito maiores em países com pouca extensão territorial, que não conseguem construir fortunas apenas com o mercado interno. Esse é um dos pontos que tornam o Brasil culturalmente menos propenso a buscar a economia externa.

Contudo, além de uma visão extremamente restrita e limitada, vemos que manter as portas fechadas está nos fazendo empobrecer. A soma de comodismo com má gestão estagnou o Brasil em um cenário onde se morre de fome com o prato de comida na mesa.

Seguindo essa linha de pensamento, fechados em nossa "bolha", não buscamos nos adequar aos padrões internacionais, tanto em qualidade de produtos quanto de serviços. Não importa o quanto países do mundo inteiro se reúnam para construir um manual, uma certificação de melhores práticas. O Brasil tende a ignorá-los. Nos sentimos auto suficientes a ponto de ignorarmos não só o comércio exterior, mas também todas as oportunidades de crescimento que esse intercâmbio é capaz de trazer.

Não é a toa que existem certificações mundialmente reconhecidas. Essas práticas são exaustivamente discutidas e testadas, podendo demorar mais de 10 anos entre o início do estudo e a prática para garantir os requisitos e padrões de conformidade/qualidade. Elas garantem não só a sobrevivência como também o crescimento da empresa, visto que criam oportunidades para a expansão dos negócios.

Infelizmente, por aqui, essas certificações são pouco valorizadas. Ainda prevalece o velho pensamento de “por que se preocupar com o que eles acham, se nosso solo garante a riqueza de tantas empresas?”. É um pensamento preguiçoso e enraizado na nossa cultura empresarial. A maioria não quer as dores de cabeça de ter de se adequar, se reciclar e melhorar suas práticas de gestão. Pensam que é trabalhoso, custoso e que não compensa.

Ledo engano. Agora, mais do que nunca, sentimos os efeitos desse comodismo na forma de crises econômicas e dificuldades de relações comerciais com outros países. Não somos um país fechado para o mundo no papel, mas na prática não saímos de nosso quintal. Muito disso vem de uma cultura protecionista, que se preocupou em se desenvolver internamente, mas se esqueceu que conhecimento e progresso se constroem em conjunto, num ambiente de troca.

Inicialmente, o Brasil investiu na indústria e meio que parou por aí. Por diversos outros motivos políticos, acreditou que só isso seria suficiente para ir longe e manter o crescimento. Hoje, pagamos um preço alto por essa falta de visão. Precisamos correr contra o tempo para atender aos padrões internacionais e criar uma base econômica sólida e menos dependente do consumo interno.

A única alternativa para o governo Bolsonaro cumprir o que prometeu em Davos está justamente em incentivar economicamente que se mude essa cultura empresarial. Precisamos estimular o comércio internacional, mas antes de mais nada, estar organizado para encarar a preparada concorrência que encontraremos lá fora. Temos que falar a língua das normas mundiais. A saída está em uma gestão mais eficiente e com padrões que atendam às melhores práticas internacionais.

Alexandre Pierro é engenheiro mecânico, bacharel em física aplicada pela USP e fundador da Palas, consultoria em gestão da qualidade e inovação.
Educação: a grama tão verde do vizinho

A Alemanha está nos noticiários por aprovar jornada de trabalho de 28 horas semanais, porém, ao lançar o olhar para este país outro dado me chama a atenção: o investimento em pesquisa e desenvolvimento. Dados de 2016 mostram que o governo federal e os setores econômico e científico alemães investiram 2,94% do Produto Interno Bruto em pesquisa e desenvolvimento contra 2,03% dos outros países da União Europeia e gerando um abismo quando comparado ao Brasil, que em 2015, investiu 0,63%, o equivalente a R$ 37,1 bilhões contra os 92,2 bilhões de euros da Alemanha.

Porém, mesmo sofrendo de um problema que nos é familiar: a mobilidade social (um aluno pertencente às classes sociais mais baixas terá poucas oportunidades para ascender socialmente em relação aos seus pais), o “pulo do gato” dos alemães atualmente está na atenção dada a transição do aluno ao mercado de trabalho.

Segundo uma pesquisa da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o nível de desemprego entre adultos que se formaram no ensino secundário em um curso técnico chega a apenas 4,2%. Já para jovens entre 15 e 19 anos que não estão estudando ou trabalhando chega a 8,6%, um dos menores níveis entre os países-membros da organização. Além disso, eles têm uma classe média forte, com 58% da população ganhando entre € 2.400 e € 5.000, mesmo profissionais que se formam somente no ensino secundário têm um poder de compra considerado socialmente satisfatório, o que mantém a economia aquecida.

Investimento em pesquisa e desenvolvimento aliado a programas de aprendizagem que auxiliem na inserção dos jovens no mercado de trabalho nos distancia ainda mais da realidade alemã. Mas como podemos diminuir essa distância já que a projeção de investimento nessa área não nos é promissora? Devemos e podemos promover parcerias internacionais e incentivar o investimento da iniciativa privada para o preparo de nossos jovens para a profissionalização.

Como professor e gestor de uma instituição de ensino, sou inquieto e procuro sempre trazer inovações para a sala de aula. Hoje, mais do que nunca, é fundamental buscar continuamente a troca de conhecimento entre players internacionais e com as iniciativas globais, como a Organização das Nações Unidas (ONU). A sala de aula mudou. Nela, temos que incentivar os alunos a serem sedentos por conteúdos extraclasse, cases de sucesso e, principalmente, experiências reais. Quem não se desprender da teoria, ficará estagnado em um mercado profissional cada vez mais dinâmico.

A dimensão global do Dia Internacional da Educação, celebrado neste dia 24 de janeiro, serve para refletirmos sobre seu real significado. Se não podemos investir, devemos não só abrir as fronteiras para a pesquisa científica como incentivar convites para parcerias em prol da sustentabilidade das nações em todas as suas nuances, sejam elas de primeiro mundo ou não. Quem sabe um dia, com muita criatividade e inspiração, chegaremos no padrão alemão.

*Norman de Paula Arruda Filho é Presidente do ISAE Escola de Negócios, conveniado à Fundação Getulio Vargas, professor do Mestrado em Governança e Sustentabilidade do ISAE/FGV, e Coordenador do Comitê de Sustentabilidade Empresarial da Associação Comercial do Paraná (ACP).
O Canudinho e Brumadinho

Foi na sexta-feira, hora do almoço. Pedi um suco no restaurante que frequento e fui informado pelo garçom de que os canudinhos agora são proibidos. Resignado, pedi então algo com que pudesse mexer o adoçante que eu havia colocado no copo e logo recebi uma colher. Procurei me informar na internet sobre essa lei do canudinho, cujo texto foi regulamentado em julho de 2018. Segundo os ambientalistas, o plástico dos canudinhos pode levar 400 anos para se decompor. Fiquei realmente impressionado com a preocupação ambiental em nosso país e pensei em quanto temos evoluído, a ponto de eu não poder mexer meu suco ou tomá-lo através do antigo canudinho, pois o ambiente está acima de tudo.

Conforme me disse o dono do restaurante, quem for pego oferecendo o antigo acessório de plástico vai ter de pagar uma multa no valor de R$ 1.650,00. Novos flagrantes elevam a multa a até R$ 6 mil.

Logo após o almoço, sentei confortavelmente numa poltrona do shopping e qual não foi minha surpresa ao notar que a tal preocupação ambiental não ultrapassa os canudinhos e outros acessórios que prejudicarão a natureza daqui há 400 anos. Numa leitura assustadora, li que naquele exato instante ocorria uma tragédia no município de Brumadinho, em Minas Gerais, após o rompimento da barragem 1 da Mina Feijão, da mineradora Vale, naquele município mineiro. Isso ocorre pouco mais de três anos após a tragédia em Mariana (MG), em 2015, em que houve o rompimento de uma barragem da Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton.

O Brasil sofre um problema social, ético, moral e, acima de tudo, de desfaçatez. O presidente eleito, além de ter que manejar o custo econômico e político de colocar o Brasil nos eixos, tem agora também que lidar com tragédias. A grande verdade é que, se a barragem se rompeu, provavelmente havia infiltração de água, e as promessas feitas anteriormente, ao rigor exigidas e prometidas pela Vale para que não mais ocorresse esse tipo de desgraça, que acarretou mortes no momento estimadas em aproximadamente 200 pessoas, não se concluiu, ou seja, a fiscalização, na melhor das hipóteses, foi precária ou omissa.

Vejo isso com muita tristeza, e enxergo o Brasil como um país no qual o que promove exportação parece ter os meios fiscalizatórios afrouxados por parte dos órgãos competentes. Claro que não houve dolo, mas algo estranho aconteceu.

Depois do susto e de ver pela TV as imagens do estrago do rompimento da barragem, caminhei em direção a um bar e pedi com um olhar triste um suco daqueles de latinha. Ao pagar, perguntei ao rapaz do caixa: “Você tem um canudinho?”. E ele me respondeu: “Não. Canudinho é proibido e os fiscais não dão moleza”. Saí cabisbaixo e pensei que canudinho rima com Brumadinho, mas para canudinho tem fiscais, para Brumadinho e Mariana tem lama, tristeza e desalento... Esse é o Brasil do momento.

Fernando Rizzolo é advogado, jornalista, mestre em direitos fundamentais, professor de direito
A água está acabando?

Uma boa notícia: não, a água não está acabando. Não existe um “ralo” por onde a água saia do planeta Terra. Mas a água disponível para o consumo humano, em qualidade e quantidade suficiente, essa sim pode entrar em extinção.

A demanda por água doce está aumentando e ela está ficando mais escassa, com menor qualidade, como relatou recentemente a Unesco. A mudança do clima está provocando maior impacto no ciclo hidrológico, com eventos climáticos extremos mais frequentes, causando enchentes e alagamentos em diversas regiões, assim como estiagens e dificuldade no acesso à água em outras. A falta de água representa um risco econômico, riscos à segurança alimentar e à saúde humana. A água pode ficar cada vez mais cara e seu acesso mais restrito, provocando conflitos de interesse e disputa pelo seu uso.

As metas estabelecidas pelo Brasil no Acordo de Paris incluem a restauração de 12 milhões de hectares de floresta. Em termos de adaptação à mudança do clima e pensando na natureza como solução, saber onde plantar esses 12 milhões de hectares faz uma grande diferença. A restauração ecológica é uma forma muito estratégica de usar os recursos naturais para atingir as metas globais e melhorar a qualidade de vida da população brasileira, especialmente considerando o aumento de resiliência às mudanças climáticas e a retenção de sedimentos que chegariam aos rios, com melhoria da qualidade hídrica e conservação da biodiversidade por meio do estabelecimento de corredores ecológicos.

O relatório da Unesco denominado “Soluções baseadas na Natureza para a gestão da água”, lançado em 2018, aponta a combinação de infraestrutura verde e cinza como opção para redução de custos e redução geral de riscos. A implementação de Soluções baseadas na Natureza para a gestão de inundações – que garantam a infiltração de água na terra e reduzam o escoamento superficial de água – é totalmente coerente com a criação de parques lineares, estratégia defendida pela Fundação Grupo Boticário para adaptação de municípios aos impactos causados por chuvas extremas.

Estudos lançados nos últimos meses, com a participação da instituição, apontam que o investimento em infraestrutura natural promove a retenção dos sedimentos que chegariam até os rios, reduzindo assim os custos de tratamento de água, além de aumentar a vida útil do manancial, retardando em muitos anos a necessidade de buscar outras fontes de abastecimento. Resultados semelhantes foram observados nas bacias do Cantareira, em São Paulo; Guandu, no Rio de Janeiro; e do Rio Vermelho, em Santa Catarina.

O investimento na natureza traz benefícios relacionados ao controle de enchentes e aumento de resiliência que se estendem a outras localidades. Tal estratégia, representaria custos evitados na ordem de quase R$2 milhões de reais por ano aos catarinenses. Em São Paulo, a recuperação florestal de 4 mil hectares e a preservação das áreas naturais existentes levaria a uma redução de R$ 219 milhões em custos com o tratamento de água ao longo de três décadas.

Isso porque a natureza não vê fronteiras: os benefícios de uma área preservada podem ser sentidos a quilômetros de distância. O relatório da Unesco também aborda esse conceito de integralidade dos serviços ecossistêmicos, mostrando que a chuva que abastece a Bacia do Rio da Prata vem da evapotranspiração da Bacia Amazônica.

É preciso lembrar que as Soluções baseadas na Natureza trazem ainda benefícios adicionais, como o sequestro de carbono, que reduz os gases de efeito estufa na atmosfera e os impactos da mudança do clima, maior desafio que a nossa sociedade terá de enfrentar nas próximas décadas. A implantação de ações baseadas na infraestrutura natural permitem a expansão de habitats para a biodiversidade, combatendo as duas principais causas de pressão sobre a biodiversidade apontadas pela Convenção da ONU sobre Biodiversidade, que são a degradação de habitats e a mudança do clima.

As Soluções baseadas na Natureza dependem de ecossistemas saudáveis e somente a proteção dos ambientes naturais garante que poderemos contar com a natureza para nos ajudar a ter melhor qualidade de vida nos próximos anos. A biodiversidade depende de nós para que seja preservada, porém nós dependemos ainda mais da biodiversidade para garantir a vida no planeta, tal como conhecemos. Essa é outra boa notícia: só depende de nós mudar a forma como tratamos a natureza e o quanto poderemos contar com as soluções que ela nos oferece!

*Juliana Baladelli Ribeiro é bióloga e analista de Soluções baseadas na Natureza da Fundação Grupo Boticário.
CR7 já está fazendo história na Itália

O atacante português já jogou na Inglaterra, Espanha e Portugal, no entanto, a sua chegada ao campeonato italiano já está trazendo grandes resultados ao nível do clube, já que CR7 procura obter mais um campeonato para a Vecchia Signora; e ao nível pessoal, está crescendo na disputa pelo título de maior goleador da competição, além de ter conquistado um lugar na equipe dos melhores de todos os tempos da UEFA.

Cristiano Ronaldo via Facebook

Ronaldo imparável na Itália

Mesmo no meio do primeiro campeonato disputado na Itália por Cristiano Ronaldo, a Juventus avança com um passo quase perfeito, mostrando porque valeu a pena o investimento no veterano português. Como o site da Globo Play mostrou, a apresentação do CR7 com a Juventus foi um evento simples, com uma coletiva de imprensa de apenas 30 minutos, e onde Ronaldo se mostrou muito confiante em ter chegado numa grande equipe onde ele poderia contribuir de uma maneira positiva para o coletivo dentro e fora do campo de jogo. E os resultados foram quase imediatos, pois, além de contribuir no campo de jogo, a chegada do português ao clube italiano também foi um ‘boom’ para as receitas da equipe italiana, devido ao aumento no valor das ações da Juventus dentro da Bolsa de Valores de Milão no dia da apresentação do português com a equipe Bianconeri. No entanto, o principal trabalho do CR7 no clube da Vecchia Signora é fazer gols, o que tem feito de maneira extraordinária. Isso porque, ao nível coletivo e na metade do campeonato italiano, a Juventus já é a favorita para obter seu 35º título na Betway, com 95,2% de chances até 15 de dezembro. Além disso, Ronaldo também continua a se destacar nas vitórias ao nível individual, pois está entre os primeiros candidatos ao título de Capocannoniere para o torneio de 2018-19, e a UEFA acaba de incluí-lo em seu 'time dos sonhos', como mostrado pelo site da ESPN, ao lado de quem tem sido seu eterno rival na Espanha, Lionel Messi.

 

A eterna batalha entre Ronaldo e Messi

Embora Ronaldo tenha deixado a liga espanhola para buscar o sucesso na Itália, as comparações e a competição com Messi continuam sendo uma ocorrência diária para a estrela portuguesa. O acima foi acentuado depois que o croata Luka Modric desbancou a hegemonia de Messi e Ronaldo para obter a Bola de Ouro, mostrando que o argentino talvez precisasse continuar a provar o seu valor dentro dos campos deixando sua zona de conforto no Barcelona, do mesmo modo que CR7 fez quando se juntou às fileiras da Juventus nesta temporada. Com base no exposto, e como mostrado pela Fox Sports, Cristiano Ronaldo convidou Messi para jogar no futebol italiano durante uma entrevista oferecida aos jornais italianos Gazzetta dello Sport e Corriere dello Sport, onde ele ressaltou que, se o argentino é feliz em Espanha, CR7 respeita sua decisão. De acordo com as declarações do novo atacante Bianconeri, aceitar o novo desafio em Turim levou-o para fora de sua zona de conforto e mostrou que ele ainda é um jogador incrível. No entanto, quando se referiu a Messi, o camisa 7 da Juventus mencionou que o argentino é um jogador fantástico, e que 'Gostaria que viesse a Itália', aceitando o desafio como fez o Português na atual temporada. Embora tenha havido alguns rumores e declarações que conectariam Messi com grandes clubes italianos como o Napoli ou o Inter de Milão, ainda não há negociação concreta que possa colocar o ídolo argentino nos campos de jogo italianos.

Com 33 anos de idade, Cristiano Ronaldo se estabeleceu como um dos melhores e mais representativos expoentes do futebol, depois de provar isso com uma enorme quantidade de gols e títulos nas melhores ligas da Europa. Depois de passar pelo Sporting de Portugal, Manchester United da Inglaterra e Real Madrid da Espanha, Cristiano Ronaldo afirmou sua hierarquia dentro de campo em cada um dos jogos que disputou. Atualmente CR7 busca deixar sua marca também no futebol italiano, levando a Juventus de Turim para o seu 35º título da liga, e se configurando como o Capocannoniere do campeonato, tudo isso apenas em sua primeira temporada disputada no Calcio Italiano.

As tragédias dos acidentes de trânsito no País e no mundo

Se estatísticas sobre acidentes e vítimas nas rodovias do Estado e do País nos feriados do final de 2018 assustaram a população, os condutores de veículos automotores e seus passageiros precisam levar em consideração que essas tragédias não são recentes.

Muito pelo contrário, pois conforme levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgado no início de dezembro último, em apenas 10 anos e somente em rodovias federais, os acidentes de trânsito resultaram em mais de 83 mil mortes no País.

Segundo o estudo, entre 2007 e 2017, mais de 1,6 milhão de acidentes foram registradas nas estradas federais, com 83.498 vítimas fatais e mais de um milhão de pessoas feridas.

A média das tragédias foi de 23 óbitos de motoristas e/ou passageiros por dia, o que dá a dimensão do sofrimento de usuários das rodovias e seus familiares e amigos, além de perdas materiais no tratamento de pessoas feridas e danos causados aos veículos envolvidos.    

Os dados foram divulgados na abertura da 8ª edição da Operação Integrada Rodovida, voltada à segurança nas rodovias durante os festejos de final de ano, férias escolares e carnaval, com os objetivos de sensibilizar motoristas e passageiros e reduzir a violência no trânsito das rodovias federais ao longo do período.

O fato positivo da série histórica, foi que em 2017 houve o menor número de mortes e acidentes dos últimos anos, com o registro de 6.243 óbitos no período.

Conforme a PRF, o Brasil integra ação da Organização das Nações Unidas (ONU), denominada Década de Ação pela Segurança no Trânsito, tendo como meta a redução de 50% de acidentes de trânsito entre os anos de 2011 a 2020, em esforço conjunto de todos os países apoiadores da iniciativa.

De acordo com a instituição, entre 2011 e 2018, a redução da média anual de acidentes no País já foi importante, chegando a 35% do número de feridos e mortos em rodovias nacionais.

O lado negativo, adverte a PRF, foi que apesar da diminuição do número de acidentes e mortes, as infrações de trânsito flagradas em rodovias federais aumentaram de 1.855.448 em 2007, para 6.023.826 em 2017, com crescimento de 234% em uma década.

As principais infrações ou irregularidades flagradas foram o consumo de álcool, ultrapassagem indevida e excesso de velocidade.

Os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia juntos, representaram 40% dos registros de infrações cometidas nas rodovias brasileiras em 2017.

A tragédia dos acidentes de trânsito, na verdade, é hoje uma preocupação de todo o planeta, pois segundo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) está havendo aumento contínuo de mortes em rodovias e vias urbanas da maioria dos países.

Conforme o relatório, 1,35 milhão de pessoas perdem a vida todos os anos em decorrência de acidentes de trânsito. Os dados mais alarmantes estão em países da África, porque, segundo especialistas, os governos locais reduziram esforços na busca por solução para o problema.

O documento sobre a situação global na segurança no trânsito da OMS em 2018 destaca que lesões causadas por acidentes automobilísticos se tornaram a principal causa de morte de crianças e jovens entre cinco e 29 anos de idade.

Essa tristeza pode até se renovar a cada ano, pois muitas dessas tragédias acontecem em viagens de passeio, em períodos de férias ou em visitas a pessoas de suas relações, residentes em cidades mais distantes.

*O autor é deputado federal pelo Paraná. E-mail: [email protected]
Bolsonaro em Davos

“Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco. Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós.” (Presidente Bolsonaro, em Davos)

Quem esperava Bolsonaro lecionando Comércio Internacional e Ciência Política em Davos e manifesta frustração por ele não haver feito isso está em situação mais desfavorável do que a dele. Simplesmente desconhece a realidade. Dorme à margem dos fatos. Isso não chega a ser problema se for opinião de um cidadão comum à mesa do bar da esquina, ou de alguém convencido de que a carceragem da Polícia Federal de Curitiba hospeda um mártir da luta pela democracia e pela moralidade da gestão pública. No entanto, se a opinião negativa for emitida por quem se dedica a formar a opinião dos outros, bem, aí estamos perante um caso a cobrar adjetivos que não escrevo para que o leitor não imagine que estou invadindo a privacidade de seus pensamentos.

O Brasil inteiro sabe que Jair Bolsonaro é um homem simples, embora sua formação possa ser até mesmo considerada sofisticada em comparação com a de Lula, por exemplo. A diferença entre ambos é a honestidade. Enquanto Bolsonaro não finge ser o que não é, Lula tem um caráter poliédrico, com uma face para cada circunstância. É capaz de ir a Davos e prometer que vai acabar com a fome no Brasil e no mundo, jurar que extinguiu a miséria e descrever o paraíso nacional enquanto o tiroteio corre solto nas cidades do país. A diferença entre Bolsonaro e Dilma é que enquanto esta pensa que sabe muito, mas pensa pouco e errado, ele tem consciência do que não sabe e, por isso, se cerca de pessoas que sabem muito.

Foram essas virtudes, que se erguem acima do saber humano, que colocaram o novo presidente em sintonia com a maior parte do eleitorado brasileiro. Foram elas, também, que o fizeram compor o governo menos político-partidário da nossa democracia. A prudência é uma característica das almas simples. Foram essas virtudes que o levaram a exaltar em seu discurso a companhia dos ministros Paulo Guedes, Sérgio Moro e Ernesto Araújo.

Não, Bolsonaro não é o rei do camarote. Li, há pouco, que, durante o voo, a bordo do avião presidencial, não quis usar a suíte e a cama reservada ao presidente. Ficou em uma poltrona, como os demais viajantes, porque “um comandante não abandona sua tropa; tem que dar o exemplo”. Aquela suíte e aquela cama eram assiduamente ocupadas pelo comandante Lula, o santo da carceragem de Curitiba, para folguedos extraconjugais a grande altitude, enquanto sua tropa, de tantos escândalos, já não se surpreendia. Assistiam de camarote as traquinagens do rei.

Em seu discurso, Bolsonaro foi polido e afirmativo. Deu as grandes diretrizes do que fará, falou das reformas, expôs seus valores, afirmou que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente no mundo. E faz isso malgrado a carência de recursos e à custa de uma menor produção de riqueza (quem mais assume tais sacrifícios?). Enfatizou a gigantesca obra educacional exigida pela realidade brasileira, assaltada pelos encolhedores de cabeças. Falou em Deus e em família. E quem não gostou vá assistir a Globo.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.