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Crise penitenciária: a seguir, cenas do mesmo capítulo

A realidade das penitenciárias brasileiras é preocupante. A população carcerária cresceu muito nos últimos tempos. Há pouco mais de dez anos, o Brasil era o 4º (quarto) país em população carcerária e, atualmente, ocupamos o 3º (terceiro) lugar. A quantidade de presos que vivem nesses locais praticamente dobrou, passando de aproximadamente 400 mil para mais de 725 mil entre os anos de 2006 e 2016[1]. Esses dados nos indicam que ficamos atrás apenas dos Estados Unidos (2,1 milhões) e da China (1,6 milhão) em população carcerária.

Um dos grandes problemas no sistema carcerário brasileiro são as rebeliões que acontecem nos presídios, delegacias e unidades prisionais. Vários são os fatores que influenciam esse tipo de ação que, sem sombra de dúvidas, termina em resultados nunca ideais para situações de conflito, sobretudo quando envolve presos de facções criminosas divergentes.

Não é de hoje que os presos detêm o controle dentro das unidades penais, inclusive por intermédio de aparelhos celulares, o que possibilita o contato e a articulação de ações internas ou externas. Entretanto, a fiscalização e a punição disciplinar e penal não impedem a entrada desses aparelhos nas prisões, por diversos meios. A posse do celular proporciona a execução de ações diversas, dentre elas as articulações e ordens de execução, inclusive para as rebeliões.

Quando se fala em rebeliões os motivos mais comuns têm relação com a superlotação carcerária, com a alimentação deficitária ou de má qualidade, com a distância do preso de seus familiares, com o despreparo dos profissionais atuantes nas unidades, com a ausência de trabalho e atividades educacionais dentro das prisões, com a falta de assistência médica e os maus tratos - que não raro acontecem dentro do cárcere -, entre outros agravantes. 

No entanto, quando se trata de presos vinculados a facções criminosas, nem sempre os motivos citados são os que geram as rebeliões. Uma das maiores preocupações desses grupos está em não perder o território conquistado. Eles não medem esforços para buscar cada vez mais espaço dentro das unidades prisionais. Isso ocasiona subversão à ordem e à disciplina, resultando em confrontos, brigas e mortes entre facções rivais, transformando os espaços em cenários de guerra.

É o que aconteceu nas unidades prisionais do Amazonas recentemente. Cenas cruéis se repetiram com o assassinato de 57 presos, passados pouco mais de dois anos do massacre anterior. Quando acontecem fatos como esse, de tamanha gravidade e repercussão, uma das ações imediatas é a transferência de presos para as unidades federais, o que é apenas uma solução temporária. Prova de que isso é apenas uma alternativa paliativa é que a situação se repetiu mais uma vez com praticamente o mesmo número de mortos. Ou seja, seguiu-se a cena, porém, repetindo-se o mesmo capítulo.

Ainda em relação ao Amazonas, além das causas comuns já citadas para as rebeliões, somam-se a elas a superlotação carcerária, os processos sem julgamentos e a falta de juízes e promotores para concluírem os processos. Ou seja, de um lado vê-se o crescimento da população carcerária e, de outro, a redução e até a ausência de recursos humanos e materiais. Somado a isso, há ainda a fragilidade na gestão. Todos esses fatores contribuem para que a engrenagem continue a repetir o mesmo movimento.

Outro agravante é que os presos mortos podem ter sido os mesmos que assistiram atônitos na rebelião anterior a partida de seus companheiros de cela, em situação que retratou um filme de terror.  Diante desse cenário, é possível que o próximo capítulo se repita mais uma vez e a engrenagem continue emperrada e omissa quando o assunto é sistema carcerário brasileiro.

Em regra, após as tragédias ocorridas é comum instituir gabinete de crise envolvendo órgãos de segurança para discutir estratégias de melhorias na unidade penal, já que a ausência do Estado fica clara nesses lugares, assim como a falta de ressocialização. Ou seja, a reinserção do preso seria uma opção? Reinserção, nada! Somado ao caos das unidades prisionais administradas pelo Estado, questiona-se sobre o não funcionamento da empresa terceirizada atuante no sistema penitenciário. Todavia, mais que a negligência da empresa em não cumprir o contrato, há ainda a negligência ao Estado pela omissão em não rescindi-lo, repetindo-se, assim, o mesmo capítulo, ou seja, culpai-vos uns aos outros. 

Débora Veneral é advogada e diretora da Escola Superior de Gestão Pública, Política, Jurídica e Segurança do Centro Universitário Internacional Uninter.
Obras sem parar

O Governo do Paraná está inovando na gestão de suas obras para que elas aconteçam com rapidez, qualidade e atendimento às necessidades reais da população. Uma ação importante e moderna criada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior é o Banco de Projetos, que vai destinar R$ 350 milhões para licitar projetos executivos de grandes obras estruturais em todo o Estado.

A definição das obras prioritárias está sendo feita por uma força-tarefa do Governo com a importante contribuição dos deputados estaduais, que conhecem a fundo as demandas das regiões que representam.

Para garantir celeridade ao processo, diversas estruturas do governo foram envolvidas num grupo de trabalho com profissionais multidisciplinares e também professores, mestres e doutores das universidades estaduais, para o Estado dar conta da elaboração de dezenas de editais. O Banco de Projetos está em fase final de conclusão e será lançado em breve pelo governador. A meta é que a licitação da maioria dos projetos seja feita este ano e que muitas obras possam ser iniciadas já em 2020.

Até mesmo as rodovias do Anel de Integração, que estão sendo negociadas com a União para serem incluídas no pacote de concessões federal, terão trechos contemplados no Banco de Projetos para atender problemas urgentes. Neste caso, o investimento feito pelo Governo do Estado em projetos e em obras vai ajudar a reduzir as tarifas de pedágio e atender as demandas dos usuários.

O Banco de Projetos contemplará obras estruturais, rodovias importantes, hospitais, ferrovias, aeroportos, obras essenciais que vão orientar o Paraná para o futuro.

Mas não podemos planejar o futuro sem resolver problemas do passado. Num levantamento feito pelo Governo e entregue ao Tribunal de Contas no primeiro trimestre deste ano foram identificadas 43 obras paradas em gestões passadas, sendo 30 de responsabilidade exclusiva do Estado. Elas têm um custo total de R$ 280 milhões. O Governo já investiu mais de R$ 100 milhões nelas.

Para o governador Ratinho Junior, obra é compromisso com a população. E sua paralisação é um desrespeito com os paranaenses e com o dinheiro público. O governador instituiu um grupo de trabalho para dar andamento às obras de grande porte que foram paralisadas no passado. Formado por representantes de várias secretarias e órgãos do Estado e coordenado pela Casa Civil, o grupo será responsável por elaborar um plano de retomada e programar a conclusão das obras com a máxima prioridade possível. Já temos 27 obras com previsão de retomada e agora o grupo que formamos vai se concentrar em avaliar a questão orçamentária e jurídica de cada uma e estabelecer um cronograma rigoroso de trabalho para a finalização.

O grupo vai dar atenção especial às escolas envolvidas na Operação Quadro Negro. O Governo já retomou 80% destas obras e agora dará prioridade total na conclusão delas. Dos quinze centros educacionais ligados à operação, nove estão prontos, três com a construção em andamento e outras três em nova licitação.

No próximo ano letivo, todas estas escolas devem estar de portas abertas para receber os alunos. A primeira grande lição é: no Paraná, obra não pode parar mais.

Guto Silva é chefe da Casa Civil do Governo do Paraná.
Conservação de hastes florais

Entre as diversas perguntas que surgem do consumidor, uma vez que as flores têm durabilidade curta, a principal é: como aumentar o tempo de duração das hastes florais em casa?

Durabilidade pós-colheita é influenciada pelo estádio de desenvolvimento das flores na colheita, degradação das reservas e a ação de microrganismos, além dos fatores hormonais da planta. Existem diversas pesquisas que comprovam a eficiência de produtos na longevidade de flores. A dica caseira é fazer o pulsing, ou seja, manter as hastes florais em água com pouco açúcar. Quando usamos açúcar na água a planta diminui o metabolismo respiratório e retardam a senescência. O ácido cítrico, também é uma opção, esse produto é de baixo custo, redutor de pH, que inibe a ação de enzimas causadoras do escurecimento e microrganismos, através do bloqueio da haste, que induzem à deterioração. Outra dica importante é manter somente a base das hastes na água e quando essa começar a escurecer corta-la, para que volte ocorrer o fluxo normal de água. Essas são alternativas para minimizar alguns dos fatores que causam a senescência floral.

A engrenharia agrônoma Luciana Sabini da Silva é Mestranda em Agronomia na Unioeste
Os desafios e dificuldades de pequenos municípios brasileiros

Os argumentos dos defensores da criação indiscriminada de novos municípios, visando a maior integração entre governantes, legisladores e cidadãos e a maior visibilidade de gastos púbicos, começam a ser questionados com as dificuldades enfrentadas por centenas de pequenas cidades brasileiras, que não conseguem se manter com recursos próprios.

Conforme estudos recentes, em 765 municípios do País, mais de 80% dos trabalhadores formais são ligados direta ou indiretamente ao setor público municipal. Com isso, a arrecadação própria de prefeituras não consegue manter suas atividades básicas, prejudicando a população, especialmente as pessoas de menor renda.

As centenas de cidades não têm capacidade para ampliar a receita própria, pelo fato de rendimentos da maioria da população terem como origem a remuneração de atividades desenvolvidas na prefeitura e na câmara municipal ou são dependentes de programas sociais federais.

Muitas dessas dificuldades são creditadas à legislação que facilitou e até estimulou a emancipação de comunidades interioranas a partir dos anos 90. Conforme especialistas, de 1992 a 2013, 1.079 novos municípios foram criados no País, dos quais 152 na Região Norte, 285 no Nordeste, 88 no Centro-Oeste, 236 no Sudeste e 318 na Região Sul.

De todos os Estados, o Rio Grande do Sul foi o que mais ganhou novas prefeituras, passando de cerca de 240 cidades nos anos 80 para quase 500 municípios. Juntos, os novos municípios representam quase 20% do total do País e 75% dessas cidades têm menos de 10 mil habitantes.

O problema dessas comunidades de menor porte está no alto custo de manutenção do setor público, incluindo servidores, prédios, equipamentos e serviços, o que compromete o principal objetivo de sua criação, que foi manter o poder público mais perto da população e lhe oferecer mais conforto e bem-estar.

Segundo especialistas, a maior parte desses municípios em dificuldades está no Nordeste e tem população abaixo de 10 mil habitantes, pois em sua maioria, a economia das cidades gira em torno da prefeitura, que tem orçamento engessado e as pessoas sofrem com a falta de serviços públicos básicos, como saúde, educação e infraestrutura.

Em muitos casos, a situação das pequenas cidades é ainda mais grave, porque recebem o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), do Governo Federal e sem alternativas, desrespeitam normas da Lei da Responsabilidade Fiscal na cobertura de suas despesas, perdendo o acesso a repasses voluntários da União e do Estado.

Muitas dessas prefeituras têm superado suas carências contando com representação política comprometida e atuante, através de emendas parlamentares e inclusão em programas sociais de maior porte, para investimentos em obras e prestação de serviços essenciais para o bem-estar dos cidadãos e o desenvolvimento urbano e rural dos municípios.

A legislação que estimulava as emancipações foi revogada e como as possibilidades de revisão desses processos ou fusão de comunidades de menor porte, são muito remotas, restam poucas alternativas aos moradores de pequenos municípios.

Entre essas ações estão a escolha de governantes e legisladores municipais habilitados para suas funções e de representantes políticos capazes de defender seus anseios e canalizar recursos e obras para investimentos importantes em suas comunidades.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]
Apuração PIS-Cofins e as constantes mudanças no Guia Prático do SPED

As empresas que atuam nos regimes de apuração não-cumulativo e/ou cumulativo têm tido maior dor de cabeça na apuração PIS-Cofins, uma vez que mensalmente precisam entregar a EFD-Contribuições, também chamada de “Sped Pis Cofins”. O motivo desse sintoma são as constantes mudanças nos guias práticos que têm tirado o sono de milhões de contribuintes.

Essas alterações nas diretrizes e regras dos guias práticos vêm ocorrendo em um período curto entre uma versão e outra dos manuais, com isso a atenção das empresas que precisam realizar a entrega e das companhias desenvolvedoras de softwares próprios, os quais operam essa prestação de informações para o Fisco, deve ser redobrada.

Por exemplo, em 04 de julho de 2018 foi publicada pela Receita Federal a versão 1.27; em 27 de novembro de 2018 a versão 1.28; em 22 de fevereiro de 2019 a versão 1.29 e em 28 de fevereiro de 2019 foi publicada a versão 1.30. Foram quatro versões em apenas oito meses, o que pode acarretar em maior demanda de trabalho tanto para quem desenvolve quanto para quem é obrigado a entregar a informação correta para o órgão federal.

Na versão 1.30, como forma de exemplificar, a atualização do manual é um complemento sobre a escrituração de vendas canceladas, retorno de mercadorias e devolução de vendas em C100 / C180 / C190, a partir de janeiro de 2019.

Em meio a tantas obrigações e pontos de atenção que os contribuintes precisam declarar, essa constante alteração em diretrizes e regras da EFD-Contribuições faz com que as empresas de softwares tenham que se adequar rapidamente às novas estruturas solicitadas e ainda atualizem e passem tais adequações aos seus clientes.

Às vezes, uma mudança pode trazer impactos profundos em muitos blocos e registros da EFD-Contribuições. Por isso, é essencial contar com uma equipe atenta e atualizada, para que toda essa demanda de modificações impostas pelas instituições governamentais sejam estudadas, analisadas (pelos impactos oriundos de atualizações), testadas e, finalmente, repassadas para os contribuintes que têm a obrigação de fazer a correta entrega das informações, sob pena de multas pesadas, caso não cumpram com as exigênicias impostas pelo Fisco.

Neste sentido, ter uma Solução Fiscal robusta, estruturada, aderente às mudanças advindas do Guia Prático EFD-Contribuições e que reduz o impacto ao negócio das empresas é essencial para garantir que sua base de dados seja enviada ao Fisco, por meio de um arquivo digital seguro. Assim, tais mudanças passam despercebidas e se tornam mais uma atualização de rotina dentro do processo de entrega da EFD-Contribuições.

E você, caro leitor, não se assuste quando terminar de ler este artigo e for buscar a versão mais recente, pode ser que seja outra que nem foi citada. É aí que um suporte técnico especializado e atento às constantes mudanças no Guia Prático do SPED faz a diferença diante da rotina de entregas fiscais.

*Johney Laudelino da Silva é especialista em Gestão Tributária
Infecções hospitalares devem ser levadas a sério

Lavar as mãos. Este singelo, simples e cotidiano ato é fundamental para salvar vidas dentro de ambientes médicos. Infecções hospitalares estão entre as mais comuns causas de mortes de pacientes e, por isso, deve ser tratadas com seriedade.

O assunto é tão importante que ele existe até possui uma data exclusiva. É celebrado no 15 de maio o Dia Nacional de Controle de Infecção Hospitalar, exatamente para lembrar dos cuidados que devem ser tomados para evitar este mal. A data, aliás, não foi escolhida randomicamente: foi em um 15 de maio, em 1847, na Hungria, que o médico-obstetra Ignaz P. Semmelweis defendeu e incorporou a lavagem de mãos como atitude obrigatória para enfermeiros e médicos que entravam nas enfermarias. A prática pode parecer simples, mas é uma das mais eficientes maneiras de garantir a limpeza e esterilização do local.

Os números comprovam a urgência do tópico. Um relatório do realizado em conjunto pelo Banco Mundial, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que 7% dos pacientes em hospitais vão adquirir uma infecção hospitalar durante seu período de internação. Em países de baixa renda, este número sobe para 10%. O relatório revela mais detalhes preocupantes: 303 mil mães e 2,7 milhões de recém-nascidos morrem anualmente por questões relacionadas ao parto, muitas delas evitáveis, e em países de renda média e alta, a adesão a protocolos e diretrizes fica abaixo de 50%.

É em razão de dados alarmantes como os citados acima que se estabeleceu no Brasil, em 1997, a obrigatoriedade por lei da existência de uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), além de um Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH) em todos os hospitais nacionais. Este grupo tem a responsabilidade de planejar, elaborar, implementar, manter e avaliar ações desenvolvidas com o objetivo de reduzir ao máximo possível a incidência das infecções hospitalares. O grupo é de extrema valia e importância no dia a dia de qualquer hospital, independentemente de seu porte.

Porém, além do CCIH, você também pode contribuir com a higienização dos hospitais e a diminuição dos casos de infecção hospitalar. Basta apenas seguir os ensinamentos do Dr. Ignaz P. Semmelweis: lave suas mãos sempre que entrar e sair de ambientes hospitalares, antes e depois de refeições e após usar o banheiro! E não vale substituir pelo famoso álcool em gel: ele ajuda, mas não substitui a água e o sabão. Além disso, siga à risca todas as instruções das equipes de saúde. A infecção hospitalar é um enorme risco para a saúde de todos aqueles dentro de ambientes médicos: não a menospreze.

*Milton Monteiro, enfermeiro do HSANP, centro hospitalar na Zona Norte de São Paulo, que atua no Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH)
Fisális, um fruto exótico de alto valor comercial

O fisális é aquela fruta, que apresenta “casca” que se parece com uma palha, geralmente utilizado em doces de festas ou em decoração de bolos. O que muitas pessoas não sabem, é que há diversas formas de consumo além do uso na confeitaria e que existem muitas espécies dessa fruta, variando o tamanho, sabor e coloração de fruto. Esses podem ser verdes, laranja, amarelo ou em tons de purpura, são ricos em vitamina A e C, fósforo e ferro, além de possuírem diversos metabólitos secundários utilizados da indústria farmacológica.

É nativo das américas, só no Brasil já foram catalogadas 11 espécies distribuídas em todo o território nacional. É uma planta rústica, herbácea, podendo atingir até dois metros de altura. Possui alto potencial econômico pois se desenvolve bem em solos com baixa fertilidade e bem drenados. O Physalis peruviana é a espécie mais utilizada em produções comerciais, por apresentar frutos saborosos, pequenos com cores mais vivas e maiores teores de açúcar, além de serem climatéricos ou seja, podem ser colhidos imaturos, facilitando a comercialização.

É uma planta que se adapta bem ao Paraná e quando se trata de rentabilidade, é tem alto valor agregado, podendo ser vendido em torno de R$100,00 Kg nos mercados da região.

Luciana Sabini da Silva é engenheira agrônoma e mestranda em produção vegetal
Você ainda tem dificuldades com o Bloco K?

Se a sua empresa ainda tem dificuldades em apresentar o Bloco K da EFD ICMS-IPI, a origem desse problema pode estar no controle da produção e do estoque. É justamente nesse controle que a Receita Federal busca as informações para composição do Bloco K no Sped Fiscal.

O bloco se destina a prestar informações mensais da produção e do respectivo consumo de insumos, bem como do estoque escriturado. Tais informações são relativas aos estabelecimentos industriais ou a eles equiparados pela legislação federal e pelos atacadistas, podendo ser exigidas do estabelecimento de contribuintes de outros setores também, conforme critério do Fisco.

Para isso, tanto o controle da produção quanto do estoque devem estar afinados e totalmente integrados, pois algumas particularidades são exigidas e todo esforço intelectual aliado à integralidade de um sistema fiscal podem ser responsáveis por uma entrega eficiente. Essa apresentação correta dos dados reflete diretamente nas operações da empresa, uma vez que o Fisco passa a saber exatamente como o contribuinte atua dentro do seu ramo de atividade. 

O Bloco K é composto por vários registros, que visam distinguir dados e informações que segregam todo o movimento das entradas e saídas dos itens. O Registro K200 é um exemplo, pois recebe o estoque escriturado por tipo de estoque (se é próprio ou de terceiros, se está em seu poder ou em poder de terceiros) e participante (se os estoques pertencem aos clientes, fornecedores, parceiros de negócios, entre outros).

Entretanto, para o Registro K200 são definidos os itens que devem ser informados, como: mercadoria para revenda, matéria-prima, embalagem, produtos em processo, produto acabado, subproduto, produto intermediário e outros insumos.                                                                       

Sendo assim, por essa definição do Manual da EFD ICMS-IPI, nota-se que os materiais de uso e consumo não devem ser informados no Bloco K, pois não são controlados mediante o estoque e nem fazem parte do processo produtivo que resultam na apuração dos custos, por exemplo.

Outra norma apresentada no controle da produção e do estoque é quanto às ordens de produção e os apontamentos de utilização dos insumos, dos bens produzidos, das industrializações e até das correções que ocorrem entre o fechamento de dois inventários. São muitos detalhes que, se não estiverem interligados e devidamente automatizados, podem levar o contribuinte ao erro no momento de preencher o Bloco K.

Nota-se, portanto, que o Bloco K é um tanto complexo, já que possui definições e tratamentos que envolvem processos industriais específicos de cada empresa. Diante disso, é fundamental que os contribuintes obrigados a entregar o Bloco K no SPED Fiscal possuam um sistema fiscal apto e confiável, a fim de receber todos os dados da produção e do estoque, preenchendo com exatidão os diversos registros do Bloco K.

É ideal que esse sistema ainda gerencie e faça o tratamento de todas as informações acerca do planejamento de produção. Com isso, os contribuintes passam de simples prestadores de informações ao Fisco para um patamar mais profissional.

Dessa forma, as empresas introduzem em sua atividade produtiva e de controle do estoque mecanismos de compliance. Assim, desde a origem das suas operações até a entrega precisa do Bloco K passam a ter uma governança dentro da cadeia produtiva, descomplicando uma obrigação acessória tão detalhista e minuciosa.

*Johney Laudelino da Silva é especialista em Gestão Tributária e na Solução Fiscal GUEPARDO da FH. É formado em Ciências Contábeis e possui MBA em Gerência Contábil pelo IBPEX. Contato: [email protected].
Quais os percalços do cinema nacional?

O cinema é apresentado ao mundo pelos Irmãos Lumière em 1895, num contexto em que os avanços da ciência e da tecnologia refletiram nas transformações dos meios de produção e implicaram na I Revolução Industrial na Europa e Estados Unidos. Graças a grandes estudiosos da história do cinema, como Paulo Emílio Sales Gomes, sabemos que os primeiros projetores chegaram ao Rio de Janeiro no final de 1896 e as primeiras filmagens foram realizadas em 1899 — momento em que o país havia acabado de abolir seu rudimentar sistema escravocrata de 1888, passando a viver numa república somente a partir de 1889.

A primeira década do cinema no Brasil sofre com a estagnação, de modo que não havia muitas salas, pois nem as capitais tinham energia elétrica. As exibições e a produção somente se iniciam a partir de 1907, quando o Rio de Janeiro passa a ter energia elétrica industrializada.

Os anos entre 1908 e 1911 são reconhecidos como a Era de Ouro do Cinema Nacional — período em que o cinema de ficção ganhava força em relação ao documental e foram produzidos vários títulos em gêneros como drama e comédia. Inicialmente, fizeram sucesso roteiros inspirados em crimes, como Os Estranguladores (1907), que conta a história de dois adolescentes que foram estrangulados no Rio de Janeiro em 1905.

Em 1930 rompem-se as fronteiras do Rio de Janeiro e São Paulo e cidades como Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte começam a engajar-se nos processos de produção de filmes. Nesse período nasceram os primeiros clássicos nacionais.

Tentativas de industrialização ocorreram na década de 1950, de modo que se chegou a ver uma indústria estável, com a produção de cerca de 30 filmes anuais. Nesse período fizeram sucesso os enredos pessimistas e depreciativos da realidade nacional.

O otimismo e a efervescência cultural, por outro lado, marcaram o início dos anos 1960. A música e a literatura iriam impactar o cinema. Jovens desconhecidos ganhariam o cenário nacional e se dedicariam ao desenvolvimento do Cinema Novo, que iria refletir a multiplicidade dos conflitos sociais que se estenderam pelas entranhas da nossa história.

Emergem daí títulos como O Pagador de Promessas (1962) de Anselmo Duarte e Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) de Glauber Rocha. O primeiro deles é inspirado na peça teatral de Dias Gomes e narra a trajetória de um camponês que faz uma promessa num terreiro de candomblé e deve pagá-la numa igreja católica — o que propicia uma reflexão sobre o sincretismo presente na cultura brasileira. O segundo nos apresenta o percurso de um boiadeiro que se rebela contra um coronel e nos apresenta contextos aparentemente opostos: a fé e o cangaço.

O otimismo e a frutífera produção da primeira metade da década de 1960 recuariam diante do Golpe Militar de 1964 e seriam soterrados com o AI-5 em 1968. Depois dessa conjuntura, talvez seja possível dizer que o nosso cinema não voltaria a ser tão fértil. No entanto, esse assunto fica para uma próxima oportunidade.

Hollywood não é o único lugar no mundo em que se pode produzir cinema, somos capazes de avançar nesse sentido. Não faltam elementos na cultura brasileira para contribuir com a sétima arte. Basta que façamos os esforços de reconhecermos a nós mesmos. O filme Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é um exemplo disso e teve seu mérito reconhecido no Prêmio do Júri em Cannes na edição de 2019.

Autor: Douglas Henrique Antunes Lopes é professor do Centro Universitário Internacional Uninter. Atua nos cursos de Filosofia, Serviço Social e Pedagogia, além do Curso de Extensão Cineclube Luz, Filosofia e Ação
Catarinense se torna o quinto brasileiro campeão mundial de poker
Thomas Stacha

Assim como em qualquer outro esporte, no poker o objetivo do competidor é tornar-se campeão mundial. Nessa modalidade, para alcançar tal feito é preciso se destacar no World Series of Poker (WSOP). Inaugurado em 1970, esse torneio tradicionalmente disputado em Las Vegas atrai mi-lhares de competidores todos os anos e já proporcionou os momentos mais históricos desse espor-te da mente.

Vencer alguma das dezenas etapas anuais do WSOP (circuito geralmente é disputado em um pe-ríodo de 40 dias) é muito complicado. Em quase 50 anos de história, apenas cinco brasileiros tiveram a honra de ganhar o bracelete do WSOP, objeto de muito valor no poker e que representa o título mundial.

O quinto e último brasileiro a conquistar essa honraria vem de Penha, Santa Catarina, e aconteceu no início de junho. Na modalidade Mixed Games, uma das mais populares do poker, Murilo Figueredo fez história e se tornou o grande campeão.

Para conquistar o maior título da carreira, o catarinense teve que superar mais de 700 competi-dores, sendo a maioria deles profissionais norte-americanos — vale ressaltar que nos Estados Unidos há os melhores do planeta na modalidade.

Na mesa final, composta por oito competidores, Murilo era o único brasileiro. Seis americanos e um ucraniano compuseram a reta final na disputa pela conquista. Murilo teve que superar Jason Stockfish (vice-colocado), americano com muito sucesso no poker. “Ele (Jason) é um cara muito duro. Já tinha ficado em segundo três vezes, então ele veio com muita fome. O começo foi com-plicado, perdi muita ficha e tive que me reerguer com paciência e coragem. Foi uma batalha pe-sada”, comentou o catarinense depois do título.

Com o título, Murilo se juntou a André Akkari, Alexandre Gomes, Thiago Decano e Roberly Felício como os únicos brasileiros que podem ser reconhecidos como campeões mundiais. O feito também impulsiona a reputação do poker do Sul, que conta também conta com grandes nomes como Kelvin Kerber, Affif Prado, Renan Bruschi e outros.

Antes de conquistar o título, Murilo já era um nome conhecido do poker nacional e com um dos currículos brilhantes do país. O título do WSOP coroou essa carreira sólida e vai impulsionar sua trajetória nas mesas do poker em diversos aspectos.

“Eu sabia que tinha condições de vir para cá e ganhar um bracelete, porque os fields de Mixed são menores. Ganhar um torneio de Hold’em aqui é muito difícil, mesmo que o cara seja o melhor, tem que dar tudo certo. Certeza que vou ficar marcado por um tempão. Nem tenho como acredi-tar que cheguei aqui”, afirmou Murilo após a conquista do WSOP.


Sempre confiante em suas habilidades como um profissional do poker, Murilo afirma que tinha capacidade de brilhar no maior estágio do mundo. “Não quero soar arrogante, mas eu sempre sabia que poderia vencer um evento do WSOP. Trabalhei muito duro para estar aqui”, disse o competidor em entrevista para Gabriel Grilo pós-título.

Murilo tem o poker como uma de suas principais paixões há aproximadamente 13 anos. O ca-tarinense começou a ser visado internacionalmente pelos seus feitos nas mesas em 2011, quando venceu o prestigiado Latin Poker American Tour (LAPT) em Viña Del Mar, no Chile. Na ocasião, ele se tornou o primeiro brasileiro a conquistar um campeão do circuito.

Também com sucesso em torneios do Campeonato Brasileiro de Poker (BSOP), o catarinense já venceu um evento do circuito e no início deste ano chegou a fazer mesa final (entre os oito primeiros) do PokerStars Caribbean Adventure disputado na paradisíaca Bahamas.

Além de toda trajetória no poker ao vivo, o catarinense também brilha no online. Em 2017, ele venceu o cobiçado Turbo Championship of Online Poker (TCOOP), que é tido como um dos grandes campeonatos do mundo virtual. Assim como no WSOP, para ficar com essa conquista ele precisou superar uma mesa final formada por apenas estrangeiros.

Com vasta experiência internacional e agora reconhecido como um campeão mundial de poker, Murilo tem tudo para alavancar ainda mais a sua já excelente trajetória nas mesas para talvez se consolidar de vez como um dos grandes da história do poker nacional. Talento e capacidade para tal ele já mostrou que tem.