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Parem de gourmetizar o empreendedorismo

Dias atrás, passando pelo feed do LinkedIn, encontrei o post de um amigo, fundador de um projeto de imenso sucesso, que me chamou a atenção. Na realidade, o ponto era imagem, em que ele aparecia palestrando em uma sala de aula – até ai tudo bem, acho extraordinário levar bons exemplos e referências do mercado para adolescentes que ainda especulam seus sonhos – mas o principal estava na mensagem. Ele contava que tinha ido conscientizar os jovens do ensino médio sobre a importância de empreender.

Na era do excesso de informação, do status, do ser, em que o "importante" é o número de seguidores nas mídias socias, like nos posts, o cargo no cartão de visitas, no LinkedIn, o stories sequencial de uma agenda tomada de reuniões intercaladas por foto de café e macbook e mensagens motivacionais, estamos criando um estereótipo muito distorcido do sucesso. Pior que isso: estamos atribuindo ao empreendedorismo o caminho para isso.

Ser "founder and CEO" é a bola da vez. Não precisa ter um CNPJ, se, no Linkedin, o sujeito já se intitula fundador e presidente de um projeto mirabolante. Pior ainda são aqueles casos dos centenas de cursos e palestras sobre lições de empreendedorismo e receitas do sucesso, de "professores" e "mentores" sem o principal: uma bagagem real de uma jornada empreendedora – não necessariamente de sucesso, porque o empreendedorismo da vida real, na minha opinião, é essa jornada dura, ácida, corrosiva de embarcar em um sonho, acreditar e dar duro por um projeto, passar perrengue financeiro, lidar com gestão de pessoas, pivotar dia e noite seus projetos, ver o mercado descredibilizar seu sonho, tomar doses diárias de verdade, resetar e fortalecer sua resiliência. E não necessariamente vender sua startup unicórnio no final do dia para algum fundo chinês.

E, na realidade, está aí o meu incômodo. A versão gourmet que é vendida do empreendedorismo não é real. Meu desconforto vem da injustiça do caminho rápido e quase único possível para o sucesso. As mídias sociais só contam o sucesso e reforçam esse conceito. As histórias de fracasso, que, infelizmente, representam a grande maioria, são varridas para debaixo do tapete. E então apresentamos às novas gerações, que já nascem tomadas por uma carga imensa de ansiedade, esse caminho do glamour, dinheiro e poder do empreendedorismo.

Sou empreendedora e quero ter muito mais amigos e colegas nessa jornada. Não quero desmotivar ninguém, pelo contrário: só quero que possamos desconstruir a ideia do glamour irreal de empreender e entender que existem muitos outros caminhos para o sucesso. O drive, na realidade, não deve ser criar sua empresa, e sim esse conjunto de ações, motivações e sonhos que compõe nosso real propósito. Está tudo bem se o seu sucesso for ser funcionário público, levar uma jornada intensa em uma consultoria americana, ser um esportista profissional ou ser mãe. no final das contas, sucesso é realização. Então, empreender deveria ser nossa coragem de assumir, encarar e viver nossas próprias jornadas. Aí sim, vamos juntos empreender.

Laís Macedo é formada em Relações Públicas e pós-graduada em administração estratégica. Aos 24 anos assumiu a gerência geral do LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, sendo a mais nova gerente da história do grupo
Instituições de ensino superior e o desenvolvimento regional

O fim do século 20 e início do século 21 foram marcados por uma reestruturação das escalas espaciais no planeta, que inaugurou uma nova fase na sociedade brasileira. Somada à globalização, alterou as estruturas produtivas e as relações técnicas e sociais de produção. Diversos padrões organizacionais e territoriais foram modificados, com impactos políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientas, tecnológicos e, sobretudo, educacionais.

No campo educacional, as mudanças foram verificadas com a criação de um número expressivo de Instituições de Ensino Superior (IES), bem como sua interiorização, alterando a dinâmica do território. No Paraná, o cenário já descrito provocou a passagem de um Estado fundamentalmente agrícola para um Estado urbano e industrializado, que demandava mão de obra qualificada.

De acordo com o discurso neoliberal, presente nos formuladores da política econômica paranaense, a passagem para o modelo industrial promoveu desenvolvimento econômico e impulsionou negócios em diversas cidades. Algumas delas passaram a ser polos territoriais de comercialização e industrialização de bens e serviços. Nesses locais, a demanda por qualificação e especialização da força de trabalho era maior. Portanto, buscava-se nas IES formas de atender às demandas do mercado.

A relação existente entre as universidades e o desenvolvimento é estreita, podendo ser endossada pela literatura econômica, em que se sustenta a educação como fator de extrema relevância para o avanço de um País. Portanto, as IES contribuem para o desenvolvimento local e regional, uma vez que apresentam papel ímpar no desenvolvimento das regiões brasileiras. Isso porque criam e disseminam novos conhecimentos e inovações.

A relação entre desenvolvimento e essas instituições pode ser usada, também, para explicar as origens das desigualdades territoriais na produção e distribuição da renda nacional.

A influência das IES sobre determinadas regiões tem sido apontada como fator de transformação local e regional. Não se pode mais contar de forma exclusiva com a atração de empresas de grande porte ou de novos empreendimentos para promover desenvolvimento. É preciso fomentar ações para formação do capital humano, pois as IES geram, sistematizam e difundem conhecimentos científicos e culturais. Contribuem para transformação social e econômica em todos os países, mas principalmente naqueles que estão em desenvolvimento, como o Brasil.

As IES têm a missão de gerar e transmitir conhecimento, formar capital intelectual, incentivar as inovações e promover a transferência de tecnologias. Com isso, desencadeia-se um processo de mudança econômico-social por meio da criação de um ambiente intelectualmente diferenciado. Este facilita o processo de transformação das estruturas produtivas da região onde está localizado, ocasionando fluxos financeiros e monetários. O mercado de trabalho passa a contar com um número significativo de profissionais qualificados, com ampliação do acervo local de conhecimento, concretizando processos efetivos de inovação.

* Renata Adriana Garbossa Silva é coordenadora do curso de Geografia do Centro Universitário Internacional Uninter.
Inclusão no mercado de trabalho

Quando falamos de inclusão, muitas vezes, pensamos em inserir uma pessoa com características vistas como fora do padrão num contexto de mercado de trabalho de maneira a promover direitos iguais aos demais trabalhadores, seja no âmbito empresarial, industrial ou até mesmo em campos como magistério e outras profissões onde há a possibilidade de atuação autônoma. Todavia, antes de darmos continuidade, precisamos destacar o significado literal da palavra inclusão.

No dicionário inclusão quer dizer “Integração absoluta de pessoas que possuem necessidades especiais ou específicas numa sociedade: políticas de inclusão; inserção, incluir em algum contexto (...).”. Devemos destacar que a visão social que temos de inclusão é um tanto injusta desde a infância quando falamos em campos acadêmicos, pois em nosso país, incluir alguém em algum lugar significa nada mais do que inserir o indivíduo num contexto onde ele possa ser visto como “normal”, ou seja, recebendo as mesmas condições que qualquer outra pessoa no mesmo contexto.

A verdadeira inclusão está em entender os problemas, dificuldades e a as dores do indivíduo, disponibilizando recursos de acordo com suas necessidades.

Para incluir um indivíduo no mercado de trabalho, não podemos simplesmente jogá-lo num ambiente que não oferece os recursos necessários ao mesmo. Isso seria uma segregação ao invés de uma política inclusiva, algo equivalente a uma medida paliativa para cumprir a obrigatoriedade de colocar no quadro de funcionários pessoas que atendam critérios de necessidades especiais. Essa análise nos leva a perceber que ainda há um longo caminho a percorrer para que as tais políticas se tornem eficazes e condizentes com significado literal do termo.

* Ellen Moraes Senra. Psicóloga e Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental
Boa gestão e alta produtividade geram bons negócios

Toda empresa espera não só se manter, como também crescer nos negócios. Para isso, três fatores são fundamentais: serviços ou produtos que se destaquem entre os concorrentes, clientes felizes e saúde financeira. Porém, há alguns detalhes que podem abalar essa estrutura e causar muita dor de cabeça para o empresário. A chave disso tudo está na produtividade.

Mas qual a importância disso? A produtividade é uma palavra que está interligada ao crescimento e geração de lucro nas organizações. Uma empresa produtiva consegue, utilizando menos recursos, entregar mais e melhor para o mercado. Assim, ela demonstra seu desempenho frente aos processos existentes e geridos na empresa.

Esses processos servem como um termômetro para medir a excelência da produtividade em relação à performance dela no mercado. Quem produz necessita ter foco em melhoria no sistema produtivo, trabalhando sempre em equipe e evitando o desperdício, para assim gerar maior valor para a sociedade e o mercado.

Porém, quando as coisas não funcionam bem dentro da empresa, os resultados podem ser catastróficos. Por exemplo, começam a surgir os atrasos na entrega dos serviços ou produtos, devido à falta de comunicação e organização. Há o desperdício e a perda de recursos.

Além de oportunidades de negócios que podem ser perdidas, funcionários podem ficar mais estressados e insatisfeitos com o ambiente de trabalho, já que o desempenho ruim irá gerar mais cobranças. Diante de tal cenário, as finanças são comprometidas, provocando um grande abalo na estrutura da empresa, ou até mesmo sua falência.

O que irá fazer esse conjunto de engrenagens girar de maneira correta será a boa gestão. Ela é essencial para alcançar resultados traçados no planejamento estratégico, como, por exemplo, por meio de metas e constantes avaliações. Por isso, é importante sempre ter visão holística do cenário em que a empresa se encontra.

Toda a mudança precisa começar com o capital humano, ou seja, os colaboradores. Quando as equipes são coordenadas por bons gestores, tudo funciona melhor. Mas o que é ser um bom gestor? Primeiro de tudo, é saber se relacionar com as pessoas, pois toda e qualquer empresa é composta por pessoas.

Por exemplo, para que a equipe, de fato, realize de forma efetiva suas funções é necessário, antes de mais nada, enxergar que, por trás de um profissional, existe um ser humano. Por mais experiente que seja, possui defeitos, erros, acertos e sempre estará em processo de aprendizagem. Um bom gestor é o ser humano que, dentro de suas habilidades e competências, não mede esforços para desenvolver outras pessoas.

Além disso, por maior que seja o profissional, caso não tenha ética e caráter, de nada vale suas habilidades para lidar com os outros. Afinal, é a atitude que transforma e o faz ser líder. O bom gestor, antes de tudo, é um ser humano e necessita compreender que estará lidando com outros seres humanos. Quando as equipes se sentem felizes e bem direcionadas em relação às suas atividades, tudo isso se traduz em um excelente desempenho produtivo e, consequentemente, grandes ganhos para a empresa.

 (*) Administradora, consultora de Projetos da WAAH!, mentora de negócios, palestrante, Fundadora e Coordenadora do projeto CEU (Ciclo Empreendedor Universitário).
Produção e Inovação

Às vezes, um executivo chega na empresa e diz: “tenho uma ideia nova”. E a resposta que ouve é: “Você sabe se temos demanda comprovada para isto?” Obviamente, é claro que não. Se a ideia é nova, o mercado ainda vai ter que ser apresentado ao conceito. Este tipo de situação acontece porque muita gente confunde produção com inovação. Inovação vem na frente e quebra paradigmas. O mercado ainda nem pensou e o inovador está lá criando. Foi assim com o Facebook, telefones celulares, rádios, computadores... O inovador não depende de demanda. 

A produção, essa sim, depende da demanda. Você produz somente se existe a demanda. Se não há demanda, reduzimos a produção ou até mesmo paralisamos. Essa é a diferença entre economias em crescimento e economias estagnadas. Essa é a diferença entre empresas em crescimento e empresas estagnadas ou em declínio. As empresas em crescimento estão sempre inovando, mesmo antes do mercado pedir.  Essas empresas se antecipam e incentivam seus executivos a inovar, criar, pensar fora da caixa. A inovação cria a necessidade no mercado. Quantos de nós precisava do Facebook, de um iPod, de um Walkmann ou de um post it antes desses produtos existirem? As empresas inovadoras inventam o seu futuro.  As empresas inovadoras estão correndo na frente do mercado.

As empresas estagnadas, as que estão indo para o cadafalso, são aquelas que reagem ao mercado, não inovam. Se o mercado demanda elas atendem. Se não há demanda, se retraem e não criam, nem recriam, não inovam, não inventam, se acomodam, tentam atender reagindo. Não existe proatividade. As empresas em declínio correm atrás do mercado, correm atrás dos concorrentes, correm atrás do cliente.

Observem os automóveis coreanos. Eles estão quebrando paradigmas na indústria automobilística, tal como os americanos fizeram nos anos 50 com seus carrões rabo de peixe e os japoneses fizeram nos anos 70 e 80 com seus carros confiáveis e econômicos. Observem as construtoras que constroem edifícios inteligentes. Observem os chineses. Observem os desenhistas de software indianos. E pelo outro lado, observem a velha Europa. Quem está inovando?  Quem está tentando correr atrás do mercado?

“Em time que está ganhando não se mexe” é uma frase bonita, que serve para justificar ficar deitado em berço esplendido. No ano de 1985, as enciclopédias dominavam o mercado da informação classificada quando a internet ainda era “apenas” uma inovação sem muitos adeptos.  Um dia, no início dos anos 1990, a internet “atropelou” as enciclopédias. Poderia citar centenas de casos parecidos que aconteceram nas últimas décadas, entre eles os relógios suíços, os microcomputadores da IBM, os rádios, os telefones, os discos de vinil, os carros americanos, as câmeras da Kodak e as máquinas de escrever da Olivetti.

Esse tipo de síndrome, ou tipo de crise, afeta as empresas grandes, estáveis ou com mercados garantidos, muitas vezes erroneamente considerados cativos.  É a síndrome dos generais. No exército, o generalato é o cargo máximo de carreira. Os generais sabem que dali vão para a aposentadoria, já chegaram ao topo, não há mais disputa.  Então consequentemente um General não precisa inovar. O General não tem que inventar.  Os termos “Céu de Brigadeiro” e “Mar de Almirante” não significam que o mar se acalme quando almirante navega ou que as tempestades dos céus amainem quando um Brigadeiro voa.  É ao contrário. Um Almirante só vai navegar se o mar já estiver calmo. Um Brigadeiro só vai voar se o céu já estiver azul bonito. 

E como quebrar esse ciclo? Devemos perguntar se a empresa estabilizada pode mudar, sabe mudar, precisa mudar e, principalmente, quer mudar. Um bom começo é iniciar a análise pela forma de recompensa.  Empresas que recompensam seus executivos pelo valor absoluto do lucro já garantido, não vão inovar nada. É obvio. Já empresas que remuneram seus executivos pela derivada primeira das vendas, pelo EVA ou pelo lucro marginal, vão incentivar seus executivos a inovar.

A pergunta que usei para abrir esse artigo (Você sabe se temos demanda comprovada para isto?) tem seu lugar se a proposta fosse de aumentar a produção. Porém, quando a proposta é inovação as perguntas devem ser outras: Isto funciona?  É mais econômico? Agrega mais valor ao produto? Tem um custo menor?   Tem outros diferenciais em relação aos nossos produtos tradicionais? Temos tecnologia para fazer? Temos a logística para entregar?  O cliente vai perceber os diferenciais? É aquela velha história. Você faz a pergunta errada e terá a resposta errada. Você faz a pergunta certa e terá a resposta certa. No mundo real dos negócios, tudo depende da pergunta certa.

*Jose Carlos Abreu é coordenador do MBA em Gestão Estratégica, Econômica e Negócios e do MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria do ISAE Escola de Negócios (www.isaebrasil.com.br)
Coluna da ADI-PR

Base do governo

Futuro líder do governo na Assembleia Legislativa, o deputado Hussein Bakri (PSD), já assumiu a tarefa na prática. Assíduo participante das reuniões do secretariado de Ratinho Junior, Bakri tem ressaltado a importância de uma aproximação maior do Executivo com o parlamento estadual.

Mesmo antes do início do calendário legislativo, em fevereiro, o deputado trabalha para garantir uma base de apoio para lá de robusta. Cálculos pessimistas indicam 41 deputados, mas tem quem aposte que 48 é o número mágico. Vale lembrar que a Assembleia é formada por 54 deputados.

Começar a gestão com um apoio desses é fundamental para tramitar com rapidez pautas prioritárias, como a reforma administrativa e a aprovação, em redação final, do projeto de lei que trata de Parcerias Público-Privadas (PPP).

A primeira é a base para formalizar a redução do número de secretarias, alterações de atribuições e de orçamento que vão promover a economia e agilidade que o governo quer implantar.

Já as PPPs vão viabilizar projetos de infraestrutura importantes para o desenvolvimento de todo o Estado e que não têm como ser feitos apenas com recursos do governo.

 

NOVA CAPITAL

Cascavel será capital do Paraná entre 7 e 8 de fevereiro. O governo prepara um decreto para instituir a transferência. Nestas datas, o governador Ratinho Junior cumpre agenda na cidade com todo o secretariado. Os eventos serão realizados dentro do espaço do Show Rural, uma das maiores feiras de tecnologia agropecuária da América Latina.

 

CORTE DE GORDURA

O governo prevê uma economia de R$ 500 milhões com a auditoria da folha salarial dos servidores estaduais. O trabalho será feito por uma empresa privada, que será contratada por licitação e terá até seis meses para concluir o estudo. No pacote está a revisão do salário de ativos e benefícios de aposentados e pensionistas. Neste caso, entram inclusive funcionários aposentados de outros poderes. Em relação aos ativos, a revisão da folha deve alcançar órgãos da administração direta e indireta, inclusive universidades que resistem a aderir ao sistema Meta-4.

 

OTIMISMO GERAL

Com emprego em alta e a assunção de novos governos – federal e estadual –, o comércio renova as esperanças em dias melhores. Pesquisa da Fecomércio indica que 73,2% dos empresários paranaenses esperam ter aumento nas vendas neste primeiro semestre. O índice é 21 pontos percentuais acima da pesquisa referente ao segundo semestre de 2018. O indicador não chegava a este patamar desde de 2011.

 

NOVAS REGRAS DE EXPORTAÇÃO

A partir desta sexta-feira (25), todos os produtos de origem animal que forem exportados ou importados pelo Brasil, terão que ser despachados por apenas 21 pontos do país, conforme determina o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No Paraná, fazem parte da lista o Porto de Paranaguá e o Porto Seco de Foz do Iguaçu.

 

FIM DOS LIXÕES

Ratinho Junior quer que o Paraná seja o primeiro estado brasileiro livre de lixões a céu aberto. A meta foi anunciada na posse da nova diretoria da Sanepar. Hoje, 40% das cidades paranaenses ainda convivem com este problema. O governador disse que não admite que ainda existam regiões no Estado onde crianças têm que conviver com falta de saneamento básico.

Como o curso técnico pode ser decisivo para uma carreira em formação e entrada no mercado de trabalho

Analisando os números de desemprego no Brasil, ainda presenciamos um grande contingente de trabalhadores que não estão ou não voltaram ao mercado de trabalho. Nosso país passou por uma crise ferrenha e ainda não estamos livres deste cenário. No entanto, percebemos que alguns setores voltaram a contratar, como é o caso da indústria de transformação. Hoje, já podemos ver focos de crescimento no setor industrial que passa a necessitar novamente de profissionais para levar as empresas de volta à competitividade.
Com o aumento da velocidade das mudanças e a maior necessidade de inovação e mais alternativas criativas para um perfil de consumidor cada vez mais conectado, a indústria enxerga seu colaborador atual e futuro como investimento para que possa prosperar e, assim, manter-se competitivo. É neste contexto no qual o profissional mais preparado é aquele que está atualizado com as demandas e tendências do mercado, em linha com a realidade, e com um hall de habilidades desenvolvidas para analisar e solucionar problemas, pensar criativa e criticamente, contribuindo com o que a empresa precisa no momento.
O curso técnico é um caminho eficaz para galgar esta colocação. Além de proporcionar ingresso rápido no mercado de trabalho, é uma modalidade de baixo investimento que proporciona um grande percentual de práticas voltadas à área de escolha. Hoje, destaca-se como um diferencial para a colocação no setor industrial.
Não há idade para iniciar um curso técnico, basta estar cursando ou ter concluído o ensino médio. Por isto, pode ser uma ótima opção para o jovem que deseja experimentar uma área de atuação e planejar sua carreira, servindo como ponte para uma futura graduação. Para os profissionais já colocados, é uma excelente fonte de atualização, já que hoje as empresas estão procurando por maior automação e eficiência na tecnologia para fazer a transformação digital acontecer. E este cenário também se mostra bastante favorável para os que buscam recolocação, que podem utilizar o curso técnico como fonte de preparação da melhora de sua performance para contribuir para a prosperidade da empresa. Uma pesquisa divulgada pela CNI, as empresas entrevistadas apontam que grande parte da dificuldade de digitalização dos processos produtivos está na escassez de profissionais capacitados para este fim. Está aí a diferença que um profissional antenado e capacitado pode fazer para reverter esta situação.
Apesar da necessidade apontada pela indústria de um grande número de profissionais técnicos no Brasil para os próximos dois anos, destacado em pesquisa também realizada pela CNI, o número de jovens que cursa esta modalidade no Brasil em idade de ensino médio ainda é muito menor se comparado a países como Alemanha, Áustria, Finlândia e França, que possuem mais de 50% de alunos entre 15 e 18 anos fazendo curso técnico. O novo ensino médio trará mudanças positivas para reverter este quadro, mostrando que a educação profissional pode ser um caminho real e próspero para o jovem construir a sua carreira. Um incentivo que pode render frutos decisivos para a recuperação do país.

* Giovana Chimentão Punhagui, gerente executiva de Educação do Sistema Fiep, é pedagoga e mestre em Educação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), certificada pela Universidade de Cambridge para o ensino de língua inglesa e formação de professores.
Bananeira não dá pera

Inúmeros são os ditos populares que explicam os percalços da vida, carregados de sabedoria, professados pelas pessoas que nos antecederam e que não perderam o valor pedagógico, ao longo do tempo. Há pessoas que passam pela vida ‘plantando vento’ e se surpreendem quando acabam por ‘colher tempestades’. Não é raro se atribuir à sorte as conquistas das pessoas. Que uma parte da conquista é graça, não há dúvidas, mas a outra é esforço, trabalho, dedicação e muita persistência diante das adversidades.

Em Santa Catarina, lugar de onde eu venho, ditos populares nos economizam uma série de explicações sobre o que acontece nos relacionamentos humanos, pois comunicam e ensinam, de forma espontânea, direta e bem-humorada. Capturo, com isso, portanto, o valor da simplicidade em nossos relacionamentos. E, mais ainda, o quanto é complexo ser simples.

O início de um ano é, para mim, como um caderno novo, que nos impele a organizar e caprichar somente pelo fato de ser novo. Inúmeros são os propósitos que temos e que, de tantos, acabam no esquecimento. Portanto, faço um convite para avaliar esse 'check list', a fim de encontrar um tempo na agenda deste ano para exercitar a simplicidade, tão presente na infância e, por vezes, esquecida na vida adulta.

Steve Jobs, fundador da Apple, dizia que a simplicidade era o seu mantra, tanto quanto o foco. "O simples pode ser mais difícil que o complexo: é preciso trabalhar duro para limpar seus pensamentos de forma a torná-los simples", afirmou certa vez. É a simplicidade que emoldura a memória emocional, que nos constitui como gente e, para reativá-la ao nível da consciência, é necessário nos perguntar: pelo que o nosso coração 'suspira'?

Particularmente, encontro um ‘cardiosuspiro’ no tempo em que passávamos na estufa do meu avô, varando noites para secar o fumo, comendo balas de puxa-puxa feitas pela minha avó, que puxava o melado quente, de uma mão para a outra, até ficar ao ponto de bala. Essa convivência era regada por muitas histórias sobre a vida, que me ajudaram a ser quem eu sou e despertam em mim um orgulho que pulsa, ou seja, ativa um suspiro que me enobrece ao recordar (pensamento que passa pelo coração).

Curiosamente são as coisas mais simples e singelas que nos marcam positivamente. Não é incomum, particularmente, me emocionar com o cheiro do fogão à lenha. Ele me remete a um tempo onde a vida era menos complexa e mais intensa de sentido, emerge do exercício dessa memória que nos “gentifica”, ou melhor, que resgata os contornos que nos fazem mais gente, mais responsáveis por aquilo que nos tornamos, sem a falsa expectativa de poder colher pera de uma bananeira.

* Acedriana Vicente Vogel é diretora pedagógica da Editora Positivo
Os perigos da Hepatite A

De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Saúde em 2017, os casos de Hepatite A quase que dobraram em comparação ao ano anterior, com um aumento expressivo na região Sudeste do país. Um dos motivos para o aumento dos casos da doença foi o avanço do contato sexual desprotegido. Apesar de a Hepatite A não ser uma infecção sexualmente transmissível, só o contato com a região perianal ou com material fecal pode gerar contaminação. Causada por um vírus que inflama o fígado, a Hepatite A é transmitida pela ingestão de água ou alimentos contaminados com dejetos. Locais onde o saneamento básico é precário, como praias em que o esgoto é despejado diretamente no mar, oferecem o risco à saúde.

É preciso ficar atento aos sintomas que aparecem entre duas a quatro semanas após o contágio, como: dores nas articulações, no abdômen ou nos músculos, fadiga, febre baixa, perda de apetite, vômitos, náuseas, diarreia e em alguns casos, coceira, pele e olhos amarelados, perda de peso e urina escura. Porém, nem todo indivíduo apresenta os sintomas, daí a importância de sempre realizar exames periódicos para detecção da Hepatite A. Em casos muito raros, ela pode levar a óbito, o que chamamos de hepatite fulminante ou aguda grave.

Como forma de detecção e confirmação da doença, os especialistas solicitam exames de sangue que, junto com a avalição dos sintomas, podem apresentar um diagnóstico. Não existe um tratamento específico para a Hepatite A, pois ele é feito por meio de cuidados individuais e medidas preventivas. Na maioria dos casos, o próprio fígado se cura, porém, como forma de agilizar, é possível adotar algumas medidas como evitar o consumo de álcool, e medicamentos que possam agravar o quadro, descanso, fazer pequenos lanches ao longo do dia, além de tomar bastante água.

O tempo de recuperação da doença fica em torno de três meses e o vírus não permanece no organismo. Porém, a melhor forma de evitar a Hepatite A é a prevenção por meio de vacina e cuidados com a alimentação. Não ingerir carnes ou peixes crus, lavar sempre as frutas com água corrente e sabão, não ingerir água que não esteja filtrada ou fervida, tomar cuidado com praias poluídas, principalmente no verão, onde existe uma aglomeração maior de pessoas no mar. Todo cuidado é pouco. Fique atento à sua saúde!

* Dr. Hesio Vicente Juliano, Chefe do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital IGESP.
O grande engodo

Assistimos a cada dia, a cada semana, a cada mês, há mais de dois anos, capítulos de uma novela que não termina, como tantas outras, sobre as mudanças que salvarão o Brasil da miséria, da fome, do desemprego, da violência, do sucateamento da saúde, da precariedade da educação básica e superior, das polícias, dos presídios.
Lamentavelmente as mudanças parecem se resumir em uma só: “Reformar a Previdência Social”.
A declaração é atribuída a entidade fantasma: o mercado, seja os que tem muito dinheiro e aplicam em ações e títulos públicos e privados.
Ora, meus senhores, já vimos esse filme várias vezes, com Sarney, Collor, FHC, Lula, Dilma, Temer e agora Bolsonaro, querendo usar a reforma “Frankenstein” de Michel Temer. 
FHC, Lula e Dilma fizeram reformas em nome de reduzir privilégios e déficit e nada disso aconteceu. Só ampliaram o favorecimento de um mercado que não quer saber de programas sociais, só de lucros em aplicações financeiras.
Não há no mundo civilizado uma linha sobre o Brasil, a economia brasileira. 
Dizer que as bolsas de Nova Iorque, Paris, Frankfurt, Xangai, Hong Kong, Tóquio, exigem a reforma da Previdência é uma farsa do engodo que dimensiona a tragédia nacional.
Ninguém fala em reduzir a dívida pública que suga a poupança nacional, beneficiando justamente total mercado de um neoliberalismo perverso e não tem paralelo em economias capitalistas modernas.
Ninguém fala que o problema principal da Previdência Pública (RGPS) está no seu financiamento, não fiscalização e cobrança dos que se beneficiam como o agronegócio (que deixa de pagar R$ 100 bilhões/ano), bem como os as renúncias (principalmente de filantrópicas, agronegócio, Supersimples e Mei), as desonerações, os Refis e os subsídios, com contribuição de 50% e benefícios de 100%.
É certo que a Previdência da União, Estados e Municípios (os chamados regimes próprios) está no fundo do poço, mas os militares nunca pagaram. Estados e Municípios recolhem dos servidores e não pagam o INSS, ou transferem por seus fundos.
Preocupo-me, como previdenciário há 40 anos, com o RGPS, com o INSS.
Todos que fizeram a reforma da reforma da Previdência não economizaram um tostão. Pelo contrário, escancararam os ralos com os Refis e mais Refis para honrar seus compromissos com os financiadores de seus partidos e políticos os caloteiros públicos (mais de R$ 100 bilhões para estados e municípios, uns R$ 500 bilhões para indústria, comércio, transformação e serviços, e R$ 20 bilhões para o agronegócio).
O novo ministro fala que a inadimplência é de 40%. Por que não cobra deles, primeiro? Por que não cobra a dívida ativa que cresce exponencialmente e ainda entrega a PGFN, que deveria cobrar a dívida ativa, a parasitas e incompetentes? 
O novo ministro fala em 40 milhões de informais. Porque não buscar mecanismos para que paguem corretamente, se sonham em se aposentar?  Que paguem 50% e tenham um benefício de 50%. É correto. Não como fizeram Lula e Dilma que em nome da inclusão previdenciária criaram seis novos funrurais que, se não forem revistos com urgência, vão implodir o RGPS mais adiante. 
O ministro fala em ralos. Por que que não acabar com renuncias, desonerações, Refis.  Benefícios criados sem o devido custeio, para agradar a base política na base do toma lá dá cá?
O modelo previdenciário brasileiro é ímpar no mundo contemporâneo. O ministro não fala nos R$ 1,5 trilhão dos ativos da previdência complementar aberta dos planos e fechada dos fundos. Nenhum país como nosso tem ativos que financiam 100% a dívida pública e paga 31 milhões de aposentados e pensionistas; 4,5 milhões de benefícios assistenciais e financia quase 70% dos municípios e ainda é a maior redistribuidora de renda. 
O novo ministro fala em copiar o modelo chileno totalmente falido e com os aposentados na miséria. Modelo criado pelo irmão do atual presidente na ditadura chilena e que ele está revendo. Lembremo-nos que o Chile não tem 20% da população do Brasil (são 18.5 milhões para 205 milhões!).
O novo ministro fala em instituir o regime de capitalização, mas na realidade é instituir a previdência sem contribuição patronal, (sonho de todo empresário é deixar que o trabalho se vire) o que inexiste no mundo. Se existe diga onde.
Fala em mudar o modelo alemão, modelo perverso, um sistema orientado somente pela remuneração, privilegiando somente os de alta remuneração, sem o regime de solidariedade. Os alemães pobres, com remuneração baixa dependem na velhice de ajuda social do governo. 
O ministro erra redondamente quando acha que o regime de repartição simples está superado. Nem a Escola de Chicago acha!
O grande engodo foi nos enganar que fariam a reforma necessária, com quem entende de Previdência, os previdenciários, mas me parece que já vem um prato feito e requentado para atender os interesses de banqueiros   e de seguradoras e de investidores ávidos e sequiosos pelos rendimentos de ações.
Nosso novo presidente pregou durante sua campanha esperança, mudanças, doa a quem doer, acabar com as desigualdades, acabar com a violência, sem roubar e sem mentiras.
Prefiro admitir que quem mente também rouba, corrompe, pois rouba o direito de se saber a verdade do que está por trás da reforma da Previdência, RGPS e Regimes Próprios.

(*) Paulo César Régis de Souza é vice-presidente Executivo da Associação Nacional dos Servidores Públicos, da Previdência e da Seguridade Social - Anasps.