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Eleições: economia em alerta

O ano de 2017 foi de estabilização da economia, com o controle da inflação e a redução significativa de juros. As equipes lideradas por Henrique Meirelles (Ministro da Fazenda) e Ilan Goldfajn (Presidente do Banco Central) iniciaram a recuperação do mercado de crédito e o aumento dos salários reais, favorecendo o aumento de investimentos e crédito coorporativo. Mesmo com as notícias positivas no segundo semestre de 2017, as previsões para o ano de 2018 ainda são nebulosas.

Embora tudo indique que o crescimento do PIB brasileiro em 2018 seja de 2,5 a 3%, as eleições presidenciais, que ocorrerão em outubro (1º turno), nublam o cenário de médio e longo prazo. Em relação ao pleito, o mercado tem como maior receio a eleição de um candidato de esquerda (Lula, ou como segunda opção Ciro Gomes), que provavelmente implicaria em um retrocesso em todas as mudanças estruturais realizadas pelo atual governo (Teto de gastos, TLP e Reforma Trabalhista) e em um agravamento do cenário econômico. No outro extremo da disputa, encontra-se o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que embora tenha tentado emplacar um discurso supostamente ‘liberal’ em alguns eventos, deu várias demonstrações de ser contrário as reformas e defende com frequência a intervenção estatal na economia, também visto com maus olhos pelo mercado. 

Seguindo os dados do mercado, o cenário deve permanecer estável em relação a juros (7% a.a.) e a inflação (4% a.a.), porém deve encontrar grande volatilidade cambial durante todo o ano. O boletim Focus (Cerca de cem instituições financeiras ouvidas pela Banco Central) prevê que o dólar americano deva finalizar o ano de 2018 cotado em R$ 3,30, porém a oscilação deve quebrar a barreira dos R$ 4 (cenário eleitoral negativo) ou dos R$ 3 (cenário eleitoral positivo). Pensando nisso, as empresas devem tomar muito cuidado na hora de captar recursos, principalmente no que se refere ao índice em que o empréstimo será indexado. Só assim será possível evitar surpresas no médio prazo com possíveis alterações do próximo governo. Logo o planejamento de uma dívida estruturada é a opção mais segura para fugir dos produtos de prateleira de bancos comerciais.

Além das eleições, outros dois fatores complicadores podem desestabilizar o quadro: a realização das reformas estruturais propostas pelo governo Temer e o risco associado à classificação do Brasil pelas agências de rating. A não aprovação da reforma da previdência, a principal em discussão, poderia representar a gota d’água para o rebaixamento perante as agências, que por consequência, diminuiria a quantidade de investimentos estrangeiros no país e também poderia impossibilitar o governo de emitir títulos no exterior, perdendo uma importante fonte de financiamento.

Ou seja, esse cenário desafiador vai exigir muita maturidade e paciência de todos os empreendedores brasileiros, principalmente no segundo semestre do ano. Antes de tomar decisões importantes, será fundamental analisar os mais variados cenários para que a possível instabilidade do mercado não acabe gerando grandes perdas.

*Por Carlos Sviontek, diretor da Legacy Partners, é formado em Administração pela universidade Federal do Paraná.
Fronteiras vulneráveis e o contrabando de cigarros

Recentemente a Receita Federal de Foz do Iguaçu apresentou balanço das apreensões de mercadorias e veículos realizadas durante o ano de 2017, que somaram US$ 80,1 milhões, o que representa, aproximadamente, R$ 260 milhões. Esse valor é 19% maior que o registrado no ano anterior, quando as apreensões foram de US$ 67,4 milhões.

Com relação à composição das apreensões, o cigarro lidera o ranking da ilegalidade, correspondendo a 38% das mercadorias apreendidas no ano passado. No total foram apreendidos 20 milhões de maços de cigarro, o que corresponde a, aproximadamente, R$ 100 milhões. Na sequência estão eletrônicos e informáticas com 22% e 7%, respectivamente.

Além das mercadorias e veículos foram apreendidos pelas equipes operacionais da Receita Federal que atuam na região de Foz do Iguaçu drogas, armas e munições que entrariam de forma ilegal no país.

Não obstante os resultados elogiáveis das apreensões realizadas pelas Receita Federal, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal em Foz e demais regiões, constata-se que precisamos fortalecer o controle das fronteiras para o eficaz combate à entrada de produtos ilegais no território brasileiro.

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2015 mostrou um cenário desolador para as políticas públicas voltadas para as fronteiras brasileiras e essa realidade se propaga até os dias de hoje.

Entre os problemas apontados destacam-se o baixo grau de investimentos e a carência de recursos humanos, materiais e financeiros dos órgãos responsáveis pela prevenção, controle, fiscalização e repressão aos crimes de fronteira. Desta forma, essas regiões encontram-se absolutamente vulneráveis ao crime, seja ele o contrabando de produtos como cigarros, o tráfico de drogas e armas, entre outros.

Prova de que muito ainda tem que ser feito em prol do controle de fronteiras é o comércio de cigarros contrabandeados no Brasil que atingiu o nível recorde em 2017, representando 48% do volume total das vendas do produto. Em 2016, o contrabando representava 45% das vendas totais de cigarros e em 2015, 30%, segundo dados do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP).

Para enfrentar o desafio de exercer o controle de mais de 16 mil quilômetros de fronteiras e os 1,7 milhão de quilômetros de rodovias que permitem o acesso a praticamente todo território nacional e aos países vizinhos é fundamental aperfeiçoar a estrutura voltada para o controle de fronteiras.

O governo brasileiro precisa dar mais apoio técnico e operacional à execução do Plano Nacional de Fronteiras, com especial atenção à fiscalização da fronteira entre Brasil e Paraguai.  Entre as ações possíveis e com resultado efetivo estão a instalação de Centros Integrados de Controle e Inteligência nas Fronteiras e em pontos estratégicos nas rotas rodoviárias, com a participação das forças policiais, além do uso de raio-X nas fronteiras fiscais e drones para fiscalizar as fronteiras e estradas. De outro lado, o já corriqueiro contingenciamento de recursos orçamentários não pode continuar, essa prática coíbe a ação do Estado e estimula a ocupação de espaços pelas organizações criminosas.

É certo que não podemos deixar o mercado ilegal dominar o comércio brasileiro fortalecendo a criminalidade e aumentando a violência que afeta toda a sociedade. 

*Edson Vismona é Presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) e do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO)
O que é sucesso para você?

Hoje, o que não faltam são técnicas indicativas, desde as mais complexas até as mais simples, para se alcançar o sucesso profissional e pessoal. Geralmente, esses métodos trazem a promessa de que, se seguirmos os seus passos, teremos resultados positivos. Mas o fato é que nem sempre o ser humano consegue definir o que representa o sucesso para si, afinal essa palavra tem um leque de significados muito grande. Cada um tem uma ideia particular, tem associações mentais e emocionais diferentes, mesmo que sejam com pequenas nuances.

É comum seguirmos os passos de outros indivíduos que tiveram retornos assertivos como exemplo, porém o resultado, muitas vezes, não é o esperado. Como consequência, temos a sensação de que nada deu certo e de que não somos capazes. Existem algumas atitudes - reflexões simples e indispensáveis - para obtermos o que desejamos em todas as áreas de nossas vidas, como a autoconsciência e a percepção sobre o que realmente importa para nós.

Para ir ao alcance dos seus ideais, é possível destacar quatro atitudes essenciais: seja você mesmo e perceba e respeite a sua unicidade, o seu brilho e a sua energia; cuide da sua atitude mental - a força do ser humano para o sucesso se encontra na intencionalidade, e ter atenção direcionada permite criar uma representação interna do objetivo final; lembre-se do poder de ter as metas definidas, negligenciá-las impacta no tempo, na força, no foco e na direção perdidos; crie ações para concretizar os seus sonhos, organize seus recursos e o seu tempo - a sabedoria não é puramente teoria, também é preciso colocar em prática.

O sucesso não é algo estático, mas, sim, um estado que muda nos períodos da vida, algo a ser confirmado periodicamente. Precisamos constantemente de novos desafios e, com quatro questões, podemos avaliar se estamos seguindo o caminho do nosso sucesso: eu estou realizando os meus objetivos de vida?; estou feliz com o que conquistei?; eu cresci durante o caminho?; e outras pessoas se beneficiaram com os meus resultados?.

O sucesso definido como satisfação própria vem do fortalecimento da autoestima, do reconhecer e utilizar os próprios talentos. É um processo de evolução pessoal, em que três pilares se conectam: ter bem claro o próprio conceito e significado de sucesso; conduzir a própria vida de forma ética e coerente com os próprios valores; se sentir satisfeito com os resultados obtidos no passado, no presente e as metas estabelecidas para o futuro.

Seja você a pessoa que visa à solução, não o problema. Ainda que sejamos colocados à prova em momentos de revés, sentir-se realizado é determinante. Firmar expectativas nos resultados que envolvam o seu reconhecimento pessoal contribui para que o sucesso seja alcançado. É você quem constrói o seu sucesso todos os dias e merece desfrutar e compartilhar dele em todas as suas ações para viver como sempre desejou.

*Eduardo Shinyashiki é presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki, mestre em neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, é referência em ampliar o poder pessoal e a autoliderança das pessoas, por meio de palestras, coaching, treinamentos e livros, para que elas obtenham atuações brilhantes em suas vidas. Mais informações: www.edushin.com.br.
Os tons da campanha eleitoral

Como será a campanha eleitoral deste ano? Que prioridades comporão a agenda partidária? A resposta exige saber as diferenças entre o pleito deste ano e o de 2014. Vejamos: 1. Não serão permitidas doações aos partidos por empresas; 2. A campanha em rádio e TV terá a duração de 35 dias, enquanto a campanha de rua não poderá ultrapassar 45 dias. (Na anterior, durava 45 dias na mídia e 90 nas ruas). Teremos, portanto, uma campanha mais modesta do ponto de vista de recursos financeiros e mais curta.

Sob essas mudanças, resta aos candidatos as alternativas: aumentar a visibilidade junto ao eleitorado; usar novos meios para cooptar eleitores, pois contarão apenas com as verbas a saírem do Fundo Especial de Financiamento de Campanha- FEFC - aprovado pelo Senado e pela Câmara, de cerca de R$ 1,7 bilhão. (Em 2014, só para as candidaturas presidenciais as despesas somaram R$ 652 milhões, 13% do total gasto com as campanhas estaduais para governadores e deputados). Para este ano, a projeção é de um gasto de R$ 300 milhões na campanha presidencial, a metade da anterior.

O cabresto financeiro curto e a diminuição do tempo de campanha elegem as coligações como a maior prioridade dos partidos que lançarão candidatos. Quanto mais ampla a coligação, maior tempo de mídia eleitoral. O rádio e a TV são os meios que propiciam a massificação do nome e dos programas dos candidatos. Lembrando: o PT deverá dispor de 5 minutos e 13 segundos e o PSDB, de 4 minutos e 11 segundos. Seis outros partidos – MDB, PP, PSD, DEM, PR, PSB – deverão dispor de 18 minutos e 12 segundos. Logo, o caminho que resta aos candidatos é procurar formar coligações com grandes e médios partidos, de forma a aumentar sua exposição.

A campanha deste ano deverá receber forte impulso das redes sociais. Nessa área, o deputado Jair Bolsonaro está hoje na dianteira, contabilizando 4.719.570 seguidores no Facebook e com 3,2 milhões de reações entre 23 de setembro e 23 de outubro passado, enquanto Lula, com 3.045.933 seguidores no Facebook, teve 1,1 milhão de reações; João Doria, com 1.060.737 seguidores, teve 1 milhão de reações. Os 12 nomes que hoje se apresentam como pré-candidatos somam 16,9 milhões de seguidores no Facebook, 6,2 milhões no Twitter e 1,7 no Instagram. Portanto, quem está com a máquina das redes a pleno vapor sai na frente.

Como é sabido, o marketing político com foco em eleições se ampara em cinco eixos: pesquisa, discurso, comunicação, articulação e mobilização. O eixo de articulação abriga intensa agenda de contatos com os grupamentos eleitorais e com a própria teia política. Serão vitais a articulação social e a articulação política. A primeira abrange contatos de candidatos com a freguesia eleitoral (segmentos, categorias profissionais e classes sociais). Pano de fundo: a sociedade brasileira dá as costas à política, preferindo que organizações da sociedade civil a representem: associações, sindicatos, federações, grupos, núcleos, setores profissionais.

Quase 50% do eleitorado brasileiro se concentram em apenas 191 dos 5.568 municípios. Trata-se de um momento para firmar compromissos, ouvir demandas, propor coisas viáveis e factíveis, mostrar-se por inteiro ao eleitor.

Quanto ao discurso, é oportuno lembrar que o eleitor está vacinado contra promessas mirabolantes, programas fantasiosos.

A pequena visibilidade de alguns candidatos poderá ser fatal. Os mais onipresentes – aparecendo em todos os lugares – estarão na dianteira. As redes sociais poderão ser meios para multiplicar a presença do candidato. Usar as redes de modo que não cheguem a massacrar o seguidor – eis outro desafio a ser enfrentado. Por isso, os programadores das redes e os fornecedores de conteúdo deverão compor o batalhão de frente das campanhas.

Resta recitar o ditado: muita disposição, fé em Deus e pé na tábua.

Gaudêncio Torquato, jornalista, professor titular da USP é consultor político e de comunicação. Twitter: @gaudtorquato
Escola para quem? Principal indagação da retrospectiva 2017

Temos observado que de um tempo pra cá o tema ‘Educação’ tem sido destaque em diferentes mídias, o que mostra a importância do tema. Porém, também devemos tomar cuidado para dar mais munições - contextos e conceitos críticos e interessantes -, que vão além de meros dados. Assim, o presente artigo pretende mapear alguns dos principais acontecimentos em 2017.

Quais cenas estiveram presentes como marcas da educação? Quais fatos foram comentados? O que eles nos dizem a respeito das representações da educação de hoje?

Uma cena comoveu o país, um professor de música da Rede Municipal de uma escola do Rio de Janeiro cantou para distrair as crianças – que estavam abaixadas nos corredores da instituição de ensino - de um tiroteio que acontecia na rua. A mensagem da canção girava em torno de que é possível sonhar com um mundo melhor. Pelo menos naquele corredor, um mundo se fez melhor, por uns instantes.

Em 2017, houve muitas discussões em torno da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e suas versões. A Base foi aprovada em dezembro, mas o processo de aprovação acabou gerando polêmica, pois de acordo com alguns educadores, apesar de o texto estar mais enxuto, o documento parece estar mais conteudista. Para quê? Para quem?

Também esteve na pauta do governo a Reforma do Ensino Médio. Muito se falou e se discutiu, mas muitas dúvidas e incertezas estão presentes. Como todas as implementações acontecerão nos diferentes espaços de ensino e aprendizagem? Com tantas realidades distintas no país, como as ações farão a diferença na vida escolar e no mundo do trabalho dos jovens brasileiros? Será que as Universidades estão dispostas a reverem suas políticas de ingresso?

Os dados contextuais não avançaram: de acordo com levantamento feito pelo Todos Pela Educação, baseado nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), cerca de 2,5 milhões de brasileiros de 4 a 17 anos estão fora da escola. E os dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) mostram que o Brasil ainda é um dos seis países com maior taxa de jovens estudantes no mercado de trabalho.

Iniciativas de sucesso foram isoladas, mas nem por isso menos inspiradoras. Colégios da capital trabalharam com ações de conscientização para mudança de atitude nas pessoas de toda comunidade, não apenas das crianças e jovens, mas também dos adultos. Trataram o lixo de uma forma profissional, incluindo desde o processo da separação até a transformação do material orgânico em adubo a partir de composteira e cultivo de horta na própria escola.

Na Olimpíada Internacional de Física na Indonésia, 5 brasileiros conquistaram medalhas de ouro e bronze. Sucesso absoluto dos nossos estudantes.

A Finlândia ocupou espaço nos veículos de comunicação por ‘planejar a educação do futuro’. Inovação, desenvolvimento de habilidades emocionais, parceria com os pais, fim de paredes físicas figuram entre as medidas para alcançar a educação que é e será ainda mais referência no mundo.

Contudo, compreendemos hoje que, diante de outros segmentos, a escola pouco mudou. Mas nem sempre mudar é sinônimo de qualificar. Mudar sim e sempre, mas com atenção ao entorno, saindo para fora dos próprios muros e sabendo para onde ir. Diante dos destaques expostos ficam interrogações: de que escola estamos falando? Para quem e para que queremos nossas escolas?  As crianças e jovens se sentem incluídos nos Projetos Políticos Pedagógicos de suas escolas?

E assim, vamos iniciar 2018 matutando acerca da frase de Mia Couto: O bom do caminho é haver volta. Para ida sem vinda. Basta o tempo.

Por Marisa Ester Rosseto, Diretora Educacional do Colégio Marista Arquidiocesano, do Grupo Marista.
Os desafios em sala de aula

Nosso país vem apresentando dados preocupantes na educação. Segundo estatística divulgada em 2015, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o professor brasileiro chega a perder 20% do seu tempo em sala tentando colocar os alunos em ordem para, a partir daí, então lecionar. Tais dados me preocupam, e devem ser levados em consideração não só pelos órgãos responsáveis, mas por toda a sociedade, para que medidas possam ser tomadas e esse quadro melhorado. Mas nós professores, também podemos adotar algumas medidas para melhorar essa situação.

Planejar o que pretende ser executado em sala e tentar prever esse tipo de situação pode facilitar a tarefa do professor no dia a dia. Desde as primeiras séries é fundamental ao docente ter um planejamento de aula, por exemplo, quando um aluno termina sua atividade antes da turma, naquele momento o professor já deve ter algum tipo de atividade que possa entretê-lo enquanto os demais finalizam a mesma tarefa. Esse tipo de atitude evita que o aluno fique muito tempo desocupado e acabe tirando o foco dos demais.

Inúmeras estratégias podem ser pensadas para facilitar a vida do professor em sala, voltamos aos exemplos. Quando ele percebe que existe em sala um aluno mais ativo que os demais, uma boa estratégia é convidá-lo para ser seu ajudante em sala, para auxiliá-lo em determinadas tarefas, assim a criança fica mais concentrada em sua nova função. Nós professores devemos ter claro o nosso papel, devemos demonstrar nossa autoridade em sala, não autoritarismo, mas sim o respeito.

Esse tipo de pesquisa nos ajuda a mapear não só o ambiente de aprendizagem, como as condições de trabalhos dos docentes, para que assim possamos redefinir políticas e adequa-las para o desenvolvimento da educação brasileira. O Brasil é hoje, o país que mais perde tempo de aula, já que a média apontada pela OCDE é de 13%, enquanto atingimos os tais 20%, isso precisa ser analisado e melhorado.

Outro dado que me chamou a atenção nessa mesma pesquisa, diz respeito à violência praticada contra professores. O país também lidera o ranking em casos de intimidação verbal de docentes. São problemas sérios, que em algum momento da vida acadêmica, nós, talvez, precisaremos enfrentar. Não podemos negar que eles existem, mas temos que trabalhar para que essa realidade melhore.  A falta de respeito e a agressão em sala tornam-se cada dia mais recorrentes e uma das únicas possibilidades de cessarmos este problema é a prática de punição, policiamento e leis que possam amparar tais situações.

*Ana Regina Caminha Braga ([email protected]) é escritora, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar.
Os 95 anos da Previdência Social brasileira

A inflação está sob controle, as famílias estão conseguindo comer com o pouco que ganham, o nível médio de remuneração do trabalhador privado e do servidor público está em queda, os preços administrados sobem quando querem (energia, gasolina, álcool e gás), o dólar está estável, o PIB não ata nem desata, os investimentos externos entram para ganhar na especulação financeira e vão embora, a bolsa navega na volatilidade do céu de brigadeiro, o emprego não cresce.

A popularidade do presidente da República atingiu os mais baixos níveis desde que começou a ser medida e a credibilidade das instituições republicanas, como o Supremo, STJ, TSE, Senado e Câmara dos Deputados, desce a ladeira, a respeitabilidade dos políticos e da elite empresarial (indústria, comércio, agronegócio, transportes) está na lata do lixo. O povo ainda confia na igreja, nos militares, em parte da mídia, nos magistrados, nos membros do Ministério Público.

Este é o panorama visto do alto.

Aqui na terra, o desconforto é grande.

A educação está difícil de acertar. Não se ouviu um só protesto diante da infâmia de convocar um Enem para 10 milhões de jovens quando há 100 mil vagas nas universidades púbicas. Isto é coisa dos piores países da África e da América Latina. A saúde está indo pelo mesmo caminho: milhões de brasileiros diariamente procuram hospitais, médicos e remédios nos 5.700 municípios do país e pouco encontram. Mas o negócio do seguro saúde vai bem, obrigado.

Os transportes urbanos, ônibus e trens, que levam e trazem milhões de pessoas diariamente vivem em estado de calamidade permanente, apesar dos bilhões pagos em subsídios pelos governos, que exigem apoio em eleições e de outros bilhões, obrigatoriamente investidos em vias púbicas, acessos, viadutos, pontes, estações que duram de uma eleição a outra.

Mas o que me preocupa mesmo é o futuro da Previdência Social que está prestes a comemorar 95 anos no dia 25 de janeiro.

A Previdência perdeu o rumo nos governos do PT/PMDB, perdeu os anéis com Lula/Dilma e os dedos com Temer. Perdeu o fôlego de oferecer futuro, esperança, segurança e tranquilidade aos brasileiros. Mesmo assim tem o que comemorar.

Temos uma Previdência Social capaz de resistir à sanha demolidora do mercado, de Temer, dos especuladores e de seus algozes.

O INSS tem 60 milhões de segurados contribuintes e 27 milhões de segurados beneficiários, aposentados e pensionistas. Segue sendo a segunda maior receita da República, a maior seguradora social da América Latina, compõe o maior sistema de redistribuição de renda do país. Em 95 anos, nunca atrasou pagamentos, mesmo nos momentos mais turbulentos.

Os ativos dos fundos de pensão, com R$ 750 bilhões, e dos planos de Previdência, com outros R$ 750 bilhões, mais de R$ 1,5 trilhão, estão a serviço não da política social, mas da fiscal.

Em 50 anos, a Previdência Social preconizada por Eloy Chaves - com as caixas e os institutos - foi orgulho de todos os brasileiros, com um sistema completo de proteção social, com o regime de repartição simples (os trabalhadores de hoje financiam os de ontem). O seu fundamento nº 1 era de que o sistema é contributivo. O fundamento nº 2, não existe benefício sem contribuição. Quando as entradas foram maiores que as saídas, foi possível financiar Volta Redonda, Vale do Rio doce e Brasília, construir uma rede de hospitais, ambulatórios, casas populares, atendimento de urgência e restaurantes populares. Nessa época, o empresário que não pagasse a sua parte ou descontasse e não recolhesse a parte do trabalhador, perdia seus bens.

Depois vieram as preocupações com o desvio de recursos para pagamentos de aposentadorias e pensões de trabalhadores rurais com pouca ou nenhuma contribuição. Os dois fundamentos foram fraudados, com consequências graves. Vieram as renúncias da contribuição patronal inicialmente para as pilantrópicas da saúde e da educação. Vieram prazos e condições favoráveis para os caloteiros, inadimplentes. Os trabalhadores perderam seus hospitais e a saúde (inclusive a reabilitação profissional) e foram atirados à vala comum do Sistema Único de Saúde. Até assistência social do INSS, limitada aos idosos sem renda e a pessoas com necessidades especiais, foi levada para um Ministério, incialmente com recursos dos trabalhadores urbanos.

Como vocês estão vendo, a Previdência Social prestou inestimáveis serviços ao país apesar das fraudes que a abalaram.

As cinco gerações de servidores, antes do computador, quando tudo era feito à mão, travaram guerra sem quartel contra a corrupção, geralmente internalizada por políticos que agiam de má fé. Essas gerações avançaram muito com o computador para eliminar fraudes. É histórica a revisão de benefícios rurais em 1922, quando foram cassados 4 milhões deles fraudados.

Lamentavelmente tivemos uma reforma da Previdência com FHC, duas reformas com Lula, que para agradar o mercado e reduzir o déficit se fizeram sobre os benefícios, cortando privilégios, e se esqueceram de mexer no financiamento para não incomodar bancos e empresários. Não funcionou.

E por que as reformas de FHC Lula não deram certo? Porque não se mexeu no financiamento. As despesas cresceram e as receitas caíram. Os benefícios aos caloteiros púbicos e privados se acentuaram, construindo uma dívida administrativa, dentro da Receita, e ativa, dentro da AGU, depois na PGFN, que cresceu exponencialmente.

Em relação ao financiamento, o que houve? FHC inventou o fator previdenciário como instrumento de redução do déficit e ampliou o déficit com renúncias para o agronegócio. Lula incorporou a Receita Previdenciária à Receita Federal, com perversas consequências. Era uma exigência do mercado. Dilma atendeu o mercado, implantou a desoneração da folha.

Com o Temer, o mercado pediu e ele acabou de vez com o Ministério da Previdência Social e mandou o INSS para o Ministério de Combate à Fome com um ministro virtual. Levou todo o dinheiro da Previdência para o Tesouro e a Receita a fim de fazer o ajuste fiscal, impôs a Desvinculação da Receita da União ao INSS, promoveu a farra dos Refis, beneficiando todos os caloteiros e trombeteou uma nova reforma, sem mexer no financiamento.

A Previdência Social resiste, com seus servidores, apesar da omissão das elites e a ignorância dos trabalhadores, espera sobreviver e chegar aos 100 anos.

Paulo César Régis de Souza é vice-presidente Executivo da Associação Nacional dos Servidores Públicos, da Previdência e da Seguridade Social - Anasps.
Pais podem ajudar os filhos a estudar melhor?

É comum ouvir, pelo país todo, na maioria das escolas, a expressão: semana de provas. Esta prática, associada a outras ações que há muito tempo fazem parte da rotina escolar e do ambiente familiar, criaram a cultura do estudar para as provas. Contudo, o Prof. Pierluigi Piazzi, nos seus livros Aprendendo Inteligência, Estimulando Inteligência e Ensinando Inteligência, comprova que o cérebro funciona num ciclo de 24 horas e que os conteúdos vistos em sala de aula, se não forem reforçados, no mesmo dia, antes de dormir, podem ser apagados durante o sono, pois dormir significa, limpar o cérebro. E propõe que a melhor maneira de estudar para aprender, é estudar pouco mas todo o dia. E ao estudar todo dia, para fixar no cérebro e não mais esquecer, ele recomenda que se escreva o máximo possível, fazendo resumos, exercícios, mesmo que o papel escrito seja depois jogado no lixo, pois quando se faz isto, a mais importante escrita não é no papel, é no cérebro.

Porém para aquisição do hábito de estudar pouco, mas todo dia e escrevendo, os pais ou responsáveis pela criança ou adolescente devem fazer todo esforço possível, devem insistir, pois hábito se adquire pela repetição. Mesmo aqueles pais que trabalham o dia todo, devem tirar um tempinho ao final do dia para ver se o filho estudou conforme a orientação.

Afinal, não são os filhos aquilo que os pais mais amam? Ou querem os pais que seus filhos sejam na vida adulta, analfabetos funcionais, mal preparados profissionalmente? Pensamos que não. Por isso, vale todo esforço possível para a aquisição de tão importante hábito.

Edésio Reichert é empresário e ex-presidente da Acit. [email protected]
As perspectivas otimistas dos hospitais do futuro

Os avanços da ciência e da tecnologia continuam surpreendendo a maioria das pessoas e não demorarão a afetar atividades mais complexas, como unidades de tratamento de saúde.

Conforme especialistas, dentro de alguns anos as mudanças chegarão, inclusive aos hospitais, públicos e privados e com a utilização de robôs, mapeamento de DNA e atendimento à distância.

Com isso, os corredores dos estabelecimentos terão cada vez menos movimento, pois os médicos poderão, inclusive, realizar cirurgias de cidades e até países diferentes do local de internação do paciente, graças aos novos equipamentos.

Até mesmo a estrutura dos hospitais sofrerá alterações radicais, pois os grandes complexos deixarão de existir, já que o atendimento estará na tela do celular de médicos e pacientes. Os prédios serão menores e as pessoas só serão internadas quando houver a necessidade urgente de cirurgias altamente especializadas.

Além disso, os novos hospitais deverão ser mais abrangentes, ampliando os serviços prestados, desde o atendimento primário, até as pesquisa e exames em laboratórios.

Até mesmo as tradicionais consultas regulares com médicos da confiança sofrerão alterações profundas, pois ainda antes da pessoa ingressar no consultório, o profissional poderá saber até os percursos de caminhadas do paciente naquele e em dias anteriores.

Além disso, as consultas poderão ser também feitas à distância, a partir da sala de casa dos pacientes, de onde poderá falar com o médico através de um monitor. 

Na realidade, segundo especialistas, os chamados hospitais do futuro já existem, embora ainda sejam raras exceções. As unidades precursoras podem ser encontradas em países como os Estados Unidos, a Suécia e a Espanha.

As últimas estimativas de especialistas são que esses estabelecimentos revolucionários se multipliquem pelo mundo dentro de pouco tempo, pois contribuirão muito para melhorar o bem-estar da população, reduzir eventuais erros médicos e abrir as portas do sistema de saúde para a inteligência artificial.

No Brasil, tais avanços já são muito esperados por especialistas em saúde pública. O País, segundo o Ministério da Saúde, contava em 2014 com mais de 6,9 mil estabelecimentos em funcionamento, dos quais 36% públicos, com o total de 489,5 mil leitos.

Para a manutenção do sistema, incluindo o setor público e o privado, o Brasil consumia 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB), por ano, mas apesar desse volume de recursos, a saúde pública brasileira continua enfrentando o desafio que tende a se agravar, com a inversão na pirâmide demográfica.

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer aumentou de 69,8 anos em 2000 para 75,8 anos em 2016.

A previsão é de que em 2030 aumente para 78,6 anos e conforme cientistas mais ousados, o brasileiro que viverá 150 anos já nasceu. Os idosos que representavam 8,1% da população em 2000, deverão atingir quase 30% em 2050, trazendo novas dificuldades para saúde pública, pois quanto as pessoas mais envelhecem, mais ficam doentes e necessitam de atendimento e medicação.

Além disso, segundo o IBGE, 40% da população brasileira já possuem alguma doença crônica, como diabetes, pressão alta ou Alzheimer. Esse percentual de enfermos deverá ser ampliado nas próximas décadas, o que exigirá cada vez mais do sistema de saúde pública, se transformando no maior desafio do setor no futuro.

*O autor é deputado federal pelo Paraná. E-mail: [email protected].
Os desafios educacionais e o novo modelo do Ensino Médio

O Brasil tem enfrentado vários desafios no campo educacional e é preciso que haja adaptações e mudanças rápidas e contextualizadas. Uma das metas do Plano Nacional da Educação (PNE) é fomentar a qualidade da educação básica nas diversas etapas e modalidades, com foco na melhoria do fluxo escolar e na aprendizagem, de modo a qualificar as médias nacionais para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Em consonância com as metas do PNE, a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem como objetivo promover a igualdade e a equidade entre as disparidades observadas em termos de educação, por meio da definição das aprendizagens essenciais, ou seja, orientar a educação para a formação humana e integral, construindo-se, desta forma, uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

A BNCC tem a intenção de aprimorar a educação brasileira, melhorando os indicadores, mas nossa preocupação precisa ir mais além: Quando as mudanças propostas por essa base chegarão de fato às escolas públicas? Quando essas mudanças surtirão efeito concreto e de forma igualitária na vida dessas crianças? Quanto tempo demorará para que tais mudanças se concretizem? Será preciso acompanhamento das aprendizagens por meio dos indicadores?

Espera-se que as novas diretrizes da BNCC, juntamente com as propostas pedagógicas das escolas, possam melhorar o nível de aprendizagem de nossos estudantes em todo o país, considerando-se que a fundamentação pedagógica desse novo documento (BNCC), estabelece que todos os conteúdos curriculares estejam a serviço do desenvolvimento de competências.

Em relação ao Ensino Médio no Brasil, a situação é preocupante, com disparidade entre o índice de alunos matriculados no Ensino Fundamental e o número de alunos concluintes do Ensino médio.

Os diversos índices negativos educacionais no Brasil são conseqüência da falta de qualidade do ensino, de falta de infraestrutura adequada, da formação e da carreira docentes, das condições socioeconômicas e, principalmente, do currículo dos cursos que formam os docentes para atuar nos diferentes níveis de escolaridade do aluno.

A BNCC do Ensino Médio levou em consideração os princípios norteadores da formação do jovem para o trabalho, por meio da ampliação da carga horária, que hoje é de 800 horas, e passará para 1.400 horas, em um período de cinco anos, mudança esta que deverá ocorrer de forma progressiva.

Haverá uma flexibilização curricular e o estudante escolherá seu itinerário acadêmico; entende-se, neste ponto, que esse formato possibilita o protagonismo juvenil e é mais coerente, pois, aproxima-se das necessidades individuais, tornando o currículo mais significativo. Em consonância com a proposta pedagógica para o Ensino Médio, o Projeto Marista para o Ensino Fundamental (2010, p. 31) rege que fazer a educação na diversidade significa ensinar em um contexto educacional no qual se destacam as diferenças individuais, ampliando e flexibilizando os currículos praticados.

As escolas precisam incluir nos projetos educacionais, temas como cidadania, pesquisa, transdisciplinaridade, sustentabilidade, virtualidade, globalização, dialogicidade, solidariedade, entre outros, de maneira a formar cidadãos protagonistas da própria vida, e de uma sociedade rumo a um futuro melhor e mais solidário, para que as diferenças sejam, ao menos, minimizadas.

*Aldivina Américo de Lima é diretora educacional do Colégio Marista Maringá e Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM/ PR).