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Logística reversa

Muito tem se falado sobre consumo consciente e descarte adequado do lixo. Iniciativas sustentáveis são observadas em diferentes cidades no mundo e sinalizam uma forte tendência a novos hábitos de vida, novas formas de comprar, morar e adquirir serviços. Aos poucos, o homem tem percebido que o consumo desenfreado esgotará, em algum momento, os recursos naturais e se tornará insustentável.

A reciclagem de resíduos sólidos é a solução mais inteligente e financeiramente viável para controlar o volume de lixo acumulado em aterros sanitários e o descarte inadequado no meio ambiente. Além das vantagens ecológicas, a reciclagem gera também economia nos custos de produção, pois exige menos insumos e energia no processo. Outro fator positivo é a geração de renda a catadores e cooperativas de reciclagem.

O caco também permite à indústria de vidro ter mais eficiência energética e menos emissão de gases de efeito estufa: a cada 10% de cacos colocados nos fornos, são reduzidos em média 2,9% do consumo de energia elétrica e 5% das emissões de gás carbônico na atmosfera.

O Brasil, no entanto, ainda possui entraves para o bom funcionamento da logística reversa dos materiais, isto é, o caminho que o lixo percorre até ser transformado em algo novo de novo. O vidro, por exemplo, é o único material infinitamente reciclável, o que significa que pode ser usado para refazer o mesmo produto diversas vezes, sendo que 1 quilo de cacos vira 1 quilo de vidro novo. Nossos índices de reciclagem, porém, ainda são baixíssimos em comparação a países da Europa.

A grande dificuldade está no retorno desses cacos à indústria, que se deve por um conjunto de fatores motivadores, como a falta de conscientização da população para o descarte adequado do vidro, pouca efetividade das políticas públicas de coleta seletiva e educação ambiental e, por último, problemas na estruturação das cooperativas, tanto no que diz respeito à infraestrutura quanto à formalização.

Diante do cenário problemático da logística reversa do vidro, algumas empresas e organizações sem fins lucrativos têm encontrado juntas alternativas para solucionar o impasse e promover a destinação adequada do material de ponta a ponta. Projetos como o realizado pelo Instituto Ecozinha, no Distrito Federal, mostram que é possível mudar a situação ecológica de uma região reduzindo a quantidade de lixo no meio ambiente. A iniciativa propõe uma solução simples e financeiramente viável, que é disponibilizar bunkers para estabelecimentos de alimentação (bares, restaurantes, lanchonetes) depositarem as embalagens de vidro usadas no dia a dia. Essas embalagens são, posteriormente, recolhidas e enviadas para reciclagem.

Cada depósito tem capacidade para receber até 800 quilos de vidro. Eles são estrategicamente instalados próximo aos estabelecimentos parceiros, de modo a facilitar o descarte adequado das embalagens.

O objetivo do projeto é incentivar o gerenciamento de resíduos e permitir que esses locais possam se adequar à Lei dos Grandes Geradores de Lixo, que prevê responsabilidade aos estabelecimentos que produzem mais de 120 litros de lixo por dia. Bares, restaurantes e lanchonetes que se estejam enquadrados na regra devem ficar responsáveis pelo próprio descarte. A iniciativa é inteiramente apoiada por instituições privadas. Os estabelecimentos interessados podem se credenciar junto ao Instituto Ecozinha e contribuir com uma taxa de manutenção mensal. Também participam obrigatoriamente de um programa de compostagem de resíduos orgânicos.

Temos muito ainda a percorrer no caminho para a sustentabilidade, mas estimular o pensamento consciente da população é o primeiro grande passo a ser dado. Podemos sim melhorar os índices de reciclagem no País. Temos de agir de forma consciente e fazer a melhor escolha para o meio ambiente e para a sociedade.

Ações como essa, mesmo que incipientes, atuam em seus microcosmos e não representam solução completa. Ainda é necessária a ação em cadeia de todos os agentes por meio de mais projetos e campanhas que estimulem a logística reversa. O ciclo positivo se inicia com a oferta maior de cacos e mais cooperativas de catadores envolvidas. Quanto maior o volume de reciclagem, melhor para o meio ambiente.

Michelle Shayo é diretora de Relações Governamentais da Owens Illinois
As tensões na agenda

Passadas três semanas de governo, não é possível apontar se as linhas anunciadas na economia ganharão eficácia, mas os primeiros passos permitem tirar conclusões: a guinada do Brasil à direita remarcará, externamente, sua posição no concerto das Nações e, internamente, acentuará os níveis de tensão entre os exércitos sob o comando de Jair Bolsonaro e movimentos que até então lideravam a mobilização social. Na área política, por enquanto reinará a distensão até o momento em que as oposições retomarem o fôlego.

Na moldura mundial, o Brasil se distanciará do campo da social-democracia, particularmente junto aos países europeus, onde o sistema é forte, para se aproximar das Nações que desfraldam a bandeira da direita, sob a égide do unilateralismo. O reposicionamento do país foi claramente exposto pelo chanceler Ernesto Araújo: caminharemos sozinho em algumas estradas, significando afastamento do multilateralismo que tem guiado nossa política externa desde tempos remotos.

Seu argumento: cada Nação pode e deve trilhar o caminho que julgar mais adequado para atender ao escopo da soberania, sem seguir regras estabelecidas por outras plagas. Mais: a cultura ocidental enfrenta um ataque do “globalismo”, que carrega em seu bojo o “marxismo cultural”. O pensamento é próximo ao que defende o presidente norte-americano Donald Trump, para quem o controle da imigração (e a defesa contra a invasão de fronteiras) é vital para defender o ideário nacional, proteger valores e as identidades dos países.

A remarcação dos eixos nas nossas relações exteriores é um grande risco, a partir da reação negativa de países árabes e da esfera asiática, a partir da China, que, segundo Bolsonaro, “quer comprar o Brasil. Essa nova ordem certamente implicará novas decisões junto aos organismos internacionais que abrigam interesses das Nações, como ONU, Unesco, OMC, OEA, Mercosul, entre outras.

Voltemos ao plano interno. O perfil do presidente e a maneira direta como se expressa, sem usar intermediários, sinalizam uma linha de tensão elevada. As frentes de animosidade estarão na imprensa, em movimentos sociais e em parcela da academia. A imprensa acompanha a vida política do presidente desde o passado, registrando casos em que se envolveu (por exemplo, discussão áspera com a deputada Maria do Rosário (PT-RS), e quase sempre abordando de maneira negativa seu posicionamento de viés militar. A imprensa é considerada inimiga.

Os movimentos sociais, como o MST, núcleos ligados a arte (principalmente artistas da Globo) e grupos de intelectuais,  particularmente os alinhados com o lulismo, vão continuar a atirar bombas em Bolsonaro. Que revidará com a espada do comandante-em-chefe do país. Portanto, esses setores entrarão com ímpeto no ringue. E a pauta será longa: ideologia de gêneros, armamento, demarcação de terras indígenas, direitos humanos, inserção militar na estrutura governamental etc.

No Congresso, a tensão poderá subir mais adiante. A força do mandatário-mor nos primeiros momentos abafará questionamentos. O oposicionismo será arrefecido por enquanto. Partidos e lideranças entrarão na arena de lutas quando o governo se mostrar por inteiro. Ao PT interessa que o presidente entre na guerra expressiva que ele inventou: Nós e Eles. O apartheid social sempre foi o oxigênio petista.

Se a economia responder de forma positiva aos planos concebidos, as querelas serão arrefecidas.  E que fique claro: o Brasil será reapresentado na paisagem dos direitos e deveres, que terão seu discurso defendido pela esquerda e pela direita. A linha divisória será transparente. Quem aguarda tempos de paz e harmonia vai se decepcionar. Os ânimos sociais não serão apaziguados.

Uma chama de esperança: o aumento do Produto Nacional Bruto da Felicidade (PNBF). Se chegar à casa 7 numa escala de 10, é possível abrirmos um ciclo de harmonia. No mais, Bolsonaro precisa se guiar pela régua do bom senso e evitar a barbárie. Terá condições?

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato
Seu guia completo para Dropshipping

Olhando para construir um negócio online de sucesso? Este guia abrangente abrange tudo o que você precisa saber sobre como administrar um negócio de dropshipping.

Neste guia você irá aprender como funciona corretamente o dropshipping, por isso, continue lendo.

O que é o dropshipping?

A dropshipping é um modelo de negócios empolgante, algo com o qual os empreendedores sonham há anos. Mas você conhece os fundamentos do dropshipping? Se não, você está no lugar certo para descobrir!

O envio direto (ou dropshipping) é um modelo de negócios no qual você envia os pedidos de seus clientes para um fabricante ou atacadista, e eles enviam os produtos diretamente para seu cliente. Você nunca vê ou toca nos produtos. Resumidamente funciona assim:

•Seu cliente faz um pedido em sua loja online.

•Você envia o pedido ao seu fornecedor.

•O fornecedor envia seu pedido diretamente ao seu cliente em seu nome.

 

Principais benefícios do Dropshipping

O dropshipping é um excelente modelo de negócios devido a seus muitos benefícios:

Fácil de começar - Para alguém que nunca criou uma loja online antes, começar a usar o transporte direto é bastante fácil. Você só precisa encontrar um fornecedor, criar um site e começar a vender.

Baixo custo inicial - O maior custo para iniciar uma operação de varejo é a compra de inventário para vender. Você não precisa comprar nenhum inventário. Suas únicas despesas são os custos de criar seu website e solicitar um ID fiscal.

Baixo overhead - Como você não possui nenhum inventário, não precisa alugar um espaço no depósito. Sendo uma loja on-line, você também não precisa de um espaço físico. Seus custos fixos são o necessário para administrar seu site, que pode chegar a R$ 30 por mês.

Seleção de produtos enorme - Você teria dificuldade em encontrar um produto que não pudesse ser enviado. Há fornecedores de dropship para quase tudo.

Baixo risco - Como você não precisa se preocupar com a venda de seu inventário, uma empresa de remessa direta tem um risco extremamente baixo. Se você não vende, não perde nada!

Independência de localização - A falta de estoque significa que você pode administrar seus negócios de qualquer lugar com um laptop e conexão à internet.

Fácil de escalar - Para os varejistas tradicionais, três vezes as vendas significaram três vezes o produto de pedido de trabalho, embalagem e remessa. Com o dropshipping, significa apenas que você faz três vezes os pedidos e o seu fornecedor cuida do resto - deixando-lhe tempo para continuar crescendo no seu negócio!

 

Quem deve começar um negócio de dropshipping

O envio direto é um modelo de negócios incrível para:

Vendedores de primeira viagem: você nunca administrou uma loja online antes, mas gostaria de testá-la. É uma maneira de baixo investimento e baixo investimento para começar a vender produtos on-line.

Pessoas que querem testar o mercado para um novo produto - Você já tem uma loja, mas quer testar um novo produto para ver o que ele fará antes de se comprometer com a compra de estoque.

Pessoas que querem adicionar produtos sem investir muito capital - Você pode adicionar alguns fornecedores extras de remessa à sua linha para aumentar suas ofertas de produtos.

Pessoas que querem vender uma tonelada de itens diferentes sem carregá-los todos - essencialmente, você quer ser o WalMart da internet. Este não é um método que eu recomendaria começar, mas é possível se você estiver interessado.

 

Dropshipping é um modelo de negócio que traz sucesso?

Você pode ter ouvido que o transporte da gota é um modelo de negócio morto. Estou aqui para dizer que esse não é o caso. Você ainda pode criar um negócio de remessa bem saudável.

Dito isso, o mercado se tornou muito saturado e agora é mais necessário do que encontrar um grande nicho para competir para evitar a concorrência.

Além de ser altamente focado em suas ofertas de produtos, você também deve tentar trabalhar diretamente com os fabricantes sempre que possível, em vez de trabalhar com agregadores de dropship.

Além disso, os clientes agora estão exigindo uma maior experiência de marca, o que pode ser difícil de fornecer.

Se o seu fornecedor não estiver disposto a fazer o possível para você usando sua embalagem personalizada ou adicionando seus brindes aos seus pacotes, você pode ter mais dificuldade em competir.

Como vê, o dropshipping pode mesmo ser uma tipologia de negócio emergente e bem-sucedida se você dedicar um pouco do seu tempo a estudar este método de venda.

Conheça os tipos de alimentos que fazem bem para gestantes

Visto que será necessário equilibrar a alimentação, se atentar aos nutrientes que estão em falta, se necessário, fazer algum tipo de suplementação.

Visto que será necessário balancear a alimentação durante a gestação, muitas mães de primeira viagem ficam com muitas dúvidas sobre qual o tipo de alimentação adequada.

 

ALIMENTOS RECOMENDADOS

Sabendo que existem muitos mitos relacionados à alimentação das gestantes, como por exemplo: “mulher grávida deve comer por dois “, sendo que, conforme recomendação médica, o ideal é qualidade ao invés da quantidade. Conheça as informações abaixo e livre-se dos mitos relacionados à alimentação.

 

1.Leite e derivados: Conforme especialistas, a ingestão recomendada diariamente é de 3 a 4 copos. O leite e seus derivados são ricos em cálcio e cooperam na formação dos ossos e dentes do bebê. Alimentos como a couve, brócolis, sardinha, feijão, mostarda e produtos a base de soja são ótimas fontes de cálcio.

 

2.Carnes e ovos: São fontes ricas em proteínas e essenciais na produção de células e novos tecidos para a mãe, assim como para o bebê. É importante que a ingestão de proteína seja de 60g por dia, em alimentos como carne ovos e também ervilha, feijão, grão-de-bico, nozes e leite e seus derivados.

 

3.Carboidratos: Os carboidratos são responsáveis por proporcionar as calorias suplementares que ela necessita. São encontrados em pães, arroz e cereais integrais que não passaram por processos de refino. Caso não consuma as quantidades recomendadas de carboidratos, a gestante irá consumir seu estoque de proteína para gerar energia, causando desequilíbrio.

 

4.Couve, espinafre e brócolis: Alimentos abundantes em ácido fólico, são fundamentais para formação neurológica do bebê. A ausência deste nutriente pode implicar em má formação neurológica. A ingestão diária recomendada é de 400 mcg (milionésima parte da grama) e também pode ser encontrado em alimentos como morango, laranja, banana, abacate, quiabo e vegetais escuros.

 

5.Feijão, castanhas ou carne vermelha: São alimentos ricos em ferro e, além de evitar a anemia durante a gestação, reduzem as possibilidades de complicações no momento do parto. A orientação é que a ingestão diária seja de 30mg, entretanto muitas mulheres não consomem a quantidade necessária antes da gravidez, sendo necessário recorrer à suplementos vitamínicos.

É importante dobrar à atenção sobre o que não deve ser consumido. Alimentos ricos em sacarose(açúcar), refrigerantes, café, alimentos conservados no sal, chás ricos em cafeína, alimentos crus e bebidas alcoólicas, como cerveja preta, devem ser evitados nesta fase. O consumo pode piorar problemas existentes e intensificados pelo período da gravidez, além de causar complicações para a mãe e o bebê.

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EAD: sim ou não?

A Educação a Distância cresce a passos largos no Brasil. Em 2004, havia 60 mil estudantes matriculados nessa modalidade de ensino. Em 2016, a modalidade disparou, atingindo um total de 1,5 milhão de matriculados. Mesmo com a crise política e econômica dos últimos anos, dados da Abed mostram que a modalidade a distância foi a única que apresentou crescimento de matrículas no Brasil e, hoje, são 1,8 milhão de alunos. O número de polos cresceu ainda mais: do final de 2017 para cá, passou de 6 mil para mais de 15 mil em todo o Brasil.

A expansão não só possibilita uma modernização e flexibilização do ensino, como levar a educação a um maior número de pessoas em diversas regiões do país. Esse crescimento no número de alunos de EAD no Ensino Superior tem forte poder de transformação social, pois envolve pessoas que dificilmente poderiam cursar o Ensino Superior presencial. Além disso, por alcançar com mais facilidade diferentes regiões do país, oferece a oportunidade de qualificação para uma população que vive em cidades menores, o que por si só é muito importante, pois favorece um desenvolvimento mais homogêneo do país.

Porém, analisar apenas o crescimento dos números do EAD não é suficiente. Inúmeros estudos mostram que a Educação Superior a distância, apesar de ter grande potencial de oferta, só é benéfica se tiver qualidade. A maioria dos países do mundo tem procedimentos de acreditação acoplados a indicadores de qualidade, de maneira geral controlados pelos ministérios da Educação ou agências ligadas ao poder público, tais como o Chea dos Estados Unidos, o Acode da Austrália, o esforço do Instituto Latinoamericano y del Caribe de Calidad en Educación Superior a Distancia (Caled), e a European Association of Distance Teaching Universities (EATU). Porém, enquanto as inovações educacionais viajam a jato, os procedimentos regulatórios do EAD andam à pé.

Direito, enfermagem, odontologia e psicologia a distância, inclusive em instituições credenciadas, dependem da manifestação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB) ou do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e eles são contrários. Ora, não é possível ser habilitado a exercer profissões tão complexas sem a prática e a troca de experiências em sala de aula.

Para isso existe o ensino híbrido, que reúne o melhor dos dois mundos: a praticidade, capilaridade e economia de tempo e dinheiro do EAD, com a interatividade, convivência e experiência do presencial. Assim, ações de aprendizagem mais básicas, realizadas por meio transmissão de conhecimento pelo professor, como lembrar e entender, podem ser realizadas individualmente pelos alunos, por meio dos conteúdos didáticos disponibilizados no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Já as ações de aprendizagem tidas como intermediárias, como aplicar e analisar, podem ocorrer em situações práticas, com atividades ativas, análise de cenários e situações, fóruns de discussões e interação - que podem ser presencial ou virtual.

Por outro lado, ações de aprendizagem mais complexas e elaboradas, como avaliar e criar, devem ser desenvolvidas em aulas presenciais, em que professores propõem atividades que demandam níveis mais elevados de ações cognitivas. Essas aulas são fundamentais para que os alunos desenvolvam a capacidade de analisar, criticar, planejar e produzir.

Em suma, a Educação Híbrida - ou semipresencial, como chamamos no Brasil - precisa não apenas de tecnologia, mas de recursos pedagógicos eficazes e projetos de aula bem estruturados para que o estudante aproveite 100% do aprendizado. No Brasil, o Híbrido já é realidade - e o crescimento não deve parar nos próximos anos. Por isso, a fiscalização da qualidade desses cursos deve ser feita não apenas pelos órgãos de classe, mas por todos nós, se quisermos evoluir.

Carlos Longo é diretor da Associação Brasileira de Ensino a Distância e pró-reitor acadêmico da Universidade Positivo
Não tenha medo da IA: ela chegou para ficar

Apesar de ser uma tecnologia que já está sendo utilizada por diversas empresas e com a projeção de movimentar US$ 36,8 bilhões até 2025 (dados da Intel), o assunto inteligência artificial (IA) ainda gera muita curiosidade. Muitos se perguntam como será o uso de plataformas com a tecnologia e quais os reais efeitos que elas terão em nossas vidas. Uma coisa é fato: o uso de IA deve revolucionar a maneira como nos relacionamos com o mundo, com os negócios e com outras pessoas. Ela já está presente em nosso dia a dia e, com frequência, a usamos sem que a gente nem mesmo perceba. E acreditem, ela veio para contribuir e melhorar as nossas vidas.

As aplicações são muitas. Na educação, estamos na era do ensino por habilidades e a inteligência artificial será fundamental para ajudar professores na individualização da aprendizagem.  Hoje em dia já existem plataformas com IA que permitem aos docentes identificarem as necessidades, aptidões e deficiências próprias de cada aluno. Na saúde, um robô dotado de inteligência artificial foi programado para identificar sinais de sepse nos pacientes e já ajudou a reduzir o número de casos graves da doença no hospital em que foi implantado. Ainda na saúde, a inteligência artificial está contribuindo no diagnóstico precoce de casos de câncer, ajudando a salvar vidas.

Como qualquer outro software, o seu funcionamento será sempre uma réplica do que for programado. Ou seja, os responsáveis pelo treinamento dessas aplicações passarão a ter um papel muito importante na sociedade, uma vez que direcionarão as possibilidades de atuação e a tomada de decisão. O aprendizado contínuo será essencial para a evolução conforme as necessidades do momento.

Em um primeiro momento, as plataformas que utilizam inteligência artificial irão auxiliar a execução de atividades mais simples, permitindo que os humanos foquem em itens mais estratégicos. Para os negócios, as vantagens são inúmeras, principalmente por permitir um melhor aproveitamento do big data disponível e gerar informações para a tomada de decisões mais assertivas. Isso significa que, antes de a IA transformar o emprego, irá transformar os profissionais, que vão continuar com suas posições, mas conseguirão realizar suas tarefas de maneira mais efetiva. Depois, alguns dos empregos serão substituídos pela tecnologia. Por outro lado, como ocorreu em outras épocas com a chegada de inovações, novas profissões serão criadas - e cada vez mais elas destacarão a singularidade do ser humano. Isso vai exigir das pessoas a compreensão de que esse cenário traz mais oportunidades do que riscos e que elas devem se desenvolver para estarem prontas para tal desafio.

Um dos grandes potenciais da IA é a otimização das operações, o que já é realidade para diversos negócios que investiram na tecnologia. Segundo relatório da PwC, 54% dos executivos que implementaram soluções com inteligência artificial já visualizaram aumento de produtividade. Outro uso atual desse tipo de aplicação é no atendimento aos clientes, possibilitando acesso por diversos canais e em diversos horários. Hoje, esse uso já é realidade em setores como o de cobrança, que se beneficia pela amplitude de atendimentos simultâneos, tornando o processo mais rápido, seguro e sigiloso para o cliente devedor.

Atualmente, não entender as aplicações da IA é ir contra a evolução e querer se prender a um presente que desaparecerá em breve. A recomendação de grandes players de mercado, como da líder mundial de pesquisa e estratégia Gartner, é: “o risco de investir muito tarde é maior do que o risco de investir muito cedo”. A disrupção já está acontecendo e não há mais volta para a inovação mas sempre, tendo em mente, que o foco são pessoas.

E por falar em pessoas, devemos pensar na humanização da inteligência artificial, mas sem que isso signifique iludir quem interage com uma máquina levando alguém a pensar que está conversando com um humano. Humanizar o agente virtual é transferir a nossa linguagem para o sistema. É fazer com que as pessoas, mesmo cientes de que estão falando com um robô, consigam travar um diálogo natural, direto, do jeito que fariam se estivessem falando com alguém de carne e osso.

* Paulo Gestão é CEO da PGMais.
Os benefícios da imigração para o desenvolvimento do País

Os brasileiros que hoje reclamam muito da “invasão” de imigrantes de países enfrentando graves crises econômicas ou conflitos armados, deveriam refletir um pouco mais sobre os benefícios obtidos com a mão-de-obra e os conhecimentos de estrangeiros.

Graças à tradição agropecuária e de transformação caseira de alimentos de imigrantes italianos e alemães, por exemplo, que começaram a chegar ainda no século 19, o Brasil consolidou um dos mais importantes agronegócios do planeta e se tornou um dos maiores exportadores de proteínas de vegetais e animais.    

Foram descendentes de imigrantes italianos e alemães, como se sabe, que introduziram em regiões serranas do Sul e Sudeste do País, as culturas da uva, do milho e de hortifrutigranjeiros, juntamente com criações domésticas de suínos, aves e vacas leiteiras.

Dessa forma, desenvolveram a produção artesanal de bebidas, conservas, doces, carnes e leite, além de derivados, que garantiram sua sobrevivência inicial e o crescimento posterior, além de conquistarem consumidores nacionais e internacionais.    

Além disso, conforme recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a renda per capita do País seria até 17% menor sem os imigrantes, pois o rendimento de descendentes de não ibéricos é comprovadamente maior.

Os benefícios da abertura das portas do País à imigração no passado foram levantados pelos pesquisadores Daniel Lopes e Leonardo Monasterio, este também professor da Universidade Católica de Brasília, com base na renda de brasileiros, especialmente de descendentes de imigrantes de sobrenomes não ibéricos.

O trabalho começou com a elaboração de “dicionário de sobrenomes”, a partir de 1,7 milhão de registros de entrada de imigrantes.  Com isso, programas de inteligência artificial determinaram a ascendência de 165 milhões de brasileiros de diferentes categorias sociais.

A análise abrangeu os rendimentos de 67 milhões de trabalhadores com carteira assinada (Rais 2016), 81 milhões de beneficiários de programas federais (CadÚnico 2015) e 18 milhões de sócios de empresas e empreendedores registrados na Receita Federal do Brasil.

Identificadas as origens dos trabalhadores, foi calculado estatisticamente o impacto da ascendência do imigrante na renda per capita dos municípios brasileiros e nos salários dos trabalhadores formais.

Para determinar essa influência, a pesquisa substituiu dados de descendentes de italianos, alemães, japoneses ou de imigrantes do Leste europeu, pelos de brasileiros brancos com sobrenome ibérico.

Os ganhos associados à participação de japoneses foram relevantes, pois a cada 1% de seus descendentes, a renda per capita municipal subiu 23 reais.

Isso porque trabalhadores com sobrenomes asiáticos recebiam salários 17,8% mais altos que os de sobrenome ibérico, enquanto italianos ganhavam 6,5% acima, alemães 7,7% e descendentes de países do Leste europeu, 7,2%.

Embora o estudo não determine por que haveria vantagens para os imigrantes, os economistas apresentaram algumas hipóteses, como a do capital humano, pois em 1920, apenas 23% dos brasileiros, de todas as idades, conseguiam ler ou escrever. Já entre os imigrantes, a taxa era de 52% .

Na prática, portanto, os imigrantes do mundo inteiro, de uma ou outra forma, continuam contribuindo para o crescimento do País e a melhoria da qualidade de vida de toda a população, merecendo por isso o nosso reconhecimento e nossa gratidão.

*O autor é deputado federal pelo Paraná. E-mail: [email protected]
Irregularidade climática aumenta a importância da captação de chuva para reuso

Geralmente, entre dezembro e janeiro começam a se intensificar as chuvas. Isso porque o verão, no Brasil, é tipicamente uma época chuvosa. Essa estação é sempre muito esperada, sobretudo nas regiões mais secas, e naquelas que só contam com energia hidrelétrica como fonte de abastecimento.

Apesar disso, as irregularidades dos períodos de chuva só vêm aumentando. As chuvas mais intensas, que geralmente abastecem reservatórios, são tão irregulares que complicam a distribuição, sobretudo de locais como o Sul e Sudeste do país. Já em contrapartida, as chuvas fortes e espaçadas acabam desaguando em outros problemas públicos, como os alagamentos, que nada mais são do que a consequência de ações humanas na natureza.

É, sem dúvida, uma situação complicada, já que essa irregularidade também vem de situações de ação humana, como o aquecimento global. Para 2019, as previsões não são positivas, e isso só reforça a necessidade de uma captação de chuva por parte da população, visando seu próprio bem estar. Com a irregularidade já estimada pelos meteorologistas, se espera um aumento de temperatura, assim como chuvas irregulares, que não resolvem o problema do abastecimento dos reservatórios.

Isso desperta a reflexão sobre os impactos ambientais em cima do planeta, pois é quando começamos a sentir muito mais intensamente os danos ao clima, que são causados pela ação humana. Porém, também é um momento de driblar as dificuldades e se preparar para utilizar bem a chuva que tivermos à disposição.

Sistemas de captação de água da chuva já não são novidade. Há inclusive alternativas caseiras, que tem sua utilidade, mas muitas vezes servem apenas momentaneamente a seu propósito. Vale muito a pena buscar soluções mais completas, que captem a água da chuva, a passe por processos de filtragem e purificação, de forma a utilizá-las de forma o mais eficiente possível.

A captação ocorre de forma simples, automática e, dependendo do sistema, a destinação da água já pode ser pré-determinada, como em casos de irrigação. A água da chuva é armazenada para manter a irrigação de áreas verdes, poupando esse importante recurso hídrico e mantendo o controle da temperatura dos ambientes.

O uso de água da chuva pode resolver diversos problemas de abastecimento. A água de reuso dá conta das atividades que mais gastam água nas residências, como por exemplo, descargas e higiene de quintas e garagens. Isso sem contar a economia gerada de forma total pelo bairro, o que possibilita um melhor destino às águas dos reservatórios, como a produção de energia.

Os sistemas de captação de água podem ser aliados importantíssimos em estabelecimentos comerciais, em escolas, em condomínios, residenciais ou empresariais, dentre muitos outros locais. Como bônus também há a redução de contas, que tendem a subir com racionamentos.

O fato é que o problema climático já está ocorrendo. É realmente de suma importância dar mais atenção ao meio ambiente e pensar soluções de longo prazo para resolver os impactos mundiais. Porém, até lá é possível lidar com o problema de forma sustentável e positiva para cada um e cada comunidade.

Soluções que não sejam sustentáveis e inteligentes só tendem a agravar o problema, assim como medidas temporárias podem ser abandonadas pelo incômodo cotidiano. Nunca antes nos beneficiamos tanto de uma solução completa e tecnológica para captação de água da chuva. Trata-se de um investimento no futuro e no progresso sustentável das nossas cidades.

Danny Braz é engenheiro civil, consultor internacional com foco em construções verdes e diretor geral da empresa Regatec.
Ser Mãe Empreendedora

Sou Livia Marques, Psicóloga Clínica e Organizacional, Palestrante, Escritora, Professora Universitária e empreendedora. Mas tenho como principal função: Ser Mãe de duas crianças lindas que amo muito.

Quando decidi, realmente, empreender eu já tinha meu filho mais velho e tinha acabado de passar por um forte assédio moral na empresa em que trabalhava. Decidi fazer algo que eu já gostava e era minha área. A Psicologia, que eu conciliava a clínica com o RH, trabalhando com carteira assinada. Então, fui, mesmo com o maior medo. Logo depois, no Brasil veio na tal crise e as pessoas me perguntavam: “Você é louca?! Faz um concurso!”

Eu simplesmente fingia que não ouvia e continuava. Ser empreendedora não é fácil, aliás empreender não é nada fácil no nosso país. Mas eu faço isso e gosto muito do que realizo, tenho paixão real pelo meu trabalho. E o principal, mostro isso para meus filhos. O que faz com que eles entendam o meu trabalho e me admirem. Por mais que tenha dias que sentimos muita falta uns dos outros.

Eu como mãe e psicóloga (a pessoa é psicóloga e tem filhos) sou bombardeada, sim! E sou muito. Por exemplo: “Essa mãe não liga para os filhos, só trabalha”. E os julgamentos continuam: “Ela não tem tempo para os filhos, trabalha todos os dias e em todos os horários”. Essas frases ouço com muita frequência.

Por mais que eu seja psicóloga, sei que precisamos nos ater às coisas boas, mas os julgamentos doem muito. Pessoas, não julguem mães que trabalhem e nem que empreendam! Aliás, vamos parar com esse julgamento de que essa mãe é ruim ou não dá atenção necessária. Crianças emães não nascem com manuais. E outra, vamos levar em consideração que mães podem gostar do que fazem e podem trabalhar e não perderem seu amor materno. Essa ideia de que se a mulher estiver trabalhando é péssima mãe deve ser deixada de lado. Será que hoje falam dos pais que trabalham? Que você acha?

Ser mãe, empreender é muito bom, para mim é. Eu realmente me canso muito mais do que com a CLT. Mas a minha satisfação, a alegria de estar fazendo a minha agenda, por mais que, às vezes, ela possa não bater com a da família, é muito bom. Outra grande questão é a importância de quando se tem apoio, seja da família, de amigos, companheiro(a). Isso é um grande diferencial. Se você tem medo e/ou passa por julgamentos, acredite, as pessoas falam. Mas apenas você pode ir atrás do que sonha.

Psicóloga Livia Marques
Renan não!

Só um profundo respeito aos leitores, à democracia e à manifestação da vontade popular expressa no silêncio da urna – seja qual urna for – impede que este artigo inicie com impropérios. Confesso: vontade não faltou. Enfim, Renan Calheiros voltou ao Senado da República e, tão logo renovou o mandato, iniciou campanha para retomar a presidência da Casa.

Reeleito senador, Renan é problema alagoano; eleito presidente do Senado passa a ser problema nacional. Sua eleição ao posto entraria em profunda contradição com o desejo de desinfecção, de saneamento básico, de separação de material orgânico que o povo brasileiro manifestou nas eleições de outubro, e arma poderosa a serviço dos piores interesses que conspiram contra o novo governo.

Não sei quem foi o criador da expressão “extrema imprensa”, mas ela é perfeita para designar o coletivo dos meios de comunicação que operam como dedos das mãos e mãos dos braços da esquerda na imprensa nacional. Dado que para ela quem não é de esquerda é de extrema direita, parece adequado designá-la pelo nome de extrema imprensa. Dê, então, uma vasculhada no que tem sido dito pela extrema imprensa a propósito das pretensões do senador Renan. Veja se qualquer desses veículos apresentou algo sobre os 14 inquéritos a que responde o cidadão aspirante ao comando da Câmara Alta. Basta-lhe virar réu em qualquer deles para que, se eleito, volte a ser um presidente do Senado excluído da linha sucessória da presidência da República.

Beira ao escandaloso o fato de que sucessivas eleições e reeleições de Renan Calheiros para exercer o mesmo posto tenham dependido do sigilo do voto de seus colegas senadores, o que aponta o caráter obscuro dessas motivações. É uma espécie de voto inconfessável. Fica chato, pega mal, votar em Renan Calheiros. Sobre tudo cai o silêncio da extrema imprensa, mais preocupada com as visões de uma criança abusada, com a promoção de um funcionário de carreira do Banco do Brasil e temas dessa magnitude institucional.

Parece óbvio que se a extrema imprensa ainda mantivesse o controle do direito de opinião, se a sociedade só ficasse sabendo o que ela escolhe divulgar e só pudesse ouvir as opiniões por ela emitidas, o resultado eleitoral nacional de outubro último teria sido bem diferente. A renovação da cena política brasileira foi possibilitada pelos smartphones e pelas redes sociais, que democratizaram o direito de opinião e deram voz ao povo.

A situação se repete. Se tudo ficar como está, com o noticiário comandado pela mídia extrema, interessada em criar todos os problemas imagináveis ao governo, são grandes as possibilidades de que o senador alagoano presida o Senado pelos próximos dois anos. Somente uma intensa mobilização, ao longo das próximas três semanas, através das redes sociais, poderá evitar a eleição de Renan, constrangendo seus pares a tomarem juízo e vergonha.  #RenanNão

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.