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Obscurantismo? Fala sério!

Bastou alguns membros do futuro governo fazerem referências espontâneas a Deus para um novo adjetivo ser acrescido aos que, de hábito, lhe são lançados. Houve gente que surtou, escandalizada. O governo de Bolsonaro, antes de assumir, já era acusado, em tom grave e teatral, ou a gritos histéricos, de ser misógino, machista, fascista, nazista, homofóbico e racista. Com as imperdoáveis menções a Deus, passou a ser injuriado, também, como obscurantista. Tem gente tão “empoderada” de si mesmo que não admite concorrência.

O que dirão é sabido. Doravante, aconteça o que acontecer, inclusive nada, dará vazão à descarga de adjetivos que marcou as incompetentes campanhas eleitorais dos candidatos Geraldo Alckmin e Fernando Haddad. O xingamento foi tanto que deu rebote. Primeiro derrubou o tucano e, depois, o petista. Tudo que é demais enjoa ou enoja.

Agora, é como se os derrotados do pleito de outubro estivessem a dizer: “Deus que não se meta com o Brasil. Aqui já o descartamos há bom tempo e os resultados são ótimos. Temos um estado laico que ainda vamos transformar em laicista e pusemos em curso um excepcional projeto de engenharia social que prescinde inteiramente de qualquer transcendência ou elevação acima da vulgaridade. Especialmente no terreno moral. Nossos padrões de conduta evoluem naturalmente e a harmonia social está em plena construção. Perdemos, "logo", a democracia está em risco. Voltaremos”. Credo!

Quando os opositores do futuro governo atribuem a ele caráter obscurantista, é como se dissessem que os longos anos de aplicação dos projetos de esquerda, com os governos do PSDB e do PT, nos tivessem erguido a um resplandecente iluminismo e a humanidade caminhasse, aqui, em direção ao nível mais alto a que se possa chegar pela estrada do saber.

A que podemos atribuir, leitor amigo, tão nítido descolamento da realidade? Como pode alguém ufanar-se da mentira e da falsidade? Quando entenderão que a nação já os entendeu e disse – Basta! – ao descaminho em que se extraviou?  Tutelando-nos como tutelaram e confiando o Estado a consecutivos projetos errados, jogaram-nos nas trevas. Nas trevas das mais variadas formas de insegurança; das ruas tomadas pelas chagas do desemprego, da pobreza e da criminalidade; do endividamento público e privado; da ruína moral da corrupção; do recrutamento de nossa juventude pela ignorância, pelas drogas, pelas cracolândias e pelo crime. Obscurantismo é isso. E a isso não queremos voltar.

Que estranho período de luzes teria sido esse, com nada menos soturno a apresentar, mas a proclamar-se ameaçado pelo “obscurantismo” do futuro governo? O que nos dizem de suas escolas? Do péssimo desempenho de nossos estudantes? De não termos uma sequer de nossas aparelhadas universidades entre as 200 melhores do mundo? Do atraso tecnológico e de ocuparmos lugares tão ruins em quaisquer rankings internacionais?

Não, não se trata de ir para trás, mas de recuperar o que se perdeu no caminho por onde nos trouxeram. Trata-se de não aceitar que uns poucos imponham a todos a obrigação de pensar, falar e tomar decisões segundo sua cartilha, vivendo como se Deus não existisse.

* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
Patente: a importância do registro no estímulo à inovação

A inovação tem sido a estratégia de muitas empresas para driblar a crise econômica que assola o país há alguns anos. Criar produtos novos para novos mercados se tornou o principal desafio das empresas que querem continuar crescendo mesmo diante de tantos desafios e rupturas.

Com mais investimentos nessa área, a criação de novos produtos e/ou processos torna-se uma mera consequência. Nesse contexto pautado pela Indústria 4.0, o número de pedidos de patentes vem aumentando. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), só em 2017 foram 28.667 pedidos novos. 

O registro serve para proteger as empresas inovadoras, que fazem pesados investimentos para criar novas soluções. Trata-se de um forte instrumento do empresariado frente à concorrência, que ganha tempo para explorar suas criações de forma exclusiva por determinado período de tempo.

Contudo, o trâmite não é simples. Enquanto nos Estados Unidos o registro de uma patente pode demorar até dois anos, no Brasil, o tempo mínimo são quatro anos - podendo chegar a até seis. A CNI tem alertado sobre a demora. Segundo a instituição, se essa velocidade não aumentar, até 2029 a fila de pedidos pode chegar a 350 mil. Um aumento de 55% em relação aos processos atuais, da ordem de 225 mil.

Para fazer o pedido, a empresa precisa realizar uma pesquisa junto ao banco de dados do INPI - Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, para detectar eventuais impedimentos. Embora seja uma ação optativa, é bastante prudente. O número do protocolo sai em aproximadamente 60 dias. Nesse momento, a empresa ou mesmo pessoa física precisa decidir se o registro será apenas no Brasil ou também em outros países onde se pretende explorar sua invenção.

Depois disso, o pedido é publicado e, num prazo de 18 meses, fica aberto a contestação. Se o pedido for de algo realmente novo, o trâmite prossegue. No prazo de 36 meses, é realizado um exame técnico. O deferimento acontece em aproximadamente 50 meses. Em caso de indeferimento, é possível entrar com recurso. Sendo aprovada, a carta patente é emitida junto ao INPI e entregue ao titular. O privilégio de invenção é válido por 20 anos e não pode ser renovado após esse período.

Embora trabalhosa, a patente é extremamente interessante para as empresas. O direito à propriedade legal garante aos inventores a oportunidade de usufruírem sem concorrência de suas próprias criações. É uma espécie de recompensa e estímulo à inovação. Além de segurança jurídica, o proprietário da patente conquista a garantia de exclusividade na exploração comercial de seu invento, conquistando novos mercados e receitas. Sem dúvida, é um investimento que vale muito a pena.

Miriam Bastos é engenheira e plant manager na Mazzaferro Monofilamentos, indústria com 65 anos de atuação no ramo de nylon.
Sistema educacional e a formação cívica

Parece que foi ontem, e me perdoem os jovens leitores que me acompanham, pois podem achar que, em função dos meus 64 anos, estou saudosista demais neste texto. E estou mesmo, pois vejo, com a eleição do nosso novo presidente, um Brasil novo, com novas ideias, longe das práticas ideológicas que perduraram durante o governo do PT. Parece que foi ontem que eu, estudante de uma escola pública, em 1965, ou seja, um ano após o contragolpe militar, tinha orgulho e noção de que era um brasileiro.

A primeira coisa que fazíamos antes de entrar em aula era hastear a bandeira, serviço esse feito de forma rápida por um funcionário da nossa escola estadual, enquanto nós, alunos, observávamos em fila. Depois íamos para a sala de aula. Assim que o professor entrava, todos se levantavam e então começava a aula.

Era uma coisa meio automática, robotizada, mas tinha sim uma percepção de respeito. Mais tarde, já no colégio particular, no famoso “ginásio”, tínhamos aulas de “Educação Moral e Cívica”, palavras boas, de respeito à Pátria, dos problemas do Brasil, sempre com o espírito patriota. Não posso esconder a satisfação de saber que o escolhido para ser Ministro da Educação pelo nosso novo presidente Jair Bolsonaro é o filósofo Ricardo Vélez Rodríguez, que, segundo relatos da mídia, quer sim resgatar esses valores perdidos, muito embora os esquerdistas de plantão já alardeiem que ele será um difusor da direita, ora, o cidadão nem começou a ser ministro e a esquerda já o desqualifica?

A educação básica é a estrutura fundamental para a formação cívica dos brasileiros, e tudo isso foi perdido, precisamos dar início a um trabalho começando do zero, ou seja, elaborar um trabalho na infância e tentar desconstruir o esquerdismo de alguns jovens, que foram maciçamente doutrinados nas Universidades Públicas pelos seus professores. Chegamos a um ponto insustentável de libertinagem ideológica esquerdista, e isso deve ser totalmente desmontado.

Infelizmente são muitos os setores aparelhados nesses últimos 13 anos de governo socialista, o trabalho será exaustivo, a mídia deve ser colaborativa, para que possamos avançar em todos os segmentos. Até nossa Constituição possui ideais socialistas em demasia, protecionismo em excesso, direitos trabalhistas que impedem a contratação de mão de obra, uma Justiça do Trabalho que, a meu ver, só atrapalha as relações de emprego, vez que é utilizada como um “plus” das verbas rescisórias, mas, como está previsto na Constituição, temos que respeitá-la.

O Brasil se enche de esperança e eu, como um menino, sonho com os meninos do futuro, que poderão ter a felicidade que a nossa geração teve de ser o que somos, muito em razão do civismo com que fomos agraciados, ao olhar o hasteamento da bandeira, ao levantar da “carteira” quando o professor chegava na sala de aula, ao ter a coragem de reconstruir o que foi destruído. Vai valer a pena, tenho certeza.

Fernando Rizzolo é advogado, jornalista, mestre em direitos fundamentais, professor de direito
A feição do novo governo

A feição do governo Bolsonaro começa a tomar forma. Os ministros já escolhidos e as primeiras declarações daqueles que concentrarão maior poder já permitem desenhar os contornos da fisionomia governamental. Sob a observação consensual de que teremos uma administração com forte tendência liberal na economia e conservadora nos costumes, dá para ver boa parcela de braços de empresas estatais, a começar pela área da energia, na sala dos leilões.

Há muito, a Eletrobras sinaliza o desejo de privatizar suas seis distribuidoras de energia com sede no Norte e Nordeste. Só a concessionária responsável pelo serviço no Amazonas acumula 2,5 bilhões de reais em inadimplência com dívidas e obrigações. Meses atrás, o futuro presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, chegou a defender a própria privatização da empresa, tendo recuado nos últimos dias para evitar barulho e movimentos contrários. Mas, ao dizer que a Petrobras vai se ater ao seu core business – exploração e produção de óleo – separa para venda ativos que não fazem sentido integrar o portfólio, como a Liquigás,  empresa de gás de cozinha.

Mesmo sob precaução, os comandos da economia, a partir do super-ministro Paulo Guedes, sinalizam com a ideia de forte enxugamento do Estado, cujas estruturas estarão focadas exclusivamente em seus produtos e serviços, abrindo campo para a iniciativa privada avançar na rota de estatais fora do prumo. Será um desafogo, com boa receita para os cofres do Tesouro, a par da chegada da competitividade e da desburocratização em espaços vitais.

O Brasil redireciona, assim, sua trajetória econômica, atraindo interesse de investidores e criando condições para voltar a integrar o ranking das grandes economias. A meta parece consistente, claro, se for vencido o desafio das reformas fiscal, tributária e da Previdência, na mira do governo.

Na frente política, o governo buscará, inicialmente, apoio em bancadas específicas, a começar pelos três Bês (boi, bala e bíblia - bancadas do agronegócio, armamento e evangélica). A força iniciante do novo governo dará um empurrão em direção às reformas, apesar de o presidencialismo de coalizão, mais cedo ou mais tarde, querer apresentar sua fatura. Será impossível livrar-se desse grosso cipó que amarra partidos na árvore governista.

As bancadas especializadas verão atendidas partes de suas demandas, como armas para produtores rurais, desimpedimentos burocráticos do Incra, impulsos ao agronegócio e aprovação de uma pauta conservadora com foco nos valores da família (principalmente na frente educacional).

No campo dos negócios externos, a pluralidade deve inspirar as relações com os mercados, nem sempre sob a batuta do bom senso. Pode haver complicação nas negociações comerciais com a China e com os países árabes, na esteira da anunciada intenção de endurecer com os chineses e de transferir a embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém. O alinhamento incondicional e sem restrições aos EUA, com o previsível encontro de interesses geopolíticos, poderia afetar as relações multilaterais do Brasil? Eis uma área de grande interrogação.

Entre os vizinhos as relações podem também ser objeto de realinhamento, a partir da fragilidade com que se apresenta, hoje, o Mercosul. Caso não haja mudança nos eixos desse mercado, o Brasil até dele pode se afastar, como anuncia a futura ministra da Agricultura, a deputada Tereza Cristina.

Na ampla frente social, os primeiros apontamentos são para o Nordeste, território sensível ao petismo e onde Bolsonaro teve o pior desempenho. Por isso, parece razoável uma teia de obras, como a conclusão da Transposição do São Francisco, a perfuração de poços por todo o Polígono das Secas e a continuidade do programa Bolsa Família. Se o buraco social for fechado com sólida argamassa, o governo ouvirá loas aos seus feitos sob o velório do PT na região.

Resta saber quais serão as manifestações das fortes classes médias do Sudeste e dos bem organizados setores trabalhistas. Alguns pontos de atrito estão à vista, como o que pode ocorrer ante a eventualidade de uma reforma sindical. Será um grande barulho. Mas a maior tuba de ressonância que fará chegar o grito até as margens abrigará os profissionais liberais. Se a economia resgatar seu poder de fogo, esse contingente baterá palmas. A recíproca é verdadeira.

Essa é a primeira paisagem dos tempos bolsonarianos.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter @gaudtorquato
As fazendas solares e a nova geração de energia

O que ainda é raro no País, apesar de sua extensão territorial, potencial da natureza e necessidade de energia mais barata e de fontes renováveis, está se tornando comum no mundo inteiro, especialmente na Ásia, Europa e América do Norte.

São as enormes fazendas solares ou de energia eólica, com tecnologia destinada a transformar as políticas globais, com vantagens para o meio ambiente e os consumidores, desde as grandes empresas e cidades, até as residências isoladas.

Na China, por exemplo, estão fazendas solares gigantes, incluindo unidades com capacidade de produção de 850 a 1,5 mil megawatts, como é o caso da maior do planeta, localizada no deserto de Tengger.

Conforme levantamentos recentes, o país já tem a maior capacidade de geração de energia solar do planeta, com a soma de 130 gigawatts, enquanto no Brasil, apesar dos novos investimentos no setor, fica abaixo de dois gigawatts ou menos de 1% do total.

Conforme a Agência Internacional de Energia, mais de 60% dos painéis solares existentes no planeta são fabricados na China. Ao aumentar os recursos aplicados nas energias renováveis, limpando a matriz energética, o governo chinês alcança objetivo fundamental de política pública, pois quase dois terços da eletricidade do país são ainda gerados pela queima de carvão.

Diante disso, o país aproveita vastas e ensolaradas planícies do Norte e Noroeste, para implantar novas fazendas solares gigantes, pois há muito espaço para sua implantação e o recurso solar parece confiável, o que permitira o cumprimento de meta de capacidade de energia solar em 2020, três anos antes do previsto.

Na prática, os chineses já estão usando painéis solares para aquecer rede subterrânea de água projetada para derreter a camada de gelo que cobre extensas regiões, contribuindo para o crescimento de árvores e a transformação da região em área atraente para o estabelecimento de colonos.

São alternativas para enfrentar a geografia desfavorável do país, dividido em duas porções semelhantes, mas com distribuição da população muito diferente, pois 94% dos chineses vivem na área Leste, enquanto somente os 6% restantes estão no Oeste.

Com isso, muitos dos painéis solares do país, estão distantes das grandes cidades, o que acaba encarecendo a distribuição e aproveitamento da energia gerada, pois parte se perde ao longo das extensas linhas de transmissão.

Para resolver o problema foram desenvolvidas linhas de transmissão com tecnologias mais avançadas, com linhas diretas de alta capacidade, mas que estão sendo construídas com muita lentidão. Outra solução é a cobertura de terraços de grandes cidades com painéis solares, para a venda de eletricidade diretamente aos consumidores.

Além disso, outras grandes fazendas solares estão sendo construídas em todo o mundo, muitas das quais na Índia. Há também o complexo de Benban, no Egito, cobrindo 37 quilômetros quadrados e ostentando capacidade planejada de geração entre 1.600 e 2.000 megawatts.

Outro problema dos parques solares gigantes, que não pode ser ignorado, será o destino a ser dado a esses equipamentos no futuro, pois duram apenas cerca de 30 anos e irão gerar muito lixo, que será difícil reciclar porque contém substâncias químicas, como o ácido sulfúrico.

São fatos que precisamos levar em consideração, pois o País também necessita gerar mais energia limpa, de fontes renováveis, de forma segura e responsável.

*O autor é deputado federal pelo Paraná licenciado e chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]
Dores no estômago? Pode ser gastrite!

Você já teve ou conhece alguém que tem dores frequentes na “boca do estômago”? Toda vez que fica muito tempo sem se alimentar sente esse incômodo? Uma das muitas possíveis causas para isso é a gastrite. Essa doença é bastante prevalente em nosso meio e é preciso ficar atento, pois além de causar incômodo, ela pode ter complicações.

A gastrite, como o nome diz, é uma inflamação da parede do estômago, órgão responsável por parte da digestão de alimentos. Por isso os sintomas que geralmente aparecem, como a dor no estômago e náuseas, se relacionam com a alimentação, podendo piorar após a refeição ou no jejum prolongado.

A lesão pode ocorrer por diversas causas, mas a mais prevalente é por infecção por Helicobacter pylori. Essa bactéria é uma das poucas que resiste ao ambiente hostil do estômago e se instala, gerando a degradação das barreiras de defesa do estômago e inflamando o tecido.

A infecção por H. pylori é transmissível, e ocorre no contato via oral-oral ou fecal-oral, ou seja, alimentos manuseados por pessoas infectadas que tenham feito má higiene das mãos, contato com fossas, entre outros. A higiene é uma das melhores formas de evitar esse contágio.

A gastrite pode ter como consequência a formação de úlceras – lesões erosivas que podem perfurar a parede do estômago, ameaçando a vida –, assim como, pode ser preditora de câncer gástrico quando prolongada e sem o tratamento correto.

Tanto a gastrite quanto a dor no estômago possuem diversas outras causas, e, portanto, ocorrência de sintomas deve servir sempre como um alerta

para que se procure um médico. É importante lembrar que a gastrite, assim como a infecção por H. pylori, tem tratamento e pode ter cura.

Ademais, uma dieta balanceada, rica em vitaminas e fibras e redução da ingesta de gordura são importantes para melhorar da gastrite. Alguns alimentos devem ser evitados, por que podem piorar os sintomas e predispor complicações.

Este espaço é uma parceria entre o Jornal Do Oeste e a Liga Acadêmica de Medicina Interna (LACMI) do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (campus Toledo). Através desta coluna desejamos expor assuntos de relevância em saúde, para estarmos em contato com a população e tirar suas dúvidas sobre assuntos da área.
Envie seu questionamento para o e-mail [email protected], sua pergunta pode ser o tema da próxima edição.
Texto redigido pelos alunos: Bruna Orso, Carlos Emanuel Piovezani Brusque e Nathan Henrique Weizenmann.
O esporte como ferramenta de transformação social

Que ele é considerado um dos melhores jogadores de basquetebol de todos os tempos e um dos maiores atletas de sua geração, todo bom fã de esporte sabe. O que muitos desconhecem é que LeBron James passou por muitas dificuldades e descobriu no esporte sua tábua de salvação e ascensão social. Filho único de Glória James, que lhe deu à luz aos 16 anos, LeBron raramente ia a escola, pois vivia se mudando. Em um único ano, chegou a perder cerca de cem dias letivos.

Foi graças ao olhar atento de Frank Walker, pai de um dos colegas de LeBron, que o garoto teve a oportunidade que precisava para brilhar. Frank o levou para morar em sua casa: foi a primeira experiência que teve com o que, anos mais tarde, James chamou de “família de verdade”.

Para retribuir o incentivo que recebeu, LeBron fundou em julho de 2018 a “I Promise School” (Escola Eu Prometo) em sua cidade-natal – Akron, Ohio. O projeto atende crianças em situação de risco e com baixa aprendizagem, selecionadas em parceria com o sistema de educação pública da cidade.

São exemplos como esse que nos mostram a força do esporte como ferramenta de transformação social. E o mais importante: é uma via de mão dupla. Quando chega no ápice, o atleta não esquece de suas origens, como acontece com tantos astros de outras áreas. Muito pelo contrário, ele faz questão de retribuir tudo o que o esporte lhe proporcionou, criando e implementando projetos que oportunizem a outras crianças e adolescentes a chance de virar o jogo.

Não faltam histórias que comprovem o poder social do esporte e nos encham de esperança. Por exemplo, Gustavo Kuerten, maior jogador de tênis do Brasil, hoje está à frente do Instituto Guga Kuerten (IGK), que tem sede em sua cidade-natal – Florianópolis, Santa Catarina. Entre outras atividades, o projeto atende 700 crianças e adolescentes, oferecendo, no contraturno escolar, oficinas de tênis, cultura e esportes complementares.

“O tênis sempre me proporcionou muito mais do que eu esperei. E agora eu pretendo retribuir ao tênis tudo que ele trouxe para a minha vida”, declarou o jogador. Guga também teve um início de carreira difícil, com diversas dificuldades financeiras, pois perdeu o pai ainda jovem. Sua mãe foi quem perseverou para custear os campeonatos e treinos, impulsionando Guga a se tornar o melhor jogador sul-americano da história do tênis, com títulos em 13 países.

O medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima também faz a sua parte em instituto homônimo no interior de São Paulo, apoiando 220 crianças e adolescentes com atividades psicopedagógicas, reforço escolar, formação profissionalizante e núcleos de iniciação ao atletismo.

Quando criança, Vanderlei trabalhava em lavouras de café e cana-de-açúcar. Para chegar a tempo na escola, tinha que correr. A dificuldade virou oportunidade quando foi percebido por um treinador da escola, que o convidou para o atletismo. Vanderlei tinha 12 anos na época – e não parou mais. Passou a figurar entre os maiores maratonistas do mundo e teve a consagração nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, quando recebeu sua merecida medalha olímpica.

Os exemplos não param por aí. Poderia aqui citar tantos outros e encher páginas e mais páginas com a história de atletas e de seus projetos capazes de transformar a realidade de comunidades carentes e vulneráveis. Em um País onde o esporte ainda não é valorizado e reconhecido como agente de desenvolvimento e inserção social, tendo em vista o corte de 87% do orçamento do Ministério do Esporte para 2018, nos enche de esperança saber que mais e mais atletas estão voltando às suas origens e retribuindo todos os benefícios que o esporte trouxe para suas vidas.

*Fernanda Letícia de Souza é professora nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física do Centro Universitário Internacional Uninter.
Colaboradores: contratar pronto ou investir na formação?

A grande maioria das empresas busca profissionais com alta capacitação técnica, grandes feitos no passado, universidades de peso e um currículo invejável. Contratar pessoas experientes é sempre interessante, mas investir na formação “dentro de casa” pode ser ainda mais estratégico.

Embora seja uma tática de longo prazo, que demanda planejamento e investimentos por parte da empresa, essa tem se mostrado uma aposta bastante promissora. Trabalhando há 11 anos na Mazzaferro, indústria de excelência no ramo de nylon, tenho vivenciado esse processo de formação na prática.

Com quase 500 colaboradores, a empresa dispõe de um plano de carreira estruturado. Com feedbacks periódicos, os colaboradores conseguem identificar seus pontos fortes e aqueles a serem melhorados a fim de crescerem e galgarem novas posições. O programa de salários e benefícios segue essa mesma estrutura.

Por meio de um sistema de acompanhamento de performance, o índice de demissões tende a ser muito baixo. Quando os problemas são facilmente identificados, o colaborador tem tempo para corrigir ou se adaptar. A demissão só acontece em último caso. O turn over é baixíssimo e é muito comum ver profissionais há mais de 10, 15 anos na empresa.

O recrutamento interno também faz parte da política de recursos humanos. Antes de abrir qualquer vaga, a empresa avalia a possibilidade de promover um colaborador, prestigiando assim os que mais se destacam. Dessa forma, é muito comum ter profissionais que entram na empresa ainda muito jovens e despreparados e chegam a assumir posições de liderança.

Além do bom desempenho, a Mazzaferro leva em consideração a disponibilidade que o colaborador tem para estudar. Um programa de graduação e pós-graduação estimula a formação dos profissionais com bolsas de até 50% nas mais renomadas instituições de ensino. Há ainda disponibilidade para cursos de idiomas, considerando as demandas de cada área. Treinamentos in company também estimulam a capacitação dos profissionais.

A valorização dos colaboradores é uma marca, porém a empresa também está aberta a buscar jovens profissionais no mercado. Esta oxigenação é necessária também.

Outro benefício bastante reconhecido pelos colaboradores é o restaurante interno. Diferentemente de grande parte das indústrias, que terceiriza o serviço, a Mazzaferro gerencia seu próprio espaço. Uma nutricionista desenvolve o cardápio e acompanha o preparo dos alimentos que acontece internamente. A sensação é a de uma refeição feita em casa, livre de agrotóxicos e outros componentes químicos.

Esse jeito caseiro de cuidar das pessoas diz muito sobre o perfil de gestão de uma empresa familiar, com 65 anos de atuação. O acesso à diretoria e presidência também é bastante simples. Periodicamente, colaboradores de todos as áreas podem tomar café com o presidente, num espaço aberto para opiniões, apresentação de críticas e sugestões.

Tudo isso é resultado de uma longa jornada, mas que demonstra que o caminho não poderia estar mais correto. Evidência disso é que a Mazzaferro apareceu na pesquisa As 100 PMEs que mais crescem no Brasil, realizada pela Deloitte em parceria com a revista Exame. A empresa está na 85ª posição geral do ranking, sendo a 13ª indústria de transformação do país entre as que obtiveram os melhores resultados em 2017. Uma prova de que o maior segredo de uma empresa são as pessoas.

Mônica Biajo é gerente de recursos humanos do Grupo Mazzaferro.
Nos labirintos da vida, meu pai se perdeu. Uma crônica da alma

Uma das histórias mais famosas envolvendo um labirinto é a de Teseu, herói da mitologia grega que conseguiu matar o Minotauro, monstro metade homem, metade touro. Teseu só consegui escapar do labirinto com a ajuda da princesa Ariadne, que lhe deu um novelo de lã para marcar o caminho de volta.

O sentido alegórico desse relato mítico nos ajuda a pensar sobre nossas próprias prisões e monstros que nos assombram, como a história de José, que ficou aprisionado por muitos anos em correntes de culpa, dor e mágoa.

Filho caçula numa família de cinco irmãos e três irmãs, José buscava o afeto e reconhecimento de seu progenitor, que era um homem duro e ríspido. Assim, buscou seguir os passos do pai, entrou para o exército aos 18 anos e serviu com destaque na cavalaria, como soldado de elite.

O tempo passou e, com muitas saudades de casa, recebeu a notícia de que seu pai havia distribuído as terras da família entre seus irmãos, mas José ficou de fora da divisão da herança. Inconformado com a notícia, pediu baixa e partiu para a cidade-natal, somente para pegar suas coisas e se despedir de sua mãe.

Dormiu uma única noite em casa, sem que viesse a conversar com seu pai. De manhã, disse adeus a sua mãe e saiu antes do sol nascer. Caminhou vários quilômetros amargurado em seus pensamentos. Uma conclusão terrível foi se alojando em sua mente. “Se meu pai não me achou digno de sua herança, a culpa deve ser minha’’, pensou.

Desde que José fora embora de casa, ao ser deserdado pelo pai, viu nascer duas chagas em sua alma, a culpa e a mágoa. Sentimentos fortes e negativos que, ao longo de sua vida, funcionaram como um imã a atrair frustração, medo e derrota.

O labirinto em que José se meteu era denso e profundo, ecoando suas memórias mais dolorosas, como a rejeição sofrida na juventude pelo pai que tanto admirava e queria imitar, e pela traição de seus irmãos, que não defenderam sua herança. Um sofrimento que muito cedo passou a ser amainado pelo jogo e pelo álcool. Com o tempo, José se tornou um especialista em perder e um alcoólatra inveterado. Esses padrões nocivos de autossabotagem arruinaram sua vida e levaram sofrimento e privações para sua família.

Sob o peso da tradição e da religião, a esposa de José, que na juventude foi considerada “a moça mais bonita da cidade”, se manteve fiel ao casamento. Mesmo infeliz, suportou a bebida, o jogo e as agressões. Depois de muito tempo, só conseguia sentir pena de seu marido. E ela, que também vagava em seu próprio labirinto, ficou aprisionada em seus próprios padrões mentais até que, finalmente, a morte de seu marido a libertou.

Ao fim de sua vida, com apenas 54 anos, José estava destruído em sua estima e saúde. Nada havia restado daquele jovem corajoso e destemido, dos impressionantes treinos de guerra na cavalaria. Por muitos anos, sua única ocupação foi ser ajudante de pedreiro sobrevivendo com um baixo salário. Após anos de esforço e sacrifício, sua família conseguiu uma casa própria. Um belo dia, felizes pela conquista, os filhos de José o convidaram para construir o muro de sua casa, ao que ele respondeu visivelmente envergonhado: “eu não sei”. Os efeitos de sua alma aprisionada afetaram também sua autoconfiança e capacidade cognitiva.

A principal lição dessa pequena crônica é que os sentimentos negativos são um convite à escuridão da alma. O novelo de lã que libertaria José de seu labirinto de ressentimentos poderia ter sido a conversa sincera e amorosa entre pai e filho que, infelizmente, nunca aconteceu.

Everson Araujo Nauroski é filósofo, cientista social, coordena o curso de Sociologia da Uninter e também atua como consultor e palestrante.
Tecnologia e sua vitalidade para o futuro das cidades

Recentemente, o Governo Federal lançou o programa “Cidades Inovadoras”, uma iniciativa que contempla financiamento para modernizar os municípios brasileiros com o objetivo de construir políticas públicas sustentáveis. Os recursos vão ser distribuídos de forma prioritária para alguns setores básicos, como saneamento e mobilidade urbana, além do investimento em energias renováveis e eficiência energética. Entretanto, a proposta tem como propósito colocar o País no século XXI quando se fala de tecnologia – o que ainda é um grande gap enfrentado pela nação. Apesar de o Brasil estar entre os 10 maiores mercados do mundo na área, com destaque para o uso de soluções inovadoras em setores como o bancário e da agricultura, ainda é preciso investir muito para que a tecnologia facilite o acesso aos serviços públicos, para o exercício pleno da cidadania.

Avanços já foram vistos nos últimos anos, com a disponibilização de ferramentas que permitem um melhor acompanhamento da gestão pública. Por exemplo, o Portal da Transparência trouxe um acesso mais próximo para verificação do uso de recursos públicos. Também pelos sites governamentais é possível checar os projetos de lei propostos pelos representantes eleitos, assim como seus posicionamentos nas votações realizadas. A tecnologia acaba sendo uma ferramenta imprescindível para a democracia, aproximando a informação a quem quiser obtê-la.

Porém, ainda há muito que se investir para que a tecnologia também aja como facilitadora da vida dos cidadãos e para as tarefas que envolvem a administração pública. A portabilidade de serviços ainda é uma área pouco explorada, com algumas iniciativas que têm se destacado por desburocratizar serviços e solicitações. Um exemplo nesse âmbito é o aplicativo Saúde Já, de Curitiba, que disponibiliza o agendamento do primeiro atendimento em um posto de saúde. Outra solução de destaque lançada há pouco tempo foi o App 190, da Polícia Militar, que permite a solicitação do acompanhamento policial para grande parte dos delitos mais atendidos pelas equipes na rua.

A gama a ser explorada ainda é muito grande. Desde a integração de aplicativos que disponibilizem em tempo real informações sobre o transporte coletivo até o agendamento online da maioria dos serviços públicos, a tecnologia acaba sendo a infraestrutura necessária para agilizar processos e facilitar acessos. Além disso, em era de Big Data, a coleta, processamento e análise de informações podem identificar exatamente os pontos críticos, indicando os caminhos preferenciais para atividades e investimentos. Ainda é importante ressaltar que ela também pode ser vital para que o cidadão consiga ser vigilante e possa exercer seu papel com mais facilidade. Com meios de atuar de maneira empoderada, ele pode comentar, apontar falhas e exigir com mais efetividade que as mudanças sejam realizadas.

A grande verdade é: sem tecnologia usada de maneira efetiva, as cidades enfrentam um caminho brusco para atingirem seus potenciais. Sem facilidade de acesso, os cidadãos contemplam barreiras para um melhor equilíbrio de vida. E sem inteligência nesses processos, o desenvolvimento esbarra – assim como um futuro sustentável para todos.

* Amilto Francisquevis é assessor de mercado do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI)