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A lei de abuso de autoridade

A aprovação do projeto de lei de abuso de autoridade (PL 7596/2017), na noite de quarta-feira (14/08), pela Câmara dos Deputados, motivou protestos de indignação por representantes de diversos setores públicos e privados da sociedade, bem como pela população em geral, em todo o país. 

Caso o projeto aprovado seja sancionado pelo Presidente da República Jair Messias Bolsonaro, uma longa série de falhas e impropriedades contidas na referida lei irão comprometer a atuação do Ministério Público, do Poder Judiciário e das forças de segurança. O resultado deste retrocesso será o inevitável prejuízo ao desenvolvimento de investigações e processos sob responsabilidade dos agentes públicos que atuam nas referidas entidades, em todo o país. Em resumo, ao invés do avanço ao combate à criminalidade e corrupção ainda desenfreadas no Brasil, teremos o sério risco de avanço da impunidade.

A sociedade há de concordar que uma lei tão importante, que visa coibir o abuso de autoridade, mereceria uma discussão mais aprofundada a respeito do seu texto, com audiências públicas e a participação da sociedade, bem como das instituições que lidam com o tema. Perceba-se que entre os servidores públicos das carreiras atingidas existe consenso sobre a necessidade de aperfeiçoamento deste importante instrumento legal, sobretudo porque a legislação em vigor, de 1965, está, de fato, defasada. Justamente por isso, este relevante tema deveria ter sido tratado com serenidade, a partir de um amplo debate, e por intermédio de tramitação ordinária, exatamente o oposto do que infelizmente ocorreu na Câmara dos Deputados, que aprovou o texto sem qualquer discussão, em regime de urgência, mediante votação simbólica.

Na fatídica data, os Deputados Federais aprovaram uma lei que estabelece diversos crimes de maneira vaga, aberta, subjetiva, circunstâncias que sabidamente acarretam preocupante insegurança jurídica. De forma prática, qualquer Juiz, Promotor de Justiça ou agente policial terão receios de que seus legítimos atos sejam interpretados como crime, pois a lei permite um elevado grau de subjetivismo na análise das ações destes servidores públicos.

A sociedade precisa ficar alerta para os efeitos absolutamente negativos de uma possível sanção do PL 7596/2017 no combate a ilegalidades das mais variadas espécies, dentre as quais a corrupção e o crime organizado.

Por este motivo, paralelamente ao incansável trabalho que está sendo realizado pelas entidades representativas das carreiras atingidas (Ministério Público, Judiciário e forças de segurança), solicitamos mais uma vez o apoio da população, assim como dentre outras tantas vezes o povo esteve ao lado dos bons profissionais que atuam no combate às práticas ilícitas em face daqueles que descumprem as leis, e portanto agem com desonestidade.

Lutemos juntos para que excessos e impropriedades contidos no referido projeto de lei de abuso de autoridade sejam vetados pelo presidente da República! Apoie e divulgue esta causa, não por nós, mas sim pela sociedade!

*Sandres Sponholz é promotor de Justiça
Sinal verde

Após um dia intenso de trabalho, quem não quer pegar menos congestionamento e bloqueios em cruzamentos para chegar mais cedo em casa? Especialmente nas grandes cidades, alguns segundos fazem a diferença quando o assunto é a melhoria no tráfego de veículos.

É evidente que a falta de sincronismo no sistema semafórico pode ocasionar uma série de problemas para o trânsito, desde motoristas impacientes e estressados, desperdício de combustível, formação de trânsito lento, maior desrespeito ao sinal vermelho, até o risco de colisão traseira, entre outros acidentes.

Outro contratempo, não só para os grandes centros urbanos, mas também para as cidades menores, é a manutenção do sistema semafórico em tempo real. Nesse sentido, sistemas inteligentes garantem um melhor monitoramento, planejamento e análise de tráfego, a fim de sincronizar os semáforos e melhorar o fluxo de veículos que transitam nas vias urbanas.

Não é uma tarefa simples, uma vez que há muitas variáveis envolvidas. Mas, afinal, quais os fatores fundamentais para o sincronismo entre semáforos? São eles: interligação em rede, programação semafórica, monitoramento em campo, fator humano, procedimentos de trabalho e, como já foi citada, a manutenção semafórica.

Hoje existem soluções que viabilizam tudo isso, com o objetivo de compreender o fluxo das vias urbanas e utilizar as informações obtidas para fazer o planejamento dos semáforos, proporcionando o conceito de “onda verde”, que possibilita maior fluidez no trânsito.

Com o Vigia-VL, por exemplo, os semáforos são programados, conforme horário e fluxo das diferentes vias. As análises são em tempo real e até 16 faixas são monitoradas por controlador semafórico. O sistema realiza a gestão do tráfego de forma adaptativa, com ajustes de temporização que são feitos de acordo com o fluxo viário.

Essa otimização na operação do sinal aberto, que passa a atingir a sua capacidade máxima, vem ao encontro da mobilidade urbana. E, embora os desafios sejam reais, as respostas virão com o tempo. Com o auxílio da tecnologia, o tráfego fluirá com mais facilidade e os congestionamentos serão reduzidos. Especialmente nos cruzamentos, o controle semafórico é uma necessidade, que garante, além da fluidez, mais segurança no trânsito.

*Ian Robinson é engenheiro eletricista e gerente de marketing na Pumatronix.
Não é sobre vencer, é sobre persistir

Além de testar e premiar o conhecimento dos estudantes, as olimpíadas do conhecimento podem abrir um universo de oportunidades que ultrapassam os muros da escola. Participar de competições agrega valor para a vida futura e pode influenciar, inclusive, na escolha da carreira. Isso porque se trata de uma oportunidade do aluno se reconhecer, descobrir paixões e talentos e, desta forma, ter um vislumbre de um possível caminho profissional.

As competições são variadas e abrangem diversas áreas do conhecimento, como a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), a Olímpiada Brasileira de Astronomia (OBA), Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e Olimpíada de Língua Portuguesa (OLP). Para os estudantes, se trata de uma vivência muito estimulante, que contribui na capacidade de enfrentar desafios, desenvolve o interesse pelo conhecimento e alimenta a vontade de transpor limites.

Os benefícios começam no momento em que os estudantes se preparam para participar das competições. Focados nos estudos, eles têm a chance de melhorar o rendimento escolar em determinada disciplina ou mesmo aprofundar conhecimentos em alguma área de interesse. Isso faz com que o processo de ensino-aprendizagem seja mais significativo e aumente o seu desempenho.

Porém, mesmo que as olimpíadas de conhecimento tragam inúmeras vantagens, ainda são poucos os estudantes que buscam participar espontaneamente dessas atividades. Por isso, é essencial o incentivo do professor e da escola e o apoio da família. Com suporte e auxílio, a tendência é que o aluno melhore o seu desenvolvimento acadêmico, criatividade e nível de conhecimento.

Contudo, é importante ter em mente que seja qual for o resultado, uma olimpíada não é sobre vencedores, é sobre persistentes. Quem se lança a fazer algo, primeiro precisou de coragem, depois de obstinação e suor. Um vencedor, na verdade, é um candidato que não desistiu, e que provavelmente algum dia perdeu ou nem sempre foi considerado “bom o suficiente”. É alguém que enfrenta novos desafios em busca de desenvolvimento intelectual. Em tempos em que a ciência tem cada vez menos incentivo, as olimpíadas nos ajudam a lembrar que conhecer novos assuntos e ter a oportunidade de dar os primeiros passos no mundo acadêmico são grandes benefícios.

* Luiz Fernando Wisniewski é professor de Geografia no Colégio Marista Santa Maria, em Curitiba (PR).
A corrosão da política

A degradação política se espraia pela comunidade mundial. A rede da representação não tem passado no teste de qualidade. Aqui e alhu-res. Espraia-se pelos continentes o sentimento de que a política, além de não corresponder aos anseios das sociedades, não é representa-da pelos melhores cidadãos, como pregava o ideário aristotélico. Norberto Bobbio já descrevia as promessas não cumpridas pela democracia, entre as quais a educação para a cidadania, o combate ao poder invisível, a transparência, o poder das oligarquias.

A estampa dos homens públicos se apresenta esboroada. Veja-se a figura espalhafatosa do atual primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson; o rompante “vou acabar com a imigração” do bilionário Donald Trump; a expressão tosca e radical do nosso presidente Bolsonaro; o estilo ditatorial Erdogan, na Turquia, e assim por diante. Manifestantes atiram ovos e tomates em muitos figurantes.

Governantes das mais diferentes ideologias dão efetiva contribuição à degenerescência da arte de governar, pela qual Saint Just, um dos jacobinos da Revolução Francesa, já expressava, nos meados do século 18, grande desilusão: “Todas as artes produziram maravilhas, menos a arte de governar, que só produziu monstros.” A frase se destinava a enquadrar perfis sanguinolentos. Na contemporaneidade, canalhice e mediocridade inundam os espaços públicos.

O que explica a propensão de homens públicos a assumirem o papel de atores de peças vis, cerimônias vergonhosas e, ainda, abusarem de linguagem chula, incongruente com a posição que ocupam? O que explica a imagem de governantes recebendo propina? A resposta pode ser esta: o descompromisso com as demandas sociais, a despolitização e a desideologização, que se expandem na sociedade pós-industrial.

Os mecanismos tradicionais da democracia liberal estão degradados. Outra resposta aponta para o paradigma do “puro caos”, que o professor Samuel Huntington identifica como fenômeno que se ancora na quebra no mundo inteiro da lei e da ordem, em ondas de criminalidade, no declínio da confiança na política. 

No caso da política, tal declínio é acentuado pelo fato de ter substituído o conceito de missão pelo conceito de profissão. Os eleitores execram os representantes, passando a eleger perfis que expressem inovação, mudança, virada de mesa. O desinteresse pela política se explica pelos baixos níveis de escolaridade e ignorância sobre o papel das instituições, e pelo relaxamento dos políticos em relação às causas sociais. Este fenômeno – a distância entre a esfera pública e a vida privada – se expande de maneira geométrica.

Na Grécia antiga, a existência do cidadão se escudava na esfera pública. Esta era sua segunda natureza. A polis era espaço contra a futilidade da vida individual, o território da segurança e da permanência. Até o final da Idade Média, a esfera pública se imbricava com a esfera privada. Nesse momento, os produtores de mercadorias (os capitalistas) invadiram o espaço público. É quando começa a decadência. Na primeira década do século 20, acentua-se com o declínio moral da classe governante. Assim, o conceito aristotélico de política – a serviço do bem comum – passou a abrigar o desentendimento.

Com a transformação dos estamentos, as corporações profissionais se multiplicaram. Campos privados articularam com o poder público leis gerais para as mercadorias e as atividades sociais. Sensível mudança se processa.

A esfera pública vira arena de interesses. Disputas abertas e intestinas são deflagradas, na esteira de discussões violentas. A atividade econômica passou a exercer supremacia sobre a vida pública. Os eleitores se distanciaram de partidos, juntando-se em núcleos ligados ao trabalho e à vida corporativa – sindicatos, associações, movimentos. É a nova face da política.

A participação dos aglomerados sociais ocorre dentro das organizações intermediárias. O discurso institucional, de atores individuais e partidos, não faz eco.

Mas a estética da política pontua e remanesce nos sistemas cognitivos, emoldurando o modus operandi de políticos: agressões nas tribunas, encontros mafiosos, doações suspeitas, dólares na cueca, ovos atirados em autoridades etc.

O que fazer para limpar a sujeira que borra a imagem do homem público? Primeiro: o homem público deve cumprir rigorosamente o papel que lhe cabe. Segundo: punir os que saem da linha. Terceiro: revogam-se as disposições em contrário.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato
O clima quente e as áreas disponíveis para o reflorestamento

Se faltam florestas no mundo inteiro, sobram espaços para o plantio de árvores e a maior contribuição para a preservação dos recursos naturais e do equilíbrio ambiental. 
Conforme levantamento publicado pela revista Science, em sua edição de julho último, nos diversos continentes há áreas inexploradas, onde poderiam ser plantadas 1,2 trilhão de novas mudas de espécies de árvores, ampliando a capacidade de absorção de CO2 e diminuindo o tão temido aquecimento global. 
De acordo com o estudo, somente o Brasil tem 50 milhões de hectares disponíveis para o reflorestamento, em regiões livres de áreas urbanas, florestas nativas e atividades agropecuárias. 
A imensa área, equivalente ao território da Espanha, seria formada por terras degradadas, após desmatamento ou abandono da agricultura, mas com solo fértil o suficiente para receber e desenvolver mudas de árvores, ajudando a melhorar a qualidade do ar do mundo.
Em todo o planeta, a disponibilidade de áreas em condições de receber reflorestamento somaria 0,9 bilhão de hectare, em espaços onde poderiam ser plantadas 1,2 trilhão de mudas de árvores nativas ou exóticas.
Estas novas florestas, segundo especialistas, seriam capazes de absorver 205 gigatoneladas de carbono, um pouco menos do que as 300 gigatoneladas emitidas pela humanidade desde 1800. 
De acordo com o estudo divulgado, mais da metade do território disponível para plantio de árvores está distribuída em seis grandes países, como a Rússia, com 151 milhões de hectares; Estados Unidos, com 103 milhões; Canadá, com 78 milhões; Austrália, com 58 milhões; Brasil, com 50 milhões; e China, com 40 milhões de hectares. 
No caso do Brasil, segundo os pesquisadores, foram incluídas algumas áreas utilizadas para o cultivo de pastagem destinadas à alimentação de rebanhos bovinos. 
Esse aproveitamento, por sinal, não representa nenhuma novidade, pois no Norte da Argentina, por exemplo, há extensa áreas de matas nativas, que após o desbaste de arbustos de menor porte, abrigam pastagens cultivadas para a criação de bovinos, equinos e ovinos. 
O plantio de árvores, na verdade, mesmo que em pequeno volume, também é recomendado para áreas urbanas, como estratégia de melhoria da saúde da população e em espaços limitados de terras agrícolas, para o melhor controle de tempestades de vento e granizo. 
Conforme os pesquisadores, o reflorestamento é uma das estratégias mais efetivas e eficientes contra o aquecimento global, pois o processo de fotossíntese das árvores absorve o CO2 emitido pela queima de combustíveis fósseis e outros fatores, como a impermeabilização do solo, reduzindo em até 10º a temperatura média do interior das matas. 
Conforme o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, seria necessário o plantio de um bilhão de hectares de novas floresta para o planeta restringir o aquecimento global a 1,5°C até 2050. 
O levantamento foi baseado em imagens de satélites para o mapeamento de locais ocupados por concentrações urbanas, agricultura ou florestas preservadas e áreas com potencial de reflorestamento, pelas suas características de solo e clima.
As novas florestas, além da captura de carbono, também trariam maior biodiversidade à natureza, incluindo a fauna, melhoria do clima no campo e nas cidades e redução da erosão em áreas cultivadas, beneficiando todos os seres vivos do planeta.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]
Internet: o inimigo está dentro de casa

Há muito sabemos que os pais não podem deixar seus filhos o dia inteiro navegando na internet. Há muito tempo também não sabemos o que é mandar os filhos voltarem para casa depois de um longo dia brincando nas ruas. “As ruas estão perigosas”, “nela há violência”, “há um incentivo às drogas nas ruas”, “há maldade”, etc., alguns dizem. Em partes, sem dúvida, não discordo destes argumentos. Os espaços sociais, como as praças, estão destruídos; e isso é um claro projeto de governo, que não quer que nos juntemos para sociabilizar.

É melhor deixar nossos filhos dentro de casa, sãos e salvos. O problema é que tanto os adultos quanto as crianças não perceberam que dentro de casa existe um vício tão poderoso quanto qualquer outro tipo de droga dentro das quatro paredes do lar. Nós não ingerimos esta droga com a boca, mas com os olhos. Ela não causa problemas somente físicos, mas mentais. E nela, há mais violência e maldade do que na rua da sua casa. E para tudo isso, basta um clique.

Passamos mais de 8 horas diárias em frente aos aparelhos eletrônicos. As pesquisas científicas mais recentes já tem aproximado o consumo de eletrônicos e de internet ao consumo de drogas. Os anestesiologistas apontam que 30 minutos de uso de um tablet equivale a uma dose de Midazolan, um anestésico. Não à toa, a estudiosa Malena Contrera tem chamado atenção para o fato que nós nos denominamos de “usuários” nas redes.

Recentemente, os likes do Instagram foram ocultados. Houve uma revolta por parte de alguns usuários, demonstrando a tendência viciosa e obsessiva de se conquistar as curtidas. Estudos da psicologia comportamental já haviam avisado que esta dinâmica de postar fotos e ser curtido é uma uma dinâmica de recompensa e de condicionamento que age na vontade de pertencimento grupal do ser humano: o ratinho aperta o botão e ganha a comidinha.

Com as praças destruídas, com a violência fora de casa, nós entramos de tal maneira internet a dentro que é comum escutar que uma família, dentro de casa, conversa mais por whatsapp do que se reunindo na sala de estar. A internet e os aparelhos eletrônicos prometeram nos unir, mas acabaram nos separando ainda mais.

E não para por aí. Como diria Étienne de La Boétie, existe aí uma “servidão voluntária”. Enquanto um usuário passa 8 horas do dia buscando e dando likes, as empresas por trás das redes sociais estão captando todos os dados emitidos pelo usuário. Sabe aquela foto íntima mandada? O texto que você escreveu mas não postou? As fotos que estão como sugestão de postagem? Ou aquela pesquisa no Google que acaba aparecendo no Facebook? Já aconteceu de você falar sobre algo e este algo aparecer como propaganda nas redes sociais? Tudo isso acontece porque, de alguma maneira, os nossos aparelhos eletrônicos nos vigiam 24 horas por dia. E nós estamos oferecendo voluntariamente toda nossa privacidade em troca de viciosos likes.

*Leonardo Torres, 29 anos, pesquisador, professor, doutorando em Comunicação e Cultura e pós-graduando em Psicologia Junguiana
Made in Toledo

Prosperar no Brasil demanda um conjunto de conhecimentos, habilidades e sobretudo atitudes dos tomadores de decisões das empresas e das instituições. E é nesse cenário que a exportação pode ser uma alternativa interessante para aumentar a competitividade, aumentar a produtividade, reduzir a dependência do mercado interno entre outras vantagens para tornar o empresário brasileiro mais próspero.
Para atuar em mercados globalizados é preciso investimento constante, não apenas financeiro, mas sobretudo investimento em qualificação e conhecimento. Estabelecer um plano contínuo e a longo prazo com um olhar para questões estratégicas e operacionais também é fundamental. Estratégico no sentido de definir: Quem são meus clientes? Quais mercados prospectar? De que forma? Quantidade? Preço? Produto? E operacional com definição de: Quais são os principais documentos? Qual classificação fiscal? Qual incoterm negociar? Qual modalidade de pagamento? Como efetuar o despacho aduaneiro? Como efetuar operações de câmbio?
Nesse sentido, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a Apex-Brasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil. 
O Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), oferecido pela Apex-Brasil em parceria com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), faz parte do Plano Nacional de Cultura Exportadora (PNCE) que integra a Política de Comércio Exterior do Governo Federal. O objetivo do PEIEX é ampliar e diversificar as exportações brasileiras, e sua metodologia consiste na identificação do potencial exportador da empresa, elaboração do diagnóstico de gestão, definição do plano de trabalho orientado à exportação, implantação do plano do trabalho e conclusão do atendimento com a entrega do plano de exportação para a empresa. O PEIEX oferece ainda: diagnóstico de prontidão para a exportação, capacitações específicas relacionadas ao comércio exterior e recomendações técnicas e gerenciais.
O PEIEX é uma opção para empresas que desejam iniciar ou mesmo incrementar seu desempenho no comércio internacional. Os setores alvo do PEIEX são: Alimentos e bebidas; Moda (acessórios, cama mesa e banho, feminina, festa, fitness, infantil, íntima, masculina, praia, não-tecido, suprimentos, tecidos de decoração, têxtil); Casa e construção (fabricantes de artigos nos seguintes segmentos: iluminação, vidro, gesso, plástico/embalagem, rochas ornamentais, cerâmica e revestimento, móveis); Higiene pessoal, perfumaria e cosmético; Máquinas e equipamentos; e Economia criativa (música, franquias, filmes publicitários, TI, cinema, jogos digitais, arte).
O protagonista do programa é o empresário, ou seja, o tomador de decisões nas instituições. O PEIEX é um vetor para alavancar os resultados das empresas por meio da exportação, e o município de Toledo e região tem um potencial enorme para isso, pois além de empresários e empresárias interessados na qualificação, nossa posição geográfica no mundo é muito favorável para a comercialização dos produtos em mercados como o Paraguai, a Bolívia e a Argentina.
No Oeste e Sudoeste do Paraná, O PEIEX é executado pela Unioeste através de um convênio firmado com a Apex-Brasil. O objetivo é capacitar 200 empresas em um intervalo de 2 anos, a partir de junho de 2019. Com isso, espera-se que as habilidades de empresários e empresárias sejam desenvolvidas ou aperfeiçoadas. Para aderir ao PEIEX, o empresário não precisa pagar pelo atendimento, mas deve estar disposto a implementar os quesitos necessários à entrada em mercados externos. Para saber mais sobre o programa, acesse: www.unioeste.br/peiex. 

*Gabriela Daiana Christ (26) é bacharel em administração e atua como Técnica Extensionista no Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) Núcleo Operacional Unioeste, [email protected].
A incômoda maioria que fala nas redes sociais

Usuários de redes sociais jamais deveriam esquecer as lições colhidas nos dias que se seguiram ao fechamento da mostra Queermuseu, no Santander Cultural de Porto Alegre, em setembro de 2017. A exibição, com indicação para escolares e financiamento público (quase um milhão de reais através da Lei Rouanet), tinha conteúdo sexual, homossexual e transexual associado à infância e a animais, e vilipêndio religioso com desrespeito a figuras e objetos sacros. Tudo tão ao gosto de quem se regala com esse tipo de coisa quanto inadequado para crianças. Só quem estava a serviço de alguma “causa”, na mídia, no Ministério Público e no mundo cultural poderia não ver ali conteúdo impróprio à infância.

Graças às redes sociais, imagens chocantes das peças exibidas – repito: expostas ao público infantil – chegaram ao conhecimento da sociedade provocando rápida reação de clientes que começaram a fechar contas no Banco, levando-o a cancelar a exibição. Agiam conforme manda o bom figurino da cidadania em casos assim. Sem violência, civilizadamente e aos bons modos do mercado, que escolhe com quem quer manter relações comerciais e decide quais jornais e revistas quer assinar e quais emissoras de rádio e TV deseja ouvir ou assistir.

Como lição para a eternidade, o mais importante veio depois. Com raríssimas exceções, os meios de comunicação, seus formadores de opinião e o “mundo cultural”, em estado de choque e indignação, colocaram-se contra a opinião pública e contra o que denominaram reação conservadora. Aquilo, diziam, era um desrespeito à arte, coisa de gente atrasada, preconceituosa, em conflito com a laicidade do Estado e “flertando” (eufemismo que a esquerda anda gastando de tanto usar) com a censura. Ou seja, lançaram-se contra a imensa maioria da sociedade.

O protesto contra o fechamento do Queermuseu, realizado ante as portas cerradas do Santander Cultural, reuniu apenas um punhado de militantes perfeitamente alinhados com o conteúdo exibido além delas. Nem mesmo uma performance erótica com mulheres nuas conseguiu atrair espectadores...

Todo episódio compôs um momento simbólico, espécie de “Alons enfants de la patrie” da cidadania, a simbolizar a queda de um poder. As redes sociais se impunham como instrumento para democratizar o direito de opinião, proclamando a independência dos indivíduos em relação aos fornecedores habituais. Estes, por seu turno, reagiram de modo indignado ante o declínio de poder. Era como se a cada linha escrita ou cada frase proferida estivessem a clamar: “Não nos ouvem mais? Não nos atendem mais?”. Ao que se poderia responder: “Há outras opiniões e pontos de vista a merecerem atenção”.

Nessa mesma época, ouvi de amigos cientistas políticos a advertência de que as redes sociais fechavam-se em círculos de afinidade e que poderiam, por isso, ser ilusórias como informação sobre o conjunto da opinião pública. Era bem verdadeiro o que diziam. No entanto, essa miríade de círculos uniu conservadores, liberais e adversários da esquerda que se tinha por hegemônica e contava com a intensa militância em círculos de influência que tradicionalmente empalmavam o monopólio do direito se fazer ouvir. O tempo veio mostrar que a maioria ganhou voz nas redes e que a hegemonia esquerdista era coisa distrófica, desproporcional. Por isso, os círculos em que se expressa odeiam as redes sociais e a elas reservam os piores adjetivos.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A dona do pedaço: arquitetura é uma questão de alma e não de padrão!

A novela “A dona do pedaço”, exibida no horário das 21h, na TV Globo, apresentou nos últimos episódios uma conturbada relação entre a arquiteta Stephanie, interpretada pela atriz Daniella Galli, e sua cliente, Maria da Paz, vivida por Juliana Paes.

Deixando de lado todas as questões éticas envolvendo a trama, na qual a filha da protagonista, Josiane, personagem de Agatha Moreira, convence a profissional a pagar comissão a fim de roubar a própria mãe, vemos um forte desalinhamento entre as expectativas da cliente e as propostas da profissional.

De origem humilde, Maria da Paz enriqueceu vendendo bolos e orgulha-se muito de sua história de trabalho e superação. Com um gosto exuberante, tende a valorizar um estilo de moda e decoração com muitos elementos, chegando a ser exagerados em algumas ocasiões.

Diante da cliente, a profissional teima em oferecer um projeto sofisticado, mas em que nada agrada Maria da Paz. Nenhum dos seus móveis ou objetos atuais foram aproveitados em sua nova residência. O argumento da arquiteta era o de que tudo era cafona e estava “fora do seu padrão”.

Mas, afinal, o que é o padrão? É óbvio que cada arquiteto tem o seu estilo, mas acima de tudo, ele tem o dever de entender as necessidades, desejos e anseios do cliente para propor soluções que transformem a sua casa, escritório ou ponto comercial em um ambiente aconhegante, onde ele se reconheça e se identifique.

Em um mundo cheio de regras e convenções sociais, “ser você mesmo” é um desafio. Ser autêntico e se sentir único é um desejo da grande maioria das pessoas. Um padrão ditado pela sociedade não cabe mais nos dias de hoje. Queremos bem-estar e conforto em ambientes que efetivamente nos preencham e nos satisfaçam.

Nesse sentido, a arquitetura sensorial vem ganhando muito destaque. Nela, os seis sentidos - visão, tato, olfato, paladar, audição e intuição - adentram os ambientes com o objetivo de despertar sensações e criar memórias que ficarão eternizadas para sempre, como o cheiro do café coado pela avó, a macarronada servida aos domingos com a família reunida e até o sossego de uma tarde de filme sozinho no sofá.

Através da composição de texturas, revestimentos, cores, formas, cheiros e luz, a arquitetura sensorial proporciona o ambiente que o cliente quiser, com foco em aguçar ou provocar emoções e sensações. Cada vez mais, percebemos que é o momento de ser e não de ter. Maria da Paz parece ter percebido isso há muito tempo.

Karla Manfredi Pimentel é arquiteta sensorial e designer da Arch&Soul, consultoria de arquitetura para o bem viver.
Reforma tributária: a aposta para a retomada do crescimento econômico

Com a aprovação da reforma previdenciária em primeiro turno pela Câmara, o Governo já se movimenta na articulação de outra reforma, a tributária. Liderada pelo ministro da economia, Paulo Guedes, a emenda concentrará, principalmente, na unificação dos tributos incidentes nas operações com bens e mercadorias e nas prestações de serviços.

É nítida que haverá barreiras na criação de um imposto a ser sugerido pelo governo, tendo em vista o pacto federativo e os benefícios fiscais. Uma das propostas da reforma, a PEC 45/2019, do deputado Baleia Rossi, pede a substituição de cinco tributos, sendo os federais (PIS, COFINS e IPI), o estadual (ICMS) e o municipal (ISS) pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), cuja receita seria compartilhada entre União, Estados e Municípios.

É preciso olhar com bons olhos essas medidas, uma vez que o objetivo é simplificar a tributação para as empresas e tornar o processo mais transparente e não aumentar a carga tributária. Atualmente é tanto tributo que o empresário não tem ideia de quanto ele efetivamente paga. Toda a somatória é aproximada e não exata, ou seja, não há clareza.

Tendo um único imposto, além de gerir mais fácil, o empreendedor brasileiro terá mais conhecimento e controle sobre os encargos tributários. Igualmente como simplificar os processos fiscais, a aprovação da reforma tributária também promoverá o crescimento econômico no País. As empresas terão menores esforços para cumprimento das obrigações fiscais e com a legislação enxuta haverá mais tempo e dinheiro para rever os investimentos e apostar na geração de empregos.

O processo tributário tornou-se tão complexo que hoje as empresas chegam a fazer reservas de budget para arcarem com possíveis autuações, dinheiro este que poderia ser revertido para a ampliação do negócio. Fora todo o cumprimento das obrigações, que somam aproximadamente de 2, 6 mil horas, o que significa mais de oito vezes do tempo dedicado nos Estados Unidos ou na União Europeia.

Não há como sustentar o crescimento das empresas em um País com medidas tributárias tão complexas. O respiro para a nação será a reforma. Cabe agora o empenho necessário para que a proposta saia do papel e torne real em nome do crescimento do Brasil.

*Giuliano K. Gioiaé especialista fiscal na Taxweb, pioneira em Digital Tax para o Compliance Fiscal das empresas.