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A Ferroeste fora dos trilhos

Um dos grandes desafios da economia brasileira é diminuir a dependência do transporte rodoviário de cargas. Atualmente, 75% do escoamento da produção é feito por caminhões. Depois 9,2% segue por vias marítimas, 5,8% é aérea e apenas 5,4% é transportado por trilhos. Os dados, que são da Fundação Dom Cabral, preocupam, na medida que grande parte dessa produção é de commodities, e deveria estar acomodada em vagões, reduzindo o custo Brasil.

Mas para que esse cenário seja invertido, é preciso investimento em infraestrutura. A possibilidade de privatização da Ferroeste é uma oportunidade de retomada em aportes em ferrovias no Paraná, e, portanto, uma boa notícia para a economia do estado. A empresa, que tem como principal acionista o Governo paranaense, não tem mais condições de manter a operação. O sucateamento é generalizado e a expectativa de investimento estatal é praticamente nula. A Ferroeste está, definitivamente, fora dos trilhos.

Além da falta de recurso, o histórico da empresa demonstra total inaptidão do Estado para tocar o negócio. Foram 12 anos de prejuízo (no acumulado, são R$115 milhões de déficit). Os equipamentos estão ultrapassados e não conseguem atender à demanda. Hoje, a Ferroeste opera com apenas 20% da sua capacidade.

O trecho é relativamente curto: 248 quilômetros de trilhos que levam a produção de Cascavel à Guarapuava. Porém, está estrategicamente posicionado em um dos principais corredores do agronegócio brasileiro, podendo ligar a produção do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e até mesmo do Paraguai, ao Oceano Atlântico. Propósito da “nova Ferroeste” que ainda não chegou nem ao projeto de viabilidade. O objetivo é construir uma estrada que vai ligar Dourados – MT à Paranaguá.

As cargas hoje são basicamente de grãos, mas há potencial para produtos industrializados e toda a produção animal que está basicamente concentrada nessa região. A grande questão agora é qual é a melhor forma de fazer o processo. Uma das grandes discussões do setor férreo é o direito de passagem, que é a liberação para que outras empresas percorram o trecho administrado pela detentora da concessão. Essa liberação colabora na concorrência do setor e na diminuição dos valores de transporte, algo urgente no Brasil. Sem esse direito de passagem, as linhas se tornam ilhas férreas, dependentes de negociações caras para terem acesso ou aos produtores ou aos Portos.

A privatização da Ferroeste é uma oportunidade para alinhar essa questão com os investidores interessados. Hoje, as cargas vindas do Oeste dependem da autorização e negociação com a concessionária Rumo, que detém a concessão do restante dos trilhos que chegam à Paranaguá. O contrário também é verdadeiro, a Rumo precisa da Ferroeste para pegar as cargas na origem. Depois de inúmeras brigas jurídicas, recentemente, as duas operadoras entraram em acordo. A cooperação já trouxe bons resultados para ambas.

Mas a grande questão é que o Estado tem urgência por investimentos em infraestrutura. Esse é o maior entrave econômico atual. Somos uma potência agropecuária que não consegue entregar sua produção com a mesma eficiência que a produz. Tomar decisões estratégicas que tragam investimento para o Estado, é, sem dúvida, uma decisão acertada.

*Lucas Lautert Dezordi, é doutor em Economia, sócio da Valuup Consultoria, economista-chefe da Trivèlla M3 Investimentos e professor da Universidade Positivo.
Mídia Regional

Pela primeira vez um presidente da República recebe, em evento exclusivo, representantes da Mídia Regional de Santa Catarina e do Sul do país, composta por jornais, emissoras de rádio e televisão, além de suas plataformas digitais. É uma oportunidade única que teremos para apresentar ao presidente Jair Bolsonaro o que somos e o que fazemos pelo desenvolvimento social e econômico da Região e do Brasil. E quais são as referências que podemos dar ao país.

Não existe ninguém que entenda melhor a realidade da nossa gente e suas demandas do que a imprensa regional, que está conectada fortemente com o catarinense, paranaense e gaúcho. Os três estados são pauta diária em nossos veículos. Levamos a informação de qualidade e responsável, o serviço de utilidade pública, o entretenimento saudável e sadio. Enfim, a nossa conexão regional é concreta.

Esse é o nosso grande diferencial. Entender as características peculiares das nossas comunidades, das pessoas, atuando como uma ponte para construir um verdadeiro diálogo com a sociedade, pautado na informação e no compromisso com os fatos, com a verdade. A credibilidade, o relacionamento e a presença diária são nossos maiores ativos, que estão à disposição das lideranças comunitárias, políticas e empresariais que tenham entendido a mensagem de mudança. Temos a capacidade de entender e explicar esse novo momento do país à sociedade, pois sabemos nos comunicar com a nossa gente.

Esse canal é construído diariamente por empresários dos veículos de comunicação que vivenciam de perto as transformações das nossas realidades regionais. Essa relação possibilita que os setores políticos e empresariais tenham um canal permanente e confiável de comunicação ligado diretamente ao cidadão. Com atitude propositivas, no sentido de participar ativamente das conquistas regionais e nacionais.

Outra característica da Mídia Regional é se posicionar em relação ao que entendemos ser bom para o Brasil, como a defesa ardorosa da reforma da Previdência. Agora, também estamos nos posicionando contra o aumento do Fundo Eleitoral. Um descalabro mediante à realidade financeira do Governo Federal e das necessidades imediatas dos brasileiros.

Enfim, a Mídia Regional está a serviço do país, porque apresenta um conceito moderno de comunicação e de participação coletiva na vida nacional. Juntos, sempre seremos mais fortes. Em favor da Nação.

Marcello Corrêa Petrelli é presidente da Acaert
Mídia Regional

Pela primeira vez um presidente da República recebe, em evento exclusivo, representantes da Mídia Regional de Santa Catarina e do Sul do país, composta por jornais, emissoras de rádio e televisão, além de suas plataformas digitais. É uma oportunidade única que teremos para apresentar ao presidente Jair Bolsonaro o que somos e o que fazemos pelo desenvolvimento social e econômico da Região e do Brasil. E quais são as referências que podemos dar ao país.
Não existe ninguém que entenda melhor a realidade da nossa gente e suas demandas do que a imprensa regional, que está conectada fortemente com o catarinense, paranaense e gaúcho. Os três estados são pauta diária em nossos veículos. Levamos a informação de qualidade e responsável, o serviço de utilidade pública, o entretenimento saudável e sadio. Enfim, a nossa conexão regional é concreta. 
Esse é o nosso grande diferencial. Entender as características peculiares das nossas comunidades, das pessoas, atuando como uma ponte para construir um verdadeiro diálogo com a sociedade, pautado na informação e no compromisso com os fatos, com a verdade. A credibilidade, o relacionamento e a presença diária são nossos maiores ativos, que estão à disposição das lideranças comunitárias, políticas e empresariais que tenham entendido a mensagem de mudança. Temos a capacidade de entender e explicar esse novo momento do país à sociedade, pois sabemos nos comunicar com a nossa gente.
Esse canal é construído diariamente por empresários dos veículos de comunicação que vivenciam de perto as transformações das nossas realidades regionais. Essa relação possibilita que os setores políticos e empresariais tenham um canal permanente e confiável de comunicação ligado diretamente ao cidadão. Com atitude propositivas, no sentido de participar ativamente das conquistas regionais e nacionais.
Outra característica da Mídia Regional é se posicionar em relação ao que entendemos ser bom para o Brasil, como a defesa ardorosa da reforma da Previdência. Agora, também estamos nos posicionando contra o aumento do Fundo Eleitoral. Um descalabro mediante à realidade financeira do Governo Federal e das necessidades imediatas dos brasileiros. 
Enfim, a Mídia Regional está a serviço do país, porque apresenta um conceito moderno de comunicação e de participação coletiva na vida nacional. Juntos, sempre seremos mais fortes. Em favor da Nação. 

Marcello Corrêa Petrelli
Presidente da ACAERT

A escala para o bem como propósito individual e de marca

Todos os dias, falamos internamente sobre sugestões de novos produtos, desenvolvimento do nosso negócio e seus principais indicadores, planos para melhorar a vida dos nossos colaboradores, ideias para apoiar nossos fornecedores, e somos provocados pelos nossos clientes a evoluir. Rotina comum em muitas empresas. Mas o que mais me deixa orgulhoso de estar onde estou é ter a missão de, a partir desses dados, fazer uma autoanálise e entender se o nosso sucesso está sendo sustentado, acima de tudo, no propósito de usarmos a escala da nossa marca para o bem. Isso significa usar o nosso tamanho, a nossa liderança e influência para gerar ações com impacto positivo para a empresa e para a sociedade. O que traz um desafio diário de se olhar no espelho, a cada manhã, e se perguntar o quanto esse propósito individual e de marca está sendo entregue.

Neste processo evolutivo, a voz do cliente precisa estar muito presente. Entender seus anseios e suas expectativas é fundamental para continuarmos oferecendo propostas relevantes para as pessoas.  Agora em agosto, anunciamos mudanças importantes em um de nossos principais produtos: o McLanche Feliz. Resultado de uma evolução contínua no cardápio, as novas combinações no cardápio infantil ratificam nosso compromisso com as famílias e com a oferta de comida e qualidade, na medida em que apresentam sensível redução na quantidade de gorduras, sódio e açúcares, além de incluir mais frutas e vegetais entre as opções de composição desse menu.

A decisão acompanha os novos hábitos de consumo da sociedade, comprovados por meio de pesquisa** encomendada por nós e realizada por uma empresa independente. O levantamento feito na América Latina mostrou que a cada 10 mães e pais, seis acreditam que seus filhos comem melhor do que eles nessa mesma idade, a partir do acesso mais fácil às informações nutricionais. Outro ponto importante entre as pessoas ouvidas é que 8 em cada 10 pessoas consideram positiva a iniciativa de que as redes de serviço rápido ofereçam alternativas mais equilibradas, uma vez que a maioria afirmou que leva seus filhos pelo menos uma vez por mês em redes de fast food.

Conectados com o consumidor e com nosso propósito de marca, seguiremos fazendo evoluções necessárias para que o nosso negócio honre seu propósito de usar sua escala para o bem.  E qual tem sido o combustível para tantas decisões complexas e que envolvem mudanças estruturais no nosso negócio? A responsabilidade que temos com as pessoas e com uma das marcas mais valiosas do planeta. Uma responsabilidade que é individual e de cada integrante da nossa companhia. Só assim, continuarei a responder ao meu espelho a cada manhã: “Sim, hoje mais uma vez vamos usar a nossa escala para o bem.”

(*) Paulo Camargo é presidente da Divisão Brasil da Arcos Dorados, maior franquia independente do McDonald’s no mundo, com atuação em 20 países da América Latina e Caribe
A questão das embalagens na sustentabilidade

A questão dos cuidados com o meio ambiente é uma realidade. Os recursos do planeta estão cada vez mais escassos, e quando falamos da postura da indústria frente a isso, ignorarmos esse fato é um erro grave. No entanto, não é  preciso se desesperar: existem maneiras de se adaptar e colaborar com o meio ambiente sem que qualquer empresa sofra no processo.

Com maior acesso à informação, é possível notar o aumento da pressão sobre as indústrias pela garantia da sustentabilidade de suas produções. A questão abrange não apenas os produtos em si, mas a parte que traz grande impacto para o meio ambiente – as embalagens.

Lançada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS – é um marco nacional na gestão de resíduos sólidos. É ela quem regulamenta a implementação da Logística Reversa, um importante instrumento de desenvolvimento econômico que tem como objetivo destinar adequadamente os resíduos produzidos no pós consumo, ou seja, as embalagens, e como elas podem retornar à cadeia produtiva, evitando o acúmulo de rejeitos no meio ambiente.

Mesmo tendo sido implementada há nove anos, ainda é comum ver empresários confusos acerca da PNRS e da Logística Reversa, mas é importante que todos estejam atentos às suas responsabilidades, pois a fiscalização está aí e as consequências para quem não não se adequar não são brandas. No estado de São Paulo, por exemplo, a implementação de um sistema de Logística Reversa já é um fator condicionante para a renovação do licenciamento ambiental. 

Em paralelo à PNRS e à Logística Reversa, é interessante que as empresas estejam atentas à tecnologia de ponta. Ela pode ser uma importante aliada na caminhada em prol de um planeta mais sustentável, e o investimento em pesquisas pode ajudar a criar embalagens ecologicamente corretas, reduzir a quantidade de material nocivo na sua produção, e até mesmo desenvolver novas fórmulas de invólucro para os produtos. Utilizando as ferramentas corretas, é possível, além de cumprir com a legislação e colaborar para a melhora do meio ambiente, sair a frente no mercado que está cada vez mais competitivo.

Por fim, um outro ponto importante a ser ressaltado é que, independentemente do tipo de embalagem produzida, não devemos “demonizar” nenhum tipo de material. O plástico, por exemplo, tem sido o vilão da vez, mas será que o problema todo está nele ou no seu uso e descarte incorreto? Tudo passa pela conscientização do cidadão. A reflexão é válida, e o planeta Terra agradece.

*Rommel Barion é presidente do InPAR – Instituto Paranaense de Reciclagem –, e do Sincabima – Sindicato das Indústrias de Cacau e Balas, Massas Alimentícias e Biscoitos, de Doces e Conservas Alimentícias do Paraná. 
A lei de abuso de autoridade

A aprovação do projeto de lei de abuso de autoridade (PL 7596/2017), na noite de quarta-feira (14/08), pela Câmara dos Deputados, motivou protestos de indignação por representantes de diversos setores públicos e privados da sociedade, bem como pela população em geral, em todo o país. 

Caso o projeto aprovado seja sancionado pelo Presidente da República Jair Messias Bolsonaro, uma longa série de falhas e impropriedades contidas na referida lei irão comprometer a atuação do Ministério Público, do Poder Judiciário e das forças de segurança. O resultado deste retrocesso será o inevitável prejuízo ao desenvolvimento de investigações e processos sob responsabilidade dos agentes públicos que atuam nas referidas entidades, em todo o país. Em resumo, ao invés do avanço ao combate à criminalidade e corrupção ainda desenfreadas no Brasil, teremos o sério risco de avanço da impunidade.

A sociedade há de concordar que uma lei tão importante, que visa coibir o abuso de autoridade, mereceria uma discussão mais aprofundada a respeito do seu texto, com audiências públicas e a participação da sociedade, bem como das instituições que lidam com o tema. Perceba-se que entre os servidores públicos das carreiras atingidas existe consenso sobre a necessidade de aperfeiçoamento deste importante instrumento legal, sobretudo porque a legislação em vigor, de 1965, está, de fato, defasada. Justamente por isso, este relevante tema deveria ter sido tratado com serenidade, a partir de um amplo debate, e por intermédio de tramitação ordinária, exatamente o oposto do que infelizmente ocorreu na Câmara dos Deputados, que aprovou o texto sem qualquer discussão, em regime de urgência, mediante votação simbólica.

Na fatídica data, os Deputados Federais aprovaram uma lei que estabelece diversos crimes de maneira vaga, aberta, subjetiva, circunstâncias que sabidamente acarretam preocupante insegurança jurídica. De forma prática, qualquer Juiz, Promotor de Justiça ou agente policial terão receios de que seus legítimos atos sejam interpretados como crime, pois a lei permite um elevado grau de subjetivismo na análise das ações destes servidores públicos.

A sociedade precisa ficar alerta para os efeitos absolutamente negativos de uma possível sanção do PL 7596/2017 no combate a ilegalidades das mais variadas espécies, dentre as quais a corrupção e o crime organizado.

Por este motivo, paralelamente ao incansável trabalho que está sendo realizado pelas entidades representativas das carreiras atingidas (Ministério Público, Judiciário e forças de segurança), solicitamos mais uma vez o apoio da população, assim como dentre outras tantas vezes o povo esteve ao lado dos bons profissionais que atuam no combate às práticas ilícitas em face daqueles que descumprem as leis, e portanto agem com desonestidade.

Lutemos juntos para que excessos e impropriedades contidos no referido projeto de lei de abuso de autoridade sejam vetados pelo presidente da República! Apoie e divulgue esta causa, não por nós, mas sim pela sociedade!

*Sandres Sponholz é promotor de Justiça
Sinal verde

Após um dia intenso de trabalho, quem não quer pegar menos congestionamento e bloqueios em cruzamentos para chegar mais cedo em casa? Especialmente nas grandes cidades, alguns segundos fazem a diferença quando o assunto é a melhoria no tráfego de veículos.

É evidente que a falta de sincronismo no sistema semafórico pode ocasionar uma série de problemas para o trânsito, desde motoristas impacientes e estressados, desperdício de combustível, formação de trânsito lento, maior desrespeito ao sinal vermelho, até o risco de colisão traseira, entre outros acidentes.

Outro contratempo, não só para os grandes centros urbanos, mas também para as cidades menores, é a manutenção do sistema semafórico em tempo real. Nesse sentido, sistemas inteligentes garantem um melhor monitoramento, planejamento e análise de tráfego, a fim de sincronizar os semáforos e melhorar o fluxo de veículos que transitam nas vias urbanas.

Não é uma tarefa simples, uma vez que há muitas variáveis envolvidas. Mas, afinal, quais os fatores fundamentais para o sincronismo entre semáforos? São eles: interligação em rede, programação semafórica, monitoramento em campo, fator humano, procedimentos de trabalho e, como já foi citada, a manutenção semafórica.

Hoje existem soluções que viabilizam tudo isso, com o objetivo de compreender o fluxo das vias urbanas e utilizar as informações obtidas para fazer o planejamento dos semáforos, proporcionando o conceito de “onda verde”, que possibilita maior fluidez no trânsito.

Com o Vigia-VL, por exemplo, os semáforos são programados, conforme horário e fluxo das diferentes vias. As análises são em tempo real e até 16 faixas são monitoradas por controlador semafórico. O sistema realiza a gestão do tráfego de forma adaptativa, com ajustes de temporização que são feitos de acordo com o fluxo viário.

Essa otimização na operação do sinal aberto, que passa a atingir a sua capacidade máxima, vem ao encontro da mobilidade urbana. E, embora os desafios sejam reais, as respostas virão com o tempo. Com o auxílio da tecnologia, o tráfego fluirá com mais facilidade e os congestionamentos serão reduzidos. Especialmente nos cruzamentos, o controle semafórico é uma necessidade, que garante, além da fluidez, mais segurança no trânsito.

*Ian Robinson é engenheiro eletricista e gerente de marketing na Pumatronix.
Não é sobre vencer, é sobre persistir

Além de testar e premiar o conhecimento dos estudantes, as olimpíadas do conhecimento podem abrir um universo de oportunidades que ultrapassam os muros da escola. Participar de competições agrega valor para a vida futura e pode influenciar, inclusive, na escolha da carreira. Isso porque se trata de uma oportunidade do aluno se reconhecer, descobrir paixões e talentos e, desta forma, ter um vislumbre de um possível caminho profissional.

As competições são variadas e abrangem diversas áreas do conhecimento, como a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), a Olímpiada Brasileira de Astronomia (OBA), Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e Olimpíada de Língua Portuguesa (OLP). Para os estudantes, se trata de uma vivência muito estimulante, que contribui na capacidade de enfrentar desafios, desenvolve o interesse pelo conhecimento e alimenta a vontade de transpor limites.

Os benefícios começam no momento em que os estudantes se preparam para participar das competições. Focados nos estudos, eles têm a chance de melhorar o rendimento escolar em determinada disciplina ou mesmo aprofundar conhecimentos em alguma área de interesse. Isso faz com que o processo de ensino-aprendizagem seja mais significativo e aumente o seu desempenho.

Porém, mesmo que as olimpíadas de conhecimento tragam inúmeras vantagens, ainda são poucos os estudantes que buscam participar espontaneamente dessas atividades. Por isso, é essencial o incentivo do professor e da escola e o apoio da família. Com suporte e auxílio, a tendência é que o aluno melhore o seu desenvolvimento acadêmico, criatividade e nível de conhecimento.

Contudo, é importante ter em mente que seja qual for o resultado, uma olimpíada não é sobre vencedores, é sobre persistentes. Quem se lança a fazer algo, primeiro precisou de coragem, depois de obstinação e suor. Um vencedor, na verdade, é um candidato que não desistiu, e que provavelmente algum dia perdeu ou nem sempre foi considerado “bom o suficiente”. É alguém que enfrenta novos desafios em busca de desenvolvimento intelectual. Em tempos em que a ciência tem cada vez menos incentivo, as olimpíadas nos ajudam a lembrar que conhecer novos assuntos e ter a oportunidade de dar os primeiros passos no mundo acadêmico são grandes benefícios.

* Luiz Fernando Wisniewski é professor de Geografia no Colégio Marista Santa Maria, em Curitiba (PR).
A corrosão da política

A degradação política se espraia pela comunidade mundial. A rede da representação não tem passado no teste de qualidade. Aqui e alhu-res. Espraia-se pelos continentes o sentimento de que a política, além de não corresponder aos anseios das sociedades, não é representa-da pelos melhores cidadãos, como pregava o ideário aristotélico. Norberto Bobbio já descrevia as promessas não cumpridas pela democracia, entre as quais a educação para a cidadania, o combate ao poder invisível, a transparência, o poder das oligarquias.

A estampa dos homens públicos se apresenta esboroada. Veja-se a figura espalhafatosa do atual primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson; o rompante “vou acabar com a imigração” do bilionário Donald Trump; a expressão tosca e radical do nosso presidente Bolsonaro; o estilo ditatorial Erdogan, na Turquia, e assim por diante. Manifestantes atiram ovos e tomates em muitos figurantes.

Governantes das mais diferentes ideologias dão efetiva contribuição à degenerescência da arte de governar, pela qual Saint Just, um dos jacobinos da Revolução Francesa, já expressava, nos meados do século 18, grande desilusão: “Todas as artes produziram maravilhas, menos a arte de governar, que só produziu monstros.” A frase se destinava a enquadrar perfis sanguinolentos. Na contemporaneidade, canalhice e mediocridade inundam os espaços públicos.

O que explica a propensão de homens públicos a assumirem o papel de atores de peças vis, cerimônias vergonhosas e, ainda, abusarem de linguagem chula, incongruente com a posição que ocupam? O que explica a imagem de governantes recebendo propina? A resposta pode ser esta: o descompromisso com as demandas sociais, a despolitização e a desideologização, que se expandem na sociedade pós-industrial.

Os mecanismos tradicionais da democracia liberal estão degradados. Outra resposta aponta para o paradigma do “puro caos”, que o professor Samuel Huntington identifica como fenômeno que se ancora na quebra no mundo inteiro da lei e da ordem, em ondas de criminalidade, no declínio da confiança na política. 

No caso da política, tal declínio é acentuado pelo fato de ter substituído o conceito de missão pelo conceito de profissão. Os eleitores execram os representantes, passando a eleger perfis que expressem inovação, mudança, virada de mesa. O desinteresse pela política se explica pelos baixos níveis de escolaridade e ignorância sobre o papel das instituições, e pelo relaxamento dos políticos em relação às causas sociais. Este fenômeno – a distância entre a esfera pública e a vida privada – se expande de maneira geométrica.

Na Grécia antiga, a existência do cidadão se escudava na esfera pública. Esta era sua segunda natureza. A polis era espaço contra a futilidade da vida individual, o território da segurança e da permanência. Até o final da Idade Média, a esfera pública se imbricava com a esfera privada. Nesse momento, os produtores de mercadorias (os capitalistas) invadiram o espaço público. É quando começa a decadência. Na primeira década do século 20, acentua-se com o declínio moral da classe governante. Assim, o conceito aristotélico de política – a serviço do bem comum – passou a abrigar o desentendimento.

Com a transformação dos estamentos, as corporações profissionais se multiplicaram. Campos privados articularam com o poder público leis gerais para as mercadorias e as atividades sociais. Sensível mudança se processa.

A esfera pública vira arena de interesses. Disputas abertas e intestinas são deflagradas, na esteira de discussões violentas. A atividade econômica passou a exercer supremacia sobre a vida pública. Os eleitores se distanciaram de partidos, juntando-se em núcleos ligados ao trabalho e à vida corporativa – sindicatos, associações, movimentos. É a nova face da política.

A participação dos aglomerados sociais ocorre dentro das organizações intermediárias. O discurso institucional, de atores individuais e partidos, não faz eco.

Mas a estética da política pontua e remanesce nos sistemas cognitivos, emoldurando o modus operandi de políticos: agressões nas tribunas, encontros mafiosos, doações suspeitas, dólares na cueca, ovos atirados em autoridades etc.

O que fazer para limpar a sujeira que borra a imagem do homem público? Primeiro: o homem público deve cumprir rigorosamente o papel que lhe cabe. Segundo: punir os que saem da linha. Terceiro: revogam-se as disposições em contrário.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato
O clima quente e as áreas disponíveis para o reflorestamento

Se faltam florestas no mundo inteiro, sobram espaços para o plantio de árvores e a maior contribuição para a preservação dos recursos naturais e do equilíbrio ambiental. 
Conforme levantamento publicado pela revista Science, em sua edição de julho último, nos diversos continentes há áreas inexploradas, onde poderiam ser plantadas 1,2 trilhão de novas mudas de espécies de árvores, ampliando a capacidade de absorção de CO2 e diminuindo o tão temido aquecimento global. 
De acordo com o estudo, somente o Brasil tem 50 milhões de hectares disponíveis para o reflorestamento, em regiões livres de áreas urbanas, florestas nativas e atividades agropecuárias. 
A imensa área, equivalente ao território da Espanha, seria formada por terras degradadas, após desmatamento ou abandono da agricultura, mas com solo fértil o suficiente para receber e desenvolver mudas de árvores, ajudando a melhorar a qualidade do ar do mundo.
Em todo o planeta, a disponibilidade de áreas em condições de receber reflorestamento somaria 0,9 bilhão de hectare, em espaços onde poderiam ser plantadas 1,2 trilhão de mudas de árvores nativas ou exóticas.
Estas novas florestas, segundo especialistas, seriam capazes de absorver 205 gigatoneladas de carbono, um pouco menos do que as 300 gigatoneladas emitidas pela humanidade desde 1800. 
De acordo com o estudo divulgado, mais da metade do território disponível para plantio de árvores está distribuída em seis grandes países, como a Rússia, com 151 milhões de hectares; Estados Unidos, com 103 milhões; Canadá, com 78 milhões; Austrália, com 58 milhões; Brasil, com 50 milhões; e China, com 40 milhões de hectares. 
No caso do Brasil, segundo os pesquisadores, foram incluídas algumas áreas utilizadas para o cultivo de pastagem destinadas à alimentação de rebanhos bovinos. 
Esse aproveitamento, por sinal, não representa nenhuma novidade, pois no Norte da Argentina, por exemplo, há extensa áreas de matas nativas, que após o desbaste de arbustos de menor porte, abrigam pastagens cultivadas para a criação de bovinos, equinos e ovinos. 
O plantio de árvores, na verdade, mesmo que em pequeno volume, também é recomendado para áreas urbanas, como estratégia de melhoria da saúde da população e em espaços limitados de terras agrícolas, para o melhor controle de tempestades de vento e granizo. 
Conforme os pesquisadores, o reflorestamento é uma das estratégias mais efetivas e eficientes contra o aquecimento global, pois o processo de fotossíntese das árvores absorve o CO2 emitido pela queima de combustíveis fósseis e outros fatores, como a impermeabilização do solo, reduzindo em até 10º a temperatura média do interior das matas. 
Conforme o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, seria necessário o plantio de um bilhão de hectares de novas floresta para o planeta restringir o aquecimento global a 1,5°C até 2050. 
O levantamento foi baseado em imagens de satélites para o mapeamento de locais ocupados por concentrações urbanas, agricultura ou florestas preservadas e áreas com potencial de reflorestamento, pelas suas características de solo e clima.
As novas florestas, além da captura de carbono, também trariam maior biodiversidade à natureza, incluindo a fauna, melhoria do clima no campo e nas cidades e redução da erosão em áreas cultivadas, beneficiando todos os seres vivos do planeta.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]