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Vamos retomar a luta pelo Aeroporto Regional do Oeste I

João Batista (Tita) Campos*

 

Infelizmente, muitos de nós toledanos continuamos omissos com relação à importância do transporte aéreo para o desenvolvimento do município e região e prosseguimos perdendo oportunidades para viabilizar o retorno de linhas aéreas regulares ao Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho.

Nossa última falha foi deixar de aproveitar a vinda de comitiva  oficial da Presidência da República, Michel Temer, cuja aeronave pousou e decolou de nossa pista, para participar de cerimônia de inauguração do maior abatedouro de peixes do País em Palotina, quando poderíamos ter exibido faixas, entregue documentos e mostrado a mobilização de lideranças e cidadãos, para  pedir seu apoio ao projeto de retomada de operação do aeródromo.

Afinal, a aeronave presidencial só veio até Toledo no dia 20 de outubro porque o Aeroporto Municipal de Cascavel, para variar, estava fechado devido ao clima adverso. O mesmo ocorreu uma semana depois,  quando o avião que conduzia a comitiva do ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintela, também foi obrigado a decolar de Toledo, devido aos problemas da pista da cidade vizinha.

O ministro, vale ressaltar, veio de Brasília ao Oeste do Paraná para participar de cerimônia de inauguração do primeiro trecho da duplicação da BR-163, realizada em Cascavel, mas teve de usar automóvel para retomar a aeronave, que estava à sua espera no Aeroporto Luiz Dalcanale Filho, de Toledo, e retornar a Brasília.   

A visita inesperada aconteceu no dia 27 de outubro e poderia  também ser aproveitada para oficializar a reivindicação de apoio para a operação da pista local, pois o ministro além de inaugurar o primeiro trecho da duplicação da rodovia entre Cascavel e Ramilândia, de cerca de 18 quilômetros, também anunciou a liberação de recursos para a continuidade da obra, tanto naquele percurso como entre Toledo e Marechal Cândido Rondon.

A duplicação da rodovia, por sinal, reforça a importância econômica, social e institucional de Toledo no contexto estadual e nacional, o que favorece a luta pela operação do aeroporto local, levando em consideração, inclusive, a movimentação econômica do Mercosul. Até por isso, vale lembrar, Ponta Grossa já está recebendo terminal de cargas em seu aeroporto. 

Para reverter essa trajetória, propomos, inclusive, a busca de um acordo com Cascavel, para que a pista do Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho, se torne ao menos alternativa para o aeródromo da vizinha cidade, nos dias em que não puder receber pousos e decolagens de suas atuais linhas aéreas.

Assim, sem conseguiu operar em Cascavel, as companhias aéreas iriam utilizar a pista de Toledo, bem mais próxima que as atuais alternativas e que normalmente está em condições de receber as aeronaves, quando a neblina ou ventos fortes impedem as operações na vizinha cidade, beneficiando passageiros de toda a região e viabilizando a operação das linhas comerciais o ano inteiro.

Essa condição perduraria até a efetiva construção do Aeroporto Regional do Oeste, em Espigão Azul, entre os municípios de Cascavel, Toledo e Tupãssi, com localização geográfica privilegiada e condições para atender a demanda de transporte aéreo do poder público, das empresas, das instituições de ensino superior e da população de dezenas de cidades do Oeste e Noroeste do Paraná.

O local é perfeito para abrigar terminal de passageiros e outro de cargas, como exige o crescimento agroindustrial da região, que já exporta para o mundo inteiro e envia filés de tilápia, por exemplo, para os Estados Unidos, através do Aeroporto de Foz do Iguaçu.

A obra é viável, necessária e urgente, como era no governo de Jaime Lerner, que veio ao local anunciar a decretação de utilidade pública da área necessária e a destinação de recursos para o início da execução do projeto. Na época, vale recordar, Toledo não estava sequer no Plano Aeroviário do Estado, perdendo até mesmo para Guaíra.

Agora, autoridades e lideranças da região voltaram a defender a construção do Aeroporto Regional do Oeste, contando com o apoio de Cascavel e do Governo do Estado, mas como sabemos, a obra não será executada em menos de 15 ou 20 anos, como aconteceu com projeto semelhante em Maringá.

A concordância de Cascavel, devemos reconhecer, já representa avanço importante, corrigindo o que aconteceu há algumas décadas, quando se concluiu que o problema do aeroporto local estava no direcionamento da pista, contrário aos ventos predominantes na região, além da altitude da cidade ser mais suscetível ao clima adverso, sem haver espaço no local para a correção da distorção, com implantação de novo traçado.

 

*O autor é empresário e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Toledo e Região, com abrangência de 12 municípios do Oeste do Paraná.

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