Caminhos do Sucesso
Lembrar-se do passado é importante...Mas viver no presente é imprescindível

Posso até me considerar um saudosista sobre alguns aspectos, um deles é lembrar da forma com que brincava quando era “guri” lá em Santa Maria no Rio Grande do Sul. Subia em árvores, inventava brinquedos, corria de uma esquina até a outra com os amigos só para ver quem chegava primeiro, jogavam bola na rua, nos dias de chuva tomava banho só de calção e me deitava nas poças de água para fazer buracos e muito barro. E barro era o que não faltava no terreno de nossa casa que na época ocupava um largo espaço, pois meu avô, vindo da Alemanha em 1945, era um dos loteadores na cidade.

No dia 25 de novembro de 1898, meu bisavô por parte de pai, Frieddrich Heinirinch Klaue, um Engenheiro Especialista em Eletrotécnica formado na Alemanha, colocava em funcionamento a primeira máquina geradora de energia elétrica movida a vapor da cidade, encomendada para a GE pela prefeitura e trazida por ele de sua Terra Natal. Anos mais tarde sua família viria também morar na próspera Santa Maria da Boca do Monte.

Naquela época, liberdade, tranquilidade e contato direto com a natureza eram o que não faltava. Comia frutas colhidas do próprio pé e no final de ano, passava dois meses e meio em uma fazenda nas “bandas” de Santiago do Boqueirão, andando à cavalo, pescando traíra e lambari, nadando nos açudes e cachoeiras, laçando boi e ovelha, andando de trator e contando minhas valentias para os peões, que por outro lado tentando me assustar, narravam com drama seus encontros com a “mula sem cabeça”, o “lobisomem”, e “o boitatá”.

Mas o que mais me dava medo era a “Mulher de Branco” que segundo as histórias, nas madrugadas de lua cheia abria a porta do quarto com um lampião na mão dizendo: - “Acorda, vai até o galpão que o chimarrão já está pronto”. No velho casarão construído no tempo dos escravos, o que não faltavam eram quartos, salas e barulhos estranhos, o que levava eu e meu irmão - sob o argumento de ter com quem conversar - a ocupar o mesmo quarto.     

Lembro até das noites em que saía com a peonada para surpreender os ladrões de gado, que entravam no fundo do campo na madrugada para “carnear” vacas e ovelhas e depois vender nos açougues clandestinos. Era um pipocar de cartucheira que mais parecia uma festa de São João. Como dizia o Índio Catarina, um dos peões mais valentes, que rastejava pelo campo até poder pegar um ou outro a “unha”: - “Só tem uma coisa melhor do que caçar e pescar, é pegar gato grande pelo cangote”.

Na maioria das vezes eles conheciam os ladrões, alguns eram filhos dos chamados “beiras da estrada” pertencentes às famílias expulsas de suas terras por dívidas, grilagem ou desavenças com fazendeiros da região. Dependendo do caso, eram entregues para o delegado ou levados até em casa para serem entregues para os pais.

Velhos e tempos aqueles, mas já passaram e estão apenas na memória, como devem estar as coisas que já se foram. Tiramos boas lições delas, mas não podemos trazê-las de volta, pois os tempos são outros e as regras são outras. Assim, as velhas ideias, velhas roupas, velhos sapatos, velhas atitudes e estratégias precisam dar espaço para que o que é atual possa ocupar seu lugar.

Observo que muitas pessoas se apegam em acumular velharias e reclamam que não prosperam. E não vão prosperar, pois todo o seu espaço já está ocupado, não sobrando lugar para mais nada.

 Já em 1814, um reservado escritor inglês, fazia um relato a um grupo de aprendizes que participavam de um círculo muito fechado, mais fechado do que muitos possam apenas imaginar: “- Todo o homem possui uma atmosfera que o rodeia, é como energia pura, que necessita ser renovada a cada instante, sejam por pensamentos, ações ou pura indução”.

 Muitas pessoas passam a vida presas a uma carroça de cacarecos dizendo: “- Não posso me desfazer disso, pois um dia vou precisar, um dia vou usar, pode me fazer falta algum dia destes”. Tão mais pobres de bens e espírito se tornarão quanto mais tralhas acumularem, pois assim espantam o que é mais novo, mais útil, e o que lhes é mais caro.

Isto se faz também no mundo das ideias, dos negócios, dos pensamentos e dos bens matérias. Zelar pelo que já não é útil, é gastar a energia vital para nada produzir.

Amizade, amor e família, fogem à regra inicial; quanto mais velhos melhores.  Um abraço do Klaue!

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