Editorial
Melhorar o que já ficaria bom

A paralisação da obra na avenida Borges de Medeiros, na divisa entre a Vila Industrial e o Jardim Gisela, é uma demonstração clara de que quando existe bom senso, diálogo e respeito, é possível melhorar algo que já ficaria bom. O projeto original da Prefeitura de Toledo era recuperar o asfalto de uma das principais vias dos dois bairros, melhorando dessa forma o conforto para quem passa por ali diariamente e precisa conviver com buracos e solavancos. Além disso, seria recuperado também trechos do canteiro central e feitas pequenas melhorias para beneficiar os pedestres que por ali trafegam diariamente.

Quando as obras começaram a população que mora ali perto percebeu ser possível fazer ainda mais e aí entrou o respeito e o diálogo entre quem executa e quem deveria se preocupar mais com as ações espalhadas pela cidade. Administração e sociedade compreenderam ser possível ampliar o projeto e modernizar a Borges de Medeiros. Para isso será preciso paralisar as obras e realizar uma audiência pública, já marcada para o dia 6 de novembro a fim de seguir os devidos trâmites burocráticos.

Até lá é possível elaborar uma projeto ainda mais completo e dar o devido tempo para a Emdur concluir outras obras a fim de tentar, quando retomar a remodelação da Borges de Medeiros, fazê-lo para sua conclusão ser feita o mais depressa possível. E que bom se assim agisse a própria administração e a sociedade como um todo, pois graças a esse engajamento comunitário uma obra pública atenderá ao que necessita seu público e não apenas ao desejo de quem está no poder, algo tão comum nas administrações públicas país afora.

Houvesse mais casos assim, quem sabe não haveria tanto desperdício de dinheiro público e mais pessoas se preocupassem em participar da política ao invés de ficar apenas atrás de teclados ou debates virtuais falando mais do mesmo para as mesmas pessoas. O conforto do sofá em nada contribui para a mudança nas ruas de verdade, onde o calor e a poeira estão ali presentes e se tornam um transtorno quando não se leva em conta a opinião das pessoas, estas também com sua devida parcela de culpa quando apenas transferem aos governantes as decisões que podem ser tomadas em conjunto sem demérito algum. Isso se chama cidadania e maturidade em compreender a necessidade de se estabelecer novos tempos na política e na própria vida em comunidade.

Um novo status

Agora é oficial! O Paraná é estado livre de febre aftosa sem vacinação. Essa decisão só foi possível diante dos resultados apresentados graças ao esforço conjunto dos setores de fiscalização, da iniciativa privada e, principalmente, dos produtores que compreenderam a importância de manter em dia a vacinação até hoje, contribuindo para essa suspensão. Atualmente, o único estado livre de febre aftosa sem vacinação era Santa Catarina.

Este novo status sanitário, de Estado Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, permitirá ao Paraná abrir novas possibilidades de ganho para os pecuaristas e para o Estado. Além disso, haverá uma economia mais imediata com a suspensão da compra de doses da vacina que afetam demais as contas dos pecuaristas ou até mesmo de quem tem lá sua ‘meia dúzia de cabeça de gado’. Numa estimativa iniciam essa conta chega próxima dos R$ 30 milhões nesse serviço, dinheiro extra que servirá para aplicar em novos investimentos no setor ou até mesmo para movimentar a economia paranaense em outros setores.

O último foco de febre aftosa no Paraná foi em 2006. De lá para cá, não houve mais circulação viral, em razão dos esforços de vários setores, entre eles o governo estadual que estruturou a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) para garantir o serviço de fiscalização e vigilância animal.

Também importante frisar que este novo status possibilitará que o estado amplie o comércio mundial de carnes, acessando mercados que têm restrições ao rebanho vacinado. Muitas cooperativas e indústrias estão prontas para destravar investimentos de expansão em suas plantas, caso tenham condições de acessar mercados mais disputados e que pagam mais pelas carnes bovina e suína.

O novo status sanitário permitirá ao Paraná, por exemplo, dobrar as exportações de carne suína, das atuais 107 mil toneladas para 200 mil toneladas por ano. Isso pode acontecer em caso de o Estado conquistar apenas 2% do mercado potencial, liderado por Japão, México e Coreia do Sul, que pagam mais pelo produto com reconhecida qualidade sanitária.

A partir da conquista desse novo status sanitário, o Paraná poderá buscar novos mercados que pagam mais pela qualidade da carne livre da vacina. Apesar da espécie vacinada contra a febre aftosa ser a bovina, os impactos positivos de comercialização vão se refletir em todas as cadeias de proteína animal, principalmente na avicultura e suinocultura, atividades nas quais o Paraná é tido como referência nacional e mundial na produção e, neste contexto, Toledo tem muito a ganhar e se manter no topo do ranking do Valor Bruto da Produção Agropecuária por muitos e muitos anos ainda. De preferência sem vacinação.

Continuidade no serviço público

Um dos grandes gargalos quando se trata de administração pública no Brasil é a falta de continuidade dos programas de governo. Em geral os projetos ou programas são de governantes e não de governo. Quando há uma continuidade de boas ideias quase sempre o resultado é altamente positivo para a sociedade, como é o caso do Programa de Pavimentação Rural de Toledo que receberá Prêmio Gestor Público Paraná este ano.

O tema escolhido em 2019 foi urbanismo, como planejar o município é melhorar a vida e aí o projeto de Toledo foi devidamente reconhecido por sua condição de ter modificado não apenas o cenário urbanístico, mas a própria condição de vida de quem vive no interior do município, assim como melhorado a condição econômica como um todo pela facilidade hoje de escoar a produção, independente das condições climáticas que tanto interferem em outras cidades brasileiras.

Atualmente, o município possui cerca de 350 quilômetros de asfalto rural, um número possível porque ao longo do tempo cada gestão executou sua parcela com a devida responsabilidade. Não houve interrupção, não houve mudanças substanciais. Houve pequenos ajustes de acordo com a visão de cada governante, entretanto, a linha mestra do programa permaneceu a mesma com o único objetivo de tornar o interior de Toledo um exemplo e um local agradável para se viver.

Não à toa o município é líder no Valor Bruto da Produção (VBP) e um problema comum em outras localidades, como é o êxodo rural, em Toledo tem se mantido controlado, até com movimento inverso de pessoas da cidade preferindo morar no campo.

O programa inovador para o Brasil e para o Paraná só foi possível pelas compreensão da necessidade de sua continuidade e do sucesso da parceria entre o poder público e a classe produtiva, que compreendeu ser necessário dar sua parcela a mais de contribuição para Toledo sair da mesmice e hoje sentir um orgulho imenso de suas estradas rurais não apenas asfaltadas, mas em ótimas condições de tráfego para quem precisa ir e vir.

Uma justa homenagem

Mais uma vez Toledo abre seus braços para receber milhares de pessoas de outros municípios para a maior festa do esporte estadual. A cidade uma vez mais sedia a fase final dos Jogos Abertos do Paraná. A partir deste sábado, até o próximo domingo, milhares de pessoas passarão por Toledo, alguns numa repetição que enche a todos de orgulho pelos elogios sempre recebidos não apenas pela estrutura esportiva, mas pelo zelo para com a cidade e que permite a realização de inúmeros grandes eventos, como é a fase final dos Jogos Abertos, sem maiores transtornos.

Mas esta será uma edição especial para os toledanos. Não pela questão econômica ou social de ter tantas pessoas ao mesmo tempo passeando nesta época do ano, tampouco pelas disputas sempre emocionantes nas mais diversas modalidades. Não, esta será uma edição especial pela justa homenagem que será prestada a um dos maiores entusiastas do esporte local e do próprio Estado do Paraná: Mauro Maiorki, o saudoso Butin.

Quem teve o privilégio de conhecê-lo sabe de sua paixão pelo esporte em geral, mas principalmente pelo futsal. Tanto que foi durante os 16 anos em que esteve à frente da Secretaria de Esportes que a modalidade viveu seus melhores momentos, alcançando o inédito vice-campeonato da Série Ouro do Campeonato Paranaense e o título dos Jogos Abertos Brasileiros. Mas esse amor pelo futsal jamais o impediu de olhar com carinho para as demais modalidades, fazendo com que Toledo se tornasse esse modelo quando o assunto é estrutura esportiva.

Butini tinha um jeito muito peculiar de lidar com as pessoas. Era franco, objetivo, direto. Como ele não havia meias palavras. Sim era sim e não era não. Butin não era adepto das meias verdades tão comuns no mundo político. Destoava de muitos dos seus colegas secretários justamente porque não pensava ser correto dizer uma coisa e agir de maneira contrária. E foi com esse jeitão simples de ser que ele conseguiu gerenciar momentos delicados, sem jamais deixar com que o esporte de Toledo parasse de crescer e alcançar resultados expressivos, mesmo atuando apenas com os chamados pratas da casa.

Obrigado a quem idealizou esta homenagem. A delegação que levar para casa o troféu de campeão geral, este ano com o nome de Mauro Maiorki, estará não apenas levando a representação máxima da glória esportiva, mas um legado inteiro de correção, ética e amor pelo esporte toledano e paranaense.

Um recado muito claro

Nesta quinta-feira (10), logo cedo, o prefeito Lucio de Marchi (PP) fez uma reunião muito breve e a portas fechadas para assinar as portarias de nomeações de alguns novos cargos comissionados. A ideia é completar o time, desfalcado desde o início em função do limite prudencial da folha de pagamento, herança deixada com quase 54% de comprometimento da gestão anterior e que, sim, atrapalhou bastante o ritmo de alguns setores que agora passarão a contar com titulares e não mais suplentes.

O uso do termo time não é por acaso, até porque o próprio prefeito pregou maior harmonia entre seus novos comandados e frisou que um time bem entrosado e motivado leva qualquer equipe à vitória. No caso de sua gestão, Lucio sabe que no ‘returno’ precisará de resultados melhores – ao menos aos olhos da população – em campo. O time da prefeitura vem vencendo algumas partidas, mas sem ainda encantar a maioria da torcida. Quem sabe com os reforços contratados esta semana seja possível agradar esta parte que ainda não conseguiu perceber que muitas mais vale o resultado que a apresentação em si.

As mudanças promovidas ontem – e as que serão feitas até o fim deste mês – não servem apenas para mostrar à sociedade o desejo do prefeito em dar novo ritmo à sua gestão. É um recado muito claro também a quem está há mais tempo no time e, de certa forma, acomodou-se no banco ou nos treinos, mas na hora do jogo foge do compromisso. As mexidas mostram que Lucio está disposto a fazer o que for preciso para vencer e convencer, nem que para isso seja preciso dispensar jogadores que se consideram intocáveis, mas que na prática não estão dando conta do recado como deveriam.

E é bom isso acontecer porque quem ganha com isso é o município como um todo, afinal, quando se tem um gestor comprometido e disposto é importante para a conquista de novos investimentos, da realização de novos projetos e ainda a concretização de obras iniciadas ou deixadas pela metade no passado. A disposição do prefeito pode ser o combustível que faltava para que este time arranque em direção ao título ou ao menos deixe uma melhor impressão ao fim do campeonato.

Um trânsito caótico. Mas com opções

Esta semana o JORNAL DO OESTE trouxe reportagem sobre o estudo que acadêmicos da Unioeste estão fazendo sobre o trânsito no Centro de Toledo. O objetivo é muito simples: com os pontos mais críticos identificados, agora é hora de apresentar as propostas para tornar o espaço menos complicado para quem transita, esteja esta pessoa dentro ou fora de algum veículo. Em teoria tudo é muito fácil, entretanto, até as ideias deixarem o papel e as pranchetas para se tornarem ações concretas muitas vezes demora tempo demais para quem não está acostumado com a burocracia das administrações públicas no Brasil – e aí não se trata de um privilégio de Toledo – ou então com os egos que insistem em suplantar muitas vezes aquilo que seria ideal.

Não precisa ser nenhum expert em trânsito para descobrir que em Toledo a situação é caótica, com cada vez mais pontos críticos surgindo em função do aumento considerável na frota de veículos, movimento que não é de hoje, mas que infelizmente parece ter sido sumariamente ignorado por quem administra o trânsito local. Felizmente há muitas opções para tornar o trânsito um pouco menos atribulado, até porque quando o assunto é trânsito no Brasil quase sempre é um problema porque em cidades como Toledo o uso do transporte público é ínfimo perto daquilo que poderia acontecer e muito por culpa de quem gerencia o sistema. Um exemplo banal, mas que pode ajudar a entender um dos motivos para muitas pessoas deixarem de usar ônibus na cidade é a falta de aparelhos condicionadores de ar na frota inteira. Isso numa cidade onde nesta época do ano as temperaturas chegam fácil aos 30ºC. Dá para imaginar a situação no verão...

A adoção de binários em algumas regiões é outra solução apontada por muitas pessoas, porém, parece não ser este o pensamento de quem administra o setor dentro da Prefeitura de Toledo. Basta uma rápida volta na Vila Industrial para se perceber o quanto a medida poderia auxiliar, como aconteceu no BNH da Barão há alguns anos. No início houve reclamação, entretanto, hoje é quase unanimidade o acerto da medida, na época adotada para auxiliar o deslocamento dos caminhões da coleta do lixo, mas que acabou beneficiando todos que por ali trafegam. Se deu certo lá, por que não adotar a mesma medida em outros bairros?

A Barão do Rio Branco, objeto de estudo dos acadêmicos da Unioeste, talvez seja um dos grandes desafios, embora a simples mudança no sentido do estacionamento ajudaria. E muito! Difícil é esperar alguma mudança diante da passividade de quem comanda e a falta de visão, em geral, de quem se localiza naquele espaço.

A tecnologia em discussão

Começa nesta quarta-feira, no Biopark em Toledo, o Pig Data, uma convenção do ecossistema de inovação que pretende na edição deste ano debater principalmente o agronegócio e a indústria 4.0. Numa região líder quando o assunto é o campo, nada melhor que isso, embora ainda haja muito espaço para o uso de tecnologia junto às propriedades rurais de Toledo e região, haja vista a questão cultural e o preconceito natural de quem durante anos plantou e colheu sem a necessidade de tantos ‘badulaques’, hoje indispensáveis pensando numa produção em escala cada vez maior, com um custo menor e ainda por cima respeitando a legislação ambiental.

O maior objetivo do evento, claro, é proporcionar o amplo debate não apenas sobre o uso de novas tecnologias – no campo e na indústria – mas também apresentar novas ideias, fazer surgir novos projetos e produtos através dos vários instrumentos que serão usados ao longo dos próximos três dias.

O conceito de indústria 4.0, por exemplo, está voltado para a evolução, inovação e alta performance industrial com tecnologias para automação e troca de dados por sistemas, Internet das Coisas (IOT) e computação em nuvem. A tecnologia de produção também está voltada ao campo, seus equipamentos, formas e meios de produção. Aliás, esta é uma tendência há muito tempo já empregada na indústria do campo, com máquinas cada dia mais ‘inteligentes’ sendo lançadas no mercado e com resultados impressionantes.

Essa é a tendência e não há como fugir dela. Assim também acontece em muitos outros setores e, mais cedo ou mais tarde, será preciso que o homem do campo passe a enxergar a tecnologia não como uma ameaça ou gasto desnecessário, mas sim como um forte aliada para melhorar os resultados na hora da colheita, seja ela de qual produto for.

E dentro de mais alguns dias Toledo será sede de outro grande evento técnico para debater a necessidade de investir em novos métodos. O 19º Congresso Nacional Abraves, cujos preparativos já iniciaram no Teatro Municipal com a perspectiva de reunir de 22 a 24 de outubro cerca de mil pessoas entre participantes e palestrantes de várias partes do mundo, o que reforça ainda mais a necessidade de se estar preparado para esta nova realidade, para este novo mundo que começa a se abrir. Um mundo tecnológico e cheio de alternativas.

Clubes consolidados

No último fim de semana foi realizado o 1º Baile à Fantasia do Yara Country Clube. Um sucesso absoluto! Além deste baile outros eventos estão sendo realizados ao longo do ano movimentando o clube praticamente o ano inteiro. O mesmo acontece no Toledão, mostrando que, em tempos de crise econômica, quando o cidadão procura economizar de todos os lados e um dos primeiros cortes no orçamento é justamente o gasto com lazer, a agenda intensa dos dois dos principais – e maiores – clubes de Toledo é mostra do quanto a organização e a criatividade podem auxiliar a manter o quadro associativo relativamente equilibrado para permitir investimentos e, claro, a manutenção de acordo com aquilo que agrade seu público.

Tanto Toledão quanto o Yara neste sentido estão sendo administrados de forma bastante inteligente. Evidente que esta é uma impressão de fora, mas até onde se tem conhecimento os dois clubes, apesar da pressão econômica, têm conseguido manter uma gama de atividades bastante diversificada, além de efetuarem novos investimentos.

No caso do Toledão recentemente foi inaugurada a academia e feitas outras pequenas melhorias. O mesmo se aplica ao Yara com a entrega de um novo parque infantil e outras pequenas melhorias. Aqui não importa o tamanho, muito menos a localização, pois tanto um quanto o outro tem seus atrativos e seus frequentadores assíduos. Cada qual com sua característica, os dois clubes em Toledo têm algo em comum: são sobreviventes!

Sobreviventes porque ao longo da história Toledo teve outros clubes, com destaque para o Clube do Comércio e o CCR. Ambos sucumbiram, enquanto Toledão e Yara foram se moldando aos novos tempos e às novas exigências dos associados. Na AABB acontece processo semelhante, embora numa proporção menor que aos ‘gigantes’, porém não menos importante quando se trata de clube associativo.

Este bom momento dos clubes toledanos precisa ser valorizado pela sociedade, pois eles mantêm viva a tradição de atividades como os bailes sociais, algo que ao longo do tempo foi se perdendo. Também mantêm escolinhas esportivas e oportunizam a muitas pessoas a chance de praticar uma atividade física ou apenas ter um momento de lazer em meio à loucura do cotidiano. E isso não é pouco!

Vai entender

No âmbito da administração pública no Brasil, ao menos onde se tem um mínimo de seriedade na condução da máquina estatal, a ordem é cortar gastos onde for possível. Gastos considerados exagerados ou que sejam questionáveis devem ser evitados de todas as maneiras e aí não apenas pela questão econômica em si, mas também por uma tentativa moral de reaproximação entre a classe política e os verdadeiros donos do poder, no caso os eleitores. Assim tem sido desde o início da gestão do prefeito Lucio de Marchi em Toledo, com o governador Carlos Massa Ratinho Junior no Paraná e até com o presidente Jair Bolsonaro no sempre minado campo de Brasília.

Na contramão de tudo aquilo que vem sendo feito em muitos cantos do país, eis que nesta segunda-feira está prevista a votação de um Projeto de Resolução, na Ordem do Dia da Câmara Municipal de Toledo, de deixar boquiaberto o cidadão ainda crente em dias melhores. Pela proposta o valor da diária dos vereadores poderá chegar a R$ 850,00, enquanto o número de viagens poderá dobrar, passando para até quatro viagens para qualificação por ano.

Embora alguns atuais ocupantes de vagas dentro do Legislativo local pensem fazer o que bem entender com seu mandato, na prática não é bem assim, até porque este é um poder transitório e concedido através do voto. Embora também a maioria da população não esteja nem aí para o que acontece dentro do Plenário Edílio Ferreira, ainda assim há quem se preocupe e busque fiscalizar as ações dentro da Câmara Municipal. Mesmo com críticas, ataques virulentos ou ameaças.

Não se discute a legalidade da decisão, caso esta seja aprovada pela maioria dos vereadores na sessão desta segunda-feira (7). Há orçamento e a proposta atende aos preceitos exigidos pelo que determinam as regras. O questionamento a ser feito é se esta é uma decisão moralmente aceitável num momento tão delicado para a economia e para a sociedade como um todo. Em tempos onde se busca a economia e o controle de gastos – e aí não apenas no serviço público, haja vista muitas famílias enfrentarem situações humilhantes pela falta de dinheiro e de emprego – eis que alguns vereadores surgem com a proposta de elevar gastos.

A votação será um ótimo termômetro para saber se os discursos inflamados em favor dos menos favorecidos é apenas verborragia ou se trata realmente de um sentimento digno de compaixão. Cabe à sociedade decidir isso mais tarde, mais precisamente em 2020, quando novas eleições virão e velhos atores estarão uma vez mais em cena.

Experiência única

Foram 18 dias de trabalho intenso, de conhecimento inesquecível, de experiência única. Foram 18 dias de dedicação extrema, de técnica apurada e de coragem. Será uma vida inteira para se lembrar não de um ato, mas de uma verdadeira missão que o soldado Victor Luís Langner recebeu e a cumpriu com galhardia ao retornar do combate aos focos de incêndios na região amazônica, mais precisamente na Serra do Cachimbo, no Pará. Langner foi o escolhido, mas poderia ter sido qualquer outro bombeiro militar de Toledo, afinal, sua escolha foi a prova real da capacidade técnica do efetivo que integra a corporação na cidade.

Muito dessa capacidade está ligada à liderança do comandante Luís Eduardo Zarpellon. Este jovem capitão carrega no sangue a obstinação dos grandes líderes, tamanha sua vontade em ensinar e aprender, em ajudar e preparar sua tropa para qualquer desafio. E nisso Toledo está muito bem servida, pois, embora o número de profissionais não seja o mais adequado, a dedicação de todos e o preparo técnico conseguem amenizar muitos dos problemas enfrentados diariamente e a viagem de Langner à Amazônia é mais uma prova disso, afinal, quem lá esteve é porque tem um diferencial.

Há que se destacar ainda o investimento feito pelo Governo do Estado ao longo dos anos na melhoria dos equipamentos, isso também graças ao envolvimento da comunidade e a ações como o repasse de verbas do Funrebom que tanto tem auxiliado na melhor estrutura do Corpo de Bombeiros em Toledo, responsável por atender outros municípios da microrregião. Graças a este esforço coletivo hoje Toledo é referência na técnica de combate a incêndios com a adoção de novas técnicas e o treinamento em container criado especificamente para este fim. Há ainda a torre para treinamento de ocorrências em altura, isso sem mencionar o treinamento para atendimento a vítimas presas em automóveis após acidentes, entre tantos outros que se somam ao trabalho preventivo no cotidiano de uma cidade que aprendeu a respeitar seus bombeiros, homens e mulheres de raça, de força e união.