Editorial
Motores em ação

Após o último ronco dos motores foi ouvido em Toledo, logo após o fechamento do kartódromo onde hoje funciona o Parque Urbano Frei Alceu, no Jardim Porto Alegre, seguiram-se apenas boas lembranças de uma cidade apaixonada por velocidade e com fortes elos com o automobilismo. Há décadas a cidade foi referência quando o assunto era velocidade, seja pela qualidade de seus pilotos, seja pela excelência de uma das melhores pistas para kart do país, fechada justamente pela maior razão de tanta gente se apaixonar pelo mundo da velocidade: o barulho dos motores zunindo, cortando o vento de maneira rápida a ponto de fazer prender a respiração sobre o desdobramento de uma curva ou de uma reta interminável sendo disputada palmo a palmo.

Foram anos de espera até que surgisse a ideia de construir um autódromo na cidade. Espera angustiante diante da burocracia para se definir uma área, liberar recursos públicos, executar obras... Tudo parecia conspirar para que Toledo ficasse de vez alijada deste universo muito particular e que por onde passa atrai milhares de apaixonados, de aficionados pelo barulho e pelo cheiro tão característico de pneus sendo queimados no asfalto ou no concreto ou do combustível exalando de potentes motores.

Foram anos de angústia até finalmente um minúsculo pedaço deste complexo esportivo ainda em construção às margens da BR-163, entre Toledo e Quatro Pontes, pudesse – ainda que por curtos instantes – matar a saudade de quem não acreditava mais nessa retomada veloz. Mas finalmente o domingo de sol chegou e a energia revigorou essa paixão, essa adoração pela velocidade, que veio na forma do 1º Festival de Arrancadas, um espetáculo que levou milhares de pessoas ao Autódromo Rafael Sperafico, uma justa homenagem a um verdadeiro clã de quem idolatra o esporte a motor, independente de categoria ou de época. Amor perpetuado também por quem nunca vestiu um macacão, como Dilceu Sperafico, sem dúvida o maior guerreiro na luta por recursos junto ao Governo Federal para fazer a obra caminhar. Ainda há muito a ser feito, porém, o evento do fim de semana mostrou o quanto a gente de Toledo é apaixonada por velocidade e como o automobilismo pode contribuir para o crescimento econômico da cidade.

Os motores voltaram à ação e oxalá não sejam novamente calados e que a estes da arrancada possam se juntar outros de tantas categorias que estavam com saudade de ouvir o nome de Toledo reingressar em grande estilo no universo restrito da velocidade.

Evento simbólico

Está previsto - para acontecer neste domingo (23), o primeiro evento de onde funcionará o Autódromo Rafael Sperafico em Toledo, na BR-163, saída para Marechal Cândido Rondon. O Festival de Arrancada, promovido pela Associação dos Pilotos de Arrancada de Toledo, é um evento simbólico porque não se trata de uma inauguração oficial do espaço, mas sim apenas uma espécie de ‘prestação de contas’ daquilo que foi feito até hoje. Pouco na visão de muitos e muito na visão de poucos. De qualquer maneira, ao menos o espaço começa a ser utilizado, embora ainda seja cedo para celebrações mais entusiasmadas sobre o restante da obra.

O evento é simbólico também porque, embora Toledo tenha uma forte tradição e ligação com o mundo do automobilismo, em especial a família Sperafico, desde que o kartódromo localizado no Jardim Porto Alegre foi fechado, nunca mais a cidade voltou a respirar ou a ouvir o ronco dos motores tão de perto. Mesmo com pilotos disputando campeonatos de arrancada ou de corridas convencionais e obtendo bons resultados, ainda assim parecia faltar algo. Era uma peça de um quebra-cabeça que não findava jamais. E ainda não foi concluído, sempre importante ressaltar.

Esse retorno de Toledo ao circuito automobilístico é importante não apenas por resgatar essa tradição perdida durante tanto tempo, mas também porque é uma opção a mais no sentido de fortalecer a cidade como uma referência no chamado turismo de eventos, extremamente útil no fortalecimento da economia local, afinal, são esperadas milhares de pessoas para acompanhar de perto os pegas dentro da pista de arrancada.

Mas também não se pode esquecer que este é apenas isso, um evento simbólico, e que ainda falta muito para o autódromo ser inaugurado da maneira como sonham os amantes da velocidade. Para isso é preciso pegar o saldo positivo deste festival de arrancadas, somar ao que já existe e pressionar quem é devido para as obras terem a continuidade que a comunidade esportiva anseia há anos, desde que este projeto foi iniciado e desde então vem sendo conduzido a conta-gotas.

Apoio silencioso

Quando fenômenos naturais provocam estragos, como aconteceu em Toledo na madrugada desta quinta-feira (20), um grupo de anônimos entra em ação sem muitas vezes ser percebida a importância de suas ações. Embora os prejuízos tenham sido pequenos diante do temporal que atingiu a cidade, ainda assim este trouxe transtornos, seja com a queda de árvores, com alagamentos pontuais ou até mesmo com a falta de energia ou de água em vários pontos da cidade. E aí que entra em ação este grupo formado por integrantes de várias forças, seja da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros, Prefeitura, Copel, Sanepar, um verdadeiro exército da boa vontade para tudo ser restabelecido dentro do menor tempo possível.

Um apoio silencioso, mas rápido, eficiente e necessário e que demonstra o profissionalismo que estas instituições atingiram graças a treinamento constante, investimento em novos equipamentos para oferecer uma estrutura a quem precisa trabalhar em situações emergenciais como foi a de ontem em Toledo e em tantas outras cidades da região Oeste do Paraná, um ‘oásis’ quando se trata de tempestades como a desta semana. Daí a necessidade em se ter equipes preparadas para atender o cidadão.

E não apenas em atendê-lo na questão material ou de restabelecer serviços essenciais para seu bem-estar, como são água, luz e telefone, por exemplo. Mas de atender as famílias atingidas muitas vezes como uma palavra de consolo, com um gesto de boa vontade, com um sorriso em meio ao desespero. Em muitos casos, como quando uma casa destelha ou uma árvore cai sobre um muro ou automóvel, a pessoa não quer apenas que este problema seja resolvido. Às vezes ela quer se sentir amparada, protegida e é isso que também faz não apenas a Defesa Civil, mas todos os órgãos e entidades envolvidos em sua estrutura direta ou indireta.

Uma vez mais Toledo foi atingida por uma forte chuva que, embora em proporções bem menores que em outras oportunidades, deixou lá seus sinais negativos. Uma vez mais, entretanto, esta estrutura de apoio ofereceu o suporte necessário para as famílias atingidas perceberem que existe uma estrutura pronta para lhes atender quando mais necessitam.

Política pública eficiente

A realização da 12ª Mostra de Circo Social, prevista para acontecer em Toledo na próxima semana, é mais um – bom – exemplo de que quando existe boa vontade dos políticos, é possível estabelecer políticas públicas voltadas em atender à população em suas necessidades, mesmo esta população nem sempre tendo a real percepção de quais seriam. A Mostra tem sido realizada ano sim, ano também, ou seja, mesmo com a troca de comando na administração pública municipal, ainda assim o evento vem sendo tocado por técnicos que pensam apenas em fomentar um projeto cujo maior objetivo é despertar nas crianças e adolescentes o gosto pela arte circense e, quem sabe, fazer disso sua profissão, como já começa a acontecer com os primeiros frutos do Circo da Alegria e do Circo Ático.

Não bastasse isso, ano a no o evento foi ganhando corpo, até culminar com a realização do Festival do Circo em paralelo. Esse novo evento não apenas reforçou a importância da Mostra como permitiu um maior acesso à arte, afinal, os espetáculos trazidos a Toledo durante os dois eventos são de extrema qualidade e aos poucos foram despertando nas pessoas a paixão pelo circo em sua essência derivada daquela natural forjada nos picadeiros de lona. Se antes o Teatro Municipal ficava com muitos espaços vazios, há algum tempo tem ficado lotado para aplaudir os artistas que lá se apresentam, venham eles de onde vierem.

Uma política pública eficiente acontece dessa forma, oferecendo a liberdade necessária a quem melhor compreende as reais necessidades de um determinado setor. Assim deveria ser no esporte, na educação, no meio ambiente, enfim, em todas as áreas onde as administrações públicas estão presentes e se tornam necessárias quando a iniciativa privada não consegue atender essa demanda social, até porque estamos falando em espetáculos gratuitos, realizados em espaços públicos e abertos a qualquer tipo de público, numa democracia que talvez apenas o circo consiga oferecer.

Exaltar e prestigiar estes dois eventos é quase uma obrigação da sociedade toledana, afinal, hoje são, tanto a Mostra quanto o Festival, referências dentro do Estado do Paraná não apenas pela estrutura oferecida, mas pela qualidade dentro e fora dos espaços onde os espetáculos acontecem e divertem o respeitável público.

Cultura em alta...e em baixa

Semana Farroupilha, Mostra de Circo, coral, shows de humor, espetáculos de dança, shows com artistas consagrados, musical infantil...a Cultura em Toledo tem vivido dias agitados nos últimos tempos, prova de que existe muitos espetáculos sendo trazidos ao município, entretanto, em muitos deles o público é decepcionante. Não por falta de qualidade, até porque todos os espetáculos apresentados no Teatro Municipal primam pela beleza cênica, pela pureza do som, pelo profissionalismo.

A estrutura do Teatro também não se pode contestar, afinal, hoje é um dos melhores do Estado e com reforma prevista para daqui alguns meses, o que o deixará novamente com a estética que merece. O que acontece então? Por que tantos bons espetáculos dão prejuízo aos seus organizadores e atraem tão poucas pessoas?

Uma das partes desta resposta complexa pode estar na própria cultura do toledano, muito mais voltada a outro tipo de música, de dança, enfim, uma arte mais popular do que esta apresentada recentemente. Sim, mas ainda assim há um bom público que aprecia apresentações, digamos, mais ‘cultas’ ou de uma forma menos popular. Outro motivo é a inauguração do Teatro em Cascavel, que de certa forma acabou se tornando um dos principais concorrentes ao Teatro de Toledo, pois muitos dos espetáculos são apresentados nas duas cidades em datas muito próximas. Antes havia muita gente de Cascavel que vinha a Toledo e hoje isso já não ocorre na mesma frequência.

Há que se considerar também o aspecto econômico. Embora Toledo seja considerada uma cidade rica, a média salarial das pessoas é baixa, em torno de 1,5 salário mínimo e, levando em conta o alto custo de vida na cidade, sobra muito pouco para este tipo de lazer. Quando um show tem data muito distante do pagamento então, aí complica de vez...

Mas é preciso levar em conta também muitas vezes a comunicação falha de alguns espetáculos, especialmente aqueles onde há o apoio da Prefeitura de Toledo. E isso tem ficado evidente também em outras áreas da administração pública. Sem uma comunicação eficiente não há o que possa ser feito, por mais qualidade que tenha produto, se o consumidor final não sabe disso, acaba comprando aquilo que lhe aparece pela frente.

Hora do respeito

Todos os anos é a mesma história: os candidatos ao Governo do Paraná visitam Toledo, em geral na realização da Festa do Porco no Rolete – como aconteceu neste fim de semana – para apresentar propostas e ouvir as reivindicações da sociedade local e regional. A peregrinação normalmente também percorre os mesmos locais, com encontros quase sempre nas grandes empresas do município e na Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit), entidade que há anos apresenta quase sempre as mesmas reinvindicações, prova de que nem sempre o Oeste do Paraná tem sido ouvido ou percebido com a importância que tem para a economia estadual.

Essa impressão de abandono não é de hoje, daí a necessidade em se manter – e se possível ampliar – a representação política de Toledo e da microrregião oestina, tanto na Assembleia Legislativa do Paraná quanto na Câmara Federal, afinal, sem a verba carimbada da União e do Governo do Estado é muito difícil os municípios conseguirem fazer muito mais do que já fazem, especialmente porque algumas ações passam necessariamente pelos investimentos das demais esferas da administração pública.

É hora do respeito às causas oestinas, seja na consolidação de grandes obras, como a construção do Aeroporto Regional ou da extensão da Ferroeste, como em situações mais pontuais de cada município que contribui de maneira muito decisiva na formação do bolo econômico paranaense, cada qual dentro das suas possibilidades, mas certamente numa proporção inversa entre o que se produz e o que se tem de retorno. A comunidade do Oeste está farta de ouvir sempre as mesmas promessas e de esperar por obras que servem apenas para fortalecer o palanque eleitoral. O comprometimento é necessário, assim como também a cobrança, afinal, a população precisa saber reconhecer quem verdadeiramente fez e faz por Toledo e pelos municípios da região, assim como também expurgando quem apenas se aproveita de momentos demagógicos para vir pedir o voto sem o menor pudor.

Essa cobrança também passa pela Acit, que, sim, precisa envolver-se de maneira mais enfática na política de Estado e não na política partidária, esta da qual deve se manter afastada para que sua diretoria não seja contaminada por assim dizer. Mas no restante é salutar uma maior cobrança da maior entidade representativa de Toledo e uma das maiores da região, afinal, o peso da mão é proporcional ao tamanho da colaboração.

A nossa festa!

Neste domingo (16), pelo 45º ano, o Clube de Caça e Pesca abre suas portas para receber milhares de visitantes em mais uma edição da Festa do Porco Assado no Rolete, uma mega confraternização que envolve a cidade de Toledo como nenhuma outra festa gastronômica consegue. Não apenas pela grandiosidade atingida pela festa, mas também pelo seu simbolismo, afinal, não é simplesmente saber assar um porco inteiro de maneira saborosa, pois a Festa do Porco integra o patrimônio histórico da cidade e do Paraná, sendo um ícone na exaltação da suinocultura e sua importância para o crescimento da cidade ao longo de sua história e o fortalecimento de sua economia.

A Festa do Porco no Rolete é a nossa festa! Uma festa que representa bem a própria história de Toledo, afinal, ao longo destes 45 anos ela foi sendo moldada de acordo com seu próprio crescimento. Se antes assar o porco no Caça e Pesca era quase um encontro entre amigos, hoje é uma oportunidade de fazer novas amizades, divulgar produtos, fechar negócios, aproximar relação, enfim, é um evento turístico de enorme envergadura, tanto assim que hoje são aguardados muitos candidatos a algum cargo na eleição de outubro.

Ao longo deste período o clube, os acessos, a estrutura dos estandes e de tudo que cerca este evento foi sendo melhorado. Investimentos públicos e privados feitos com um único objetivo: tornar a Festa do Porco não apenas maior, mas principalmente maior e aí é preciso ressaltar primeiro a determinação da diretoria do clube em ouvir os visitantes e ir gradativamente promovendo ações para melhor acolher o visitante; depois para as várias administrações públicas que, cada uma a seu tempo, investiram recursos públicos numa festa que ganhou proporções nacionais, tanto assim que hoje são esperados muitos turistas que virão a Toledo atraídos pela fama do sabor suíno preparado com esmero por assadores especializados, anônimos que ajudam a tornar a festa ainda mais agradável.

A nossa festa é de todos, afinal, Toledo também vem se preparando para melhor receber quem a visita de maneira temporária ou então a escolhe para viver, afinal, a cidade – assim como a festa – pode melhorar ainda mais e assim será graças à determinação de sua gente.

Alô!

Levantamento da Secretaria de Segurança e Trânsito de Toledo, publicado esta semana pelo JORNAL DO OESTE, mostrou que mais de 800 motoristas foram flagrados dirigindo e usando o celular ao mesmo tempo, um hábito infelizmente comum entre muitos motoristas. Esse número tende a ser muito maior, pois não se pode fiscalizar todas as ruas ao mesmo tempo. Fica difícil pensar em algo diferente daquilo que já vem sendo feito por parte do agente fiscalizador, que aumentou o controle das vias com radares e câmeras de segurança, com agentes nas ruas e com a realização de blitz com maior frequência.

A esperança na mudança de comportamento está nas futuras gerações, daí a importância de campanhas educativas como a Educatrânsito, da qual este jornal é apoiador ao divulgar diariamente dicas para um comportamento mais saudável no trânsito, tanto de quem dirige como de quem está do outro lado do volante e muitas vezes se comporta de maneira tão irresponsável quanto quem dirige falando ao celular ao mesmo tempo.

É preciso um investimento constante na educação desta futura geração de condutores, haja vista que muitos dos atuais não terem salvação diante de uma formação bem menos completa daquela oferecida hoje. Para se ter uma ideia, durante algum tempo nem mesmo a tão famigerada baliza era obrigatória nos testes práticos. Pessoas hoje maduras foram moldadas sem algumas obrigações e isso explica muito do comportamento até agressivo em determinadas situações. Por isso investir nas crianças é fundamental, assim como também manter uma fiscalização rigorosa para mostrar a esses novos condutores a necessidade de aplicar na prática o que aprendem na teoria.

Evidente que não será apenas isso que modificará a realidade do trânsito local, pois é preciso investimento na melhoria da estrutura viária a fim de eliminar gargalos históricos, como os existentes na avenida Parigot de Souza, uma onde mais acontecem acidentes e onde mais se verificam problemas. Investir num melhor sistema de transporte coletivo e retomar programas como o Toopedalando são outras ações fundamentais para, com este conjunto mais amplo, ser possível sonhar com um trânsito melhor e com usuários mais

Para nunca a humanidade esquecer!!!

A última terça-feira foi uma data icônica para o mundo inteiro: completaram-se 17 anos desde os ataques às torres gêmeas em Nova Iorque (EUA) e ao Pentágono, em Washington, a capital norte-americana. Os ataques aéreos provocados pela rede de terrorismo Al-Qaeda, comandada então por Osama Bin Laden, revelaram ao mundo a mais torpe faceta do ser humano quando este pretende levar às últimas consequências todo seu ódio, seu rancor contra uma ideia, contra um estado de coisas diferente daquilo que se pensa ou se prega. Para muitos foi uma resposta à “arrogância ianque”, a mais poderosa nação econômica, militar e por que não dizer, social do mundo moderno.

Sim, muitas ações tomadas pelos Estados Unidos demonstram uma arrogância e um desrespeito tremendo por outras nações, mas nada justifica tamanha atrocidade, embora seja preciso reconhecer que o mundo inteiro vive tempos bárbaros, como tivesse a humanidade regredido antes mesmo dos tempos da Idade das Trevas. Com tanta tecnologia disponível, nunca se viveu tanta intolerância. Qualquer ato ou palavra é motivo para declarações bombásticas, ameaças, violência sem medida. Os limites de convivência e de respeito ficaram estreitos demais.

Esta data precisa sempre ser lembrada, assim como o holocausto jamais deve ser esquecido, assim como os genocídios em países africanos, como as várias guerras civis na América Latina, assim como a matança da Guerra do Vietnã, entre tantos outros conflitos ao longo da história que não serviram para a evolução no campo do diálogo e das ideias, haja vista a frequência com que se repetem, sem mencionar a guerra interna brasileira, acirrada pela ideologia travestida de projeto político e que tem empurrado o país ladeira abaixo sem que a maioria das pessoas se dê conta do perigo desse movimento orquestrado há muito tempo, tal qual os ataques premeditados do 11 de setembro, um atentado à democracia e que levou o mundo ao declínio total em termos de cooperação.

É preciso, em momento assim, haver uma completa catarse da sociedade para que se restabeleça o mais depressa possível o equilíbrio necessário para as diferenças permanecerem apenas no campo das ideias e não em praças de guerra pelo planeta inteiro.

Cada um que pague seus pecados

Após a notícia bombástica da prisão do ex-governador Beto Richa (PSDB), um dos dois melhores colocados na disputa ao Senado pelo Paraná, dois dos principais concorrentes ao Palácio Iguaçu, justamente em lugar de Richa, foram enfáticos em suas respostas. Tanto Cida Borghetti (PP), como Ratinho Junior (PSD), afirmaram que se o ex-governador tem culpa no cartório precisa pagar por seus erros. É o melhor estilo de tentar não se deixar levar pela onde, ainda mais porque ambos tinham ligações muito próximas – embora distantes – com Richa, afinal, estavam na gestão passada. Cida era a vice e Ratinho secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano.

Mas quase ninguém pode celebrar, afinal, embora em tom de brincadeira uma publicação que ‘viralizou’ entre vários grupos na mesma icônica terça-feira de um 11 de setembro – quem não se lembra do ataque às torres gêmeas em Nova Iorque? – resume bem o sentimento na política paranaense até os cacos serem colados e ver qual o espectro que resta ao eleitor.

Presos Beto Richa (candidato a senador) e esposa (Fernanda Richa), são pais de Marcello Richa (candidato a deputado estadual) e próximos de Ratinho Junior que foi seu secretário no governo (candidato a governador).  Joel Malucelli estava até o fechamento desta edição foragido do Gaeco e é irmão do Cel. Malucelli (candidato a vice-governador) de Cida Borghethi (candidata a governadora) e esposa de Ricardo Barros (candidato a deputado federal) pai de Maria Victoria (candidato a deputado estadual). Em tempo: Joel Malucelli é sogro de João Arruda (candidato a governador) sobrinho de Roberto Requião (candidato a senador) e suplente no Senado de Álvaro Dias (candidato a presidente).

Nesta história triste da política paranaense, cada um que pague seus pecados, até porque o tema será amplamente explorado na campanha eleitoral daqui por diante, inclusive no âmbito nacional como já mostraram os principais noticiários país afora, até porque o nome de Richa era tido em bom tom dentro do ninho tucano pelas medidas drásticas – e necessárias – que permitiram ao Paraná promover um ajuste fiscal draconiano, mas que ofereceu um fôlego extra para o Estado atravessar essa crise sem fim, agora muito mais moral e política que necessariamente apenas econômica. Mais um 11 de setembro negro para a história.