Editorial
A questão do trânsito

Na semana passada o secretário João Vianei Crespão (Segurança e Trânsito) apresentou alguns dados preocupantes em relação ao trânsito. Não em relação ao aumento na arrecadação, compreensível diante das mudanças na legislação federal, embora algumas situações em Toledo estejam ultrapassando os limites do bom senso, ainda mais quando Crespão admitiu ter sido reduzida a fiscalização diante da pressão dessa tal ‘indústria de multa’ que teria sido criada. Na contramão o secretário ainda disse receber toda semana pedidos para instalação de lombadas ou faixas elevadas a fim de reduzir a velocidade dos veículos em muitos pontos da cidade.

Num ponto é preciso concordar com o comandante da Secretaria de Segurança e Trânsito: enquanto não houver conscientização dos usuários sobre a necessidade do respeito às regras do trânsito, qualquer medida será inócua diante da irresponsabilidade e da empáfia de determinados motoristas. Mas como pedir à população em geral consciência quando muitos vereadores defendem o contraventor? Sim, muitos vereadores saíram em defesa de motoristas flagrados trafegando acima da velocidade máxima permitida em determinadas ruas ou por causa das notificações do Estacionamento Regulamentado (EstaR) e aí independe onde esteja o agência de trânsito, porque regra é regra e precisa ser respeitada, ainda mais quando envolve o trânsito. Em se tratando de Brasil, entretanto...

Em se tratando de Brasil é triste observar pessoas eleitas para serem os fiscalizadores de leis defendendo posições contrárias a estas, afinal, os eventuais abusos por parte dos agentes devem sim ser combatidos, porém, cabe ao usuário de maneira individual contribuir para essa fiscalização ser cada vez menos necessária. Em Toledo, ao contrário, parece ser cada dia mais imprescindível para tornar as ruas mais seguras para os quase 100 mil veículos que diariamente trafegam para lá e para cá, provocando acidentes diários, como o ocorrido na manhã desta segunda-feira (16) bem próximo do Jornal do Oeste.

A questão do trânsito não pode ser tratada com paixões, como fossem clubes disputando um torneio. Não! O trânsito é um local onde precisa prevalecer a questão técnica e neste sentido o comportamento irresponsável de alguns vereadores apenas corrobora para tornar ainda mais tenso um campo minado.

Puro desabafo!

A vida de um agente público no Brasil nunca foi – nem será – fácil e muito dessa culpa reside no próprio agente que, muitas vezes, age de maneira a irritar quem está do lado de cá. Mas é preciso a quem ocupa um cargo público tem o bom senso e o discernimento em separar aquilo que é uma crítica e aquilo que é uma acusação leviana. Neste sentido esta semana dois ocupantes de cargos públicos da Prefeitura de Toledo, por motivos distintos e ao mesmo tempo semelhantes, protagonizaram dois momentos de puro desabafo: o vice-prefeito Tita Furlan e o secretário João Crespão (Segurança e Trânsito).

O primeiro de maneira destemperada e o segundo numa entrevista coletiva que mais passou a impressão de ser um grito de explosão no ar, talvez pela baixa audiência da imprensa a mais um evento da Prefeitura de Toledo, algo a ser analisado com cautela pelos responsáveis por sua comunicação. Enquanto Tita, furioso, cobrava explicações de quem o acusara de ser aquilo que não é, Crespão, igualmente furioso, controlou as palavras e apresentou dados para mostrar o acerto de suas ações à frente de uma pasta que naturalmente é alvo de críticas, assim como o são Saúde e Educação pela sensibilidade dos assuntos aos quais estão relacionados.

Parte da culpa pode ser depositada nos ombros da terra de ninguém chamada Facebook, o mesmo endeusado por muitas das figuras públicas atacadas sem dó, muito menos piedade por parte do cidadão, o qual não está nem aí para a vida pessoal ou familiar de quem recebe críticas muitas vezes infundadas, sem a devida verificação. O simples “ouvi falar” tem sido motivo para pesados discursos e até ameaças de morte, como aconteceu recentemente com o juiz federal Sérgio Moro. A impunidade vivida neste ambiente virtual apenas corrobora para se instalar este estilo livre contra tudo e contra todos. E olha que a campanha política sequer começou!

Neste momento o bom senso precisa prevalecer e aí cabe justamente a quem tem, em teoria maior capacidade de discernimento, agir de maneira controlada a fim de, se não impedir todas as críticas, ao menos criar uma corrente de boa vontade em torno de si quando determinadas acusações são infundadas. Caso contrário será desabafo atrás de desabafo.

Caráter não tem sexo

Kolinda Gabar Kitarovic é a presidente da Croácia, a primeira mulher a comandar um dos países finalistas da Copa do Mundo. Mas não foi pela classificação de sua seleção que a excelentíssima senhora ganhou destaque nos últimos dias, embora seu exemplo – bom, por sinal – esteja também ligado diretamente à competição que termina neste domingo (15). Ela viajou à Rússia para acompanhar a equipe em alguns jogos e, quando o fez, viajou em avião comercial, pagou as passagens do próprio bolso e, não satisfeita, pediu para descontar do seu salário os dias não trabalhados.

Agiu não motivada pela tão típica demagogia que assola uma esmagadora maioria dos políticos latino-americanos – para não resumir a conversa apenas ao território nacional. Agiu dessa forma para mostrar ao povo croata seu desejo em tirar o país de uma grave crise financeira e que, em momentos assim, é preciso que todos se doem um pouco, que cada um faça sua parte em benefício de um bem maior, no caso, a reconstrução de um país castigado por guerras e forjado na base da bala e de milhares de mortes. A Croácia é fruto da antiga Iugoslávia, que gerou, além da Croácia, ainda Bósnia e Herzegovina, Montenegro, República da Macedónia, Sérvia, Eslovênia e Kosovo (reconhecido parcialmente como um país independente).

A ação da presidente croata poderia servir de inspiração para muitos políticos brasileiros, que enfrentariam muitas dificuldades para pegar um avião comercial diante de tantos escândalos revelados nos últimos tempos. Além disso, com tantas mordomias e verbas de gabinete, para que pagar a passagem se ela sai de graça não é mesmo? E descontar os dias parados? Ah, com tantos recessos e feriados não há a mínima necessidade, ainda mais quando se faz um esforço concentrado, como aconteceu esta semana, e se votam projetos importantes como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no apagar das luzes, às vésperas dos nobres deputados e senadores saírem para o recesso do meio de ano. Um esforço tão grande que não foram poucos os deputados flagrados dormindo no meio das sessões, uma clara demonstração de insensibilidade para com assuntos tão sérios e que deveriam ser amplamente discutidos.

Mas aqui, diferente de lá, uma maioria da classe política não está nem aí para o mundo real, onde presidentes de países igualmente em crise dão demonstrações de respeito ao dinheiro público. Mas no mundo tupiniquim fantasioso a gastança segue livre, leve e solta.

O fim de um modelo

O anúncio esta semana da não realização da Expo Toledo 2018 não chegou a ser uma surpresa, afinal, este modelo de evento vinha há alguns anos dando sinais de cansaço e, intensificado pela grave crise financeira, política e moral pela qual atravessa o Brasil, parece ter chegado ao fim. Não que o fim de um modelo represente o fim do evento, entretanto, força os responsáveis pelo setor a buscarem novos modelos, alternativas para manter o agronegócio em alta. De qualquer maneira, chega a ser um contrassenso a capital do setor no Paraná, líder no Valor Bruto da Produção Agropecuária, não conseguir realizar uma feira especializada.

O mesmo dilema da Sociedade Rural enfrenta a Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit) com seus eventos, os quais começam a apresentar sinais de esgotamento dos atuais modelos. Não seria então hora dos representantes destas entidades e de outras igualmente influentes na sociedade toledana, sentarem-se para definir um novo modelo de eventos para a cidade? Não seria hora destes eventos serem realizados com um intervalo entre eles?

A sugestão seria, por exemplo, em um ano se realiza a Feira Shopping, em outro a Expo Toledo, daí a Feira de Máquina e em seguida outro grande evento em setor diferenciado, criando um hiato necessário para aguçar o apetite do consumidor e dar um tempo satisfatório aos organizadores para pensarem atrações realmente interessantes e tornar estes eventos lucrativos para todos. É apenas um modelo que poderia ser pensado, ao menos neste período turbulento, onde os investimentos rarearam e o consumidor não se sente mais tão atraído em comparecer a um espaço que precisa se modernizar e oferecer com um conforto a mais.

A não realização da Expo Toledo este ano pode servir como uma espécie de marco para os futuros eventos na cidade, desde que, claro, os responsáveis por ela estejam dispostos a entender os motivos que levaram a esta espécie de falência numa cidade que tanto se orgulha em ostentar números impressionantes quando o assunto é o agronegócio. Não fazer esta avaliação pode ser crucial para o futuro.

Pequeno apenas no nome

Na edição desta quarta-feira o JORNAL DO OESTE traz um pouco sobre o trabalho desenvolvido por voluntários do projeto Pequeno Amor, cujo único objetivo é minimizar a falta de estrutura verificada quase diariamente na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Bom Jesus que, além, de Toledo, atende outros municípios da região e até do Mato Grosso do Sul e Paraguai. Criaturinhas que não podem pagar pela omissão do poder público, pelas irresponsabilidades cometidas no passado na gestão da unidade hospitalar ou ainda pela falta de planejamento de quem não prevê o crescimento de uma cidade e mantém até hoje basicamente a mesma estrutura de saúde pública de 50 anos atrás.

Este trabalho é feito de maneira apaixonada, embora a paixão de alguns não seja tão intensa assim. Não há envolvimento com o hospital ou com o poder público, numa demonstração muito clara de que as arrecadações – inclusive em dinheiro – servem apenas para a manutenção de uma unidade onde as equipes se dedicam de maneira tão intensa quanto os que lutam para melhorar sua situação longe dos aparelhos ultrapassados e muitas vezes sem funcionar. Equipes cuja alegria e emoção estão estampadas nos rostos apreensivos pelas condições inadequadas nas quais trabalham diariamente e de maneira ininterrupta.

O médico da UTI Neonatal do Bom Jesus João Pedro Pontes Câmara e a voluntária Cláudia Justus personificam o verdadeiro trabalho desprendido e com o próximo como alvo. Estes dois são citados como forma de homenagear o trabalho de dezenas de pessoas que diariamente se esforçam para manter a unidade funcionando em condições mínimas. Pessoas que se somam a outras tantas que anonimamente fazem doações, oferecem serviços de maneira gratuita, compram rifas, etc, tudo em nome de um propósito muito maior que qualquer nome: o de salvar vidas em situação de extremo risco.

O projeto Pequeno Amor, - cujo único acesso é através de sua página no Facebook – é pequeno apenas no nome, pois sua grandiosidade não pode ser mensurada haja vista o alcance muito além dos aparelhos que diariamente soam como um alerta da necessidade de manter viva a esperança numa humanidade que ainda não sabe bem a que veio ao mundo.

Themis, Themis...assim você me mata!!!

Themis, a deusa grega da Justiça, deve a esta altura estar reboando seus quadris e descendo até o chão. Themis, Themis...assim você me mata deve estar entoando Zeus, o poderoso deus do Olimpo, o local mítico onde vivem os deuses gregos. Na festa profana da ‘deusarada’ deve estar cheio de brasileiros infiltrados, afinal, brasileiro adora uma farra! Ainda mais quando o assunto é com Themis, a deusa da Justiça, ah, aí sim é que o bicho pega pra valer. Entre ziriguiduns e batidões do melhor estilo funk de ser, Themis vai mostrando que quando o assunto é baderna, aí sim, é com ela mesma!

Só uma explicação mitológica para tentar compreender a sessão pastelão promovida nos bastidores do Judiciário brasileiro no último fim de semana, envolvendo, claro, mais uma vez o pré-candidato (condenado e preso) à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva. Ele, quase solto pelo pedido esdrúxulo feito num plantão qualquer na Justiça Federal que só não liberou Lula porque prevaleceu o bom senso. Até quando não se sabe.

Frases foram ditas em favor do ex-presidente sem o menor pudor. A verborragia atacou a tudo e todos. Esquecem, entretanto, os defensores do ex-presidente que a decisão quase irresponsável do desembargador plantonista Rogério Fravetto poderia favorecer não apenas os demais investigados –e igualmente presos – da Operação Lava Jato. Abriria um precedente muito maior e mais perigoso na sempre surpreendente justiça tupiniquim.

Mas tudo bem, o que vale mesmo é livrar a cara do capo e o resto dá-se um jeito, como tanto tempo foi sendo dado até tudo vir à tona. Os demais partidos, claro, fizeram vistas grossas com a loucura n qual se transformou o Olimpo, afinal, enquanto os deuses dançam felizes sempre sobra uma migalha aqui, outra ali para satisfazer os prazeres dos pobres mortais. Isso dos convidados para essa festa de arromba onde Themis mostra toda sua desenvoltura ao seduzir homens e mulheres cujas togas se transformam em fantasias caricatas usadas num carnaval fora de época. Mas quem se preocupa verdadeiramente sobre o que os outros irão pensar? Deixa essa bagunça pra lá e vamos festar! Até porque a festa ajuda muitos amigos e amigas do rei de copas, ou seria o coringa? Themis, Themis...assim você me mata!!!

Décadas de atraso

Com toda pompa e circunstância que a ocasião merecia, na noite de quinta-feira (5), em Cascavel, a governadora Cida Borghetti assinou o decreto tornando de utilidade pública a área onde deverá ser erguido o tão sonhado Aeroporto Regional, na divisa entre os municípios de Cascavel e Tupãssi. O valor do investimento é de algo em torno dos R$ 10 milhões e já estão devidamente depositados numa conta específica, sendo mais tarde repassado aos dois municípios através de convênios com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística. E essa é a maior novidade, até porque essa novela em torno do aeroporto é algo que se arrasta há décadas, décadas de atraso que emperram o desenvolvimento regional em toda sua plenitude.

Décadas de atraso que esbarraram nas disputas politiqueiras mesquinhas, numa rivalidade besta e bestial, a qual em nada contribuiu para o crescimento econômico e social do Oeste do Paraná. Atraso emperrado desde quando numa cerimônia na mesma Cascavel que hoje comemora a liberação de recursos, quando o então governador Orlando Pessuti anunciou a liberação do mesmo Governo do Estado de R$ 8 milhões para serem aplicados no Aeroporto de Cascavel, na época comandada por Edgar Bueno, pai do deputado estadual André Bueno, que aparece sorridente na foto ao lado da governadora Cida.

Décadas que revelam o quanto a política regional deu voltas e voltou ao mesmo lugar, sem sair de lá. Décadas que poderiam ter sido aceleradas, mas que esbarram na ‘burrocracia’ tipicamente tupiniquim, na falta de planejamento e na visão turva dos investimentos necessários para tirar do marasmo uma região tão exaltada por seus índices, mas que patina nos pensamentos egoístas de quem não enxerga muito além do próprio umbigo, entretanto, segue dando as cartas e as manuseando de acordo com o sabor dos ventos.

Ironicamente, quando o Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho está prestes a entrar em operação, lideranças se envolvem para iniciar um aeroporto que poderia já estar praticamente concluído não fosse o egoísmo de décadas de atraso.

Deixem o Neymar ser Neymar...

Imaginem um jovem que desde cedo recebeu o dom de ter alegria nos pés. Por um capricho dos deuses da bola, este menino nasceu no mesmo local sagrado do Rei Pelé, portanto, no país de um futebol que sempre primou justamente pela alegria, pela busca incessante do gol adversário. Imaginem este jovem carregando o fardo da herança que lhe foi conferida ao, assim como o rei dos reis, vestir na alma a camisa 10 de tantos prazeres. Mas isso não quando o Rei estava no auge e o futebol era praticado quase que por amor apenas. Não, este jovem nasceu décadas depois, quando o futebol mundial se transformou num grande negócio, muito antes da globalização atingir o mundo real, algo inatingível para quem cresceu cercado de mimos e conquistas.

Este ainda menino na essência não precisaria provar mais nada para ingressar no Olimpo do Futebol. Mas a obstinação de se tornar o melhor do mundo, de conquistar ainda mais títulos e dar à nação verde-amarela mais uma estrela na sagrada camisa o levaram ao limite extremo, quase o fazendo perder o jeito moleque, resultado também da descaracterização quase total de uma seleção onde a alegria reinou, mas onde se tentou implantar uma cultura estática, rigorosa, transformando uma seleção numa equipe qualquer.

O respeito de outrora havia cedido espaço para a ousadia. Até antes rivais facilmente batidos começaram a imaginar ser possível derrotar este gigante cuja armadura é a única a carregar cinco estrelas e a ostentar a glória de jamais ter deixado de participar de uma Copa do Mundo. Ah, até a mais vexatória derrota entre as vergonhosas derrotas aconteceu em casa. Até uma classificação dada como certa foi posta em xeque porque o menino empunhava mais as armas que o fizeram alguém fora de série. Nem seus companheiros! Era hora de dar um basta em tudo isso e reviver os tempos de glória!

E assim se fez. Do dia para a noite o canarinho voltou a entoar seu cântico pelas Américas e depois mundo afora, fazendo com que os deuses do futebol voltassem a sorrir para quem reaprendeu a sorrir e a encantar. Até o jovem, com seu jeito marrento, nojento, talento passou a incomodar de novo. Um novo espírito após quase um simples dedo desferir um golpe doloroso demais a quem ansiava por momentos de puro deleite.

Deixem Neymar ser Neymar porque se alguém um dia o punirá pelos excessos serão os mesmos deuses do futebol que se encantam há tanto tempo com o mais genial talento brasileiros. E que pune mesmo gerações de craques, talvez para lembrar que o Brasil não é imbatível, porém, sempre será um adversário feroz diante de sua voracidade pelo jogo bem jogado. Viva o bom futebol! Viva o Brasil!

Furtos e vandalismo

A pergunta é: por que casos de furto e vandalismo dentro da estrutura do Hospital Regional não foram devidamente notificadas às autoridades competentes para o devido registro oficial, ficando os casos restritos apenas ao relatório apresentado à Secretaria de Segurança e Trânsito? Se não houvesse a Comissão Parlamentar de Inquérito dentro da Câmara de Toledo o caso viria à tona? Os culpados foram punidos com o rigor da lei? São perguntas pertinentes, ainda mais após nova fase de depoimentos à CPI que tramita dentro do Legislativo toledano com o objetivo de apurar quem foram os responsáveis pelos inúmeros erros cometidos desde a concepção deste hospital aparentemente amaldiçoado e, oxalá, quando entrar em operação passe a ser abençoado, tamanha a quantidade de irregularidades que a cada dia surgem.

Responsáveis pelos erros porque estes existem numa proporção descomunal, proporcional ao tamanho e à importância da obra que, pela intervenção do Ministério Público, tem prazo de validade para entrar em funcionamento, sob pena não apenas do pagamento de multas pesadas por parte da administração pública, mas também punição a quem descumprir o acordo firmado há alguns dias.

Chega a ser risível um caso grave de furto dentro da unidade não ter sido registrado de maneira oficial. Mais grave ainda porque envolveu, aparentemente, funcionários da empresa contratada para executar a obra e que, portanto, deveria zelar pelo patrimônio sob sua responsabilidade e também público, portanto, de todos os cidadãos de Toledo que já pagaram caro para ter uma estrutura ainda inacabada e sem funcionar numa das áreas mais necessitadas de novos investimentos como é a saúde pública.

Furto e vandalismo da moral, do cidadão, da sociedade, a qual sequer ficaria sabendo destes casos se não fosse a imprensa tão criticada, em especial o JORNAL DO OESTE, o qual tem acompanhado a saga do Hospital Regional em todos seus momentos: sejam eles bons ou ruins! Desde o nascedouro este veículo de comunicação tem noticiado as ações que cercam esta unidade hospitalar e assim seguirá fazendo, embora essa posição firme em favor da comunidade local nem sempre agrade e nem sempre proteja.

A eleição se aproxima

A disputa eleitoral será efetivada em outubro, entretanto, a eleição já se aproxima do momento mais crucial: a escolha dos candidatos e os prazos para realização de convenções, fim de contratos, repasses de verbas, enfim, uma série de restrições impostas pela legislação eleitoral brasileira e que praticamente engessa o país pelos próximos seis meses. Somente após a disputa concluída é que o país recomeça a entrar nos eixos. E olhe lá! Até lá (sic)...

Até lá é preciso ao eleitor atenção redobrada para compreender bem as artimanhas usadas nesta época com um único objetivo: angariar votos! Sim, este é o único pensamento que norteia todos os candidatos, estejam, eles em qualquer partido, torçam para um clube qualquer, sejam homens ou mulheres, defendam diferentes credos religiosos. Quem se propõe a disputar uma eleição precisa ter em mente o voto, afinal, sem ele é impossível chegar em qualquer lugar.

E a legislação eleitoral precisa ser cada vez mais rigorosa justamente pelo fato da esmagadora maioria dos candidatos ter apenas o desejo do voto pelo voto. Não que a ambição não seja benéfica. O é na medida em que vem acompanhada de preceitos básicos de respeito aos princípios da ética e do convívio social. Mas não, em geral o que se percebe é uma busca insana pelo poder, pelo cargo e depois, bom, depois é depois...

Isso se reflete diretamente no sentimento do eleitor. Pesquisa divulgada esta semana pelo Instituto Arbeit Intelligence sobre as intenções de votos ao Governo do Paraná mostrou que mais de 80% dos eleitores ainda não têm candidato ou não sabem em quem votar. O Arbeit Intelligence entrevistou 1,5 mil eleitores entre os dias 24 e 28 de junho. O grau de confiança, de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-06675/2018.

Um triste sinal que deveria ser levado em consideração pela classe política, a qual segue pensando como nos tempos dos senhores de engenho, mantendo feudos sob amplo domínio ao invés de ouvir o clamor das ruas que com as cada vez mais altas taxas de abstenções demonstram uma insatisfação muito grande com aquilo que estão recebendo em troca de um voto.