Editorial
35 anos de muita informação

Nesta segunda-feira, dia 20 de maio de 2019, o JORNAL DO OESTE completa mais um ciclo em sua história ao comemorar 35 anos de existência, de circulação diária, de produção de notícias e, claro, de contação de milhares de histórias ao longo deste período. Testemunha ocular da história, o jornal celebra a data com eventos ao longo dos próximos dias cujo objetivo único é mostrar sua importância do jornalismo nesta era da pós-verdade, onde as redes sociais se tornaram terreno fértil para a imaginação humana e onde o céu é o limite na disseminação de informações falsas.

Neste sentido o JORNAL DO OESTE busca manter-se fiel ao seu estilo de fazer notícia. Ao longo destes 35 anos especializou-se na superação de obstáculos. As perseguições pessoais e políticas, a precariedade de recursos, a carência de material humano e material, enfim, problemas que foram surgindo e sendo vencidos graças ao empenho de uma equipe disposta, criativa, pioneira em muitos sentidos. Aqui também fica uma singela homenagem a todos que ajudaram a escrever não simplesmente a história deste jornal, mas também a história de Toledo, de uma região inteira.

Nesta edição procuramos mostrar o JORNAL DO OESTE como ele é por dentro, ou seja, um ser vivo formado por inúmeros outros seres que, cada um com sua importância dentro desta complexa engrenagem diária de jornalismo contribui para colocar nos lares e empresas de milhares de pessoas a melhor informação a serviço da integração regional, como define o slogan desta empresa de comunicação desde seu primórdio.

Também é uma forma de demonstrar o quanto de sentimento está impregnado em cada página, afinal, jornalistas são seres humanos e não super heróis com suas capas voadoras. Assim como também o são recepcionistas, estagiárias, diagramadores, entregadores, vendedores, impressores e todas as pessoas que integram um jornal maduro, mas ainda com o espírito juvenil de quando começou nesta jornada maluca e deliciosa de fazer jornal impresso no interior do Paraná.

Hoje o JORNAL DO OESTE pode se orgulhar em chegar a uma data tão importante sendo uma das referências em seu setor dentro do Estado do Paraná e manter viva a chama do bom jornalismo na região que carrega com muito orgulho no peito e na alma. Um jornal que completa 35 anos de muita informação pensando sempre em manter o coração pulsando firme na direção de onde os pés vermelhos de sua gente apontarem.

Um pequeno grande amor

É emocionante perceber como ainda existem pessoas fazendo a diferença na comunidade onde estão inseridas. É gratificante observar as ações dessas pessoas transformando vidas, mudando o futuro. E é exatamente isso que as voluntárias do Projeto Pequeno Amor e os profissionais da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Bom Jesus – leia-se Hoesp – fazem desde que a parceria se estabeleceu quase meio por acaso e ganhou corpo, atraiu mais voluntários – e porque não dizer apaixonados – e nesta quinta-feira mostrou que o pequeno amor é grande, gigantesco.

A entrega de novos equipamentos é mera formalidade. A tecnologia com a qual o Bom Jesus passou a contar desde ontem é o menos importante nesta equação de amor, dedicação, profissionalismo e perseverança. O mais importante é perceber pessoas anônimas lutando por uma causa maior que é o bem-estar coletivo e, neste caso, de bebês prematuros que sem essa ajuda fatalmente estariam lançados à própria sorte.

Na pessoa do médico João Pedro Pontes Câmara fica o registro do agradecimento de toda uma região a estas pessoas que colaboraram para a arrecadação do valor que resultou na compra destes dois novos equipamentos. O doutor João Pedro talvez seja o rosto de um coletivo que tanto se empenha nesta luta diária pela melhoria no atendimento de saúde pública. Ele é um abnegado incansável em pedir, exigir, gritar por socorro quando não resta alternativa. Obrigado doutor pelo seu exemplo de amor incomensurável por seres tão indefesos e ajudados por estes anjos travestidos de voluntárias do Projeto Pequeno Amor.

Oxalá este exemplo dado numa tarde comum de quinta-feira toque o coração de quem efetivamente poderia mudar este cenário de migalhas e de constante luta por uma estrutura mais digna aos pacientes que dependem da única TUI Neonatal em toda regional de saúde. Mas esperar algo diferente de quem manda é sonhar com um país que não existe. Ao menos não até hoje. Então o jeito é seguir apoiando causas como essa do Pequeno Amor, uma causa que muda de verdade a vida das pessoas, tanto de quem doa como de quem depende de aparelhos para sobreviver neste Brasil que ainda nos dá esperança quando se assiste a este gesto grande de amor mútuo.

No fundo do poço

Em meio à gritaria dos ‘intelectuais’ brasileiros pelo contingenciamento de verbas para as universidades federais, o ministro da Economia Paulo Guedes foi, uma vez mais, ao Congresso Nacional para jogar um pouco de consciência – e sinceridade – num ambiente onde esses dois argumentos soam mais como algo fantasioso a ser uma regra que deveria prevalecer. Disse ele, sem meias palavras, aquilo que o cidadão comum há muito tempo já percebeu: a economia brasileira, disparou o ministro, “está no fundo do poço” e, em meio ao furor que sua declaração provocou lançou outra: o Produto Interno Bruto deverá crescer menos de 2%, contrariando toda e qualquer previsão anterior.

Para os mais de 13 milhões de desempregados a notícia é trágica, entretanto, ao menos alguém finalmente está tendo a coragem – e o bom senso – de devolver à realidade um país que nos últimos anos pareceu ter vivido um sonho movido a corrupção, gastança desenfreada e a tentativa de implantar uma ideologia que poderia ter levado a nação a uma situação ainda pior se tivesse sido perpetuada. Ao ouvir as palavras duras, porém necessárias, de Paulo Guedes, os congressistas poderiam também despertar deste sono profundo em berço esplêndido e compreender a necessidade de mudar a forma de pensar o Brasil e sua gestão pública.

Não é mais possível manter tudo da forma como era antes porque esse sistema levou a economia do país ao fundo do poço. E quem aponta isso é o ministro da Economia! O Brasil está num momento não apenas delicado, mas decisivo para se determinar qual será seu rumo no futuro. A Reforma da Previdência, criticada, é necessária, assim como uma ampla Reforma Tributária e outra Política. Não será fácil, haja vista o corporativismo típico de um Congresso que, mesmo renovado, segue tendo a postura de outros tempos, com manutenção de benefícios e pressão por cargos dentro da estrutura administrativa.

Também é preciso que fora das paredes do Congresso algumas almas compreendam de uma vez por todas ser necessário promover ajustes para a recuperação plena da economia nacional. Manter benefícios e gastar de maneira irresponsável já não é mais condizente com a fase atual. Nunca deveria ter sido aliás!

O consórcio do lixo

Em tempos onde o impacto ambiental sobre ecossistemas tão frágeis é cada vez mais intenso e onde dezenas de espécies podem simplesmente desaparecer do planeta por causa da ação humana, a notícia sobre a criação de um Consórcio Intermunicipal de Gestão e Tratamento de Resíduos é algo a ser comemorado, afinal, demonstra a preocupação dos atuais gestores não apenas em resolver um problema imediato – como por sinal é bastante comum quando se trata de administração pública no Brasil. Existe ainda a preocupação em deixar um legado para as próximas gerações no sentido de estabelecer uma política pública séria e responsável nessa questão.

O objetivo do Consórcio é realizar uma gestão intermunicipal e buscar soluções ou alternativas para o tratamento dos resíduos. A ideia não é enterrar o lixo, mas sim, realizar o seu tratamento e devolvê-lo na forma de novos produtos ou então podendo ser reaproveitado de alguma forma que não impacte ainda mais no meio ambiente.

Toledo será a sede deste Consórcio, mostrando o quanto o município está avançado em termos ambientais, um trabalho iniciado há muito tempo e que, embora tenha sofrido alguns contratempos, ainda assim apresenta resultados satisfatórios no tratamento de seu lixo. Há ainda muito a se avançar e os atuais gestores estão conscientes disso, porém, é perceptível a preocupação em apresentar projetos bem pensados e que efetivamente atendam a sociedade naquilo onde hoje se falha e, dessa forma, inicie-se um processo de transformação da cultura do lixo.

A expectativa é que entre 25 a 30 municípios participem do Consórcio, que deverá começar a funcionar ainda este ano, mas para isso será necessário o engajamento total de todos os agentes públicos. Questões como a do lixo não podem ser tratadas sob a mesma ótica simplista com a qual normalmente se enxerga a gestão pública no país tropical, até porque os efeitos – em geral nocivos – são percebidos de maneira muito rápida. Basta observar o que está acontecendo mundo afora e nas consequências de décadas de exploração desenfreada e da geração de lixo desmedida. O momento requer uma nova maneira de pensar a questão do lixo e Toledo uma vez mais sai na frente com a condução na formação deste Consórcio pioneiro.

Perfil das estradas

O secretário de Infraestrutura Rural Vilson ‘Chumbinho’ Silva conseguiu fazer um amplo levantamento sobre a realidade das estradas rurais de Toledo. Um perfil completo dos cerca de 1.400 quilômetros que cortam a cidade em todas as direções. Desse total, cerca de 340 estão asfaltados, permitindo não apenas um acesso mais rápido e fácil de quem mora no campo às suas propriedades, como também auxilia no escoamento daquilo que ali se produz. Não à toa Toledo tem sido citada como cidade referência quando o assunto é o asfalto rural. Uma Europa dentro deste problemático Brasil do agronegócio que por um lado é líder em praticamente todos os segmentos do setor, mas por outro sofre com estradas esburacadas, portos atrasados e uma infraestrutura de escoamento da produção quase medieval em alguns casos.

Somente por oferecer isso ao homem do campo o programa de asfalto rural já teria valido a pena. Mas ele vai muito mais além, porque dá dignidade e segurança a quem diariamente precisa se deslocar por entre milhares de caminhos de um lado para o outro.

E daí ser necessário destacar a importância deste perfil feito pela equipe da Secretaria de Infraestrutura Rural, afinal, através dele será possível estabelecer as próximas diretrizes; observar onde ainda existem falhas e como corrigi-las; quais os próximos trechos a serem asfaltados; onde é preciso investir na ampliação ou recuperação de estradas rurais; entre outros aspectos que colocarão Toledo ainda mais na vanguarda quando o assunto é seu interior. Privilegiado por poder contar com tamanha estrutura à sua disposição.

Uma estrutura que não se limita às estradas asfaltadas ou às estradas adequadas. Some-se a isso os investimentos em postos de saúde, pavilhões comunitários, investimentos de empresas, reformas em escolas, programas governamentais e, pronto, cria-se o ambiente favorável para manter o homem no campo, conforme não se cansa de mostrar o JORNAL DO OESTE, até porque o interior de Toledo é algo para encher de orgulho quem vive nesta cidade, afinal, não apenas pelo aspecto econômico e pelos recordes obtidos ano após ano, mas também pela qualidade de seus acessos, como bem demonstra o perfil das estradas entregue agora.

Um dia especial...

Não adianta! Hoje é um dia especial e pronto! Não há forma mais direta que escrever este segundo domingo de maio que representa para os brasileiros o Dia das Mães. E aí não se trata de uma questão mercadológica apenas, até porque a maioria das mamães prefere um abraço carinhoso a um presente caríssimo; mais vale um beijo caloroso a uma viagem; melhor a valorização do papel da mãe na vida de cada um ao almoço requintado. Mãe é mãe e não existe uma maneira mais simples de descrever uma figura tão emblemática como esta.

Mãe é mãe porque ela, e somente ela, é capaz de gerar a vida dentro de si. Carregar durante meses um pequenino ser que, anos mais tarde, muitas vezes sequer se lembra de quem o gerou um dia. Mas mãe é mãe! E o é porque ela, e somente ela, pode alimentar nos primeiros minutos de vida seu bebê. Ah, e naquele momento é só seu, por mais parecido que a criaturinha seja com o pai, mera figura decorativa neste domingo.

Mãe é mãe porque, mesmo quando precisa dar a bronca – ou a palmada – ainda assim o faz com aquele olhar terno e se segurando para não rir ou chorar junto com quem aprontou. O castigo de mãe sempre é melhor, menos dolorido no físico, mas arrebatador na alma e no coração, porque quando mãe briga é coisa séria. E quando chama pelo nome completo então... Ah, é aí motivo de preocupação porque é muito sério.

Mãe é mãe por sua maneira de ser, de cozinhar o prato predileto mesmo após tantos anos de ausência ou então de ainda ir dar boa noite a adultos que ainda precisam do colo quentinho, da palavra de conforto e do pano de prato para enxugar as lágrimas dos primeiros amores não correspondidos e das frustrações que deixam lições para o resto da vida.

E mãe é quem cria, quem acolhe, acode. Mãe é quem aconselha, dá bronca, coloca de castigo e cobra a lição da escola. Mãe é quem amamenta, seja o corpo ou o coração, porque mãe é mãe, seja ela adotiva ou não. Por isso, neste que seria apenas mais um domingo de maio, o JORAL DO OESTE externa sua admiração a todas as mamães porque hoje não é apenas um dia especial, é o Dia das Mães!

Mudança de pensamento

Esta semana o JORNAL DO OESTE abordou um encontro promovido pelo Sebrae com empresários de vários setores no sentido de tentar estabelecer uma nova cultura em relação ao turismo de negócios em Toledo e na microrregião. O objetivo é fomentar entre os empresários a necessidade de promover ações relativamente simples para, não apenas reter o cliente esporádico, como também atrair possíveis clientes através deste formato de turismo que aos poucos começa a ganhar corpo na cidade.

O grande exemplo regional atende pelo nome de Show Rural, que provocou uma verdadeira revolução em vários setores de Cascavel, muitos deles distante do agronegócio, entretanto, conectados através dos eventos paralelos que se formam graças ao evento maior. Assim também acontece com as provas de automobilismo e os vários eventos menores organizados na cidade. É mais ou menos o que se pretende em Toledo e microrregião, afinal, são dezenas, centenas de eventos sendo realizados todos os anos na cidade sem que houvesse até agora a preocupação de se pensar numa ação conjunta, planejada.

A chegada de novas universidades e a concretização de projetos audaciosos, como é o caso do Biopark, vem gradativamente modificando o perfil da cidade. Basta observar a verticalização vigorosa dos últimos anos e, mais recentemente, a retomada dos voos comerciais diários. Tudo isso, atrelado ao próprio crescimento de Toledo serve de parâmetro para os empresários – grandes ou pequenos – sobre a necessidade de mudar também não apenas a forma de atender, mas até mesmo a forma de pensar os próprios negócios, ainda mais pela chegada de grandes redes que, de certa forma, provocaram mudanças significativas em setores onde antes tudo era esplêndido, embora nem sempre eficiente.

Agora é momento de se pensar diferente, de oferecer um serviço ou produto de melhor qualidade, ainda mais porque este turista eventual, que vem para um evento específico, carrega consigo experiências das mais diversas e, portanto, uma memória qualitativa sobre o que é ou não satisfatório aos seus desejos. Se agora este assunto soa como estranho, dentro de alguns anos será essencial para a sobrevivência de modelos de negócios que precisam se reinventar para não sucumbir diante de uma concorrência cada vez mais preparada e ávida por novos horizontes.

O Coaf e a lagosta

De acordo com a definição, “o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tem como missão produzir inteligência financeira e promover a proteção dos setores econômicos contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. O Coaf recebe, examina e identifica ocorrências suspeitas de atividade ilícita e comunica às autoridades competentes para instauração de procedimentos. Além disso, coordena a troca de informações para viabilizar ações rápidas e eficientes no combate à ocultação ou dissimulação de bens, direitos e valores”. Na prática o Coaf foi o golpe de mestre para o sucesso da Operação Lava Jato, a maior e mais eficiente – embora com algumas falhas – operação de combate à corrupção na história nacional.

Mas, a esta altura, enquanto você estiver lendo este texto, é bem possível que toda eficácia dos auditores do Coaf tenha sido jogada por terra diante da determinação de uma boa parcela de congressistas em burocratizar algo que tem apresentado resultados tão positivos. Há uma medida provisória em curso para transferir do Ministério da Justiça ao da Fazenda o Conselho. E há muitos deputados e senadores dispostos a fazer valer sua vontade.

Enquanto isso, do outro lado do Planalto Central, ministros do Supremo Tribunal Federal conseguiram derrubar a liminar que os proibia de comprar lagostas, camarões, vinhos (quatro vezes premiados), whisky (18 anos) e outros ‘mimos’ ao custo de mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos sem que nenhum parlamentar ousasse levantar a voz para denunciar tal feita. O papel, mais uma vez, de voz dissonante deste descalabro cabe à imprensa. Atacada, ferida, combatente e combatida, mas ainda assim uma imprensa que ousa se rebelar contra um status quo que mantém o Brasil aprisionado aos grilhões da burocracia e da gastança desmedida.

Quando se cobra uma mudança de comportamento por parte dos agentes públicos, estica-se o pedido também ao Judiciário, que vez em quando ‘presenteia’ a nação com gastos bastante incomuns aos olhos do cidadão comum, como parece ser o caso do meu especialíssimo pretendido pelo STF. O mesmo se aplica à ajuda de custo para a compra de ternos ou então o auxílio moradia, mesmo para togados com casa própria. Absurdos de um país que sonha em ser grande, mas é comandado por pessoas de mente pequena e ávida por sempre mais. Para os próprios interesses, de preferência.

Apenas mais um capítulo

A decisão da Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Toledo em ajuizar ação civil pública contra o atual prefeito de Toledo e o ex-prefeito do mandato anterior (Lucio de Marchi e Beto Lunitti), por eventual prática de improbidade administrativa não chega a ser novidade, afinal, envolve a questão do início das operações do Hospital Regional, um verdadeiro elefante branco longe ainda de uma solução. Apenas mais um capítulo de uma história dramática com ares de comédia pastelão.

Segundo apurou o Ministério Público do Paraná, o ex-prefeito deixou de tomar as providências administrativas necessárias junto aos governos estadual e federal para a definição de qual dos entes seria responsável pelos atendimentos de média e alta complexidades previstos no planejamento da obra pública. A investigação revelou que as ações do então prefeito foram atos meramente políticos, com a finalidade de enaltecimento dele e de seu grupo de apoio.

O atual prefeito, por sua vez, teria descumprido termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado entre o Município de Toledo e o Ministério Público do Paraná, em que o gestor público se comprometeu a apresentar e executar plano alternativo para a gestão do hospital, diante da demora na resolução de tratativas anteriores. Conforme apurado pela Promotoria de Justiça responsável pelo ajuizamento da ação, o prefeito teria violado o compromisso ajustado buscando favorecer alianças políticas, em prejuízo ao interesse coletivo.

Mas há ainda muito mais a ser apurado, especialmente por parte do Ministério Público e mais tarde pela Justiça, afinal, é preciso ainda responsabilizar os irresponsáveis pela elaboração e execução de um projeto fadado ao fracasso desde o início. Inimaginável pensar em algo diferente diante de uma obra que já consumiu milhões e, pelas previsões mais otimistas, ainda precisaria de outros R$ 11 milhões apenas para concluir as adequações previstas. Falta ainda definir quem vai mantê-lo aberto. Isso a partir do momento em que for aberto.

Decorridos mais de sete anos desde o início da obra, ainda não há definição de quem será responsável pela administração do hospital, que ainda não está funcionando. Uma vergonha para uma sociedade cujo espírito empreendedor sempre ofereceu bons exemplos de gestão pública e aplicação responsável do dinheiro público e que agora padece. Do hospital e de respostas às inúmeras perguntas que vãos e acumulando nesta história sem fim.

A importância das festas

A região oeste do Paraná é um polo de referência quando o assunto é festa gastronômica. Do porco no rolete ao costelão ao fogo de chão, são muitos os encontros regados a muito tempero, carne e muita confraternização. Evidente que as festas representam aquilo que as comunidades mais se identificam. Em Toledo, por exemplo, é muito forte a presença da carne suína, com várias festas no interior e até em comunidades na área urbana. O frango também ocupa lugar de destaque, até porque são as duas maiores cadeias produtivas e nada mais natural.

Mas aos poucos outra cadeia produtiva importante e que vem ganhando espaço de maneira lenta, mas consistente, parece ter caído no gosto da população. A primeira mais tradicional e a segunda, realizada no último domingo, nova e cheia de energia, movimentando mais e mais pessoas desde seu lançamento quase que como por acaso. A primeira, no caso, é a Festa das Orquídeas e do Peixe e a segunda o Festival da Tilápia em Ouro Verde do Oeste.

Enquanto a festa em Maripá já está consolidada, em Ouro Verde parece que seus organizadores ‘acharam a mão’, tanto no preparo das milhares de tilápias escolhidas a dedo, bem como no local e estrutura de apoio. E o JORNAL DO OESTE tem liberdade para elogiar porque acompanha desde o início esta empreitada, tendo participado desde o lançamento no salão da Associação Comercial (Aciov) e agora no Parque de Rodeios, onde o festival transcorreu sem problemas no domingo, servindo milhares de pessoas não apenas de Ouro Verde, mas de muitas outras cidades da região que foram até lá saborear um prato não apenas delicioso, mas simbólico.

Isso porque a tilápia durante muito tempo parece ter sido deixada de lado pelos produtores rurais que aparentemente não tinham enxergado uma oportunidade de negócio e sim apenas uma maneira de sustento e uso da água abundante que jorra do Aquífero Guarani. Mas aos poucos este cenário foi sendo modificado graças aos investimentos públicos e privados, como é o caso da festa em Ouro Verde que se junta a tantas outras que não apenas reforçam o diversificado cardápio gastronômico, mas fortalecem acima de tudo a economia regional.