Editorial
Grandeza de espírito

“Durante 24 anos me dediquei ao Estado e, de modo especial, a Toledo. Tenho a sensação de dever cumprido, principalmente, ao falarmos do Hospital Bom Jesus”. A frase é do deputado federal Dilceu Sperafico, durante evento para repasse de verbas à Hoesp, mantenedora do hospital referência para a área de abrangência da 20ª Regional de Saúde. Os valores, embora sejam importantes, devem ficar em segundo momento diante da grandeza de espírito de Sperafico, que muito bem poderia simplesmente deixar os dias passarem até o fim de seu último mandato na Câmara Federal.

Diante dos últimos acontecimentos eleitorais, com a derrota de seu filho na eleição para deputado estadual, Dilceu Sperafico poderia virar as costas para a cidade que sua família escolheu para viver há muitas décadas. Também ele poderia terminar sua carreira política assinando papéis como chefe da Casa Civil do Governo do Estado. Poderia, caso assim desejasse, dedicar-se apenas aos negócios particulares ou então aproveitar alguns dias ao lado da família na praia.

Ao contrário das hipóteses que a maioria das pessoas escolheria, ainda mais quando se trata de um agente público que decidiu se retirar do cenário político, Dilceu Sperafico optou por trabalhar um pouco mais por sua comunidade, em especial à unidade de saúde que evitou o colapso e o fechamento graças ao bom relacionamento com o também deputado federal Ricardo Barros quando este era o ministro da Saúde.

Independente de paixões partidárias, de cores ideológicas, é preciso ressaltar o esforço, o trabalho do deputado em obter recursos para Toledo – assim como para toda a região Oeste do Paraná. A maioria das principais obras de Toledo tem uma boa parcela de recursos intermediados por Sperafico.

Alguns poderão dizer que não passa de obrigação e que o sistema é injusto. Sim, verdade. Todavia, há muitos que sequer cumpriram com esta ‘obrigação’, isso sem mencionar os candidatos que aparecem na cidade apenas de tempos em tempos atrás de apoios e votos oportunistas, como aconteceu uma vez mais em 2018, deixando Toledo sem representação na Assembleia Legislativa depois de muitos anos e que por pouco não ceifou a única cadeira ocupada na Câmara Federal.

Preocupação com a dengue

O Ministério da Saúde lançou, há alguns dias, uma campanha nacional de conscientização em relação ao mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como a dengue, febre chikungunya e zika vírus. A preocupação é com a chegada do verão e, com ele, as altas temperaturas e as chuvas comuns que aumentam os focos, embora em determinadas regiões isso já esteja ocorrendo, como é o caso de Toledo onde no mês de outubro o volume de chuvas foi muito alto, assim como também foram as temperaturas diárias, algo que ainda se mantém. O reflexo dessa combinação explosiva está no resultado do último Levantamento de Índice Rápido (Liraa), que mostrou números muito acima dos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, deixando em estado de alerta os responsáveis pelo setor.

Infelizmente há muito pouco a ser feito além do que já vem sendo conduzido em Toledo, onde campanhas são feitas com frequência, a limpeza da cidade tem sido uma preocupação constante, programas foram implantados visando reduzir os focos de proliferação, visitas dos agentes de endemias são realizadas com frequência, enfim, existe uma verdadeira teia protetora trabalhando o ano inteiro, entretanto, enquanto não houver a conscientização plena da maioria da sociedade, enquanto as pessoas não tiverem a dimensão exata do perigo de uma epidemia de dengue – ou de qualquer uma das outras doenças transmitidas pelo Aedes – todo este trabalho será em vão, até porque os resultados práticos dependem muito mais da participação social que propriamente dos agentes públicos.

No caso de Toledo não se pode reclamar do agente público, até porque este cumprido seu papel de maneira mais que satisfatória quando se trata do combate à dengue, seja agindo de maneira preventiva, seja atuando com rigor quando necessário. A culpa, se é que se pode colocar dessa forma, é de quem insiste em não aplicar conceitos básicos e amplamente difundidos no quintal de casa, deixando recipientes atirados de qualquer maneira ou então sequer colocando areia num simples vaso de planta. A preocupação com a dengue deve ser constante, assim como constante também precisa ser o engajamento de todos nesta luta eterna contra um adversário pequeno, mas letal.

Reforma, até que enfim!

Se tudo correr bem, em 2019, quando completa 20 anos, o Teatro Municipal de Toledo receberá sua primeira grande reforma externa, com previsão da troca de alguns vidros quebrados, além de uma pintura externa. Pouco diante da importância do espaço no cenário cultural e social da cidade, construído ao longo destas duas décadas de bons serviços prestados, aliado à localização privilegiada e, claro, à sua arquitetura imponente. Por outro lado a reforma poderá repaginar esteticamente hoje um dos principais espaços de grandes eventos não apenas de Toledo, mas de toda a região Oeste do Paraná graças à estrutura existente por lá.

Por dentro ainda seria necessário fazer mais algumas adaptações, alguns novos investimentos para tornar ainda melhor o bom – e simpático – Teatro Municipal, elogiado por figuras importantes do show biz nacional. Entretanto, diante da dificuldade financeira para isso, melhor contentar-se com aquilo que é possível no momento. Uma reforma, até que enfim! Uma reforma que devolverá o orgulho de quem lá trabalha e hoje se depara com paredes pichadas do lado de fora, vidros trincados e um aspecto que em nada combina com a grandeza daquele local onde se respira a arte e o entretenimento.

Importante frisar que esta imagem positiva do Teatro Municipal junto à sociedade toledana – e por que não dizer, da própria região Oeste – deve-se muito ao trabalho profissional dos servidores que lá atuam. Embora nem todos que por lá passaram mereçam créditos positivos, ainda assim no cômputo geral o saldo é muito maior que o déficit de ‘fantasmas’ que insistem em assombrar um espaço cujo reconhecimento poderia ser maior, na proporção da qualidade daquilo que ali é apresentado.

Oxalá esta reforma não se arraste por muito tempo diante da burocracia que impera no Brasil quando se trata de obras dessa natureza, até porque a festa de 20 anos precisa ser esteticamente tão bela quanto à beleza de tudo que ali se realiza. Independente do tamanho ou da história de quem lá se apresenta, a verdade é que pisar no palco do Teatro Municipal é uma honra muito grande, tão grande quanto sua importância para a cidade de Toledo.

Uma discussão infrutífera

Novamente a sessão da Câmara Especial criada para avaliar o projeto sobre a Escola Sem Partido terminou sem discutir absolutamente nada na Câmara Federal. Esta foi a terceira vez consecutiva que os trabalhos foram suspensos por manobras de quem insiste em não querer discutir o projeto, sabidamente deputados ligados à partidos de esquerda. E realmente estes deputados e deputadas – para usar o termo politicamente correto – têm razão, afinal, este é um assunto que realmente o Brasil sequer deveria estar discutindo, até porque escola não é lugar para debates políticos partidários ou ideológicos, mas sim do aprendizado em si. Das disciplinas como matemática, física, química, português, biologia, assuntos discutidos nos países onde o ensino não foi transformado em campo de batalha partidário ou ideológico, mas sim um campo fértil para a discussão de – boas – ideias e ideais capazes de transformar as respectivas sociedades para o bem.

Enquanto o Brasil patina numa discussão infrutífera, o restante do mundo preocupado com o desenvolvimento das nações e no crescimento de suas populações investe maciçamente não apenas em bons salários para professores no ensino básico, mas também em novas tecnologias capazes de atrair os jovens para as salas de aula; investem no ensino técnico e profissionalizante; em técnicas mais adequadas para o ensino no mundo atual.

Esse é o retrato atual de um país desequilibrado, onde universidades públicas recebem verbas cada vez mais vultuosas em detrimento do ensino básico, onde sequer existem profissionais capacitados para enfrentar uma sala de aula, quem dirá ensinar de verdade diante de condições tão precárias. Dentro e fora das salas.

A Escola Sem Partido é um projeto que resume bem o atual estágio da educação brasileira: perdida, sem noção de sua verdadeira responsabilidade, retrógrada em sua essência, desatualizada com aquilo que se prega mundo afora. Há exceções, sem dúvida. Exceções excelentes por sinal. Mas não passam disso: de exceções, até porque o escopo geral é de uma educação pobre. De verbas e de espírito!

Orgulho em ser o mais lembrado

A noite do último sábado foi de glória para centenas de empresários em Toledo, homenageados com os prêmios Toledo Destaque Empresarial e Destaque Empreendedor oferecidos pelo Conselho do Jovem Empreendedor, ligado à Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit). E orgulho pode ser o adjetivo mais adequado para expressar o sentimento de cada um que compareceu à festa organizada no Yara Country Clube, afinal, é sempre bom ser lembrado, no caso o mais lembrado em sua respectiva categoria, como foi o caso uma vez mais do JORNAL DO OESTE, que obteve o maior índice desde que o prêmio começou a fazer as pesquisas para saber qual empresa é a mais lembrada entre as centenas envolvidas no levantamento.

Independente de ser a primeira vez, quem lá compreende muito bem a grandiosidade da festa, hoje o maior evento empresarial realizado em Toledo e que praticamente sepultou as ‘pesquisas’ feitas apenas com a ótica financeira que premiavam quem se dispunha a pagar por um prêmio ilusório. Essa é a principal marca do prêmio Toledo Destaque Empresarial, pois nenhuma empresa contemplada é obrigada a comparecer ao jantar de premiação e seu prêmio lhe será entregue da mesma forma, mais uma prova da seriedade que ajudou a dirimir as dúvidas quando o prêmio foi lançado, na verdade um desafio imposto aos jovens empreendedores.

Desafio lançado e vencido com maestria, afinal, se no início ainda houve quem ousasse erguer voz contrária, hoje mesmo os derrotados compreendem ser o prêmio um retrato de determinado momento, daquilo que marcou na mente dos consumidores locais. Não necessariamente a empresa vencedora pode ser considerada “a melhor” em seu ramo de atuação, mas sim é a mais lembrada entre os consumidores.

De qualquer maneira, o prêmio ao longo destes anos tem ajudado muitas empresas a melhorarem processos, investirem em mídia ou então no próprio atendimento no sentido de elevar a qualidade do produto ou serviço e, dessa forma, ficar marcado de maneira positiva na mente dos toledanos.

Voo sem volta

Agora é oficial: a Azul Companhia Aérea promoverá em janeiro de 2019 o voo inaugural da linha regular entre Toledo e Curitiba a partir do Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho. Parece ser o último – e mais decisivo – passo rumo à retomada dos voos comerciais na cidade, algo que há tempos vinha sendo prometido, mas que agora parece enfim decolar. Um voo sem volta que não dependerá apenas da vontade da própria companhia ou das condições técnicas oferecidas a partir do aeroporto local – um dos melhores do país para operação.

A continuidade e uma possível ampliação dos voos a partir do Luiz Dalcanale Filho dependerão também do comportamento do consumidor, afinal, de nada adiantará o esforço desempenhado pelo poder público ao longo dos últimos anos se não houver o envolvimento da sociedade. Por envolvimento entenda-se a compra das passagens. Ah, sim, feliz ou infelizmente é assim que a banda toca. Se os voos a partir de Toledo forem viáveis sob a ótica econômica, certamente o barulho dos motores dos aviões será constante por um bom tempo. Caso contrário...

Portanto é imprescindível começar desde já um trabalho de conscientização, de convencimento sobre os potenciais clientes dessa nova linha, criada graças ao esforço conjunto de atores públicos e da iniciativa privada no sentido de estabelecer uma ligação mais ágil de Toledo com outros grandes centros urbanos e capaz de atrair para a região investimentos mais robustos no sentido da geração de novos postos de trabalho.

É importante frisar que esta não é uma conquista de agora. Vem sendo obtida de maneira gradual. Começou com investimentos para melhoria da pista e da própria estrutura do aeroporto desde a gestão de José Carlos Schiavinato à frente da Prefeitura de Toledo, passando por Beto Lunitti e agora com Lucio de Marchi. Houve ainda um forte envolvimento da Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit), dos governos Federal e do Estado, além de empresários do setor privado dispostos a arregaçar as mangas e lutar até esta conquista cada dia mais próxima e que, importante reforçar, que só será permanente com o envolvimento completo da sociedade.

Regras de convivência

Na edição desta sexta-feira, o JORNAL DO OESTE aborda dois assuntos que mostram a necessidade de uma mudança cultural em Toledo – e nos demais municípios brasileiros – sobre o comportamento em relação às regras de convivência. Como o brasileiro gosta de desafiar regras, burlá-las, evitá-las ao máximo. E isso vale para qualquer cidadão, independente de sua posição social ou gosto político. Parece ser inerente à natureza ‘malandra’ do jeitinho a qualquer custo.

Mas regras de convivência são importantes para manter a chamada ordem social. É um conjunto de regras básicas que permitem ao ser humano conviver de maneira minimamente organizada e com respeito ao direito individual. Os exemplos trazidos hoje pelo JORNAL DO OESTE demonstram caminho contrário a isso, seja acumulando objetos de toda natureza em casa – colocando em risco a saúde pública – ou então sentando-se num espaço cuja destinação é diferente.

Assim vale para quem ultrapassa os limites de velocidade ou ultrapassa pela direita no trânsito caótico nosso de cada dia; quem burla a fila no sistema de saúde; quem usa da influência de seu cargo em benefício próprio ou então para angariar mais algum tipo de apoio; quem depreda o patrimônio público. Enfim, exemplos de quebra dessas regras sociais são encontrados aos montes aqui mesmo em Toledo e não em outros grandes centros urbanos, mostrando que a cidade não é uma ilha, embora desfrute de uma realidade muito acima da média da maioria dos municípios nacionais.

Neste sentido é que se faz necessária a cobrança para que a cidade não seja apenas um bom exemplo no campo produtivo ou de gestão pública, mas também de sua sociedade em conviver e em seguir as regras, respeitando aquilo que minimamente serve para a cidade ser melhor, mais limpa e organizada. Não se trata de um exagero, mas sim da constatação do quanto o cidadão brasileiro precisa amadurecer, mesmo em cidades onde a estrutura, a qualidade de vida são invejáveis e invejadas.

Prevenção sempre é o melhor caminho

Durante o mês de novembro as atenções se voltam para a prevenção à saúde do homem, com destaque maior para a questão do câncer de próstata, doença que atinge milhares de brasileiros todos os anos e, por isso, requer uma atenção maior por parte das autoridades competentes. Embora o Novembro Azul tenha um foco maior nesse aspecto, ainda assim há muitas outras doenças tão ou mais necessárias de serem prevenidas, como tem demonstrado ações frequentes em Toledo.

Dados da 20ª Regional de Saúde de Toledo apontam que em 2017, foram realizados 147 internamentos por câncer de boca e adjacências. Infelizmente, nem todos os pacientes obtiveram sucesso no tratamento e 18 faleceram. Neste ano, os índices de janeiro a outubro indicam que foram constatadas dez mortes, como mostra reportagem do JORNAL DO OESTE nesta edição.

E por que tantos casos? A resposta é muito simples e corrobora com a mesma sensação de tantas outras doenças: a falta de exames periódicos, os quais poderiam identificar de maneira precoce o câncer de boca e facilitar o tratamento. Na maioria das vezes, quando a doença é descoberta, é tarde demais e os efeitos do tratamento nem sempre demonstram a eficiência pretendida ou conquistada quando o diagnóstico é obtido no início de um processo cujos efeitos são devastadores, como revelam os números da RS.

A prevenção sempre é o melhor caminho e deveria ser instigada com maior frequência por parte das administrações públicas país afora, até porque seria necessário gastar muito menos dinheiro do que acontece hoje, com a cultura da saúde curativa presente no Brasil. Em geral no país as campanhas são esporádicas – Outubro Rosa, Novembro Azul e daí em diante – assim como acontece com a Aids em dezembro. Este ano a vacinação básica precisou ter o prazo prorrogado várias vezes até se atingir o índice mínimo previsto de crianças imunizadas, prova do quanto o cidadão brasileiro ainda precisa evoluir para ter plena consciência do quanto a prevenção é importante para evitar não apenas gastos futuros desnecessários, mas principalmente mazelas pesadas demais para serem carregadas pela falta de exames muitas vezes simples, mas de extrema relevância para uma boa saúde.

Respeito às leis

O presidente eleito Jair Bolsonaro participou da sessão solene na Câmara Federal que celebrou os 30 anos da promulgação da Constituição Federal de 1988, um marco na história democrática do país que, embora ainda cambaleie, ainda assim possui um documento robusto na defesa dos direitos do cidadão. E uma frase dita com serenidade exemplar pelo futuro presidente mostra que, apesar dos temores do país retroceder rumo à tirania imposta pela ditadura, aparentemente ele dá exemplos muito sólidos no caminho contrário, embora o rigor da lei prometa ser aplicado com maior frequência a partir de janeiro de 2019, nada mal diante do caos estabelecido nos últimos anos.

“Na democracia só há um norte: é o da nossa Constituição” disse Bolsonaro durante sua curta – e marcante – passagem pela Câmara. O presidente eleito cobrou ainda a unidade dos três poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário – na construção de uma nação mais equilibrada e sonhada por uma esmagadora maioria de brasileiros. E o fez bem, afinal, sozinho não conseguirá promover as mudanças estruturais necessárias para não apenas o Brasil retomar o rumo do desenvolvimento econômico, mas para fazê-lo decolar de vez no aspecto social, algo até hoje um mero placebo.

Neste sentido cabe destacar as nomeações de três ‘super ministros’: Paulo Guedes (Economia), Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e de maneira muito surpreendente Sérgio Moro (Justiça). Serão estes três que, ao lado do próprio presidente, terão a missão de estabelecer as diretrizes do novo governo, diretrizes que parecem apontar para o norte do respeito às leis. Simples assim! E o respeito às leis é o primeiro passo para uma mudança de comportamento tardia, mas necessária, entre os demais agentes da sociedade, no caso a própria população brasileira, mal acostumada a enxergar no poder do Estado um progenitor protecionista ao extremo – e sempre faminto por recursos.

Caso estes indicativos de agora se confirmem, certamente conseguirá o futuro presidente o apoio necessário para reformas mais profundas nas estruturas do poder, estas sim igualmente aguardadas pelo cidadão comum que está do lado de cá das trincheiras, sendo diariamente bombardeado por pesadíssimos impostos e taxas, vendo ser corroído o parco salário ganho com muito suor e uma pitada de lágrimas.

Sem dinheiro

Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, pelo terceiro ano consecutivo, ao menos 1,5 milhão de servidores estaduais corre o risco de não receber o 13º salário até o fim do ano. Os governos de Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte ainda não

têm dinheiro em caixa para o pagamento dos funcionários, embora afirmem estar tentando arrumar verbas para cumprir o compromisso. No caso dos gaúchos, a tendência é que o governador eleito, Eduardo Leite, assuma com pelo menos duas folhas em atraso, além do 13º.

Situação bem diferente da que Ratinho Júnior terá no Paraná, onde os ajustes fiscais necessários – embora reconhecidamente antipáticos – foram feitos no instante necessário para fazer o estado atravessar em boas condições a tormenta da crise financeira, política e social na qual o país ainda está mergulhado.

Neste sentido é preciso ressaltar a boa saúde financeira da Prefeitura de Toledo. E não de hoje! Fruto, evidente, de gestões responsáveis, porém não isentas de erros que poderiam custar muito mais caro que apenas o estouro do limite prudencial na folha de pagamento. E a maior pressão sobre as contas públicas atende pelo nome do funcionalismo. Evidente que não se pode administrar um município ou um estado sem o servidor público, entretanto, em muitos casos os excessos de benefícios criam uma onda devastadora e com efeito tardio muitas vezes.

E não basta simplesmente privatizar ou terceirizar enquanto não houver uma reformulação completa da própria estrutura administrativa na esfera pública e não apenas no Executivo, pois tanto o Legislativo quanto o Judiciário brasileiro são prodigiosos na formação de um ambiente nocivo quando se trata na gastança do dinheiro público e que levam a situações extremas no atraso do pagamento de milhares de pessoas e que afeta a vida de outras tantas milhares, as quais passam a não receber um serviço decente pela simples desmotivação de quem trabalha, natural diante da crise, uma crise que precisa ser enfrentada com a devida responsabilidade para, não apenas que salários sejam pagos em dia, mas que os serviços públicos possam ser ofertados de maneira mais eficiente e com uma relação custo/benefício melhor.