Editorial
Por que não?

Na semana passada, no Biopark, houve um encontro com potenciais produtores de queijos em Toledo e região. Não que esse tipo de produção já não aconteça, afinal, dona de uma das maiores bacias leiteiras do Paraná, Toledo produz muito queijo. A diferença é que agora a proposta é não apenas manter ou até aumentar o já existente, mas tornar essa produção mais refinada, seguindo padrões mundialmente conhecidos e que podem fazer da cidade uma referência neste segmento que tem mercado certo no mundo do agronegócio, mas ainda é pouco explorado diante das ‘facilidades’ que outras culturas representam.

Como há uma característica muito peculiar na maioria das propriedades agrícolas nesta região, com uma diversidade bastante intensa, por que não implementar mais esta? Por que não apostar num produto refinado e com alto valor agregado? Por que não ousar?

É essa ousadia benéfica que aos poucos o Biopark vai demonstrando ter e, mais importante, começa a espalhar essa vontade, esse desejo de crescer, de se aprimorar a outros segmentos que não apenas o campo da saúde, como num primeiro momento se pensava. Essa vontade de crescer, de diversificar, de buscar novos mercados e de tornar Toledo uma referência é que precisa ser cada vez mais disseminada, mais verbalizada.

Durante anos a cidade ficou refém da mesmice e, embora tenha crescido e construído uma estrutura invejável, ainda assim precisa mirar voos mais altos, seja através de novos negócios ou então do seu agronegócio que é fortíssimo e capaz de produzir um Valor Bruto acima dos R$ 2 bilhões já faz algum tempo. Mas ainda assim um agronegócio pautado de maneira muito intensa nas commodities sem valor agregado. O que se produz aqui vai para fora e lá é processado, deixando de gerar muito mais empregos e renda para uma das maiores produtoras de grãos do país em termos proporcionais. Mudar esse cenário, seja com investimentos em queijos finos ou em outros setores é primordial para que Toledo se mantenha como uma das melhores cidades para se viver e investir.

A solidariedade humana

Em tempos tão nebulosos, ainda há esperança na humanidade e em especial nos brasileiros. Diante de tantas tragédias mundo afora, como as ocorridas nos últimos dias, o ser humano dá demonstrações de sua dubiedade: ora se mostrando um monstro cruel, ora sendo o herói de que tantos necessitam. No fim de semana, por exemplo, o JORNAL DO OESTE trouxe ampla reportagem sobre a questão da síndrome do pânico, algo que tem afetado anônimos e celebridades, tanto que na badalada NBA – a liga profissional de basquete dos Estados Unidos – há enorme preocupação com essa síndrome e com a depressão advinda não apenas pela pressão natural de uma liga onde tudo gera em torno de números, mas de uma geração formada pelas redes sociais.

E eis que aí entra justamente a solidariedade humana. A mesma mão que agride pode representar a que acalenta em momentos de dor intensa e nem sempre perceptível, algo que pode ser facilmente detectado desde que um parente ou amigo mais próximo perceba sinais sutis de mudança no comportamento ou então o olhar mais atento de um profissional do setor, o que também não deixa de ser um ato solidário, afinal, embora seja a profissão de muitos, ainda assim é preciso compaixão para com o próximo por se lidar com o emocional e, portanto, nem sempre comprovável sob a ótica dos exames físicos.

E não pensem os leitores que estes problemas, como tragédias em escolas ou pessoas ‘surtando’ é algo comum apenas nos grandes centros urbanos, afinal, uma análise mais serena sobre alguns dados colocam Toledo como um local potencialmente perigoso em se tratando de algumas patologias, seja pela localização geográfica, seja pela questão cultural enraizada em sua gente, seja pelo próprio crescimento nem sempre compreendido pela sua própria comunidade.

Enfim, independente do problema há sempre uma solução próxima. Para isso bastam dois ingredientes: o querer ser ajudado e alguém disposto a fazê-lo. Quando estes dois se misturam é possível acreditar no poder que a solidariedade humana é capaz de provocar na própria humanidade.

Uma no cravo...e outra na ferradura

Num país onde tanto se espera por dias melhores e onde a injustiça prevaleceu durante tanto tempo, os desdobramentos da Operação Lava Jato pareciam ser um alento para o cidadão comum cansado de ter sempre a sensação de impunidade prevalecendo sobre os tais colarinhos brancos de sempre. Pois bem, esta semana, por maioria, o Supremo Tribunal Federal decidiu que corrupção associada a caixa dois deve ir para Justiça Eleitoral, ou seja, um retrocesso sem tamanho porque, numa análise muito simples de quem está do lado de cá da trincheira e, ao invés de toga, defende-se com o trabalho suado e os impostos caríssimos, é fácil perceber que muitos dos casos sequer serão investigados porque a Justiça Eleitoral não tem estrutura suficiente para atender a esta nova demanda.

Basta acompanhar os processos eleitorais para saber que a proposta do STF foi um tiro de misericórdia numa operação que tantos benefícios trouxe ao país nos últimos anos. Um dos principais nomes da Operação Lava Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol criticou a decisão do STF  e disparou: "Começou a se fechar a janela de combate à corrupção política que se abriu há 5 anos, no início da Lava Jato". Nem mesmo a ofensiva pública contra a remessa de processos à Justiça Eleitoral feita pelos procuradores comoveu os seis ministros que votaram pela proposta. A Transparência Internacional também condenou a decisão. Em nota, a entidade afirmou que o resultado irá "impactar de forma grave a luta contra a corrupção".

Com a decisão, um político que recebeu propina desviada de obras públicas e usou parte do dinheiro na campanha será processado na Justiça Eleitoral. Além de ser sobrecarregada com prazos e demandas relativos às eleições, a Justiça Eleitoral é vista por advogados de réus como atrativo para punições mais brandas, tudo que a sociedade brasileira, ou ao menos sua maioria ainda preocupada com o futuro da nação, desejava, mas que aconteceu num STF onde os julgamentos acertam, ora o cravo, ora a ferradura, dando coices todo o tempo na turba ignara que não enxerga aquilo que até a Justiça cega o vê.

Novos tempos

De tudo que o chefe da Casa Civil do Governo do Paraná Guto Silva disse em entrevista ao JORNAL DO OESTE, dois pontos chamaram mais a atenção: a necessidade de se acabar com a autofagia política paranaense e da necessidade destravar a administração pública a fim de tornar o Paraná mais competitivo no cenário nacional. Os dois assuntos, embora aparentemente distintos, têm ligação direta, haja vista ao longo da história o Estado do Paraná sempre ser tratado com integrante do segundo escalão no campo econômico e terceiro no aspecto político, algo que influenciou demais no crescimento no desenrolar do tempo.

A intenção do atual governador Ratinho Junior é rumar de maneira muito forte no sentido contrário. Não será tarefa fácil, ainda mais quando se enfrenta clãs poderosos e arcaicos cujo pensamento sempre foi o de manter o estado atrelado às amarras que ajudaram a segurar o poder durante tantos anos a fio, mas que aos poucos foram sendo desatadas até se chegar a este ponto sem volta na esfera pública. Guto Silva deixou isso muito claro durante sua entrevista e, pela determinação na fala e no olhar, pode até não acontecer, entretanto, haverá intensa disposição no sentido contrário.

São novos tempos das administrações públicas no Brasil, que começou a enxergar a necessidade de discutir de maneira mais franca possível suas mazelas a fim de finalmente deslanchar rumo ao crescimento econômico e social tão sonhado. Tempos de enxugamento da máquina pública, de corte dos benefícios sem fim, de maior transparência e agilidade. Tempos de usar ferramentas de controle mais rígidas e que permitam ao cidadão perceber claramente para onde está indo seu dinheiro e, mais importante, qual benefício está trazendo de volta à sociedade.

Mas o sucesso deste pensamento diferente daquilo que vinha sendo pregado dependerá também desta mesma sociedade, afinal, de nada adianta a determinação do Governo do Estado em tentar fazer algo novo, diferente se a população prefere se manter ela também refém de um sistema que levou o Paraná a ser um estado tratado com tamanho desdém durante tanto tempo, mesmo sendo um dos mais importantes no cenário nacional. A síndrome do patinho feio precisa acabar e Ratinho Junior parece estar disposto a oferecer novos tempos.

As tragédias nossas de cada dia

Quando a mídia, essa mesma marrom e golpista, divulga assassinatos brutais em escolas em outros países, com destaque para os Estados Unidos, muitos torcem o nariz e criticam tal postura por a considerarem apelativa demais. Pois bem, não bastassem os casos mundo afora, eis que agora o Brasil também começa a conviver com tragédias em escolas. A mais recente ocorrida nesta quarta-feira (13), em Suzano, São Paulo, onde dez crianças foram brutalmente assassinadas a tiros por dois outros jovens.

Os motivos agora pouco importam, pois nada trará de volta a vida destas crianças, muito menos conseguirá apagar da memória de quem sobreviveu a essa chacina. Entretanto, nada justifica o uso demagógico do episódio, como se tentou fazer ainda ontem, em entrevista melodramáticas e com uma pitada de comédia pastelão, como a de um professor que disse ter pedido exoneração do quadro do estado após um aluno ter jogado uma garrafa contra ele, como fosse este o único caso de professores agredidos em sala.

Também houve quem já se manifestasse contra a decisão do presidente da República Jair Bolsonaro com a publicação sobre a questão da posse de arma que, na prática, alterou muito pouco em relação ao já existente até então.

Nenhum dos dois assuntos abordados por determinados meios de comunicação por si só justificam os atos bárbaros cometidos ontem e que chocaram o país. Fosse assim certamente o número de mortes em escolas no país seria imensamente maior.

Essa tragédia deve, isso sim, servir para a reflexão sobre o próprio comportamento do jovem em relação à escola e como a própria escola – e aí incluindo os professores – estão se posicionando para se fazer respeitar. Também as famílias dos alunos que preferem a covardia de transferir às escolas a responsabilidade sobre os próprios filhos, como fosse suficiente apenas a matrícula feita.

É momento de luto, mas também de reflexão sobre a própria sociedade brasileira e as transformações sobre ela impostas ao longo dos últimos anos e que criou uma geração de inconsequentes que recebem tudo de mão beijada. Esse sim talvez seja um dos grandes motivadores das tragédias nossas de cada dia.

Tempos perigosos

Ao usar uma fake news para atacar – mais uma vez – a imprensa, o presidente Jair Bolsonaro apenas reforça um sentimento de ódio aflorado de uns tempos para cá no Brasil e que, sim, coloca em risco não apenas a credibilidade da imprensa nacional como um todo, mas a própria integridade física de jornalista país afora. Não bastasse o Brasil ser um dos países mais perigosos do mundo para o exercício desta profissão, agora o presidente usa um blog com informações distorcidas para achincalhar a imagem de um setor que, OK, comete erros, mas que em geral tem contribuído para a manutenção desta democracia meia boca que existe.

Não fosse o papel da imprensa certamente muitos dos problemas que aí estão sequer teriam sido conhecidos. Morreriam num armário qualquer, destes onde repousam tantos podres da política e do empresariado tupiniquim. Sim, há bons jornalistas e, sim, há péssimos também. Gente que usa da profissão como realmente abutres em busca do sensacionalismo barato ou do achaque desmedido. Gente assim precisa ser defenestrada não apenas do jornalismo, mas da sociedade e pagar por eventuais excessos ou erros. Aliás, assim deveria ser em qualquer profissão.

Mas o Brasil do vermelho ou azul se transformou numa terra perigosa para quem ousa pensar diferente; para quem escolhe a cor do bom senso quase não sobra nada e dizer o que se pensa virou sinônimo de ataques virulentos na terra de ninguém das redes sociais. O próprio JORNAL DO OESTE tem sido atacado por entidades sindicais de esquerda, todavia, ainda assim segue divulgando suas ações, numa clara demonstração de que é assim que deveria se conviver na democracia.

Infelizmente muitos entendem ser a democracia algo bom somente quando atende aos interesses de um determinado grupo ou quando está em concordância com aquilo que se pensa. E o presidente age dessa forma, assim como agiam seus antecessores, criadores de vários blogs e sites patrocinados e contra a ‘imprensa marrom’ que denunciou – e continua denunciando – escândalos e mais escândalos porque este também é o papel da imprensa, assim como também contribuir para manter este estado democrático de fato e de direito, mesmo que para isso seja preciso ser atacado, humilhado e achincalhado pelo próprio presidente.

Quaresma

A quaresma representa para muitos católicos um tempo de penitência, de privações em busca de uma redenção do espírito. É um sacrifício para lembrar do período de sofrimento de Jesus e das tentações diárias que cercam a todos. Na teoria é assim, mas como dizia Joelmir Beting, na teoria a prática nem sempre é fácil. Para alguns o sacrifício é verdadeiro, é realmente a tentativa de se tornar não apenas um cristão melhor, mas principalmente de tentar se tornar um ser humano com mais compaixão pelo próximo, em melhorar vários aspectos da vida.
Infelizmente há também muitos que, sim, sacrificam-se, mas apenas aos olhos dos outros, porque aos olhos do criador – ou seja lá qual designação queira se dar a Deus ou a Jesus Cristo – segue agindo de maneira errônea. É jejum para cá e palavras ao vento para lá; é abstinência de carne, entretanto, de espalhar mentiras ou fofocas jamais; é deixar de tomar café e ir à missa para reparar na roupa do outro ou então no comportamento alheio. Enfim, é tanta hipocrisia que fica difícil realmente acreditar na tal ‘penitência’.
A penitência não pode ser apenas do corpo, mas especialmente da alma. E aí é uma questão de fé, de religiosidade e não de religião, pois de nada adianta fingir seguir ao pé da letra os ensinamentos cristãos e pregar a maldade, semear a discórdia ou não ser uma boa pessoa. Aqui se entenda boa pessoa quem age dentro dos preceitos éticos, legais e morais que regem a sociedade, também independente de questões de religião, até porque ser cristão é muito mais um estado de espírito que propriamente ser ‘católico’ ou ‘crente’.
Crente são todos os que acreditam em Deus e em seus ensinamentos e aí podem ser católicos apostólicos, testemunhas de Jeová, budistas, muçulmanos ou qualquer outra crença existente neste sentido.
A esperança é que a quaresma sirva também para esta reflexão e, antes de maiores polêmicas, o objetivo do JORNAL DO OESTE não é entrar na seara da fé ou da religião, mas sim apenas provocar uma discussão e uma reflexão sobre o verdadeiro sentido da quaresma de eventuais sacrifícios neste período de extremo simbolismo e que deveria ser tratado com maior respeito e não apenas de penitências feitas da boca para fora e não de dentro do coração.

O vídeo do presidente

A semana de Carnaval termina e com ela a necessidade de se analisar o tal vídeo publicado pelo presidente Jair Bolsonaro com cenas grotescas ocorridas na maior festa popular do planeta, com direito a dedo onde a espinha perde o nome e necessidades na cabeça de outras pessoas. Se a atitude foi certa ou errada pode até se discutir, se deveria ou não um presidente da República postar tal vídeo de mesma forma, entretanto, duas coisas são irrefutáveis: a primeira é que isso não é motivo para afastamento do presidente; e a segunda é que o vídeo mostra até pouco em relação ao que acontece nas ruas de todo país nesta época onde tudo passa a ser permitido em muitos lugares país afora.

O vídeo retrata bem aquilo que o brasileiro faz, ou alguém aí que já passou carnaval nos maiores centros não observou gente fazendo suas necessidades na rua, ou beijando loucamente, consumindo drogas e bebendo até cair, fazendo sexo sem o menor pudor, entre tantos outros absurdos que acontecem desde os mais luxuosos camarotes na Sapucaí até o desfile mais simplório de uma banda qualquer. Ora, o vídeo do presidente é, infelizmente, o retrato fiel de um país desnudo e hipócrita. Um país cuja imagem no exterior é de certa forma deturpada muito graças ao Carnaval que, sim, é importante por questões culturais e econômicas, mas onde exageros acontecem em demasia.

Tornar o assunto uma batalha ideológica ou politiqueira é que não se pode permitir, afinal, o presidente tem o direito de publicar aquilo que pensa, pois é este o maior trunfo da democracia. A convivência com o diferente e com o livre pensamento deveria ser a tônica do discurso, entretanto não o é porque a sociedade brasileira prefere se apegar ao tom piegas de sempre ao invés de avançar e tentar mudar uma realidade que aí está e só não a enxerga quem não deseja.

Grosseiro? Sim! Mentira? Não! O vídeo até poderia não ser publicado por Bolsonaro, mas quantos outros vídeos não correram pelos grupos de WhatsApp tão ou mais sórdidos que os postado pelo presidente em sua conta no Twitter? Quantos outros não foram vistos por milhares de pessoas neste Brasil? Pois é, mas o que os olhos não veem o coração não sente...

8 de março: dia de luta

Durante a história, as mulheres protagonizaram grandes manifestações. Uma delas é aquela que defende sua própria liberdade e conquistas culturais, sociais e políticas. Cultivar, reafirmar e promover direitos regem a data de 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Para muitas, a luta é pela vida.
Um conhecido marco histórico que ajudou a estipular a data internacional foi o incêndio que matou centenas de operárias em uma fábrica têxtil de Nova York, em 1857. A coragem daquelas mulheres em lutar por mudanças desencadeou o sentimento de batalha por todo o mundo. Na época, aquelas mulheres reivindicavam a redução da jornada de trabalho e o direito à licença-maternidade.
Em condições insalubres de trabalho, as fábricas incorporaram as mulheres como mão de obra barata. Ao longo dos anos foram protestos e mais protestos. Com o passar do tempo, elas foram ganhando direitos que deveriam ser garantidos ao nascer sem a necessidade explícita de luta.
Existem motivos para que a data seja comemorada, mas também existe uma série de mudanças que ainda precisa acontecer. As lutas por conquistas culturais, sociais e políticas continuam. E luta pela própria vida também. O medo de expor a dor e a humilhação de ser vítima de violência doméstica já não tem calado todas as bocas. Muitos gritos de socorro estão sendo escutados. E dessa forma a luta continua.
Assim a data de 8 de março se divide. Enquanto algumas recebem flores, presentes e um jantar especial, outras são esquecidas. Suas lutas por dignidade, respeito e um simples ato de amor são tomadas pelos espinhos das rosas. A sociedade e o comércio pintam lindamente este dia. Enquanto isso, ficam à margem aquelas que sofrem pelo fato de ser mulher. Casos de violência doméstica assombram essas guerreiras que precisam de voz e vez. 
Talvez, neste Dia da Mulher elas ganhem forças para tomarem uma atitude e iniciarem uma nova vida. Talvez, seja mais um dia de agressões e de medo. Talvez, seja o último dia. A data deve ser lembrada sim por aqueles que têm uma mulher para amar e respeitar, seja ela mãe, irmã, filha, esposa, namorada, amiga. Para aqueles que vibram com suas conquistas, com seu progresso, porque no final a vitória não é apenas delas, mas de toda a sociedade.

Cidadania não pode ser apenas um discurso

O problema da coleta de lixo em Toledo se agravou com a paralisação dos catadores desde a última sexta-feira, escancarando de vez um problema sério que estava mesmo a ponto de ruir.  Mas a questão do lixo doméstico mostra o quanto a sociedade toledana em geral é um lixo quando o assunto se trata de cidadania e o quanto é preciso mudar alguns conceitos absolutos em termos de comunicação que determinadas pessoas criaram pautadas em modelos que funcionaram no campo da política, mas que nem sempre pode ser aplicado a tudo e todos.

A Prefeitura de Toledo tem insistido na disseminação de notas através das redes sociais pedindo à população que, ou armazene seu lixo até o retorno do serviço ou então que leve até as ruas principais para que as equipes da própria prefeitura possam recolher o material de maneira mais ágil. O que se observa nas ruas, entretanto, é justamente o contrário: são sacos e mais sacolas depositadas em frente às residências ou então deixadas em contêineres já entupidos de tanto lixo, numa clara demonstração da mais absoluta falta de educação.

O uso quase exclusivo das mídias sociais, com direito a vídeos e mensagens, demonstra ainda que nem sempre a mágica verificada nas campanhas eleitoras dos grandes centros urbanos e de países mais desenvolvidos funciona no terreno local, onde às vezes um spot de rádio ou uma nota no jornal vale mais que postagens e compartilhamentos. Em comunicação nem sempre 1 + 1 é igual a 2 e é preciso compreender esse mundo particular para se ter maior eficiência na divulgação daquilo que a população precisa saber. No caso de Toledo até um carro de som muitas vezes funciona melhor.

A cidadania não pode ser apenas um discurso e dessa vez a maioria da população de Toledo demonstra não ter a menor noção do que é ser cidadão diante de uma crise preocupante. O lixo é um problema sério e as pessoas precisam mudar seu conceito em relação ao assunto o quanto antes, sob pena de coisas mais graves que apenas sacos se amontoando acontecer.