Editorial
Isso é globalização?

Milhares de pessoas formam uma horda sem rosto em direção aos Estados Unidos vindas dos mais miseráveis países da América Latina; centenas de refugiados se amontoam em um navio à espera de alguma nação que os aceite na Europa; no Oriente Médio são milhares de pessoas fugindo das guerras sem fim na tentativa de sobreviver apenas; na África golpes militares e ditaduras perseguem e matam; no Brasil a fronteira de Roraima com a Venezuela virou terra sem lei por causa das ondas de imigrantes, assim como também começam a surgir bolsões em outros cantos do país por causa da vinda de haitianos e de tantos outros países em situação ainda pior que a nossa. É isso que se entende por globalização?

Quanto mais se fala em globalização, mais se percebe aflorarem os sentimentos radicais que levaram o mundo à Segunda Guerra Mundial. Nacionalistas histéricos, xenofobia exagerada – e sem o menor pudor de tentar ser escondida – racismo de cor, crença e classe social, enfim, discursos que pregam o ódio e fomentam uma divisão que sempre existiu – e talvez sempre existirá – entre pobres e ricos, desenvolvidos e subdesenvolvidos, entre quem manda e quem se submete ao jugo.

A globalização pode ter melhorado as relações comerciais entre os países e facilitado a comunicação entre os povos, entretanto, esse movimento sem retorno está longe de sepultar as barreiras históricas. Ao contrário: as acentuou numa velocidade espantosa e, de certa forma, ajudou a intensificar estas marchas ao redor do mundo, afinal, hoje se sabe muito mais das condições de lá e de cá, tornando mais simples a decisão de partir ou ficar. Ondas migratórias sempre existiram na história humana. Fazem parte do natural desejo de se aventurar, conhecer algo diferente e buscar pelo melhor. Mas hoje elas são mais vistas e mais comentadas, assim como seus reflexos nas sociedades onde acontecem, inclusive no Brasil, onde surgem os primeiros discursos contra a vinda de estrangeiros. E alguns nada moderados.

Reações que mostram outro ângulo de um movimento que para muitos era visto apenas com os olhos benevolentes do quão positivo seria para o planeta a ligação entre os países. Restou combinar com as pessoas.

A metáfora das cores

A declaração da ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) sobre o uso das cores por meninos e meninas – ou piás e gurias, como prefiram – provocou urticária em determinados grupos, especialmente dentro da comunidade LGBT e, claro, de quem defende a ideologia de gênero nas escolas. Nada mais que uma metáfora, algo tão comum no Brasil desde os tempos em que apenas os índios habitavam estas terras. Mas como o momento é de tentar criar fatos onde não existem, então a reação foi viral, em especial na terra fértil das redes sociais, onde muita gente se torna um verdadeiro guerreiro de capa e espada.

Não se trata de adotar ‘uniformes’ para meninos e meninas, mas sim de mudar o foco dado nos últimos anos e que levou a situações extremas de crianças visitando exposições – patrocinadas com dinheiro público, frise-se – onde imagens bizarras de sexo com animais e completo desrespeito às questões religiosas eram expostas sem o menor pudor. No Brasil do ‘país de todos’ ser menino ou menina não era mais uma questão de escolha própria, mas sim algo errado sob a ótica ideológica implantada de maneira sutil no início e depois sem o menor constrangimento.

Seguindo essa linha daqui a pouco as princesas da Disney jamais poderiam colocar os pés no Brasil e suas histórias seriam modificadas, com a criação de princesas transexuais que batalham por seus direitos. Os contos de fada seriam transformados em contos de fados e as bruxas seriam boas e as princesas más. Os sapos, coitadinhos, não poderiam mais se transformar em príncipes, mas em borboletas psicodélicas. E olha lá! Nunca é demais lembrar sobre a crueldade contra os animais.

Na ótica ideológica cantar atirei o pau no gato é uma ofensa e contar carneirinhos para dormir um crime. Ai, ai, ai, cuidado com o homem do saco, se bem que este pensa em processar quem o discrimina dessa forma tão aviltante. E o que dizer do boi da cara preta, racismo puro! Batatinha quando nasce, no politicamente correto impregnado, não se espalha mais pelo chão porque tem muita gente passando fome. Uma fome de bom senso!

Um balanço do balanço

De tudo que foi dito durante a entrevista coletiva do prefeito Lucio de Marchi e do vice Tita Furlan, sobre os dois primeiros anos de gestão à frente da Prefeitura de Toledo, o mais marcante foi o não dito. A presença de Tita ao lado de Lucio, numa boa sinergia por sinal, foi talvez o fato mais marcante do encontro com jornalistas na manhã da quarta-feira (2). Isso demonstra maturidade de ambos ao deixarem para trás tudo que foi dito – e não dito – durante a disputa eleitoral, quando Lucio e Tita estiveram em lados opostos. Se essa sintonia for melhor ajustada, sem dúvida quem ganhará será a administração municipal, até porque um ainda tem muito a aprender com o outro.

Já entre tudo que foi dito, sem dúvida dois pontos chamaram a atenção: o primeiro a questão do altíssimo – e surpreendente – número de horas extras herdadas pela atual gestão e o valor – também surpreendente – pago em ações de servidores contra o próprio município.

Isso demonstra uma falta de controle e ao mesmo tempo uma permissividade perigosa dentro da administração municipal, com consequências terríveis não apenas aos cofres públicos, mas à própria estrutura, ao sistema de gerenciamento que fica sujeito aos devaneios de quem ocupa determinados cargos. Há ainda que se lembrar do alto número de servidores com férias vencidas na gestão passada, o que acarretou em custos acima do previstos para a atual. Tudo reflete na forma de administrar. Engessa, emperra, atrapalha.

Também é preciso destacar a fala do prefeito e do vice em relação a determinadas pessoas da oposição que apostam no “quanto pior melhor”, e aqui palavras do próprio prefeito. Algumas destas pessoas estiveram com a caneta na mão, tiveram a oportunidade de fazer diferente e, além de não terem feito, ainda por cima deixaram uma herança pesada a ser paga não apenas por Lucio e Tita, mas por toda sociedade de Toledo, com férias e processos judiciais que somam milhões de reais, sem mencionar obras inacabadas ou superfaturadas e que sequer ainda entraram em funcionamento.

Importante o balanço feito pelos atuais ocupantes do Executivo municipal, assim como também será se novos encontros como este forem feitos, quando se tem a oportunidade de olhar nos olhos e perguntar aquilo que a sociedade espera saber.

Uma caneta, uma simples caneta

Há momentos na vida pública onde o exemplo revela muito mais que as palavras proferidas em meio à emoção ou ao ambiente no qual o agente público se insere. De tudo que aconteceu no Brasil na terça-feira, primeiro dia deste 2019 carregado de esperança de Norte a Sul, uma cena resumiu bem este novo momento pelo qual passa o Brasil, dando a impressão de serem novos tempos. O presidente Jair Bolsonaro assinou, sem o menor constrangimento, todos os documentos oficiais com uma boa e velha caneta Bic, aquela mesma usada por milhões de pessoas todos os dias, inclusive pelos profissionais do JORNAL DO OESTE. Pode ter sido apenas uma coincidência, entretanto, é uma cena carregada de simbolismo e que aproxima o presidente das pessoas comuns, algo que Bolsonaro tem insistido em pregar.

Uma caneta, uma simples caneta que demonstra o desejo de mudança, a vontade em tornar as coisas menos complicadas num país onde historicamente a burocracia imperou e onde os jeitinhos e privilégios foram sendo arrumados para manter um sistema desequilibrado e injusto funcionando para beneficiar sempre os mesmos. O recado foi muito claro aos ministros e aos brasileiros: o combate à corrupção será uma marca deste governo que pretende ser simples e direto, como foi aliás o discurso de um presidente avesso aos holofotes, mas capaz de arregimentar uma verdadeira tropa de técnicos altamente qualificados em torno de si, em torno de uma simples caneta Bic.

As primeiras medidas do novo governo sinalizam neste sentido também e a chiadeira geral provocada após o discurso do novo presidente apenas reforça o quanto este vem acertando até o momento. Não que Bolsonaro não esteja sujeito a falhas. Como ser humano – e brasileiro – errará muito no exercício do mandato, entretanto, certamente o fará não por maldade, mas pela vontade exagerada em acertar e que muitas vezes torna a tomada de decisões um exercício pesado demais para quem não está acostumado a enfrentar tais circunstâncias.

O Brasil respira novos tempos e oxalá os dias sejam simples como a caneta com a qual Jair Bolsonaro iniciou ser governo. Simples e direto, tão fácil de compreender quanto o discurso em Libras da primeira-dama Michele, outro recado muito claro de como se comporta o coração do capitão.

Feliz Ano Novo!!!

Um Feliz 2019! E que ano! Segundo as previsões, 2019 será o ano da verdade. E tomara que seja assim, afinal, chega de tantas mentiras, de tanta corrupção, de tanto gasto desnecessário e de tantos desmandos. Basta de divisões ideológicas travestidas de blocos carnavalescos amazonenses, como fosse o Brasil caprichoso ou garantido apenas. É hora de terminar com os conchavos, conluios e aditivos. É chegado o tempo realmente da verdade, dos ajustes, do desenvolvimento e por isso este é um ano que começa cheio de esperanças em dias melhores, especialmente no âmbito nacional, sendo que no quintal estadual a expectativa é do Estado finalmente deslanchar e alcançar o patamar que merece, com destaque no cenário nacional.

Mas hoje é momento apenas de celebrar, de reunir os amigos e brindar a chegada de um novo ano. É um dia daqueles do dolce fa niente porque o resto da semana ainda será de ajustes, pequenos, mas necessários para enfrentar um ano inteiro pela frente e que se espera seja o ano não apenas da verdade, mas da libertação de amarras seculares que tornam este país amarrado, arrastado, corrupto e desonesto. Algo como se estivesse impregnado no DNA do cidadão como uma praga a ceifar não apenas montanhas de recursos públicos, mas vidas inteiras perdidas em meio à carnificina na qual o país tropical foi atirado.

Que nestas primeiras horas de 2019 seja possível, ao menos por agora, esquecer todos os problemas e viver. Respirar ares diferentes e sentir essa energia boa que sempre cerca a passagem de um ano para outro. Que o Brasil respire e aproveite estes novos ares e que todos nós possamos surfar nesta onda nova que parece enfim se aproximar do nosso litoral. A onda da dignidade, do respeito verdadeiro e não do uso ideológico do aparelho estatal. Que este 2019 seja realmente o ano da verdade verdadeira e não da mentira bem contada porque dessa o país está farto. Obrigado pela companhia ao longo de mais um ano que se encerra. Obrigado e um Feliz Ano Novo a todos os nossos leitores, na esperança de chegarmos ao fim deste 2019 celebrando juntos uma vez mais.

A saúde em alta

Se há alguns anos, nesta mesma época do ano, havia imensa preocupação em relação ao futuro no atendimento da saúde pública, nesta reta final de 2018 o sentimento é de alívio e esperança. Esta semana, como noticiou o JORNAL DO OESTE com o merecido destaque, foram liberados mais R$ 4,5 milhões para investimentos no Hospital Bom Jesus e na Prefeitura de Toledo para a atenção básica. O dinheiro é resultado da boa representatividade política que a cidade teve até este ano, mas que não voltará a ter tão cedo diante do resultado pífio das urnas este ano, onde nenhum candidato a deputado estadual foi eleito e a vaga na Câmara Federal mantida a duras penas.

E a saúde termina o ano em alta também com a solução encontrada para a crise financeira pela qual passa o HCO. A decisão da Unimed Costa Oeste em arrendar a unidade por dois anos, no mínimo, pode não ter sido a melhor, mas sem dúvida foi a possível neste grave momento que poderia trazer um colapso ao atendimento na cidade, haja vista a quantidade de procedimentos absorvidos pelo hospital, isso apenas entre clientes da própria cooperativa.

Mas o ano foi excelente também com a inauguração da nova Central de Especialidades Médicas da Prefeitura de Toledo, ao lado do Mini-hospital. Um passo a mais rumo à consolidação do espaço como um grande centro de referência em saúde pública, pois além do Mini e da Central, ali também já funciona uma nova Farmácia Básica e está sendo construída uma Central de Fisioterapia, um motivo a mais para esperança de dias ainda melhores para quem depende exclusivamente do atendimento gratuito do Sistema Único de Saúde.

E aí a chegada de 2019 cria uma expectativa ainda maior para a abertura do tão sonhado Hospital Regional, cujos problemas foram identificados e estão sendo resolvidos um a um. Como a Prefeitura de Toledo assinou um termo com prazo para a abertura, será muito difícil esta unidade não entrar em funcionamento no ano que se aproxima e se assim for, certamente nesta mesma época, daqui um ano, será necessário repetir o assunto porque a tendência é a saúde estar ainda mais em alta. Ao menos é o que se espera.

Roendo pelas beiradas

O governador eleito do Paraná Ratinho Junior vem roendo pelas beiradas, para aproveitar o imaginário de seu apelido, e mandando um bom recado a quem estava acostumado com o ritmo da política paranaense nos últimos anos. O primeiro sinal foi a tranquilidade em montar seu secretariado, que consegue equilibrar bem o aspecto técnico com o político, importante dentro da estrutura vigente no país quando o assunto é a administração pública. Sem pressa o governador foi colocando as peças no tabuleiro que melhor lhe convém para largar a todo vapor e mostrar que a vitória no primeiro turno não foi apenas um sinal de descontentamento com o modelo que aí estava, mas sim a esperança de uma gestão ainda mais moderna e eficiente, capaz de alavancar o Paraná finalmente à condição de ator principal e não mais um coadjuvante de luxo de outros estados cuja bancarrota há tempos desencoraja investidores e amedronta o mercado – sempre volátil – financeiro.

Ratinho Junior também não vem tendo pressa em indicar os principais dirigentes das regionais, outro sinal que indica mudança profunda. Não apenas nos nomes, mas na própria forma de gerenciar as coisas do Estado fora da capital. Há o interesse em montar grandes estruturas administrativas e não mais precisar o contribuinte perambulando pelas cidades atrás dos serviços públicos no âmbito estadual. A ideia seria criar centros administrativos que congreguem num mesmo espaço todas ou pelo menos a maioria da estrutura regional do Governo do Paraná.

Há ainda que se destacar a paciência com a qual o futuro governador vem tratando com os deputados estaduais eleitos. Reuniões e mais reuniões estão acontecendo e ao menos até o momento o sentimento é de respeito e diálogo entre Executivo e Legislativo, algo benéfico para todos, afinal, quando os dois poderes conseguem agir de maneira responsável e não apenas movidos pelos interesses ideológicos, é um indicativo de um futuro ainda melhor para uma gestão que receberá a gestão com as contas em dia e dinheiro em caixa já na largada, algo que há tempos não se via na autofágica política paranaense.

Sem dinheiro no bolso

Um em cada três municípios brasileiros não consegue gerar receita suficiente sequer para pagar o salário de prefeitos, vereadores e secretários. O problema atinge 1.872 cidades que dependem das transferências de Estados e da União para bancar o custo crescente da máquina pública, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan).

Alguns desses municípios foram criados após a Constituição de 1988, que facilitou esse movimento, e ainda não conseguiram justificar sua emancipação. Essa falta de autonomia financeira, porém, não impediu que voltasse ao Congresso um projeto de lei que permite a criação de 400 novos municípios.

Hoje, a situação mais grave está em cidades pequenas, que não têm capacidade de atrair empresas – o que significaria mais emprego, renda e arrecadação. Em geral, contam com um comércio local precário e, para evitar a impopularidade, as prefeituras cobram poucos impostos. Há cidades em que o IPTU só começou a ser cobrado depois que a crise apertou.

O levantamento da Firjan mostra que, em média, a receita própria das cidades com população inferior a 20 mil habitantes é de 9,7% – ou seja mais de 90% da receita vem de transferências públicas. Em alguns casos, a receita própria do município é praticamente zero.

Segundo a Firjan, que analisou o balanço anual entregue pelas prefeituras à Secretaria do Tesouro Nacional, algumas cidades não conseguem gerar receita para cobrir nem 0,5% das despesas com a máquina pública, leia-se, salários de prefeitos, vices e secretários, entre outros seres que habitam o mundo mágico da administração pública brasileira.

Diante deste quadro apontado pelo levantamento da Firjan, é ainda mais difícil engolir a decisão do presidente da Câmara Rodrigo Maia em ‘anistiar’ os prefeitos que não conseguiram se adequar ao que estabelece a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma das melhores heranças entre o caos habitual da legislação pública nacional. Uma pena que só aumenta a pressão sobre o Congresso para a criação de novos municípios, projeto que já havia sido sepultado ainda durante a gestão de Dilma Rousseff na Presidência da República mas que, assim como tantos outros assuntos que já deveriam ter sido esquecidos, este também deverá dominar a pauta política a partir de janeiro de 2019.

Um Feliz Natal!

Então é Natal! Época em que o espírito da maioria das pessoas ‘respira’ ares diferentes e não é diferente com a equipe do JORNAL DO OESTE. Momento de reflexão, de busca de algo nem sempre perceptível ou de fácil explicação. Tempo de meditar, sonhar com uma paz difícil de acreditar um dia acontecer num país tão desigual quanto este chamado Brasil. Natal, não apenas uma data, mas um dia carregado de simbolismo gigante, independente de paixões, de crenças, de ideologias.

Por isso nós, do JORNAL DO OESTE, queremos apenas desejar a todos os nossos leitores ocasionais, anunciantes, assinantes e outros tantos colaboradores um abençoado Natal, um dia especial na vida de cada um. Nosso desejo é que esta reta final de ano possa ser melhor a cada segundo, pois este foi um ano pesado, carregado, mas que chega ao fim com a esperança não apenas típica desta época do ano, mas com uma esperança real em dias melhores, do fim dos acirramentos tão revoltantes dos últimos tempos.

Nossa vontade é que o Papai Noel tenha trazido, além dos presentes materiais, a chance de reconciliação, a oportunidade de fazer algo de bom, o momento de amar ao próximo de maneira desapaixonada, a hora de abraçar alguém e dizer “que saudade”...

Nossa esperança é que o espírito natalino ‘dê as caras’, apareça e se manifeste de todas as formas possíveis para que 2018 possa terminar da melhor forma possível e, caso algo de muito ruim esteja acontecendo, é preciso sempre ter o pensamento positivo de que as coisas ruins passam...restam apenas na lembrança os bons momentos e as boas ações.

Um Feliz Natal a todos, que Deus, Buda, Alá, o Grande Mestre, o Papai do Céu, Odin ou seja lá o nome que se dê a esta força maior inexplicável que nos faz levantar todos os dias os abençoes, os proteja e lhes guarde para que em 2019 todas as esperanças possam se tornar realidade e que o Brasil, ao invés de ser um país dividido, volte a sorrir e a ter o colorido de sempre. Feliz Natal e uma ótima semana a todos.

Dinheiro, ah, esse dinheiro...

Na casa do médium João de Deus, acusado de abuso sexual, foi encontrada uma grande quantidade de dinheiro vivo – incluindo moeda estrangeira; na cela do ex-governador do Rio Eduardo Pezão – preso acusado de corrupção – dólares e euros ‘conviviam’ com o detento como sendo algo natural; o ex-assessor do deputado Flávio Bolsonaro movimentou milhões em sua conta e agora sumiu. E assim poderiam ser relacionados tantos outros casos de políticos e pessoas influentes no Brasil que tiveram dinheiro vivo encontrado em suas residências, escritórios e até...celas!

O dinheiro, ah, esse dinheiro...

Poderoso porque atrai todo tipo de gente, de quase santos a diabos travestidos de terno e gravata; de gente simples como um motorista a empresários polpudos do mundo particular das grandes empreiteiras. De vereador que enterrava propina no quintal de casa no interior de São Paulo ao assessor que carregava malas recheadas dos restaurantes. E não era de comida, mas sim da ‘mordida’ dada pelos tubarões nos outros tubarões. Em meio a este turbilhão explosivo restam os cardumes de cidadãos atônitos com cifras milionárias, bilionárias, como desse o dinheiro em árvore e fosse tarefa simples juntar aí alguns milhões na conta bancária.

O dinheiro, ah, esse dinheiro...

Traiçoeiro porque, quando se pensa estar o lavando da maneira adequada, aparece um bisbilhoteiro que resolve meter o dedo onde não foi chamado e estraga todo um planejamento minucioso, com direito a codinomes criativos e contabilidade igualmente complexa, tudo pensado para evitar dissabores como prisões injustas ou condenações absurdas. Um dinheiro fantasioso que ludibria até mesmo presidentes e outros agentes graúdos do mundo político, mas também empresários e gente comum. Quem não sonha em tomar um drinque em Angra dos Reis a bordo de uma lancha ou passear em Dubai com a conta de luz paga pelos trouxas de plantão.

O dinheiro, ah, esse dinheiro...

Atraente, traiçoeiro, reluzente, perigoso, necessário, luxuoso, caro e nefasto. O dinheiro, ah, esse dinheiro que nos faz pensar, repensar, contar, contar, contar, contar...