Editorial
O vídeo do presidente

A semana de Carnaval termina e com ela a necessidade de se analisar o tal vídeo publicado pelo presidente Jair Bolsonaro com cenas grotescas ocorridas na maior festa popular do planeta, com direito a dedo onde a espinha perde o nome e necessidades na cabeça de outras pessoas. Se a atitude foi certa ou errada pode até se discutir, se deveria ou não um presidente da República postar tal vídeo de mesma forma, entretanto, duas coisas são irrefutáveis: a primeira é que isso não é motivo para afastamento do presidente; e a segunda é que o vídeo mostra até pouco em relação ao que acontece nas ruas de todo país nesta época onde tudo passa a ser permitido em muitos lugares país afora.

O vídeo retrata bem aquilo que o brasileiro faz, ou alguém aí que já passou carnaval nos maiores centros não observou gente fazendo suas necessidades na rua, ou beijando loucamente, consumindo drogas e bebendo até cair, fazendo sexo sem o menor pudor, entre tantos outros absurdos que acontecem desde os mais luxuosos camarotes na Sapucaí até o desfile mais simplório de uma banda qualquer. Ora, o vídeo do presidente é, infelizmente, o retrato fiel de um país desnudo e hipócrita. Um país cuja imagem no exterior é de certa forma deturpada muito graças ao Carnaval que, sim, é importante por questões culturais e econômicas, mas onde exageros acontecem em demasia.

Tornar o assunto uma batalha ideológica ou politiqueira é que não se pode permitir, afinal, o presidente tem o direito de publicar aquilo que pensa, pois é este o maior trunfo da democracia. A convivência com o diferente e com o livre pensamento deveria ser a tônica do discurso, entretanto não o é porque a sociedade brasileira prefere se apegar ao tom piegas de sempre ao invés de avançar e tentar mudar uma realidade que aí está e só não a enxerga quem não deseja.

Grosseiro? Sim! Mentira? Não! O vídeo até poderia não ser publicado por Bolsonaro, mas quantos outros vídeos não correram pelos grupos de WhatsApp tão ou mais sórdidos que os postado pelo presidente em sua conta no Twitter? Quantos outros não foram vistos por milhares de pessoas neste Brasil? Pois é, mas o que os olhos não veem o coração não sente...

8 de março: dia de luta

Durante a história, as mulheres protagonizaram grandes manifestações. Uma delas é aquela que defende sua própria liberdade e conquistas culturais, sociais e políticas. Cultivar, reafirmar e promover direitos regem a data de 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Para muitas, a luta é pela vida.
Um conhecido marco histórico que ajudou a estipular a data internacional foi o incêndio que matou centenas de operárias em uma fábrica têxtil de Nova York, em 1857. A coragem daquelas mulheres em lutar por mudanças desencadeou o sentimento de batalha por todo o mundo. Na época, aquelas mulheres reivindicavam a redução da jornada de trabalho e o direito à licença-maternidade.
Em condições insalubres de trabalho, as fábricas incorporaram as mulheres como mão de obra barata. Ao longo dos anos foram protestos e mais protestos. Com o passar do tempo, elas foram ganhando direitos que deveriam ser garantidos ao nascer sem a necessidade explícita de luta.
Existem motivos para que a data seja comemorada, mas também existe uma série de mudanças que ainda precisa acontecer. As lutas por conquistas culturais, sociais e políticas continuam. E luta pela própria vida também. O medo de expor a dor e a humilhação de ser vítima de violência doméstica já não tem calado todas as bocas. Muitos gritos de socorro estão sendo escutados. E dessa forma a luta continua.
Assim a data de 8 de março se divide. Enquanto algumas recebem flores, presentes e um jantar especial, outras são esquecidas. Suas lutas por dignidade, respeito e um simples ato de amor são tomadas pelos espinhos das rosas. A sociedade e o comércio pintam lindamente este dia. Enquanto isso, ficam à margem aquelas que sofrem pelo fato de ser mulher. Casos de violência doméstica assombram essas guerreiras que precisam de voz e vez. 
Talvez, neste Dia da Mulher elas ganhem forças para tomarem uma atitude e iniciarem uma nova vida. Talvez, seja mais um dia de agressões e de medo. Talvez, seja o último dia. A data deve ser lembrada sim por aqueles que têm uma mulher para amar e respeitar, seja ela mãe, irmã, filha, esposa, namorada, amiga. Para aqueles que vibram com suas conquistas, com seu progresso, porque no final a vitória não é apenas delas, mas de toda a sociedade.

Cidadania não pode ser apenas um discurso

O problema da coleta de lixo em Toledo se agravou com a paralisação dos catadores desde a última sexta-feira, escancarando de vez um problema sério que estava mesmo a ponto de ruir.  Mas a questão do lixo doméstico mostra o quanto a sociedade toledana em geral é um lixo quando o assunto se trata de cidadania e o quanto é preciso mudar alguns conceitos absolutos em termos de comunicação que determinadas pessoas criaram pautadas em modelos que funcionaram no campo da política, mas que nem sempre pode ser aplicado a tudo e todos.

A Prefeitura de Toledo tem insistido na disseminação de notas através das redes sociais pedindo à população que, ou armazene seu lixo até o retorno do serviço ou então que leve até as ruas principais para que as equipes da própria prefeitura possam recolher o material de maneira mais ágil. O que se observa nas ruas, entretanto, é justamente o contrário: são sacos e mais sacolas depositadas em frente às residências ou então deixadas em contêineres já entupidos de tanto lixo, numa clara demonstração da mais absoluta falta de educação.

O uso quase exclusivo das mídias sociais, com direito a vídeos e mensagens, demonstra ainda que nem sempre a mágica verificada nas campanhas eleitoras dos grandes centros urbanos e de países mais desenvolvidos funciona no terreno local, onde às vezes um spot de rádio ou uma nota no jornal vale mais que postagens e compartilhamentos. Em comunicação nem sempre 1 + 1 é igual a 2 e é preciso compreender esse mundo particular para se ter maior eficiência na divulgação daquilo que a população precisa saber. No caso de Toledo até um carro de som muitas vezes funciona melhor.

A cidadania não pode ser apenas um discurso e dessa vez a maioria da população de Toledo demonstra não ter a menor noção do que é ser cidadão diante de uma crise preocupante. O lixo é um problema sério e as pessoas precisam mudar seu conceito em relação ao assunto o quanto antes, sob pena de coisas mais graves que apenas sacos se amontoando acontecer.

Ô abre alas que eu...vou descansar!

A capital da cultura do Oeste, como alguns adoram rotular a belíssima Toledo passou mais um ano sem uma atividade específica para a folia de Momo. Se em outros cantos do país o carnaval movimenta milhões graças aos eventos ligados à época, em Toledo – que teve carnavais muito animados, inclusive na rua – o clima é de ressaca total, quase um anticlímax para a folia vista em tantos outros pontos, até mesmo do nada carnavalesco Paraná.

Exceção ao baile entre os integrantes dos Centros de Revitalização da Terceira Idade e em algumas escolas municipais, no panorama geral pode-se dizer que carnaval em Toledo representa apenas uma oportunidade para um descanso mais prolongado antes de enfrentar o ano que começa para valer no Brasil a partir de agora, como mostrou o JORNAL DO OESTE em sua edição especial do fim de semana.

As últimas tentativas de manter viva a tradição dos bailes de carnaval em Toledo não se repetiram em 2019, deixando quem aprecia um bom ‘ziriguidum’ na mão. Quem adora vestir uma fantasia precisou fazer as malas e pegar a estrada rumo a algum destino mais animado, haja vista que na cidade o clima neste feriado – que nem mais feriado é – era de calmaria total. Andar pelas ruas de Toledo no fim de semana prolongado foi de uma tranquilidade vista apenas em épocas semelhantes ou no fim de ano, quando aquele clima de dolce fa niente parece invadir a alma das pessoas já pensando num novo período prestes a se iniciar.

O carnaval, embora muitos não gostem, é uma representação cultural brasileira importante sobre vários aspectos. Uma indústria que movimenta milhões e gera empregos temporários e permanentes nos centros onde a festa é mais valorizada. Além disso, atrai turistas de várias partes do mundo, o que acaba também contribuindo para a economia nacional. Há ainda a questão de uma tradição que pouco a pouco vai sendo esquecida na capital da cultura, haja vista as crianças terem parcas opções para curtirem a festa.

Em Toledo o bloco está mais para o clima do “ô abre alas que eu vou descansar”...

Ampliar a concorrência

Quando se começou a falar em terceirização no Brasil a ojeriza em relação ao tema era imensa, especialmente entre os servidores públicos que não queriam perder seu quinhão tão diferenciado em relação aos demais trabalhadores comuns. Passadas décadas desde que este novo conceito de prestação de serviço público começou a ser adotado há bons e maus exemplos do quanto a terceirização mudou a vida dos brasileiros.

Um bom exemplo é o setor de telefonia que, embora tenha problemas, de maneira geral ampliou – e muito – o acesso ao serviço. Hoje praticamente só não tem telefone quem não quer, haja vista a variedade de operadoras e de pacotes à disposição, criando uma concorrência acirrada no setor. Em alguns casos uma concorrência feroz, é preciso reconhecer.

Em compensação há alguns setores onde a terceirização até hoje parece patinar, como é o caso da limpeza pública, seja na varrição de ruas, na limpeza de prédios públicos e na coleta do lixo. E Toledo sentiu na pele de novo este problema no fim de semana, quando os catadores entraram em greve por causa das más condições de trabalho e do não pagamento do vale alimentação. Não cabe neste momento discutir se os trabalhadores têm ou não muitos privilégios. Se é um direito conquistado é preciso pagá-lo e pronto!

O exemplo da telefonia precisa ser tomado para que em outros setores se amplie a concorrência, justamente para evitar situações como a que ocorre em Toledo, onde simplesmente se paralisa um serviço por existir uma empresa apenas o prestando. É mais ou menos o mesmo caso do transporte coletivo que, quando resolver parar...

É preciso que a administração pública – em todos os níveis – crie mecanismos de punição e de maior controle sobre estas empresas que exploram serviços públicos a fim de evitar situações como esta ocorrida no fim de semana, pois se o pagamento da administração está em dia, não deveria haver motivo para a paralisação. Ampliar o número de empresas que presta o serviço, dividindo a cidade em duas grandes regiões poderia ser um início, afinal, o que não se pode mais é uma cidade da importância de Toledo ficar refém de uma empresa apenas. Em qualquer setor.

Fraternidade e Políticas Públicas

“É preciso colocar Cristo em todos os lugares, inclusive no ambiente da política”, afirmou o padre André Mendes durante o lançamento da Campanha da Fraternidade 2019. O tema deste ano é ‘Fraternidade e Políticas Públicas’ inspirada pelo versículo bíblico: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27).

Conforme o documento da Igreja Católica Apostólica Romana, as políticas públicas são ações e programas desenvolvidos pelo Estado que visam garantir e colocar em prática direitos previstos na Constituição Federal e em outras leis.

A ideia consiste em promover reflexões sobre as Políticas Públicas para entender a maneira como elas atingem a vida do cidadão e as atitudes que podem ser tomadas para que elas possam avançar e como aprimorar sua fiscalização. O texto base diz  que “Ela é a ação Estado, que busca garantir a segurança e a ordem, por meio da garantia dos direitos”.

Aproximar a sociedade desse processo é uma das vertentes da Campanha. A Constituição Federal de 1988 garante a participação direta da sociedade na elaboração e implementação de Políticas Públicas. Essa contribuição popular acontece por meio dos conselhos deliberativos que estão divididos em quatro áreas: criança e adolescente, saúde, assistência social e educação.

O início das Políticas Públicas deve ocorrer no meio da comunidade, ao ver a necessidade do próximo, daquele mais necessitado. De nada adianta a sociedade criar resistência em relação à política. Bater o pé ao afirmar que no Brasil nada funciona, ou quase nada, se o cidadão cruzar os braços e esperar que outro lute por seus direitos.

A Campanha da Fraternidade quer plantar uma sementinha de interesse pelos assuntos voltados a nossa volta. Afinal, saúde, educação, segurança, saneamento básico é para todos. O primeiro passo pode ser participar da reunião de associação de moradores do bairro. Ir a uma audiência pública e ajudar a contribuir na formatação dos projetos de lei que irão interferir na vida da comunidade.

Para o bispo diocesano dom João Carlos Seneme também cabe a Igreja incentivar os cristãos. “Com a luz da palavra de Deus e da doutrina social da Igreja é possível fortalecer a cidadania e promover o bem comum. Esse é o objetivo da Campanha”.

Os animais na pauta

A elaboração do Código de Conduta em relação à Proteção Animal em Toledo é um avanço, pois representa uma bússola indicando qual caminho as entidades – e as pessoas – que cuidam dos animais deverão seguir daqui por diante. Até hoje todo trabalho foi feito na base do empírico, da tentativa e erro. Mais no erro que no acerto é bem verdade. Importante também que este documento não vai se restringir a cães e gatos, a parte mais visível dos maus tratos a animais. Será mais amplo, atingindo ainda questões voltadas à pesca e animais de tração.

Evidente que a proposta ainda precisa ser aprovada na Câmara de Vereadores, onde será possível até mesmo melhorar o texto elaborado em conjunto. E aí é preciso enaltecer o envolvimento dos órgãos responsáveis pelo setor em Toledo, pois houve um esforço conjunto desde maio de 2016 para se chegar ao mais próximo daquilo que se imagina ser o ideal. E algumas ideias são recorrentes nas páginas do JORNAL DO OESTE, que em várias oportunidades apontou a necessidade da chipagem dos animais comercializados e a responsabilização de quem os abandona à própria sorte nas ruas. Um crime que, sim, precisa ser combatido não apenas pela questão do próprio animal, mas porque acaba se tornando um problema de saúde pública.

A castração é outro tema ao qual este veículo se debruçou durante anos. Isso sem mencionar os relatos de abandono de animais constantes e que deixam indignados os apaixonados pelos ‘bichinhos’. Também o Código de Conduta será importante para acabar com as ajudas informais e que têm provocado muita confusão. Somente por esse aspecto já vale a pena sua aprovação.

Talvez não seja a solução para todos os problemas, entretanto, como já ressaltado, o Código de Conduta representa um avanço significativo para uma cidade que traz como seu ‘mascote’ o Porco e onde tanto se enxergam animais com seus alegres donos passeando por todos os lados. Ah, claro, nem todos seguindo as regras básicas de convivência em sociedade e juntando os ‘restos’ deixados por seus animais. Mas essa postura precisa de outro Código de Conduta, mas esse requer muito mais paciência porque envolve cidadania.

Um dia histórico

Esta será uma quinta-feira histórica para o servidor público em Toledo, afinal, de uma só vez o prefeito Lucio de Marchi (PP) vai sancionar quatro projetos de lei: o que trata da questão da gratificação aos engenheiros e arquitetos; o que cria o piso mínimo inicial para o quadro geral de servidores; o que estabelece o piso mínimo salarial aos agentes comunitários de saúde e agentes de combates a endemias; e ainda o do reajuste salarial anual. Um dia 28 de fevereiro para entrar na história por corrigir uma distorção que se arrastava por anos, afinal, é impensável um trabalhador receber menos que o salário mínimo vigente.

Exceção à questão da gratificação ao corpo técnico, pois esta é uma medida que precisa ser analisada com mais cautela, os demais projetos demonstram o quanto o atual prefeito se preocupa com a melhoria da qualidade de vida do servidor público. Embora tenha tomado atitudes antipáticas aos olhos do servidor, certamente estas ajudaram a chegar à cerimônia de hoje, afinal, não fosse o reequilíbrio financeiro dentro da Prefeitura de Toledo, quem sabe ao invés de estar assinando projetos benéficos não estaria anunciando medidas ainda mais draconianas para evitar um colapso que se verifica em tantos outros municípios país afora.

Lucio pode ser acusado de muitas coisas, entretanto, jamais em não se preocupar com o funcionalismo, até porque ele próprio é servidor e sabe de sua importância na manutenção e no funcionamento da administração pública. Todavia, também como servidor no mais alto cargo dentro desta gestão, Lucio tem plena consciência sobre a necessidade de não se abrir as torneiras e manter a gestão controlada a fim de evitar o desequilíbrio visto nos últimos anos em relação ao gasto acima do previsto em lei com a folha de pagamento. O limite prudencial voltou a ficar controlado graças à responsabilidade e ao corte de benefícios que hoje não são mais possíveis, mas que infelizmente algumas pessoas – e dirigentes sindicais – insistem em não enxergar porque não lhes é conveniente agir dessa forma. Os tempos mudaram e só não percebe quem é cego ou desprovido de bom senso.

Fim de feira...

...é uma expressão usada quando a feira, aquela tradicional, de rua mesmo, vai chegando ao fim e os produtos que sobram são vendidos quase numa insana promoção porque é melhor liquidar com tudo a ficar com o ‘estoque’ parado. É mais ou menos a expressão que pode ser usada para a decisão da diretoria da Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit) em relação à Feira Shopping, que não terá edição este ano por uma questão mercadológica, conforme explicações da própria diretoria. A Acit, como entidade mantida com recursos próprios, tem total liberdade para decidir o que fazer com seus eventos, entretanto, como a maior entidade representativa da cidade deveria agir de maneira mais transparente em relação a um dos maiores eventos do segmento não apenas da região, mas de todo o Paraná.

A Feira Shopping não poderia ser tratada apenas como um evento particular da Acit, até porque não o é! É um evento da cidade, que atrai milhares de pessoas – inclusive de outros municípios – e, como tal, deveria ser tratada de uma forma diferente. Se a feira dá prejuízo ou precisa de uma ‘nova roupagem’, então que se planeje melhor como fazer, mas daí a simplesmente riscá-la do mapa de uma hora para outra e às vésperas de uma nova edição é agir sem a menor preocupação com aquilo que pensa a sociedade a respeito da entidade que merece respeito pelo seu envolvimento histórico com algumas das principais causas do desenvolvimento local e regional, mas que age neste episódio como alguém que levou o fora da pessoa amada e age por impulso.

Pior ainda é afirmar que a feira poderá voltar a ser realizada anualmente a partir de 2020. É uma declaração que brinca com a inteligência e o bom senso da comunidade. É vender uma falsa ideia! A Feira Shopping virou uma tradição que, sim, poderia ter melhores resultados comerciais, entretanto, não foram poucas as vezes que empresários com cargos na diretoria da entidade frisaram a importância do evento para fortalecimento da marca e relacionamento com potenciais clientes. Agora, num passe de mágica, a feira virou uma doença incurável a ponto de ser erradicada por completo e de maneira súbita.

Por sua história, por sua importância, a Acit não é mais uma entidade meramente empresarial e, como tal, em algumas situações deveria pensar no lucro social e não apenas no financeiro. Ao não realizar a Feira Shopping deste ano, o pensamento vai justamente apenas para o bolso.

Um feito histórico!

Todo feito histórico merece ser comemorado, lembrado, registrado. Todo feito histórico merece o devido destaque. E todo feito histórico é construído por heróis que contribuem para moldar um momento para ficar eternizado na memória de quem está diretamente ligado a ele. E o elenco do Toledo Esporte Clube entrou para a galeria dos imortais do universo do futebol ao conquistar a Taça Barcímio Sicupira. Um feito inédito, histórico e que, sim, merece ser – muito – celebrado. Um feito que talvez jamais volte a se repetir, como tantos outros corajosos que se atreveram a se intrometer no mundo particular dos chamados grandes do futebol paranaense.

O feito de Toledo merece destaque porque não apenas coloca o Porco na decisão do Campeonato Paranaense da primeira divisão, por si só um feito inédito. Mas também porque garante ao clube uma temporada inteira em 2020, algo inédito também, nem tanto pela vaga na Série D do Campeonato Brasileiro, competição da qual o Toledo já participou, mas pela chance de escrever uma nova história ao participar pela primeira vez da Copa do Brasil, a mais democrática e imprevisível competição do futebol nacional.

E quem seria o herói dessa conquista do Porco?

Difícil apontar um nome apenas, pois esta é acima de tudo uma conquista coletiva de um elenco humilde que se agigantou diante dos gigantes do futebol estadual e chega merecidamente à decisão. Mas é impossível não exaltar a grandeza de um ‘nanico’ chamado André Luiz. O goleiro do Toledo talvez seja a personificação de um grupo. Ele carrega consigo a humildade de quem nasceu no interior do estado e sonha em ver o nome da cidade alçar voos mais ousados.

André Luiz soube segurar a pressão em vários momentos das partidas deste turno, demonstrando o espírito guerreiro de um grupo pressionado. Assim como o próprio time, André venceu a desconfiança de quem o achava pequeno para a posição. Compensou a estatura com técnica refinada e uma disposição muito acima da média. Dedicou-se de corpo e alma ao jogo em sua totalidade, tal qual cada atleta que esteve em campo carregando consigo o sonho não apenas de uma cidade, mas de todo interior do Paraná diante da decisão contra o Coritiba, na capital. Um feito histórico e que a cidade agradece, a André e suas defesas milagrosas, assim como a todos que construíram de maneira humilde um grupo vencedor. Porco!!! Porco!!!