Editorial
Árvores como testemunhas

A mensagem do diretor Camilo Vanzetto, durante a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do futuro colégio estadual do Jardim Gisela, é o retrato fiel de um Brasil cujos sonhos não terminam, por mais que a realidade seja completamente diferente daquela esperada. Recordando uma reportagem do Jornal do Oeste de 2006, o diretor mencionou que um dos alunos, durante o plantio de árvores no espaço onde deveria já estar construída a escola, afirmou que gostaria de ver as árvores crescidas junto com o prédio. As árvores lá estão, frondosas, enquanto a escola não passa de uma simples pedra fundamental.

As árvores são testemunhas do descaso de vários governos estaduais para com Toledo e aí fica complicado compreender como ainda existem pessoas com coragem para defender o indefensável, afinal, em todos estes anos – são décadas de espera – não houve um governador sequer com vontade política de resolver este crônico problema de falta de estrutura física para os alunos que até hoje se amontoam no prédio da escola municipal, compartilhada para poder atender uma das regiões que mais cresceram em Toledo nos últimos anos.

Embora ainda com atraso ao menos agora o governador Beto Richa (PSDB) teve a vontade em fazer acontecer, fruto também do esforço dos deputados Dilceu Sperafico (federal) e José Carlos Schiavinato (estadual), além da sensibilidade do chefe da Casa Civil Valdir Rossoni.

Como é triste perceber que isso se repete tantas e tantas vezes em Toledo, uma cidade cujo potencial é gigantesco e com uma organização invejável quando comparada à maioria dos milhares de municípios brasileiros. São obras que demora anos para sair do papel – quando saem. São contratos superfaturados, aditivos intermináveis, prazos prorrogados à exaustão. Atrasos e mais atrasos que custam muito, não apenas aos cofres públicos, mas à sociedade como um todo.

Obras inacabadas e inauguradas com toda pompa e circunstância. Em algumas são tantas placas que seria possível ergue outra obra com tanta pedra e cobre. Obras entregues apenas na ‘casca’ e pintadas de um amarelinho condizente com a situação, afinal, os ‘patos’ do lado de cá preferem não reclamar das ‘raposas’ do lado de lá e, no meio desse pacto da mediocridade surgem as ovelhas que um dia, pelo visto, ou serão patos ou raposas.

Uma falha não justifica outra

O JORNAL DO OESTE traz na edição desta sexta-feira um assunto polêmico, mas que ao mesmo tempo não deveria ser, afinal, se existem leis e regras, estas devem ser cumpridas, independente por quem. Mas no Brasil do tudo pode, do jeitinho, do apadrinhamento e dos interesses particulares quase sempre se sobressaindo ao público, não deixa de ser uma situação comum. No caso específico está sendo debatida a proliferação de creches particulares sem atender aos requisitos legais pertinentes. Creches clandestinas disfarçadas de bibliotecas, de espaços kids e outros artifícios usados para driblar a lei.

Há os que defendam a prática por entenderem ser esta a única forma de resolver a falta de vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil na rede pública, até porque os preços praticados pela iniciativa privada não estão ao alcance de uma esmagadora maioria de famílias toledanas, fruto de uma crise econômica – social e moral – que parece não ter fim e que aparentemente para alguns parece ser o melhor caminho para evitar o reequilíbrio de uma nação desequilibrada nos últimos tempos.

Embora se compreenda a necessidade de muitas famílias em deixarem seus filhos num local minimamente adequado e também a necessidade de muitas pessoas em montarem um negócio próprio para sobreviverem ao momento, ainda assim existem regras e, quando se trata do atendimento a crianças, é preciso estar mais atento do que nunca. Embora, felizmente, não se tenha notícias de maus tratos a crianças ou quaisquer outras denúncias neste sentido ou de gravidade parecida, ainda assim muitos destes estabelecimentos burlam as regras, numa concorrência desleal com quem tem profissionais capacitados e cujo valor de manutenção é proporcional aos investimentos – e à fiscalização realizada.

É preciso encontrar uma solução onde prevaleça o bom senso. Oferecendo a estes estabelecimentos prazos para adequações, orientação sobre o que é preciso para abrir um negócio neste setor, entre outras medidas capazes de atender às necessidades de quem precisa de um local e de quem precisa trabalhar. Para isso será fundamental o papel do Conselho de Educação e do Ministério Público no auxílio à Secretaria Municipal de Educação. O problema existe e agora é preciso – e urgente – a busca de soluções.

Reclamar direito

O brasileiro é um povo que adora reclamar. Reclama praticamente de tudo e de todos, talvez fruto da herança desta cultura maldita de receber tudo de mão beijada do Estado paternalista que o próprio brasileiro ajudou a construir e hoje é um dos grandes entraves para as mudanças necessárias não apenas para tirar o país do atoleiro no qual se encontra, mas principalmente para preparar a nação aos futuros desafios e que se tornam com o passar do tempo mais difíceis de serem superados diante da inércia de uma sociedade que reclama, mas reclama errado.

É preciso aprender a reclamar direito!

Reclama-se da classe política, porém, a esmagadora maioria dos ocupantes de cargos públicos envolvidos em algum tipo de irregularidade consegue se reeleger muitas vezes até com mais votos que antes; reclama-se da loja que entregou o produto errado, porém, ao invés de ir ao Procon registrar uma queixa são mensagens postadas na ‘terra de ninguém’ chamada Facebook; reclama-se da qualidade do serviço público, mas da mesma forma a contestação fica apenas no campo das redes sociais; e assim é com o transporte público, com a segurança e com tantas outras áreas onde, ao invés de ficar apenas reclamando aos ‘amigos virtuais’, o cidadão deveria registrar uma reclamação formal nos órgãos competentes.

Sim, nem sempre as mudanças acontecem, entretanto, de tanto haver reclamação surgiu o Código de Defesa do Consumidor que pode ter lá suas falhas, mas é um instrumento fundamental para corrigir eventuais falhas na prestação de serviço entre consumidor e vendedor.

Reclamar direito é o começo da mudança de cultura, até para quem ocupa cargos temporários de poder passem a compreender a necessidade de ouvir as ruas, não em protestos desvairados e financiados com dinheiro público ou suspeito, mas a verdadeira voz das ruas, aquela que sofre na fila do banco, nos ônibus velhos e lotados, no mau atendimento na hora de uma compra, no péssimo serviço público prestado em determinadas situações, enfim, a voz de quem sofre na pele os desmandos de um país que sonha ser do futuro, porém, mal consegue se sustentar no presente.

Não é expressão. É sujeira mesmo!

No Brasil, um país de todos, nos últimos tempos tudo foi permitido. E numa proporção abissal, tanto que a intervenção das Forças Armadas no Rio de Janeiro é apenas a ponta de um icerberg que se manifesta em situações bem menos preocupantes, mas igualmente afrontosas para a maioria da sociedade que ainda sonha com um país melhor, mais justo e equilibrado; um país onde a cultura não seja dessa permissividade exagerada, muito menos do jeitinho a qualquer custo.

Em Toledo, por exemplo, nos últimos dois anos o número de pichações cresceu nada menos que cinco vezes e, embora os números ainda sejam baixos em relação a outros municípios, ainda assim é preciso estancar este problema para evitar que daqui a pouco a cidade inteira esteja tomada não pela arte de grafiteiros ou pela livre expressão de grupos oprimidos, até porque pichação é sujeira mesmo!

No caso de Toledo, além de propriedades particulares, três espaços públicos foram alvos de vandalismo, sim, porque quem faz tal ação é um criminoso. Age nas sombras e se aproveita da fragilidade na fiscalização para agir se maneira covarde contra todos os cidadãos que pagam seus impostos. Os banheiros públicos do Parque Ecológico Diva Paim Barth, o Ginásio de Esportes Alcides Pan e o Teatro Municipal são os mais claros retratos dessa inversão de valores que se tentou pregar no Brasil e que, embora ainda haja alguns resquícios, felizmente não teve êxito.

As pichações feitas nestes – e em tantos outros locais pela cidade – são uma afronta contra a sociedade e precisam ser combatidas com o rigor que a lei exige, embora ela também seja branda em relação a este tipo de crime. Há alguns anos o então vereador Tita Furlan (PV) tentou apresentar um Projeto de Lei na tentativa de aumentar o rigor caso alguém fosse pego cometendo este tipo de crime. Foi derrotado por uma Câmara em sua maioria defensora de uma ideologia furada e que levou o Brasil à bancarrota, não apenas financeira, mas moral e social, aprofundando ainda mais as mazelas que a maioria de quem mora neste país tropical tão bem conhece.

Quando a chuva parar...

...Quando o tempo abrir...Abra a janela e veja eu sou o sol. A música de Ivete Sangalo pode ser aplicada à situação constante que tem ocorrido em Toledo, onde nem o sol escaldante do verão tem sido capaz de evitar os constantes alagamentos em ruas e avenidas em vários pontos da cidade em dias de chuva. E nem precisa ser assim tão abundante quanto à do fim de semana para os problemas começarem, assim como também as críticas à Prefeitura, críticas estas infundadas em relação à atual administração, até porque em nenhum dos pontos alagados a culpa pode ser atribuída a esta gestão.

Além disso, é preciso reconhecer que a limpeza das ‘bocas de lobo’ estão sendo feitas, assim como obras para melhoria do sistema de escoamento de água, como está sendo feito na Cerro Corá – que alagou de novo. O problema não é de agora na Parigot de Souza, no Jardim Coopagro, na Carlos Barbosa (Vila industrial), na esquina do lago municipal com o shopping, enfim, em tantos outros pontos. Até porque a atual administração brecou a liberação de novos loteamentos. Mais de 50 empreendimentos ficaram um bom tempo na ‘geladeira’ por apresentarem algum tipo de irregularidade.

Irregularidades que não foram apontadas em gestões passadas, afinal, como explicar tantos alagamentos de uns anos para cá? Nem é preciso ser muito detalhista para perceber a baixíssima quantidade de pontos de escoamento das águas pluviais em vários novos loteamentos em Toledo e isso vai acabar refletindo em algum lugar. Como se não bastasse, nem todos cumprem a lei para deixar um percentual do terreno para permeabilidade do solo, aumentando ainda mais o problema e causando as verdadeiras enchentes verificadas no fim de semana.

Será preciso uma ação intensa de fiscalização em todos os loteamentos, com prioridade evidente para os pontos mais críticos a fim de se corrigirem as falhas, tal qual foi feito na região próxima ao quartel do Corpo de Bombeiros. E que demorou para acontecer! Sem esse tipo de fiscalização será impossível não se repetirem as cenas de carros e pessoas trafegando com a água numa altura preocupante, sem mencionar os prejuízos de um bom número de famílias cujas casas são invadidas pela água até quando a chuva parar...e o tempo se abrir...

As máquinas voltaram...

Ainda é tímida a movimentação das máquinas em torno do trecho da BR-163 entre Toledo e Marechal Cândido Rondon. A promessa é de que, a partir de segunda-feira (19), o ritmo seja bem mais intenso, tanto que o prazo para conclusão de uma parte das obras foi antecipado para novembro ao invés do fim de ano. Não, o leitor não leu errado: será apenas uma parte das obras, mais precisamente um trecho de 15 quilômetros e dois viadutos, um no entroncamento da Ministro Cirne Lima e outro com a Barão do Rio Branco, pontos críticos do tráfego na rodovia.

A resposta – e oficial – é que o dinheiro liberado dará apenas para isso. É como se os responsáveis pela duplicação dissessem assim: É o que tem para hoje! Embora seja pouco diante da importância que este pedaço do Oeste paranaense representa para a economia nacional, ainda assim é melhor do que nada. Triste uma vez mais observar o cidadão brasileiro que no país do caos, onde é preciso a intervenção militar para tentar devolver o Estado do Rio de Janeiro aos seus verdadeiros cidadãos, obras importantes, vitais para o desenvolvimento vão sendo erguidas como fossem um gigantesco quebra-cabeça. Pior: um jogo caríssimo, superfaturado, atrasado!

A duplicação da 163 – e não apenas entre Toledo e Marechal Cândido Rondon – já deveria ter sido concluída há décadas. Quem trafega em direção ao Sudoeste precisa ter muita, mas muita paciência para percorrer o trecho entre o posto da Polícia Rodoviária Federal e o trevo de acesso a Capanema e Realeza, depois do rio Iguaçu, haja vista a falta de trechos de ultrapassagem por causa das intermináveis obras que agora parecem não ter mais fim porque as máquinas por lá também haviam sumido.

Mas não! (A duplicação) Vai sendo empurrada enquanto milhares de pessoas sofrem acidentes ano após ano, com vidas sendo perdidas pela irresponsabilidade de governantes preocupados apenas em aparecer em fotos e terem seus nomes eternizados em placas de bronze como fossem semideuses travestidos de um poder sobrenatural. Infelizmente não são! São brasileiros como todos os outros, porém, com o ‘poder’ nas mãos.

Completo e incompleto

De um lado o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais denuncia a falta de professores em sala de aula; do outro a Secretaria Municipal de Educação em Toledo garante que o quadro está completo. No meio desse jogo verborrágico quem fica sem entender nada é o aluno, que recomeçou o ano letivo entre o completo e o incompleto. Os dois lados tem lá suas razões, afinal, faltam professores em sala, mas o quadro funcional está completo pelo chamamento de novos profissionais.

O que nenhum dos lados ataca de maneira mais contundente é o real motivo para essa opinião tão distante sobre o mesmo assunto. E atacar o problema é meter o dedo na ferida para compreender por que tantos professores estão com atestado médico. E isso que o ano letivo começou há apenas dois dias! Antes mesmo das aulas começarem era grande o número de profissionais afastados. Quais os motivos para isso?

Para o sindicato esse é um assunto proibido, capaz de render algum processo por calúnia, difamação ou assédio moral, afinal, os professores são mal pagos, perseguidos, desrespeitados. Para a secretaria é preciso ter todo zelo para abordar a questão pelos mesmos motivos recém citados. E, em meio a este ‘blá, blá, blá’ a impressão é que a profissão de professor se tornou uma espécie de divindade extrema, a qual deve ser seguida sem questionamentos.

Ora, quando um município onde se paga um salário decente, condizente com a carga horária contratada, onde se tem uma condição razoável na maioria das escolas e onde existe capacitação e respeito constante por parte dos gestores, fica difícil explicar aos pais essa absurda falta de professores em sala. De nada adianta um quadro completo se o lugar de professor é na sala de aula. Funções administrativas deveriam ser exercidas por pessoas de outros setores. Professor aprendeu para ensinar e assim deveria ser. Mas não tem sido para um número considerável de profissionais.

Se há má remuneração que se faça um esforço para melhorar o valor; se há perseguição que se apontem – e se punam – os culpados; se não existe respeito que se estabeleça o diálogo; e se há corpo mole que se puna da mesma forma!

Quando o Estado está presente

Na edição de terça-feira, em pleno Carnaval, enquanto milhões de foliões se esbaldavam país afora curtindo a folia de momo, o JORNAL DO OESTE destacou em sua edição o trabalho exemplar desenvolvido pelas equipes de policiais lotados na 20ª Subdivisão Policial em Toledo na solução de homicídios, taxa que tem se mantido muito acima da média estadual há tempos graças ao esforço em campo e do trabalho de inteligência implantado e de eficiência indiscutível.

Há que se ressaltar ainda os trabalhos do 19º Batalhão da Polícia Militar e da Guarda Municipal que, junto com a Polícia Civil, formam um tripé onde se nota claramente a presença do Estado em sua forma mais contundente no combate à criminalidade. Não apenas isso: transmite ao cidadão de bem a sensação de segurança que tanto é necessária para evitar o caos no qual, por exemplo, o Rio de Janeiro se transformou e que diariamente se nota a deterioração social plena, intensa, preocupante.

Evidente que comparar as duas cidades seria um disparate, todavia, a lógica para entender alguns dos motivos para esse caos e a sensação de impotência do cidadão quase completa é rigorosamente a mesma: quando o Estado se omite abre lacunas perigosas onde qualquer um pode se instalar. E aí podem surgir movimentos como os infiltrados até a raiz nos morros cariocas ou nas fronteiras brasileiras com o Paraguai.

Em Toledo muito se evita graças a este esforço diário do combate ao crime – e aí independente do tamanho ou de onde aconteça – além dos investimentos públicos feitos no sentido de marcar território e oferecer às pessoas um mínimo decente de estrutura para se trabalhar e viver. O Rio um dia foi a Toledo de hoje e houvesse um pensamento diferente quem sabe a realidade não seria outra...

Quando o Estado está presente é importante, porém, mais que a simples presença é preciso dar o bom exemplo, exatamente para que se molde uma cultura positiva, pautada em valores sólidos e não na corrupção deslavada que atinge todos os níveis da estrutura pública, processo que a todo custo a sociedade de Toledo precisa estar atenta e cobrar para evitar esses desmandos se repetirem no âmbito local.

Discurso direto

Sem rodeios o secretário da Saúde de Toledo Thiago Daross Stefanello, durante reunião realizada na noite da última quinta-feira (8), trouxe à tona a dura – mas ainda esperançosa – realidade em relação ao Hospital Regional, um complexo hospitalar tão complexo quanto a política nacional, capaz de produzir situações como esta, onde um espaço público, tão necessário, foi concebido de uma maneira tão escabrosa que, não fosse a determinação de algumas pessoas, certamente seria um ‘elefante branco’ a mais para engrossar a lista tão extensa na vida dos brasileiros.

O secretário apontou falhas gravíssimas no projeto, desde sua concepção até a execução, isso sem mencionar serviços pagos e sequer executados. Duas situações saltam aos olhos: portas onde não passaria uma maca e a completa incapacidade de se ligar a energia elétrica. Erros grosseiros e que custaram – e custarão ainda – milhões aos cofres públicos, ou seja, dinheiro da população sendo tratado com completo desdém não apenas por políticos, até porque alguns destes erros foram cometidos por servidores públicos concursados e, portanto, protegidos por benesses que também ajudam a criar este tipo de situação.

Ao menos dessa vez não houve discursos eloquentes, promessas vazias, retóricas rebuscadas. Não! Dessa vez todos os agentes políticos se comportaram como deveriam no restante do tempo: com caráter, verdade e retidão. Os discursos apontaram os erros sem perseguição política ou ideológica, os dados mostraram as necessidades mais urgentes e foram apresentados prazos exequíveis. Foi um encontro proveitoso por este aspecto, porém, preocupante diante da consciência de, numa cidade com o potencial de Toledo, serem feitos projetos hospitalares ferem as mais elementares regras do serviço de saúde.

Agora é ter um pouco mais de paciência e acreditar na verdade repassada sem meias palavras pelos políticos responsáveis por levar o Hospital Regional a esta situação crítica para entrar em funcionamento. A promessa é que no dia 1º de julho deste ano ainda pelo menos 30 leitos entrem em funcionamento, assim como ao menos outros setores que trarão um suporte vital para a melhoria no atendimento em saúde pública na área da 20ª Regional de Saúde. Até lá o JORNAL DO OESTE seguirá na cobertura dos eventos que envolvem este complexo – e complicado – hospital.

Combate à violência

A Igreja Católica no Brasil dá mais um claro sinal do quanto anda ‘antenada’ com o atual momento pela qual atravessa o país desde a famigerada eleição de 2014, a qual transformou a nação em duas: azul ou vermelha. Ao escolher o tema da Campanha da Fraternidade deste ano ‘Fraternidade e superação da violência’ e o lema Vós sois todos irmãos (Mt 23,8), a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) demonstra uma sensibilidade extrema para tentar modificar este quase cenário de guerra civil que alguns querem implantar numa sociedade cuja maior característica sempre foi o respeito mútuo e à diversidade, fator reconhecido mundo afora.

No lançamento da campanha em Toledo também foi interessante observar a presença de defensores da Apac, a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados duramente criticada por uma parcela da sociedade local que pouco – ou nada – conhece sobre o sistema e criou um cavalo de batalha desde a eleição de 2016, quando um assunto técnico foi amplamente dominado por um discurso demagógico e politiqueiro.

Essa presença talvez tenha sido o maior exemplo do quanto é preciso se combater a violência, mas não apenas a física, até porque muitas vezes a pressão moral é tão ou mais dolorida que os efeitos de uma briga. E combater a violência é dar exemplo de civilidade e agir com base no diálogo e no respeito. De nada adianta, por exemplo, ir à missa – para se manter no campo da Igreja Católica – nos fins de semana, pagar o dízimo e sair por aí xingando quando se é fechado no trânsito ou vociferando contra quem não lhe atende porque não reconhece sua ‘autoridade’.

O combate á violência deve acontecer em todas as formas e somente quando isso voltar a acontecer no Brasil é possível ter esperança de um dia se viver num país melhor e mais justo, onde bravatas e galhofas foram – e são – usadas como o único caminho da salvação, mas que acabaram por criar um atoleiro que serão necessárias ainda muitas Campanhas da Fraternidade para começar a se mover de novo.