Editorial
Uma pesquisa que precisa ser compreendida

A pesquisa Perfil Toledo 2017, uma iniciativa do Instituto de Desenvolvimento Regional do Oeste do Paraná (IDR-Oeste) em parceria com a Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit), é um excelente indicativo sobre o comportamento do consumidor local e de suas necessidades, além de mostrar como anda o próprio comércio toledano e quais os pontos onde os empresários precisam atacar a fim de cativar ainda mais este consumidor cada vez mais arisco diante das inúmeras opções que o mundo virtual oferece.

Este é um ponto facilmente identificado nos dados apresentados nesta quarta-feira (7), o que reflete numa mudança de comportamento do consumidor. E isso não apenas em Toledo. Diante da facilidade de escolha, das opções de pagamento e até mesmo da entrega, hoje o consumidor prefere optar por comprar na internet a ser maltratado em alguma loja da cidade por estar mal vestido ou por apenas pedir informação.

Sim, o mau atendimento é outro ponto bastante destacado pelos consumidores toledanos, uma característica que tem sido difícil de ser modificada, mesmo com o constante investimento em treinamentos, em mudança de perfil, enfim, de ações com o objetivo único de mudar essa imagem negativa do atendimento em geral prestado ao consumidor em Toledo. Talvez seja apenas uma imagem, porém, é algo que precisa ser analisado com maior profundidade por parte de quem efetivamente tem o poder de decisão: os empresários.

Aliás, essa mudança de comportamento dos consumidores exige também uma mudança de comportamento dos próprios empresários, afinal, num cenário de crise econômica intensa como a que se vive no Brasil dos últimos anos, manter o consumidor fiel é não apenas uma questão de obrigação, mas de sobrevivência própria.

De qualquer forma a pesquisa é um bom indicativo para analisar aspectos até mesmo de como se dá a comunicação das empresas com seus consumidores, até porque, por exemplo, aplicativos e sites utilizam-se de meios tradicionais para ampliar a gama de clientes em potencial, algo que em nível local parece ser algo distante, quase como um pecado mortal.

Indústria da multa ou desrespeito?

Nada menos que 622 notificações de trânsito foram registradas pelos radares – fixos e móvel – da Guarda Municipal em Toledo. Isso apenas neste início de ano! Os dados são impressionantes e, claro, reabriram a discussão sobre a instalação de uma indústria de multas na cidade por parte da atual gestão. A mesma história usada na gestão passada e na anterior. Sempre que alguém leva uma multa ou se aperta a fiscalização é a mesma ladainha. Mais engraçado é observar vereadores, os quais deveriam exigir o cumprimento das leis e defendê-las, saírem por aí criticando a ação de fiscalização, como fossem os mocinhos os bandidos, quando na verdade não são!

Essa inversão de valores não se aplica apenas no trânsito, mas na sociedade brasileira em geral. Triste, porém, a mais pura realidade! Ora, as multas não brotam do solo fértil da seara chamada Toledo; as multas não são ‘invencionice’ de quem quer prejudicar este ou aquele; as multas não são emitidas sem uma infração ter sido cometida, até porque quando isso acontece é possível recorrer e se provar o contrário.

Se está havendo a aplicação destas multas é porque alguém está infringindo a lei. Alguém por acaso considera normal um veículo trafegar acima de 70km/h numa via urbana como em Toledo? É ‘normal’ ultrapassar o limite de velocidade?

OK, ‘esconder’ guardas atrás de postes e árvores com um radar na mão pode não ser a medida mais simpática e correta do mundo, entretanto, quando se trafega dentro da velocidade máxima permitida na via o agente de trânsito ou o radar pode estar escondido ou pendurado na árvore e até captar imagens de satélite que não haverá problema. Muito menos multas!

Se existe uma indústria da multa em Toledo é porque o próprio usuário é quem está ajudando-a a ser construída com seu comportamento agressivo ao volante ou no comando de uma moto, transgredindo a todo o momento regras elementares de qualquer trânsito do mundo. É preciso que o cidadão compreenda de uma vez por todas que a punição é proporcional ao erro, porém, infelizmente, o brasileiro não gosta de ser fiscalizado, muito menos punido. No país do vale tudo, vale até vereador criticar leis que deveriam ser respeitadas.

Situação triste

Quando dois médicos pediatras resolvem deixar de lado – ao menos por alguns instantes – suas tarefas profissionais para desabafar sobre a situação crítica sob a qual trabalham, é sinal do quão grave é o problema, ainda mais quando a situação em questão é a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Bom Jesus. O espaço, destinado a salvar vidas, precisa ser salvo!

Essa UTI está ultrapassada – em geral os equipamentos têm 18 anos de vida útil e, embora ainda cumpram seu papel, há outros mais modernos e eficientes – e com poucas vagas – são apenas 10 leitos para atender toda área de abrangência da 20ª Regional de Saúde. Somente a população de Toledo, com seus mais de 135 mil habitantes já necessitaria desta quantidade de vagas. Basta somar as populações dos demais municípios para perceber que a conta não vai fechar nunca.

Para piorar a situação, pessoas que moram em cidades do Mato Grosso do sul e Paraguai, próximas a Guaíra, buscam também o atendimento em Toledo, tornando ainda mais urgente a busca por uma solução, mas não com o objetivo de angariar frutos políticos. Ah, sim, até porque bastou o JORNAL DO OESTE divulgar em primeira mão a situação da UTI no Bom Jesus para surgirem os primeiros comentários no sentido de transformar o assunto numa batalha politiqueira sem sentido, até porque este não é um problema de agora. É fruto do descaso de anos de muitos políticos!

Portanto, não adianta querer agora aparecer como o salvador da Pátria, sendo que nesta história os únicos e verdadeiros heróis são os profissionais de equipes multidisciplinares na área da saúde que lutam diariamente para salvar vidas, mesmo em condições tão adversas como a falta de vagas.

O necessário agora é unificar esforços na busca por soluções, algumas emergenciais e outras em longo prazo, oferecendo a Toledo uma estrutura de saúde condizente com a importância econômica que a cidade representa em nível estadual, sendo uma das 10 maiores economias do Estado e detentora há anos do recorde no Valor Bruto da Produção Agropecuária.

Sem apoio não dá!

Neste domingo (4), no Estádio Municipal 14 de Dezembro, o Toledo Esporte Clube enfrenta o Paraná Clube em mais uma rodada do Campeonato Paranaense de um futebol que deveria ser profissional, mas que é gerido de uma maneira absurda fora das quatro linhas. Pior! Com a anuência de dirigentes que se amedrontam com possíveis punições, sejam elas oficiais ou não. Algumas pessoas criticam o JORNAL DO OESTE por não trazer mais notícias sobre o futebol profissional, dando ênfase a outras modalidades esportivas.

Como se não bastasse a concorrência hoje de sites especializados, canais de TV a cabo cujo assunto principal é sempre o futebol e a dinâmica das redes sociais, ainda há o descaso da Federação Paranaense de Futebol com a imprensa do interior. A questão do credenciamento para a cobertura dos jogos este ano é uma das situações mais absurdas já registradas, sendo que para os responsáveis em Curitiba tudo está na mais perfeita ordem, quando não está!

Chega de se calar para as arbitrariedades que, ao invés de facilitar o trabalho da imprensa, dificultam e tornam o Campeonato Paranaense um dos menos atraentes. Basta acompanhar a média de público nos jogos da Primeira Divisão, isso sem mencionar o descaso quase completo da imprensa nacional em relação aos clubes do Paraná, mesmo com dois representantes nas duas principais divisões do futebol nacional e com um campeão brasileiro em 2017, no caso o Operário, de Ponta Grossa, que venceu a Série D.

Diante deste cenário o JORNAL DO OESTE seguirá em sua política editorial de apoio irrestrito a qualquer modalidade esportiva, priorizando aquelas cujo espaço nem sempre é o devido diante da grandiosidade de adeptos. Embora o futebol ainda seja a grande paixão nacional, o amadorismo, o descaso e o desrespeito com a imprensa do interior no caso específico do Estado do Paraná apenas reforça a certeza deste veículo de comunicação em defender outras modalidades, além de defender a imprensa do interior que executa um trabalho digno, muito diferente da forma como seus profissionais são tratados por gente da capital que se julga acima do bem e do mal.

Abrindo o ‘Zoio’

Um dos assuntos mais comentados em rodas políticas nesta quinta-feira (1º) em Toledo foi a aproximação do PSL à administração do prefeito Lucio de Marchi (PP), que deverá provocar algumas mudanças naturais no jogo de acomodação que este tipo de movimento sempre causa. O PSL é o partido do vereador Antônio de Freitas, o popular ‘Zoio’, um dos mais ferrenhos críticos da gestão em seu primeiro ano de mandato, mas que tem em suas fileiras Leandro Moura, muito próximo do prefeito e não apenas por morar no mesmo bairro, mas por ter votado em favor da administração em muitos projetos polêmicos. Há ainda Marly Zanette, de Novo Sarandi.

Um triunvirato importante dentro da Câmara Municipal. Para se ter uma ideia, apenas o PP, do prefeito Lucio, tem bancada semelhante. Daí a naturalidade da aproximação, afinal, com mais estes votos a administração terá um pouco mais de calma para trabalhar e, quem sabe, evitar alguns erros grosseiros cometidos no ano de estreia à frente da administração. Além dos vereadores, Carlos Alberto Piacenti deverá ocupar cargo importante dentro da gestão, afinal, ele foi o grande arquiteto por trás da eleição deste grupo do PSL.

Movimentos naturais dentro do mundo político brasileiro e que se aproxima muito do ocorrido em nível nacional quando Michel Temer (PMDB) assumiu a Presidência da República e atraiu os plumados tucanos do PSDB para compor o Governo Federal, conseguindo dessa forma um lastro de tranquilidade dentro da Câmara Federal. O raciocínio é muito parecido com o ocorrido em Toledo. Dá para afirmar que a atual administração está abrindo o ‘Zoio’ – numa metáfora, claro, com o apelido do líder do partido – para tentar corrigir os problemas enfrentados em seu primeiro ano e, finalmente, conseguir colocar em prática projetos considerados vitais para o sucesso futuro.

Nunca é demais lembrar que em outubro há nova eleição e parte deste processo de aproximação passa pela disputa no âmbito estadual. Ah, claro, sem mencionar 2020, quando será preciso muito mais que apenas boa vontade para conseguir formar uma chapa em condições de uma eleição mais tranquila. Se Lucio de Marchi terminou 2017 receoso com sua bancada dentro da Câmara Municipal, começa 2018 muito mais tranquilo. Resta saber até quando.

Mudanças no EstaR

Ano passado, diante das mudanças implantadas pela nova administração no Estacionamento Regulamentado (EstaR), parecia o fim do mundo em Toledo. Críticas pesadas foram disparadas, sendo uma boa parcela de políticos interessados em criar um clima de terror. Era a velha politicagem sendo feita sobre um assunto estritamente técnico. A maior reclamação eram sobre o fim da tolerância dos 15 minutos, algo que se tentava explicar que não seria dessa forma, porém, a histeria generalizada impedia qualquer explicação lógica ser dada. A coerência deu lugar ao terrorismo.

Passados alguns meses, as mudanças sugeridas lá atrás vieram acompanhadas de outras implantadas gradativamente e que, embora ainda haja alguns problemas, foram importantes no sentido de promover um verdadeiro rodízio de vagas para estacionar no Centro da cidade. Os espaços de 15 minutos de parada com o alerta ligado resolveram parte do problema com o fim da tolerância, a ampliação do sistema para a região da Prefeitura promete melhorar a chance de encontrar um lugar de parada e o aplicativo lançado agora tornará o sistema muito mais eficiente e ágil.

Evidente que críticas ainda são feitas e acusações como a tal ‘indústria da multa’ volta e meia aparecem. Fantasmas de quem vive atrelado ao passado e não consegue perceber que algumas destas mudanças eram inevitáveis diante da inoperância do sistema até o ano passado, quando se teve coragem em mexer num sistema falho, politiqueiro e de amplo fingimento de todos os envolvidos.

Ainda é possível melhorar o sistema do EstaR em Toledo? Sim, é possível! Mas para isso seria necessária a contratação de mais agentes, a ampliação do sistema para outras ruas onde estacionar é um verdadeiro exercício de paciência, entre outros pontos tão ou mais complicados de serem resolvidos quanto os mexidos até agora pela atual gestão. É preciso, entretanto, ressaltar a vontade em tentar o melhor, em buscar o acerto e não ficar se escondendo atrás de medidas paliativas e prejudiciais ao sistema como um todo.

Movimentos pré-eleitorais

A visita da pré-candidata a deputada estadual pelo PRB Marli Vogt ao JORNAL DO OESTE é o primeiro passo no sempre complicado e surpreendente jogo eleitoral. Primeiro pelo apoio dado pela direção estadual do partido, um sinal claro neste sentido e d objetivo do PRB – e de várias outras legendas – visando o fortalecimento em nível estadual já pensando nas novas regras que serão aplicadas não nesta, mas na eleição de 2020, quando não mais serão permitidas coligações na chamada proporcional, justamente um dos grandes motivos para a oposição em Toledo ter atingido tanto êxito na eleição de nada menos que 10 vereadores.

Mover as peças de maneira correta agora em 2018 será fundamental na disputa municipal. Tanto em Toledo quanto em qualquer outro município, daí a necessidade deste pré-lançamento do PRB na cidade, algo que deverá acontecer com outros partidos muito em breve. Alguns deles têm agido nos bastidores, todavia, com a proximidade do prazo para desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos que sonham em disputar a eleição de outubro, essa discrição precisará ser deixada de lado.

São os movimentos pré-eleitorais tão comuns em outras épocas, mas que, diante das mudanças promovidas pela Justiça Eleitoral e no descrédito da classe política em geral diante dos últimos acontecimentos em nível nacional, tornaram-se mais discretos, até porque se antes alianças eram costuradas de maneira mais fácil, hoje tornaram-se extremamente complexas justamente diante deste novo cenário.

A indefinição na esfera federal, o que tem de certa forma atrasado a decisão no âmbito estadual, é outro fator complicador deste processo decisivo no ‘aquecimento’ para a verdadeira disputa marcada para outubro, mas que já começou, embora muitos dos atores principais prefiram evitar falar do assunto.

Além disso, as novas regras provocaram furor em praticamente todas as legendas, com muitas delas analisando se o melhor caminho é seguir arriscando tudo de maneira isolada ou construindo alianças e criando novos partidos, como aconteceu com o Podemos, entre outros que ensaiam os primeiros passos.

Se em eleições no Brasil esse momento pré-eleitoral era tenso, em 2018 ficou ainda maior diante de tantas mudanças e acontecimentos que colocam ainda mais dúvida não apenas na cabeça do eleitor, mas dos próprios políticos, sejam eles candidatos ou não.

Resposta rápida

Os recentes episódios no Terminal Rodoviário de Toledo, com uma agressão a um trabalhador e um assalto em plena tarde de domingo mostram a situação num dos pontos mais movimentados da cidade e porta de entrada e saída de inúmeras pessoas. Pessoas que podem não levar a melhor impressão justamente pelo amontoado de pessoas no entorno, isso sem mencionar os vários ‘acampamentos’ montados no local.

É perceptível o esforço do coordenador do espaço na busca de soluções, entretanto, todas até o momento são efêmeras diante do status quo estabelecido ali nos últimos anos. Graças a uma política de permissividade há quem enxergasse na rodoviária toledana uma oportunidade de viver e fazer do espaço público o que bem entendesse. Não funciona dessa forma! Ninguém é contra o direito de ir e vir, desde que regras mínimas sejam respeitadas, algo que não tem ocorrido. Ações pontuais foram feitas, todavia, o pontual precisa ser constante!

Quando assaltos passam a ocorrer em plena luz do dia é sinal que a presença do poder público é falha. Quando pessoas se sentem estimuladas a praticar sexo no banheiro público é sinal da incapacidade do poder público em administrar um espaço que é de sua responsabilidade. Quando os usuários passam a ter medo de frequentar um espaço público é sinal da omissão do poder constituído – e aí em todas suas esferas – em agir, com medo da reação de grupos de defesa dos direitos humanos, os quais não se manifestam quando cidadãos são agredidos ao chegarem ao seu local de trabalho.

É preciso dar uma resposta rápida a este avanço da marginalidade sobre a maioria da sociedade. É preciso enxotar – e talvez não haja termo mais adequado – quem insiste em desafiar a lei, em desrespeitar o convívio social, em burlar as regras. É preciso tornar outra vez seguro um espaço de altíssimo fluxo de pessoas e onde se tem a primeira impressão da cidade.

De nada adianta parques e praças bem cuidados, ruas asfaltadas, limpas e pintadas se a sensação de insegurança nos espaços públicos for crescendo como tem ocorrido com frequência no Terminal Rodoviário.

A água como fonte da vida. E de renda!

Toledo está situada numa região privilegiada quando se trata de água doce. Numa posição estratégica sobre o Aquífero Guarani, a cidade possui rica bacia hidrográfica, como mostra reportagem especial na edição deste fim de semana. Mas esta posição não impede que Toledo sofra as consequências de períodos de seca intensa, haja vista as dificuldades de abastecimento quando em épocas assim. Daí a necessidade de investimentos constantes na preservação da mata ciliar, na recuperação de nascentes e na exploração consciente das fontes naturais de água, fonte da vinda e de renda.

Mas não basta apenas este esforço agora. É preciso ampliar a proteção às nascentes, sem necessariamente haver prejuízo na produção agropecuária da cidade ou da região, ainda mais quando se tem um gigantesco plantel de aves e suínos que precisa de uma quantidade proporcionalmente gigantesca de água para se manter. É preciso compreender também que a água será, guardadas as proporções, o petróleo do futuro, haja vista a demanda cada vez maior pelo líquido precioso e que nem sempre é tratado com o respeito que merece.

Por mais complicado que possa parecer tratar deste assunto numa área onde a aplicação de agrotóxicos é imensa e há pouca área de mata nativa, ainda assim as iniciativas realizadas nos últimos anos ao menos conseguiram frear o desmatamento e manter a proteção a nascentes importantes e que abastecem os mananciais.

Mas ainda há muito a ser feito e basta observar o exemplo do Arroio Marreco para se ter a comprovação desta necessidade. O local é alvo constante de espuma, sinal de sua poluição. Isso sem mencionar a liberação irresponsável recente de novos loteamentos às margens de rios, áreas de proteção ou de mananciais.

Para o futuro não bastará a Toledo estar nesta localização estratégica sob a ótica da água. Será preciso estabelecer outras políticas a fim de ampliar este cinturão verde de proteção. E este trabalho precisa começar hoje e não amanhã, sob pena dos efeitos serem tardios demais para uma solução eficaz.

Longe do fim

Um dia após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região não apenas confirmar, mas aumentar a pena da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 12 anos e 1 mês de prisão, o Partido dos Trabalhadores organizou um ato político confirmando seu nome como pré-candidato na eleição de outubro. Isso mesmo sabendo que, pela Lei da Ficha Limpa, não terá sua candidatura oficializada pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE).

Lula foi mais além: disse que não respeitará a decisão da Justiça, Lula conclamou os militantes a defendê-lo nas ruas e pregou o enfrentamento político. Lula chegou a se comparar a Jesus Cristo, ao afirmar que ele foi condenado à morte. Age o ex-presidente como um mártir, fechando os olhos – assim como seus seguidores – aos erros gravíssimos cometidos durante sua gestão e na de sua sucessora Dilma Rousseff.

A decisão de Lula – e do PT – é muito clara: estender ao máximo o caos com o único objetivo de tumultuar o ambiente eleitoral e levar o país ao abismo propício para mártires e salvadores da pátria se apresentarem como a única solução na direção da salvação. Um absurdo descabido, mas perfeitamente compreensível para quem consegue se desprender um pouco das paixões ideológicas e partidárias e analisar os movimentos silenciosos efetuados no país nos últimos anos que só poderiam mesmo levar a este ponto crucial para o futuro da democracia na nação tropical e tupiniquim.

O ex-presidente afirmou que sua defesa vai recorrer "naquilo que for possível" sobre a decisão do TRF-4, acusando ainda os desembargadores de terem tomada uma decisão política com o objetivo dele, Lula, não voltar à Presidência da República. A mesma voz que hoje condena é a mesma que dias atrás elogiou a mesma turma de desembargadores do TRF-4 quando esta reduziu a pena de petistas envolvidos na Operação Lava Jato, entre outras decisões técnicas que fizeram Justiça na visão de quem segue a estrela solitária.

Para Lula e seus fiéis escudeiros, justiça boa é aquela que lhe atende em todos seus mais sórdidos desejos. Bom é quem está ao seu lado! Ora, o Brasil não é um feudo e sua sociedade não pode ser tratada dessa forma. Mas para Lula e o PT pode!