Editorial
A Justiça de olhos fechados, mas braços abertos

Independente do resultado do julgamento do recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre (RS), o que se viu nesta quarta-feira (24) foi mais um passo firme rumo à maturidade do Brasil enquanto nação, haja vista suas instituições constituídas exercerem seu papel de maneira correta, coerente e, acima de tudo, transparente. Se antes as decisões judiciais eram tomadas em portas fechadas, hoje é perceptível uma Justiça que segue de olhos fechados, mas de braços abertos para se mostrar a quem quiser.

E quem quis acompanhou todos os detalhes da decisão de ontem. O site do JORNAL DO OESTE, por exemplo, desde o início disponibilizou um link direto com imagens geradas pelo TRF4, sendo possível conferir os detalhes das entranhas da Justiça Federal. Mas este processo de transparência não é de agora. Há algum tempo os juízes e desembargadores perceberam a necessidade de ter a sociedade ao seu lado e não contra, daí a abertura dos julgamentos através de canais fechados de televisão ou dos canais conhecidos na internet, como redes sociais e canais específicos que transmitem as sessões.

Embora a Justiça ainda seja questionada por causa de determinadas decisões, em especial quando integrantes do Supremo Tribunal Federal agem como impulsionados por motivações conflitantes com a responsabilidade do cargo que ocupam; também deve ser questionada quando alguns benefícios – como auxílio moradia de até R$ 4 mil – são mantidos enquanto em geral o cidadão brasileiro amarga uma nação torpe em vários sentidos e sente na pele a distinção da Justiça quando não se tem milhões para a contratação de advogados renomados.

Em Toledo esta nova posição da Justiça também se faz notar, seja pelo próprio comportamento dos magistrados, seja pelos inúmeros projetos desenvolvidos na esfera local que tem permitido um acesso bem mais simplificado e com decisões mais ágeis.

O resultado de um julgamento até pode ser questionado, ainda mais quando envolve um ex-presidente da República, todavia, este novo processo não! Este novo momento da Justiça brasileira, onde é possível a leigos acompanhar os debates antes restritos a togados, é um sinal claro do quanto se avançou na consolidação do Estado de Direito, mesmo muitas vezes o Estado ao invés de direito aja torto.

O silêncio no Parque

Triste acompanhar o fechamento do Parque das Aves localizado no interior da mata no Parque Ecológico Diva Paim Barth. Embora o local não passasse de uma gaiola com dimensões enormes, ainda assim era um forte atrativo para crianças e turistas que gostavam de se embrenhar no mato para observar alguns pássaros hoje raros em seus respectivos habitats. As adequações exigidas pelo Ibama, segundo declarações do secretário do Meio Ambiente Ademir Paludo, eram inviáveis para o atual momento vivido pela administração da Prefeitura de Toledo e a melhor solução foi fechar o espaço e transferir os animais para outros locais.

Não seria possível fazer como acontece em Foz do Iguaçu, onde o Parque das Aves funciona com cobrança de ingresso justamente para auxiliar na manutenção do espaço? Não seria possível estabelecer uma parceria com a iniciativa privada, como está acontecendo na retomada do TooPedalando? O mesmo TooPedalando extinto na gestão passada pela mesma alegação: o projeto dava prejuízo!

Ora, administração pública não pode ser pensada apenas sob a ótica econômica, embora seja imprescindível gerir o serviço público de maneira equilibrada e coerente, entretanto, há o lucro social e os dividendos extras que atrações como o Parque das Aves pode proporcionar para uma cidade. Quando não se tem belezas naturais como Foz do Iguaçu, por exemplo, é possível criar ‘artifícios’ capazes de atrair as pessoas.

E Toledo é um belíssimo exemplo disso com seus parques e praças, com seu show da virada no fim de ano. O Aquário Municipal, acanhado é verdade, tem filas se formando de pessoas ávidas por conhecer os peixes da região. Com o Parque das Aves era a mesma situação, especialmente atraindo as crianças que ficavam encantadas com o que lá viam.

Oxalá um dia os responsáveis por projetos em Toledo pensem de maneira mais contínua, permitindo não apenas a manutenção e determinados projetos, mas a própria expansão. Ao invés de fechar o local, por que não transferi-lo, por exemplo, para o Parque do Povo Luiz Cláudio Hoffmann, onde seria possível criar novas estruturas e atrair mais pessoas também para aquele local, inclusive com a cobrança de uma taxa de visitação revertida em sua manutenção. Opções que muitas vezes não passam pelas mentes brilhantes que optam pelo caminho mais fácil da extinção pura e simples.

O efeito humano da estrada

Na semana passada o JORNAL DO OESTE trouxe uma reportagem com os dados da Polícia Rodoviária Federal com números preocupantes em relação às estradas que cortam a região Oeste do Paraná. O que mais chamou a atenção foi perceber ser o trecho da BR-467, entre Toledo e Cascavel, um dos mais perigosos de todo o Estado e não apenas um problema regional. Chama a atenção porque é um dos raros trechos inteiramente duplicados nas estradas do Oeste, que sofre, luta e anseia pelo fim das obras no trecho da BR-163, de Toledo pelo menos até Marechal Cândido Rondon, algo prometido para o fim deste ano, porém, com a morosidade verificada, é muito provável que este prazo – já estendido – se estenda um pouco mais.

Observando um pouco mais atentamente, porém, é perfeitamente possível entender porque números tão assustadores de acidentes e mortes num trecho relativamente curto.

Primeiro é preciso levar em consideração um dos grandes fatores que resultaram na duplicação: o elevadíssimo fluxo de veículos que trafegam entre as duas cidades diariamente. Houve época em que eram pelo menos 7 mil veículos por hora em média, número que deve ter crescido apenas numa observação simplória. Quando há um grande número de veículos circulando, é natural aumentarem as chances de acidentes. Ao menos na lógica do trânsito nacional.

Outro fator é o traçado da estrada. Antigo e com graves defeitos técnicos, dirigir neste trecho da BR-467 exige atenção. Redobrada em duas de chuva, quando estes defeitos ficam ainda mais aparentes. São curvas cujo raio ‘joga’ o veículo para o lado de fora, água acumulada na pista, asfalto liso, má sinalização em alguns pontos e retornos sem a devida visibilidade, apenas para citar alguns dos problemas.

Mas há outro fator – e este os dados da PRF não mostram: o fator humano da estrada.

Quem trafega com alguma frequência pelo trecho encontra vários motoristas trafegando acima da velocidade máxima permitida. Carros e motos já foram flagrados a quase 200 km/h, potencializando – e muito – o risco de um acidente. Grave!

Há exemplos de pessoas ultrapassando pela direita, que não faz a devida manutenção no seu veículo e por aí vai. Fatores que, somados, ajudam a entender porque a BR-467 pode sim ser considerado um verdadeiro corredor dos acidentes. E de mortes!

Retomada dos bons tempos?

Neste domingo (21), a partir das 19h no Estádio Municipal 14 de Dezembro, Toledo e Cascavel entram em campo a partir das 19h na abertura do Campeonato Paranaense. Será uma ótima oportunidade para a torcida descobrir se será apenas mais um jogo ou se o início da retomada dos bons tempos para as duas equipes, quando o Clássico da Soja era um evento, uma disputa sadia acirrada pela eterna rivalidade entre as duas cidades vizinhas. A nostalgia será ainda maior por causa da preliminar entre veteranos das duas equipes, gente que fez história no futebol nacional tendo suas raízes ou em Toledo ou em Cascavel.

Os projetos do Porco e da Serpente, ao menos na teoria, são ambiciosos para este 2018. Se o Toledo trouxe o craque Paulo Baier para ser seu comandante, Cascavel não ficou atrás e se reforçou com Milton do Ó. Duas feras acostumadas a estarem na arena, mas que agora travarão uma disputa fora dela, buscando passar aos seus jovens comandados um pouco da experiência adquirida ao longo de anos de luta nos gramados. Somente por este motivo já valer a pena sair de casa para acompanhar a estreia das duas equipes dentro do Estadual.

Mas há outros ingredientes nesta receita sempre emocionante – e passional – do futebol brasileiro. As duas diretorias sonham alto e a vaga na Série D do Campeonato Brasileiro é o grande objetivo para conseguir um calendário mais amplo e, dessa forma, manter uma estrutura capaz de evitar sobressaltos a cada novo ano.

O grande exemplo é a Chapecoense e sua história de superação. A cidade, que até cinco anos disputava as últimas divisões do futebol nacional, hoje briga de igual para igual com os gigantes do futebol graças a uma administração séria e comprometida. É nisso que apostam Toledo e Cascavel, até porque o futebol ainda é a grande paixão nacional e uma das melhores formas de divulgação da cidade. Chapecó colhe os dividendos disso há algum tempo.

Além disso, o clássico é a chance de se avaliar o quanto as duas cidades estão dispostas a abraçar esses projetos do futebol profissional. Caso isso aconteça, será a certeza da retomada dos bons tempos e de uma disputa sadia para o crescimento de ambos.

Por que não decola?

O governador Beto Richa (PSDB) era aguardado na quinta-feira (18) em Toledo para, entre outros assuntos, assinar o convênio isentando a Azul Linhas Aéreas do ICMS no combustível usado na aviação comercial para ela poder operar em Toledo. A medida, conforme o próprio governador anunciou durante a cerimônia de reinauguração de uma nova unidade na Fiasul, já havia sido adotada em outros municípios, facilitando dessa forma a operação com voos comerciais regulares. O que é a grande esperança de acontecer a partir do Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho em Toledo a partir deste ano.

Pois bem, a agenda em Toledo foi cancelada e em Cascavel surgiram os rumores de que o Governo do Estado teria recuado na decisão, impedindo dessa forma a operação a partir de Toledo. Além disso, surgiram vários rumores na ‘terra de ninguém’ chamada internet, onde o claro propósito é desestabilizar um processo que, sim, está sendo longo, cansativo e complicado, mas que tem tudo para funcionar quando os detalhes técnicos suplantarem os interesses políticos que impedem o projeto do aeroporto toledano decolar de vez. E isso não vem de agora!

Nunca é demais lembrar que, quando Orlando Pessuti – na época no PMDB – assumiu o Governo do Estado, começou a época dos investimentos fartos no Aeroporto de Cascavel, comprovadamente ruim em termos técnicos e péssimo quando comparado ao de Toledo. Hoje, pessoas que à época aplaudiram Pessuti e companhia bela no anfiteatro da FAG em Cascavel, criticam a demora em reabrir o Luiz Dalcanale Filho, sem mencionar o fato de pouco terem feito para o projeto avançar.

É inegável a pressão política por trás de algumas decisões tomadas e que prejudicaram demais o desenvolvimento de Toledo. Por sinal, prejudicam até hoje.

Menos mal que a atual administração da Prefeitura de Toledo segue convicta no projeto e manteve o cronograma dos investimentos programados no aeroporto, os quais deverão acontecer normalmente até fevereiro para deixar o local de acordo com as especificações técnicas exigidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Resta agora saber se uma vez mais as forças negativas da política estadual agirão no sentido contrário aos interesses do desenvolvimento estadual e ficarão apenas centrados nos umbigos egocêntricos tão comuns na terra das araucárias.

A dengue de todos nós

O último levantamento rápido do nível de infestação de focos do mosquito Aedes aegypti, o chamado Liraa, apontou Toledo com um índice muito acima do preconizado pelo Ministério da Saúde como aceitável. Ao invés do 1%, o levantamento mostrou 3,7% de focos, algo preocupante, ainda mais diante das condições climáticas registradas neste início de ano, com a média do mês inteiro já tendo sido superada pela chuva incessante. O Departamento de Controle de Endemias tem feito sua parte, monitorando os 12 casos suspeitos de dengue e tomando as medidas necessárias para reduzir os focos do mosquito e, dessa forma, evitar uma epidemia.

Mas esse é um problema que não afeta apenas o poder público e o setor específico, até porque neste caso não se pode acusar os integrantes do departamento de omissos ou de irresponsáveis. Ao contrário! Fazem muito além daquilo que deles se espera e, não fosse assim, certamente a situação de Toledo seria muito pior. Esse problema de infestação é verificado em residências particulares, em locais onde o proprietário deveria ter maior zelo para evitar focos, mas que em geral são um verdadeiro ‘spa’ para o mosquito transmissor da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus.

A dengue é de todos nós e não apenas de quem trabalha para combatê-la. É dever de cada cidadão manter seu terreno – lote, quintal ou como queiram chamar – limpo e livre de focos. Quando uma pessoa mantém garrafas vazias, calhas sujas, piscina sem manutenção ou vasos de plantas onde a água possa se acumular, está agindo de maneira irresponsável e contribuindo para números tão negativos como apontou o Liraa.

Talvez seja momento da Prefeitura de Toledo adotar uma postura um pouco mais severa em relação a quem não colabora, com quem pratica uma verdadeira ‘roleta russa’ na questão do combate ao mosquito transmissor de doenças perigosas e letais em alguns casos. Talvez seja hora de aplicar multas pesadas porque no Brasil muitas vezes é apenas pesando no bolso que o cidadão entende ser preciso mudar uma cultura arraigada onde o Estado é onipresente.

Inteligência e envolvimento

Com planejamento estratégico buscamos as áreas com maior número de registros. Contudo, sabemos que é válido aquele ditado ‘a ocasião faz o ladrão’, ou seja, quando o bandido tem a intenção de cometer um crime, ele busca o local mais vulnerável. A frase é do o tenente Jimmy Cajuhy, do 19º Batalhão da Polícia Militar, e ilustra bem o trabalho ‘enxuga gelo’ realizado pelas forças policiais quando se trata do combate à criminalidade. Não apenas em Toledo, mas em qualquer local do país onde a presença do Estado não é vista com a força necessária para a sociedade entender ser preciso seguir regras. E estas regras precisam ser claras e compreensíveis a todos.

Em Toledo, graças a um trabalho eficiente de inteligência e do trabalho conjunto entre Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público, Justiça e Guarda Municipal, a situação pode ser considerada relativamente tranquila. Porém, o crime migra e se não houve um intenso trabalho e investimento constante, dificilmente o panorama encontrado Brasil afora será modificado.

Além disso, segurança pública não é apenas um problema das forças de repressão, mas sim de intenso desequilíbrio social. Em qualquer país do mundo existe violência e crimes, todavia, em sociedades mais justas e equilibradas o senso comum inibe a prática de muitos crimes, algo que não acontece no Brasil por vários motivos culturais difíceis de serem mudados diante da inércia das administrações públicas em atacarem os verdadeiros problemas com a coragem necessária. No país tropical sempre é mais cômodo se refastelar na demagogia eleitoreira e rebolar no carnaval do paternalismo estatal.

Em geral a sociedade critica os políticos, mas espera receber dos governos toda e qualquer proteção, isso sem mencionar os benefícios tão comuns no país. Fazer sua parte é algo impensável e quando isso acontece os resultados são vistos de maneira muito transparente, como acontece em Toledo em relação à questão da segurança pública.

As forças de repressão fazem seu papel, mas contam com o apoio, por exemplo, de projetos como o Vizinho Vigilante ou do Conselho da Comunidade. Iniciativas que buscam fazer o cidadão sair do papel de mero espectador para ser ele o agente transformador de uma realidade que poderia ser muito pior se não houvesse essa integração entre polícia e comunidade.

Moscas no presunto

Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, em entrevista à Rádio Jovem Pan afirmou não adiantar espantar moscas. É preciso tirar o presunto da sala! Era uma alusão ao tamanho do Estado no Brasil – em todas suas esferas. Na visão do empresário, reduzir o tamanho do Estado é o caminho mais lógico no combate à corrupção e privatizar a saída para reduzir tamanho estrago nas contas públicas. O monopólio estatal é um convite á corrupção e o antídoto natural contra a corrupção é o livre mercado disse Rocha.

Corrupção não se combate apenas com privatizações ou com a redução da máquina estatal, todavia, são caminhos interessantes a serem seguidos. Assim como outros mecanismos adotados ao longo do tempo e que deram um pouco mais de transparência às ações governamentais. Além disso, a execução de reformas importantes para o desenvolvimento do Brasil também precisam avançar. De nada adianta privatizar ou reduzir apenas o tamanho do Estado se velhas modas não forem transformadas, tornando a cultura nacional menos tolerante em relação ao assunto.

E para se mudar uma cultura é necessário mudar o cenário de benesses oferecidas à exaustão, trocar a velha política onde a troca de favores é recorrente por uma mais coerente com aquilo que se espera. Mudar uma cultura é avançar no tempo e não mais ficar refém de legislações da década de 30, 40, onde a realidade brasileira era completamente diferente da de hoje e o mundo globalizado exige um grau de competitividade que as empresas brasileiras não mais conseguem oferecer na quantidade que o país precisa para crescer não apenas em quantidade de pessoas, mas em qualidade de vida.

Os milhões de desempregados nas ruas são o mais claro sinal de que o presunto está prestes a apodrecer de vez e ser engolido pelas moscas. Moscas que não enxergam que ao invés de comer tudo, é necessário preservar um pouco deste presunto para ser digerido aos poucos. Na ânsia de saciar sua fome, estas moscas levaram o país à bancarrota uma vez mais e, dessa vez, somente o gigantismo natural não será capaz de salvar o que ainda resta.

Não são apenas números

Um total de 30.020 atendimentos. Este foi o saldo numérico desde a reabertura da Unidade de Pronto Atendimento Jorge Nunes, na Vila Pioneiro, o popularmente conhecido como Mini-hospital. Mas, quando se trata de saúde pública, números não podem ser analisados com tamanha frieza, ainda mais em se tratando desta unidade específica, motivo de amplo debate político, até porque as questões técnicas se mostraram radicalmente distantes num curto espaço de tempo. Do seu fechamento à reabertura se passaram aproximadamente dois anos, tempo suficiente para uma enxurrada de acusações, muitos debates acalorados, uma eleição, reclamações e elogios. Não são apenas números.

Com a nova unidade de saúde o atendimento à população foi ampliado. E os números comprovam a importância do Mini. Como mostra reportagem nesta edição, o secretário de Saúde Thiago Stefanello afirma que os atendimentos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Becker caíram em cerca de 20%. Um desafogo necessário para que as duas unidades de frente da saúde pública no âmbito municipal funcionassem de uma maneira menos turbulenta. Evidente que há dias de apuro, até porque situações emergenciais não escolhem dia ou hora para acontecer, entretanto, hoje a população de Toledo tem tido um atendimento mais ágil, especialmente os moradores da Grande Pioneiro, que antes precisavam se deslocar até a UPA em busca de atendimento.

Para este ano a importância do Mini-hospital ficará ainda maior dentro da estrutura da Secretaria de Saúde, isso porque em breve será entregue a nova sede da Central de Especialidades e, com a chegada dos novos profissionais do Consórcio Intermunicipal SAMU Oeste (Consamu), que serão incorporados à UPA da Vila Becker, mais servidores serão deslocados para a Pioneiro, permitindo a redução das horas extras – motivo de justas críticas à atual administração – e uma estrutura melhor para quem depende do atendimento público no setor, como já perceberam as mais de 30 mil pessoas atendidas no ano passado no bom e velho Mini-hospital.

Inflação real x oficial

O anúncio de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter ficado em 2,95% - abaixo, portanto, da meta estabelecida pelo Governo Federal de 3% - ano passado não significa necessariamente que a inflação é esta medida por índices tão vagos quanto a chance de um time no Campeonato Brasileiro de futebol, tamanha a quantidade de variáveis que podem afetá-lo ao longo da temporada. O próprio ministro da Economia admite que inflação baixa não significa preços baixos, mas sim que eles estão subindo numa velocidade menor. O que não deixa de representar uma ótima notícia após tantos anos de recessão e pessimismo exagerado.

E a prova disso está na reportagem da edição de hoje do JORNAL DO OESTE que aponta alta entre 5 e 8% - em média – no preço dos materiais escolares em Toledo. Muito acima, portanto, da inflação oficial. E nem precisa ser um expert em economia para descobrir existir esta inflação oficial, que serve de parâmetro para as ações governamentais, e uma inflação real, esta das ruas, das compras, que realmente afeta o bolso do consumidor, especialmente aquele com menor poder aquisitivo. Basta ver o exemplo dos aposentados brasileiros que ganham até um salário mínimo. Para estes o reajuste dos vencimentos não chegou a 2%. E olha que poucas são as vozes estridentes brigando para um aumento maior. Seria interessante observar se haverá o mesmo comportamento quando começarem as negociações públicas.

Além disso, nunca é demais lembrar que, além da inflação real, o cidadão comum enfrenta outro tipo de problema: o desemprego. Esta fórmula de inflação alta + desemprego é que tem provocado este desequilíbrio tão grande na sociedade brasileira, ainda mais pelo alto número de benefícios para uma classe de privilegiados que contam com auxílio disso, ajuda daquilo, recessos e licenças prêmios, entre outras ‘mamatas’ tão comuns no país tropical.

Melhor é fazer como revela outra reportagem na edição de hoje: realizar um bom planejamento financeiro para superar um início de ano sempre complicado quando o assunto é a finança pessoal, isso graças ao pagamento de IPVA, IPTU, entre outros gastos que estão sempre sendo reajustados pelo valor de uma inflação que nem sempre corresponde ao discurso oficial, mas sim ao sabor do calor das ruas.