Editorial
Uma estrutura sucateada

Reportagem na edição desta quinta-feira mostra o quanto a estrutura de saúde em Toledo – e na própria região – está muito defasada em relação ao minimamente necessário para prestar um atendimento mais digno e de qualidade ao cidadão. Os vários acidentes registrados nos últimos dias, com múltiplas vítimas em estado mais grave, tornaram um verdadeiro pandemônio o atendimento nas unidades de emergência do município: a Unidade de Pronto Atendimento Dr. José Ivo Alves da Rocha, na Vila Becker, e o Hospital Bom Jesus, referência para o atendimento de urgência e emergência na área de abrangência da 20ª Regional de Saúde.

Na verdade a estrutura como um todo está sucateada. Exceção à UPA, praticamente desde sua fundação Toledo segue tendo rigorosamente os mesmos números de leitos, nas mesmas unidades: Bom Jesus, HCO (antigo Dall’Oglio) e Hospital Campagnolo, além do Mini-hospital que ‘quebra um galho’ para evitar uma situação ainda pior. Salvo uma clínica aqui, outra ali, a verdade é que Toledo não avançou muito na ampliação dos leitos hospitalares. Menos mal que estas unidades modernizaram muito suas respectivas estruturas, entretanto, as constantes reclamações sobre a falta de leitos, com destaque para as unidades de tratamento intensivo (UTIs), é a confirmação do descaso de muitas administrações ao longo do tempo. Nem o município, muito menos o Estado ou a União fizeram um esforço para melhorar este quadro negro, algo que mudou – e ainda longe do ideal – com a boa relação junto ao ministro da Saúde Ricardo Barros, o qual conseguiu resolver alguns problemas históricos no repasse de verbas, e o Governo do Estado, na pessoa do secretário Michele Caputo Neto, um batalhador incansável pela melhora no atendimento e na estrutura da saúde em Toledo.

Agora a direção do Campagnolo investe numa nova unidade hospitalar, assim como a construção do Hospital Regional significa um alívio tão logo entre em operação. Estas duas novas unidades não representam a solução de todos os problemas, entretanto, oferecerão um suporte vital no sentido de melhorar a estrutura sucateada que hoje aí está.

Uma área sempre delicada

Na edição desta quarta-feira (20), o JORNAL DO OESTE traz um breve relato sobre as ações desenvolvidas pela Secretaria de Saúde em Toledo. Lembrando que os números são os oficiais e não levam em conta o fator emocional de quem precisa do atendimento e nem sempre compreende as limitações da estrutura do atendimento através do sistema público de saúde, tampouco entende o funcionamento desta estrutura e de quem são as responsabilidades por determinadas funções dentro deste complexo sistema chamado SUS. O que a população sempre deseja é ser atendida. E rápido!

Mas, analisando friamente apenas os números, é possível dizser que, sim, a Saúde em Toledo avançou a passos largos em 2017. Houve considerável aumento no número de consultas, redução da fila de espera por atendimentos especializados, acréscimo dos procedimentos odontológicos, fisioterapêuticos, farmacêuticos e de transporte de pacientes, entre outras ações.

Há que se destacar a reabertura do Pronto Atendimento da Vila Pioneiro (antigo Mini-hospital) que, se tem lá suas falhas – e algumas delas ainda não foram corrigidas, como a questão das horas extras dos profissionais da saúde – ainda assim cumpre sua função como atendimento de primeira necessidade, ajudando a desafogar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dr. José Ivo Alves da Rocha, na Vila Becker. Mais que isso: devolveu à comunidade de uma região história e importantíssima da cidade a dignidade em ser atendida em seu território, afinal, pela importância da Pioneiro jamais poderia ter ficado órfã neste tipo de atendimento.

Evidente que o trabalho na Saúde é sempre delicado por ser esta uma área delicada por natureza, haja vista lidar com o bem mais precioso que qualquer ser humano possui: a vida! Ainda há gargalos e os relatos esta semana do mau atendimento prestado numa Unidade Básica de Saúde por um médico – caso que está sendo investigado pela Secretaria Municipal – é uma prova do quanto ainda é preciso avançar, embora isso já tenha sido provado em 2017, principalmente em pontos chaves da gestão e que voltaram a ser referência no atendimento.

Renascer das cinzas

Ensinou a amar a vida, não desistir de lutar, renascer da derrota, renunciar às palavras e pensamentos negativos. Acreditar nos valores humanos e a ser otimista. Aprendi que mais vale tentar do que recuar... Antes acreditar que duvidar, o que vale na vida não é o ponto de partida e sim a nossa caminhada. O poema de Cora Coralina exemplifica bem a determinação da direção da Fiasul, indústria de fios que nesta segunda-feira (18) reinaugurou sua linha de produção do chamado open end.

O momento é o renascimento literalmente das cinzas, afinal, em 19 de setembro de 2014 um incêndio quase acabou com o sonho da indústria e com os empregos de centenas de pessoas. Mas, o destino decretou não ser este momento e deu forças para se seguir adiante. Quis ainda o destino que a reinauguração da fábrica fosse feita pelo governador Beto Richa, tal qual seu pai o fez quando então era governador do Paraná em 1985 dando início ás obras. A inauguração oficial aconteceu no dia 8 de agosto de 1986, pelo governador João Elísio Ferraz de Campos. Na época a produção era de 2.400 toneladas/ano, com 230 empregos diretos numa área construída de 7.000 m².

O tempo passou e a Fiasul hoje se agigantou. O incêndio apenas despertou ainda mais o espírito empreendedor de seus diretores e colaboradores. Com a nova linha de produção serão 18.000 toneladas/ano, gerando 650 empregos diretos numa área de 27.800m². Uma gigante que não se apequenou quando as dificuldades apareceram, provando que quando existe determinação é possível sim vencer qualquer obstáculo, desde que para isso haja o apoio de importantes parceiros, como aconteceu no caso da Fiasul.

Pela história de superação e sucesso, a Fiasul não é apenas mais uma indústria que produz fios de algodão. Resumir assim sua história seria simplório demais. Não! A Fiasul não é apenas mais uma indústria, é uma organização viva e que ensina à comunidade de Toledo o quanto é possível sonhar voos altos, reforça a marca indelével dos pioneiros da cidade em crer na determinação e na obstinação pela vitória, uma vitória que começou com chamas, choro e cinza e hoje se traduz em sorrisos e lágrimas coloridas de felicidade.

Entre o belo e o necessário

Às vésperas do Natal, Toledo se ressente de uma decoração mais volumosa nas ruas. O assunto virou polêmica em vários cantos. Cada lado lá com suas razões. Mas aí fica a pergunta: entre o belo e o necessário, qual escolher? Se em anos anteriores o dinheiro público para a decoração foi muito mais farto, em 2017 optou-se por economizar e fazer algo dentro do possível. Minimamente o necessário para não se dizer que nada foi feito.

Indiscutível que a decoração este ano, quando comparada às edições passadas, é de uma pobreza ímpar. Todavia, é louvável a determinação da atual administração em economizar em áreas onde a gastança desenfreada pode sim ter consequências desastrosas. Indiscutível também que esta determinação seja levada a outros setores onde algumas pessoas ainda não se conscientizaram que os tempos são outros e a economia é necessária.

Ainda é indiscutível afirmar que a decoração mais exuberante anima as pessoas, atrai visitantes e, de certa forma, ajuda a impulsionar as vendas nesta época. Mas para 2017 é isso que foi possível e é preciso ter essa consciência. Certa ou errada a decisão foi tomada e as consequências igualmente precisam ser aceitas. Tanto para os comentários positivos, quanto para as críticas, afinal, é dessa forma que toca a música no serviço público.

É preciso, entretanto, reconhecer a coragem do prefeito Lucio de Marchi (PP) em tomar essa amarga decisão em reduzir ao máximo os gastos com a decoração natalina em prol da economia de recursos. Em geral, no serviço público, os gestores optam em manter o belo, até como forma de distração para problemas maiores. Aposta-se na velha política romana do pão e circo. Lá na frente, todavia, o belo torna-se efêmero e para o necessário não há mais recursos. Exemplos Brasil afora não faltam e no momento atual optou-se em manter o necessário em detrimento do belo.

Oxalá essa política de austeridade contamine outros setores da administração pública e que reformas necessárias sejam feitas para efetivamente reduzir o custo da máquina e o belo volte a colorir as ruas de Toledo daqui por diante.

Um livro para um mito

Esta sexta-feira (15) será especial para o mundo da política paranaense. Hoje será lançado o livro Duílio Genari – O político que transformou Toledo e o Oeste do Paraná, com 386 páginas, mais de 40 fotos e quase uma centena de informações sobre suas propostas e conquistas memoráveis, ao longo de mais de 40 anos de vida pública, além de depoimentos de familiares, lideranças e ex-colaboradores, com sessão de autógrafos no restaurante do Olinda Hotel & Eventos.

Um livro para um verdadeiro mito da política toledana e paranaense, afinal, foram décadas de dedicação à vida pública, agora retratadas de maneira ímpar pelo escritor, poeta e jornalista Luiz Alberto Martins da Costa, com projeto gráfico, capa e diagramação da Gráfica e Editora Imagem, de Toledo. O prefácio é do deputado federal Dilceu Sperafico, com quem Duílio dividiu durante muitos anos os holofotes da política.

Há, evidente, quem não goste de Duílio, entretanto, é preciso reconhecer sua importância no cenário político. Com seu ‘jeitão’ de ser, Duílio soube navegar nas águas sempre perigosas da política e construiu uma carreira sólida e respeitada até mesmo pelos adversários. Seu nome ainda tem um peso forte em qualquer decisão, mesmo já não mais estando nos holofotes de outrora.

A obra é uma digna homenagem a quem ajudou a catapultar o nome de Toledo para outro patamar, seja na política, seja na própria estrutura da cidade, afinal, Duílio Genari trabalhou como poucos no auxílio ao município, assim como também a tantos outros municípios na região. Hoje, com mais de 80 anos – e muitos deles dedicados à política – Duílio Genari segue na ativa, embora não mais com a energia tão típica que lhe rendeu tantas vitórias nas urnas e será gratificante sorver tantos momentos únicos de sua vida através das páginas de um livro escrito por quem durante anos conviveu de perto com esta verdadeira figura mitológica da política toledana e paranaense.

Duílio Genari foi alguém que viveu intensamente a política; um homem que emprestou grande parte de sua vida à causa pública; um mito para quem aprecia a arte da política e espera algo diferente. Duílio Genari, por tudo isso, será para sempre o deputado de todos.

Feliz aniversário Toledo!

Toledo completa oficialmente nesta quinta-feira 65 anos de história e chega a esta ‘idade’ sonhando voos ainda mais altos nos próximos anos. Se hoje a cidade, com seus cerca de 135 mil habitantes, está entre as 10 maiores economias do Paraná, no futuro tende a manter esta posição de destaque não apenas pelo seu exemplar Produto Interno Bruto do setor agropecuário, mas também pelos projetos ousados que poderão até mesmo mudar um pouco o perfil econômico e social de uma cidade que ao longo do tempo soube se transformar para seguir adiante e com êxito em muitas áreas.

Impossível não exaltar a cidade! Impossível não se encantar com sua qualidade de vida invejável, com sua estrutura urbana e rural impecável e com seus parques e praças de extrema importância para o bem-estar da população. E isso não de hoje, até porque Toledo não é uma cidade construída agora. É fruto do esforço coletivo de gerações de homens e mulheres que emprestaram muita energia ao longo destas seis décadas e meia para construir uma cidade de encher seus cidadãos de orgulho, mesmo que muitos deles não reconheçam publicamente suas qualidades e prefiram sentar sobre a demagogia política.

Como não se encantar com uma cidade cujo teatro é uma referência no Estado; que tem espaços únicos para o atendimento do jovem e dos idosos; uma cidade com uma infinidade de ginásios e espaços públicos para a prática da atividade esportiva e de lazer; uma cidade com rede de esgoto em praticamente todos seus bairros; uma cidade com amplo comércio e uma variedade única de indústrias; enfim, uma cidade que recebe a todos de braços abertos e que, embora tenha lá seus defeitos, suas virtudes os superam de longe, fazendo de Toledo um lugar único para se viver.

Hoje é dia apenas de celebrar e desejar um Feliz Aniversário para a Toledo de todos, sejam eles ‘nativos’ ou não. Hoje é dia de comemorar o fato de estar numa cidade que é exemplo sim em muitas áreas, uma cidade cujo potencial ainda está apenas no início e que precisa pensar grande, não para crescer de maneira desordenada, mas para se manter neste trilho certo do desenvolvimento sustentável e com qualidade de vida para sua população. Hoje e amanhã!

Feliz aniversário Toledo!

Números animadores

A economia do Paraná cresceu 2,9% no terceiro trimestre de 2017 em relação ao mesmo período do ano passado. Com a evolução, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado alcançou R$ 101,675 bilhões. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes).

O crescimento do PIB do Paraná foi mais do que o dobro do Brasil, que cresceu 1,4%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano, a economia do Paraná registra alta de 2,1%, contra 0,6% do Brasil. Números animadores em meio a uma onda pessimista que invadiu o país desde 2014, quando as mentiras contadas na campanha eleitoral daquele ano começaram vir á tona, culminando com a derrocada da ex-presidente Dilma Rousseff e novas – e mais impactantes – ações da Operação Lava Jato, cujos reflexos foram percebidos em todos os setores, especialmente na sempre volátil economia.

Mas os números paranaenses não são fruto do acaso. Refletem o bom momento pelo qual passa o Estado e comprovam que as medidas – muitas delas questionáveis e drásticas – tomadas pelo governador Beto Richa se mostraram acertadas. Ao menos até agora. Com as contas em dia e com obras estruturais em andamento, o Paraná deu garantias aos investidores de estar tudo correndo bem. Essa segurança atraiu novos investimentos e possibilitou aos negócios existentes atravessarem o ápice da crise sofrendo um impacto menor.

Ainda é cedo para maiores celebrações, entretanto, é um bom indicativo de que os números nesta reta final de ano serão ainda melhores, haja vista ser esta uma época onde naturalmente determinados setores da economia ficam mais aquecidos pela proximidade do Natal e o dinheiro extra injetado pelo pagamento do 13º salário, embora a maioria dos paranaenses estejam mais dispostos a usar esta verba no pagamento de contas atrasadas.

Números animadores e que colocam o Paraná não apenas entre as poucas economias com números positivos, mas reforçam a imagem de um Estado bem administrado, mesmo que para isso tenha sido necessário adotar medidas amargas e nem sempre agradáveis sob a ótica da política.

Saúde sobre duas rodas

De uns tempos para cá o que antes era modismo se transformou numa verdadeira febre em Toledo. Pedalar deixou de ser um sinônimo de transporte alternativo para se transformar numa mania local, com direito a organizados clubes de pedal e agora eventos que atraem centenas de praticantes de uma ótima opção para quem pretende se manter saudável sobre duas rodas. Pedalar virou outra marca de Toledo, o que deverá aumentar ainda mais quando o projeto Toopedalando for retomado, algo previsto para acontecer já em 2018 e com o apoio da iniciativa privada, conferindo outra roupagem ao projeto de mobilidade urbana enterrado na gestão passada.

No fim de semana foram dois eventos – com objetivos distintos – reunindo centenas de ciclistas. Importante quando isso acontece, até porque quanto mais atividades nesse estilo forem sendo fomentadas, menores serão os gastos com a saúde pública. Quanto mais cedo as administrações públicas no país despertarem para isso, mais cedo os gastos sempre crescentes no setor serão reduzidos. A fórmula é muito simples: quanto menor o sedentarismo da população, melhor será a saúde das pessoas!

Por isso Toledo foi construindo uma rede de academias ao ar livre voltada às pessoas da terceira idade e depois outras com maior apelo popular; por isso Toledo foi recebendo estruturas como os Centros de Revitalização da Terceira Idade ou os Centros da Juventude; por isso Toledo tem uma completa estrutura esportiva; por isso programas como o Toopedalando foram criados.

Como essa mania das bikes surgiu é quase impossível identificar, entretanto, seus benefícios estão aí, visíveis a quem quiser enxergar. Pessoas antes sedentárias hoje pegam suas ‘magrelas’ com extrema alegria para pedalar com os amigos ou parentes; antigos obesos comemoram os quilos perdidos; estressados de outrora celebram a alegria e a tranquilidade de estar mais próximo à natureza com as pedaladas no interior.

Resultados que não rendem resultados apenas imediatos, mas, sobretudo, começam a formar uma nova cultura entre as futuras gerações, estas sim as grandes beneficiadas se o setor público entender a proposta e fazer os investimentos necessários para incentivar ainda mais pessoas a melhorar sua saúde sobre duas rodas.

Envelhecer com qualidade

O processo de envelhecimento da população é um fenômeno global que causará impacto diretamente nos sistemas de saúde, tanto público como privado, no sistema previdenciário e especialmente, na forma de cuidar dessas pessoas. Quando isso acontecer de maneira mais intensa no Brasil – até porque já vem acontecendo mundo afora e no próprio país – é preciso estar preparado para atender bem uma gama de pessoas que tem, em geral, mais tempo para aproveitar a vida e, também em geral, possuem uma condição financeira que lhes permite alguns ‘mimos’.

Na edição especial deste fim de semana o JORNAL DO OESTE aborda a questão e mostra o quanto Toledo ainda precisa evoluir neste sentido de acolhimento das pessoas da terceira idade. Embora a cidade seja um exemplo por ter dois Centros de Revitalização da Terceira Idade (Certis) e outras estruturas públicas que atendem essa parcela da sociedade, ainda assim a cidade está longe de ser atrativa para os idosos. E isso analisando desde as coisas mais simples até outras mais complexas, como sonhar com produtos e serviços exclusivos e personalizados. Um nicho de mercado ainda incipiente no país jovial e de sangue latino.

Mas a tendência é do envelhecimento da população e um aumento na expectativa de vida, como mostra a reportagem, forçando uma adaptação a esta nova realidade na pirâmide nacional, até então baseada fortemente nas mais tenras gerações. O Brasil mudou e vem mudando ainda mais e não apenas com o êxodo das áreas rurais e o adensamento urbano, entretanto, o desrespeito em relação aos idosos, algo cultural, sofreu quase nenhuma mutação. Mesmo com uma legislação protecionista, ainda assim o país está muito aquém do minimamente necessário para as pessoas da terceira idade sentirem-se respeitadas.

Envelhecer com qualidade é o sonho de muitos, porém, poucos são os que praticam o respeito a quem dedicou tempo e energia para o crescimento de cidades como Toledo, onde ao menos existe uma infraestrutura mínima e criada exclusivamente para essa classe. Mas Toledo não é regra, é uma exceção, porém, retorna à regra quando para por aí.

O triste adeus de um palhaço

Eleito com mais de um milhão de votos em 2014, o deputado Tiririca (PR-SP) subiu à tribuna da Câmara esta semana e anunciou que faria seu primeiro e último discurso, afirmando que deixaria a política. Subo pela primeira vez e a última (à tribuna). Estou saindo triste para caramba, estou muito chateado mesmo com o Parlamento, afirmou no mesmo tom melancólico usado do início ao fim de seu discurso. O triste adeus de um palhaço que exemplifica da maneira mais translúcida possível o atual momento – delicadíssimo por sinal – pelo qual passa a classe política, a qual ainda não percebeu o quase completo descrédito que enfrenta.

A rejeição ao trabalho de deputados e senadores do Congresso Nacional atingiu o recorde histórico de 60%, segundo pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta quarta-feira. Seis em cada dez brasileiros consideram ruim ou péssimo o trabalho dos parlamentares em Brasília, aponta o levantamento publicado pelo jornal "Folha de S.Paulo".

A aprovação dos 513 deputados e 81 senadores também atingiu o menor índice desde que o instituto começou a fazer o levantamento, em 1993. A percentagem de pessoas que classificam o trabalho dos congressistas como ótimo ou bom caiu para 5% na pesquisa desta terça-feira. Os demais 31% dos entrevistados classificaram o trabalho dos deputados e senadores como regular.

As palavras de Tiririca apenas corroboram este momento, assim como outra declaração do eterno palhaço mostra o clima dentro do Congresso para quem ainda sonha com dias melhores: Não fiz muita coisa, mas pelo menos fiz o que fui pago para fazer. O que vi nestes sete anos saio com vergonha. Mas gostaria que vocês - só um pedido de gente, de povo - olhassem mais para o povo.

Por mais folclórico que seja, ainda assim Tiririca não chegou ao Congresso Nacional por acaso. Foi eleito com milhões de votos. Votos de quem está insatisfeito com os nomes tradicionais e com as decisões tão tradicionais e geralmente em benefício de uma classe que precisa entender de uma vez por todas: a população não aguenta mais ser tratada como palhaço, até porque o único oficial que lá estava saiu. Chorando!