Editorial
A conta que não fecha. Nunca!

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, disse nesta segunda-feira (21) que o fundo público de 3,6 bilhões atualmente em discussão na Câmara dos Deputados pode não ser suficiente para bancar a realização das eleições. Recentemente, em entrevista a Roberto D’Avila na Globo News, o também ministro do STF e vice do TSE Luiz Fux disse serem “monstruosas” as delações premiadas por “mostrarem um Brasil que não conhecíamos”.

As duas declarações mostram o atual estado atônito pelo qual passa o Brasil, afinal, quando duas das maiores autoridades do país declaram publicamente que a situação está fora de controle é porque está muito pior daquilo que aparece diariamente nos noticiários.

Em comum as declarações de Mendes e Fux revelam um país perdido, zonzo em sua própria incapacidade de resolver os problemas. É preciso inverter a ordem das falas e começar por Fux. Ou o ministro é ingênuo ou propositadamente quis passar a impressão que o Brasil era melhor. Não, não era. A corrupção não é de hoje, mas chegou aos níveis extremos nos últimos anos. A diferença, e nisso é preciso concordar com o ministro, é que realmente os cidadãos não tinham a plena percepção do país estar tão mergulhado nesta lama podre que envolve a tudo e a todos.

Já Mendes fala aquilo que qualquer iniciante em política sabe: a conta não fecha. E nunca vai fechar! Isso porque a reforma política apresentada no Congresso Nacional não vai resolver os verdadeiros problemas, até porque se criar um fundo para partido fazer campanha bilionário, quando o país passa por uma de suas piores crises e com o governo estabelecendo déficit primário, ao invés de superávit, é de um atrevimento sem precedentes.

Embora este dinheiro não fosse resolver todos os problemas, certamente seria melhor aproveitado em outros setores bem mais carentes que os bolsos de partidos políticos que precisam de dinheiro, claro, mas que este venha da iniciativa privada. E aí tanto faz se de pessoa física ou jurídica. O que não se pode mais aceitar é o dinheiro público ser usado para financiar campanhas políticas cada vez mais caras, mesmo com todas as mudanças feitas às pressas e que arrumam um lado e estragam o outro, como acontece em tantas outras áreas país afora.