Editorial
A inocência das crianças

Neste 12 de outubro, quando se comemora o Dia das Crianças, é momento oportuno para se debater o atual momento pelo qual passa o Brasil diante de tantos relatos de eventuais abusos cometidos contra os menores, embora haja quase um silêncio completo por parte daqueles que deveriam defender os interesses dos menores, mas que na hora de condenar os veículos de imprensa pelo uso de imagens o fazem sem o menor constrangimento, mesmo sendo menores em conflito com a lei, para usar o termo mais politicamente correto porque escrever ou mencionar que um menor é criminoso é quase um ato pecaminoso. E mortal!

O Brasil é um país engraçado: tem um dos mais modernos instrumentos de defesa do menor, no caso o Estatuto da Criança e do Adolescente, entretanto é permissivo a ponto de pelo menos uma dezena de exposições país afora permitir o contato de crianças com cenas, no mínimo, extravagantes demais para serem vistas por menores. Não se trata de censurar a arte, até porque a arte por si só é contestadora em sua essência, entretanto, cada um faz a arte que quer, porém, o respeito ao coletivo deveria prevalecer sempre.

O Brasil também é engraçado porque uma classe luta com unhas e dentes por mais direitos, entretanto, faz vistas grossas quando um assunto tão delicado como a igualdade de gêneros que ser imposta na base da força, a mesma força condenada quando usada contra si. E para quem pensa ser este um problema distante, basta dar uma espiada no material que as crianças recebem, tanto na rede pública quanto na privada em Toledo para perceber que a questão precisa ser discutida com seriedade e urgência.

A inocência das crianças hoje está sendo perdida não apenas porque a grande imprensa golpista e marrom assim o deseja. Não! Este é um processo cujas origens também estão na completa fragmentação da família e dos valores mínimos de convivência moral coletiva, algo que ideologias instauradas nas sombras conseguiram desvirtuar por completo. No Dia das Crianças o que menos se observa é uma preocupação com o futuro delas. Em geral o que está acontecendo é uma sem-vergonhice sem tamanho e não há outra forma de descrever o processo desmoralizante pelo qual passa o país.