Editorial
A paixão pela razão

Na fria matemática 1 + 1 sempre será igual a 2. Não existe espaço para adivinhação ou suposição. É preciso apenas entender esta lógica e, pronto! A dificuldade de uma grande parcela da população reside justamente aí, em compreender como funciona esta lógica aplica em tantas outras áreas, tornando o aprendizado – e muitas vezes o próprio ensino – da matemática em algo maçante, chato, difícil. Mas quem disse que precisa ser sempre assim? Quem disse não existir espaço para a paixão? Para um aprendizado mais simples, fácil, divertido?

Na edição especial deste fim de semana o Jornal do Oeste conta a história do professor Rubens Ferronato que desenvolveu um método próprio para ensinar matemática e, dessa forma, colocar em prática toda paixão pela razão, ou demonstrar ao mundo ser possível ter razão sobre a emoção. A história deste apaixonado pela matemática é uma prova do quanto o Brasil precisa avançar no sistema de ensino e do quanto os próprios professores precisam se despir de pré-conceitos e do medo do desconhecido.

O professor Rubens é o ponto fora da curva, aquela exceção boa que surge de vez em quando na educação brasileira para mostrar aos colegas como anda distorcida a relação entre alunos e professores e dos próprios professores com as causas do ensino, especialmente na rede pública, onde a preocupação maior está – em geral – na garantia de direitos e benefícios, quando na verdade o compromisso deveria ser com o ensino, com a busca incessante em acabar com a ignorância de quem vai à escola em busca de conhecimento.

Entender um pouco dessa história é desvendar alguns dos mistérios que explicam por quais razões o Brasil segue sendo um país subdesenvolvido, a eterna nação do futuro que não se preocupa sequer com o próprio presente. Rubens Ferronato poderia ter ficado rico em qualquer outro país do mundo onde a educação é realmente levada a sério e o comprometimento dos profissionais está muito acima apenas das questões de horas disso ou daquilo. Mas este professor segue sua sina, perambulando país afora com sua criação –e paixão – irracional pela matemática numa tentativa quase tresloucada de mudar o mundo, ainda que isso exija tempo, paciência e uma grande dose de paixão!