Editorial
A situação do Teatro

A interdição – ainda que parcial – do Teatro Municipal de Toledo deveria fazer corar de vergonha quem ocupou a pasta da Secretaria da Cultura e não se preocupou em promover a manutenção preventiva interna do espaço. Se houve essa intenção, então seria dos responsáveis virem a público esclarecer por quais razões se esperou chegar ao ponto da climatização pifar de vez e uma parte do piso ceder de maneira perigosa. Além disso, ao longo do ano o que se observou foi a degradação lenta – mas constante – de um dos principais cartões-postais da cidade e um dos principais palcos de apresentações das mais variadas do interior do Paraná.

A situação hoje é crítica e preocupante. Menos mal que o atual secretário da Cultura, Odemilson dos Santos, teve a coragem – para não escrever a decência – em vir a público e, numa entrevista exclusiva ao JORNAL DO OESTE, comentar sobre essa situação vergonhosa. Não para esta gestão, mas para aquelas que passaram sem a devida ação, reforce-se, preventiva. Nem mesmo uma pintura externa foi feita ao longo destes 19 anos de história do Teatro Municipal.

Ao longo deste período o JORNAL DO OESTE vem alertando sobre alguns dos problemas encontrados no espaço. A pichação, a sujeira, vidros quebrados, escadas internas com defeito, enfim, uma série de precariedades que em nada combina com a beleza do local. Uma beleza cuja maquiagem não foi sendo feita e hoje não passa de um borrão feio, sujo, gasto pela ação implacável do tempo.

É preciso ser justo: algumas correções internas foram feitas na gestão passada, atendendo a um pedido do Corpo de Bombeiros para tornar o local mais seguro. Mais foi só. Muito pouco para um espaço que abriga tantos eventos, eventos que deverão ser remanejados ou cancelados diante da necessidade de obras emergenciais, até porque sem climatização num ambiente onde as temperaturas nesta época do ano são altíssimas é impossível suportar.

Oxalá ao menos esse cavalo não seja usado numa batalha demagógica eleitoreira, até porque ninguém pode falar de ninguém diante dos anos de abandono e, por que não, de irresponsabilidade em relação ao espaço.