Editorial
Antes tarde do que nunca!

Muita gente comemorou – e com razão – a liberação do acesso à avenida Ministro Cirne Lima pela BR-163, que está sendo duplicada há muito tempo entre Toledo e Marechal Cândido Rondon, bem como em direção ao Sudoeste, passando por Capitão Leônidas Marques até chegar ao Rio Iguaçu. Sim, é preciso comemorar porque o fechamento, embora necessário, trouxe inúmeros transtornos a quem diariamente precisava passar pelo local para se dirigir às cidades daquele pedaço da região ou então em direção aos distritos de Novo Sobradinho e Vila Nova.

E apenas por isso é que se deve comemorar a entrega, afinal, esta é uma obra que representa bem o anacronismo brasileiro em relação a outros países mundo afora. Uma obra arrastada durante décadas e que já deveria ter sido concluída há muito tempo por vários aspectos, em especial pela importância desta rodovia para a economia de dois estados altamente produtores – Paraná e Mato Grosso do Sul – além do próprio Paraguai. Somente por este aspecto já seria necessária a duplicação.

Mas há muitos outros fatores envolvidos, como se criar um eixo de desenvolvimento ao longo da 163 e a questão primordial da segurança para quem trafega. Não que a duplicação encerre os acidentes. Basta observar o exemplo da próxima 467 entre Toledo e Cascavel, onde volta e meia acidentes acontecem, entretanto, numa proporção absurdamente menor se comparada quando o trecho era de pista simples. Além disso, quando acidentes acontecem, vítimas fatais passam a ser raridade onde a estrada é duplicada.

E não muito mais mesmo a ser comemorado, isso porque o prazo final da obra foi uma vez mais adiado, agora para julho de 2020. Um atraso que prejudicou por décadas regiões importantes no cenário econômico do Paraná, como são o oeste e sudoeste, e que durante muito tempo foram abandonadas por completo pelas autoridades do Palácio Iguaçu, as quais jamais deram o devido valor a cidades tão pujantes da economia estadual e nacional.

Mas a duplicação vai avançando, a passos de tartaruga e com muitos obstáculos a serem vencidos, em especial a miopia política que tanto atrapalhou – e ainda atrapalha – o desenvolvimento regional pleno. Mas antes tarde do que nunca!