Editorial
As tragédias nossas de cada dia

Quando a mídia, essa mesma marrom e golpista, divulga assassinatos brutais em escolas em outros países, com destaque para os Estados Unidos, muitos torcem o nariz e criticam tal postura por a considerarem apelativa demais. Pois bem, não bastassem os casos mundo afora, eis que agora o Brasil também começa a conviver com tragédias em escolas. A mais recente ocorrida nesta quarta-feira (13), em Suzano, São Paulo, onde dez crianças foram brutalmente assassinadas a tiros por dois outros jovens.

Os motivos agora pouco importam, pois nada trará de volta a vida destas crianças, muito menos conseguirá apagar da memória de quem sobreviveu a essa chacina. Entretanto, nada justifica o uso demagógico do episódio, como se tentou fazer ainda ontem, em entrevista melodramáticas e com uma pitada de comédia pastelão, como a de um professor que disse ter pedido exoneração do quadro do estado após um aluno ter jogado uma garrafa contra ele, como fosse este o único caso de professores agredidos em sala.

Também houve quem já se manifestasse contra a decisão do presidente da República Jair Bolsonaro com a publicação sobre a questão da posse de arma que, na prática, alterou muito pouco em relação ao já existente até então.

Nenhum dos dois assuntos abordados por determinados meios de comunicação por si só justificam os atos bárbaros cometidos ontem e que chocaram o país. Fosse assim certamente o número de mortes em escolas no país seria imensamente maior.

Essa tragédia deve, isso sim, servir para a reflexão sobre o próprio comportamento do jovem em relação à escola e como a própria escola – e aí incluindo os professores – estão se posicionando para se fazer respeitar. Também as famílias dos alunos que preferem a covardia de transferir às escolas a responsabilidade sobre os próprios filhos, como fosse suficiente apenas a matrícula feita.

É momento de luto, mas também de reflexão sobre a própria sociedade brasileira e as transformações sobre ela impostas ao longo dos últimos anos e que criou uma geração de inconsequentes que recebem tudo de mão beijada. Esse sim talvez seja um dos grandes motivadores das tragédias nossas de cada dia.