Editorial
Entre o belo e o necessário

Às vésperas do Natal, Toledo se ressente de uma decoração mais volumosa nas ruas. O assunto virou polêmica em vários cantos. Cada lado lá com suas razões. Mas aí fica a pergunta: entre o belo e o necessário, qual escolher? Se em anos anteriores o dinheiro público para a decoração foi muito mais farto, em 2017 optou-se por economizar e fazer algo dentro do possível. Minimamente o necessário para não se dizer que nada foi feito.

Indiscutível que a decoração este ano, quando comparada às edições passadas, é de uma pobreza ímpar. Todavia, é louvável a determinação da atual administração em economizar em áreas onde a gastança desenfreada pode sim ter consequências desastrosas. Indiscutível também que esta determinação seja levada a outros setores onde algumas pessoas ainda não se conscientizaram que os tempos são outros e a economia é necessária.

Ainda é indiscutível afirmar que a decoração mais exuberante anima as pessoas, atrai visitantes e, de certa forma, ajuda a impulsionar as vendas nesta época. Mas para 2017 é isso que foi possível e é preciso ter essa consciência. Certa ou errada a decisão foi tomada e as consequências igualmente precisam ser aceitas. Tanto para os comentários positivos, quanto para as críticas, afinal, é dessa forma que toca a música no serviço público.

É preciso, entretanto, reconhecer a coragem do prefeito Lucio de Marchi (PP) em tomar essa amarga decisão em reduzir ao máximo os gastos com a decoração natalina em prol da economia de recursos. Em geral, no serviço público, os gestores optam em manter o belo, até como forma de distração para problemas maiores. Aposta-se na velha política romana do pão e circo. Lá na frente, todavia, o belo torna-se efêmero e para o necessário não há mais recursos. Exemplos Brasil afora não faltam e no momento atual optou-se em manter o necessário em detrimento do belo.

Oxalá essa política de austeridade contamine outros setores da administração pública e que reformas necessárias sejam feitas para efetivamente reduzir o custo da máquina e o belo volte a colorir as ruas de Toledo daqui por diante.