Editorial
Inflação real x oficial

O anúncio de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter ficado em 2,95% - abaixo, portanto, da meta estabelecida pelo Governo Federal de 3% - ano passado não significa necessariamente que a inflação é esta medida por índices tão vagos quanto a chance de um time no Campeonato Brasileiro de futebol, tamanha a quantidade de variáveis que podem afetá-lo ao longo da temporada. O próprio ministro da Economia admite que inflação baixa não significa preços baixos, mas sim que eles estão subindo numa velocidade menor. O que não deixa de representar uma ótima notícia após tantos anos de recessão e pessimismo exagerado.

E a prova disso está na reportagem da edição de hoje do JORNAL DO OESTE que aponta alta entre 5 e 8% - em média – no preço dos materiais escolares em Toledo. Muito acima, portanto, da inflação oficial. E nem precisa ser um expert em economia para descobrir existir esta inflação oficial, que serve de parâmetro para as ações governamentais, e uma inflação real, esta das ruas, das compras, que realmente afeta o bolso do consumidor, especialmente aquele com menor poder aquisitivo. Basta ver o exemplo dos aposentados brasileiros que ganham até um salário mínimo. Para estes o reajuste dos vencimentos não chegou a 2%. E olha que poucas são as vozes estridentes brigando para um aumento maior. Seria interessante observar se haverá o mesmo comportamento quando começarem as negociações públicas.

Além disso, nunca é demais lembrar que, além da inflação real, o cidadão comum enfrenta outro tipo de problema: o desemprego. Esta fórmula de inflação alta + desemprego é que tem provocado este desequilíbrio tão grande na sociedade brasileira, ainda mais pelo alto número de benefícios para uma classe de privilegiados que contam com auxílio disso, ajuda daquilo, recessos e licenças prêmios, entre outras ‘mamatas’ tão comuns no país tropical.

Melhor é fazer como revela outra reportagem na edição de hoje: realizar um bom planejamento financeiro para superar um início de ano sempre complicado quando o assunto é a finança pessoal, isso graças ao pagamento de IPVA, IPTU, entre outros gastos que estão sempre sendo reajustados pelo valor de uma inflação que nem sempre corresponde ao discurso oficial, mas sim ao sabor do calor das ruas.