Editorial
Investir nas futuras gerações

Os bons resultados em torno do projeto veterinário Mirim desenvolvido em Toledo são apenas mais um exemplo do quanto o país precisa investir nas futuras gerações se quiser efetivamente transformar essa realidade nefasta que aí está, com escândalos em cima de escândalos que não mais assustam a sociedade. Ao contrário: em geral há uma apatia extremamente perigosa. Uma apatia que cala, cega e paralisa a tal ponto da indignação não ser mais parte integrante do cotidiano das pessoas. A omissão dos bons é muito mais danosa que os maus espalhafatosos, como já alertava Rui Barbosa.

O grande mérito do Veterinário Mirim é mudar a cultura em relação a um determinado assunto, no caso os maus tratos com os animais. Em geral quem tem afeto pelos ‘bichinhos’ consegue demonstrar uma grandeza maior de espírito em relação a outros problemas. Não que seja uma regra, até porque há quem exagere neste amor pelos animais em detrimento de outros seres humanos, entretanto, no caso do programa toledano a ideia é realmente despertar um olhar diferente nos pequenos cidadãos, portanto, o futuro da cidade.

E assim acontece também com o Educa Trânsito, outro programa muito bacana desenvolvido pela Secretaria de Segurança e Trânsito e que busca mudar a consciência dos pequenos em relação ao comportamento no trânsito, independente da posição que ocuparem no futuro. Se hoje é quase impossível fazer algo para reduzir algumas arbitrariedades cometidas, a salvação, por assim dizer, pode realmente estar nas futuras gerações.

Outro grande exemplo dessa mudança cultural atende pelo nome de Proerd, o programa de combate às drogas desenvolvido pela Polícia Militar que em Toledo tem feito um belíssimo trabalho, é preciso reconhecer.

Em comum os programas demonstram que não é necessário ter alguma ideologia política, alguma verve politiqueira por trás para algo funcionar com a qualidade e atingir os objetivos propostos. Para isso basta apenas boas ideias, boa vontade e boas pessoas gerindo bons programas. Oxalá mais e mais programas possam surgir, dentro e fora das gestões públicas, para quem sabe um dia o Brasil acordar mais digno e indignado com tantos desmandos. Fácil não é, entretanto, possível sim.