Editorial
Liberdade de expressão ou exagero?

A condenação do jornalista – e humorista – Danilo Gentili por ofensas contra a deputada federal Maria do Rosário fechou uma semana de intensos debates. Houve liberdade de expressão ou exagero? Um pouco dos dois, na verdade. E de ambos os lados! Gentili nunca foi o que se pode chamar de politicamente correto. Aliás, este é o que se espera de qualquer bom humorista que no Brasil teve gênios na arte de criticar a classe política.

Chico Anysio e Jô Soares talvez tenham sido os mais marcantes na televisão, sem esquecer o humor ácido de Juca Chaves e seus repentes sensacionais. Mas os tempos mudaram, a televisão mudou e o humor brasileiro da mesma forma. Isso não quer dizer que o que se produz hoje é melhor ou pior. São tempos distintos de culturas diferentes. E Gentili personifica este novo tempo no humor e na TV.

Assim como Maria do Rosário (PT) representa bem o momento de transformação da política nacional, onde um parlamentar defende bandidos e outro é assumidamente homossexual e, por insinuar perseguição, prefere ‘exilar-se’ na Europa e seguir criticando uma política que ele próprio ajudou a construir, como fez recentemente o igualmente polêmico Jean Willys, fruto deste novo momento da televisão chamado Big Brother. Ou alguém tinha ouvido falar no deputado antes de sua aparição vitoriosa na telinha da Globo que ele – e outras Marias do Rosário tanto criticam?

Se uma professora pode defecar sobre a fotografia do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) – que por sua vez defendeu um general (Carlos Alberto Brilhante Ulstra) e a própria ditadura (ah, sim, houve ditadura militar no Brasil e quase houve uma civil também) no plenário da Câmara Federal – por que não Gentili não poderia fazer um vídeo agredindo a deputada que chamou o mesmo Bolsonaro de estuprador?

Há leis para conter os exageros de todos os lados e eventualmente puni-los. Não se trata de dizer que Gentili está 100% certo, assim como a própria deputada que agora posa de vítima, mas em outros momentos se mostrou muito mais aguerrida quando vocifera contra aquilo que ela considera nocivo ao país. É mais ou menos como outro vídeo ocorrido no Lolapalooza onde uma cantora – coincidentemente vestida de vermelho dos pés à cabeça – incita os jovens a emitirem do interior de seus órgãos sexuais frases em favor da soltura do ex-presidente molusco que segue preso em Curitiba. Isso até a turma de amiguinhos do Supremo Tribunal Federal dar um jeito de colocá-lo nas ruas. Mas isso é apenas uma opinião, não uma certeza. Ou será que é?

E viva a liberdade de expressão!