Editorial
No fundo do poço

Em meio à gritaria dos ‘intelectuais’ brasileiros pelo contingenciamento de verbas para as universidades federais, o ministro da Economia Paulo Guedes foi, uma vez mais, ao Congresso Nacional para jogar um pouco de consciência – e sinceridade – num ambiente onde esses dois argumentos soam mais como algo fantasioso a ser uma regra que deveria prevalecer. Disse ele, sem meias palavras, aquilo que o cidadão comum há muito tempo já percebeu: a economia brasileira, disparou o ministro, “está no fundo do poço” e, em meio ao furor que sua declaração provocou lançou outra: o Produto Interno Bruto deverá crescer menos de 2%, contrariando toda e qualquer previsão anterior.

Para os mais de 13 milhões de desempregados a notícia é trágica, entretanto, ao menos alguém finalmente está tendo a coragem – e o bom senso – de devolver à realidade um país que nos últimos anos pareceu ter vivido um sonho movido a corrupção, gastança desenfreada e a tentativa de implantar uma ideologia que poderia ter levado a nação a uma situação ainda pior se tivesse sido perpetuada. Ao ouvir as palavras duras, porém necessárias, de Paulo Guedes, os congressistas poderiam também despertar deste sono profundo em berço esplêndido e compreender a necessidade de mudar a forma de pensar o Brasil e sua gestão pública.

Não é mais possível manter tudo da forma como era antes porque esse sistema levou a economia do país ao fundo do poço. E quem aponta isso é o ministro da Economia! O Brasil está num momento não apenas delicado, mas decisivo para se determinar qual será seu rumo no futuro. A Reforma da Previdência, criticada, é necessária, assim como uma ampla Reforma Tributária e outra Política. Não será fácil, haja vista o corporativismo típico de um Congresso que, mesmo renovado, segue tendo a postura de outros tempos, com manutenção de benefícios e pressão por cargos dentro da estrutura administrativa.

Também é preciso que fora das paredes do Congresso algumas almas compreendam de uma vez por todas ser necessário promover ajustes para a recuperação plena da economia nacional. Manter benefícios e gastar de maneira irresponsável já não é mais condizente com a fase atual. Nunca deveria ter sido aliás!