Editorial
O agente público e suas ações

Nos últimos anos os agentes públicos brasileiros começaram a ser alvos de ações por propaganda pessoal, como fosse possível dissociar a figura do agente público da esfera pessoal. Um prefeito é prefeito 24 horas por dia, assim como um vereador, deputado, senador, governador, presidente. O mesmo vale para juízes e promotores. O mesmo vale para artistas e tantas outras pessoas que ‘misturam’ vida pessoal com profissional pela natureza de suas atividades.

É tênue demais a linha entre promoção pessoal e divulgação dos atos de uma gestão, de um governo. Evidente que é preciso tolher os abusos, controlar os exageros e manter sob rédea curta atitudes espalhafatosas, entretanto, cabe ao agente público a divulgação de suas ações. Transparência, aliás, é um dos preceitos básicos de qualquer administração pública e a falta dela uma crítica costumeira. E aqui de todos os poderes constituídos, até porque nem sempre quem acusa age de acordo com aquilo que prega.

Mas há a necessidade da população saber o que acontece onde vive e em outros lugares. Cabe também à imprensa divulgar essas ações. O julgamento sobre aquilo que está sendo divulgado deve ser feito pela sociedade, afinal, se ela elegeu seus representantes cabe a ela cobrá-los sobre determinadas situações. Mas como no Brasil nem sempre esse é um processo fácil de ser compreendido, mais fácil é sair atirando contra tudo e todos.

Nos últimos tempos, por mais que se cobre essa tal transparência, parece haver movimento no sentido contrário de tolher o acesso às informações e o agente público e suas ações nem sempre podem ser tão públicos. Em Toledo, há alguns anos, houve a recomendação de não mais se contratar estagiários de jornalismo, limitando as vagas existentes dentro da Câmara Municipal apenas a estudantes de direito e áreas ligadas à administração. Uma limitação na divulgação das atividades dos vereadores que vem sendo ‘driblada’ com a nomeação cada vez maior de jornalistas como assessores parlamentares. A propaganda das ações públicas não deveria ser discutida, mas sim ampliada. Em todos os poderes!