Editorial
O Estado apenas onde se deve

O ano começou realmente diferente no Brasil. Cortes de cargos, redução de secretarias, corte nas despesas, necessidade de prestação de contas, anúncios de privatizações, enfim, medidas necessárias para reduzir o tamanho do paquidérmico Estado brasileiro em todas suas esferas administrativas, dando a impressão de que os atuais novos gestores – ao menos a maioria – entenderam o recado das urnas, onde os cidadãos demonstraram a insatisfação com o modelo que ali estava posto. É a mentalidade de manter o controle do Estado apenas onde ele realmente é necessário.

O melhor exemplo dessa necessidade é o campo da telefonia. Até a década de 90, quem tinha um telefone fixo – até porque celulares eram mera peça de ficção científica no Brasil – era um verdadeiro vencedor. As ações da telefonia transformaram a vida de muitas pessoas até a privatização do setor, que não apenas aumentou a quantidade de acessos, como melhorou e muito a qualidade do sistema. Hoje, apesar das falhas, é inegável o quanto avançou o setor. Basicamente só não tem telefone hoje no Brasil quem realmente não quer.

O corte de cargos comissionados e a redução de secretarias e ministérios eram outras medidas aguardadas pela maioria da população, ao menos por aquela parcela que tem consciência sobre a necessidade de reduzir o custo operacional da máquina pública. Pena que nem todos pensem assim, preferindo manter benefícios que custam muito caro ao país, não apenas na ótica financeira, mas principalmente na social, ampliando ainda mais o abismo entre as classes. E não se trata de um discurso ideológico, mas apenas a simples constatação de uma realidade que só não enxerga quem não quer.

A esperança agora é que estas medidas adotadas no início da maioria das gestões país afora não sejam apenas modismo de quem está chegando agora ao poder, mas sim uma onda duradoura capaz de criar uma cultura consciente sobre qual o papel do Estado e aquilo que pode ser destinado à iniciativa privada. Dessa forma ainda é possível sonhar com um país mais justo, democrático e desenvolvido.