Editorial
O número de vereadores

Em algumas cidades, como é o caso de Foz do Iguaçu, a Associação Comercial encabeçou uma campanha para não aumentar número de vereadores. Já são 9 mil assinaturas colhidas em pouco mais de uma semana do início da mobilização. Em Santa Catarina outdoors foram espalhados – assim como e-mails pela internet – criticando as deficiências de Jaraguá do Sul e questionando a real necessidade do aumento no número de vagas.

Evidente que o tema suscita o debate, ainda mais quando nestas cidades, assim como é o caso d e Toledo, na última eleição o número de cadeiras no Legislativo foi reduzido à fórceps, numa decisão arbitrária da Justiça e que deixou todos os partidos e coligações numa situação desconfortável pela necessidade de cortar pré-candidatos na reta decisiva.

É justo o aumento nas vagas? É realmente necessário?

Justo é, até porque a decisão de reduzir as cadeiras desagradou muita gente. Necessário não, até porque os Legislativos seguiram funcionando perfeitamente e nenhum município, onde se tem notícia, fechou as portas pela ausência de uns vereadores a mais.

Claro que a justificativa oficial dada para a redução, do corte de gastos, infelizmente não aconteceu. Ao contrário: em muitos municípios houve aumento nas despesas, sem falar nas manobras usadas para aumentar o número de assessores fez saltar os gastos. Os próprios vereadores trataram de aumentar os gastos, seja com salários, seja com despesas de viagens.

Toledo entra no centro dessa questão com a proposta – discutida ainda de forma tímida e extra-oficial – de aumentar o número de assessores parlamentares, algo inexplicável diante da repulsa popular sobre o próprio aumento de vereadores.

Como a decisão de aumentar ou não será debatida dentro dos respectivos Legislativos, dificilmente o número de vagas não será aumentado. E, caso Toledo não aumente, como explicar os milhões gastos com a reforma e ampliação da Câmara, justamente para acomodar novos moradores temporários.

O assunto será de intensos debates e reuniões até uma decisão ser tomada, todavia, resta saber se os vereadores atuais desejarão se curvar à vontade popular ou ao oportunismo político de pavimentar um caminho menos íngreme numa eventual disputa pela reeleição.