Editorial
O poder dos fake. E o perigo também

Na eleição mais recente dos Estados Unidos, que culminou com a eleição do falastrão Donald Trump, as fake news (notícias falsas) dominaram o mundo sempre pródigo da internet. Na terra de ninguém as redes sociais os chamados robôs – criados para inflar artificialmente a representatividade de candidatos e ideias que, originalmente, não as têm, - foram usados de maneira abusiva, sem mencionar boatos que se transformaram em verdade absoluta na mesma velocidade com a qual eram deletadas.

Esse movimento representa uma séria ameaça de desvirtuamento do debate público durante a campanha eleitoral do ano que vem no Brasil, até porque essa prática vinha sendo – muito bem – usada pelo grupo detentor do poder máximo na esfera federal. E com resultados alarmantemente positivos! E é justamente isso que gera tamanha preocupação, haja vista serem decisões tão importantes como o voto serem tomadas pautadas em visões distorcidas com o único propósito de atender a uma ideologia, a um partido ou a um projeto de poder pelo poder.

Para tentar conter os evidentes danos à democracia que a propagação de notícias falsas pode causar, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou a criação de uma força-tarefa que contará ainda com representantes do Ministério da Defesa e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Só isso não basta! Ainda mais quando se tratam de questões tão localizadas. Para quem pensa se tratar de problemas dos grandes centros, em Toledo na eleição de 2012 muitos ‘contas fakes’ foram usadas, culminando inclusive com a condenação de uma pessoa com estreita ligação com um partido político à época.

Se a estratégia e os mecanismos de combate devem ser novos, a essência da ação criminosa daqueles que se prestam a favorecer ilegal e artificialmente um determinado candidato ou grupo político por meio da divulgação de mentiras já está prevista no Código Penal no rol dos crimes contra a honra, como a calúnia, a injúria e a difamação. Os abusos precisam ser combatidos e os erros precisam ser punidos. Independente de qual lado se está!