Editorial
O problema da inadimplência

A economia de Toledo, no ano passado, deixou de receber aproximadamente R$ 27 milhões em função da inadimplência. De acordo com os números do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), do total da população economicamente ativa na cidade, 21.154 consumidores estão com o CPF negativado, ou seja, impossibilitados de comprar a prazo. Entre os consumidores com CNPJ o número chega a 1.618 incluídos no sistema. Os números impressionam, mas não chegam a ser uma surpresa, especialmente num país onde as pessoas têm uma relação muito conflitante com dinheiro por alguns motivos simples e outros históricos.

O primeiro é que, em função de anos a fio de inflação galopante, o brasileiro em geral ainda não se acostumou com a ideia de uma inflação controlada e dentro dos padrões internacionais de países desenvolvidos. O sobe e desce dos preços é algo natural em qualquer economia madura e estável, assim como a oferta de crédito, tal qual acontece no Brasil. A diferença está nas taxas de juros – absurdas – cobradas no país e que arrebentam quem não consegue manter as contas em dia. Cartões de crédito, cheque especial e financiamentos com taxas estratosféricas são vilões traiçoeiros.

Além disso, não há no Brasil em geral qualquer tipo de educação financeira trabalhada desde pequeno com o cidadão. São exceções em poucos lugares onde se busca ensinar o futuro consumidor a trabalhar de forma ordenada com o dinheiro que lhe cabe. Orçamento e planejamento são duas palavras pouco usuais no vocabulário do cidadão em geral, tanto que em qualquer pesquisa sobre o nível de consciência do brasileiro em relação às suas contas o resultado é baixíssimo, fruto da falta de educação em mais um campo.

Há ainda o aspecto religioso. O brasileiro parece ser ensinado que dinheiro é pecado. Só é quando mal empregado ou quando o apego é exagerado com a grana nossa de cada dia, essencial para pagar as contas. Também é preciso considerar eventuais casos, como a perca repentina do emprego ou um gasto extra imprevisto. Fora isso em geral o cidadão brasileiro administra mal suas próprias finanças, não poupa e gasta mal.