Editorial
O TAC das horas

Na semana passada representantes da Prefeitura de Toledo, do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e do Ministério Público assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta no sentido de normatizar a realização e o pagamento de horas extras dentro da estrutura municipal, comprovação máxima da incapacidade de gerenciamento dos recursos humanos e da falta de controle de ocupantes de cargos de confiança sobre seus servidores, sem mencionar a omissão do próprio sindicato em barrar os abusos que vinham sendo cometidos e que haviam sido alertados na Coluna do Editor durante o ano passado sem, entretanto, nada ter sido feito no sentido de acabar com a farra cometida por alguns funcionários públicos.

Melhor seria dizer ‘sanguessugas públicos’, afinal, quando uma pessoa se utiliza do sistema que é de todos em benefício próprio não merece outra definição. O que vinha acontecendo é o exemplo mais prático dos motivos pelos quais o Brasil vive patinando. É a prova do porque o Estado precisa de uma máquina tão paquidérmica para funcionar, afinal, quando se precisa gastar tanto para o pagamento de horas extras a uma meia dúzia que usava e abusava do mecanismo é preciso arrecadar mais para cobrir o rombo.

E isso que se refere a uma cidade igual Toledo, onde se tem uma economia robusta e onde os serviços públicos funcionam bem. Dá para imaginar o que acontece em municípios mais desprovidos desse controle rigoroso da opinião pública e do Ministério Público.

Também por atitudes assim que uma parcela cada vez maior da sociedade nutre sentimentos nada agradáveis em relação ao funcionalismo público. Hoje é o pagamento de horas extras, amanhã de progressões muitas vezes obtidas de maneira duvidosa, depois de incontáveis benefícios, pela estabilidade que provoca situações vexatórias para quem é servidor público e defende o correto, enfim, por uma série de fatos que jogam na lama uma maioria que trabalha, que atua da maneira como se deve quando se ocupa um cargo público.

O TAC das horas escreve apenas mais um triste capítulo nessa história cujo final jamais será feliz enquanto houver vilões e vilãs se sobressaindo sobre mocinhos e mocinhas cada vez mais omissos e calados.