Editorial
País engraçado esse chamado Brasil

A origem do nome do país tropical, aquele, “abençoado por Deus e bonito por natureza”, como cantou em verso e prosa Jorge Ben – que depois acrescentou mais um Jor – reside no tronco do pau-brasil e a cor de brasa, mora, que os portugueses identificaram lá nos idos de 1500. Mas poderia ser picadeiro, lona ou qualquer outro substantivo que remeta ao circo. No caso dos horrores! Ah, como é engraçado este país chamado Brasil, afinal, declarações do candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), o general Hamilton Mourão, viraram tema de ampla discussão. Disse ele que o Brasil teria uma “herança de indolência” da cultura indígena, além de dizer que a “malandragem” da população seria “oriunda do africano”. Em entrevista à TV Globo, Mourão disse ter sido mal interpretado.

Mas o que dizer de um país cujo ex-presidente, mesmo condenado e preso, consegue se lançar candidato ao máximo cargo do Executivo nacional? Nisso poucos se atrevem em tocar porque soa como insulto, como se o PT não insultasse seus próprios correligionários ao firmar parceria em 15 estados com o ‘golpista’ MDB – que era MDB, mas resolveu mudar para PMDB e agora retornar em ser o velho ‘MDB de guerra’.

Bom, se bem que na sopa de letrinhas na qual se transformou o cenário político nacional, um P a mais ou menos não altera o preço do dólar, ou melhor, do real público que financia as campanhas graças a um fundo bilionário.

E o que dizer de um país onde candidatos terão meros 9 segundos para apresentar suas propostas em cadeia de rádio e televisão. Se o saudoso Enéas tinha lá seus encantos em meio aos devaneios, agora serão mais devaneios que encantos neste engraçado país chamado Brasil, onde candidatos são presos e soltos por uma turma de togados que mais parecem líderes de torcida de algum clube qualquer, agitando seus pompons aos céus, como que agradecendo pela mamata entregue assim, de mão beijada e sem muita necessidade de se manter a coerência, até porque essa é uma palavra que deveria ser riscada de qualquer dicionário sério num país onde os glúteos seguem sendo assunto, mesmo que na esfera criminal.

Mas pedir para se ter pelo menos um dicionário sério é como acreditar no mantar do ‘país do futuro’. Só rindo mesmo!